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A ELABORAÇÃO DE UMA WEBQUEST COMO INTERFACE DIDÁTICA - UM RELATO DE EXPERIÊNCIA PARA O ENSINO DE FÍSICA

Patrícia Gomes De Souza Freitas, Caroline Prado Brignoni, Thiago Batista Assis, Marta João Francisco Silva Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Tecnologia Da Informação E Comunicação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A ELABORAÇÃO DE UMA WEBQUEST COMO INTERFACE DIDÁTICA - UM RELATO DE EXPERIÊNCIA PARA O ENSINO DE FÍSICA

## Patrícia Gomes de Souza Freitas 1 , Caroline Prado Brignoni , Thiago Batista 2 Assis 3 , Marta João Francisco Silva Souza 4

- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Câmpus Jataí/Bolsista FAPEG, casa.21@terra.com.br
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Câmpus Jataí/Bolsista FAPEG, carol15.19@gmail.com

## Resumo

Esse estudo objetivou elaborar e testar uso da WebQuest (WQ) como recurso didático no ensino de Física. A WQ elaborada aborda o tema da produção e consumo de energia elétrica e tem como objetivo levar os alunos a pensar de forma crítica sobre as vantagens e desvantagens de cada forma de produção de energia, ponderando também, sobre o consumo energético de suas residências e de seu município. A proposta da WQ é fazer com que os alunos se tornem mais ativos na busca pelo conhecimento e utilizem a internet de forma direcionada, e propiciar tanto ao professor ao construir seu próprio material, quanto ao aluno, novas oportunidades de aprendizagem. O recurso elaborado foi aplicado em uma turma de 3ª série do ensino médio de uma escola pública em Jataí - Goiás, em quatro encontros de uma hora e meia cada, e tem como tarefa a realização de uma simulação de audiência pública na qual os alunos, separados em dois grupos, devem defender uma forma de produção de energia. Ressalta-se que a utilização da WQ foi capaz de promover a aprendizagem colaborativa e a participação ativa dos alunos. Na simulação de audiência pública foi notável o desenvolvimento dos alunos acerca do conteúdo estudado, destacado pelo uso de vocabulário científico e pela apresentação de ideias novas em relação ao primeiro encontro.

Palavras-chave : WebQuest, Ensino de Física, TIC, Aprendizagem Colaborativa, Energia.

## Introdução

O ensino de Física tem ganhado novos olhares e, de forma recorrente, se tem questionado sobre a maneira como essa ciência vem sendo abordada nos ambientes formais de ensino. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), o ensino de Física não deve se pautar na seleção de novas listas de conteúdo, mas sim, na promoção de um conhecimento contextualizado, '[...] levando-se em conta o momento de transformações em que vivemos, promover a autonomia para aprender deve ser preocupação central, uma vez que, o saber de futuras profissões pode ainda estar em gestação [...]' (BRASIL, 2000, p.23). Sob essa ótica, o ensino não pode ser baseado em situações isoladas que exijam

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23 a 27 de janeiro de 2017

apenas a memorização e a aplicação do conceito, é preciso ensinar o aluno a aprender e a buscar conhecimentos de forma independente.

As crianças e os jovens desse início de século XXI vivem em uma sociedade acelerada tecnologicamente, e em geral são muito receptivos a estas inovações. Gouvea (2006) afirma que se deve aproveitar o ambiente informatizado e o gosto dos alunos por tecnologia para promover sua autonomia na busca do conhecimento. Segundo a autora, se o objetivo é que os estudantes aprendam a buscar o conhecimento de forma independente, o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) pode propiciar ricas experiências.

Com a popularização da internet , o acesso à informação foi massificado. Entretanto, informação não é o mesmo que conhecimento, pois conforme esclarece Fukuda (2004), conhecer implica na integração com a informação, apropriando-se dela e tornando-a significativa. Assim, para que as informações disponibilizadas na internet se tornem conhecimento, é essencial o papel do professor como seletor do conteúdo e organizador das atividades de ensino.

Uma maneira de se possibilitar que as informações disponibilizadas na web propiciem a construção de conhecimentos é a utilização da WebQuest (WQ). Segundo Fukuda (2004), a WQ é uma técnica para usar a internet na escola fazendo um trabalho de cooperação e de uso da informação, ou seja, '[...] um convite ao mundo com sua riqueza de informações para que ele venha até a classe, num contexto de conhecimento e relação cooperativa entre os alunos.' (FUKUDA, 2004, p.6). Esse recurso tem se popularizado entre os educadores por ser uma forma de incentivar o trabalho em grupo e de direcionar a pesquisa na web , pois a WQ indica as fontes onde devem ser realizadas as consultas, minimizando as chances de dispersão por parte dos alunos e oferecendo alternativas para o problema de informações erradas, uma vez que todo o conteúdo disponibilizado passa antes pelo crivo do professor.

Na perspectiva de usar a pesquisa direcionada na web foi elaborada e testada uma WQ intitulada 'Da produção ao consumo de energia elétrica ', cujo 1 assunto são as fontes de produção de energia (em específico, hidrelétrica e fotovoltaica). A proposta, desenvolvida no primeiro semestre de 2016, surgiu como uma atividade complementar da disciplina de Análise e Desenvolvimento de Recursos Didáticos para o Ensino de Ciências e Matemática do programa de Mestrado Profissional em Educação para Ciências e Matemática do Instituto Federal de Goiás - Câmpus Jataí. Neste trabalho apresentamos a WQ desenvolvida e relatamos sua aplicação em uma turma de 3ª série do Ensino Médio de uma escola pública do município de Jataí.

## O que é uma WebQuest?

Coll et. al (2010) entendem como sendo '[...] um novo paradigma que modifica as práticas sociais e educacionais [...]', destacando a dinamicidade e a velocidade proporcionada aos processos de ensino, na transmissão e renovação de informações, além da sintetização das dimensões de espaço tempo e transmissão cultural. Ademais, os autores ressaltam o possível impacto que essas tecnologias

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imprimem ao desenvolvimento do homem, quer pela manipulação constante dessas ferramentas, quer pelas suas potencialidades de uso, sobretudo no meio escolar.

A WQ é uma proposta de uso das TIC em ambientes de ensino. Criada em 1995 pelos educadores Bernie Dodge e Thomas March, professores da San Diego State University , nos Estados Unidos, é definida como sendo uma pesquisa direcionada na internet , configurando-se como uma proposta de atividades, estruturada e orientada pelo professor que visa promover a aprendizagem colaborativa (ALEIXO, LEÃO E SOUZA, 2008). Para Costa (2008, p. 40), 'A Webquest é uma atividade didática que propõe uma tarefa atraente e exequível e um processo para cumpri-la durante o qual os alunos realizam algo com a informação, usando pensamentos de nível avançado'. De acordo com Silva (2014), a WQ pode ser classificada segundo sua duração: curta ou longa. Uma WQ curta, realizada em até três aulas, objetiva o contato do aluno com uma grande quantidade de informações, para integrá-las e assim, compreendê-las, ao passo que uma WQ longa - com duração de uma a quatro semanas - objetiva explorar mais o conteúdo estudado a partir de uma maior interação com as informações.

Fukuda (2004) aponta os sete elementos fundamentais que devem compor uma WQ: 1) Introdução, onde são apresentadas as informações básicas e o objetivo (deve ser um elemento motivador para que o aluno deseje realizar a tarefa); 2) Tarefa, que descreve o que os alunos devem produzir (precisa ser criativo, desafiador e possível de ser executado); 3) Processo, que consiste numa trajetória bem orientada pelo professor para o aluno, a fim de concretizar a tarefa; 4) Recursos, são os links , textos e fontes que são disponibilizados para que os alunos devem utilizar para a realização da tarefa; 5) Avaliação, que explica quais os critérios utilizados na avaliação do trabalho; 6) Conclusão é a finalização da WQ; apresenta o resumo das atividades e as propostas de análise do aprendizado; 7) Créditos, que denota as fontes de todos os materiais utilizados e os autores da WQ.

Ao elaborar uma WQ é de fundamental importância que se procure desenvolver uma ferramenta didática que seja, além de desejável e atraente, eficiente para a aprendizagem dos alunos, pois conforme alertam Aleixo, Leão e Souza (2008, p. 120),

[...] a WebQuest tornou-se uma maneira muito conhecida para guiar a utilização dos recursos da Web para o ensino e aprendizagem através de pesquisas. Porém, apesar de ser uma estratégia que possibilita ao educando novas formas de construir o conhecimento, cabe ao professor saber prepará-las dentro de uma perspectiva baseada na teoria construtivista do conhecimento, para não cairmos, unicamente, na sofisticação de velhas práticas tradicionais de ensino.

Por fim, Santos (2014) alerta que, para além dos aspectos pedagógicos e técnicos, na elaboração de uma WQ é importante considerar os aspectos visuais, a acessibilidade digital, o ambiente interativo, a facilidade de manipulação e a clareza na comunicação das ideias apresentadas, pois uma interface interessante, bem planejada e com um bom visual, faz com que os alunos se envolvam de forma mais efetiva na atividade.

## A WebQuest 'Da produção ao consumo de energia elétrica'

A WQ descrita neste trabalho foi elaborada para ser utilizada como ferramenta didática nas aulas de Física da 3ª série do Ensino Médio das escolas da

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rede estadual da cidade de Jataí-GO. O tema escolhido foi a produção e o consumo da energia elétrica, conteúdo da disciplina de Física da referida série, previsto na matriz curricular da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esportes do Estado de Goiás (SEDUCE-GO). Assim, a WQ intitulada 'Da produção ao consumo de energia elétrica' foi construída com o objetivo de possibilitar aos alunos a compreensão de como as usinas hidrelétricas e fotovoltaicas operam para a obtenção da energia elétrica e estimulá-los a pensar de forma crítica sobre as vantagens e desvantagens de cada forma de produção de energia, ponderando para mais, sobre o consumo energético de suas residências e de seu município.

A WQ 'Da produção ao consumo de energia elétrica' encontra-se disponível no endereço eletrônico <http://webquestenergiaifg.wixsite.com/webquestenergia> com acesso por qualquer navegador de internet , inclusive com versão para dispositivos móveis. A plataforma escolhida para hospedar a WQ foi a Wix , desenvolvida pela empresa Wix.com , um recurso online gratuito que permite criar e gerenciar sites em linguagem de programação HTML5 , conforme informado pelo próprio site . O recurso oferece satisfatórias opções de formatação, disponibilização de conteúdo e possibilita a autonomia do usuário. Para ilustração da WQ, foram utilizadas fotos que relacionam o uso da energia e a cidade de Jataí. Além das etapas que compõem uma WQ (apresentadas na seção anterior) foram acrescentados: o menu Home , usado para a apresentação do site e recurso visual (configura-se como uma interface de entrada, destacando a cidade de Jataí) e o menu Sobre , destinado aos professores, apresentando o objetivo da WQ e o cronograma das aulas.

A Introdução foi elaborada com o intuito de conduzir os alunos à reflexão sobre a importância da energia elétrica e o quão desafiante seria para a humanidade sobreviver sem esse recurso, buscando despertar o interesse e a curiosidade pelo assunto, conforme orientam Aleixo, Leão e Souza (2008).

A Tarefa consiste na comparação entre a produção de energia fotovoltaica e hidrelétrica, observando-se o investimento financeiro inicial, os impactos ambientais, a contribuição para o efeito estufa e a viabilidade técnica. Mediante a compreensão desses aspectos, e considerando o consumo médio de energia elétrica da cidade de Jataí - GO, os alunos devem elaborar uma proposta de suprimento energético dessa demanda, tendo como opções a implantação de usinas de energia hidrelétrica ou fotovoltaica e defender essa proposta em uma simulação de audiência pública. Para melhor compreensão da Tarefa , o Processo foi dividido em cinco etapas: I) pesquisa e levantamento de dados; II) divisão dos grupos; III) cálculo do consumo médio de energia da nossa cidade, IV) produção da defesa e libelo de contestação 2 e V) realização de uma simulação de audiência pública.

Todas as informações para a consulta e a execução da Tarefa foram disponibilizadas de forma clara e objetiva no item Recursos . No menu Avaliação estão elencados o que será avaliado: texto produzido para a defesa e libelo de contestação; a participação do aluno nas discussões e contribuições dos convidados

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da banca convidada para a simulação da audiência pública. Por fim, na Conclusão são apresentadas as expectativas dos autores em relação à WQ, que são: desenvolver o pensamento crítico nos participantes, promover a reflexão sobre as fontes de produção de energia, reconhecendo suas diversidades, custos, vantagens e limitações; compreender que qualquer forma de produção de energia provoca impactos ambientais; e refletir sobre o uso consciente da energia elétrica.

## A WQ na sala de aula

A WQ foi testada em uma turma da 3ª série do Ensino Médio do turno matutino de uma escola pública da cidade de Jataí, convidada a participar da proposta. A escolha se deu pelo fato de dois integrantes do grupo (autores da WQ) trabalharem na escola, sendo que um deles é o professor da turma, facilitando assim a comunicação e o entrosamento com os alunos participantes.

As atividades da WQ ocorreram em quatro encontros de uma hora e meia cada, no turno vespertino. Os três primeiros encontros aconteceram no laboratório de informática e o último em uma sala de aula. Iniciou-se o primeiro encontro, do qual participaram 27 alunos, com questionamentos sobre as diferentes fontes geradoras de energia elétrica. Constatou-se que a maior parte dos alunos não conhecia a geração de energia por uma usina fotovoltaica e a maioria apresentava concepções superficiais do que era uma fonte geradora de energia e não sabia apontar vantagens e desvantagens de nenhum tipo de usina, nem mesmo das hidrelétricas. A seguir, os alunos navegaram pela WQ, leram a Introdução , a Tarefa e executaram a Etapa 1 do Processo , que consiste em assistir dois vídeos que tratam da produção de energia em usinas hidrelétricas e fotovoltaicas . Depois, 3 4 foram divididos em dois grupos ( Etapa 2 ) e no final do encontro, cada aluno recebeu uma tabela, que deveria trazer preenchida no próximo encontro, contendo o nome e a quantidade dos aparelhos elétricos que possui em casa, bem como, a potência média, o tempo de consumo diário, e a estimativa de uso mensal de cada aparelho.

No segundo encontro compareceram 21 alunos, que, divididos em dois grupos, passaram a executar a Etapa 3 do Processo (determinar o consumo médio de energia de uma residência). Para isso compararam as tabelas que preencheram em casa, a fim de estimar um perfil de consumo de uma casa com quatro moradores e os principais eletrodomésticos. A partir daí, utilizando esse perfil como padrão, estimaram o consumo mensal médio de energia para a cidade de Jataí usando dados disponibilizados no item Recursos da WQ. Para essa atividade foram dedicados cerca de cinquenta minutos. A seguir, sorteou-se as fontes de produção de energia elétrica entre os dois grupos: o Grupo H, com dez alunos, ficou responsável pela geração Hidrelétrica e o Grupo F, com onze alunos, pela geração fotovoltaica. Durante aproximadamente meia hora destinadas à exploração dos recursos disponíveis, os alunos acessaram os links em Recursos que reúnem as informações sobre cada uma das fontes de produção de energia abordadas. Por fim, foram orientados sobre o texto que deveriam produzir no próximo encontro e como seria realizada a atividade de encerramento (simulação de uma audiência pública).

Apenas treze alunos participaram do terceiro encontro, no qual foi realizada a produção textual, correspondente à Etapa 4 do Processo . O número reduzido de participantes nesse encontro se deve ao fato da resistência por parte de alguns

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alunos em redigir textos, porém, apesar dessa resistência, vale ressaltar que no último encontro, os alunos que faltosos participaram ativamente do debate. Os alunos se mostraram muito empenhados mesmo estando em menor número. Os grupos se subdividiram de forma que parte dos alunos ficou encarregada de defender a sua forma de energia e a outra parte se dedicou a apontar as desvantagens da forma de produção de energia do outro grupo. Foi possível notar que, além das ferramentas disponibilizadas, os alunos pesquisaram também em outros sites , buscando informações complementares. Cerca de trinta minutos antes do final do encontro, cada grupo fez uma roda de conversa e relatou a um dos professores os argumentos que pretendia usar no dia da audiência pública. Em seguida, os professores explicaram como seriam as regras da audiência pública que seria simulada no próximo encontro.

O último encontro contou com a presença de 21 alunos e de uma banca composta por três convidados para avaliar a simulação de audiência pública. Foram chamados representantes de áreas envolvidas com o assunto tratado: o presidente da Associação Comercial e Industrial de Jataí (ACIJ), representando a sociedade civil organizada; um engenheiro eletricista, como representante da área técnica e um advogado e professor de Direito Ambiental, representando a atuação do poder judiciário. (Vale ressaltar que todos receberam previamente o link da WQ e afirmaram ter acessado a ferramenta para tomar conhecimento da proposta.). Cada grupo tinha dez minutos para defender sua forma de produção de energia e dez minutos para apontar as desvantagens da forma de produção de energia apresentada pelo outro grupo. Depois, mais cinco minutos para o direito de resposta, com a réplica e a tréplica. O Grupo F, após sorteio, fez sua exposição, mas apenas três, dos dez integrantes falaram. O Grupo H se mostrou mais fundamentado, apontando maior número de vantagens de sua forma de produção de energia. Observou-se que os dois grupos se mostraram mais bem fundamentados quando apontaram as desvantagens da forma de produção de energia de seu oponente. Ao término da fala dos grupos, os convidados se manifestaram. Todos eles, elogiaram a atuação dos participantes e a riqueza de informações levantadas no debate. O presidente da ACIJ ponderou que, apesar do Grupo H estar mais bem fundamentado, não via formas de prevalecer em nossa cidade apenas uma forma de produção de energia elétrica, e que as duas deveriam coexistir; o engenheiro eletricista observou que os alunos demonstraram mais argumentos sobre a forma de produção de energia que tinham que criticar do que a que tinham que defender e concordou que o Grupo H se mostrou melhor embasado; o representante do judiciário concordou com a fala do engenheiro e comentou sobre a importância do engajamento deles no debate sobre o assunto, reforçando que a participação da sociedade em decisões que envolvem o meio ambiente é fundamental. Por fim, a banca definiu que, apesar do Grupo H utilizar argumentos mais embasados teoricamente, não houve uma proposta 'ganhadora', pois as duas formas de produção de energia devem coexistir.

A figura 1 mostra algumas imagens que ilustram a aplicação da proposta, 5 nos diferentes encontros.

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Figura 1 : Alunos realizando as atividades da WQ

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## Considerações finais

Conforme observou-se no decorrer do desenvolvimento da proposta, a WQ configurou-se como um recurso capaz de orientar os alunos em suas buscas na internet , promovendo condições para que ocorra uma aprendizagem colaborativa, onde todo o processo é centrado no aluno.

Os recursos tecnológicos são aliados nas salas de aula, cabendo ao professor direcionar o uso de forma produtiva. Ao elaborar a WQ tomou-se o cuidado de pensar em atividades que criassem um cenário que envolvesse o aluno na execução da tarefa. Foi criado um contexto no qual os alunos pudessem se imaginar como advogados de defesa e promotores dos dois tipos de produção de energia, e no momento da realização da audiência foi possível observar que eles se sentiram nesse papel, defendendo de argumentativa e tecnicamente uma das formas de produção de energia.

Outro ponto positivo da WQ é que o professor é autor do seu material de trabalho. Silva (2014) aponta para a existência de certa dificuldade, e até mesmo resistência, por parte dos professores em produzir o seu próprio material. Entretanto, quando o professor é autor de seu próprio recurso didático, ele assume postura diferente daquela, tradicionalmente, adotada. De simples usuário de materiais elaborados por especialistas, produz um material condizente com a própria realidade e a de seus alunos, obtendo assim maior atenção, uma vez que, pesquisar uma situação que está relacionada ao seu contexto, transmite uma proximidade de realidade que torna o estudo mais interessante.

Analisando o desenvolvimento das atividades da WQ, verificou-se que de início os alunos não se mostraram animados com a proposta, avaliando o processo como longo e trabalhoso. Entretanto, conforme foram lendo as etapas da WQ foram se familiarizando com a tarefa, e nos encontros seguintes, demonstraram empenho e entusiasmo ao realizarem as atividades propostas. Pode-se afirmar, com base nas observações realizadas, que houve uma colaboração entre os estudantes e que isso permitiu o aprimoramento do conhecimento. Na realização da simulação de audiência pública os alunos apresentaram vocabulário e argumentos muito diferentes dos utilizados nos encontros anteriores, o que mostrou que os mesmos avançaram nos conhecimentos que obtinham.

A elaboração e a aplicação da WQ 'Da produção ao consumo de energia elétrica', se constituiu em uma rica experiência, tanto para os alunos, quanto para os autores da proposta, que puderam vivenciar a dificuldade de se construir um recurso que engajasse os alunos na execução da tarefa e que não fosse somente mais uma ferramenta para sofisticar as práticas pedagógicas tradicionais. Elaborar uma WQ

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não é um trabalho fácil. É necessário domínio das ferramentas tecnológicas e demanda muito tempo. Porém, é possível atingir resultados satisfatórios com o recurso. Isso não significa que a WQ seja a panacéia do ensino de Física, mas que ela é uma ferramenta capaz de fazer com que os alunos se tornem ativos na produção de seu próprio conhecimento e reforça a ideia de que uma proposta elaborada com base no recurso WQ permite a integração eficaz das TIC ao ensino de Física.

## Referências

ALEIXO, A. A.; LEÃO, M. B. C.; SOUZA, F. N. FlexQuest: potencializando a webquest no ensino de química. Faced, Salvador, n. 14, p.119-133, jul. /dez. 2008.

BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM). Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Secretaria de Educação Média e Tecnologia, Ministério da Educação. Brasília, 2000.

COLL, C.; MAURI, T.; ONRUBIA, J. A incorporação das tecnologias da informação e comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, César; MONEREO, Carles. Psicologia da Educação Virtual : aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010. Cap. 3, p. 66-96.

COSTA, I. M. S. A WebQuest na aula de matemática : um estudo de caso com alunos do 10º ano de escolaridade. 2008. 272 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Área de Especialização em Tecnologia Educativa, Universidade do Minho, Portugal, 2008. Disponível em:

&lt;https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/8054/1/TESE FINAL.pdf&gt;. Acesso em: 02 de fevereiro de 2016.

FUKUDA, T. T. S. WebQuest : uma proposta de aprendizagem cooperativa. 2004. 120 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Faculdade de Educação, Unicamp, Campinas, 2004.

GOUVEA, Simone Aparecida Silva. Novos caminhos para o ensino e aprendizagem de matemática financeira: construção e aplicação de WebQuest . 2006. 167 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Programa de Pós-graduação em Educação Matemática, Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 2006.

SANTOS, C. G. O desenvolvimento e a implementação de uma webquest interativa e adaptativa destinada ao ensino de línguas. 2014. 274 f. Tese (Doutorado) - Curso de Letras, Ucpel, Pelotas, 2014.

SILVA, S. C. O uso da WebQuest no ensino de ciências : possibilidades e limitações. 117 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2014.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.