VYGOTSKY NO CONTEXTO DA PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS/FÍSICA: UM INDICATIVO DA PRODUÇÃO BRASILEIRA
Valéria Bonfim Santos, Simoni Törmohlen Gehlen
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 26/01/2017
- Linha de pesquisa
- Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## VYGOTSKY NO CONTEXTO DA PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS/FÍSICA: UM INDICATIVO DA PRODUÇÃO BRASILEIRA
## Valéria Bonfim Santos , Simoni Törmohlen Gehlen 1 2
1 Universidade Estadual de Santa Cruz/Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas/leria.sordi@gmail.com
2 Universidade Estadual de Santa Cruz/Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas/stgehlen@gmail.com
## Resumo
Estudos têm evidenciado um significativo crescimento de trabalhos da área de Educação em Ciências que utilizam a teoria de Vygotsky, principalmente para elaboração de propostas didático-pedagógicas. Tendo em vista esse crescimento, o presente artigo tem por objetivo mapear a produção acadêmica que utiliza a teoria de Vygotsky como referência de seus estudos no Ensino de Ciências/Física. Metodologicamente, consultou-se o banco de teses e dissertações da CEDOC e CAPES, e os repositórios de alguns programas de pósgraduação da área, no período de 1991 até 2015. Buscou-se identificar aspectos como: número de trabalhos publicados no período, regiões geográficas da produção, instituições de ensino, orientadores dos trabalhos e focos temáticos. A partir do mapeamento e da leitura dos resumos, identificou-se que a maioria desses trabalhos estão sendo produzidos nas regiões Sudeste e Sul, o maior número de trabalhos têm sido na área de Física, os orientadores com maior número de orientações são Alberto Gaspar e Fernanda Ostermann e o foco temático que tem se destacado no Ensino de Física é a formação de professores.
Palavras-chave : Vygotsky; Ensino de Ciências/Física; Focos Temáticos.
## Introdução
As ideias de Vygotsky foram apresentadas desde meados da década de XX, porém, de acordo com Rego (2004), as suas teorias foram consideradas pelas autoridades soviéticas, na época, como 'idealistas'. Por conta disso, as obras de Vygotsky demoraram para serem disseminadas pelo mundo e somente em 1984 chegaram ao Brasil por meio do livro 'A Formação social da mente' (PRESTES, 2012).
No contexto do Ensino de Física, Gaspar (1997) destaca que nos últimos anos surgiram diversas propostas didático-pedagógicas voltadas ao Ensino de Física, formando um expressivo acervo de experimentos de baixo custo, visando contribuir na aprendizagem dos alunos. Porém, o autor aponta que o que se observou na maioria das propostas é um distanciamento do professor no processo de ensino e aprendizagem, em que o aluno torna-se majoritariamente responsável pela apropriação do saber. Por conta disso, o Gaspar (1997) apresenta como possível solução para o insucesso dessas propostas a utilização de um novo referencial teórico, que seria a teoria histórico-cultural de Vygotsky, já que a mesma entende que 'o conhecimento é transferido daqueles que o detêm para aqueles que querem ou devem adquiri-lo por meio da linguagem' (GASPAR, 1997, p.9), possibilitando ao professor um posicionamento mais atuante na sala de aula.
Apesar desta análise de Gaspar (1997) ter sido realizada há quase 20 anos, Gehlen, Schroeder e Delizoicov (2007) destacam que há muitos trabalhos do I e V
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Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC) que utilizam a teoria de Vygotsky como referencial teórico, mas pouco se tem revelado sobre a utilização deste referencial no Ensino de Ciências/Física.
Gehlen, Machado e Auth (2009) apontam para um número significativo de estudos publicados no XV, XVI e XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) que têm como referência a teoria de Vygotsky, evidenciando o crescimento dos pesquisadores que balizam o Ensino de Física com os pressupostos vygotskyanos. Os autores também destacam que o pensamento vygotskyano, em sua maioria, é apresentado como referencial nos resumos dos trabalhos e pouco explorado no corpo dos textos.
Nesse sentido, constatou-se a necessidade de ampliar a investigação da utilização da teoria de Vygotsky como referencial teórico para o contexto de teses e dissertações da área de Ensino de Ciências/Física, no período de 1991 até 2015. Mediante o exposto, questionou-se: Em qual período e quais regiões destacam-se na utilização da teoria de Vygotsky como um referencial no contexto do Ensino de Ciências/Física? Quais orientadores e instituições de ensino se sobressaem na produção de trabalhos balizados pela teoria de Vygotsky no Ensino de Ciências/Física? Quais são os focos temáticos dessas teses e dissertações?
## Procedimento metodológico
Para o desenvolvimento desta pesquisa, consultou-se o banco de teses e dissertações do Centro de Documentação em Ensino de Ciências (CEDOC) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), utilizando como descritor a palavra Vygotsky e suas diferentes grafias como, Vigotski, Vygotski e Vigotsky, visando localizar todos os trabalhos da área de Ensino de Ciências que utilizam pressupostos vygotskyanos.
Embora o banco de teses da CEDOC tivesse trabalhos publicados desde o ano de 1972, verificou-se que não existia nenhum trabalho da área de Ensino de Ciências/Física que mencionasse a obra de Vygotsky. O primeiro trabalho que utiliza as ideias de Vygotsky foi publicado no ano de 1991. Por conta disso, para este estudo, iniciou-se o mapeamento no ano de 1991 até o ano de 2015. Entretanto, somente o banco de teses da CEDOC e da CAPES não foram suficientes para estudar esses 25 anos de Vygotsky no Ensino de Ciências/Física, visto que os mesmos só disponibilizavam trabalhos até 2010 e até 2012, respectivamente. Assim, optou-se por selecionar os programas de pós-graduação da área de Ensino Ciências e Matemática que possuíssem conceitos 5 ou 6, de acordo com a avaliação trienal da CAPES realizada em 2013. Os quais são: Pós-graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática (Universidade Estadual de Londrina - UEL); Ensino de Física (Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS); Ensino de Ciências - modalidades Física, Química e Biologia (Instituto de Física/São Paulo (USP)); Ensino de Ciências e Matemática e Ensino de Ciências (Universidade Cruzeiro do Sul - UNICSUL); Educação em Ciências Química da Vida e Saúde (Universidade Federal do Rio Grande - FURG); Educação Científica e Tecnológica (Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC); Educação em Ciências e Saúde (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ); Ensino em Biociências e Saúde (Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz); Educação Matemática (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP).
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Os repositórios do Programa de Ensino, Filosofia e História das Ciências (Universidade Federal da Bahia - UFBA); Educação para a Ciência (Universidade Estadual Paulista - UNESP/BAURU); Educação Matemática (Universidade Estadual Paulista - UNESP/RC); Educação Matemática (Universidade Anhanguera de São Paulo - UNIAN/SP); Ensino, História de Ciências da Terra (Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP), encontravam-se desatualizados ou com problemas no acesso. Por conta disso, utilizou-se a plataforma Sucupira para realizar a busca por trabalhos nos anos de 2013 a 2015 destes programas.
Entre as teses e dissertações que foram selecionadas, procurou-se observar o ano, as regiões e as instituições de ensino em que cada uma foi publicada, além dos orientadores das teses e dissertações.
Dentre esses trabalhos, foram selecionados algumas teses e dissertações dos orientadores do Ensino de Física, que mais se destacaram com relação ao número de orientações utilizando a teoria de Vygotsky como referencial, visando uma leitura mais detalhada para identificar os focos temáticos desses trabalhos. Organizou-se os resultados em duas fases: a) identificação dos dados (ano de defesa, região geográfica, Instituições de Ensino Superior (IES) e orientadores) e b) análise dos trabalhos orientados por pesquisadores da área Física que mais se destacaram, visando identificar os principais focos temáticos.
## Resultados e discussões
Foram localizados 227 trabalhos, destes 48 teses e 179 dissertações, que utilizam Vygotsky como referencial teórico, totalizando 3,43% no período de 1991 até 2015 dentre os 6627 trabalhos da área de Ensino de Ciências produzidos desde 1972. A Figura 1 ilustra a evolução do número de trabalhos da área de Ensino de Ciências.
Figura 1: Número de trabalhos publicados no período de 1991-2015
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Observa-se, na Figura 1, que somente no período de 2000 até 2015 foi que o número de trabalhos que utilizam Vygotsky como referência teve um crescimento expressivo, com 93% das publicações com relação ao total de 227 trabalhos tendo
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como período mais significativo da produção os anos 2008 e 2009. O fato do número de teses e dissertações ser baixo de 1991 a 2000 pode ser explicado pelo fato das obras de Vygotsky terem demorado para serem traduzidas para o Português e, mesmo quando os trabalhos analisados começaram a ter um resultado expressivo, nota-se, a partir da Figura 1, que esse crescimento não se manteve de forma contínua. Talvez isso se deve ao fato de haver uma complexidade muito grande na teoria de Vygotsky fazendo com que os pesquisadores, possivelmente, optem por outro referencial.
Pereira e Lima Junior (2014) apontam para alguns erros de traduções e cortes de algumas partes dos textos de Vygotsky durante a Guerra Fria e, principalmente, a diferença na maneira com que o Ocidente e a antiga União Soviética compreenderam o funcionamento mental humano. Além dos erros conceituais nas traduções, Prestes (2012) apresenta em seu livro 'Quando não é quase a mesma coisa' relatos da filha de Vygotsky, em que durante a Segunda Guerra Mundial ocorriam muitos bombardeios na antiga União Soviética e um desses aconteceu bem próximo ao apartamento em que a esposa e filhas de Vygotsky moravam, e quando elas tiveram a oportunidade de retornarem ao seu apartamento se depararam com várias páginas dos manuscritos de Vygotsky danificados, perdendo muitas partes de obras que ainda não haviam sido publicadas. Por conta disso há indicativos da dificuldade de se trabalhar com obras de alta complexidade, como as de Lev Vygotsky.
Para compreender a repercussão da teoria de Vygotsky no Brasil, fez-se necessário analisar, dentre os 227 trabalhos localizados, em quais regiões a pesquisa em Ensino de Ciência têm se destacado com relação à utilização desse referencial. Na Figura 2, estão dispostos os números de teses e dissertações por cada região do Brasil.
Figura 2: Número de dissertações e teses por região do Brasil
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Na Figura 2, constata-se um significativo número de trabalhos produzidos na região Sudeste, sendo responsável por 57% do total da produção brasileira. Isso pode ser entendido pela quantidade expressiva de grupos de pesquisa que trabalham com a teoria de Vygotsky, a exemplo do grupo Linguagem e Cognição em salas de aula de Ciências, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenado por Eduardo Fleury Mortimer, o Grupo de Estudos e Pesquisa em
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Ciência e Ensino da UNICAMP, coordenado por Maria José Pereira Monteiro de Almeida e o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação não formal e divulgação em Ciências, da USP, coordenado por Martha Marandino, que têm a perspectiva histórico-cultural como um dos referencias teóricos de suas pesquisas.
Outro fator a ser considerado na Figura 2, foi o número expressivo de dissertações em relação à quantidade de teses, principalmente na região Norte, totalizando 3% diante do total das 179 dissertações (acadêmicas e profissionalizantes). Entende-se este caso pelo fato de que grande parte das pósgraduações desta região, ser de mestrados profissionalizantes.
Na Figura 3, estão dispostas as instituições de ensino referentes aos 227 trabalhos identificados na pesquisa.
Figura 3: Número de dissertações e teses por IES.
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A partir da Figura 3, têm-se como destaque as instituições: UFMG, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI), UNICAMP, UNIAN com 3,54% cada, UFSC com 4,42%, a UNESP com 7,96%, a UFRGS com 12,39% e a USP com 17,26% dos trabalhos publicados. Assim como discutido na Figura 2, essas instituições estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste, onde há a presença de grupos de pesquisa que trabalham com alguns pressupostos da teoria de Vygotsky, como o Grupo Interdepartamental de pesquisa sobre Educação em Ciências (Gipec) da UNIJUÍ, que tem como um dos principais participantes o professor Dr. Otávio Aloisio Maldaner que também se destaca no número de orientações em trabalhos que têm como referencial a abordagem histórico-cultural.
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Na Figura 4, estão dispostos os nomes dos pesquisadores que orientaram o maior número de teses e dissertações tendo como base as ideias de Vygotsky. A figura apresenta o nome dos orientadores, com sua respectiva área de formação, instituição na qual atua, o número de dissertações acadêmicas, dissertações de mestrados profissionalizantes e teses orientadas, e a porcentagem em relação aos 161 orientadores localizados a partir do mapeamento.
Figura 4: Orientadores de teses e dissertações
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Observa-se, na Figura 4, que os pressupostos da teoria de Vygotsky estão sendo utilizados, em sua maioria, pelos pesquisadores da área da Física, em que dois dos orientadores da área de Física, que se destacaram com um número de orientações igual ou superior a quatro, atuam na mesma instituição. Pelo fato do número de trabalhos estarem concentrados na área de Ensino de Física, optou-se por analisar com mais detalhes apenas os trabalhos orientados por Alberto Gaspar e os da Fernanda Ostermann, representando duas das instituições que se sobressaíram nas regiões Sudeste e Sul, respectivamente.
Na segunda fase da pesquisa, buscou-se identificar o foco temático (MEGID, 1999) dos estudos orientados por estes pesquisadores, que compreendem 13 trabalhos (4 teses e 9 dissertações). Na Figura 5 estão dispostos alguns focos temáticos. Destaca-se que dentre os 13 trabalhos nenhum apresentou características de formação de conceitos, currículos e programas, organização da instituição/programa não-escolar, políticas públicas, organização da escola, história do Ensino de Ciências, história e filosofia da Ciência que são os demais focos de Megid (1999).
Figura 5: Focos Temáticos identificados em teses e dissertações
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O foco temático que mais se destaca, conforme a Figura 5, é Formação de Professores com 46,15% dentre os 13 trabalhos analisados, o que se diferencia dos resultados obtidos por Gehlen, Schroeder e Delizoicov (2007) em publicações do I e V ENPEC, e por Gehlen, Machado e Auth (2009) em publicações do XV ao XVIII SNEF, que tiveram como focos significativos o conteúdo-método e recursos didáticos.
Após a leitura dos resumos, optou-se por analisar com mais detalhes as dissertações que tinham como foco temático 'Formação de Professores'. Dos 6 trabalhos, 3 eram teses e 3 dissertações (destas uma profissionalizante), optou-se em analisar apenas as dissertações. A justificativa para tal se dá pelo fato de que duas, dentre as três selecionadas, serem de mestrado acadêmico e a outra de mestrado profissionalizante, além de terem sido desenvolvidas na UFRGS em anos distintos, 2009 e 2014. No caso da terceira dissertação, a mesma havia sido desenvolvida em uma instituição distinta, na UNESP, no ano 2012. Contudo, pôdese analisar trabalhos das regiões que mais se destacaram no levantamento, Sul e Sudeste.
Por conseguinte, por meio de uma leitura mais detalhada, observou-se que o foco de pesquisa dos trabalhos analisados segue a mesma linha dos orientadores. Por exemplo, a dissertação publicada na UNESP trata da importância dos centros de ciências na formação, principalmente, inicial dos professores de Física. Já os trabalhos da UFRGS publicados em 2009 e 2014, tratavam da importância de uma reformulação na disciplina de Metodologia em Ensino Física, visando uma melhora na formação dos professores.
Vale salientar que, apesar dos três trabalhos dedicarem um capítulo de fundamentação teórica às ideias de Vygotsky, abordando aspectos sobre mediação, signos, internalização e zona de desenvolvimento proximal, no momento da análise e discussão dos resultados das pesquisas, esses conceitos são pouco explorados, se limitando à questão da interação do professor com os alunos e do aluno-aluno.
## Considerações finais
Apesar dos diversos problemas de tradução das obras de Vygotsky (PEREIRE; LIMA JÚNIOR, 2014) sua teoria foi ganhando espaço no Brasil, não só na área da Psicologia, mas, também na área do Ensino de Ciências. E é mediante isto que realizou-se um levantamento de teses e dissertações no Ensino de Ciência que a partir de uma breve análise das mesmas evidenciou que: a) apesar de localizarmos 227 trabalhos que têm como referencial teórico os pressupostos vygotskyanos, esse número ainda é insignificante diante das 6027 teses e dissertações da área de Ensino de Ciências analisadas nesta pesquisa; b) a maioria dos trabalhos que utilizam as ideias de Vygotsky no Ensino de Ciências/Física está sendo produzida nas Regiões Sudeste e Sul, tendo como principais orientadores Alberto Gaspar e a Fernanda Ostermann; c) O foco temático que mais se destacou no Ensino de Física foi a Formação de Professores diferentemente, dos trabalhos publicados no ENPEC e SNEF (GEHLEN, SCHROEDER e DELIZOICOV, 2007; GEHLEN, MACHADO e AUTH, (2009); d) os pesquisadores em Ensino de Física têm utilizado a Teoria de Vygotsky de forma muito 'tímida', tendo em vista que Vygotsky só se mostra com maior relevância nos resumos das três dissertações analisadas.
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Para além deste levantamento de teses e dissertações, é importante investigar e buscar entender de forma mais sistemática os conceitos de Vygotsky que estão sendo utilizados na pesquisa em Ensino de Física, para analisar de que forma pesquisadores têm compreendido esses conceitos, e no que a utilização de Vygotsky como referencial tem contribuído no Ensino de Física.
## Referências
GASPAR, A. Cinquenta anos de Ensino de Física: Muitos equívocos, alguns acertos e a necessidade do resgate do papel do professor. In: XV Encontro de Físicos do Norte e Nordeste . Natal, 1997.
GEHLEN, S.T.; SCHROEDER, E.; DELIZOICOV, D. A abordagem histórico-cultural no encontro nacional de pesquisa em educação em ciências. In: VI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Florianópolis, 2007.
GEHLEN, S. T.; MACHADO, A.; AUTH, M. A. Freire e Vygotsky no Simpósio Nacional de Ensino de Física. In: XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física Vitória, 2009.
MEGID, J. N. Tendências da pesquisa acadêmica sobre o ensino de Ciências no nível fundamental . Campinas: Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas. 365p. (Tese de doutorado), 1999.
PEREIRA, A. P. de; LIMA JUNIOR, P. Implicações da perspectiva de Wertsch para a interpretação da teoria de Vygotsky no ensino de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física . v.31, n. 3, p. 518-535, 2014.
PRESTES, Z. Quando não é quase a mesma coisa: Traduções de Lev Semionovitch Vigotski no Brasil. 1. ed. Campinas: Autores Associados, 2012.
REGO, T. C. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.
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