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A COMPREENSÃO DOS ALUNOS SOBRE ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO APÓS UMA ATIVIDADE EXPERIMENTAL.

Áurea Cristina Pires Marcelino, Leiana Camargo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A COMPREENSÃO DOS ALUNOS SOBRE ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO APÓS UMA ATIVIDADE EXPERIMENTAL.

Áurea C.P. Marcelino , Leiana Camargo , 1 2

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Colégio Objetivo/ Docente, aurea.marcels@gmail.com 2 UFABC/ Mestranda, leiiana@hotmail.com

## Resumo

A aplicação de experimentos na sala de aula contribui significativamente para estimular a aprendizagem dos conceitos fundamentais da física, como também, de aguçar a curiosidade dos alunos e de exemplificar de maneira simples os fenômenos. Este trabalho apresenta uma pesquisa desenvolvida em aulas de física voltada para os nonos anos de uma escola privada, onde o objetivo principal das aulas foi explanar as dúvidas através de uma atividade experimental. O conteúdo abordado em aula foi eletricidade, especificamente, os processos de eletrização. Após a explanação sobre o tema, os alunos realizaram uma pesquisa sobre cada tipo de eletrização e apresentaram de forma oral o que é e como ocorre a eletrização por contato, atrito e indução. Logo após foi realizado um levantamento de dados através do discurso dos alunos durante a apresentação. Na análise deste ficou evidenciado que eles ainda não tinham compreendido como ocorre a eletrização por indução. Noventa por cento dos grupos, que apresentaram o trabalho, encontraram dificuldades em compreender a eletrização por atrito. Após uma reflexão da aula, foi elaborada uma atividade experimental de baixo custo fundamentada na teoria do Vygotsky. Aplicou-se uma atividade experimental em grupo. Com uma análise dos resultados após o experimento, justificamos sua utilização em aulas de Física voltadas para alunos dos nonos anos, pois, observou-se a partir do discurso promovido em sala e após um questionário, que o desenvolvimento das interações sociais ocorridas durante a aula experimental, contribuem significativamente para o ensino de Física.

Palavras-chave : Eletricidade, experimento, Vygotsky, Física, Ciências.

## Introdução

Nas aulas de Ciências, especificamente de Física, muitos conceitos exigem uma profunda abstração, o que dificulta muitas vezes a compreensão do aluno. De acordo com Bonadiman e Nonenmacher (2007, p. 220), 'a abstração, na construção dos modelos teóricos de Física, é importante e necessária', assim com o intuito de se obter maior significação, pode-se trabalhar os fenômenos físicos a partir de 'aspectos práticos, de modo a envolver plenamente o estudante'.

- A capacidade da abstração dos alunos do Ensino Fundamental II não está desenvolvida o suficiente, prejudicando-os, devido determinados assuntos necessitarem da mesma. Os alunos também possuem dificuldade em fazer relações de fenômenos físicos com o mundo a sua volta, o que dificulta sua compreensão.
- O professor pode propiciar meios, situações e instrumentos pedagógicos que facilitem a aprendizagem do aluno. E, este trabalho apresentará uma atividade pedagógica experimental baseada nos fundamentos de Vygotsky, que possibilitou uma aprendizagem significativa aos alunos dos nonos anos de uma escola privada.

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23 a 27 de janeiro de 2017

Para compreendermos a ideia central sobre as concepções de Vygotsky para o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico, se faz necessário a compreensão da mediação, onde enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos, mas sim, ao acesso mediado, através de recortes do real, operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. Portanto, o autor enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações, ou seja, o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade, assim como no construtivismo e sim, pela mediação feita por outros sujeitos.

De acordo com o autor, o sujeito é interativo, pois adquire conhecimentos a partir de relações intra e interpessoais, isto é, sua teoria compreende que a aprendizagem não é uma mera aquisição de informações e que não ocorre a partir de uma simples associação de ideias armazenadas na memória, mas sim num processo interno, ativo e que depende do meio em que o sujeito está inserido, portanto, o desenvolvimento dependerá das suas aprendizagens mediante as experiências a que foi exposta. É nesta perspectiva que a experimentação foi realizada, uma vez que, ao expor os alunos nesse meio, possibilitou-lhes uma aprendizagem significativa. A aplicação do experimento de Física foi utilizado como agente motivador e como forma de comprovar o que foi estudado em aulas teóricas.

- O tema de eletricidade trabalhado em aula foram os tipos de eletrização, mais precisamente indução, onde os alunos tiveram mais dificuldade em compreender o assunto abordado. Discutiu-se que indução eletrostática é o processo de carregar eletricamente um objeto colocando-o no campo elétrico de outro objeto carregado, às vezes também é chamada de indução elétrica. O processo de indução eletrostática ocorre quando um corpo eletrizado redistribui cargas de um condutor neutro.

## Desenvolvimento

Este estudo é de caráter empírico e qualitativo, com a finalidade de gerar melhorias nas práticas do professor e nas aprendizagens dos participantes. Para coleta de dados recorreu-se às observações diretas e aos questionários.

As atividades foram desenvolvidas em uma escola privada, na disciplina de Física - Ciências, com alunos de duas séries do nono ano do ensino fundamental II, durante quatro aulas.

Na primeira aula foi explicitado suscintamente quais são os tipos de eletrização. Após isso foi solicitado aos alunos que eles fizessem uma pesquisa e essa pesquisa deveria ser apresentada na forma impressa e oral. Os alunos utilizaram como fontes em suas pesquisas a apostila que usam nas aulas de Física e recorreram a alguns sites de educação.

Na aula seguinte os dez grupos apresentaram seus trabalhos, e no decorrer da apresentação todos os grupos explicaram o que é eletrização, citaram, explicaram e levaram experimento para exemplificar o que é eletrização por contato e atrito. Todos os grupos citaram a eletrização por indução, mas não souberam explicar como ocorre. Após o termino das apresentações a professora os questionou sobre as dificuldades encontradas em fazer a pesquisa e foi unânime o discurso que os alunos apresentaram, a parte difícil foi em compreender com ocorre a eletrização

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por indução, pois em suas pesquisas apareciam sempre os mesmos exemplos, e estes não eram suficientes para o entendimento.

A professora, na terceira aula, propôs que os alunos fossem ao laboratório de física e solicitou que eles permanecessem em grupos. No laboratório os alunos realizaram um experimento simples de eletrização por atrito e indução eletrostática, o experimento será descrito a seguir:

Figura 1: material utilizado

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Fonte: Ciência Mão

Os materiais necessários foram: pedaço de papel alumínio, dois canudos de plástico, uma base feita com copo plástico, uma linha de nylon, uma folha de papel toalha.

Figura 2: Experimentado montado

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Fonte: Ciência Mão

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Após o experimento montado, o canudo foi atritado em um papel toalha e alguns alunos optaram em atritar no próprio cabelo. Quando ocorre o atrito o canudo perde elétrons, tornando-se assim eletrificado positivamente.

Figura 3: eletrização por indução

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Fonte: Ciência Mão

Assim ao aproximá-lo da bolinha de alumínio que está com carga nula, ela irá atrair os elétrons do lado mais próximo ao canudo, através da indução eletrostática, deixando a bolinha com dois polos de carga, mas ainda com carga nula. Ou seja, a somatória das cargas positivas e negativas na bolinha de alumínio ainda é zero, pois a esfera está isolada. Então ela será atraída pelo canudo.

Antes de começar a atividade a professora explicou que a aula de laboratório é uma continuação das apresentações de trabalho. Após o experimento montado a professora pediu para que eles aproximassem a canudo e a bolinha de alumínio. Quando se aproxima o canudo sem ele sofrer atrito, a bolinha não sofre nenhuma reação, ou seja, não há uma diferença de carga elétrica que irá fazer com que ele sofra atração ou repulsão. Depois, foi solicitado para que os alunos esfregassem o canudo no papel toalha, foi então que os alunos resolveram utilizar os próprios cabelos ao invés da toalha de papel, e o resultado da eletrização ficou mais evidente.

No final da aula, a professora os questionou, com o intuito de analisar se haviam compreendido como ocorre a eletrização por indução e os alunos disseram que sim, a professora então passou um questionário com as seguintes perguntas:

- 1. O que aconteceu com o canudo após o atrito com o papel toalha?
- 2. Qual o sinal da carga da bolinha de alumínio antes da interação com o canudo?
- 3. Por que ela é atraída pelo canudo após este ser atritado?
- 4. Um corpo que está carregado com carga nula pode ser atraído? E repelido?
- 5. E depois dessa interação?
- 6. Por que há repulsão depois de alguns segundos que a bolinha e o canudo estão em contato?
- 7. O que aconteceria se ao invés do canudo, eu utilizasse uma barra de ferro?

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## 8. Por que, às vezes, tomamos choque quando vamos abrir a porta do carro?

No decorrer da atividade experimental os alunos conversavam e trocavam informações entre os próprios membros dos grupos e também entre os grupos. Quando um grupo tinha dificuldade em responder, outro grupo, que estava adiantado no questionário, ajudava o grupo que estava com dificuldades em responder ou que não tinham entendido uma parte do experimento. Em todos os momentos a professora permitiu e incentivava o contato entre os grupos.

## Apresentação e Analise de Dados

Ao se fazer uma análise dos resultados e compará-los percebeu-se que antes da atividade nenhum aluno tinha em seu discurso uma clareza em responder o que é indução elétrica, após a aplicação da atividade experimental notou-se uma diferença significativa no discurso dos alunos e nas respostas do questionário aplicado. Com o gráfico a seguir fica evidente a diferença:

Gráfico 1: Resultados: antes de depois da atividade experimental

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O Gráfico 1, apresenta os dados em três momentos: antes da atividade, durante da atividade e depois da atividade.

Antes da atividade os dados foram coletados através do discurso nas apresentações orais e pesquisas impressas, 90% dos grupos não tinham compreendido o que é eletrização por indução.

Durante a atividade o número caiu para 33% dos que não tinham compreendido. O levantamento dos dados foi realizado através de perguntas que a professora fazia para cada grupo.

Depois da atividade o número de alunos que não tinham compreendido caiu para 8%. E para essa coleta de dados a professora utilizou um questionário aberto.

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## Considerações finais

Constatou-se a partir desta pesquisa, a importância de se realizar a aplicação de atividades experimentais com materiais simples e acessíveis, principalmente, para que outros professores reproduzam e desenvolvam esta atividade com seus alunos. Portanto, o experimento precisa ser valorizado pelo professor de Física, principalmente, por ele ser um facilitador de aprendizagem, pelo qual os alunos conseguem estabelecer relações entre o mundo a sua volta e o dos conceitos e símbolos.

A atividade experimental deve ser planejada para que os alunos sejam estimulados a expor suas ideias, propor hipóteses, discuti-las entre eles e com o professor, e principalmente, que esta atividade explore os conceitos físicos de uma forma didática e lúdica. Além disso, essa atividade contribui com a interação social ao promover a interação entre aluno/aluno e alunos/professor.

Nota-se que os alunos ao interagirem com os experimentos demonstrativos conseguiram ter uma melhor compreensão sobre o conteúdo. Pois, ao utilizar-se o experimento como ferramenta de ensino, aguçou o interesse dos alunos em participar e quererem aprender mais sobre os conceitos científicos descritos na teoria.

- Ao fazermos uma análise dos dados tabulados, ficou evidenciada a importância de uma atividade experimental, uma vez que, dependendo do assunto abordado os alunos não conseguem fazer abstração e isso dificulta o aprendizado.

## Referências

APOSTILA OBJETIVO. Caderno do professor de Ciências 9º ano . 3ºBimestre. São Paulo, 2016.

BONADIMAN, H.; NONENMACHER, S. E. B. O gostar e o aprender no ensino de física: uma proposta metodológica. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 24, n. 2, p. 194-223, ago. 2007.

Ciência Mão. Experimento eletricidade por indução . Disponível em: http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=pmd&amp;cod=\_pmd2005\_0610 . Acessado em agosto de 2016.

GASPAR, Alberto; MONTEIRO, Isabel Cristina de Castro. Atividades experimentais de demonstrações em sala de aula: uma análise segundo o referencial da teoria de Vygotsky. Investigações em Ensino de Ciências , v. 10, n. 2, p. 227-254, 2005.

MONTEIRO, I. C. C.; MONTEIRO, M. A. A.; GASPAR, A. Atividades experimentais de demonstração e o discurso do professor no ensino de física. IV ENPEC , 2003.

São Paulo. Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Física /Coord. Maria Inês Fini. - São Paulo: SEE, 2008.

VYGOTSKY. L.S. Formação social da mente . São Paulo: Martins Fontes, 2007.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem . São Paulo: Martins Fontes, 1989.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.