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O QUE PENSAM OS ALUNOS SOBRE O CINEMA NO ENSINO DE FÍSICA?

Celso Luiz Mattos, Carolina Rogridues De Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O QUE PENSAM OS ALUNOS SOBRE O CINEMA NO ENSINO DE FÍSICA?

## MATTOS, Celso L. 1 , SOUZA, Carolina R. 2

1 UFSCar/PPGE, celsoluizmattos@gmail.com

2

UFSCar/PPGE/DME, carolinasouza@gmail.com

## Resumo

Imerso na reflexão sobre opções metodológicas para o ensino de física, este trabalho visou conhecer o que pensam os alunos do Ensino Médio, de uma escola pública do município de São Carlos, sobre a utilização de obras cinematográficas no ensinoaprendizagem de conceitos de física. Este é um recorte de uma pesquisa realizada no ano de 2014/5, com apoio do PIBIC/CNPq, intitulada "As possibilidades e limitações do uso de obras fílmicas no Ensino de Física em uma abordagem investigativa". O uso de recursos audiovisuais no ensino, seus limites e potencialidades é tema de pesquisas na área da educação. Nesse sentido, esse trabalho busca identificar a concepção dos estudantes frente a esse cenário, visto que fora da sala de aula, há grande aceitação desse tipo de mídia, especialmente, por jovens em idade escolar. Para o desenvolvimento da pesquisa, elaborou-se uma sequência de ensino sobre o tema Unidades de Medidas, e o recurso áudio visual do cinema foi utilizado com a finalidade de promover a problematização e contextualização do tema. A sequência de ensino, foi desenvolvida com alunos do 1º ano do Ensino Médio, de uma escola da rede pública de São Carlos - SP. Ela foi elaborada a partir de uma abordagem investigativa, sob duas cenas de filmes, a saber, Velocidade Máxima (1994) e Impacto Profundo (1998). Após o desenvolvimento da proposta, aplicou-se um questionário, que entre os objetivos estava conhecer as impressões dos alunos frente ao uso do áudio visual para ensinar e aprender conceitos físicos. Observou-se que o uso de vídeos em situações de ensino, na visão dos estudantes, não funcionou apenas como um meio de entretenimento, mas como um facilitador para o ensino aprendizagem, além do aumento na motivação dos mesmos após a exibição das cenas e durante as atividades propostas. Esse estudo nos possibilitou repensar a utilização de obras cinematográficas no ensino de física para um melhor aproveitamento desse recurso como ferramenta didáticopedagógica, aproximando cultura e currículo.

Palavras-chave: Cinema; Ensino de Física; Vídeo

## Introdução

Algumas características muito comuns ao ensino de física são aulas expositivas, aplicação de fórmulas, demonstrações puramente matemáticas, conteúdos curriculares que não conversam entre si e com o cotidiano do aluno. Diante deste cenário, pesquisas na área de ensino de física tais como novas metodologias, reestruturação do currículo, perfil epistemológico de estudantes e professores, estudos de casos, formação de professores, estão sendo feitas na esperança de ofertar novos rumos para o ensino de física no ensino médio.

Na busca por alternativas metodológicas ao ensino mecânico da física, encontramos a possibilidade do uso das produções cinematográficas, que estão

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23 a 27 de janeiro de 2017

ganhando cada vez mais espaço e público entre as formas de manifestações artísticas. O cinema, chamado de A Sétima Arte , é um forte atrativo, principalmente para o público adolescente, funcionando como veículo de informações e formador de opinião.

Segundo Piassi e Pietrocola (2006) os filmes, como os de Hollywood, são grandes atrativos para crianças e jovens, pois possuem apelo audiovisual, efeitos especiais e linguagem simples e acessível a todos. Os autores Clebsch (2004) e Brito e Nolasco (2011) também compartilham dessa ideia, afirmando em seus trabalhos que os filmes de ação apresentam grande proximidade com o publico adolescente e, a principio não trazem conceitos estudados na escola, diferenciandose dos documentários científicos que abordam conceitos já em seu conteúdo e, normalmente, são utilizados, em sala de aula, para comprovar o que já foi apresentado pelo professor.

Trabalhos como Gomes-Maluf et al. (2008), Machado (2008), Mattos e Souza (2015), Piassi (2013), têm pesquisado essa relação entre o uso de filmes no contexto de sala de aula para o desenvolvimento de propostas didáticas para o ensino de física. Imerso nesse debate, esse trabalho, busca refletir como os alunos percebem a ligação entre obras cinematográficas e o ensino de física. O desenvolvimento dessa pesquisa objetivou contribuir para o melhor aproveitamento do cinema como ferramenta didático-pedagógica, uma vez que entender a visão do sujeito que dialoga com a ciência a ser ensinada se faz fundamental para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem. Afinal, o que pensam os estudantes sobre o uso do cinema nas aulas de física?

## Estudo teórico: O cinema na sala de aula

A utilização de obras cinematográficas para o ensino de física, apesar de estudos na área apontarem suas potencialidades e possibilidades, não é uma prática comum nas aulas dessa disciplina. A educação pode servir-se deste tipo de mídia, que é cheia de encantos, dramas, aventuras, efeitos especiais e todo tipo de estrutura para manter o telespectador fixo com o olhar na obra, também para o ensino de física. Pode ser, como ferramenta didática, como objeto de estudo ou ainda como meios de registro de memórias e pensamentos. Nesse trabalho, focamos o emprego de obras cinematográficas, visando abordar o tema Unidades de Medidas da disciplina física, de maneira que os conteúdos surgissem de forma contextualizada, por meio de uma abordagem que valorizasse a argumentação entre a turma, sobre os conteúdos pertinentes ao tema.

Ao utilizar-se do cinema para fins educacionais é importante pensar em um planejamento adequado, que integre este recurso para que não fique deslocado no plano de aula e, para que os objetivos da sequência de ensino sejam alcançados. Assim, é relevante considerar o tema, o tempo disponível, o espaço físico e também a interação e o envolvimento do aluno com a obra fílmica em questão (DANTAS, 2007). Além disso, e até mesmo antes do planejamento, é importante que o professor conheça a obra que irá levar para a sala de aula, para que assim possa ser explorado o potencial pedagógico da obra, preparar possíveis questionamentos para se fazer durante a aula, verificar se a escola possuí os equipamentos

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adequados para a exibição do filme e conferir a qualidade da mídia, física ou digital, a ser utilizada, como nos aponta Santos e Kloss (2011).

Objetivando o uso apropriado de obras cinematográficas no ensino, Morán (1995) traz algumas possibilidades do uso do vídeo em sala de aula, tais como: a) vídeo como sensibilização sobre um novo assunto causando a curiosidade e motivação para a pesquisa sobre o assunto e da matéria; b) vídeo como ilustração/simulação de um tema/conceito trabalhado em sala com a finalidade de contextualizar o conhecimento a ser estudado; c) vídeo como conteúdo de ensino direto ou indireto de um tema, onde este último permite abordagens múltiplas e interdisciplinares.

- O autor nos propõe que antes da exibição deve-se informar apenas os aspectos gerais do filme e não interpretá-lo antes que a exibição seja efetivada. Propõe ainda que se comece por filmes mais simples do ponto de vista temático e técnico. Expandindo essa proposta para o ensino de física, buscamos cenas de fácil análise para a investigação sobre a temática que se pretende estudar.

## Desenvolvimento da Sequência de Ensino

A sequência de ensino foi estruturada com diversas atividades, tais como, análise e discussão de vídeos, textos, atividades práticas, construção de tabelas e análise/discussão qualitativa dos dados. O recurso áudio visual foi utilizado com a finalidade de promover a problematização e contextualização do tema . Sendo assim, a sequência de aulas não foi estruturada somente no uso de cenas de filmes do início ao fim, mas sim como um conjunto de elementos que foram combinados para dar forma ao que chamamos de sequência de ensino. O Quadro 01 mostra como foram dividas as atividades e a duração estimada para cada uma delas. A explicação de cada uma destas atividades será mostrada na sequência, com comentários e análises feitas com a reflexão da prática docente.

Quadro 01: Atividades divididas nas aulas com suas respectivas durações.

## O Desenvolvimento da Sequência de Ensino: um breve relato

- O desenvolvimento da sequência de ensino aconteceu na Escola Estadual Prof. José Juliano Neto em São Carlos/SP, em cinco turmas do 1º ano do Ensino Médio. A escola em questão conta com o sistema de sala ambiente, em que cada disciplina conta com uma sala específica. Desta maneira é o aluno quem faz a troca de sala entre uma aula e outra, o que facilitou a montagem dos equipamentos utilizados durante as aulas, sem que fosse preciso desmontá-los e remontados a

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cada troca de aula. A sala em que aconteceram as aulas de física, possui um projetor, que foi utilizado para a exibição das cenas escolhidas para o tema proposto. Foi necessário levar caixa de som para melhor qualidade de som durante a exibição das cenas. Os vídeos a serem utilizados já haviam sido testados no computador em que seria usado durante as aulas.

A primeira aula, em que foi trabalhada a atividade A legenda está errada? , consistiu em analisar uma cena do filme Velocidade Máxima 1 (1994) para iniciar a discussão sobre o tema Unidades de Medidas, com um olhar questionador. Na cena em questão o policial (Keanu Reaves) apresenta uma condição para que o ônibus em que estão não exploda: ' É só ficar acima de 80' . Porém, ao mostrar a inferência do velocímetro é mostrado pouco menos de 60.

É importante destacar que tais quantidades aparecem sem fazer a referência direta de que se trata da velocidade do ônibus e, além disso, não informa a unidade de medida utilizada para a quantidade mostrada. Essa foi a situação-problema principal da aula, no qual a partir de uma investigação gradual, foi possível conversar sobre a cena vista levantando as impressões dos alunos sobre o tema. Por meio de questões problemas, como por exemplo O que é possível identificar da física na cena? ; Por quê será que o ator fala que o ônibus não deve ficar abaixo de 80 mas no velocímetro a velocidade indicada é de pouco menos de 60? ; Como podemos saber que o ator está falando da velocidade do ônibus? ; Qual seria uma solução para esse problema? , foi possível evidenciar a importância da unidade de medida para o perfeito entendimento de situações diversas, além da experiência de relacionar conceitos científicos com a cena apresentada através da argumentação.

As aulas 2 e 3 aconteceram em sequência, e as atividades tiveram início com a atividade O que é uma medida? e a exibição da cena do filme Impacto Profundo 2 (1998). Nesta cena o presidente dos EUA (Morgan Freeman) informa à imprensa sobre um meteoro em rota de colisão com a Terra. O ponto utilizado para contextualizar o tema unidades de medidas foi a fala do presidente quando este utiliza da comparação entre o cometa e vários outros objetos para evidenciar a gravidade da situação. Nesse processo de conversa sobre a cena, com a intenção de chegar ao ponto do debate, utilizamos de questões, como por exemplo Como podemos saber que o meteoro é grande? ; É comum fazer esse tipo de comparação entre objetos? Poderia dar um exemplo? ; Este é um jeito preciso de se medir? , que visavam a elaboração da argumentação sobre o tema.

A cena apresentada e a discussão realizada serviram como uma introdução à atividade Vamos Medir! Nesta atividade foi pedido para que cada aluno medisse a mesa à sua frente. Para isso os alunos deveriam realizar duas medidas distintas, a primeira utilizando apenas as mãos e a segunda utilizando uma régua como ferramenta para a medição. Essa atividade foi pensada como uma forma dos alunos tomarem consciência sobre a importância das unidades de medida, uma vez que as discrepâncias das medições com as mãos foram enormes. Além das discrepâncias entre os valores das medições, também ocorreram modos distintos de se medir, como por exemplo, com a palma bem aberta ou com os dedos bem juntos, em números de dedos indicadores. Ocorreu ainda quem contou 1 palma como sendo 4 dedos em sequência, entre outras medidas que seriam até difíceis de explicar a sua

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execução. Para organizar os resultados obtidos foi pedido que os alunos construíssem tabelas para anotar as medidas.

As atividades seguintes, Discussão dos resultados e Texto: Unidades de Medidas ao Longo da História, foram pensadas como momento de consolidação das discussões feitas em sala durante as 3 aulas que introduzimos o tema Unidades de Medidas. A indicação do texto Unidades de Medidas ao Longo da História, foi pensado como momento de reflexão individual sobre o tema, uma vez que ao ler o texto o aluno o interpreta a luz das discussões feitas e do estudo feito durante as aulas.

## Metodologia de pesquisa e resultados

Após três semanas da aplicação do planejamento didático, voltamos à escola para aplicar um questionário, que teve como objetivo levantar as concepções dos alunos sobre as atividades que foram desenvolvidas em sala de aula. O foco do questionário foi analisar o uso de obras cinematográficas no ensino de física. Sua aplicação contou com a participação de 101 alunos.

Este questionário contou com 4 questões objetivas e 2 abertas, visando analisar algumas impressões e sentimentos sobre as aulas ocorridas nas entrelinhas das respostas. A questão 1 questionou 'Como você avalia o seu rendimento nas atividades referentes ao trabalho com Unidades de Medidas?' e trouxe os seguintes resultados: Muito Ruim (0); Ruim (0); Mediano (27); Bom (56); Muito Bom (17). A segunda questão questionou 'Como você avalia o uso das cenas de filmes durante as atividades?' e obtemos como respostas: Muito Ruim (0); Ruim (0); Mediano (10); Bom (39); Muito Bom (52). A questão 3 questionou 'Como você avalia a importância do tema estudado durante as atividades?' e as respostas foram: Muito Ruim (0); Ruim (0); Mediano (10); Bom (55); Muito Bom (36). A questão 4 questionou 'As cenas mostradas ajudaram você a pensar e a aprender mais sobre o assunto?' e as respostas foram: Não ajudaram (0); Ajudaram pouco (35); Ajudaram muito (66).

A partir destes números, entendemos que os alunos olharam positivamente para seu próprio rendimento nas atividades (questão 1), o recurso do vídeo foi um elemento positivo durante as aulas (questão 2) e que estes alunos reconheceram a importância do tema estudado (questão 3) e que o uso do vídeo, na visão dos alunos, ajudou no ensino-aprendizagem, em maior ou menor grau (questão 4). Interessante notar que não há respostas negativas em relação ao uso das cenas de filmes nas atividades, como também no rendimento durante as aulas e a importância do tema estudado.

Na questão 5, solicitamos que os alunos contassem um pouco sobre as atividades e como o vídeo se relaciona com o aprendizado. Na questão 6, também aberta, foi pensada como uma maneira do aluno externalizar as suas impressões sobre as aulas, principalmente no que diz respeito à metodologia adotada, como se este estivesse conversando com um amigo da mesma idade que, possivelmente, também estaria cursando o 1º ano do Ensino Médio. As respostas apresentadas aqui foram selecionadas visando identificar o que pensam os alunos sobre o uso de vídeos nas aulas de física. Importante destacar que foram analisados 101 questionários e em nenhum encontramos depoimentos de não aprovação da

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atividade. A totalidade das respostas vão no sentido de destacar elementos positivos das aulas.

Quadro 04: Transcrição das respostas selecionadas referentes à questão 5.

## Questão 1 - Conte um pouco sobre as aulas e como o vídeo se relaciona com o seu aprendizado.

Quadro 05: Transcrição das respostas selecionadas referentes à questão 6.

## Questão 2: Se você fosse contar sobre as atividades que desenvolvemos a colegas da mesma idade de outra escola, como você contaria?

Com estas respostas podemos traçar uma visão de como o recurso do vídeo foi empregado neste estudo de caso, com base na compreensão dos estudantes. Reconhecemos que o vídeo atuou como um recurso sensibilizador , permitindo um maior interesse em se estudar o tema proposto. Assim, entendemos que esse pensamento está expresso, por exemplo, na afirmação de que ' as aulas foram mais produtivas e menos entediantes' e que ' dá mais vontade de aprender ' como nos coloca o Aluno 1 (Quadro 04) ou quando é afirmado que ' as aulas foram ótimas' pelo Aluno 4 (Quadro 04), acrescentando que ' filme é algo que todos assistem', o

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que nos indica que a utilização de obras cinematográficas no ensino de física, além de sensibilizar os alunos para o estudo de temas da disciplina, também aproximou o currículo escolar com a cultura dos alunos.

O vídeo agiu também como um maneira de ilustrar conceitos científicos, consequentemente ele também passa a funcionar como conteúdo de ensino , uma vez que os conteúdos curriculares se apresentam de forma contextualizada aos alunos, dentro de uma situação em que aquele conhecimento se faz necessário. Na sequência de ensino apresentada não foi apresentado nenhum fenômeno físico específico, foi contextualizado a fala dos atores, porém, por se tratar do tema Unidades de Medidas, acreditamos que as cenas ilustravam simulavam / a aplicação do conceito estudado. Tal visão também está presente nas falas dos alunos, como por exemplo, ao afirmar que ' o vídeo tornou mais fácil o entendimento sobre o assunto, pois demonstrou de maneira prática como o mesmo se apresenta em nosso cotidiano ', o Aluno 3 (Quadro 04) nos indica que o vídeo agiu como um facilitador no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos curriculares, além de contextualizar tal conteúdo em uma situação do cotidiano. Ou ainda quando o Aluno 2 (Quadro 04) nos diz que a utilização do vídeo ' ajudou muito a entender a matéria por que tava meio confuso, mas depois das aulas melhorou ' indicando que o vídeo como conteúdo de ensino cumpriu a sua função.

A Questão 6 focou em explorar em como os alunos perceberam a sequência de ensino, uma vez que apenas o recurso do cinema não representa uma ferramenta didática. Ele passa a agir dessa forma a partir da intervenção do professor e de suas escolhas metodológicas. Assim, reconhecemos que a sequência de ensino também atuou segundo as categorias apresentadas. De acordo com as percepções dos alunos, a sequência de ensino foi boa, interessante, causou maior motivação em comparecer na próxima aula e que os filmes eram legais (Aluno 1 Quadro 05), que outras pessoas também se interessariam pela aula (Aula 2 Quadro 05), ou ainda que com esta opção metodológica o aluno renderá mais (Aluno 5 - Quadro 05). Além disso, a sequência de ensino também ofereceu novos significados ao assunto estudado, uma vez que as atividades possibilitaram a evidenciar a importância das unidades de medida, como aponta o Aluno 6 (Quadro 05).

Além das referências feitas aos vídeos, compreendemos que a motivação durante as atividades, como relatado anteriormente, não se deve exclusivamente às cenas exibidas. Pelas respostas trazidas podemos perceber que existe também uma motivação pela aula ser diferente das habituais durante a disciplina de física. O Aluno 1 (Quadro 04) evidencia esse ponto de vista ao citar que com aulas diferentes sua vontade em aprender aumenta, pois em sua visão a rotina da sala de aula o cansa. Ou seja, a quebra da rotina das turmas, mediante a presença de um professor diferente do responsável pela disciplina, e com uma proposta didática estruturada com elementos não habituais àquele contexto, também é responsável por despertar interesse e motivação durante as atividades propostas.

## Considerações finais

Pela análise dos questionários pudemos verificar que, na visão dos alunos, o recurso áudio visual do cinema em sala de aula representou um atrativo, visto que acreditam facilitar o processo de ensino aprendizagem, além de 'motivar a aula', 'sair do cotidiano' e 'tornar as aulas mais produtivas e menos entediantes'. Dessa

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forma o uso de vídeos nessa situação de ensino, na visão dos alunos, não atuou apenas como um meio de entretenimento, mas como um facilitador para o ensino aprendizagem, além do aumento na motivação dos mesmos após a exibição das cenas e durante as atividades propostas.

Devemos nos atentar, porém, para que esse recurso não se enquadre no que Morán (1995) chama de vídeo deslumbramento , que se refere ao professor que deslumbrado com esse tipo de mídia exibe vídeos em todas suas aulas, o que acarreta na diminuição de seus potenciais didáticos. Desta forma, entendemos a utilização do vídeo na sala de aula como mais um recurso que possui potenciais didático pedagógicos, como por exemplo, notícias de jornais, simulações computacionais, músicas, jogos e brincadeiras, ou ainda, diferentes tipos de obras artísticas e culturais. As possibilidades são inúmeras. Alertamos ainda que a simples presença de recursos didáticos pedagógicos em sala de aula ou mesmo fora dela, não implica em um processo de ensino aprendizagem mais eficiente e/ou motivador.

## Referências

CLEBSCH, A. B. Realidade ou ficção? A análise de desenhos animados e filmes motivando a física na sala de aula. 2004. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

BRITO, C. E. C. A FÍSICA DE HOLLYWOOD: SERIA ESTA UMA FONTE SEGURA DE CONHECIMENTO? . Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Física) -Universidade Católica de Brasília. Orientador: Diego Oliveira Nolasco da Silva, 2011.

DANTAS, A. L. O cinema como ferramenta pedagógica no ensino médio . Faculdade Pitágoras de Londrina. Dez, 2007.

GOMES-MALUF, M.C.; SOUZA, A.R. A ficção científica e o ensino de ciências: o imaginário como formador do real e do racional. Ciência & Educação, v.14, n.2, p.271282, 2008.

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