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OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS MAIS (PCN+) E AS PRÁTICAS DE LINGUAGEM NAS AULAS DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

Mariana Fernandes Dos Santos Ifba/Ufba, Jorge Ferreira Dantas Junior Ifba/Ufba, Flávio De Jesus Costa Ifba/Ufba

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Cultura, Linguagem E Cognição No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS MAIS (PCN+) E AS PRÁTICAS DE LINGUAGEM NAS AULAS DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

## Mariana Fernandes dos Santos 1 , Jorge Ferreira Dantas Junior , Flávio de Jesus 2 Costa 3

- 1 Universidade Federal da Bahia/Doutoranda em Ensino, Filosofia e História das Ciências/Docente IFBA, de Língua Portuguesa, Pesquisadora no Grupo de Pesquisa em Estudos Interdisciplinares em Cultura, Educação e Sociedade - GEICES-IFBA-Eunápolis, marianafernandes.ifba@gmail.com

## Resumo

As práticas textuais nas aulas da educação básica contribuem de maneira significativa na construção e promoção da aprendizagem dos estudantes, bem como do letramento escolar, tanto na área de linguagem, como em outras áreas do conhecimento. Isso tem possibilitado que as orientações educacionais oficiais vigentes repensem o trabalho pedagógico docente de outras áreas do conhecimento diferentes da linguagem, numa perspectiva que utilize de maneira mais efetiva as práticas textuais como forma de mediação da aprendizagem. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo investigar se os planos de estágio de Física no Ensino Médio contemplam as práticas de linguagem propostas pelo PCN+ de Física. Para realizar a investigação, utilizamos a análise documental de alguns planos de estágio de licenciandos em Física, da Universidade Federal da Bahia, produzidos no âmbito da disciplina Metodologia e Prática de Ensino de Física, comparando-os às orientações propostas no PCN+ Física. Tivemos como resultado que há certa preocupação dos licenciandos em Física, de incluir essas práticas de linguagem em suas aulas, porém, em alguns casos, ocorre de maneira equivocada não dando o foco adequado ao processo constitutivo de construção das diferentes formas textuais e de leituras, o que muitas vezes, acarreta a execução de atividades pouco produtivas, em outros casos, não há referência às práticas de linguagem nas aulas. Concluímos que há a necessidade de se contemplar na formação dos licenciandos em Física o estudo efetivo dos gêneros textuais/discursivos enquanto mediadores da práxis docente em sala de aula, para a promoção de propostas pedagógicas mais reflexivas, utilizando diversos contextos sociais de interação humana .

Palavras-chave : Prática textual, Ensino de Física, Ensino Médio, PCN+

## Introdução

Segundo Tavares e Silva (2012) pesquisas acadêmicas referentes às práticas de leituras e escritas em aulas de Língua Portuguesa, no campo de estudos aplicados da linguagem, têm apresentado resultados significativos, auxiliando muitos professores da educação básica a redefinir o trabalho com a escrita e a leitura em sala de aula. Porém, as discussões relacionadas à prática de linguagem em outras disciplinas escolares parecem não ter avançado de forma significativa. Quando

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tratamos da área de Física, pelas pesquisas que fizemos , essa realidade se 1 acentua.

Em relação ao ensino de Ciências, os estudos relacionados à área de linguagem, ocorrem por meio de documentos oficiais como os PCN+, OCEM e BNCC, mais especificamente. Ou por meio das literaturas: argumentação no Ensino de Ciências, (VIEIRA; NASCIMENTO, 2006, 2013), Ensino de ciências e o papel da linguagem (MORTIMER; VIEIRA; ARAÚJO, 2010), (ALMEIDA 2001), (CACHAPUZ 2005).

Nos trabalhos citados no parágrafo anterior vemos que o interesse dos estudos da linguagem na área de ciências está relacionado ao fato de a realidade dos currículos dos projetos pedagógicos praticados nas aulas de formação dos professores da área de ciências, apresentar um espaço pequeno para o exercício da leitura e da escrita textual, por conta do formalismo matemático em excesso que esses cursos possuem, dando foco maior à linguagem matemática. Em meio a isso, há a problemática da maneira como as disciplinas da área de linguagem são trabalhadas nesses cursos, que muitas vezes assumem uma função compensatória ou supletiva, visando reparar lacunas linguísticas e textuais da educação básica dos estudantes universitários.

Diante disso, a língua portuguesa no ensino superior, assim como na formação de professores da área de Ciências, perde seu foco formativo, deixando de contribuir de maneira significativa na escrita acadêmica, na apropriação do discurso científico, no letramento científico, na argumentação no ensino de ciências, em suma, no papel da linguagem para a promoção do ensino de ciências durante a formação docente e na futura atuação desse profissional na educação básica.

Para Sargentini e Gois (2006) o ensino de língua portuguesa nos cursos de ciências naturais, geralmente parte-se de dois princípios: o primeiro diz respeito ao fato de que a maioria dos estudos sobre o ensino de língua está centrada nas ciências humanas e em diversos campos de atuação, portanto, discutir ensino de língua fora dessas áreas não seria pertinente e o segundo, que decorre do primeiro, é o de que ainda impera uma visão estereotipada do que seja ensino de língua materna entre as pessoas que se dedicam às ciências exatas e biológicas, ou seja, a língua, tal qual um reagente qualquer, seria um mero instrumento de comunicação. Ademais, atribui-se a prática e ensino da escrita acadêmica e escolar apenas às disciplinas da área de linguagem, mesmo sendo o texto um recurso de mediação em todas as disciplinas do percurso formativo.

Essa realidade reflete muitas vezes na práxis docente dos professores de maneira que

na prática é comum a resolução de problemas utilizando expressões matemáticas dos princípios físicos, sem argumentos que as relacionem aos fenômenos físicos e ao modelo utilizado. Isso se deve em parte ao fato (...) de que esses problemas são de tal modo idealizados, que podem ser resolvidos com a mera aplicação de fórmulas, bastando o aluno saber qual

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expressão usar e substituir os dados presentes no enunciado do problema. Essas práticas não asseguram a competência investigativa, visto que não promovem a reflexão e a construção do conhecimento. Ou seja, dessa forma ensina-se mal e aprende- se pior (OCEM2, 2008, p. 54).

Diante do exposto, compreendendo que o estudo proposto aqui possa fortalecer o letramento escolar no ensino médio, este trabalho justifica o interesse em analisar alguns planos de estágio curricular para o Ensino Médio, da licenciatura em Física, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), produzidos no estágio de regência, na disciplina Metodologia e Prática de Ensino de Física, no sentido de investigar se esses planos contemplam a prática de linguagem proposta pelos PCN+ para a aprendizagem em Física no Ensino Médio 2 1

## Ensino de Física e Práticas de linguagem no Ensino Médio

Segundo Villani; Nascimento (2003) o conhecimento científico é constituído por leis, conceitos, teorias e princípios científicos, na forma de uma grande estrutura. Dessa maneira, a ciência não é composta apenas por palavras com significados específicos, mas sim uma linguagem própria, capaz de tornar possível o seu aprendizado e principalmente o seu desenvolvimento.

Nesse cenário, a linguagem constitui-se como um objeto do processo de aprendizagem de ciências, ao mesmo tempo que se configura como um instrumento de mediação do seu processo de ensino. Para Mortimer (2000) um dos focos a ser privilegiado é o papel da linguagem e da dinâmica das interações sociais nessa elaboração conceitual em ensino de ciências na atualidade.

De acordo com as teorias bakhtinianas (BAKHTIN, 2003), a interação humana ocorre em todas as esferas da sociedade, e cada esfera organiza-se por meio predominantemente de determinados gêneros. Considerando os estudos enunciativo-discursivos sobre gêneros, Bakhtin (2003, p. 279) afirma que os gêneros discursivos são construídos em diferentes esferas de utilização da língua, como na igreja, escola, lar, trabalho e no comércio. Ou seja, nas diferentes esferas da interação humana, os gêneros funcionam como mediadores das relações discursivas.

Entendemos que a noção de gêneros discursivos/textuais está diretamente relacionada à noção de letramento, tomando como referência Soares (2006) que afirma que o letramento é o estado ou condição de quem não só apenas sabe ler e escrever, mas que se apropriou da leitura e da escrita incorporando as práticas sociais que as demandam.

Essas afirmações teóricas fundamentam muitas das postulações contidas nas Orientações Curriculares Nacionais Oficiais para o Ensino Médio:

Cabe ao componente curricular Língua Portuguesa, em articulação com os demais componentes curriculares da Educação Básica, proporcionar aos/as estudantes experiências que ampliem possibilidades de ações de linguagem que contribuam para seu desenvolvimento discursivo. Assim, ao mesmo tempo em que se pretende que crianças, jovens e adultos aprendam a ler e a escutar, construindo sentidos coerentes para textos de diferentes gêneros orais, escritos e multimodais, a escrever e a falar, produzindo textos adequados a situações de interação diversas, também se espera que possam se apropriar, por meio da leitura, da escrita, da fala e da escuta, de conhecimentos relevantes para a vida. As Diretrizes Curriculares Nacionais

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Gerais da Educação Básica apontam a Língua Portuguesa como componente transdisciplinar, ao afirmar que 'o conhecimento próprio da disciplina[...] esta para além dela' (BRASIL, 2013, p. 28). Através da linguagem - capacidade humana realizada sob a forma de signos verbais, gestuais, imagéticos, dentre outros - os sujeitos se constituem, constroem identidades, produzem conhecimento e agem de forma critica no mundo (BNCC -LÍNGUA POTUGUESA,2016).

Para permitir um trabalho mais integrado entre todas as áreas de Ciências da Natureza, e destas com Linguagens e Códigos e Ciências Humanas, as competências em Física foram já organizadas nos PCNEM de forma a explicitar os vínculos com essas outras áreas. Assim, há competências relacionadas principalmente com a investigação e compreensão dos fenômenos físicos, enquanto há outras que dizem respeito à utilização da linguagem física e de sua comunicação, ou, finalmente, que tenham a ver com sua contextualização histórico e social (PCN+ Física, 2000). PÚBLICA

No quadro a seguir exporemos o que dizem os PCN+ FÍSICA, 2000, sobre as competências relacionadas à prática de linguagem para as aulas de Física no Ensino Médio:

Quadro 1- competências relacionadas à prática de linguagem para as aulas de Física no Ensino Médio

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## Aspectos metodológicos/análise e discussão de resultados

Fizemos um estudo documental identificando as competências relacionadas às práticas de linguagem para o Ensino de Física, segundo o PCN+ Física (Quadro 1), em sequência, realizamos uma análise comparativa entre o que dizem os PCN+ Física e a atividades propostas nos planos de estágio dos licenciandos em Física da UFBA, em relação às práticas de linguagem. Escolhemos trabalhar com os PCN+, porque entre os documentos de orientações curriculares nacionais oficiais que existem no Brasil, ele se apresenta de maneira mais clara no que tange a questão da linguagem para o ensino de Física no Ensino Médio. A escolha metodológica se deu pelo fato de o documento analisado (PCN+), ser um tipo de referencial curricular oficial para a prática docente, bem como pelo motivo de os planos de estágio estudados, representarem o processo e resultados da ação docente em formação.

Analisamos seis planos de estágio construídos entre os anos de 2012 e 2014. Ratificamos que fizemos uma análise comparativa focada nas competências e habilidades gerais tratadas nos PCN+, referentes à área de linguagem nos planos de estágio.

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Os planos analisados descrevem o quantitativo de vinte aulas ministradas. Identificamos os autores dos relatórios, pelo código alfanumérico: P1, P2, P3, P4, P5 e P6, sendo P = relatório de estágio.

No plano de estágio 1 P1 , o autor apresenta a mesma metodologia para as 20 aulas descritas com duração de 50 minutos cada aula. Em P1 estão propostos 10 minutos para apresentação do tema; 30 minutos para discussões, explanação teórica e desenvolvimento de atividades propostas, sendo que as dúvidas, serão sanadas no decorrer das aulas. O autor informa que as aulas serão dialógicas buscando formar um encadeamento de ideias junto com os alunos. No que concerne à avaliação, o estagiário informa que foi aplicado um teste no valor de 3,0 pontos, em que constaram assuntos trabalhados até o momento; uma prova no valor de 5,0 pontos, em que constaram os assuntos trabalhados durante a unidade; uma avaliação comportamental no valor de 2,0 pontos, quando foi avaliada a participação em sala de aula e frequência dos alunos. Na descrição das aulas em P1, vemos a sinalização de teste de sondagem e exercícios em dupla ou individual.

Como podemos observar em P1, não há nenhuma referência à leitura ou produção de textos. Podemos supor que quando ele afirma que 'as aulas serão dialógicas, buscando formar um encadeamento de ideias junto com os alunos', é possível que nesse momento se valorize a prática da oralidade e argumentação dos estudantes que pressupõe 'analisar, argumentar e posicionar-se criticamente em relação a temas de ciência e tecnologia' (PCN+ FÍSICA, 2002, p. 64).

Em P2 - temos na metodologia o objetivo de trabalhar os conteúdos por meio de situações problemas, tendo como avaliação, um questionário teórico de sondagem, um relatório de experimento e uma avaliação formal. Em uma das aulas, o autor propõe uma exibição de vídeos. Na aula 10, o autor faz referência a uma análise de relatório já impresso, mas não sinaliza quando e como ele foi escrito. Na aula 13, temos a montagem de experimento pelos alunos para posterior montagem de um roteiro. Na aula 15 está proposta a leitura de charges que falam sobre a hipotética história da descoberta do empuxo por Arquimedes. Na aula 16 a metodologia fala sobre a atividade de encontrar a equação de empuxo, mas não informa como. Na aula 17, o autor propõe uma discussão sobre o tema e aplicação de exercícios. A avaliação discursiva foi aplicada segundo P2, na aula 18.

Em P2 temos a referência a situações problemas e discussão sobre conteúdos trabalhados que contemplam a discussão e argumentação de temas de interesse da ciência e tecnologia como orienta os PCN+ de Física. Além disso, há a atividade proposta de leitura de Charges e visualização de vídeos que contempla a competência de ler, articular e interpretar símbolos e códigos em diferentes linguagens e representações, segundo os PCN+ Física. São propostos dois gêneros textuais/discursivos, porém, não há explicação de como o relatório e o roteiro foram produzidos e explorados. Ressaltamos o termo montagem de roteiro ao invés de escrita do roteiro que o autor utiliza, que podemos explicar que isso esteja relacionado ao desconhecimento das discussões sobre gênero textual e discursivo na prática escolar. Outra escrita que nos chamou atenção foi a denominação da avaliação discursiva como avaliação formal, o que nos leva a refletir que para o estagiário, outras avaliações além da prova, não são consideradas formal. Isso demonstra uma visão pautada numa concepção de avaliação tradicional e não dialógica. Apesar de usar o termo 'discursiva' não podemos afirmar que este instrumento teve estrutura discursiva.

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Em P3 é proposto como instrumento de avaliação, duas provas, um trabalho escrito e um seminário. Na maioria das aulas são sinalizados momentos de discussão e um momento de levantamento de hipótese. O autor utiliza-se do gênero textual oral seminário, contemplando a 'utilização na forma oral, de códigos, símbolos e nomenclatura da linguagem científica' (PCN+- FÍSICA), por meio dos conteúdos abordados na apresentação oral dos alunos. Os momentos de discussão e levantamento de hipótese vão ao encontro da competência de análise e interpretação de textos e outras comunicações de ciência e tecnologia e ainda de análise, argumentação e posicionamento crítico em relação a temas de ciência e tecnologia, segundo os (PCN+, FÍSICA).

P4 traz a proposta de uma estágio pautado na problematização, aulas dialógicas e momentos de discussão de conteúdos. Há uma referência à produção do gênero textual relato, que pelas informações, será na modalidade oral. São propostas listas de exercícios para abordagem dos conteúdos trabalhados. Apesar de propor atividades reflexivas, o plano de estágio apresenta a lista de exercício que pelo que observamos é um instrumento muito comum nas aulas de Física e que nem sempre contribui para o desenvolvimento da competência comunicativa dos estudantes.

Em P5 temos a proposta de um teste de sondagem, leitura de textos, uma avaliação escrita individual, e resolução de exercícios. Chamamos a atenção que diferente dos outros planos, este aborda no teste de sondagem a preocupação em relação às dificuldades relacionadas à leitura, interpretação e escrita textos, propondo momentos de leitura e escrita discursivos na tentativa de contribuir com a minimização do problema. Algumas questões propostas na avaliação escrita, podemos dizer que possuem o caráter reflexivo nos enunciados, possibilitando aos alunos a discussão e argumentação de temas. Foi disponibilizada uma apostila para os alunos, que se configura como uma cópia de algum material didático, não sendo talvez pelo fato de os alunos não possuírem outro material didático de mesmo suporte textual.

No plano de estágio P6 temos uma proposta construída por meio de situações-problemas cotidianas, leitura de textos e tabelas, escrita de resumo, pesquisa em fontes digitais e impressas, visualização de vídeos, atividades individuais e em grupo, debates e discussão, resolução de exercícios, uso do suporte textual livro didático, uma avaliação individual em formato de prova e um teste de sondagem. Podemos afirmar que este plano consegue contemplar melhor em relação aos outros analisados até aqui, as orientações contidas nos PCN+ , nos aspecto da leitura, escrita, interpretação e argumentação de diferentes textos. Ressaltamos que no texto do plano houve a preocupação em escrever uma seção sobre o que dizem os PCN em relação ao Ensino de Física no que concerne às práticas de linguagem.

Finalizadas as análises, contatamos que nos PCN+ de Física, 2000, é orientado um trabalho didático pautado nas práticas de leitura, escrita, interpretação, argumentação entre outros aspectos que podem ser efetivados por meio de diversos gêneros textuais/discursivos orais e escritos, para a promoção da aprendizagem dos estudantes. A proposta visa estimular a pesquisa e a investigação dos alunos, por meio de práticas sociais de linguagem nas aulas de Física. Diante da análise comparativa que fizemos, alguns licenciandos da UFBA se preocupam com as práticas de linguagem, mesmo sem citar as orientações curriculares oficiais da área

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de Física que defendem essa prática curricular, outros, não fazem referência alguma ao papel da linguagem em suas aulas. Dos que citam teoricamente ou na metodologia de aula, ocorre uma superficialidade que atribuímos ao não conhecimento teórico e prático do papel da linguagem para a promoção do conhecimento linguístico, discursivo e argumentativo no ensino de Física.

## Considerações finais

Concluímos por meio da análise que há certa preocupação dos licenciados em incluir as práticas linguagem em suas aulas, porém, em alguns casos, ocorre de maneira equivocada não dando o foco adequado ao processo constitutivo de construção textual, o que, muitas vezes, acarreta a execução de atividades pouco produtivas. Dessa forma, afirmamos que os licenciandos em formação em Física da UFBA precisam conhecer melhor os gêneros textuais/discursivos mediadores da práxis pedagógica docente em sala de aula, para a promoção de aulas mais reflexivas utilizando diversos contextos sociais de interação humana.

## Referências

ALMEIDA, M.J.P.M.; SILVA, H.C. ;MACHADO;J.L.M.. Condições de produção no funcionamento da leitura na educação em física. Rev Bras. Pesq. Ed. Em Ciências, v.1, n.1, p.5-17, 2001.

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BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. PCN +: Ensino Médio - Linguagens e suas Tecnologias - Língua Portuguesa. Brasília: MEC, 2002.

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio - Ciências da Natureza , Matemática e suas Tecnologias - Conhecimentos de Física. Brasília: MEC, 2008.

BAKHTIN, M.M. Estética da criação verbal .Tradução de Paulo Bezerra.São Paulo:Martins Fontes, 2003.

SARGENTINI, Vanice Maria Oliveira;GÓIS, Marcos Lúcio. O ensino de português em cursos de exatas e biológicas: reflexões discursivas. In: CHIRALDELO, Claudete Moreno (org.). Língua Portuguesa no ensino superior: Experiências e Reflexões . São Carlos: Claraluz, 2006.p.23-40.

SOARES, M. Letramento : um tema em três gêneros. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica , 2006.

TAVARES, E ; SILVA, W. R. Práticas de escrita escolar nos estágios supervisionados das licenciaturas em geografia, história e matemática. In: SILVA, W.R. (Org.). Letramento do professor em formação inicial interdisciplinaridade no estágio supervisionado da licenciatura Campinas: Pontes Editores, 2012.

VILLANI, C. E. P. ; NASCIMENTO, S. S. . Argumentação e o ensino de ciências: uma atividade experimental no laboratório didático de física do ensino médio. Investigações em Ensino de Ciências (Online), Porto Alegre - RS, v. 8, n.3, p. 187209, 2003.

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