Os Três Momentos Pedagógicos (3MP) e a temática do Aquecimento Global no Ensino Médio: um relato de experiência de professores em formação
Romulo Ramunch Mourão Silva, João Marcante Neto, Thais Balada Castilho, Nilva Lúcia Lombardi Sales
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 26/01/2017
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Os Três Momentos Pedagógicos (3MP) e a temática do Aquecimento Global no Ensino Médio: um relato de experiência de professores em formação
## Romulo Ramunch Mourão Silva 1 , João Marcante Neto , Thaís Balada Castilho³, 2 Nilva Lúcia Lombardi Sales 4
1 Curso de Graduação em Física - Licenciatura/ICENE/UFTM, rramunch@gmail.com
2 Curso de Graduação em Física - Licenciatura/ICENE/UFTM, jmnrp@hotmail.com
3 Curso de Graduação em Física - Licenciatura/ICENE/UFTM, taisballada@hotmail.com
4 Departamento de Física/ICENE/UFTM, nilva@fisica.uftm.edu.br
## Resumo
O presente trabalho é o relato de experiência de uma sequência didática aplicada em uma escola estadual de Uberaba, Minas Gerais através do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). A sequência didática foi norteada através do marco teórico dos Três Momentos Pedagógicos e a utilização de uma Abordagem Temática. Os Três Momentos Pedagógicos fazem parte da linha de pesquisa da coordenadora do grupo e a atividade é uma primeira aproximação prática dos bolsistas do projeto. A sequência teve como objetivo a problematizar o tema 'Aquecimento Global: Culpa de quem?' com a intenção de trazer para a sala de aula uma discussão de um assunto que consideramos importante e que se encontra no cotidiano do aluno. A atividade desenvolveu os conteúdos e reflexões que cremos ser fundamentais para as salas de aula de um mundo com tantas questões científicas em aberto. Além disso, a prática contribui para a formação inicial dos bolsistas, possibilitando a utilização desse tipo de atividade futuramente, por eles.
Palavras Chaves: Três Momentos Pedagógicos, Abordagem Temática, Aquecimento Global, Problematização.
## Introdução
O ensinar Física é reconhecido amplamente como ato de difícil realização, já que, de maneira geral, os estudantes do ensino básico se encontram desinteressados e desmotivados à aprender o conteúdo. Um argumento comumente utilizado pelos pesquisadores na área de Ensino em Física é a ausência de práticas diferenciadas e próximas ao cotidiano dos alunos. A falta de atividades diferenciadas e a desmotivação acabam gerando um ciclo vicioso de desinteresse, o que é prejudicial aos dois sujeitos principais do ensino aprendizagem: o aluno e o professor. Esse tipo de educação linear é denominado por Freire (2014) como Concepção 'Bancária' da Educação, na qual a maioria das salas de aula estão inseridas. Segundo ele, essa educação realiza um 'falar da realidade como algo parado, estático, compartimentado e bem-comportado, quando não falar ou dissertar sobre algo completamente alheio a experiência existencial dos educandos. ' (FREIRE, 2014, p. 79).
Uma opção para criar atividades com uma conexão entre a sala de aula e o mundo é a utilização de práticas que façam uso de uma Abordagem Temática (AT), ou seja, uma abordagem em que se utilize temas que se encontram no cotidiano dos estudantes para ensinar-aprender os conteúdos escolares. Tal abordagem ainda
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pode contribuir para um pensamento crítico por parte dos estudantes aos problemas que se encontram inseridos na sociedade. Se ressalta:
'a necessidade de se explorar temas que envolvam contradições sociais e [...] que é fundamental que sejam abordadas situações-problemas, com as quais os alunos se envolvam, desenvolvendo competências, atitudes e valores necessários para o enfrentamento da contradição em questão.' (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2002 apud. STRIEDER et al. , 2011, p. 2).
Pretendendo realizar uma prática que permitisse que os estudantes fossem capazes de compreender o conhecimento científico como algo presente em seu cotidiano, o subprojeto de Licenciatura em Física do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (PIBIDFísica/ UFTM) desenvolveu e executou em uma escola parceira a atividade com o tema 'Aquecimento Global: culpa de quem? '. A escola parceira recebeu a sequência didática entre os dias 13/06/2016 e 30/06/2016.
A escolha desse tema ocorreu devido ao grande apelo que ele possui. Ele está envolvido em constantes discussões desenvolvidas por especialistas de diversas áreas das ciências naturais e humanas. Esses especialistas apontam duas teses para a produção do Aquecimento Global: a tese antropogênica e a tese natural. Essas teses integram a tomada de decisões e o posicionamento político das grandes potências mundiais. Em suma, na tese natural os especialistas afirmam que o processo de aquecimento é causado estreitamente pelo ciclo natural térmico terrestre, com suas eras de resfriamento e aquecimento. Enquanto os defensores da tese antropogênica afirmam que tal aquecimento é causado ou acelerado pela a ação do homem sobre a natureza. Ambas as teorias se encontram apoiadas em dados sólidos, oriundos de pesquisas que são estudadas periodicamente no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU). Por isso, as discussões dessa temática recebem atenção da grande mídia e são noticiadas com vigor.
Por se tratar de um tema em constante discussão a sua abordagem permite aos estudantes uma compreensão do conhecimento científico como algo produzido através do empreendimento humano e que esta relacionado com o seu bem-estar. Auler (2003) aponta o perigoso caminho que a ciência pode assumir em decisões que afetam a sociedade, pois, 'a suposta superioridade do modelo de decisões tecnocráticas é alicerçada na crença da possibilidade de neutralizar/eliminar o sujeito do processo científico-tecnológico. ' (AULER. 2003, p. 8). Tal compreensão pode tornar os estudantes menos suscetíveis a aceitação de decisões tecnocratas e pode possibilitar uma participação mais esclarecida nas decisões afetam a sociedade.
## Pressupostos orientadores da atividade
A atividade proposta e aplicada na escola parceira do nosso grupo de iniciação à docência foi orientada com base na dinâmica dos Três Momentos Pedagógicos (3MP) de Delizoicov e Angotti (1994) através de uma abordagem temática.
Os 3MP foram produzidos através da leitura da educação concebida por Paulo Freire. Na obra 'Pedagogia do Oprimido' (Freire, 2014), na qual o autor
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descreve a Concepção Problematizadora e Libertadora da Educação que é contraponto a Educação 'Bancária'. Segundo o autor:
'[...] a educação libertadora, problematizadora, já não pode ser o ato de depositar, ou de narrar, ou de transferir, ou de transmitir 'conhecimentos' e valores aos educandos, meros pacientes, á maneira da educação bancária, mas um ato cognoscente. ' (FREIRE, 2014, p. 94).
Segundo Araújo et al. (2013) e München (2010) apud ibd , os 3MP surgiram em um trabalho realizado durante o Projeto de Ensino de Ciências em Guiné-Bissau e se disseminou no final da década de 80.
A dinâmica dos 3MP é organizada em três etapas de trabalho que se encontram intrinsecamente conectadas. Essas etapas, ou momentos (como levam o nome) são: Problematização Inicial (PI), Organização do Conhecimento (OC) e Aplicação do Conhecimento (AC). No Primeiro Momento Pedagógico, a Problematização Inicial :
'são apresentadas questões e/ou situações para discussão com os alunos. Sua função, mais do que simples motivação é para se introduzir um conteúdo específico, é fazer ligação desse conteúdo com situações reais que os alunos conhecem e presenciam, para as quais provavelmente eles não dispõem de conhecimentos científicos suficientes para interpretar total ou corretamente. ' (DELIZOICOV e ANGOTTI, 1994, p. 54).
A partir dessa 'não disposição' de conhecimentos científicos e através do conhecimento prévio que o aluno possui sobre as situações ou questões apresentadas na PI o educador deve, na Organização do Conhecimento , inserir os conhecimentos necessários para a resolução do problema apresentado. É importante destacar que nessa etapa do trabalho, o educador deve procurar uma técnica que se afaste da prática tradicionalmente realizada em sala. Para que educando de fato, em conjunto com o professor, adquirira e pense os novos conhecimentos é necessário que o educador permaneça com rigor em sua posição de instigador da curiosidade, auxiliando na construção do conhecimento e não comunicando-o.
Na Aplicação do Conhecimento o objetivo maior é que os educandos utilizem os conhecimentos científicos aprendidos para (re)interpretar o problema que foi colocado pelo educador na PI. Segundo Delizoicov e Angotti ibd. ainda podem surgir, nesse momento, situações que não estavam presentes no problema inicial mas que também são explicadas pelo mesmo conceito. Esse desdobramento também pode e deve ser trabalhado pelo educador.
## Desenvolvimento da atividade
A sequência didática foi planejada para utilizar 4 aulas de 50 minutos, cedidas pelo professor-supervisor da escola parceira. Os Três Momentos Pedagógicos foram desenvolvidos de maneira que a Problematização Inicial e a Aplicação do Conhecimento pudessem ocupar 1 aula cada e a Organização do Conhecimento 2 aulas. Os conteúdos a serem trabalhados a partir do tema escolhido eram as formas de propagação de calor (condução, convecção e irradiação). A prática foi aplicada em 4 salas da 2ª Série do Ensino Médio, nas quais o relato da experiência está sintetizado aqui.
## Primeiro Momento, a Problematização Inicial
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Iniciamos a atividade questionando os estudantes sobre qual a importância de discutir um tema como o Aquecimento Global. A pergunta se baseia no fato de que o Aquecimento Global é tema recorrente na mídia e tem gerado discussões que, aparentemente, estão longe de ter um fim. Também perguntamos aos alunos se eles acreditavam ser possível a discussão de um tema como o Aquecimento Global a partir dos conteúdos que estão aprendendo na escola. Em maioria, os alunos nos disseram que não acreditavam ser possível discuti-lo a partir dos conteúdos escolares. E ainda mostraram grande preocupação em fazer essa discussão, já que, para eles esse tema é, geralmente, discutido por pessoas que estudam anos para trata-lo.
Para dar continuidade a atividade, foram apresentadas aos alunos duas notícias, retiradas da internet. Elas abordavam as teses natural e antropogênica da causa do Aquecimento Global. As notícias escolhidas foram: ' Aquecimento é um processo natural, diz climatologista' do site de jornalismo 'O Globo' e 'O nível do 1 mar subiu mais rapidamente nos últimos anos' do portal de notícias 'Terra'. 2
Após a apresentação das notícias, foram separados alguns questionamentos pertinentes, tais como: 'Vocês já ouviram falar sobre aquecimento Global? O que falavam sobre o tema?'. Essas perguntas tinham como objetivo abrir um diálogo entre os pibidianos e os alunos. Em algumas das salas, nessa etapa da PI, percebemos uma grande dificuldade em produzir um diálogo com os alunos. Inicialmente a grande parte deles aparentavam não ter interesse em discutir o assunto com os pibidianos. A partir dessa dificuldade foram trazidos novos questionamentos a respeito das opiniões dos alunos sobre o Aquecimento Global. Com as respostas dos alunos perguntamos como eles construíram essa opinião.
Foi apresentado o vídeo de uma reportagem intitulada 'O aquecimento global é natural ou é causado pelo homem?' . Na reportagem são apresentados os 3 prejuízos e lucros no comércio causados pelo suposto aquecimento que a Terra passa. Também são apresentados os pontos de vistas de diferentes especialistas que buscam realizar explicações a partir de ambas as teses para afirmar sua opinião em relação ao tema. A partir do vídeo, os alunos foram questionados sobre suas opiniões em relação ao Aquecimento Global. Na maioria das salas, os alunos ainda permaneciam em silêncio. Somente através de outras provocações por parte dos pibidianos e que alguns alunos começaram a expressar as suas opiniões. A partir das poucas falas dos alunos, os pibidianos devolveram novos questionamentos que pareceram instigar mais os alunos e assim houve um diálogo mais pleno. Os alunos trouxeram à tona algumas memórias que possuíam sobre o tema, além de algumas opiniões que já haviam produzido. Em sua maioria, os alunos apontaram o homem como causador principal do aquecimento global.
Os termos científicos que foram falados pelos alunos no diálogo foram anotados no quadro. A discussão caminhou para termos, medidas e conceitos científicos que não faziam parte do vocabulário da maioria dos alunos, tais como: 'temperatura média', 'radiação', 'microclima' e 'ilhas de calor'. No fechamento do Primeiro Momento Pedagógico, os pibidianos pediram para os estudantes
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produzirem oralmente uma opinião apoiando-se na discussão que foi realizada na sala. Depois, os alunos foram questionados se era possível continuar a discussão com o conhecimento que eles possuíam, tendo em vista os termos científicos que surgiram durante a discussão. Com a grande maioria concordando na necessidade de conhecer mais sobre a temática, se iniciou o Segundo Momento.
## Segundo Momento, a Organização do Conhecimento
No Segundo Momento as salas foram divididas em seis grupos, preferencialmente com a mesma quantidade de alunos. Cada grupo recebeu um texto que tratava sobre um dos processos de propagação de calor. Os textos, que foram produzidos pelos pibidianos, também apresentavam situações em que esses processos estão inseridos no ciclo térmico do planeta. Além disso, os textos buscavam justificar ambas as teses da causa do Aquecimento Global, a partir do processo de propagação de calor em estudo, apontando como o mesmo aparece em determinados fenômenos como, por exemplo: o derretimento das geleiras e a temperatura média dos oceanos (para os processos de condução de calor por condução e convecção).
Os grupos, junto com os pibidianos, leram e discutiram esses textos. Nesse momento surgiram as dúvidas de alguns alunos a respeito dos conceitos físicos envolvidos nos processos e de termos que eles ainda não haviam visto. Os pibidianos auxiliaram os alunos a compreender o objetivo do texto e interpreta-lo, bem como no esclarecimento das figuras e diagramas ilustrativos que estavam contidos nele. A partir da discussão realizada entre os alunos dos grupos e os pibidianos, foi proposto que cada grupo produzisse uma apresentação de 10 minutos sobre a forma de propagação de calor dando exemplos do cotidiano e/ou conectando-as com as teorias sobre o Aquecimento Global. As apresentações foram organizadas de maneira que os alunos tivessem que refletir sobre o tema para produzir essas conexões. Assim, eles precisavam aprender sobre o tema para, posteriormente, falar aos outros colegas. Desse modo, nos afastamos da prática tradicional, permitindo que os alunos construíssem o conhecimento juntos com os seus colegas, enquanto os pibidianos apenas intermediavam as ações.
Os alunos produziram apresentações interessantes e alcançaram o objetivo que tínhamos proposto, que era: realizar explicações para os colegas utilizando exemplos do cotidiano ou que fizessem conexão com o aquecimento global. Um dos grupos realizou uma série de questionamentos com a turma a respeito do aquecimento global, de modo a 're-problematizar' o tema dentro da apresentação do seminário. Este grupo, através de questionamentos semelhantes aos dos pibidianos, argumentaram acerca da causa do derretimento das geleiras e indagaram os colegas sobre a natureza do fenômeno.
Em uma das salas, os alunos não utilizaram o tempo disponibilizado em sala para discutir o trabalho e não haviam feito a apresentação, como o combinado. Devido ao pouco tempo e com o respaldo do professor-supervisor decidimos não dar continuidade na sequência. Porém, os alunos se pronunciaram como grupo, pediram desculpas e solicitaram um novo prazo. Após uma conversa rápida com os alunos sobre a responsabilidade de se realizar o trabalho, reagendamos as apresentações. Percebemos um maior empenho dos grupos que apresentaram os seminários depois. A impressão que ficou entre os pibidianos foi que os alunos perceberam o
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erro cometido e também reconheceram a necessidade de recompensar a nova chance dada à eles.
## Terceiro Momento, a Aplicação do Conhecimento
O Terceiro Momento Pedagógico, Aplicação do Conhecimento, começou retomando a questão inicial sobre o Aquecimento Global, trazendo um texto produzido pelos pibidianos chamado 'A decisão do conselheiro'. Neste texto é feito um pedido aos alunos para que emitam um parecer responsável com base no que agora conhecem como aquecimento global e os processos físicos envolvidos no ciclo térmico do planeta, bem como uma opinião crítica. Esperávamos que os estudantes fossem capazes de utilizar o conhecimento adquirido em conjunto na Organização do Conhecimento para a produção do texto.
Alguns dos alunos acabaram emitindo somente a opinião (re)construída pela sequência didática, o que de todo modo nos parece interessante. Afirmamos isso, pois, apesar de não utilizarem de conceitos físicos para a produção dos textos, os alunos foram capazes de discutir sobre o tema de maneira mais clara e segura. Diferente da Problematização Inicial, os alunos mostraram opiniões bem construídas e justificadas com embasamento nos argumentos utilizados pelas teses naturais e antropogênicas, apresentados nos textos usados durante as discussões do Segundo Momento. Resultado que almejávamos conquistar.
Por fim, foi realizado um fechamento, questionando os estudantes se houve por parte deles mudança de opinião em relação às causas do Aquecimento Global e também sobre o que foi aprendido com a prática realizada. A maioria dos alunos expos que a sua posição em relação ao Aquecimento Global continuava a mesma, mas, que era importante conhecer mais sobre o tema, já que, muitos desconheciam parte do que foi exposto à eles na sala de aula.
## Considerações finais
As falas dos alunos revelaram muitas coisas durante toda a sequência didática, principalmente na Problematização Inicial. A crença dos alunos de que não é possível ou que não são capazes de discutir um tema tão presente no cotidiano nos mostra como a desconexão do que é aprendido na sala de aula e o que é discutido no mundo se faz presente na escola. Os próprios alunos colocaram, durante as discussões iniciais, a preocupação de que apenas o conteúdo aprendido dentro da sala de aula não seja o suficiente para que eles possam participar de debates tão presentes na nossa sociedade.
A dificuldade encontrada para iniciar a atividade a partir de um debate, nos pareceu causada pela falta de costume da construção conjunta de conhecimento entre aluno e professor. Os alunos estão acostumados a serem agentes passivos no seu aprendizado. Por isso, nesse tipo de atividade, em que ele é convidado ao diálogo e a participar efetivamente da construção do seu conhecimento, acaba trazendo estranhamento, desconforto e aversão. É possível perceber que as primeiras opiniões e falas sempre são mais tímidas, com a preocupação do erro, que é visto como defeito no processo de ensino-aprendizagem tradicional. Nesse contexto é necessário que o educador produza em sua prática, um 'trabalho de formiguinha' aproveitando tudo que lhe é dado pelos alunos para incentivar a fala.
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Um trabalho que não é simples e requer rigor para ser feito, já que se tornaria mais confortável ao educador entregar as respostas prontas.
Destacamos a importância do papel do educador enquanto pessoa que desconstrói o mundo e o apresenta para os alunos como algo que não se encontra pronto e resolvido. Nessa prática tal papel foi fundamental, de maneira que os alunos que expuseram sua opinião trouxeram com eles o senso comum da interpretação do Aquecimento Global: causado pelo homem, sem que eles tivessem argumentos para essa interpretação. De modo algum estamos afirmando aqui que o conhecimento prévio do aluno deve ser descartado da sala de aula, ao contrário, reafirmamos a importância dele como conhecimento base para o início da discussão, pois, é a partir dele que o aluno compartilha conosco sua visão do mundo.
A utilização dos conteúdos aprendidos, principalmente na apresentação dos seminários, feito pelos alunos, nos mostra o quanto essa prática é enriquecedora para todos os envolvidos. As atividades permitiram que os alunos se tornassem o foco do processo de ensino-aprendizagem.
Acreditamos que a prática foi fundamental para nossa formação enquanto futuros professores, pois, nos permitiu trazer para as salas de aula uma proposta diferente dentro do ensino tradicional. Reconhecemos essa necessidade, pois acreditamos que, bem como os alunos, os educadores necessitam estar em constante contato com práticas que possam produzir maior motivação de ambos os lados no processo de ensino-aprendizagem.
## Referências
ARAÚJO, L. B. de; NIEMEYER, J.; MUENCHEN, C. Os Três Momentos Pedagógicos (3MP) nos trabalhos apresentados nos Simpósios Nacionais de Ensino de Física (SNEFs): um primeiro olhar. In: IX ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO em CIÊNCIAS, 9. 2013, Águas de Lindóia. Anais... Disponível em: <http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/ixenpec/atas/resumos/R10031.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2016.
AULER, D. Alfabetização Científico-Tecnológica: Um novo paradigma. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências . v. 5, n. 1, p. 1-16, mar 2003.
DELIZOICOV. D.; ANGOTTI, J. A. Metodologia do Ensino de Ciências . São Paulo: Cortez, 1994. (Série formação do professor).
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido . 57 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.
STRIEDER, R. B.; CARAMELLO, G. W.; HALMENSCHLAGER, K. R.; FEISTEL, R. A. B.; GEHLEN, S. T. Abordagem de temas na pesquisa em Educação em Ciências: pressupostos teóricos-metodológicos. In: VIII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 8. 2011, Campinas. Anais... Disponível em: < http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/resumos/R0467-1.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2016.
Agradecemos a Capes pelo apoio financeiro via Projeto Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID)
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