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ANÁLISE DAS CONCEPÇÕES DE PROFESSORES E ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SOBRE A FORMAÇÃO DE CONCEITOS FÍSICOS EM INDIVÍDUOS CEGOS

Estéfano Vizconde Veraszto, Mateus Xavier Yamaguti, José Tarcísio Franco De Camargo, Eder Pires De Camargo, Emerson Rodrigo Baião, Fernanda Oliveira Simon

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ANÁLISE DAS CONCEPÇÕES DE PROFESSORES E ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SOBRE A FORMAÇÃO DE CONCEITOS FÍSICOS EM INDIVÍDUOS CEGOS*

## Estéfano Vizconde Veraszto , Mateus Xavier Yamaguti , José Tarcísio Franco 1 2 de Camargo 3 , Eder Pires de Camargo , Emerson Rodrigo Baião , Fernanda 4 5 Oliveira Simon 6

4

## *Pesquisa financiada pela FAPESP

## Resumo

O artigo analisa a concepção de alunos e professores da área de Ciências da Natureza do Ensino Médio acerca do processo de conceitualização em física por indivíduos cegos congênitos. A investigação amparou-se em pressupostos qualitativos, analisando respostas transcritas de trinta alunos e três professores. Cada indivíduo respondeu um questionário composto por quatro questões e as mesmas foram analisadas a partir de técnicas de análise de conteúdo. Os resultados indicaram que os respondentes consideram que os indivíduos cegos são capazes de aprender física e ciências, e até mesmo virem a se tornar cientistas. De acordo com os resultados é possível considerar que a cegueira não impede que o aluno aprenda conceitos físicos. Além disso, a análise encontrou bastante palavras como: sensibilidade, sentidos e sensações que vieram, quase sempre, acompanhadas ou associadas a reflexões acerca da possibilidade de indivíduos cegos virem a adquirir conhecimentos científicos através de percepções multissensoriais. Por isso, a ausência da visão, não seria empecilho para conhecer conceitos físicos e científicos. Neste sentido, as respostas nos fazem refletir que a capacidade e cognição do indivíduo não está ligada a uma deficiência ou a presença de determinado sentido, mas sim à diversidade de possibilidades de acesso ao conhecimento. Todavia, os respondentes também apontaram que tais feitos só são possíveis se os indivíduos cegos receberem apoio da sociedade e tiverem à disposição infraestrutura adaptada e apropriada para o pleno desenvolvimento de suas atividades. Além disso, também foi possível identificar na fala de alguns respondentes, sinais de que processos inclusivos ainda encontram barreiras para a efetivação prática.

Palavras-chave : Educação Inclusiva, conceitualização em Física, cegos congênitos, Ensino Médio, análise de conteúdo.

## Introdução

Buscando encontrar dados que possam sinalizar como alunos e professores do Ensino Médio entendem o processo de conceitualização em Física por indivíduos cegos congênitos, o trabalho também se ampara no fato de que nos últimos anos, tem aumentado a presença de alunos com necessidades especiais em escolas

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brasileiras. O censo escolar de 2012 aponta que o acréscimo de matrículas de alunos com necessidades educacionais especiais (dos quais os alunos cegos congênitos fazem parte) na rede regular de ensino, foi de 1313,4%, passando de 43.923 alunos em 1998 para 620.777 em 2012 (BRASIL, 2012). Este fato reflete os efeitos de legislações específicas para a educação especial no Brasil e está em consonância com diretrizes educacionais na área e movimentos organizacionais internacionais (CAMARGO et. al., 2009).

Antes de prosseguir é preciso salientar que este trabalho é inétido, mas assemelha-se em estrutura a trabalhos já apresentados no SNEF 2015 (VERASZTO; CAMARGO, 2015) e EPEF 2016 (VERASZTO, CAMARGO, CAMARGO, 2016a, 2016b, 2016c). Essas semelhanças existem já que este trabalho analisa as mesmas questões propostas nos trabalhos anteriores, mas agora aplicadas a públicos diferenciados. Os trabalhos anteriores investigaram dados referentes a alunos de graduação de cursos de licenciaturas na área de ciências da natureza (Física, Química e Ciências Biológicas); e esta pesquisa foi realizada com alunos e professores do ensino médio regular. Mantendo o mesmo referencial, metodologia e estrutura, a análise considera novas variáveis dentro de uma pesquisa maior, financiada pela FAPESP e intitulada A percepção de alunos e professores sobre o processo de conceitualização em Ciências por cegos congênitos: um estudo para a construção de propostas curriculares inclusivas e interdisciplinares . Por se tratar de um trabalho amplo, com muitos grupos a serem investigados, os dados não puderam ser resumidos e apresentados em um só texto.

## Pressupostos teóricos

Trabalhos anteriores, buscaram abordar como professores em formação entendem o processo de conceitualização em ciências por indivíduos cegos congênitos (VERASZTO, CAMARGO, CAMARGO, 2016a, 2016b, 2016c; VERASZTO; CAMARGO, 2015). Esta pesquisa levantou categorias para classificar a compreensão do processo de conceptualização e ciências por indivíduos cegos congênitos. De maneira geral, as categorias servirão como base para a análise deste trabalho e encontram-se resumidas na tabela 1.

Tabela 1 : categorias para análise do processo de conceitualização em ciências por indivíduos cegos congênitos

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Partindo da opinião de alunos de graduação, cursando anos finais de cursos de licenciaturas na área de Ciências da Natureza (Física, Química e Ciências Biológicas), as respostas foram agrupas e categorizadas. No geral, as categorias sinalizaram que a compreensão acerca do processo de aprendizagem de conceitos científicos por indivíduos cegos congênitos ainda beira o senso comum. Opiniões mostraram, em sua maioria, que os cegos são capazes de exercer atividades científicas e podem vir a aprender o conceito de luz ou outros conceitos científicos. Todavia, as respostas quase sempre eram desprovidas de maior argumentação acerca da temática.

Neste sentido, conforme aponta Camargo (2016), as pesquisas podem indicar que os licenciandos preocupam-se com a temática, buscando dialogar com as especificidades de discentes com necessidades educacionais especiais (NEE) no contexto educacional da sala de aula, mas ainda não estão preparados para exercerem atividades práticas neste sentido. Isso significa que um docente, quando se depara com a questão do ensino de física (ou ciências) para estudantes com NEE, não conseguem perceber de forma clara que existem elementos do método, dos fenômenos e conceitos e do material instrucional que devem e precisam ser adaptados para esses estudantes, sem deixar de lado aspectos inclusivos que venham a contemplar todos os alunos inseridos no contexto para o qual as atividades precisam ser planejadas e aplicadas. Assim, o atendimento das diferentes necessidades educacionais dos alunos com e sem deficiências constitui-se como sendo o desafio mais importante que o professor em formação (e o já formado e

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atuante no ensino regular) deve enfrentar. Por isso, a busca por uma educação inclusiva precisa superar os modelos pedagógicos tradicionais considerando todas as possibilidades de uma educação para todos. É neste sentido que a inclusão se posiciona de forma contrária aos movimentos de homogeneização e normalização. É preciso ficar claro que devem ser assegurados no contexto escolar o direito à diversidade e à heterogeneidade. Nesta lógica, as diferenças individuais precisam ser reconhecidas e respeitadas, abrindo espaço para novas metodologias e práticas de ensino e eliminando do contexto escolar ações segregacionistas. Uma atividade planejada nesta perspectiva deve dar plenas condições de participação aos alunos com alguma NEE, bem como para todos os demais discentes envolvidos no processo. É essa participação efetiva que garante a inclusão efetiva na sala de aula e no contexto escolar (CAMARGO, 2016).

## Metodologia

A pesquisa se ampara em fundamentos de metodologia qualitativa e emprega técnicas Análise de Análise de Conteúdo.

## Instrumento de pesquisa

Leontiev (1988), aponta que uma pessoa cega pode tornar-se cientista e também criar uma nova teoria, talvez mais perfeita, sobre a natureza da luz mesmo que sua experiência sensível seja tão pequena quanto a àquela que uma pessoa comum tem da velocidade da luz. Essas colocações, que relacionam conceitos e fenômenos físicos com aspectos da percepção sensorial por parte de indivíduos cegos, bem como com aspectos que envolvem sua compreensão e entendimento, motivaram a pesquisa descrita neste artigo. Essas considerações levaram à construção das seguintes questões: (1) Acerca de uma pessoa totalmente cega de nascimento reflita e responda com toda tranquilidade e sinceridade. (1.1) É possível que ela se torne cientista? Explique. (1.2) Ela pode compreender a natureza da luz? Explique. (2) A visão não constitui requisito para o conhecimento de alguns (ou muitos) fenômenos físicos (e de outras naturezas). Você concorda ou não com a afirmação apresentada? Explique. (3) A experiência sensível que um cego congênito (cego de nascimento) pode ter da luz é tão pequena quanto aquela que uma pessoa comum tem da velocidade da luz. Você concorda ou não com a afirmação apresentada? Explique.

## Público alvo

Foram procuradas 4 escolas de Ensino Médio do Município de Araras-SP, mas apenas 2 duas estiveram dispostas a participar da pesquisa. Nas escolas pesquisadas não tivemos professores de Física respondentes. Uma delas (escola 2) não tinha professor formado em Física especificamente, e a outra escola não teve a colaboração dos 3 professores de Física que lecionam na mesma. Em relação aos alunos, participaram da pesquisa 30 alunos do Ensino Médio. A caracterização desta amostra fica melhor explicitada na tabela 2.

Tabela 2 : caracterização da amostra

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## Análise de conteúdo para classificação das respostas

Foram empreendidas técnicas de Análise de Conteúdo (BARDIN, 2004) para analisar os dados constituídos. Neste sentido, o material reunido passou por um processo de classificação até a obtenção das variáveis. Esse trabalho foi organizado em três pólos distintos: (i) pré-análise: organização do material constituído e uma leitura flutuante, para obter uma categorização dos dados obtidos; (ii) A exploração do material: a administração sistemática das decisões tomadas; (iii) tratamento dos resultados e interpretação: fase que combinou a reflexão, intuição e o embasamento nos dados empíricos para estabelecer relações buscando resultados a partir de dados brutos, de maneira a se tornarem significativos e válidos. A partir desse processo os dados foram codificados segundo regras precisas, buscando verificar como as respostas poderiam estar relacionadas com as categorias mencionadas anteriormente (tabela 1). Assim, é possível apontar que a abordagem qualitativa foi utilizada no intuito de descobrir se as principais ideias dos sujeitos investigados estão de acordo com a literatura. Nesse sentido, é válido destacar que a abordagem qualitativa adotada trouxe subsídios para interpretar informações peculiares provenientes de opiniões pessoais e subjetivas dos indivíduos envolvidos na pesquisa (BOGDAN & BIKLEN, 1994).

## Análise dos dados

A análise individual de cada questão não foi executada. Em função das respostas dos alunos serem relativamente curtas, a opção foi a análise de todas as questões de maneira conjunto. Essa escolha permitiu ter uma visão mais ampla da compreensão de alunos e professores do ensino médio acerca da compreensão do processo de conceitualização por indivíduos cegos.

Tabela 3 : análise descritiva das respostasTabela 4 : categorias encontradas nas respostas dos alunos

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Tabela 5 : categorias encontradas nas respostas dos professores

## Discussão dos resultados

Com o intuito de mostrar que cada categoria foi nomeada de acordo com as definições prévias, trechos foram selecionados a partir da análise de conteúdo, e os mesmos, são disponibilizados na tabela 6. Antes de apresentar as transcrições, é importante sinalizar que os alunos de Ensino Médio foram classificados com a sigla EM, com numeração variando de 1 até 30 (total de respondentes). Os professores, foram chamados de P, com a numeração variando de 1 a 3.

Tabela 6: Seleção de trechos de respostas

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## Considerações finais

De acordo com o resultado obtido nesta pesquisa é possível considerar que a cegueira não impede que o aluno aprenda conceitos físicos. Além disso, na análise encontrou-se bastante palavras como: sensibilidade, sentidos e sensações. Esses termos, quase sempre vieram acompanhados de reflexões acerca da possibilidade de indivíduos cegos virem a adquirir conhecimentos científicos através de percepções multissensoriais. Por isso, a ausência da visão, não seria empecilho para conhecer conceitos físicos e científicos. Neste sentido, as respostas nos fazem refletir que a capacidade e cognição do indivíduo não está ligada a uma deficiência ou a presença de determinado sentido, mas sim à diversidade de possibilidades de acesso ao conhecimento.

Por outro lado, também é importante ressaltar que mesmo tendo a grande maioria das respostas indicando possibilidade do aprendizado dos conceitos de Física por indivíduos cegos, alguns entrevistados consideram que tal fato só é possível se o mesmo tiver um acompanhamento diferenciado e espaços de trabalho e infraestrutura adequadas e adaptadas.

## Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Trad.: RETO, L. A. e PINHEIRO, A. 3a. Ed. Edições 70. Lisboa, Portugal. 2004.

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VERASZTO, E.V.; CAMARGO, E.P.; CAMARGO, J.T.F. A percepção de licenciandos na área de Ciências da Natureza acerca da compreensão do conceito de luz por cegos congênitos. Anais . XVI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Natal, 2016b (aceito para publicação em setembro de 2016)

VERASZTO, E.V.; CAMARGO, E.P.; CAMARGO, J.T.F. A visão como requisito para conhecimento de fenômenos físicos: um estudo da opinião de licenciandos. Anais . XVI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Natal, 2016c (aceito para publicação em setembro de 2016).

VERASZTO, E.V.; CAMARGO, E.P. Cegueira congênita e trabalho científico: um estudo sobre a percepção de professores em formação em Ciências da Natureza. In: Anais . XXI Simpósio Nacional de Ensino de Física. SNEF 2015, 2015, UberlândiaMG. Anais, 2015. v. 1. p. 1-8.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.