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10 ANOS DE ARTE\& CIÊNCIA NO PARQUE: RESULTADOS E PERSPECTIVAS FUTURAS.

Mikiya Muramatsu, Willian Fernandes Dos Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## 10 ANOS DE ARTE & CIÊNCIA NO PARQUE: RESULTADOS E PERSPECTIVAS FUTURAS.

## Willian Fernandes dos Santos , Mikiya Muramatsu 1 2

1 Universidade de São Paulo, willsabinafis@gmail.com

2 Universidade de São Paulo, mmuramt@if.usp.br

## Resumo

O projeto Arte & Ciência no Parque (A&C) é um projeto itinerante que surgiu em 2006 com o objetivo de levar experimentos demonstrativos e interativos nos parques e praças da cidade de São Paulo, mais tarde o projeto atuou em escolas públicas e ultimamente tem participado em eventos científicos tais como Semana Nacional de C&T, programas da USP (Feira das Profissões, Virada Cientifica) e também dos encontros organizados pela Sociedade Brasileira de Física. O acervo do projeto é de aproximadamente 60 experimentos de Física, Biologia e Matemática, na sua maioria de baixo custo e fácil aquisição. Em função do Ano Internacional da Luz, em 2015, foram produzidos 4 vídeos abordando a temática da luz, além da elaboração de diversas oficinas. Devido a sua fácil mobilidade o projeto procura atingir pessoas que dificilmente teriam acesso a um museu de ciências. Após 10 anos de sua criação o grupo já produziu 10 artigos na área de ensino de física, teve mais de 100 monitores bolsistas através de fomento universitário para extensão e atendeu mais de 100 mil visitantes de diversas faixas etárias. Depois de uma década de existência fizemos um balanço das atividades realizadas e elencamos perspectivas para os próximos anos.

Palavras-chave : Divulgação científica, Ensino Lúdico, Atividades em espaço formais e não formais.

## O projeto Arte e Ciência no Parque:

O Arte & Ciência no Parque (A&C) é atualmente um projeto de extensão universitária do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), tendo como objetivo principal levar o conhecimento produzido na instituição universitária para públicos diversificados, atuando dentro e fora da universidade, de forma simples, lúdica e acessível. Realizado desde 2006, quando foi contemplado pelo edital de Popularização e Divulgação da Ciência e Tecnologia, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI).

A proposta inicial do projeto era levar a arte e ciência para espaços públicos da cidade de São Paulo/SP e região, com foco maior nos parques arredores da Universidade de São Paulo, por meio de exposições itinerantes de experimentos científicos de baixo custo. Tendo premissa de contribuir para a ampliação da cultura científica da população de uma forma interativa, pois quando o público toma contato

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23 a 27 de janeiro de 2017

com os experimentos apresentados, ele participa ativamente das atividades e assim passa a identificar a ciência e a tecnologia como parte do seu cotidiano possibilitando uma relação mais íntima com o conhecimento.

Nos anos iniciais do projeto as exposições eram montadas apenas em parques e praças públicas nos arredores da Cidade Universitária - campus capital. O projeto contava com diversos experimentos demonstrativos nas áreas de Física, Biologia, Matemática e Artes, neste se prezava o olhar artístico e científico das telas expostas. Os experimentos eram dispostos em pequenas mesas na entrada dos parques, onde a circulação de pessoas era maior, assim o visitante logo ao entrar ou sair do parque participava da exposição. Os elementos de exposição eram separados por área de conhecimento e por assunto: óptica, som, corpo humano, entre outros. Em cada conjunto de mesas ficava até dois monitores, que colocavam os experimentos interativos dispostos para que o visitante tenha acesso livre a eles para serem manipulados.

Neste contexto, os espaços destinados à educação não formal (no nosso caso, parques e praças) carregam uma função social que vai além de auxiliar a educação formal. Aprender conceitos científicos demanda um caminho muito longo, que pode realmente ter auxílio de uma ferramenta extremamente potente, como é um espaço de educação não formal (Gaspar, 2002).

Figura 1: Exposcisões em parques, praças e escolas publicas de São Paulo, experimentos de baixo custo de Física e Biologia.

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Atualmente a maior demanda de apresentações do grupo é essencialmente em escolas públicas e eventos científicos. Demanda que teve início devido à proximidade das escolas públicas com o projeto por intermédio do Instituto de Física e programas de extensão universitária da USP.

Os atendimentos passaram a ser realizados semelhantes às feiras de ciências, sendo que, durante a exposição é exposto todo o acervo de experimentos do grupo no pátio ou quadra da escola, de modo que facilite a circulação dos alunos e a interação dos mesmos com os experimentos. Nessa nova fase o grupo passou a oferecer oficinas científicas, que são atividades que explora características como a experimentação, criatividade e habilidades manuais dos visitantes e são realizadas com materiais de baixo custo e acessíveis, para facilitar a sua reprodução. Oficinas como de ludião, caleidoscópio, luneta, reco-reco, foto na lata, entre outras, são exemplos de oficinas realizadas pelo grupo, que podem ser ministradas tanto no ensino fundamental como no ensino médio explorando conceitos científicos, como formação de imagem, refração, empuxo, composição de movimento entre outros

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temas. Devido o grande sucesso das oficinas e a comemoração do Ano Internacional da Luz, foram produzidos alguns vídeos sob a temática da luz, essa ação possibilitou ao grupo refletir sobre os novos meios de divulgação cientifica através da internet.

Figura 2: Oficinas cientifícas realizadas nas escolas.

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Outra demanda atual são os eventos científicos, com o foco de promover divulgação cientifica e popularização da ciência através de exposições, com uma linguagem acessível a toda população, em particular para o publico escolar. Em eventos como congressos científicos organizados pela SBF, o grupo atua com uma ação pontual de divulgar ciência para além do dos participantes do congresso, fazendo com que a cidade que realiza o congresso tenha uma participação ativa além do evento.

Passado uma década de projeto, colhendo bons frutos, o grupo revalida seus objetivos inicias, de: i) contribuir para a educação e ampliação da cultura científica da população, identificando a C&amp;T que se encontra no cotidiano; ii) proporcionar uma relação mais íntima, especialmente das crianças e jovens, com o conhecimento científico através da interação com experimentos apresentados em seu aspecto lúdico, com o intuito de estimular a curiosidade e a criatividade (TEIXEIRA; MURAMATSU; ALVES, 2010).

O projeto A&amp;C também tem encontrado algumas dificuldades, que são encarados como desafios. As questões internas são aquelas que estão diretamente relacionadas ao grupo e que depende do empenho todos os integrantes para serem superados como, por exemplo: (i) treinamento e capacitação dos mediadores, por se tratar de um projeto de extensão universitária, com algum grau de rotatividade dos monitores, (ii) linguagem adequada para públicos diferentes, (iii) avaliação da aprendizagem e dos impactos, por se tratar de um projeto itinerante, as atividades acabam sendo pontuais e de difícil avaliação. Esses não são problemas exclusivos do projeto A&amp;C, mas de muitos projetos de divulgação científica, uma maneira encontrada para sanar essas dificuldades são as reuniões semanais, tendo como base estudos acadêmicos e as reflexões sobre as práticas. Os desafios externos são aqueles que fogem do controle da equipe do A&amp;C, como: infraestrutura inadequada para as apresentações e, no caso de escolas, o envolvimento dos professores durante as exposições. Na tentativa de amenizar tais problemas o coordenador do projeto realiza uma visita prévia ao espaço onde ocorrerá a exposição, e a partir de uma reunião com os professores e coordenadores da escola, são apresentados os objetivos do projeto e destacando a importância do envolvimento de toda escola na exposição.

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Por meio das suas atividades (exposições, oficinas, vídeos de divulgação, etc.), o A&amp;C mostra ao público que a ciência pode fazer parte da cultura, assim como arte e outros costumes da população brasileira. Outra contribuição desse tipo de ação está relacionada à atuação do estudante de graduação como mediador, que se constitui como uma oportunidade de solidificar os conceitos vistos teoricamente em aulas formais, aperfeiçoar a comunicação com o público leigo, além de contribuir na sua formação profissional, especialmente dos futuros professores.

O grupo até o momento acumula 10 artigos publicados em revistas indexadas na área de ensino de física com temas diversos, teve mais de 100 monitores de diversos cursos como, Física, Biologia, Matemática, Estatística, Odontologia, Ciências da Natureza e Geofísica, que através de programas de extensão universitária, recebem uma bolsa para participar do projeto. Estima-se que já foram atendidos mais de 100 mil visitantes durante os 10 anos de projeto.

Diante do que foi apresentado até aqui durante esses 10 anos, acreditamos que, as ações de divulgação científica podem contribuir para aumentar o nível de alfabetização científica e tecnológica da sociedade, tanto na promoção de uma cultura científica como para a formação de uma sociedade mais informada, interessada, crítica e consciente, auxiliando-a a avaliar riscos e perigos de artefatos tecnológicos e a analisar de forma crítica mitos e crenças populares, que são muito comuns na sociedade. Além disso, ela também pode influenciar na formação de uma cultura geral das pessoas, ajudando-as a exercer, de fato, sua cidadania, a partir do momento que leva informações e conhecimentos científicos. Desta forma, a realização de atividades educativas e de divulgação científica realizadas no projeto é um aspecto fundamental na consolidação de uma verdadeira cultura científica na sociedade democrática.

Figura 3: Exposições diversas (esquerda para direita de cima para baixo), EMEF Presidente Campos Salles - Heliópolis SP; EMEF José Honório Rodrigues Zona Leste de SP; Parque da Juventude-Zona norte de SP; Encontro de Física 2011-Foz do Iguaçu.

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## Resultados obtidos:

Um dos resultados extremamente positivo do projeto Arte e Ciência no Parque é, sem dúvida, o aperfeiçoamento do estudante/mediador que, através de ações, tanto internas como externas à universidade, teve contato com a diversos elementos e estratégias de ensino de ciências, proporcionando diversas vezes o contato direto com o público escolar ou leigo, pois, os cursos regulares da universidade, muitas vezes, não possibilitam o exercício da teoria discutida em sala de aula. Portanto a atuação no projeto (A&amp;C) possibilitou ao aluno/mediador o conhecimento e a pratica em espaços não formais como parque públicos e congressos além da interação com a escola de ensino básico, aperfeiçoando a capacidade de comunicação de conceitos, muitas vezes abstratos, numa linguagem acessível aos alunos do ensino básico.

Outra contribuição para aluno/mediador que participa ou participou do projeto é a uma vivencia em atividades experimentais, na medida em que o aluno desenvolve, constrói os equipamentos e planeja oficinas com materiais acessíveis de baixo custo.

- O projeto conta com a participação de diversos graduandos e pósgraduandos interessados em realizar pesquisa em divulgação científica de forma lúdica e atraente. Contribuir para a ampliação da cultura científica da população de uma forma interativa é também um dos propósitos do projeto, pois quando o público toma contato com os experimentos apresentados, ele participa ativamente das atividades e assim passa a identificar a ciência e a tecnologia como parte do seu cotidiano e isso possibilitam uma relação mais íntima com o conhecimento.

## Perspectivas futuras:

- - Realização de pesquisa em nível de mestrado e doutorado, sobre os impactos dessas ações pontuais em espaços não formais ou em escolas parceiras do projeto;
- -Realização de projetos em escolas pública do ensino básico, para estimular o desenvolvimento de atividades experimentais, na criação de atividades extraclasse como Clube de Ciências, elaboração de Feiras de Cultura de Ciência, especialmente nas escolas de tempo integral. Já existem propostas nesse sentido, para a implementação de projeto piloto em uma diretoria de ensino da Grande São Paulo, em parcerias com ONGs, que atuam na área da educação básica.
- -Interação com setores da Escola de Comunicações e Artes, para a realização de atividades conjunta como artes visuais e artes cênicas, ilustrando passagens significativas a historia da ciência ou mesmo de conceitos fundamentais da Física.

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## Referências

GASPAR, A. A educação formal e a educação informal em Ciências. In MASSARANI, L.: MOREIRA, I. C.: F. Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil . Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2002. P. 171-183.

TEIXEIRA, J. N. MURAMATSU,M. ALVES, L. A. Comunicações: Projeto Arte e Ciência no Parque - Uma abordagem de divulgação cientifica interativa em espaços abertos . Cad. Bras. Ens. Fís., v. 27, n. 1: p. 171-187, 2010.

SANTOS, M. E. SCHULZE, C. M. N. WACHELKE, J.F.R. A exposição itinerante enquanto promotora de divulgação cientifica: Atitudes, padrões de interação, e percepções dos visitantes . Psicologia: Teoria e Prática, p. 49-86, 2005.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.