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AS POSSIBILIDADES DA OFICINA PEDAGÓGICA CIÊNCIA DA FLUTUAÇÃO - O MISTÉRIO DA MELANCIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO GRUPO DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA DA FÍSICA (PIBID-FÍSICA/UFSCar).

Danielle Santos, Carolina Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AS POSSIBILIDADES DA OFICINA PEDAGÓGICA CIÊNCIA DA FLUTUAÇÃO - O MISTÉRIO DA MELANCIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO GRUPO DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA DA FÍSICA (PIBIDFÍSICA/UFSCar) .

## *Danielle Santos , Carolina Souza 1 2

## Resumo

O trabalho de pesquisa foi realizado durante o desenvolvimento da I Jornada Estudantil de Ciência, Cultura e Arte (JECCA) organizada pelo grupo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência/ Física da Universidade Federal de São Carlos (PIBID/Física/UFSCar) em parceria com a escola Prof. Marivaldo Degan. Neste evento foram ofertadas diversas atividades temáticas ligadas à produção artística, cultural e científica, entre elas a produção de poesias, desenhos, jogos e oficinas, com foco em temáticas científicas. Dentre as atividades, a equipe PIBID-Física da UFSCar organizou a oficina Ciência da flutuação- o mistério da melancia, que trabalhava com o conceito de flutuabilidade dos corpos utilizando-se de diferentes tipos de materiais. Todos os materiais tinham como proposta vivenciar experiências sobre o assunto. Essa pesquisa objetivou apresentar o desenvolvimento de tal oficina e suas potencialidades como uma oficina pedagógica de física, e o quanto suas atividades puderam contribuir para a formação dos alunos. Observou-se que a realização da oficina fez com que os alunos pensassem, articulassem, contextualizassem e interagissem em conjunto na busca por explicações que fundamentassem as experiências vivenciadas no momento, possibilitando a compreensão de conhecimentos relacionados à física.

Palavras-chave : Oficina de ensino de física, flutuabilidade dos corpos, PIBID.

## Introdução

A inter-relação entre teoria e prática quase sempre constitui um desafio que está presente em diversas áreas, não apenas na área da educação. Entre pensar, planejar e executar existe uma distância a ser percorrida que, no entanto, pode ser vencida. Existem vários caminhos aos quais podemos trilhar na busca pela superação dessa situação e um deles é a construção de estratégias que visem à integração entre os pressupostos teóricos e práticas, o que, caracteriza as oficinas pedagógicas (PAVIANI; FONTANA, 2009).

Dessa forma, como parte integrante da pesquisa, o grupo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência da Física (PIBID/Física) realizou

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23 a 27 de janeiro de 2017

oficinas com os alunos da escola estadual Prof. Marivaldo Carlos Degan (6º ano ao 9º ano do ciclo II e ensino médio Regular e EJA) ao qual realiza parceria. As oficinas foram realizadas com o propósito de serem apresentadas durante a primeira Jornada Estudantil de Ciência, Cultura e Arte (JECCA).

A primeira JECCA ocorreu na semana do dia 19/10/2015 à 23/10/2015 na escola estadual Marivaldo Carlos Degan e contou com a participação do grupo PIBID-Física e PIBID-Química para sua realização, que contou com a realização de diversas oficinas das áreas de química (PIBID-Química) e física (PIBID-Física), dentre outras atividades e áreas.

As oficinas ofertadas pelo PIBID-Física foram: Brincando com os Transformers: os princípios da robótica e Ciência da flutuação- o mistério da melancia , e a oficina Desbravando o Sistema Solar organizada pelos grupos PIBID da física e da química. Para o desenvolvimento da Jornada, preparamos, na UFScar, alguns alunos do ensino médio para serem oficineiros no dia do evento. Os oficineiros eram os alunos que ministrariam a oficina na JECCA para outra turma, ficando os bolsistas do PIBID como um grupo de suporte. Cada oficina foi ofertada durante um período e dia da semana da JECCA e contou com a participação dos pibidianos, na expectativa de auxiliar os oficineiros.

O desenvolvimento da oficina Ciência da flutuação- o mistério da melancia, foco da pesquisa , será relatado nesse trabalho na perspectiva de refletir sobre o quanto essa atividade buscou se aproximar de uma oficina pedagógica de física e o quanto suas atividades puderam contribuir para a formação dos alunos (oficineiros).

Segundo Paviani e Fontana (2009) uma oficina pedagógica deve contemplar duas finalidades: (a) articulação de conceitos, pressupostos e noções com ações concretas, vivenciadas pelo participante ou aprendiz; e b) vivência e execução de tarefas em equipe, ou seja, construção coletiva de saberes. Sendo o professor ou coordenador da oficina apenas uma pessoa que vai oportunizar o que os participantes necessitam saber. A abordagem é centrada no aprendiz e na aprendizagem, de modo que toda a construção de conhecimento e as ações relacionadas devem decorrer do conhecimento prévio, das habilidades, dos interesses, das necessidades, dos valores e julgamentos dos participantes.

Uma oficina é, pois, uma oportunidade de vivenciar situações concretas e significativas, baseada no tripé: sentir-pensar-agir, com objetivos pedagógicos. Nesse sentido, a metodologia da oficina muda o foco tradicional da aprendizagem (cognição), passando a incorporar a ação e a reflexão. Em outras palavras, numa oficina ocorrem apropriação, construção e produção de conhecimentos teóricos e práticos, de forma ativa e reflexiva. (Paviani apud Fontana, 2009, p. 78).

Dessa forma, esse trabalho também pretende resgatar, na experiência realizada no desenvolvimento da oficina Ciência da flutuação - o mistério da melancia , as potencialidades ou não, para o trabalho de oficina pedagógica, pensando no tripé apontado por Paviani e Fontana (2009), sentir-pensar-agir.

## Desenvolvimento

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A primeira JECCA ocorreu apenas para os alunos da escola e contou com diversas atividades temáticas ligadas a produção de poesias, desenhos e jogos incluindo oficinas ligadas às áreas de química e física.

Os oficineiros passaram por um processo de 'formação', onde puderam participar da oficina ofertada na perspectiva de compreenderem os processos físicos e/ou químicos envolvidos, porém de forma com que pudessem se desprender dos conceitos teóricos presentes nos objetos que foram trabalhados nas oficinas. Esse processo de treinamento ocorreu na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no prédio Núcleo de Formação de Professores.

Os pibidianos do grupo da física e da química ficaram responsáveis pelo processo de 'formação'. Nesse dia os alunos puderam conhecer os materiais das oficinas, interagirem com perguntas, conhecerem um pouco do espaço da universidade e ao final receberem os certificados de participação.

A oficina Ciência da flutuação - o mistério da melancia contava com um kit prático do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC - São Carlos), onde foi possível utilizar-se de balanças analógicas, massinhas de modelar, cilindros de aço e de alumínio, pedras pomes, cilindros de madeira de aroeira e de pinus, submarino feito com garrafa de vidro, bexiga e tripa de mico, barquinhos de aroeira, varinha de madeira, copinhos e cubas transparentes. Havia também outros objetos que nós levamos para completar a experiência: banana, batata doce, limão, ovo cru e cozido e a melancia. Em conjunto ao kit havia uma proposta de orientação investigativa para realização dos experimentos, que guiou parte de nosso processo. A oficina envolvia conceitos de massa, forma, densidade, empuxo e volume em relação ao processo de flutuação dentro da água. Assim, em cubas transparentes os oficineiros pegavam o objeto de teste, analisavam visualmente e manualmente, formulavam hipóteses para sua flutuação ou não e após isso verificavam por experimentação.

Os oficineiros eram alunos do segundo ano do ensino médio e, portanto possuíam a ideia de conceito de densidade e assim vários argumentos foram surgindo para os objetos utilizados boiarem ou afundarem. Ao final testamos a melancia que por ser muito grande e pesada parecia ser um objeto que afundaria, porém os oficineiros julgaram se assemelhar ao caso da banana e acertaram que a melancia não afundava.

Após o dia de treinamento, foi construído um grupo via facebook para que os oficineiros recebessem o material de apoio para estudar para o dia da apresentação e para que dessa forma tivessem um canal de comunição direto, onde eles poderiam discutir eventuais dúvidas. Os oficineiros se mostraram muito participativos durante todo o processo. Na UFSCar eles estavam sempre atentos aos objetos que iriam ser inseridos na água e apresentavam hipóteses para sua flutuação ou não com base em argumentos vivenciados ou aprendidos em sala. No grupo da página do facebook, as participantes mantiveram as publicações, com comentários e/ou perguntas.

A oficina envolvia vivenciar atividades sobre a flutuabilidade dos corpos, de forma a compreender as variáveis envolvidas: a flutuação depende tanto do objeto como do líquido em que está imerso, objetos diferentes com a mesma massa podem ter comportamentos diferentes no mesmo líquido, objetos que afundam num líquido podem vir a flutuar nesse mesmo líquido variando sua forma, a flutuabilidade dos corpos não depende do volume do líquido e que a água exerce uma força (empuxo) de baixo para cima que tende a impedir que o corpo afunde no líquido. Dentre os

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materiais utilizados durante a oficina, juntamente com o próprio kit do CDCC destacam-se: cubas transparentes, tesouras, balanças de prato, pedaços de cortiça, bexiga, ovo cozido e cru, batata doce, pedregulhos, limão, sal, garrafa de vidro, pedra polmes, mangueira de plástico, bananas, melancia, massa de modelar, potinhos plásticos com tampa, varetas de pipa, barbante, cilindros de aço inox, ferro e madeira, bolinhas de argila e água.

A sequência didática intitulada 'Flutua ou afunda' realizada esta disponível no sítio do CDCC . A sequência possui um total de sete atividades: Atividade 1. 1 Flutua ou afunda?, Atividade 2. Influência da forma do objeto sobre a flutuabilidade, Atividade 3. A influência da massa do objeto sobre a flutuabilidade, Atividade 4. Influência da quantidade de água sobre a flutuabilidade, Atividade 5. Influência da água sobre a flutuabilidade (empuxo), Atividade 6. Influência de líquidos diferentes sobre a flutuabilidade e Atividade 7. Construindo um submarino.

- A discussão investigativa sobre flutuabiidade dos corpos começa logo na primeira atividade, em que em cubas transparentes, cheias de água, os alunos são questionados sobre a flutuabilidade dos objetos e suas causas. Nesse diálogo, as hipóteses dos estudantes aparecem e em conjunto vamos testando os objetos, observando os resultados, concluindo com base nos mesmos e desenrolando a sequência de atividades da mesma forma.
- A apresentação dessa oficina na semana do JECCA contou com a participação dos alunos do ensino fundamental no processo de experimentação.

Assim o processo de formação/aprendizagem dos oficineiros além de contar com as experiências vivenciadas durante a realização da oficina na UFSCar, também contou com a experiência de ministrar a oficina para os alunos do ensino fundamental, onde eles puderam colocar em prática suas interpretações e conhecimentos sobre o que haviam aprendido no primeiro momento de sua formação.

## Resultados obtidos

A experiência vivenciada durante o processo de formação dos oficineiros possibilitou perceber o quanto os alunos se permitiram sentir, pensar e agir, pois, durante todo o processo de formação, seguido pelo roteiro elaborado como sequência didática, os alunos pensavam sobre cada uma das questões lançadas, articulavam em si com suposições e teorias, manipulavam os materiais, antes de serem submersos, com as mãos na expectativa de sentirem seu peso, formato e/ou porosidade, contextualizavam com exemplos de sala de aula e outros referentes ao próprio cotidiano e interagiam em conjunto na busca por explicações que fundamentassem as experiências vivenciadas em cada etapa do roteiro.

Dessa forma a realização da oficina permitiu aos alunos refletirem sobre os questionamentos levantados para cada material utilizado no roteiro, motivando-os e mobilizando-os a buscar soluções para os problemas, utilizando para isto a manipulação, a observação, a comparação, o debate e o trabalho em grupo.

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A oficina também possibilitou a realização de ações construtivistas, no qual o aluno é o foco, levando em conta que o aluno é um ser em continuo aprendizado, ou seja, não 'depositamos' nosso conhecimento no aluno sem levar em conta seus próprios conhecimentos e como ele enxerga o mundo (MORTIMER, 1996).

Assim, segundo Torres e Temóteo (2013) uma oficina pedagógica tem como finalidade oportunizar aos alunos articular sobre os conceitos envolvidos através de ações concretas, vivenciadas pelos próprios alunos e pela execução de tarefas em equipe. A oficina Ciência da flutuação - o mistério da melancia pode promover em sua síntese a investigação, a ação e a reflexão; e combinar o trabalho individual e a tarefa em grupo na tentativa de garantir a unidade entre a teoria e a prática.

## Considerações

A oficina Ciência da flutuação -o mistério da melancia pretendeu oportunizar o espaço necessário para que os alunos organizarem suas ideias, suas hipóteses sobre o que estava acontecendo e suas conclusões sobre as atividades envolvidas. O processo de construção de conhecimento durante a realização da oficina ocorreu de forma natural, com muito diálogo, utilizando-se da experimentação, observação, manipulação e articulação.

Ainda existe um longo percurso para aprimorar o trabalho realizado, tanto na forma como a oficina foi conduzida quanto na elaboração do primeiro JECCA que ocorreu dentro da escola. Existem muitos caminhos que podem ser associados à condução da oficina que possam elevar seu potencial como instrumento de formação/conhecimento. Talvez possa se pensar em utilizar diversas estratégias, problematizando as atividades investigativas de formas diferentes, iniciando com a questão do empuxo, por exemplo, permitindo que os alunos possam refletir mais sobre cada processo da atividade.

Afinal foram trabalhados muitos assuntos relacionados à flutuabilidade dos corpos em apenas um período de um único dia. Talvez o ideal fosse trabalhar umas das atividades por vez, permitindo aos alunos compreenderem melhor aquilo que estavam manipulando e como estavam elaborando respostas para as atividades que foram problematizadas. Assim, talvez possibilitar que os alunos pudessem sentir melhor cada atividade, pensar sobre elas e agir para cada uma com mais tempo, na expectativa de tentar trazer mais segurança e clareza na interpretação e conclusão sobre as atividades.

Porém o resultado apresentado durante a realização do treinamento dos oficineiros se mostrou satisfatório, criando uma atmosfera de aprendizagem em conjunto. Ao final os alunos foram questionados em uma conversa conjunta se haviam gostado da oficina e se conseguiram compreender as discussões, durante a conversa. Eles disseram 'ter gostado da forma diferente de aprender do que na sala de aula'.

Dessa forma a oficina Ciência da flutuação - o mistério da melancia conseguiu oportunizar uma atividade e experiências diferentes das vivenciadas em sala de aula desses alunos, descentralizando o professor como foco principal. E consequentemente, pretendeu oportunizar aos alunos compreenderem

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conhecimentos relacionados à física, na expectativa de aumentar o interesse deles em conhecimento nas ciências, principalmente ligados à área da física.

## Referências

CDCC: banco de dados. Disponível em: http://www.cdcc.usp.br/maomassa/doc/ensinodeciencias/flutua\_afunda.pdf. Acesso

em 19 fevereiro 2016;

MORTIMER, E. Construtivismo, mudança conceitual e ensino de ciências: Para onde vamos. Investigações para o ensino de ciências V1(1), pp.20-39 1996;

PAVIANI N. M. S.; FONTANA N. M. Oficinas pedagógicas: relato de uma experiência, v. 14, n. 2, maio/ago. 2009;

TORRES M. G. T.; TEMÓTEO A. S. G. Oficinas pedagógicas: Experiência Formativa no contexto do PIBID , 2013;

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