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O JOGO PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ARTICULAÇÕES COM A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA E A PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL

Dante Ghirardello, Deidimar Alves Brissi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Cultura, Linguagem E Cognição No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O JOGO PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ARTICULAÇÕES COM A PEDAGOGIA HISTÓRICOCRÍTICA E A PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL

## Dante Ghirardello , Deidimar Alves Brissi 1 2

- 1 Graduando em Licenciatura em Física. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - Campus Birigui: e-mail: danteghirardello@gmail.com

## Resumo

As pesquisas que tratam a Educação em Astronomia estão em constante crescimento, mas, devido a vários fatores, inclusive a formação de professores, percebe-se falhas no ensino desta ciência. Assim, quando analisadas as pesquisas caracterizadas como estado da arte, percebe-se a inexistência de trabalhos com foco em crianças que estão tendo seus primeiros contatos com o sistema educacional, ou seja, faltam pesquisas sobre o ensino de Astronomia para alunos da educação infantil. Portanto, deve-se procurar por teorias que legitimem o ensino de Astronomia para alunos dessa faixa etária. A Pedagogia Histórico-Crítica e Psicologia Histórico-Cultural tratam a educação como algo que deve ser sistematizado, para que crianças possam compreender os conteúdos e por meio de jogos desenvolverem a psique infantil, essas teorias apontam que crianças, além de terem a capacidade para aprendizagem, ainda chegam à educação escolar com conhecimentos prévios concreto. Destarte, o professor pode mediar o ensino infantil com jogos educativo-científicos de forma a descontruir concepções prévias e errôneas. Logo, é necessário incentivar o desenvolvimento de jogos educativo-científicos em outros ambientes e realizar pesquisas onde, no ensino de Astronomia, professores, de forma sistematizada, tragam conceitos científicos, contidos na realidade do aluno, que possam produzir bases para a compreensão da Ciência como uma construção humana.

Palavras-chave : Educação em Astronomia; Educação Infantil; Pedagogia Histórico-crítica; Psicologia Histórico-cultural; Educação.

## O ensino de Astronomia e a Educação Infantil

No Brasil, atualmente, há um crescimento de pesquisas que tratam o ensino e a divulgação da Astronomia, porém, muitos professores de ensino fundamental carregam concepções alternativas errôneas sobre a Astronomia, (LANGHI, 2005), e professores de outros níveis escolares, como professores de Ciências, Geografia e Física, muitas vezes, cursam graduações onde disciplinas com tópicos de Astronomia são optativos e superficiais (LANGHI e NARDI, 2012).

Embora o ensino de Astronomia esteja ganhando espaço, pesquisas como de Langhi e Nardi (2012) afirmam que há falhas no ensino desta ciência, ou seja, ela não está sendo bem realizada, já que muitos brasileiros não sabem se orientar geograficamente e isso mostra o quanto a escola carece no ensino de conceitos básicos desta ciência. Mesmo com o aumento das pesquisas relacionadas ao tema, os conceitos ensinados em salas de aulas no Brasil são, muitas vezes, errôneas, e isso dissemina concepções alternativas erradas na educação escolar, onde deveriam ser ensinados conteúdos sistematizados.

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Mas, para exigir que professores tenham conhecimento desta ciência, devemos nos indagar, antes, o 'por que ensinar essa ciência?', 'quais as contribuições do ensino de Astronomia?', 'é possível realizar o ensino dessa ciência?' Langhi e Nardi (2014) buscam por respostas e apresentam que o ensino da Astronomia contribui para a compreensão da ciência como um todo.

Segundo os autores, supracitados, o ensino da Astronomia pode contribuir para uma visão da ciência como um processo de construção histórica e filosófica, desperta curiosidade e motivação no público em geral (em todos os níveis e formas de educação), faz com que o estudante reestruture o pensamento e supere o intelectualismo e o conhecimento (já que a compreensão do universo proporciona o desenvolvimento do fascínio, admiração, curiosidade, contemplação e motivação), é uma ciência altamente interdisciplinar, desmistificadora e possui potencial para o ensino e divulgação o que permite o dialogo com astrônomos profissionais ou amadores e visitas a observatórios e planetários (LANGHI E NARDI, 2014).

Destarte, com as possíveis falhas no ensino desta ciência, é necessário buscar pesquisas que tragam os caminhos que a educação em Astronomia trilha atualmente, logo, é preciso encontrar pesquisas que permitam a identificação de tendências, resultados e lacunas nesse campo (ROMANOWSKI, 2006). Estas pesquisas são denominadas como estado da arte, assim por meio delas é possível analisar quais são as possíveis falhas no ensino de Astronomia.

Assim, a pesquisa do tipo estado da arte de Bretones et al (2006), traz a educação em Astronomia presente em trabalhos apresentados em reuniões anuais da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e mostra que trabalhos com tal foco tem aumentado a cada ano como diversos pesquisadores tem apresentado - porém, quando essas pesquisas são analisadas percebemos que a educação infantil não tem foco no ensino de Astronomia (FIGURA 1), em seus resultados o autor evidencia que não existe ao menos um trabalho publicado para esse nível de 1973 até 2003, em tais reuniões.

Figura 01: Imagem de tabela encontrada em pesquisa de Bretones et al (2006).

Quando analisadas outras pesquisas do tipo estado da arte sobre a educação em Astronomia, como de Bretones e Neto (2005); Iachel e Nardi (2010); Iachel (2013), a inexistência dos dados da educação infantil mostra que eles nem ao menos foram tabelados, sendo citados outros níveis escolares, como, ensino fundamental I, ensino fundamental II, ensino médio, ensino superior e geral, isso mostra a falta de pesquisas na educação infantil.

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## Em busca de teorias Pedagógicas e Psicológicas na Educação Infantil

Para iniciar essa pauta devemos ter em mente que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente a criança é toda '[...] pessoa até doze anos de idade incompletos [...]' (ECA, 1990), assim, tanto alunos da educação infantil como alunos do ensino fundamental são crianças e devem ser tratados como tal. Destarte, a discussão que será trazida aqui, pode ser estendida apenas para alunos do ensino fundamental.

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 a educação infantil '[...] tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.' (BRASIL, 1996), logo, assim como os demais níveis escolares, a educação infantil faz parte do desenvolvimento da formação humana. E, portanto, fica clara a importância de serem trabalhados alguns conceitos científicos, já nessa faixa etária.

Outrossim, é que segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998) os fenômenos que são relacionados à Astronomia são de grande ajuda para os primeiros contatos da criança com a ciência, já que esta causa curiosidade e pode ser trabalhada por meio de fotos, filmes, ilustrações e experiências simuladas.

A Astronomia também pode ser trabalhada por meio de perguntas como 'Por que o Sol não cai do céu?', 'Para onde ele vai durante a noite?', ou 'Por que a Lua às vezes aparece de dia?' que permitem que as crianças possam manifestar suas hipóteses sobre esses fenômenos, tais perguntas são comuns e é pelo trabalho do professor que elas serão modificadas gradualmente, à medida que novos conhecimentos possam ser integrados àqueles que elas já possuem.

Assim, em busca por aportes teórico-bibliográficos que defendem o ensino de Ciências para a educação infantil, estão as teorias da Pedagogia Histórico-crítica e Psicologia Histórico-cultural, que em uma perspectiva materialista histórico dialética, defendem que o conteúdo histórico seja transmitido de forma sistemática para alunos concretos, ou seja, aqueles que estão em uma sociedade prévia a eles.

A Pedagogia Histórico-crítica foi fundada por Saviani e vem com a necessidade de superação de pedagogias não críticas, com concepções tradicionais, escolanovistas e tecnicistas, e pedagogias crítico-reprodutivistas, com concepções de escola como um aparelho ideológico do Estado, mas que não apresentavam um projeto pedagógico. No início dos anos de 1980, essa pedagogia ganhou espaço, tornando-se oficial em sistemas de ensino dos estados Santa Catarina e Paraná (SAVIANI, 2011). A Psicologia Histórico-cultural trouxe várias contribuições para a educação, sendo desenvolvida por Vigotski, junto a Luria e Leontiev. Essa teoria também chegou ao Brasil na década de 1980, sendo considerada por muitos como uma teoria sócio-construtivista, desconsiderando seu caráter marxista, importante contribuição dessa abordagem psicológica (PASQUALINI, 2006).

## Algumas Contribuições da Psicologia Histórico-Cultural

A infância pode ser entendida como uma preparação para a fase adulta, superando a ideia de que é tarefa da educação infantil, apenas cuidar-educar das crianças (PASQUALINI, 2008). A Psicologia Histórico-cultural nos mostra que a

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aprendizagem da criança começa antes da aprendizagem escolar, ou seja, a criança começa a aprender e a ter concepções alternativas do mundo natural muito antes de chegar ao sistema de ensino, porém, é a partir dele que o processo de desenvolvimento cognitivo pode ser sistematizado, isso denota o quanto a infância é um processo para a formação humana: 'Por exemplo, a criança começa a estudar aritmética, mas já muito antes de ir a escola adquiriu determinada experiência referente a quantidade, encontrou já varias operações de divisão e adição, complexas e simples [...]' (VIGOTSKI, 2012, p. 109)

Em Vigotski (1998), o desenvolvimento infantil é dividido em períodos, onde em cada uma dessas etapas uma atividade terá maior importância, para a idade préescolar a brincadeira é a atividade principal, é nela que a criança vivencia o mundo adulto, um mundo com regras, o que possibilita o desenvolvimento do psiquismo, por isso, as brincadeiras para essa faixa etária devem ser mediadas, ou seja, cabe ao educador conduzi-las, pois é a atividade mediada por um adulto que irá dar sentido ao processo de aprendizagem.

Com relação a Ciência, o jogo pode ser uma fonte motivadora para o aprendizado, no ensino infantil essa atividade propicia que a criança possa ultrapassar certos limites, como a de manipulação de objetos, assim, o aluno poderá entrar em uma situação mais ampla, raciocinando de forma de eficaz.

A infância pré-escolar é o período da vida em que o mundo da realidade humana que cerca a criança abre-se cada vez mais para ela. Em toda sua atividade e, sobretudo, em seus jogos, que ultrapassaram agora os estreitos limites da manipulação dos objetos que a cercam, a criança penetra um mundo mais amplo, assimilando-o de forma eficaz. (LURIA, 2010).

São por meio de brincadeiras, que a criança antecipa certos comportamentos, utilizando a imaginação, assim, ela melhora suas ações e cria concepções daquilo que ela já conhece, desenvolvendo sua zona de desenvolvimento proximal (ZDP).

## Algumas Contribuições da Pedagogia Histórico-Crítica

É consensual a diferença entre o humano e o animal, o animal busca se adaptar a natureza, enquanto o ser humano modifica a natureza, ou seja, ele transforma a natureza para que ela se adapte a ele (SAVIANI, 2011). Assim, o trabalho não é algo sem finalidade e sim para sobrevivência, o indivíduo extrai da natureza os meios, e ao fazer isso ele inicia o processo de transformação, criando sua cultura e sociedade.

Com essa visão, a Pedagogia Histórico-crítica aponta que a educação é um processo humano, caracterizando-se como um trabalho não-material, podemos considerar que: 'o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens' (SAVIANI, 2011, p.13), assim, o trabalho do professor deve ser o de direcionar o aluno para assimilação daquilo que foi produzido historicamente pelos indivíduos .

Para essa teoria pedagógica os conteúdos clássicos devem ser fundamentais e primários, entendendo conteúdos clássicos como algo diferente de tradicional, ou seja, os conteúdos clássicos são aqueles que são essenciais para compreensão do que foi produzido historicamente, o que sobreviveu ao tempo. Em seu livro, Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações, Saviani (2011), alerta que são diversos os conteúdos secundários no currículo da escola:

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- [...] facilmente, o secundário pode tomar o lugar daquilo que é principal, deslocando-se, em consequência, para o âmbito do acessório aquelas atividades que constituem a razão de ser da escola. Não é demais lembrar que esse fenômeno pode ser facilmente observado no dia a dia das escolas. Dou apenas um exemplo: o ano letivo começa na segunda quinzena de fevereiro e já em março temos a Semana da Revolução; em seguida, a Semana Santa; depois, a Semana do Índio, Semana das Mães, as Festas Juninas, a Semana do Soldado, Semana do Folclore, Semana da Pátria, Jogos da Primavera, Semana da Criança, Semana da Asa etc., e nesse momento já estamos em novembro. O ano letivo encerra-se e estamos diante da seguinte constatação: fez-se de tudo na escola; encontrou-se tempo para toda espécie de comemoração, mas muito pouco tempo foi destinado ao processo de transmissão-assimilação de conhecimentos sistematizados. (SAVIANI, 2011, p. 15).

Com essa crítica, o autor supracitado, apresenta que a escola perde seu papel, já que o ensino elaborado e sistematizado perde seu caráter de prioridade, afinal, grande parte do ano letivo é voltado para conteúdos extracurriculares, conteúdos secundários, que não são essenciais para compreensão da historicidade social. A partir dessa análise podemos falar sobre a importância de se ensinar Ciência para essa etapa escolar.

- O professor pode gerar situações em que ele conseguirá observar, com a utilização do jogo, a ZDP de cada aluno e com isso desenvolver as capacidades cognitivas das crianças. O ensino de Astronomia, por meio de jogos, pode e é possível, já que existem várias pesquisas que trazem jogos para o ensino (BRETONES, 2013). Relacionar o ensino da Astronomia com o jogo permite que a criança adentre ao mundo dos fenômenos naturais utilizando sua principal atividade, ou seja, a brincadeira. Outro aspecto importante é que o ensino da Astronomia para essa faixa etária estimula um salto em seu desenvolvimento, pois a apropriação da cultura humana é parte importante do processo da educação escolar.

## Considerações Finais

Com o exposto, o brasileiro, talvez, não consiga se localizar geograficamente, como apresentado no inicio desse texto, porque o ensino de Astronomia vem sendo mau realizado desde os primeiros contatos do aluno com a educação escolar, perdendo espaço para conteúdos menos importantes e secundários, disseminando, então, concepções alternativas que permanecem quando o professor não consegue explicar suas dúvidas, na educação infantil e em outros níveis escolares.

Compreende-se a necessidade de realizar pesquisas que busquem melhorias no ensino da Astronomia, se preocupando em como deve ser organizado o trabalho docente para crianças que tem seus primeiros contatos com o sistema educacional, essa etapa da educação escolar contribuirá, com o desenvolvimento cognitivo e social dessa criança. O ensino de Astronomia é importante, pois possibilita que a criança compreenda os fenômenos naturais que a Ciência descobriu.

- O professor deve se preocupar em como deve ser organizada sua prática pedagógica, em uma perspectiva onde o aluno possa compreender na Astronomia uma ciência que possibilita a aquisição de conhecimentos de sua realidade concreta, com a percepção de lugar, espaço e avanço social. Tomando que nenhuma aprendizagem escolar começa do nulo e a aprendizagem e o desenvolvimento estão

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juntos na criança desde o início de sua vida, não começando apenas com a entrada na educação escolar.

Também é responsabilidade, do professor, orientar os pais para que tenham conhecimento do papel da brincadeira para o desenvolvimento da criança fornecendo (trans)formação de seus valores morais, onde aprendem a ser participativos, sociáveis, conscientes e respeitarem regras, assim os pais podem incentivar seus filhos e melhorar a educação dos mesmos. E embora mostrado a importância do jogo, Ghirardello e Brissi (2016), destacam que jogos para o ensino de Astronomia, são constantemente encontrados em diversos trabalhos, mas são poucos os jogos produzidos em grande escala para serem comercializados.

A falta de materiais de divulgação (livros, jogos, etc.), dificulta a disseminação da Ciência, o que deve ser uma preocupação para os pesquisadores, já que a inexistência de jogos, por exemplo, no meio comercial mostra a falta de avanço na sociedade em compreensão dos benefícios que os mesmos trazem para o desenvolvimento infantil, assim, devem ser cobrados da sociedade os jogos educativo-científicos em outros âmbitos, para que o trabalho educativo do professor possa tomar maiores dimensões.

Ensinar esses conteúdos por meio de jogos é o que caracteriza o trabalho pedagógico, afinal esses jogos, que são de grande importância para o desenvolvimento infantil, podem caracterizar a mediação pedagógica, quando a criança realiza essa atividade em outros ambientes, que não o escolar, ela gera concepções alternativas errôneas sobre essa ciência, mas, com a mediação do professor, a aprendizagem do aluno é direcionada para que o mesmo se aproprie dos conceitos científicos. O ensino da Ciência para essa faixa etária vem da defesa de que é a partir da aquisição do conhecimento que a criança pode entender sua realidade sócia histórica e cultural.

## Referências

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