PANORAMA DAS LICENCIATURAS EM FÍSICA DOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA.
Lucas De Freitas Soares, Luzia Matos Mota
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 26/01/2017
- Linha de pesquisa
- Educação Científica, Política E Sociedade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PANORAMA DAS LICENCIATURAS EM FÍSICA DOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA.
## Lucas Soares 1 , Luzia Mota 2
1 IFBA; soareslucas1992@gmail.com
2 GPET, IFBA.; luziammota@gmail.com
## Resumo
Este artigo é um dos resultados do projeto de Iniciação Científica: 'Um diagnóstico físico e conceitual sobre as Licenciaturas em Física na Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica'. Ele tem como objetivo principal compreender o novo panorama físico e avaliar qualitativamente os cursos de Licenciaturas em Física que são ofertados pela Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica. Para realizar essa pesquisa foi realizada uma revisão bibliográfica de trabalhos aderentes com o tema e de textos sobre a Pedagogia Histórico-Crítica, particularmente nas suas relações com o Ensino de Ciências. As fontes pesquisadas para se obter as informações quantitativas foram: os domínios online das instituições da Rede Federal (Institutos Federais, CEFETs e Universidade Tecnológica); o portal do Ministério da Educação - MEC no domínio virtual 'emec.mec.gov.br' que disponibiliza informações sobre todos os cursos de Educação Superior do Brasil, com atualização até 2015; o portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP. A partir das informações obtidas nesse trabalho foi possível compreender como esses cursos estão distribuídos, quando foram criados, peculiaridades regionais, características qualitativas, como perfil do egresso e o perfil docente.Os resultados obtidos na pesquisa demonstram que as licenciaturas em Física da Rede Federal vem impactando o cenário nacional de formação de professores de física tanto na dimensão quantitativa quanto qualitativamente, particularmente a partir de 2008.
Palavras-chave : Licenciatura em Física, Rede Federal, Formação de Professor.
## Introdução
O objetivo principal desse artigo foi realizar uma análise quantitativa e qualitativa dos cursos de Licenciatura em Física da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica (RFEPCT). As variáveis a serem estudadas relacionam o período de criação das licenciaturas, a distribuição regional, o Conceito de Curso referenciado pelo Ministério da Educação - MEC, o perfil dos egressos e o perfil do corpo docente desses cursos.
Este projeto justifica-se pela necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas novas licenciaturas. A maioria dos cursos de Licenciatura em Física que funcionam nos Institutos Federais é recente e ainda existe pouca informação a seu respeito. Essa pesquisa possibilitará que pesquisadores que atuam na área de formação de professores e no ensino da Física tenham fontes bibliográficas sobre o tema, além de contribuir com a formulação de políticas públicas para a formação de professores de Física na Rede Federal.
- A metodologia para a produção deste artigo foi dividida em dois momentos, sendo o primeiro momento voltado para a análise quantitativa dos cursos de
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Licenciatura em Física dos Institutos Federais e o segundo momento voltado para a análise dos Projetos Pedagógicos dessa mesma oferta.
- O primeiro momento foi dividido nas seguintes partes: 1. Pesquisa bibliográfica em artigos e livros que tratam da história recente da Rede Federal e sobre os cursos de licenciaturas em Física. O referencial teórico foi completado com uma síntese do pensamento de Dermeval Saviani sobre a Pedagogia HistóricoCrítica que serviu de sustentação teórica para a análise dos projetos no que diz respeito a concepção de formação de professores adotada nas licenciaturas em Física da Rede Federal 2. Na segunda etapa, foi realizado um levantamento de dados para obter as informações quantitativas sobre os cursos. As fontes principais foram: os domínios online das instituições da Rede Federal (Institutos Federais, CEFETs e Universidade Tecnológica); o portal do Ministério da Educação - MEC no domínio virtual 'emec.mec.gov.br' que disponibiliza informações sobre todos os cursos de Educação Superior do Brasil, com atualização até 2015; o portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, através das Sinopses da Educação Superior que disponibilizam informações sobre as instituições de ensino superior quem disponibiliza dados que estão atualizados até 2013; 3. Após a obtenção dos dados foi realizado o tratamento estatístico com a confecção de gráficos; 4. Por último foram criadas as categorias para a análise das informações e os resultados estão expressos nas próximas seções deste artigo.
- O segundo momento foi divido em 3 etapas: 1. A primeira etapa foi procurar pelos Projetos Pedagógicos dos cursos de Licenciatura em Física dos Institutos Federais nos espaços virtuais desses institutos. 2. Selecionar uma amostra desses projetos e os critérios para serem analisados. 3. Análise dos Projetos Pedagógicos.
- O artigo está dividido em 4 seções com esta introdução. Na segunda são apresentados os passos metodológicos e o referencial teórico que guiaram a pesquisa, na terceira parte estão os resultados mais relevantes da análise quantitativa da oferta de cursos de Licenciatura em Física da Rede Federal e os resultados da análise feita sobre os Projetos Pedagógicos dos cursos de Licenciatura em Física dos Institutos Federais. A última seção traz as considerações finais do trabalho.
## Processos Teóricos e Metodológicos
Para realizar essa pesquisa foi feito um breve levantamento histórico sobre a Rede Federal de Educação Profissional, Cientifica e Tecnológica, em artigos e livros disponíveis. Os textos base usados foram: 'A função social da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica na educação brasileira' (MOURA D. H., 2007) e 'Institutos Federais: determinantes históricos, políticos e cognitivo' (Mota & Rodrigues, 2015) com a intenção de contextualizar a pesquisa na evolução temporal da Rede. Na sua criação, as instituições da Rede tinham um caráter diferente do atual, eram escolas voltadas para atividades práticas e tinha, por trás da sua criação, uma intencionalidade política de tirar da marginalidade os jovens de famílias menos favorecidas socialmente. Nesse período a Rede Federal não ofertava cursos de nível superior. A Rede sofreu várias mudanças, passando por Liceus Profissionais, Escolas Técnicas e só a partir de 1978 com a criação dos primeiros CEFETs (Centros Federais de Educação Tecnológica) é que essas instituições puderam ofertar cursos de nível superior. Nessa época a oferta de cursos de
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licenciatura era facultativa. Com a Lei nº 11.892 do ano de 2008, as instituições da Rede Federal passaram a ter que destinar 20% das suas vagas para a modalidade de licenciatura, preferencialmente, nas áreas de ciências naturais e matemática. Desde então os números de cursos de licenciatura na Rede Federal de Educação aumentaram de modo impactante, o que justifica a realização deste trabalho.
Para analisar a concepção formativa explicitada nos projetos de cursos das licenciaturas foi feita a opção consciente de utilizar o arcabouço teórico definido por Dermeval Saviani a partir do termo Pedagogia Histórico-Crítica. A escolha deve-se a perspectiva política-ideológica desta proposta que casa com a missão dos Institutos Federais de ofertar educação emancipatória voltada para a inclusão social e o desenvolvimento local. A formação Histórico-Crítica ou reflexiva expressa uma pedagogia que se empenha em compreender a questão educacional a partir do desenvolvimento histórico objetivo, isto significa que essa concepção pressupõe a compreensão da questão educacional sob o ponto de vista das condições materiais da existência humana. (Saviani, 1989, p. 23 apud TEIXEIRA, 2003, p.180). A proposta defendida por Saviani indica pressupostos que implicam na substituição de uma visão crítico-mecanicista (que considera que a sociedade determina em uma única direção a realidade e dessa forma, a educação acaba colaborando para perpetuação da realidade existente) para uma visão crítico-dialética (já segundo esta visão, a educação também interfere sobre a sociedade, podendo inclusive, contribuir para a sua própria transformação).
Ancorada na base teórica escolhida, foi realizada uma coleta de dados sobre os cursos de Licenciatura em Física ofertados pela Rede. A busca por esses dados ocorreu através de informações disponíveis em domínios online, como explicitados na introdução do artigo. Com essas informações foi possível tratar os dados estatisticamente e construir gráficos que possibilitaram uma visão melhor da análise realizada. As principais questões respondidas foram: quais os períodos de criação dos cursos analisados? Quantos são esses cursos? Como eles estão distribuídos regionalmente? Foi possível perceber também se existem diferenças regionais quanto ao número de cursos ofertados por estado e se essa distribuição está compatível com a missão dos Institutos Federais de levar cursos de nível superior para as cidades do interior, visando desenvolvimento local e inclusão social para o interior do país.
Após a análise quantitativa foi realizada uma busca em domínios eletrônicos dos cursos de Licenciatura em Física dos Institutos Federais a fim de se obter os Projetos Pedagógicos dos mesmos. Foi definida uma amostra desses projetos que foi analisada através de algumas categorias tais como Perfil do Egresso e o Perfil Docente.
## Resultados Alcançados
A primeira análise realizada foi sobre o período de criação dos cursos de Licenciatura da Rede Federal. Com as informações contidas nos documentos do 'emec.mec.gov.br' foi possível saber em qual ano as Licenciaturas em Física da Rede começaram a funcionar, foi possível obter informação sobre 65 de 68 Licenciaturas que já haviam sido catalogadas até o momento da pesquisa. Com as informações obtidas foi possível construir uma curva de crescimento da quantidade de licenciaturas ano após ano
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É possível associar o pico de crescimento em torno do ano de 2008 com a nova institucionalização da Rede Federal que, a partir desta data, determina às instituições da Rede que destinem vagas para essa modalidade de curso.
Figura 01: Crescimento do número de cursos de Licenciaturas em Física da Rede Federal
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Segundo o 'emec.mec.gov.br', são 68 cursos no final de 2015, destes foi possível identificar o ano de criação de 65 desses cursos. Das licenciaturas analisadas, podemos destacar as licenciaturas do campus São Paulo (IFSP), do campus Belém (IFPA) e do campus São Luís (IFMA), como sendo as mais antigas por terem iniciado seu funcionamento em 2001.
Dando continuidade à análise quantitativa, foi possível perceber que a Região Nordeste é a região que oferta mais cursos de Licenciatura em Física pela Rede Federal, 24, seguido pelo Sudeste, com 18. O menor número absoluto ficou com a região Centro-Oeste, que só possui 5 cursos.
Em números absolutos é possível notar que o Nordeste possui mais vagas, mas ao compararmos esses números com os números de estado de cada região do país, é perceptível que a região Sudeste e o Sul lideram os índices. O Sudeste tem em média, 4,5 cursos por estado, o Sul tem uma média de, aproximadamente, 3,67 cursos por estado e o menor índice é o da região Centro-Oeste que tem uma média de 1,25 cursos por estado.
Figura 02: Índice de cursos em cada Região por número de estados
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Outra análise que podemos fazer é referente a uma das missões da Rede Federal que é o desenvolvimento local das cidades onde os Institutos Federais são implantados (BRASIL, 2008). A interiorização do Ensino Superior, particularmente de licenciaturas em áreas que existe uma carência forte de professores qualificados, como é o caso da área de física poderia servir como um bom indicador para a efetividade da missão dos Institutos Federais e do processo de expansão realizada na Rede Federal desde 2006 (TRINDADE, 2011). Pensando nisso foi analisado o percentual de cursos de Licenciatura em Física da Rede Federal que estão implantados em cidades do interior e quanto desses cursos estão nas capitais. Até a data de realização dessa pesquisa a Rede contava com 68 cursos sendo que 54 estão no interior, revelando que a maioria dos cursos foi criada em cidades interioranas.
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Quanto aos Conceitos de Curso, que é uma nota avaliativa que o MEC atribui aos cursos e pode variar de 1 até 5, sendo que não existe precisão de casas decimais, e analisando as informações desses índices, é possível ter uma noção da qualidade dos cursos de Licenciatura em Física que estão sendo ofertados pela Rede Federal em cada região. Individualmente, os cursos mais bem avaliados foram os cursos ofertados em Fortaleza (IFCE), em Cariacica (IFES) e em Volta Redonda (IFRJ), que tiveram o conceito máximo segundo a avaliação realizada pelo MEC. Dois dos três melhores conceitos estão na região Sudestes, analisando as médias das avaliações feitas em cada região podemos observar que o Sudeste tem a maior média (3,86), mas é uma média muito próxima das médias do Sul (3,67) e do Nordeste (3,63), os piores índices ficam por conta das regiões Centro-Oeste (3,00) e Norte (3,14). A diferença desses valores é pequena e pode mudar com novas avaliações.
Figura 03: Conceito de Curso médio em cada região
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Além da análise de quando foram criados, do Conceito de Curso atribuído pelo MEC e como estão distribuídos os cursos, podemos fazer uma análise comparativa do papel da Rede Federal e de outras instituições quanto a formação de professores de Física. Com base na Sinopse da Educação superior de 2013, extraída do portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira -INEP é possível perceber que essas licenciaturas analisadas já representam um papel considerável na formação de professores de Física. Segundo as informações extraídas dessa sinopse, em 2013 existiam 261 cursos presenciais de Licenciatura em Física no Brasil, sendo que 58 desses cursos são ofertados pela Rede Federal (Institutos Federais e CEFETs). A maior participação na formação de professores de Física, em quantidade de cursos, é das Universidades Públicas, que ofertam 167 cursos nessa modalidade.
Figura 04: Quantidade de Cursos Presenciais de Licenciatura em Física, segundo a Sinopse da Educação Superior do INEP de 2013.
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Os dados apresentados ilustram a realidade de 2013, todavia uma análise apurada da Figura 01 apresenta uma tendência anual de crescimento dos cursos de Licenciatura em Física na Rede Federal. Enquanto as Universidades têm seus cursos de Licenciatura consolidados e com baixa tendência de crescimento, os Institutos Federais tem uma tendência de ampliação do número de cursos.
Para fazer a análise qualitativa dos cursos de Licenciatura da Rede Federal foram definidos critérios para escolher uma amostra de Projetos Pedagógicos que abrangessem uma oferta de cursos conexa aos resultados obtidos na análise quantitativa.
A escolha dos projetos de curso que foram analisados passaram por 2 etapas de seleção. A primeira etapa está ligada à análise quantitativa feita anteriormente neste artigo. Foram usados dados percentuais sobre os cursos de Licenciatura em Física da Rede Federal para escolher uma amostra com 15 cursos que fosse parecida com o contexto quantitativo estudado. Foram usados os quatro parâmetros analisados anteriormente que resultou nos percentuais que seguem, .
- I) Sobre o período de criação dos cursos, temos que, somente, 13% foram criados antes de 2008;
- II) Sobre a distribuição regional de cursos temos que no Norte se concentram 14,7%, no Nordeste 35,3%, no Centro-Oeste 7,4%, no Sudeste 26,5% e no Sul 16,2%;
- III) Sobre o CC (Conceito de Curso atribuído pelo MEC) dos 50 cursos que já foram avaliados, temos que 6% têm conceito 5, 48% têm conceito 4 e 46% têm conceito 3;
A partir da construção da amostra realizada acima foi possível distinguir 15 cursos para serem analisados: IFSC (Araranguá); IFRS (Bento Gonçalves); IFMG (Congonhas); IFRN (Caicó, João Câmara, Natal, Santa Cruz); IFSP (Itapetininga); IFG (Jataí); IFSEMG (Juiz de Fora); IFTO (Palmas); IFPR (Paranaguá); IFBA (Salvador); IFPA (Tucuruí); IFRJ (Volta Redonda), contudo a amostra inicial, apesar de representar a distribuição temporal, espacial e relativa à avaliação dos cursos deixou de fora algumas ofertas dos cursos que também são relevantes para avaliar qualitativamente os cursos de Licenciatura em Física da Rede Federal. Por isso na amostra final foram acrescentados os cursos ofertados nos campi de Brasília por ser a Capital do país, de São Paulo por ser a maior economia do País, de Curitiba por que essa oferta é disponibilizada pela Universidade Tecnológica, uma instituição emblemática da Rede Federal. Algumas ofertas também foram avaliadas como importantes para a nossa amostra, mas não foram analisadas por que não foi possível obter o Projeto Pedagógico do Curso por meios eletrônicos. Essas ofertas são em Manaus por ser a oferta melhor conceituada no Norte na avaliação do MEC, uma oferta do Piauí por ser a menor economia do Nordeste e alguma oferta no Ceará por que o IFCE tem 6 ofertas dessa modalidade de curso.
Escolhida a amostra, o trabalho concentrou-se em analisar o perfil docente e o perfil do egresso apresentado nos projetos de curso, inicialmente foi analisada a qualificação em nível de pós-graduação dos docentes, com especial atenção a quantidade de doutores em Ensino de Física. Foi possível perceber que 20% dos Projetos não informam sobre o perfil dos docentes, esses dados demonstram uma inconformidade dos projetos com a orientação tanto do documento base das
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licenciaturas da Rede Federal quanto com as orientações do Conselho Nacional de Educação que solicita que essa informação seja explicitada nos projetos de cursos de graduação.
O exame dos Projetos que apresentavam essas informações foi ainda mais significativo: 60% dos cursos da amostra, que caracterizam a formação dos docentes revela que os cursos de licenciatura da Rede Federal possuem mais Mestres em Física do que Mestres no Ensino de Física. Quando a apreciação do perfil docente foca na titulação de Doutores a participação da Área de Ensino de Física cai para apenas 20%.
Considerando que estamos tratando de cursos de licenciatura cuja proposta é formação de professores que superem o modelo clássico que prioriza a formação 'bacharelesca' aliada a uma curta preparação para a docência (o modelo 3+1), podemos perceber que o perfil docente evidenciado nesses projetos, a princípio, podem não atender a essa expectativa.
Investigando o perfil dos egressos nos projetos de curso observamos que quantitativamente apenas 01(um) dos projetos analisados na amostra não informava sobre esse quesito . Da amostra analisada, apenas um projeto de curso não 1 apresentou no perfil do egresso alguma característica formativa que estivesse em aderência com a perspectiva formativa defendida nesta pesquisa. Não obstante, é necessário salientar que o fato dos projetos defenderem um espaço formativo cuja concepção subjacente se alinha com aspectos e pressupostos da formação Histórico-Crítica não significa que esse espaço seja construído na prática.
## Considerações Finais
Com esse artigo foi possível perceber que as Licenciaturas em Física na Rede Federal são cursos relativamente novos e foram criados, em sua maioria, a partir de 2008. É possível concluir também que esses cursos estão distribuídos de maneira desigual entre os estados e que existem diferenças entre as regiões quanto ao número de cursos. Com esse trabalho foi possível perceber também que, em números absolutos, a Rede Federal oferece mais cursos de Licenciatura em Física no interior do que nas capitais. Em relação à análise qualitativa pode-se dizer que existe, no geral, conformidade dos projetos com as orientações contidas tanto nos documentos emitidos pela Rede Federal quanto pelos pareceres do Conselho Nacional de Educação.
No exame realizado sobre a concepção dos cursos à luz da pedagogia Histórico-Crítica, ponto de vista escolhida como referencial teórico para esta análise, observou-se que a maioria absoluta dos projetos opta pela construção de um espaço formativo para seus licenciados em consonância com as ideias defendidas por Dermeval Saviani. Na análise objetiva dos projetos é explicitada a ideia da educação como dimensão emancipadora do indivíduo e transformadora da sociedade. O fato desta concepção surgir no perfil do egresso pode ser considerado o primeiro passo na construção de modelos formativos no interior da Rede Federal que desconstrua o
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modelo clássico de formação 'bacharelesca' de professor, particularmente nas áreas de ciências.
Por outro lado, a análise sobre o perfil dos docentes formadores foi o resultado mais inquietante encontrado na pesquisa. O diminuto contingente de docentes com formação na área de ensino de física, ou seja, pesquisadores na área de ensino de Física, demonstra uma dificuldade a mais na mudança do modelo tecnicista de formação de professor para um modelo onde a prática reflexiva seja o elemento fundante. Para mudanças efetivas na formação dos professores de Física são necessários projetos de curso e parâmetros curriculares que apresentem princípios metodológicos ativos, que levem em conta o contexto histórico-social; que tratem da interdisciplinaridade; que considerem a visão globalizante da ciência e a relação entre ciência, tecnologia e sociedade, mas, para além dos documentos formadores são necessários professores formadores que compreendam essa nova racionalidade e estejam dispostos a atuarem na mudança de paradigma. A ausência de profissionais com perfis mais voltados para estes temas demonstra uma fragilidade na implantação das licenciaturas em Física dos Institutos Federais.
Contudo, a continuidade desta pesquisa com uma análise mais verticalizada e com ajuda de instrumentos de pesquisa mais adequados será fundamental para conclusões mais sólidas sobre as licenciaturas de Física da Rede Federal.
## Referências
BRASIL, Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, Institutos Federais, CEFET e Universidade Tecnológica, domínios eletrônicos. Disponível em: <http://redefederal.mec.gov.br/>, Acesso em dia 28/01/2016.
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BRASIL, Ministério da Educação - MEC, Ensino Superior. Disponível em: <http://emec.mec.gov.br/> Acessado no dia 28/01/2016.
BRASIL. (2008). Lei nº 11.892 de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Presidência da República, Brasília, DF.
MOTA, L. M., & RODRIGUES, S. R. (2015). Institutos federais: determinantes históricos, políticos e cognitivos. Em IFG, Instituto Federal de Goiás: História, Reconfigurações e Perspectivas (Vol. I, p. 20). Goiania: IFG.
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NONENMACHER, S. E., Del Pino, J. C., & Pansera de Araujo, M. C. (2011). Os cursos de licenciatura nos Institutos Federais da região Sul do Brasil. Atas do VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências. Campinas.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 6. ed. Campinas: Autores Associados, 1997.
TEIXEIRA, P.M.M. A educação científica sob a perspectiva da pedagogia histórico-crítica e do movimento CTS. no ensino de ciências Ciência & Educação, v. 9, n. 2, p. 177-190, 2003
TRINDADE, A. Ações e Perspectivas para Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Apresentação no VI CONNEPI, MEC, SETEC, Brasília, 2011.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.