Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

A IMPORTÂNCIA DA ESCRITA ACADÊMICA NA FORMAÇÃO DE LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS

Mariana Fernandes Dos Santos Ifba/Ufba, Maria Cristina Martins Penido Ufba

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Cultura, Linguagem E Cognição No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017

Texto completo

## A IMPORTÂNCIA DA ESCRITA ACADÊMICA NA FORMAÇÃO DE LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS

## Mariana Fernandes dos Santos 1 , Maria Cristina Martins Penido 2

## Resumo

Na esfera universitária, as práticas discursivas efetivam-se por intermédio dos gêneros textuais/discursivos que melhor representem esse contexto, os quais chamamos de gêneros acadêmicos. Esses gêneros são elementos representativos da escrita acadêmica, cuja apropriação é condição primordial para o processo de letramento acadêmico dos estudantes universitários. Nesse sentido, buscamos neste trabalho apresentar algumas noções teóricas sobre a importância do letramento acadêmico por meio da escrita acadêmica, na formação de licenciandos em Ciências, diante da vivência desses estudantes no espaço universitário e enquanto futuros docentes. Para isso apresentamos algumas discussões relativas ao letramento acadêmico, escrita acadêmica, letramento do professor em formação, linguagem e ensino de ciências e ensino de língua portuguesa na formação de professores de ciências. Obtivemos o resultado de que o letramento acadêmico é o lugar para o aprender e para o enunciar em situações de usos situados da língua(gem) regidos por produções de gêneros textuais constitutivos dos contextos acadêmicos de/para a formação profissional. Nesse sentido, concluímos que o conhecimento dos gêneros textuais acadêmicos, no que se refere às suas características estruturais, discursivas, pragmáticas e retóricas, é um dos meios que instrumentalizam os licenciandos para a prática da pesquisa, reflexão crítica e formação como um professor/pesquisador, visando uma formação que supere o formalismo matemático em excesso indo ao encontro de um processo formativo mais contextualizado e reflexivo.

Palavras-chave : Escrita acadêmica, Licenciaturas em Ciências, Letramento acadêmico.

## Introdução

De forma geral, são recentes as pesquisas e estudos que tratam do letramento acadêmico no Brasil. Mesmo na área de língua(gem) essa problemática 1 não era tratada, nem mesmo nos cursos de Pós-graduação, todavia, o olhar para o espaço de aula universitário, e todas as suas (des)estabilizações, ganha lugar significativo com os estudos linguísticos, por meio da teoria da Linguística Aplicada, mais especificamente sobre o letramento do professor de língua materna, a partir da década de 1980 (VÓVIO; SITO; DE GRANDE, 2010).

Acreditamos que o desenvolvimento do interesse aos estudos da escrita acadêmica, está relacionado à ampliação da oferta e acesso ao ensino superior no Brasil, na última década, gerando consequentemente, o avanço na democratização do ensino superior para as classes que vivenciaram uma educação básica deficitária

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

em leitura e escrita. Uma realidade que trouxe para os cursos de licenciatura, principalmente, um público formativo mais heterogêneo, o que motivou o interesse aos estudos da relação da produção textual e a universidade, na formação docente, tanto inicial quanto continuada.

A partir de então, a problemática da escrita no ensino superior começou a ganhar destaque por meio de dados oficiais ou científicos, de forma que notoriamente, encontramos estudos que tematizam a Escrita acadêmica (MATENCIO, 2009; KLEIMAN, 2009, 2013), Estudos dos Letramentos, entre eles o Letramento Acadêmico (STREET, 2012) e o Letramento do professor em formação (MATENCIO, 2009; KLEIMAN, 1995, 2013; TFOUNI; MONTE-SERRAT; MARTHA, 2013).

Na área de ensino ou formação de professores de ciências os estudos relacionados à área de língua(gem), ocorrem por meio de documentos oficiais como PCN+, OCEM, BNCC e Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Física, Química, Biologia e Matemática; Argumentação no Ensino de Ciências, Semiótica e Representações Linguísticas e Discursivas no Ensino Ciências; Letramento Científico; Ensino de Língua Portuguesa no Ensino Superior e no Ensino de Ciências entre outros temas. Sobre os temas citados podemos destacar os trabalhos de (VIEIRA; NASCIMENTO, 2013), (DE ARAÚJO NETO, 2012), (VILLANI; NASCIMENTO, 2006), SARGENTINI; GOIS, 2006), (CHIRADELO, 2006), (MORTIMER; VIEIRA; ARAÚJO, 2010), (ALMEIDA, 1998, 2001), (CACHAPUZ 2005), (BENTO DOS SANTOS, 2012).

Nos trabalhos citados no parágrafo anterior vemos que o interesse dos estudos da língua(gem) na área de ciências está relacionado ao fato de a realidade dos currículos dos projetos pedagógicos e o 'currículo vivo' (currículo praticado nas aulas) de formação dos professores da área de ciências, apresentar um espaço pequeno para o exercício da leitura e da escrita textual, principalmente, do texto acadêmico, por conta do formalismo matemático em excesso que esses cursos possuem, dando foco maior à linguagem matemática. Em meio a isso, há a problemática da maneira como as disciplinas da área de linguagem são trabalhadas nesses cursos, que muitas vezes assumem uma função compensatória ou supletiva, visando reparar lacunas linguísticas e textuais da educação básica dos estudantes universitários.

Diante disso, a língua portuguesa no ensino superior, bem como na formação de professores da área de Ciências, perde seu foco formativo, deixando de contribuir de maneira significativa na escrita acadêmica, na apropriação do discurso científico, no letramento científico e no acadêmico, na argumentação no ensino de ciências e outros aspectos pertinentes.

Para Sargentini e Gois (2006) o ensino de língua portuguesa nos cursos de ciências naturais, geralmente parte de dois princípios: o primeiro diz respeito ao fato de que a maioria dos estudos sobre o ensino de língua está centrada nas Ciências Humanas e em diversos campos de atuação, portanto, discutir ensino de língua fora dessas áreas não seria pertinente, e o segundo, que decorre do primeiro, é o de que ainda impera uma visão estereotipada do que seja ensino de língua materna entre as pessoas que se dedicam às Ciências Exatas e Biológicas, ou seja, a língua, tal qual um reagente qualquer , seria um mero instrumento de comunicação.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Ademais, atribui-se a prática e ensino da escrita acadêmica apenas às disciplinas da área de língua(gem), mesmo sendo o texto acadêmico um recurso de mediação em todas as disciplinas do percurso formativo.

Portanto, a fim de contribuir com a discussão acerca da escrita acadêmica na formação de professores de Ciências, buscamos neste trabalho apresentar algumas noções teóricas sobre a importância do letramento acadêmico por meio da escrita acadêmica, na formação de licenciandos em ciências, diante da vivência desses estudantes no espaço universitário e enquanto docentes que serão, considerando o desafio do uso da escrita acadêmica como instrumento de mediação, no trabalho de formação de professores, quando se faz necessária a articulação entre saberes acadêmicos e pedagógicos em resposta às demandas da sua futura atuação profissional

## Escrita Acadêmica na Formação de Licenciandos em Ciências

De acordo com Ghiraldelo (2006), a inclusão das disciplinas em que o foco é a língua portuguesa em diversos cursos de ensino superior, tem ocorrido por dois motivos: um deles é o fato do aluno que hoje ingressa na universidade, na ter o desempenho na língua materna, que os docentes desses cursos gostariam - ou desejariam, o que faz com que a inclusão de tais disciplinas seja vista, muitas vezes, como uma maneira de 'corrigir' as supostas falhas do Ensino Médio e Fundamental; a outra razão é a expectativa de que tais disciplinas possam desenvolver no estudante habilidades consideradas necessárias para o desempenho durante a sua formação e quando diplomado, no exercício profissional.

A preocupação com o desenvolvimento dessas habilidades tem contribuído para que as questões sobre leitura e escrita transcendam os limites da área de estudos da linguagem e estenda a discussão em relação ao desempenho ruim dos estudantes no que se refere à leitura e escrita, para o nível universitário não se restringindo mais ao ensino básico e aos cursos da área de linguagem.

. De acordo com Almeida et al (2001) ao longo das últimas décadas, cresceu o número de trabalhos que relacionam a aprendizagem de ciência com a leitura e compreensão de textos científicos. Nesse contexto, identificamos estudos que se ocupam com a estrutura linguística dos textos, que caracterizam as concepções de professores e de estudantes sobre textos relacionados ao discurso científico; analisam o texto e os contextos de utilização de livros didáticos e que sugerem propostas sobre a leitura como estratégia de ensino.

As contemporâneas pesquisas em educação em ciências têm apontado a importante contribuição das investigações que privilegiam a análise da dimensão discursiva dos processos de ensino-aprendizagem de ciências. Esses estudos destacam o papel da linguagem como elemento necessário para a aquisição do conhecimento científico escolar e acadêmico. Dessa maneira, tanto o professor em formação em ciências, como seus futuros alunos, deve apropriar-se do discurso científico para a compreensão das representações vigentes de construção de conhecimento científico.

Segundo Villani; Nascimento (2003) o conhecimento científico é constituído por leis, conceitos, teorias e princípios científicos, na forma de uma grande estrutura. Dessa maneira, a ciência não é composta apenas por palavras com significados

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

específicos, mas sim uma linguagem própria, capaz de tornar possível o seu aprendizado e principalmente o seu desenvolvimento.

Nesse cenário, a linguagem constitui-se como um objeto do processo de aprendizagem de ciências, ao mesmo tempo que se configura como um instrumento de mediação do seu processo de ensino. Para Mortimer (2000) um dos focos a ser privilegiado é o papel da linguagem e da dinâmica das interações nessa elaboração conceitual sobre a formação de professores em ciências na atualidade.

Para Martins (2010, p.368) 'tornar-se proficiente nessa linguagem envolve compreender as práticas sociais de produção e validação de conhecimentos, típicas dos laboratórios e recontextualizadas em espaços educativos, formais e não formais'. Entre as dificuldades em relação à linguagem científica para os professores em formação em ciências e que consequentemente poderão ser as dificuldades dos seus futuros alunos, está o processo de nominalização, em que Halliday (1993), denomina como uma metáfora gramatical , onde ocorre a substituição de uma classe ou estrutura gramatical por outra ao invés da substituição de um nome por outro. Isto é, a linguagem científica substitui os processos, expressos normalmente por verbos, por grupos nominais. Assim,

a frase 'quanto tempo uma reação química leva para se completar' se transforma através da nominalização, em 'velocidade de uma reação química'. Isso pode constituir uma dificuldade para o aluno, que está acostumado a usar nomes para designar seres e coisas, e verbos para designar processos. Ao usar a linguagem científica, ele começa a habitar um estranho mundo onde os processos se transformam em nomes ou grupos nominais, e os verbos não mais expressam ações, e sim relações (MORTIMER; VIEIRA; ARAÚJO, 2010, p.337).

Nesse sentido, o letramento científico ocupa um lugar importante na aprendizagem da linguagem científica por meio da compreensão dos diversos gêneros textuais da ciência e de seus diferentes significados.

De acordo com as teorias bakhtinianas (BAKHTIN, 2000), a interação humana ocorre em todas as esferas da sociedade, e cada esfera organiza-se por meio predominantemente de determinados gêneros. Denominamos os gêneros que organizam as interações na universidade, de gêneros acadêmicos que funcionam como elementos representativos das práticas discursivas acadêmicas, cuja apropriação é condição primordial para o processo de letramento acadêmico dos estudantes universitários. Compreendemos o letramento acadêmico como lugar para o aprender e para o enunciar em situações de usos situados da língua(gem) regidos por produções de gêneros textuais constitutivos dos contextos acadêmicos de/para a formação profissional, convergindo com as postulações de Kleiman (1995) e Street (2012) para quem o letramento é resultante da transmissão social, de geração em geração, de convenções e hábitos que caracterizam, em suas diferenças, as práticas históricas de leitura e escrita.

Os documentos oficiais que legitimam as licenciaturas no Brasil (PARECER CNE/9/2001 e RESOLUÇÃO CNE/CP/1/2002) ressaltam a importância do exercício da pesquisa como atividade elementar da qualidade da formação docente da educação básica. De acordo com esses documentos a pesquisa deve se constituir como ação inerente à função do professor, enquanto meio de compreensão dos fenômenos referentes ao processo de ensino e aprendizagem. Para Souza e

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Basseto (2014), a prática da pesquisa faz parte de um cenário complexo da vida de um graduando em um curso de licenciatura e depende, entre outras questões, da sua inserção na comunidade acadêmica, de forma a conhecer os discursos e práticas que circulam por meio dos gêneros textuais nessa comunidade. Portanto, para as autoras citadas, o conhecimento dos gêneros textuais acadêmicos, no que se refere às suas características estruturais, discursivas, pragmáticas e retóricas, é um dos meios que instrumentalizam os aprendizes para a prática da pesquisa, reflexão crítica e formação como um professor/pesquisador (MELO ; 2 et al , 2013).

As discussões relacionadas ao ensino da escrita acadêmica em outras áreas ou disciplinas escolares, diferentes da área de linguagem, parecem não ter avançado de forma significativa. Quando tratamos da área de ensino de ciências e formação de professores em ciências , pelas pesquisas que fizemos , essa realidade 3 se acentua.

A sala de aula universitária da licenciatura configura-se como espaço legítimo da dialogia (BAKHTIN, 2000) entre professor formador e professor em formação (SOUZA, 2012) e, também, lugar controverso de relações de poderes e resistências (COELHO, 2006, 2011), mas é, além disso, o espaço privilegiado de formação com vistas a (re)configurações de usos da linguagem como objeto de estudo ou instrumento de trabalho. A esse processo, damos o nome de letramento do professor em formação (KLEIMAN; MATENCIO, 2005). Participam das licenciaturas, estudantes que já são professores e, por isso, em processo de reconfiguração de identidades docentes, e estudantes que ainda não experienciaram a docência e, por isso, para estes, os cursos de licenciatura atuam mais em questões de configurações de identidade do professor.

Nesse sentido, Carvalho (2004) corrobora com o repensar na formação de professores da área de ciências, de maneira que a prática desses docentes em sala contemple uma proposta de ensino de ciências que leve os alunos a construírem seu conteúdo conceitual participando do processo de construção e dando oportunidade de aprenderem a argumentar e exercitar a razão, em vez de fornecerlhes respostas definitivas ou impor-lhes seus próprios pontos de vista transmitindo uma visão fechada das ciências.

## Resultados e discussão

Por meio das noções teóricas apresentadas pudemos constatar que na esfera universitária, as práticas discursivas efetivam-se por intermédio dos gêneros textuais/discursivos que melhor representem esse contexto, os quais chamamos de gêneros acadêmicos. Esses gêneros são elementos representativos da escrita acadêmica, cuja apropriação é condição primordial para o processo de letramento acadêmico dos estudantes universitários.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Nesse sentido, o letramento acadêmico é o lugar para o aprender e para o enunciar em situações de usos situados da língua(gem) regidos por produções de gêneros textuais constitutivos dos contextos acadêmicos de/para a formação profissional. Pelo dito, constatamos que há uma relação direta entre escrita acadêmica, letramento acadêmico e letramento docente no contexto dos cursos de licenciaturas. Bem como que o ensino de língua portuguesa na formação de professores, pode contribuir de maneira relevante para a efetivação adequada do ensino e aprendizagem da escrita acadêmica, e no que concerne a formação de professores em Ciências, acrescenta-se a possibilidade da superação de uma formação pautada meramente no formalismo matemático.

## Considerações finais

Com o estudo realizado atingimos o objetivo de apresentar algumas noções teóricas sobre a importância do letramento acadêmico por meio da escrita acadêmica, na formação de licenciandos em ciências, diante da vivência desses estudantes no espaço universitário e enquanto futuros docentes. Dessa forma, concluímos que o letramento acadêmico por meio da escrita acadêmica pode possibilitar o desenvolvimento do letramento crítico do professor em formação e promover a socialização de saberes diversos, cooperando para as ações transformadoras do trabalho pedagógico realizado por esses estudantes em formação, e ainda contribuir para a promoção das práticas da escrita acadêmica 4 dessa área desde a graduação.

Ademais, o conhecimento dos gêneros textuais acadêmicos, no que se refere às suas características estruturais, discursivas, pragmáticas e retóricas é um dos meios que instrumentalizam os licenciandos para a prática da pesquisa, reflexão crítica e formação como um professor/pesquisador (MELO , et al , 2013), visando um processo formativo que supere o formalismo matemático em excesso indo ao encontro de uma perspectiva de letramento do professor de forma contextualizada e reflexiva. Para isso é necessário que sejam repensados os currículos dos cursos da área de ciências com vista a refletir sobre a concepção de ciência, linguagem e consequentemente o perfil docente predominante nesses espaços, a fim de atender as demandas contemporâneas para a formação de licenciados.

## Referências

ALMEIDA, M.J.P.M.; SILVA, H.C. ;MACHADO;J.L.M.. Condições de produção no funcionamento da leitura na educação em física. Rev Bras. Pesq. Ed. Em Ciências, v.1, n.1, p.5-17, 2001.

BAKHTIN, M.M. Estética da criação verbal .Tradução de Paulo Bezerra.São Paulo:Martins Fontes, 2000.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução n.: CNE/CP 001/2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena.

CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Anna Maria Pessoa de Carvalho (org.), O Ensino de Ciências: Unindo a Pesquisa e a Prática. São Paulo. 2004.

CHIRALDELO, Claudete Moreno (org.). Língua Portuguesa no ensino superior: Experiências e Reflexões São Carlos: Claraluz, 2006. .

COELHO, F. C. B. Construção identitária e(m) comportamentos na sala de aula : o agenciamento da palavra em dois grupos (um alemão e um brasileiro). 226 páginas. Tese (Doutorado em Letras) - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, BeloHorizonte,2011.

COELHO, F. C. B. O discurso didático e o seu funcionamento: ressonância de vozes e formação discursivas. 156 páginas. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa) - PontifíciaUniversidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

HALLIDAY, M.A.K.;MARTIN,J.R. Writing science: literacy and discursive Power.London:The Falmer Press,1993.

KLEIMAN, A. R. B.. Os significados do letramento: prática social da escrita. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1995.

KLEIMAN, A. R. B.; MATENCIO, Maria de L. M (Org.) professores: práticas discursivas, representações e construção do Campinas, SP: Mercado de Letras, 2005.

uma nova perspectiva sobre a Letramento e formação de saber.

KLEIMAN, A. R. B.; MORAES, S. E. Agenda de pesquisa e ação em Linguística Aplicada: problematizações. In: MOITA LOPES, L. P. (Org.) Linguística Aplicada na modernidade recente. São Paulo: Parábola, 2013.

KLEIMAN, A. R. B.; Projetos dentro de projetos: ensino-aprendizagem da escrita na formação de professores de nível universitário e de outros agentes de letramento. SCRIPTA , Belho Horizonte, v. 13, n. 24, p. 17-30, 1° sem. 2009. Disponível em: < http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/4389/4544> Acesso em: 22 jun. 2016.

MARTINS, Isabel. Letramento científico: um diálogo entre educação em ciências e estudos do discurso. In:MARINHO,Marildes;GILCINEI,Teodoro Carvalho (org). Cultura escrita e letramento .Belo Horizonte:Editora UFMG,2010.

MATENCIO, M. de L. M. Estudos do letramento e formação de professores: retomadas, deslocamentos e impactos. Revista Calidoscópio , Vol. 7, n. 1, p. 5-10, jan/abr 2009. Disponível em: < http://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/4850> Acesso em: 05

jun. 2015.

MATENCIO, M. de L. M.. Gêneros na formação do professor: construção de saberes e representações em atividades interacionais . Estudos Linguísticos/Linguistic Studies , 3, Edições Colibri/CLUNL, Lisboa, 2009.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

MELO, L. C.; GONÇALVES, A. V.; SILVA,W.R. Escrita acadêmica na escrita reflexiva profissional: citações de literatura científica em relatórios de estágio supervisionado. Bakhtiniana Revista de Estudos do Discurso. São Paulo, v. 8, n. 1, p. 95119, 2013.

MORTIMER, E.F. Linguagem e formação de conceitos no ensino de ciências . Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000.

MORTIMER, Eduardo F.; VIEIRA, Ana Clara F. R.; ARAÚJO, Angélica Oliveira. Letramento científico em aulas de Química. In:MARINHO,Marildes;GILCINEI,Teodoro Carvalho (org). Cultura escrita e letramento .Belo Horizonte:Editora UFMG,2010.

SARGENTINI, Vanice Maria Oliveira;GÓIS, Marcos Lúcio. O ensino de português em cursos de exatas e biológicas: reflexões discursivas. In: CHIRALDELO, Claudete Moreno (org.). Língua Portuguesa no ensino superior: Experiências e Reflexões . São Carlos: Claraluz, 2006.p.23-40.

SOUZA, E. M. de F. Indagações acerca do enunciado concreto em Mikhail Bakhtin e o gênero do discurso aula. In SANTOS, E. (Org.). Transdiscursividades: linguagem, teorias e análises. Salvador, Ba: Edufba, 2012. .

SOUZA, M. G.; BASSETTO, L. M. T. Os processos de apropriação de gêneros acadêmicos(escritos) por graduandos em letras e as possíveis implicações para a formação de professores/pesquisadores. Revista Brasileira de Linguística Aplicada (RBLA) , Belo Horizonte, v. 14, n. 1, p. 83-110, 2014.

STREET, B.Eventos de letramento e práticas de letramento. In.: MAGALHÃES, I. (Org.). Discursos e práticas de letramento: pesquisa etnográfica e formação de professores .Campinas, SP: Mercado das Letras, 2012.

TFOUNI, L. V. T.; MONTE-SERRAT, D. M.; MARTHA, D. J. B. A abordagem histórica do letramento: ecos da memória na atualidade. SCRIPTA , Belo Horizonte, v. 17, n. 32, p. 23-48, 1º sem. 2013.

VILLANI, C. E. P. ; NASCIMENTO, S. S. . Argumentação e o ensino de ciências: uma atividade experimental no laboratório didático de física do ensino médio. Investigações em Ensino de Ciências (Online), Porto Alegre - RS, v. 8, n.3, p. 187209, 2003.

VÓVIO, C.; SITO, L.; DE GRANDE, P. Letramentos: rupturas, deslocamentos e repercussões de pesquisa em Linguística Aplicada. São Paulo: Mercado de Letras, 2010.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.