Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

BANCO DIVERTIDO DA FÍSICA: EXPLORANDO O ENSINO E APRENDIZAGEM DE FÍSICA EM UM JOGO DIDÁTICO

Andresa Quartieri De Azambuja, Ana Wrasse Salazart, Rosana Cavalcanti Maia Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017

Texto completo

## BANCO DIVERTIDO DA FÍSICA: EXPLORANDO O ENSINO E APRENDIZAGEM DE FÍSICA EM UM JOGO DIDÁTICO

## Andresa Quartieri de Azambuja , Ana Wrasse Salazart , Rosana Cavalcanti 1 2 Maia Santos 3

- 1 Universidade Federal do Pampa/Campus Bagé, desaquartieri@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Pampa/Campus Bagé, anacwrasse@gmail.com

## Resumo

No contexto atual do ensino de Física, observa-se a predominância de aulas baseadas apenas em quadro, giz e exercícios que favorecem a memorização - fatos que promovem a desmotivação dos alunos. Assim, evidencia-se que essa perspectiva tradicional não é suficiente para viabilizar o engajamento dos estudantes em sua própria aprendizagem. Nesse contexto, este trabalho descreve um relato de experiência do uso de um jogo didático para o ensino e aprendizagem de conceitos físicos. O uso desse jogo é uma estratégia didática inovadora que vai além das referidas aulas tradicionais e que resgata a motivação dos alunos na participação de atividades em sala de aula e, consequentemente, na construção do seu próprio conhecimento. Tal jogo, intitulado Banco divertido da Física teve sua inspiração no 'Banco imobiliário', foi desenvolvido no contexto dos componentes curriculares de Estágio Supervisionado em Física I e II e foi utilizado em uma turma de 2º ano do Ensino Médio de uma instituição pública do município de Bagé/RS. A estrutura do Banco divertido da Física foi organizada para que os estudantes tivessem contato com experimentos, discussões de conceitos físicos e teorias, contextualizações de conceitos físicos com o cotidiano e aplicação tecnológica, bem como, a contextualizações com a história da Física por meio de cards explicativos. Nesse contexto, os conteúdos abordados foram: escalas termométricas, calorimetria, fluidos e óptica. Pode-se apontar que os resultados de tal experiência didática foram satisfatórios, uma vez que, observou-se o interesse dos alunos para realizar a atividade, cumprir com o objetivo do jogo e discutir os conceitos físicos envolvidos. Por fim, percebe-se que os jogos didáticos demonstram ser materiais com potencialidades para aprendizagem dos alunos, bem como um tema potencial para aprofundar-se em pesquisas no ensino de Física.

Palavras-chave : Ensino de Física, jogos didáticos, lúdico, aprendizagem.

## Jogo: Um recurso didático para o ensino de Física

Atualmente, os professores de física dispõem de diversos recursos didáticos inovadores que podem ser utilizados no contexto educacional, a fim de, romper com a metodologia tradicional em sala de aula. Há diversas pesquisas na área de ensino de física que evidenciam as potencialidades de recursos didáticos, como: experimentos, simulações, histórias em quadrinhos, contextualizações com a história da Física, contextualizações com o cotidiano e aplicações tecnológicas, bem como o uso de jogos didáticos.

Nesse contexto, dentre tantas possibilidades disponíveis, o presente trabalho idealizou a construção de um jogo didático (Banco divertido da Física) para o ensino e aprendizagem dos conteúdos de: escalas termométricas, calorimetria, fluidos e óptica. A escolha do jogo como um recurso didático é justificada e fundamentada por diversas pesquisas já realizadas.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

De maneira geral, ressalta-se a importância da característica lúdica do jogo, uma vez que, segundo Leif e Brunelle (1978), os jogos são de grande valia para aprendizagem, pois a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais e sociais superiores. Além disso, o jogo viabiliza o desenvolvimento de atividades sociais, como por exemplo: respeito mútuo, solidariedade, cooperação, obediência as regras, senso de responsabilidade, iniciativa pessoal e grupal (RIZZI, 1994).

Já no âmbito educacional, Schaeffer (2006) discute que os jogos possibilitam aos jogadores/alunos o trabalho com a regularidade, o limite, o respeito e a disciplina - fatos que influenciam nas suas ações frente às atividades escolares. Além disso, Santos (1998) afirma que é sempre um lugar prazeroso, onde os jogos, brinquedos e brincadeiras fazem a magia do ambiente, valorizando o ato de brincar e aprender. Por fim, Lopes (2001) argumenta que os jogos podem ser eficientes para a aprendizagem em todas fases da vida:

É muito mais eficiente aprender por meio de jogos e, isso é válido para todas as idades, desde o maternal até a fase adulta. O jogo em si, possui componentes do cotidiano e o envolvimento desperta o interesse do aprendiz, que se torna sujeito ativo do processo, e a confecção dos próprios jogos é ainda muito mais emocionante do que apenas jogar. (LOPES, 2001, p. 23).

Assim, o jogo Banco divertido da Física visa a inserção de atividades lúdicas em sala de aula e que despertam alguns valores sociais, como por exemplo: o respeito mútuo, respeito às regras, diálogo etc. Além disso, o jogo proposto viabiliza a integração dos alunos, fazendo com que discutam, contextualizem e visualizem os conteúdos de Física em sua vivência tanto estudantil como cotidiana. Nos próximos tópicos serão abordados aspectos em relação à confecção do jogo, o seu uso em sala de aula, bem como alguns resultados e implicações para o ensino de Física.

## Construção do jogo Banco Divertido da Física

O jogo didático Banco divertido da Física foi elaborado a partir do jogo Banco imobiliário que é a tradução do jogo mais vendido do mundo, o Monopoly , criado em 1934 por Charles B. Darrow, americano da Pensilvânia. A tradução em português foi lançada em 1944 pela Brinquedos Estrela e é o jogo mais bemsucedido na venda de brinquedos no Brasil. O Banco imobiliário é um jogo de tabuleiro e tem como objetivo a conquista do maior número de propriedades, a partir da compra e venda de terrenos, bem como as construções de casas e prédios.

Nesse contexto, o Banco divertido da Física é um jogo de tabuleiro (figura 01), cujos objetivos didáticos são a revisão de conceitos físicos e teorias, a contextualização de conceitos físicos com o cotidiano, o contato com experimentos científicos e a contextualização histórica da Física para os conteúdos de: escalas termométricas, calorimetria, termodinâmica, fluidos e óptica. Tais características são um diferencial em relação a outros jogos didáticos para o ensino de física, cujo foco principal é a realização de perguntas e respostas (fato que pressiona os alunos e corrobora para uma não reflexão crítica em relação às perguntas, o que ocasiona, geralmente, uma resposta com equívocos).

Os objetivos didáticos supracitados são alcançados a partir do propósito do jogo propriamente dito: tornar-se o proprietário de maior quantidade de teorias e experimentos (ao invés de propriedades - como no Banco imobiliário). Para tal, o aluno deverá comprar biografias, livros e experimentos sobre determinados

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

conceitos físicos (ao invés de comprar construções - como no Banco imobiliário), por meio de 'horas-aula' (ao invés de utilizar 'dinheiro' - como no Banco imobiliário). Assim, além do tabuleiro, os elementos do jogo o Banco divertido da Física são: notas de horas-aula, cartões de Sorte ou Revés, cards de títulos de teorias e biografias (figura 02), dados, piões, minilivros e miniexperimentos.

Figura 01: Tabuleiro do Banco Divertido da Física

<!-- image -->

Figura 02: Exemplo dos cards de títulos de teorias e biografias: cartões que descrevem fenômenos físicos, teorias e biografia de cientistas

<!-- image -->

Nesse contexto, no quadro 01 são descritos os elementos do jogo Banco divertido da Física e a sua relação com os elementos do jogo Banco imobiliário.

Quadro 01 : Elementos do jogo Banco divertido da Física e sua comparação com os elementos do jogo Banco Imobiliário

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Por fim, abaixo são descritas as regras e a dinâmica (baseadas nas regras do jogo Banco Imobiliário) do jogo Banco divertido da Física:

- 1. Jogadores: Podem jogar de 2 a 6 jogadores, os quais escolhem a cor de seus piões, colocando-os no ponto de partida. Em seguida embaralham-se as cartas de Sorte e Revés, que são colocadas de cabeça para baixo no local indicado, no centro do tabuleiro. Cada jogador deve receber: 5 notas de 2 horas-aula; 5 notas de 5 horas-aula; 5 notas de 10 horas-aula; 5 notas de 20 horas-aula; 5 notas de 50 horas-aula; e 5 notas de 100 horas-aula.
- 2. Começo do jogo: O primeiro jogador lança os dados e, conforme o número de pontos que tirar, avança o seu pião pela esquerda para o espaço atingido. Em um só espaço podem parar vários piões ao mesmo tempo. De acordo com as indicações constantes dos lugares alcançados, paga-se horas-aula, recebese horas-aula, tira-se cartão de Sorte ou Revés e executa-se a ordem respectiva, devolvendo o cartão, colocando-o por baixo do baralho do qual foi tirado. Tirando

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

uma dupla (2 e 2, 3 e 3, etc.) o jogador tem o direito a novo lançamento; uma seguida dupla dá o direito igual, mas se tirar uma terceira dupla vai para o Centro Científico.

- 3. Centro científico: Se o jogador cair no campo 'Vá para o Centro Científico' ou se tirar 3 duplas seguidas, irá com seu pião para o Centro Científico. Se, porém, alcançar o Centro Científico em lances regulares será considerado visitante e poderá continuar normalmente o jogo quando chegar sua vez. Do Centro Científico o jogador seguirá o jogo se conseguir numa das suas 3 próximas jogadas tirar uma dupla. Se não conseguir, na 4ª jogada pagará 20 horas-aula para o orientador e andará o número de pontos conseguido nos dados. Também poderá sair do Centro Científico se possuir o cartão 'Saída Livre do Centro Científico' (Cartão do Sorte ou Revés).
- 4. Honorários: Cada vez que o jogador alcançar o Ponto de Partida receberá do orientador 100 horas-aula.
- 5. Teoria ou biografia: Se o jogador alcançar uma teoria ou uma biografia que ainda não tenha sido adquirida por outro jogador, ele poderá comprá-la conforme seu valor expresso no tabuleiro. Se alcançar um espaço que já tenha dono, pagará ao proprietário o valor expresso no título (investimento).
- 6. Construções: Logo que o jogador possua todo um grupo de teorias da mesma cor, ele poderá adquirir livros para suas teorias e pagá-los para o orientador o valor indicado no título. Em cada teoria pode-se comprar até 2 livros. Após comprar os 2 livros o jogador poderá adquirir o experimento. O jogador não pode colocar 2 livros em um espaço e nada no outro, do mesmo grupo de cor. Assim, ele deve colocar um livro em cada teoria do mesmo grupo de cor, antes de colocar a segunda e assim sucessivamente até adquirir o experimento.
- 7. Trocas e vendas entre jogadores: É permitido aos jogadores vender ou trocar teorias ou biografias entre si, quando acharem convenientes por valores a combinar.
- 8. Pagamentos: Os pagamentos devem ser sempre efetuados em horasaula. Se o jogador não tiver mais horas-aula para pagar ao orientador ou a um jogador, ele deve obedecer esta ordem de negociações: Vendas de livros e experimentos pela metade do valor pago.
- 9. Falência: Se mesmo após vender seus livros e experimentos o jogador não conseguir pagar suas dívidas ele irá à falência, e se retirará do jogo. As horasaula conseguidas devem ser entregues ao jogador que você deve.
- OBS.: Durante o jogo nenhum jogador poderá dar ou emprestar horas-aula a outro jogador.
- 10. Término do jogo: O jogo termina quando ficar somente um jogador (os outros forem a falência). Somam-se os valores possuídos através das notas de horas-aula, as teorias e as biografias, livros e experimentos.

## Aplicação do jogo Banco divertido da Física

- O jogo Banco Divertido da Física foi idealizado e planejado no Estágio Supervisionado em Física I, onde se pôde observar a turma que se desejava aplicar o jogo proposto. Já a sua conclusão e aplicação se deu no contexto do Estágio Supervisionado em Física II, em uma turma de 2º ano do ensino médio do turno da noite de uma escola pública do município de Bagé/RS. O jogo foi aplicado em 3 horas-aula, para 21 alunos. A turma foi organizada em quatro grupos: 1 grupo de 6 alunos e os outros 3 grupos com 5 alunos. Distribuiu-se para os grupos os kits do jogo que eram compostos por: 1 tabuleiro, 300 notas de horas-aula, 2 dados, 6

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

piões, 30 cartões de Sorte ou Revés, 29 títulos, 19 minilivros e 8 miniexperimentos e um guia de regras do jogo, conforme descrito no item acima.

Ao aplicar o jogo (figura 03) observou-se o interesse dos alunos por essa atividade, no entanto, inicialmente os alunos tiveram uma dificuldade em entender as regras do Banco divertido da Física. Por tal motivo, a estagiária realizou a leitura das regras do jogo com os alunos. Nesse momento e ao longo do jogo os estudantes puderam sanar suas dúvidas. Após essa etapa os alunos deram seguimento ao jogo de maneira mais autônoma. Nesse contexto, percebeu-se fatores que corroboram com os resultados das pesquisas citadas acerca do uso dos jogos como recursos didáticos em sala de aula: interação respeitosa entre os componentes dos grupos e entre os grupos, respeito às regras, desenvolvimento moral e social, bem como o interesse por atividades lúdicas.

Além disso, percebeu-se que os estudantes fizeram a leitura e discussão dos títulos, que como citado anteriormente, são compostos pelas explicações dos conceitos físicos e biografias dos cientistas, relacionando-os aos estudos e experimentos abordados em aulas anteriores e às situações cotidianas - sem que isso fosse imposto em regras.

Figura 03: Imagens dos alunos jogando

<!-- image -->

## Alguns resultados sobre o uso do jogo Banco divertido da Física

A fim de dar suporte aos resultados deste relato de experiência e viabilizar uma reflexão crítica acerca do uso do Banco divertido da Física, foi proposto aos alunos que respondessem um questionário aberto, anônimo e voluntário, solicitando a eles sua opinião sincera sobre o jogo. O questionário foi composto por 5 perguntas : 1. Como você vê a aula com esse tipo de atividade? 2. O que você gostou no jogo? E o que você não gostou? 3. O que te marcou neste jogo? 4. O que você pôde aprender de Física com o jogo? 5. O que foi difícil para você no jogo? E o que foi fácil? Responderam ao questionário os 21 alunos que participaram da atividade.

Analisando a primeira pergunta, chega-se à conclusão de que todos os alunos julgaram positivo utilizar esse instrumento em aula. Assim, os estudantes atribuíram os seguintes adjetivos ao jogo: bom, divertido, produtivo, criativo e interessante, conforme o quadro 02:

Quadro 02: Adjetivos atribuídos ao jogo

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

A segunda pergunta reflete sobre o que os alunos gostaram e não gostaram na atividade didática proposta. Pode-se destacar algumas respostas dos alunos: 'Muito bom o jogo, foi bem planejado para jogar, 'A comunicação entre os colegas. Não gostei de perder', 'Achei tudo interessante. Gostei bastante de aprender jogando' e ' Demoramos um pouco para entendermos isso que eu não gostei e o que gostei foi ver toda aula participando'.

Na terceira pergunta observa-se que a maioria os alunos citaram a aprendizagem da física como algo que marcou no jogo, mostrando que o próprio pensamento dos estudantes estava se direcionando aos conceitos físicos. Nessa perspectiva, dois alunos responderam: 'Aprendi física com a brincadeira' e 'A maneira com que foi transmitido a matéria de uma maneira mais fácil'.

A quarta pergunta é a mais importante para a reflexão do uso do jogo como recurso didático para o ensino e aprendizagem de Física. Assim, alguns alunos responderam: 'Nomes dos grandes físicos, nome de fórmulas e como fazê-las. ', 'Que não é preciso aprender física só fazendo cálculo', 'As teorias, os princípios' e 'Densidade; e sempre que for usar a pasta de dente vou lembrar do teorema de Pascal'.

A última pergunta nos mostra que jogo foi um pouco complexo, fazendo com que os alunos tivessem que se concentrar nas suas regras para aprender como jogar. Assim, alguns alunos responderam: 'Entender o jogo no início', 'No começo as regras foram complicadas de entender, as depois jogando se torna fácil e divertido'.

Diante de tais respostas dadas ao questionário é possível realizar algumas reflexões. No contexto da primeira, segunda e terceira questão e na atitude dos alunos durante a atividade proposta, percebe-se o uso do jogo como uma atividade que viabilizou a quebra do ensino tradicional (aulas expositivas e uso exacerbado de anotações no quadro e questões mecânicas) e a apatia dos alunos. Diante de tais fatos, o jogo proposto foi uma estratégia didática capaz de potencializar a motivação de grande parte dos estudantes. Inicialmente, tal motivação foi considerada extrínseca, uma vez que, segundo Guimarães (2001) há uma resposta externa à atividade didática: ganhar o jogo. Por outro lado, durante o desenvolvimento desta atividade, percebeu-se que naquele momento os estudantes também se motivaram intrinsecamente, pois, passaram a discutir sobre os fenômenos físicos abordados nos títulos de teorias e biografias, sobre os experimentos, bem como relacionar tais conceitos físicos com o seu cotidiano. Assim, denomina-se tal motivação como intrínseca, uma vez que, segundo Guimarães (2001) a escolha de realizar determinada atividade ocorre por conta própria, por ser interessante, atraente e gerar satisfação.

Por fim, no contexto da quarta questão e na atitude dos estudantes durante a realização da atividade, levanta-se a hipótese de que o jogo didático proposto (bem como os jogos didáticos de maneira geral) pode ser apontado como um material potencialmente significativo e que pode viabilizar uma aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1968). Este relato de experiência, entretanto, não nos permite inferir resultados sobre tal hipótese. Para tal, faz-se necessário a realização de pesquisas com as metodologias adequadas, a fim de, aprofundar-se no estudo do jogo didático como um material potencialmente significativo.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Considerações finais

É possível afirmar que o jogo Banco divertido da Física alcançou os objetivos pré-estabelecidos: ensino e aprendizagem sobre os conceitos de escalas termométricas, calorimetria, fluidos e óptica. Como perspectivas futuras, aponta-se a possibilidade de construção de novos jogos, bem como a realização de pesquisas que tragam resultados sobre a hipótese de que os jogos didáticos podem ser apontados como um material potencialmente significativo e que viabiliza a aprendizagem significativa dos estudantes.

Durante os componentes curriculares de Estágio Supervisionados de Física I e II, observou-se a passividade dos alunos frente a metodologias de ensino tradicionais (aulas expositivas, quadro e giz), por outro lado, quando as aulas são planejadas com estratégias e recursos didáticos diferenciados, percebe-se o engajamento dos mesmos. Este fato contribuiu para reflexão da autora sobre como atuará futuramente em sua docência. Assim, a autora percebeu o quanto é necessário utilizar atividades didáticas inovadoras (neste caso, o jogo didático apresentado), proporcionando uma quebra do ensino tradicional em sala de aula. Por fim, ressalta-se que a partir deste relato de experiência, a autora transformou suas maneiras de planejar e ministras suas aulas, indo além das aulas mecânicas. Este fato, motiva a autora em utilizar os jogos didáticos como tema do seu trabalho de conclusão de curso.

## Referências

AUSUBEL, David. Educational Pysochology: a cognitive view. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1968.

GUIMARÃES, Sueli. A motivação intrínseca, extrínseca e o uso de recompensas em ala de aula. In: BZUNECK, José; BORUCHOVITH, Evely. A motivação do aluno . Petrópolis: Editora Vozes, 2001.

LEIF, Joseph; BRUNELLE, Lucien. O Jogo pelo Jogo: a atividade lúdica na educação de crianças e adolescentes . Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

LOPES, Maria. Jogos na Educação: criar, fazer e jogar , 4º Edição revista, São Paulo: Cortez, 2001.

RIZZI, Leonor. et al. Atividades Lúdicas na Educação da Criança. São Paulo: Ática, 1994.

SANTOS, Carlos. Jogos e Atividades Lúdicas na Alfabetização. Rio de Janeiro: Sprint, 1998.

SCHAEFFER, Edna. O jogo matemático como experiência de diálogo: análise fenomenológica da percepção de professores de matemática. 2006. Dissertação (Mestrado) - Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, Universidade Estadual de Maringá, Maringá.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.