PROBLEMATIZANDO O ESTUDO DA ELETRICIDADE: O ESTUDO DA ELETRODINÂMICA ESTRUTURADO NOS TRÊS MOMENTOS PEDAGÓGICOS
Antônio Marcelo Martins Maciel, Iraziet Da Cunha Charret, Celso Marciano, Eliane Luzia Ferreira Gualberto
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 26/01/2017
- Linha de pesquisa
- Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PROBLEMATIZANDO O ESTUDO DA ELETRICIDADE: O ESTUDO DA ELETRODINÂMICA ESTRUTURADO NOS TRÊS MOMENTOS PEDAGÓGICOS
Antônio Marcelo Martins Maciel , Iraziet da Cunha Charret , Celso Marciano 1 2 3* , Eliane Luzia Ferreira Gualberto 4
1,2 Universidade Federal de Lavras/ DEX, antoniom@dex.ufla.br, iraziet@gmail.com 1 2
## Resumo
Apresentamos a organização do estudo da Eletrodinâmica, antecedendo ao estudo da Eletrostática, fundamentada nos Três Momentos Pedagógicos (3MP). A problematização inicial é relacionada ao fornecimento de energia elétrica para as residências e o conteúdo foi desenvolvido a partir dos conhecimentos prévios dos alunos, em atividades de caráter investigativo, permeadas por questões que norteavam a necessidade do conhecimento específico. A aplicação do conhecimento foi desenvolvida a partir de uma situação relacionada ao aumento nos gastos de energia elétrica de um cidadão e a tarefa dos alunos consistia em propor ações que reduzissem tais gastos. As atividades foram desenvolvidas com duas turmas do 3 ano do Ensino Médio, ao longo do primeiro semestre do ano letivo o de 2016, em uma escola pública da rede estadual de ensino do estado de Minas Gerais, no município de Lavras. Os resultados alcançados são apresentados de forma sucinta, mas relatam a potencialidade do planejamento adotado para o processo de ensino aprendizagem.
Palavras-chave : Eletrodinâmica. Problematização. Planejamento.
## 1. Introdução
No início do ano letivo de 2014 iniciamos nas salas de aula do 1 ano do o Ensino Médio (EM) atividades de ensino desenvolvidas dentro do projeto de pesquisa colaborativa entre professores da educação básica e do ensino superior , 1 autores deste trabalho. O ponto de partida foi fundamentado no tema unificador Sol e Fontes de Energia, trabalho apresentado no XXI Simpósio Nacional de Ensino de Física (MACIEL et al , 2015). O tema unificador orientou a organização dos conteúdos conceituais para os três anos desse segmento de ensino, mantendo o tema energia sempre presente. Assim, em 2014 desenvolvemos conceitos da Mecânica com os alunos do 1 o ano do EM, os conceitos da Termologia, Óptica e Ondas foram desenvolvidos com os alunos do 2 ano do EM, ao longo do ano de o 2015 e em 2016, no primeiro semestre, desenvolvemos os conceitos da Eletricidade com os alunos de 3 ano do EM. Sempre acompanhando o planejamento dos o professores que seguiram as orientações do CBC da Secretária de Educação do 2 Estado de Minas Gerais.
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Neste trabalho nos deteremos em apresentar a última etapa da pesquisa, desenvolvida com as turmas do 3 ano do EM. Descreveremos de forma sucinta as o etapas desenvolvidas ao longo do processo e os resultados obtidos nas respectivas etapas. Daremos destaque à etapa final que explicita a proposta de avaliação final, identificada nos 3MP como a Aplicação do Conhecimento, e os resultados alcançados. Salientamos que não estamos desconsiderando o processo como um todo, visto que os resultados refletem todas as ações desenvolvidas.
## 2. Fundamentação Teórica
Quando o projeto teve início, tínhamos como perspectiva teórica a Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel (MOREIRA, 2011). Entretanto, durante o desenvolvimento do projeto, nos diálogos e estudos dos professores envolvidos, verificamos que nossas ações estavam direcionadas à teoria sócio cultural de Vygotsky (NUÑES, 2009). Portanto, todo o processo ensino-aprendizagem foi orientado pela mediação social entre professores e alunos, sendo estimulados ao diálogo, ao debate e ao trabalho em grupo, com a intenção de favorecer a construção do conhecimento e o desenvolvimento do aluno utilizando-se dos conhecimentos prévios, provenientes do mundo vivencial, na formação do conhecimento científico.
A organização das atividades foram inspiradas nos três momentos pedagógicos (DELIZOICOV, ANGOTTI, e PERNAMBUCO, 2011), consistindo:
## 1- Problematização Inicial
Apresentam-se situações reais que os alunos conhecem e presenciam, e que estão envolvidas nos temas, e que também exigem a introdução dos conhecimentos contidos nas teorias físicas para interpretá-las. (DELIZOICOV, 2005)
Nesta etapa propicia-se espaços para os alunos exporem seus conhecimentos, em pequenos grupos e no grande grupo, tendo o professor no papel de mediador, que dá voz e ouve os alunos, fomentando as possíveis discussões. Durante a mediação não se deve distanciar dos conceitos físicos que se deseja desenvolver, visto que a razão da problematização está em gerar motivos e necessidades de aquisição de novos conhecimentos científicos para encontrar a solução para a situação exposta.
## 2 - Organização do Conhecimento
Consiste na sistematização dos estudos, formalizando os conceitos necessários para responder à problematização inicial. Nesta etapa a diversidade de estratégias de ensino é recomendada, favorecendo a apropriação dos conhecimentos. Mesmo sendo uma etapa identificada como organização do conhecimento a problematização não deve ser esquecida, nem a inicial e nem outras que identificarmos como necessária para estabelecer o diálogo e favorecer a construção do conhecimento.
No planejamento de nossa sequência didática nos orientamos em relação a algumas perspectivas pedagógicas e epistemológicas, listadas a seguir: i) Identificação das concepções prévias dos alunos, estabelecendo as interações verbais em todo o processo (CARVALHO, 2012); ii) Organização de atividades em pequenos grupos (DAMIANI, 2008); iii) Uso de atividades com caráter investigativo (DE AZEVEDO, 2004), sejam elas experimentais, computacionais ou de resolução
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de problemas; iv) Privilegiar as analogias para o entendimento de conceitos mais abstratos (ROQUE e VIDEIRA, 2013), salientando que na ciência os modelos são a forma de representação da realidade (PIETROCOLA,2005); v) Utilização da matemática como estruturante dos conceitos físicos desenvolvidos, nas relações entre esses conceitos e também desenvolvendo aspectos procedimentais, onde habilidades técnicas são necessárias (KARAN e PIETROCOLA, 2009).
## 3 - Aplicação do Conhecimento
Neste momento o estudante fará uso dos conhecimentos adquiridos para apresentar soluções aos problemas propostos, tanto na situação inicial do estudo quanto em novas situações que exigem o uso desses conhecimentos. Neste momento a diversidade de tarefas também deve ser contemplada e sugere-se o uso de problemas abertos. Ressalta-se que 'é o potencial explicativo e conscientizador das teorias físicas que deve ser explorado' (DELIZOICOV, 2005).
## 3. Organização das Atividades
Considerando o nosso tema unificador, Sol e Fontes de Energia, e identificando as situações cotidianas como ponto de partida para a apropriação dos conhecimentos científicos, fizemos a opção de iniciar o estudo da eletricidade pela eletrodinâmica. Esta proposta de organização do estudo da eletricidade encontra-se em alguns livros didáticos (LD), como os livros de Guimarães e Fonte Boa (2010) e de Oliveira et. al (2013). Entretanto, o LD utilizado na escola em que o trabalho foi desenvolvido inicia o assunto pela Eletrostática e sua utilização durante o processo ensino aprendizagem foi feita de forma criteriosa, considerando-se os conhecimentos já trabalhados com os estudantes.
- A seguir apresentamos as etapas do processo ensino-aprendizagem estruturadas de acordo com os três momentos pedagógicos já descritos.
Não destacaremos o número de aulas utilizadas em cada etapa, considerando que tal número está diretamente relacionado às características específicas de cada escola. Porém, evidenciamos que todas as etapas foram desenvolvidas ao longo do primeiro semestre de 2016, com carga horária de duas aulas semanais, com 50 minutos cada. Durante o semestre, em diversos momentos, o calendário deixou de ser cumprido devido a eventos diversos que surgiram na escola, tais como provas externas, palestras, semanas de jogos estudantis, entre outros.
## 3.1 Problematização Inicial
- O quadro 01 apresenta nossa problematização inicial e como ocorreu o seu desenvolvimento, mobilizando os estudantes e apresentando a necessidade de conhecimentos específicos sobre o tema.
Quadro 01: Atividades que constituem a Problematização Inicial
Questões: O que você já conhece sobre eletricidade? Onde a eletricidade está presente no seu dia a dia? Qual a importância da eletricidade? Como a energia elétrica chega até sua casa e de onde ela vem?
Conteúdos Conceituais: Eletricidade, Usinas elétricas, Condução de energia elétrica.
Desenvolvimento: Para mobilizar os alunos nas primeiras questões, foi solicitado que eles produzissem um cartaz com imagens, retiradas de revistas ou desenhadas, que
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representassem a presença da eletricidade. Depois foram realizadas discussões a partir desses cartazes, distinguindo fontes de energia, usinas e aparelhos elétricos. Solicitouse a produção de um texto falando sobre a eletricidade e o fornecimento de energia elétrica. A questão de utilizamos a eletricidade como meio de condução de energia até nossas casas tornou-se a principal problematização para a organização do conhecimento.
Avaliação: Com o caráter formativo, teve como principal instrumento a observação da participação dos estudantes. A escuta atenta às respostas dadas foi fundamental para a relação entre os conhecimentos cotidianos e os planejamentos futuros.
## 3.2 Organização do Conhecimento
- O quadro 02 sintetiza as atividades desenvolvidas durante este momento, discriminando as questões problematizadoras, os conteúdos conceituais trabalhados, o desenvolvimento, enfatizando as estratégias de ensino utilizadas, e as avaliações realizadas.
Quadro 02: Atividades que constituem a Organização do Conhecimento
## Atividade 1 - Corrente Elétrica
Dois corpos A e B, feitos de materiais condutores, são conectados por um fio condutor. São apresentadas várias situações, onde os corpos estão carregados positivamente, negativamente ou eletricamente neutros, em diferentes combinações.
Questões: Ocorrerá movimentação de cargas elétricas pelo fio condutor? Qual carga irá se mover? Qual o sentido do movimento? No processo onde ocorre a movimentação de carga o elemento químico que constitui o material é alterado? As correntes identificadas (movimentação de carga) irão durar para sempre ou cessarão? Quais elementos utilizamos para gerar corrente elétrica e, além disso manter a corrente circulando pelos aparelhos?
Conteúdos Conceituais: Corrente Elétrica, Diferença de Potencial, Modelo atômico de Bohr, Corrente contínua e Corrente alternada.
Desenvolvimento: Através da atividade problematizadora, apresentamos inicialmente situações onde teríamos, de forma explícita, a movimentação de cargas negativas. Nas situações seguintes, os esquemas poderiam sugerir a movimentação de cargas positivas. Trabalhando com o modelo atômico de Bohr e com a identificação dos elementos por seu número atômico, os alunos concluíram que a corrente nos sólidos se dá pela movimentação ordenada de cargas negativas, os elétrons. A situação de desigualdade de cargas entre os corpos A e B, um carregado negativamente e outro positivamente, possibilitou entender que a movimentação de cargas não se dá pela desigualdade entre as mesmas, mas pela diferença de potencial. As baterias e geradores foram apresentados como os elementos do circuito que mantém essa diferença de potencial, não permitindo que a corrente cesse. Nesta etapa destacou-se o uso de geradores que estabelecem correntes contínuas e aqueles que estabelecem correntes alternadas. A diferenciação foi explicitada em situações cotidianas e salientouse como a corrente alternada possibilitou a construção das redes elétricas. Ainda nessa etapa um trabalho de pesquisa sobre efeitos fisiológicos da corrente elétrica foi solicitado aos estudantes. A formalização da expressão para o cálculo da corrente elétrica e exercícios de apropriação foram realizados.
Avaliação: Teve como base as respostas dadas pelos alunos em todas as tarefas e a observação da participação, na perspectiva da avaliação formativa e reguladora, visto que as respostas dadas pelos estudantes orientavam as etapas seguintes.
## Atividade 2 - Circuitos Elétricos
Identificamos que para ocorrer a movimentação ordenada de cargas, temos que ter uma ddp aplicada aos terminais das instalações elétricas. Mas, o que mais temos nas instalações elétricas?
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Questões: Quais os elementos presentes nas instalações elétricas? Os aparelhos convertem a energia elétrica em que outra forma de energia? Como podemos ligar e desligar os aparelhos? Como podemos proteger os aparelhos elétricos? Todos os aparelhos funcionam com correntes elétricas de mesma intensidade?
Conteúdos Conceituais: Circuitos elétricos: Geradores, Resistores e Receptores, Chaves, Fusíveis, Reostatos e Instrumentos de medidas elétricas.
Desenvolvimento: Essa atividade foi desenvolvida com aulas expositivas dialogadas. A partir dos conhecimentos prévios dos alunos em relação às instalações elétricas residenciais, foi feita a diferenciação entre receptores e resistores. As chaves, fusíveis e disjuntores também foram destacados e a pergunta sobre a corrente exigida por cada aparelho resultou na necessidade de entenderem sobre os reostatos e sobre a resistência elétrica. A apresentação dos instrumentos de medidas elétricas também foi feita, pois os mesmos seriam utilizados em aulas posteriores.
Avaliação: Teve como base a observação na participação dos estudantes e a respostas dadas, na perspectiva formativa. A escuta atenta às respostas dadas foi fundamental para a relação entre os conhecimentos cotidianos e as formalizações.
## Atividade 3 - Resistência Elétrica
Considere os carros que percorrem as estrada. As estradas podem ser longas ou curtas, largas ou estreitas e com pavimentações diferentes. Como deve ser o fluxo de carros nas estradas para essas diferentes configurações?
Questões: Considerando duas estradas de mesmo comprimento e mesma pavimentação, onde o fluxo será maior, em estradas largas ou estreitas? Considerando duas estradas com mesma pavimentação e mesma largura, onde os carros encontraram mais barreiras, nas estradas longas ou curtas? Considerando duas estradas de mesmas dimensões mas uma bem asfaltada e outra de barro, em qual delas o fluxo será maior?
## Conteúdos Conceituais: Resistência Elétrica, 2 lei de Ohm a
Desenvolvimento: A atividade foi desenvolvida através da analogia mecânica entre carros em uma estrada e elétrons num fio condutor. As respostas dos alunos possibilitaram compreender a 2 lei de Ohm e compreenderem o conceito de resistência a elétrica. Puderam compreender que mesmo em outros aparelhos, que não os resistores, também ocorre transformação de energia elétrica em energia térmica. Exercícios de aplicação da 2 lei de Ohm foram realizados. a
Avaliação: Teve como base a observação na participação dos estudantes e a respostas dadas, na perspectiva formativa. A escuta atenta às respostas dadas foi fundamental para a relação entre os conhecimentos cotidianos e as formalizações.
## Atividade 4 - 1 lei de Ohm a
Utilizando a simulação do Phet , intitulada Kit de Construção de Circuito (DC) , observe 3 todos os elementos oferecidos para a construção do circuito elétrico e os instrumentos de medidas disponíveis. Construa um circuito simples e faça a sua representação esquemática.
Questões: Existe algum elemento que você não reconhece ou não conheça a sua função no circuito elétrico? Seu circuito funcionou? Para que ele funcionasse que procedimento você precisou tomar? De que forma é necessário inserir o voltímetro e o amperímetro no circuito? Qual a relação que você pode obter entre a ddp, a corrente elétrica e a resistência elétrica?
Conteúdos Conceituais: Circuito Elétrico: Condutores e Isolantes, 1 lei de Ohm. a
Desenvolvimento: Após o tempo de reconhecimento da simulação e construção do circuito, foi solicitado que mantendo os fios de ligação e a bateria, fosse inserido no circuito, um a um, o resistor, a lâmpada e os elementos que existem na sacola surpresa (elementos da simulação), classificando-os como condutor ou isolante. (A ddp
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estabelecida faz com que alguns elementos sejam classificados como condutor por alguns grupos e como isolante por outros, possibilitando a discussão de que temos bons e mal condutores.) Retomando ao circuito e utilizando-se fios de ligação, bateria e resistor, solicitou-se a utilização dos instrumentos de medidas para determinar a ddp entre os terminais do resistor e a corrente que passa pelo mesmo. Fazendo alterações na ddp, uma tabela ddp x corrente elétrica foi construída. Por fim, para cada par de valores encontrados, foi solicitado que o valor da ddp fosse dividido pelo valor da corrente e o resultado encontrado comparado ao valor da resistência elétrica. Os alunos identificaram a 1 lei de Ohm. Após a formalização do resultado alguns exercícios foram a aplicados.
Avaliação: Respostas ao roteiro de atividades e observação da participação dos estudantes.
## Atividade 5 - Associação de Resistores
Utilizando mais uma vez a simulação do Phet , intitulada Kit de Construção de Circuito (DC), vamos verificar o comportamento(brilho) de lâmpadas em diferentes associações.
Questões: Que fatores parecem interferir no brilho das lâmpadas? Considerando o fato de que o brilho da lâmpada corresponde diretamente a sua potência útil, qual expressão poderia fornecer o valor dessa potência? A potência das lâmpadas mudou na associação em paralelo? Sua expressão satisfaz sua observação para a associação em paralelo? Qual tipo de associação deve ser utilizada nas instalações residenciais? Você consegue identificar outros fatores que diferenciam os dois tipos de associação e que torne um deles mais adequado às instalações elétricas residenciais?
Conteúdos Conceituais: Circuito Elétrico: Potência, Associação de Resistores, Energia Elétrica
Estratégias: Primeiramente solicitou-se a construção de um circuito semelhante ao da atividade anterior, substituindo o resistor por uma lâmpada, observando o seu brilho e anotando os valores da corrente que passa pela lâmpada, sua resistência elétrica e a ddp em suas extremidades. Em seguida construir uma associação de três lâmpadas, idênticas a primeira, em série. Observando os brilhos das lâmpadas e comparando com o brilho observado no item anterior, anotar as mesmas medidas. Relacionado a potência útil da lâmpada com seu brilho, solicitou-se que fossem identificados os fatores que alteram a potência útil da lâmpada. Em seguida solicitou-se a construção de uma associação de três lâmpadas, idênticas a primeira, em paralelo. Observando os brilhos das lâmpadas e comparando com o brilho observado quando apenas uma lâmpada estava no circuito e realizando as mesmas medidas de antes, mais uma vez solicitou-se que fossem identificados os fatores que alteram a potência útil da lâmpada e verificassem se as observações realizadas estavam em acordo com o esperado. Por fim solicitou-se que interrompessem o circuito, com a retirada de uma das lâmpadas nas duas associações e observassem o ocorrido. Formalizações dos resultados e exercícios de aplicação foram realizados posteriormente.
Avaliação: Respostas ao roteiro de atividades e observação da participação dos estudantes.
## 3.3 Aplicação do Conhecimento
Como terceiro momento, uma atividade para ser desenvolvida em grupo foi oferecida aos estudantes. O quadro 03 apresenta a atividade.
Quadro 03: Atividade que constitui a Aplicação do Conhecimento
Situação inicial: Devido à escassez de água, ouvimos dizer que as hidroelétricas não estão conseguindo produzir a quantidade necessária de energia para o abastecimento das cidades. Então, o governo acionou as termelétricas, que usam a queima de combustível fóssil para a produção de energia elétrica, porém os custos de produção são mais elevados, logo o valor do kWh aumentou.
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Questões: O texto acima aponta a questão econômica como um dos fatores prejudiciais do uso das energias termelétricas. Qual outro fator você identifica como prejudicial com o uso desse tipo de usina? Que tipos de usinas você julga que seriam mais adequadas para suprir a falta de energia elétrica produzida pelas hidrelétricas? Justifique sua resposta.
Problema: Seu Antônio, um vizinho preocupado com a conta de luz, pede sua ajuda para tentar reduzir o consumo de energia elétrica em sua residência. Como você não é um eletrotécnico, nem um engenheiro elétrico, você não pode fazer mudanças nas instalações elétricas da residência. Mas, explica para seu Antônio que irá verificar medidas de economia que poderão acarretar em redução no consumo de energia e, consequentemente, no valor da conta de luz. O seu Antônio diz que concorda em mudar seus hábitos e fazer alguns pequenos investimentos em sua residência para diminuir o seu consumo de energia elétrica, mas ele gostaria que você explicasse através de dados e conceitos físicos porque seriam vantajosas as mudanças e os investimentos sugeridos.
Tarefa: Indo na casa de seu Antônio, tome a planta baixa da residência (figura fornecida) com a descrição dos eletrodomésticos que ele utiliza. Relacionando-os por cada cômodo da casa e confeccionando uma tabela. Na tabela você deixa duas colunas vazias, uma para indicar o tempo de uso de cada aparelho, valores obtidos conhecendo os hábitos de seu Antônio (relatados nas sua ações cotidianas) e outra para a sugestão de novo tempo de uso. 1) Pense em propostas de redução de consumo de energia elétrica pelo seu Antônio, com mudanças de hábitos, mostrando que além de economizar ele também estaria contribuindo para diminuir o desperdício de energia elétrica; 2) Obtenha a redução em gasto de energia elétrica com as mudanças sugeridas; 3) Um pequeno investimento seria trocar as lâmpadas incandescentes por lâmpadas de LED. Lâmpadas de LED de 12W possuem um fluxo luminoso equivalente a uma lâmpada incandescente de 100W. Por simplicidade, considere substituir todas as lâmpadas por essas lâmpadas de LED e apresente a redução em gastos de energia, já considerando o novo hábito; 4) Sabendo que o kWh tem o valor aproximado de R$ 0,55, determine a redução mensal dos gastos feitos pelo seu Antônio ao seguir suas sugestões.
## 4. Resultados
As atividades foram desenvolvidas com duas turmas do 3 o do EM, compostas por 34 e 38 alunos, na Escola Estadual Dr. João Batista Hermeto, localizada no município de Lavras-MG. Devido ao fato do trabalho ter sido desenvolvido ao longo de um semestre, faremos uma síntese dos resultados, dando uma ênfase maior ao momento final.
Na Problematização Inicial, os alunos mostraram-se inibidos em expor suas respostas para as questões iniciais e a atividade de construção do cartaz mostrou-se bastante relevante para mobilizar os alunos. A atividade também foi bastante relevante para diferenciar a energia elétrica de outras formas de energia. Na produção do texto, a necessidade do conhecimento específico para compreender o transporte de energia foi evidenciada, tal como apontado por Delizoicov (2005).
Na Organização do Conhecimento, as atividades de caráter investigativo foram de extrema relevância na perspectiva de que o conhecimento é construído. Além do bom resultado de aprendizagem dos conteúdos conceituais elencados, a discussão sobre modelos e a relação entre a ciência e os avanços tecnológicos com seus reflexos na sociedade atual foram bastante significativos. No uso dos recursos computacionais, algumas dificuldades foram encontradas em relação ao manuseio, mas rapidamente os estudantes começaram a mostrar domínio do recurso e
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trabalharam com bastante destreza. Durante todo o processo a formalização dos conceitos, a partir das respostas dos alunos, se mostrou como uma estratégia significativa, refletindo na resolução dos exercícios desenvolvidos ao longo da Organização do Conhecimento. A diversidade de atividades e os trabalhos em grupo favoreceram as interações e principalmente, possibilitaram ao professor fazer as mediações necessárias.
- O momento da Aplicação do Conhecimento foi bastante gratificante. Havia um receio dos alunos apresentarem uma rejeição à proposta devido ao fato da atividade ser muito extensa, em tamanho e quantidade de tarefas. No começo houve certa resistência, mas devido à dificuldades de interpretação dos dados fornecidos. A mediação do professor, com a leitura conjunta com os estudantes, minimizou as dificuldades e o trabalho teve prosseguimento. No final os alunos se manifestaram dizendo que gostaram muito da atividade e relacionaram hábitos de sua casa com alguns descritos na atividade e falaram em mudanças desses hábitos.
Da forma como o trabalho foi proposto, cada grupo apresentou um resultado diferente do outro. Todos os alunos entregaram a atividade e quase todos os grupos desenvolveram as suas tarefas, identificando-se apenas uma pequena quantidade de cópias.
As respostas dadas pelos alunos quanto ao uso de outras usinas, no lugar das termoelétricas, estavam fundamentadas na questão da poluição ambiental e no uso de recursos renováveis, indícios de uma aprendizagens significativas que teve início no 1 ano do EM. o
## 5. Considerações Finais
No dia a dia de nossa escola, como em tantas outras, nos lamentamos sobre a falta de interesse dos alunos em relação aos conhecimentos desenvolvidos na sala de aula e comumente pensamos em formas de motivar os alunos ao aprendizado. A proposta do planejamento seguindo os três momentos pedagógicos (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2011), mostrou-se bastante satisfatória. Identificamos que mais do que motivados, os alunos tiveram motivos e consequentemente, necessidades em deter conhecimentos para entender e intervir em situações do mundo vivencial.
Os resultados alcançados são bastante satisfatórios no que se refere ao aprendizado dos estudantes, tanto em aspectos conceituais como procedimentais e atitudinais. No entanto, ainda deparamos com muitas dificuldades. A carga horária reduzida, sem dúvida é uma dificuldade, mas a maior dificuldade está na impossibilidade de contar com essa carga mínima. Em diversos momentos o planejamento foi comprometido por reuniões, exames externos, palestras, passeios, etc. Não que os eventos não sejam importantes, mas acarretaram em interrupções não previstas no processo. Atividades que eram desenvolvidas em dois ou mais momentos ficavam distanciadas perdendo-se a continuidade. Outro fator relevante é que o processo ensino-aprendizagem, como o próprio nome diz, é um processo e temos alunos ingressando na escola ao longo de todo o semestre, tais alunos possuem grande dificuldade de acompanhar as atividades ficando deslocados do processo e rejeitando-o, resultando em grande prejuízo na sua própria aprendizagem e do grupo como um todo.
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Por fim devemos salientar que na organização das aulas, a diversidade de tarefas que colocam o aluno em constante atividade também é fundamental. O processo torna-se dinâmico para o aluno e professor, as mediações didáticas acontecem e favorecem a mediação cognitiva.
## Agradecimentos
Os autores agradecem à direção da Escola Estadual Dr. João Batista Hermeto pela receptividade, a CAPES/Fapemig pelo apoio financeiro na aquisição de materiais e Celso Marciano agradece a CAPES pela bolsa de supervisão para professor da Educação básica.
## Referências
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DAMIANI, M. F. Entendendo o trabalho colaborativo em educação e revelando seus benefícios. Educar em Revista , volume 31, p.213-230, 2008.
DE AZEVEDO, M. C. P. S. Ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula. In: CARVALHO, A. M. P. (org.) Ensino de Ciências - unindo a pesquisa e a prática. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2004.
DELIZOICOV, D. Problemas e problematizações. In: PIETROCOLA, M. (org.) Ensino de Física: Conteúdo, metodologia e epistemologia em uma concepção integradora .- 2ª ed. Revisada. Florianópolis: Ed. UFSC, 2005.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de ciências: fundamentos e métodos. 4. ed. São Paulo, SP: Cortez, 2011.
GUIMARÃES, L. A. M.; FONTE BOA, M. C. Física: Eletricidade e Ondas . Niterói, RJ: Galera Hipermídia, 2010.
KARAM, R. A. S.; PIETROCOLA, M. Habilidades técnicas versus habilidades estruturantes: resolução de problemas e o papel da matemática como estruturante do pensamento físico. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia , v. 2, n. 2, p. 181-205, 2009.
NUÑES, I. B. Vygotsky, Leontiev, Galperin: Formação de conceitos e princípios didáticos. Brasília: Liber Livro, 2009.
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OLIVEIRA, M. P. P. ; POGIBIN, A.; OLIVEIRA, R. C. A.; ROMERO, T. R. L.. Física: conceitos e contextos: pessoal, social e histórico, eletricidade e magnetismo, ondas eletromagnéticas, radiação e matéria . São Paulo: FTD, 2013.
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PIETROCOLA, M.. Construção e Realidade: modelizando o mundo através da Física. In: \_\_\_\_\_ Ensino de Física: conteúdo, metodologia e epistemologia numa concepção integradora. - 2ª ed. Revisada. Florianópolis: Ed. UFSC, 2005.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.