UMA ANÁLISE DO ENFOQUE DE ASSUNTOS RELACIONADOS ÀS CRISES ENERGÉTICA E AMBIENTAL NO ENSINO DE FÍSICA DO BRASIL
Beatriz Vargas Rocha, Daniel N. Micha
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 26/01/2017
- Linha de pesquisa
- Educação Científica, Política E Sociedade
- Tipo
- Comunicação
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## UMA ANÁLISE DO ENFOQUE DE ASSUNTOS RELACIONADOS ÀS CRISES ENERGÉTICA E AMBIENTAL NO ENSINO DE FÍSICA DO BRASIL
## Beatriz Vargas Rocha , Daniel Neves Micha 1 2
1 CEFET-RJ campus Petrópolis, Curso de Licenciatura em Física, bolsista de iniciação cientifica, beatrizvargasrocha@gmail.com
2 CEFET-RJ campus Petrópolis, Curso de Licenciatura em Física, daniel.micha@cefet-rj.br
## Resumo
O uso intenso de fontes não renováveis para a geração de energia no mundo tem causado um grande impacto na disponibilidade desses recursos no planeta e na geração de resíduos poluentes, tendo como consequências as graves crises energética e ambiental vivenciadas pela nossa geração. A partir da preocupação e da mobilização dos agentes políticos mundiais em torno do tema, tratados de redução das emissões de gases do efeito estufa tem sido assinados em conferências internacionais como a Cop21. A importância internacional desses assuntos traz para a escola a responsabilidade de abordar o tema e ampliar o debate, tratando de temas como o uso da energia e seus impactos socioambientais, formando, assim, cidadãos capazes de se posicionar criticamente e contribuir ativamente para a reversão dos problemas de sua geração. Nesse trabalho, iremos analisar como essa transposição é feita na prática através de uma análise simplificada de documentos oficiais para o ensino de física no ensino médio brasileiro.
Palavras-chave : Energia, Crise Energética, Meio Ambiente, Ensino de Física, Currículo, Parâmetros Curriculares Nacionais.
## 1 - Introdução
## Situação energética mundial
A produção e o consumo de energia no mundo têm crescido a grandes taxas ao longo dos últimos anos. De acordo com a Divisão de Estatísticas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Organizações das Nações Unidas (ONU) (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015), entre 1990 e 2013, houve um aumento de 59% no fornecimento de energia no mundo, com um total de 550.201 Pentajoules de energia produzida no último ano da série. Os destaques desta série são o impressionante aumento da produção asiática de 190% nesses 24 anos, com a China produzindo metade da energia total do continente neste último ano da série, e a retração da produção europeia de 15%. Apesar disso, a produção de energia per capita no ano de 2013 foi liderada pela América do Norte, com cerca de 200 Gigajoules, enquanto na Ásia e na América do Sul chegou próximo aos 60 Gigajoules, 150 Gigajoules na Europa, 175 Gigajoules na Oceania e apenas menos de 25 Gigajoules na África. As tendências relativas no consumo de energia se repetem, com valores cerca de 25% inferiores aos de produção. Ainda de acordo com a mesma fonte, o uso dos recursos naturais energéticos era distribuído da seguinte forma no mundo em 2013: 32% para fins industriais, 25% para transporte, 34% para outros usos energéticos e 9% para fins não energéticos. A maior parte da energia produzida no mundo, mais de 80% (AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA, 2013), advém de recursos não renováveis sólidos, tais como o carvão
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mineral e vegetal, líquidos, tais como o petróleo e seus derivados, e gasosos, tal como o gás natural. A quantidade atualmente utilizada desses recursos é cerca de 45% maior do que há 20 anos atrás.
A sociedade industrializada é altamente dependente das fontes de energia secundária, tal como a eletricidade, para a produção de produtos e consumo residencial. De acordo com (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2011), o consumo mundial per capita de eletricidade cresceu 8% entre 2007 e 2010, atingindo um consumo per capita de 3.123 KWh no último ano da série analisada. Produzimos eletricidade de diversas maneiras a partir de diversas fontes, umas renováveis e outras não, porém a maior parte da eletricidade mundial advém de recursos não renováveis. Podemos citar os casos da produção de energia elétrica por alguns países em 2013 como exemplo: a China teve 74% de seu consumo baseado em termelétricas a carvão mineral, enquanto a França teve 74% baseado em energia nuclear, os Estados Unidos 26% em termelétricas a gás natural e o Brasil 68% em hidroelétricas.
## Situação energética brasileira
De acordo com o Balanço Energético Nacional de 2016 (dados de 2015) (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2016), o Brasil tem uma matriz energética relativamente limpa, onde 41% da oferta interna de energia e 42% da produção de energia primária são realizadas por meio de fontes renováveis. Porém, os derivados de petróleo ainda são a principal fonte do consumo da energia primária em nosso país, totalizando 43% do total. O setor industrial é o principal consumidor dessa fonte de energia.
Em se tratando da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, o Brasil apresenta uma situação relativamente favorável. O país é o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica do mundo (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2016). Em 2015, a oferta interna de eletricidade a partir de recursos renováveis foi de 75,5%, sendo 84,8% da produção nacional gerada a partir de energia hidrelétrica, 10,6% a partir da biomassa, 4,6% a partir de usinas eólicas e uma contribuição irrisória a partir de painéis fotovoltaicos. Apesar dos bons números, há uma tendência de queda na oferta interna por renováveis. Em 2012, 84,5% da energia elétrica foram gerados a partir desses recursos, enquanto em 2013 foram 79,3% e em 2014 foram 74,6%. Apenas uma pequena ascensão foi percebida em 2015. O consumo de energia elétrica foi reduzido em 1,8% em relação a 2014 e foi liderado pelos setores industrial, com 37,6% após queda de 5,0% em relação ao ano anterior, e residencial, com 25,1% após um leve decrescimento de 0,7% em relação a 2014.
A forte dependência do país em relação às hidrelétricas é muito criticada por especialistas do setor energético, pois torna o país vulnerável a sazonalidades climáticas. Quando a capacidade pluvial de certas regiões diminui, como ocorreu entre 2013 e início de 2015, o país precisa acionar as usinas termelétricas para suprir a demanda energética, o que aumenta o preço da energia elétrica e o custo ambiental de produção. Por outro lado, o país também se destaca na produção de biocombustíveis. Em 2014, o Brasil era o segundo maior produtor do mundo de produtos agrícolas para esse fim (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2014).
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Uma desvantagem da geração de energia a partir da biomassa é a disputa de território com a produção de alimentos e bebidas. No ano de 2015, a fabricação de açúcar percebeu uma redução de 3,5%, enquanto a de etanol para combustíveis cresceu 6,0% em relação ao ano anterior (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2016). Por todos os fatores descritos, diversificar ainda mais as possibilidades de fontes renováveis de energia é um grande passo na direção da estabilidade da matriz energética nacional. O país possui grandes potenciais eólico e solar a serem explorados. As regiões nordeste e centro-oeste possuem uns dos maiores níveis de irradiação solar do mundo, apresentando uma média máxima diária de 6,5 kWh/m (PEREIRA, 2006). Porém, dados do Banco de Informações de 2 Geração (Capacidade Brasil), atualizados pela ANEEL (BRASIL, 2016), apontam que há apenas 9,3 GW (6,3% da total) de capacidade eólica instalada e 22,9 MW (0,02% da total) de capacidade solar sob a forma de painéis fotovoltaicos, contra 95 GW de capacidade hidrelétrica e 40,6 GW de capacidade termelétrica.
## Pegada ambiental da produção de energia
A nível global, o Brasil apresenta uma situação confortável na emissão de gases do efeito estufa. Em 2013, registramos emissões quase 70 vezes menores do que a média estimada para os demais países (BRASIL, 2015). A relação de 1,55 toneladas de CO2 a cada tonelada equivalente de petróleo (tep) consumida no país é 34% menor que o mundial, de 2,37 t CO2/tep. A relação entre o consumo de energia e as emissões de CO2 mundiais piorou nos últimos dez anos. Com crescimento de 28% na demanda mundial de energia, entre 2003 e 2013, e maior uso relativo de carvão mineral em relação ao petróleo e gás, as emissões de gases do efeito estufa passaram de 2,33 tCO2/tep em 2003 para os atuais 2,37 tCO2/tep.
Em histórico, as emissões atuais de gases de efeito estufa no Brasil (dados de 2012) (BRASIL, 2014) são comparáveis às de 1990, da ordem de 1.300 Gt CO2eq. Nesse período, houve um recorde de emissão no ano de 1995 (2.600 Gt CO2eq), dominado pelo uso da terra e florestas (principalmente devido ao desmatamento), e uma tendência crescente entre 1998 e 2004, com sucessiva redução a partir de então (com exceção de 2008).
Atualmente, a produção de energia e a agropecuária são os setores que mais produzem gases do efeito estufa no Brasil, com aproximadamente 37% de participação. Em 1990, a participação desses setores era muito menor: 13,5% e 22%, respectivamente. Completam a lista de emissões os processos industriais com 7%, o uso da terra e florestas com 15% e o tratamento de resíduos com 4%.
A emissão de gases do efeito estufa provenientes do uso energético vem majoritariamente da queima dos combustíveis fósseis. A emissão de CO2 em 2012 (417 Gt CO2eq) foi liderada pelo subsetor de transportes, com 47,5% de participação. Em seguida, vem o subsetor industrial, com 25,6% e o subsetor energético, com 17,9%. Os subsetores residencial, agricultura, comercial e público não contribuem significativamente. Já a emissão de CH4 em 2012 (0,3 Gt CO2eq),com potencial estufa 21 vezes maior que o CO2 (BRASIL, 2014), foi liderado pelo subsetor energético, com 44,7% de participação. Os subsetores industrial, com 22,7% de participação, o residencial, com 20,2%, e a agricultura, com 6,6% completam a lista. A emissão de N2O, 310 vezes mais potente no efeito estufa que o
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CO2 (BRASIL, 2014), em 2012 foi de 0,015 Gt CO2eq: 42,4% do subsetor industrial, 27,5% do de transportes, 18,6% do energético e 7,5% do residencial.
Em 2009, o Brasil assumiu o compromisso voluntário de adoção de ações para redução de emissão de gases do efeito estufa entre 36,1% e 38,9% em relação às emissões projetadas até 2020 (3.236 Gt CO2eq) na Política Nacional sobre a Mudança Climática (BRASIL, 2009). Já na 21° Conferência do Clima - COP21 -, que aconteceu em Paris no ano de 2015, o Brasil apresentou um dos planos mais ambiciosos de redução das emissões de gases: 37% até 2025 e 43% até 2030 (com relação às emissões de 2005) (PORTAL BRASIL, 2016). Uma das estratégias utilizadas é o aumento do uso de biocombustíveis para 18% do total da matriz energética nacional. Além disso, o país quer expandir o uso de energia renovável para 45%, aumentando fontes de geração como a eólica, a solar e a biomassa.
## A crise energética e a crise ambiental
O consumo dos recursos naturais não renováveis como fontes de energia tem levado a preocupações sobre sua escassez em um futuro próximo. É difícil estimar a escala de tempo desses processos, mas (WÜRFEL, 2009) aponta que, se continuarmos consumindo energia como fazemos hoje, em um século teremos dificuldades de explorar tais recursos e que as consequências de tal exploração já são e serão ainda mais prejudiciais ao meio ambiente e à saúde dos indivíduos desta e das próximas gerações. Já (AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA, 2013) faz uma análise mais técnica, mostrando que as reservas produtoras de petróleo atualmente sendo exploradas estarão cerca de 60% menos produtivas em 2035 em relação a 2000. Porém, afirma que é possível encontrar outras reservas a serem exploradas, porém a custos maiores e que ainda necessitam de desenvolvimento de tecnologia apropriada. Os mesmos autores ressaltam que o declínio da era dos recursos não renováveis não se dará por sua escassez, mas pela necessidade de frear sua exploração por razões climáticas e econômicas.
As graves crises que vivenciamos em nossa época, tanto no âmbito energético como no ambiental, são fontes de grandes preocupações por parte de governos e instituições civis. Porém, é importante destacar também o papel do cidadão comum nessa discussão, pois é parte relevante de todos os processos envolvendo o uso da energia e dos recursos naturais, que impactam o meio ambiente. Por esses motivos, a presença dessa temática nos conteúdos curriculares do ensino formal é extremamente importante para a conscientização e atuação popular, seja na mudança de postura que precisa haver em nossa sociedade ou na cobrança e proposição de políticas públicas por parte dos governos.
No ensino escolar brasileiro, a temática da energia está diretamente ligada à disciplina de física no ensino médio (EM) e introdutoriamente à disciplina de ciências no ensino fundamental. Documentos de referência para o EM no Brasil, tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 2000) e os PCN+ (BRASIL, 2002), assim como nos estados brasileiros, tais como o Currículo Mínimo do estado do Rio de Janeiro (CRJ) e o Currículo do Estado de São Paulo (CSP), citam e propõem discussões acerca da exploração e do impacto do uso de recursos energéticos dentro do ensino da física.
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## XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF 2017
- O objetivo deste trabalho é realizar uma análise crítica do enfoque dos temas Crises Energética e Ambiental no ensino de física do EM brasileiro. Na Seção 2, apresentamos o atual cenário da abordagem do tema nos documentos oficiais do EM brasileiro a partir de uma análise documental. Por fim, na Seção 3, fazemos as análises dos documentos apresentados e apontamos algumas conclusões.
## 2 - Enfoque das Crises Energética e Ambiental no Ensino de Física do Brasil
Debater a temática da energia e os impactos sociais e ambientais associadas ao seu uso, assim como dimensionar as crises energética e ambiental que estamos vivenciando, é muito importante para a formação de um aluno/cidadão, para que ele seja capaz de se posicionar criticamente acerca desses assuntos. (SILVA, 2002) faz uma análise da abordagem da problemática ambiental no EM a partir da geração e consumo de energia elétrica analisando alguns documentos oficiais da época. Já (BATISTA, 2011) faz uma análise do tema produção de energia elétrica e seus impactos nos livros didáticos de física usados no EM brasileiro.
Para compreender como os temas de estudo desse trabalho estão sendo abordados nos documentos oficiais brasileiros, analisamos as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM), formulada em 1998, os PCN, de 2000, e os PCN+, de 2002. Estes documentos norteadores e referenciais têm como objetivo organizar, interligar e contextualizar as disciplinas dos currículos elaborados pelas diversas instituições de ensino no Brasil.
Pode-se encontrar diversos trechos nesses documentos sugerindo discussões acerca do tema energia e meio ambiente, tal como o dos PCN citado abaixo:
- O aprendizado das Ciências, da Matemática e suas Tecnologias pode ser conduzido de forma a estimular a efetiva participação e responsabilidade social dos alunos, discutindo possíveis ações na realidade em que vivem, desde a difusão de conhecimento a ações de controle ambiental ou intervenções significativas no bairro ou localidade, de forma a que os alunos sintam-se de fato detentores de um saber significativo. Os projetos coletivos são particularmente apropriados para esse propósito educacional, envolvendo turmas de alunos em projetos de produção e de difusão do conhecimento, em torno de temas amplos, como edificações e habitação ou veículos e transporte, ou ambiente, saneamento e poluição, ou ainda produção, distribuição e uso social da energia, temas geralmente interdisciplinares. (BRASIL, 2000, p. 54)
Ainda neste documento, há diversas menções à temática nas partes específicas que tratam dos conhecimentos de física, química e biologia. Pode-se citar o seguinte trecho da área de física (tema principal deste trabalho) que aborda o assunto:
A omissão dessa discussão da degradação da energia, como geralmente acontece, deixa sem sentido a própria compreensão da conservação de energia e dos problemas energéticos e ambientais do mundo contemporâneo. (BRASIL, 2000, p. 25)
Os PCN+, documento complementar aos PCN, também enfatizam a importância do tema energia e meio ambiente no ensino de física. No tema
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estruturador Calor Ambiente e Usos da Energia, da unidade temática Energia: Produção para Uso Social, é possível observar a ênfase que se sugere dar sobre o assunto.
Ao contrário, quando se toma como referência o 'para que' ensinar Física, supõe-se que se esteja preparando o jovem para ser capaz de lidar com situações reais, crises de energia, problemas ambientais, manuais de aparelhos, concepções de universo, exames médicos, notícias de jornal, e assim por diante. Finalidades para o conhecimento a ser apreendido em Física que não se reduzem apenas a uma dimensão pragmática, de um saber fazer imediato, mas que devem ser concebidas dentro de uma concepção humanista abrangente, tão abrangente quanto o perfil do cidadão que se quer ajudar a construir. (BRASIL, 2002, P. 61)
A irreversibilidade dos processos térmicos será indispensável para que se compreendam tanto o sentido do fluxo de calor como a 'crise de energia', assim como limites em sua utilização. (BRASIL, 2002, P. 73)
A nível estadual, os currículos definidos pelos órgãos responsáveis, tais como as Secretarias de Educação, com validade, geralmente, para a rede pública de ensino, indicam as habilidades e competências ou, em alguns casos, os conteúdos curriculares a serem abordados em sala de aula. Utilizamos os exemplos dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo para analisar a prática curricular e compará-la aos parâmetros curriculares sugeridos nos documentos nacionais.
O Currículo Mínimo do estado do Rio de Janeiro (CRJ) (RIO DE JANEIRO, 2012), elaborado em 2002, dedica dois bimestres do EM ao assunto energia, sendo um dedicado às usinas hidrelétricas e termelétricas (2° série, 3° bimestre) e outro à energia nuclear (2° série, 4° bimestre). As habilidades e competências sugeridas para os dois bimestres apontam uma ênfase para o debate do tema a partir de uma visão crítica nos aspectos social e ambiental, conforme identificado no Quadro 1.
Quadro 1 : Habilidades e competências associadas ao uso de energia e seus impactos sociais e ambientais no Currículo Mínimo do estado do Rio de Janeiro
No Currículo do estado de São Paulo (CSP) (SÃO PAULO, 2012), o debate referente ao tema energia também está presente no 2° ano do EM, nos 1° e 2° bimestres. Os conteúdos e habilidades a serem abordados referentes ao tema se encontram identificados no Quadro 2.
Quadro 2 : Conteúdos e habilidades associados ao uso de energia e seus impactos sociais e ambientais no Currículo do estado de São Paulo
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## 3 - Análises e Conclusões
Os PCN e PCN+ deixam explicita a necessidade do enfoque dos assuntos relacionados às crises energética e ambiental que vivenciamos. Todavia, o conteúdo dos currículos estaduais analisados não apresenta itens (habilidades, competências e /ou conteúdos) referentes a esse debate específico. Dessa forma, a formação de um cidadão crítico capaz de se posicionar sobre o tema fora da escola, mas, principalmente, contribuir ativamente para a reversão da situação local e global que vivenciamos é afetada e prejudicada.
Conforme ilustrado no Quadro 1, o CRJ destaca a produção de energia elétrica a partir de usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares, sugerindo debates sobre os impactos ambientais e sociais do tema. No entanto, além dessas formas de geração, o Brasil dispõe de outras alternativas, que também fazem parte da matriz energética nacional, como a energia eólica e a energia solar. Por não serem abordados nesse nível de ensino, o aluno acaba se distanciando dessa realidade e perde a oportunidade de uma discussão mais abrangente e completa sobre o assunto. Já o CSP (Quadro 2), deixa em aberto as fontes e formas de geração a serem trabalhados, o que pode ser benéfico para uma abordagem mais ampla das alternativas de geração de energia presentes na matriz energética nacional.
## 4 - Referências
AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA, Resources to Reserves: Oil, Gas and Coal Technologies for the Energy Markets of the Future, 2013. Paris. ISBN: 978-9264-08354-7.
BATISTA, Carlos Alexandre dos Santos, SIQUEIRA, Maxwell. Em: VIII ENPECEncontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências - Campinas, SP, 2011. BRASIL, Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, Capacidade Brasil. Disponível na internet via
http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/capacidadebrasil.cfm. Arquivo consultado em 06/09/2016.
BRASIL, Lei 12.187, de 29 de dezembro de 2009. Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e dá outras providências.
http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/\_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm
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BRASIL, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, Estimativas Anuais de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil, 2ª ed., 2014.
http://www.mct.gov.br/upd\_blob/0235/235580.pdf.
BRASIL, Ministério de Minas e Energia, Energia no Mundo - Indicadores 2013 2014, 2015.
http://www.mme.gov.br/documents/1138787/1732840/Energia+no+Mundo+2013+e+ 2014.pdf/81e69d8c-1d9c-4358-8376-41054febe838
BRASIL, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+ Ensino Médio: Orientações Educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: Ministério da Educação /Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 2002. 244p.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Médio). Brasília: MEC, 2000. 109p. EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA - EPE, Balanço energético nacional, 2016: Ano base 2015. Rio de Janeiro: EPE, 2016, 292p,
[https://ben.epe.gov.br/downloads/Relatorio Final BEN 2014.pdf].
EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA - EPE, Balanço energético nacional, 2014:
Ano base 2013. Rio de Janeiro: EPE, 2014, 288p,
[https://ben.epe.gov.br/downloads/Relatorio Final BEN 2014.pdf].
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PEREIRA, E.B. et al , Atlas Brasileiro de Energia Solar, INPE, São José dos Campos, Brasil. Technical report, 2006.
PORTAL BRASIL, Brasil é o país que mais reduz emissões e tem proposta mais ambiciosa da COP, diz ministra. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/meioambiente/2015/11/brasil-e-o-pais-que-mais-reduz-emissoes-e-tem-proposta-maisambiciosa-da-cop-diz-ministra. Acesso em 08/09/2016.
RIO DE JANEIRO (Estado). Secretaria de Estado de Educação. Currículo Mínimo
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SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo do Estado de São Paulo: Ciências d Natureza e suas Tecnologias / Secretaria da Educação; Coordenação Geral, Maria Inês Fini; Coordenação de Área, Luis Carlos de Menezes - 1. Ed. Atual. - São Paulo: SE, 2012. 152 p. ISBN 978-85-7849-451-3.
SILVA, Luciano Fernandes e CARVALHO, Luiz Marcelo. A Temática Ambiental e o Ensino de Física na Escola Média: Algumas Possibilidades de Desenvolver o Tema Produção de Energia Elétrica em Larga Escala em uma Situação de Ensino. Em: Revista Brasileira de Ensino de Física 24, 3, 342-352, 2002.
WÜRFEL, Peter, WÜRFEL, Uli, Physics of solar cells: from basic principles to advanced concepts. 1st Ed. United Kingdom: Wiley-VCH, 2009, 256p.
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