RELAÇÃO CIÊNCIA E RELIGIÃO: A VISÃO DE LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E FÍSICA DA UFTM
Bernardo Valentim Riceto, Pedro Donizete Colombo Junior
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## RELAÇÃO CIÊNCIA E RELIGIÃO: A VISÃO DE LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E FÍSICA DA UFTM
Bernardo Valentim Riceto , Pedro Donizete Colombo Junior 1 2
1 Universidade Federal do Triângulo Mineiro/Curso de Licenciatura em Física, bernardo\_riceto@hotmail.com
## Resumo
Desde os primórdios da humanidade a ciência e a religião se relacionam. Por vezes as crenças religiosas influenciaram o conhecimento científico e ao mesmo tempo estes provocaram mudanças, muitas vezes profundas, em doutrinas religiosas. Neste trabalho buscamos discutir como a relação entre ciência e religião vem sendo interpretada no meio acadêmico, em especial em dois cursos de formação de professores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Os objetivos da pesquisa recaem sobre o levantamento e análise das visões dos alunos dos cursos de licenciaturas em Ciências Biológicas e Física sobre a temática ciência e religião em dois períodos distintos: 1º e 8º períodos de graduação. Buscamos investigar como se aproximam e/ou se afastam as ideias dos licenciandos frente aos seus diferentes vieses de formação. Com o levantamento e análise dos dados, também realizamos um diálogo com os coordenadores de cada curso com o intuito de apresentar e discutir os dados explicitados pelos alunos. Frente aos objetivos expostos, traçamos um panorama de como este tema tem sido abordado, particularmente na formação docente. Para tal, adotamos uma abordagem de pesquisa qualitativa e quantitativa com o uso de questionários diagnósticos e elaboração de entrevistas com coordenadores de curso. Dentre os resultados, notamos uma significativa variação nas concepções dos alunos sobre os temas abordados. Também percebemos que entre concluintes do curso de Física há uma tendência maior ao diálogo das vertentes ciência e religião, inferindo que em determinados momentos da formação do futuro professor esse assunto é abordado, mesmo que de forma indireta.
Palavras-chave : Ciência e religião; Formação de professores; Concepções de licenciandos
## Introdução
Tanto a ciência quanto a religião, ambas são criações humanas, portanto estão sujeitas a modificações e adaptações no decorrer do tempo. A religião apresenta-se como uma vertente que oferece ao Ser humano a 'verdade' já estruturada proveniente, por exemplo, das sagradas escrituras (em algumas religiões) enquanto a ciência elabora por meio de estudos dos fenômenos naturais o entendimento e compreensão dessa verdade. Com a era da modernidade e todas as ideias originadas, inclusive o caráter sistemático da ciência, era eminente a tendência de uma secularização da sociedade, porém esse fenômeno não aconteceu como o esperado nas comunidades de uma forma geral (PIERUCCI, 1998). Não é raro encontrar no meio acadêmico, com suas raízes iluministas, tendências a crer que a sociedade se renderá, sem questionamentos, aos argumentos por estes defendidos, porém essas situações vêm se revelando cada
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23 a 27 de janeiro de 2017
vez mais conflituosas (DORVILLÉ, 2010). A divulgação do conhecimento científico na escola, por exemplo, com elevada frequência tem sido confrontadas por ideias religiosas, algo que não se traduz em novidade, face o desenvolvimento científico e humano da sociedade. Neste trabalho buscamos abordar a relação entre ciência e religião e como ela vem sendo discutida no meio acadêmico, em particular com os licenciandos dos cursos de Ciências Biológicas e Física da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Apesar da relevância sociocultural e histórica, vemos que esta temática encontra muita resistência e pseudos-debates no meio acadêmico. Optamos por fazer uma análise envolvendo duas áreas do conhecimento a fim de verificar em quais pontos as concepções dos licenciandos se afastam e em quais se convergem. Buscamos assim, propiciar fomentos e indicadores que possibilitem um viés inicial para a abordagem da temática com os alunos, seja no âmbito de coordenação de curso e/ou docência.
## Explorando a temática ciência e religião
Com o intuito de melhor entender como essa temática vem sendo tratada no âmbito acadêmico apresentamos, de modo ilustrativo, o relato de três artigos que abordam o assunto. No artigo "Comparando os objetivos e métodos da ciência e religião na formação de professores", Henrique e Silva (2011) analisaram os resultados de uma atividade desenvolvida durante um curso de história da cosmologia dentro do curso de Licenciatura em Ciências Exatas da USP/São Carlos. Foram discutidas diferentes teorias sobre a origem do Universo, em específico a do Big Bang e do Estado Estacionário. O objetivo do trabalho foi sondar as concepções sobre a natureza da ciência (NdC), particularmente sobre as relações entre ciência e a religião dos alunos. Os autores relataram que a maioria dos alunos tinha uma visão mais científica, criticando em vários pontos a religião. Alguns poucos defendiam uma visão mais religiosa. No entanto, quando perguntados sobre qual postura o professor de ciências deveria ter em sala de aula sobre o tema criacionismo versus evolucionismo, apenas 25% dos alunos opinaram que não se deve falar sobre religião nas aulas de ciências, 25% opinaram que se deve falar, mas tomar partido a favor do evolucionismo e metade dos alunos mencionou a importância de apresentar ambas as teorias e não tomar partido nenhum.
Lima (2006) discutindo o papel dos valores religiosos em escolas públicas do interior paulista traz à tona a realidade vivenciada pelos professores. Inicialmente a autora buscou traçar um panorama geral da modificação do Estado brasileiro ao longo do tempo. Dentre outros aspectos, relata que em meados do século VXIII existia uma forte influencia da Igreja e, com a Proclamação da República, torna-se garantida à população a liberdade religiosa. Nesse ambiente, agora laico, mudaramse várias estruturas do governo, inclusive a educação que deixa de ser vinculada à religião. Para ela, '[...] a laicização atinge também a educação que busca emancipar-se dos modelos religiosos visando à formação de um homem cidadão' (LIMA, 2006, p. 1). Em suas conclusões expressa que muitas das vezes os valores religiosos são colocados como prontos e acabados, nos moldes de transmissão. Fato este que não gera um processo de descoberta, que conduz o aluno pela curiosidade, mas sim de autoridade e controle, adotando posturas de caráter doutrinário.
No trabalho On the fruitful compatibility of religious education and science, Woolnough (1996) critica a abordagem positivista lógica no qual produz uma visão
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de mundo limitada, eliminando muito da experiência humana. Defende que a consciência de diferentes tipos de conhecimento, com diferentes critérios de verdade, permite uma perspectiva mais ampla, na qual ciência e religião, arte e música e os valores humanos possam ser todos compatíveis. O autor explicita que existem paralelos reais entre a forma como um cientista e um cristão enfrentam suas buscas por significado no mundo físico e no mundo espiritual, respectivamente. O autor conclui apresentando algumas maneiras onde a educação científica e a educação religiosa podem ser ensinadas em benefício mútuo.
## A pesquisa realizada: contextos e métodos
Não é objetivo de este texto discutir sobre 'verdades' e 'mentiras' apresentadas e defendidas no âmbito da religião, tão pouco da ciência. Buscamos empreender uma pesquisa que busque extrair o diálogo que os alunos fazem sobre estas áreas de conhecimento. Também não está em questão o levantamento e análise das opiniões sobre todas as religiões existentes, tendo em vista que é necessário, por vezes, citar fatos históricos envolvendo as religiões. Ressaltamos que a apresentação deste trabalho não dispõe de espaço suficiente para discutir sobre todas as vertentes que surgem e as relações existentes entre ciência e religião, seja em todos os momentos da história humana, ou em todas as frentes religiosas, limitando-se assim a inserir esses comentários em momentos oportunos no decorrer do trabalho. Assim, fizeram-se necessários recortes e escolhas, nas quais optamos por aprofundar em um viés cristão, em particular as religiões derivadas desta vertente. Isto se deve ao fato de ser o material mais fácil e abundante à nossa disposição, não cabendo ao trabalho pesquisar a fundo as diversas religiões e suas visões de mundo. Esta escolha não implica em nenhum tipo de distinção, mas está centrada em aspectos de cunho prático de apresentação do trabalho.
Entendemos que a importância deste trabalho centra-se em sua temática, uma vez que o conteúdo em questão, apesar de ter raízes na antiguidade, sempre surge em discussões nas mais variadas esferas da sociedade, incluindo os meios: acadêmico e midiático. Desta forma, podemos citar momentos históricos consagrados que criaram diversos conflitos entre ciência e religião como: geocentrismo x heliocentrismo; criacionismo x evolucionismo; criação da Terra x surgimento dos planetas, entre outros. Tendo em vista os objetivos delineados, buscamos responder algumas questões, dentre as quais: (i) Quais as relações existentes entre as diferentes áreas do conhecimento, particularmente dos cursos de licenciatura em Ciências Biológicas e Física, e em quais pontos elas convergem e/ou divergem a respeito da temática ciência e religião? (ii) Quais as diferenças e similaridades de posicionamento entre ingressantes e formandos frente à relação ciência e religião nestes cursos? Tais discussões naturalmente ocorrem nas salas de aula da Educação Básica e, em geral, não são percebidas na formação inicial do professor, porém entendemos serem de grande importância no percurso formativo dos licenciandos.
Para o levantamento de dados optamos pela aplicação de um questionário previamente estruturado aos alunos e posteriormente uma análise quantitativa das informações obtidas pelo mesmo. Para a coleta de dados junto aos coordenadores dos cursos optamos por utilizar entrevistas, que segundo Ludke e Andre (1986, p. 34), '[...] pode permitir o aprofundamento de pontos levantados por outras técnicas
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de coleta de alcance mais superficial [...]'. A forma de registro utilizada nas entrevistas foram anotações em diário de bordo. Preferimos não utilizar gravador devido ao constrangimento e desconforto que pode gerar ao entrevistado e/ou influenciando suas respostas.
No que tange aos cursos participantes, o curso de licenciatura em Física começou a funcionar em 2009 e tem uma grade curricular que envolve não somente conteúdos específicos de física teórica e experimental, mas também diversos conteúdos direcionados à formação do professor com disciplinas de Ensino de Física e Educação. O curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, também iniciado em 2009, tem como objetivo formar professores capacitados à Educação Básica e atuar em pesquisa básica e aplicada nas diferentes áreas das Ciências Biológica, gerenciamento e execução de processos e técnicas, perícias, consultorias, entre outras qualificações.
## Alguns resultados e discussões
O total de alunos participantes da pesquisa foi 70 alunos, sendo 67% alunos ingressantes (1ª período) e 33% alunos concluintes (8º período), fato justificado pela grande evasão nas licenciaturas. De modo a caracterizar a amostra, a maior parte dos alunos participantes são oriundos de escolas públicas (61%), o que é um valor muito alto quando comparado com outros cursos tradicionais da UFTM, por exemplo, o curso de Medicina. No que tange a faixa etária dos participantes, o Curso de Ciências Biológicas apresentou: 54% entre 17 e 20 anos; 22% entre 21 e 24 anos; 13% entre 25 e 28 anos e, 11% com mais de 28 anos. O Curso de Física: 54% entre 17 e 20 anos; 29% entre 21 e 24 anos; 4% entre 25 e 28 anos e, 13% com mais de 28 anos. Frente a este resultado, o coordenador do curso de Ciências Biológicas argumentou que os alunos que optam pelo curso já o escolheram na infância ou adolescência, sendo que ao concluírem o Ensino Básico, já ingressam no curso de Ciências Biológicas. A coordenadora do Curso de Física não comentou este resultado estatístico.
Sobre a religião praticada pelos licenciandos, 57,7% se concentram em duas categorias (católica e espiritualista), sendo que a maioria (35,2%) informou ser católica. Dados publicados pelo IBGE em 2012 mostram que a porcentagem de católicos no Brasil é de 64,6%, muito acima da obtida na UFTM. Por outro lado, a quantidade de espiritualistas (aqui congregadas as religiões kardecistas, umbandista e candomblista) no Brasil é de 2,3%, enquanto nos cursos analisados foi de 22,5%. Inferimos que essa grande diferença se deve ao fato da cidade de Uberaba, sede da UFTM, ter sido o local de trabalho do famoso médium espírita brasileiro Chico Xavier. Contudo, analisando a opção religiosa dos alunos por curso, notamos que o curso de Física apresenta uma considerável parcela de alunos evangélicos (25%) e católicos (25%) e o Curso de Ciências Biológicas um grande número de católicos (40,4%) e espiritualista (27,7%) (Quadro 01).
Quadro 01: Religião por curso
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Sobre a participação dos alunos em suas devidas "comunidades" religiosas (Gráfico 01), encontramos que em ambos os cursos aproximadamente 73,8% dos alunos as frequentam, indo ao encontro com o explicitado no quadro 01, onde a maioria afirma ter uma opção religiosa. A fim de comparação com essa frequência na "comunidade" religiosa por curso, realizamos a comparação da frequência na "comunidade" religiosa por religião (Gráfico 02) e percebemos que os alunos declarados evangélicos são os que possuem a maior participação, tendo 60,0% com "muita" frequência.
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Gráfico 02:
Frequência na
comunidade religiosa por religião
Gráfico 01: Frequência na comunidade religiosa por curso
Quando perguntado se a ciência fornece respostas plausíveis e confiáveis acerca dos fenômenos naturais ( adaptado de Souza et al. 2009), encontramos que poucos alunos não concordam com esta colocação, sendo que no curso de Ciências Biológicas 95,6% responderam que sim ou às vezes e no curso de Física o percentual foi de 95,8%. Desta forma, visando levantar um panorama geral da aceitação por parte dos alunos sobre temas considerados polêmicos frente à temática abordada, perguntamos se eles aprovam ou não aprovam os trabalhos realizados pela comunidade científica em alguns temas. Como resultados, percebemos que o curso de Física teve índices de aprovação bastante elevados (aprox. ou > 70%) em diversos temas (Quadro 02). Sobre esses dados, a coordenadora do curso disse que isso é devido à importância que os alunos dão à ciência, sendo esses estudos soluções para alguns dos problemas da sociedade.
Quadro 02: Aprovação de temas polêmicos diversos por curso
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Quando indagados sobre a Teoria da Evolução Biológica, identificamos que os alunos do curso de Ciências Biológicas que estudam esse conteúdo mais profundamente apresentaram uma taxa muito baixa (2%) de rejeição a ela, enquanto no curso de Física ficou em 20,8%. Ainda sobre essa questão, podemos fazer uma comparação entre ingressantes e formandos (Gráfico 03), onde o resultado nos mostra que no grupo de formandos não existe nenhuma rejeição direta, enquanto o nível de aceitação aumenta mais claramente nas respostas que envolvem a análise pessoal do aluno frente ao percurso de seus estudos.
Gráfico 03: Aceitação da Evolução Biológica por momento acadêmico
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Gráfico 04: Comportamento ideal do professor por momento acadêmico
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Mesmo que esse assunto não seja abordado diretamente no curso de Física, inferimos que o conhecimento adquirido pelos alunos durante os anos de graduação modificam a uma tendência aceitação à Teoria Evolucionista, visto que acabam estudando, dentro da matriz curricular do curso, diferentes disciplinas que abordam História e Filosofia da Ciência (HFC).
Quando questionados sobre como o professor deveria proceder com um eventual questionamento religioso envolvendo temas polêmicos como Evolução Biológica (Darwinismo) (a daptado de Henrique e Silva, 2011), notamos que no Curso de Física houve um aumento significativo da porcentagem entre ingressantes e concluintes que preferem 'comentar e discutir' e 'comentar, discutir e opinar' sobre o tema ciência x religião (Gráfico 04).
Esse resultado demonstra que os alunos concluintes do curso de Física são mais abertos ao diálogo e aceitam com mais facilidade discutir sobre assuntos polêmicos. No caso do curso de Ciências Biológicas, nota-se uma inversão nesta interpretação, ou seja, os ingressantes apresentaram maiores percentuais de 'comentar e discutir' e 'comentar, discutir e opinar' do que os concluintes. É oportuno destacar que a opção 'ignorar o questionamento' não apareceu em nenhuma resposta, seja de ingressantes ou de concluinte. Ao entrevistarmos os coordenadores dos cursos, a coordenadora do curso de Física alegou que é uma
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característica promover o diálogo e demonstrar diferentes pontos de vista sobre o mesmo aspecto a fim de que o próprio aluno crie sua visão de mundo, mas ainda sim aceite opiniões divergentes das suas, o que corrobora com o nosso resultado apresentado. No curso de Ciências Biológicas, houve uma tendência de respostas "comentar" entre os concluintes (43,8%). Questionado sobre este fato, o coordenador do curso (que também é professor da disciplina de Evolução) disse que esperava uma tendência de respostas para "comentar e discutir". Mencionou ainda que: '[...] os alunos do 8º período tiveram aulas com diversos professores no decorrer do curso, o que pode ter influenciado o resultado ' (coordenador do curso de Ciências Biológicas). Apesar de ser esta uma justificativa que reflete a visão particular do professor-coordenador, entendemos ser difícil sustentá-la, apenas pelo fato dos alunos terem tido aulas com diferentes professores ao longo do curso, visto que os alunos do curso de Física também tiveram esta vivência, sendo, portanto, difícil inferir esta conclusão sem uma análise mais aprofundada sobre a questão.
Quando perguntados se as concepções religiosas dos alunos atrapalham o ensino de ciências nas escolas (Gráfico 05), vemos que nas Ciências Biológicas existe uma tendência a maior influência da religião no ensino de ciências. A quantidade de alunos que afirmou "de maneira nenhuma" foi muito baixa quando comparado ao curso de Física, apresentando também a maior taxa de respostas "consideravelmente". É oportuno mencionar que o curso de Física tem em sua grade curricular disciplinas que discutem a origem do Universo em uma vertente histórica e filosófica. Observando os resultados, notamos que o curso de Física teve a maior quantidade de respostas "um pouco" e "de maneira nenhuma". Talvez, seja possível inferir que quando os cursos esbarram diretamente nessa discussão, a tendência é crer que ela realmente influencia. Em outro resultado, a análise entre alunos que tem uma religião e alunos que não tem religião (Gráfico 06), vemos que para os alunos religiosos, há uma leve tendência a acreditar que essas concepções religiosas influenciam menos no ensino de ciências, e são eles que vivenciam esse conflito interno quando há o encontro da ciência com a religião sobre algum tema específico.
Gráfico 05: Influência da religião no ensino de ciências por curso
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Gráfico 06: Influência da religião no ensino de ciências por religião
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## Considerações finais
Com a realização desse trabalho pudemos constatar que as concepções sobre ciência e religião dos alunos participantes variam bastante entre cursos, dentro de um mesmo curso e entre ingressantes e concluintes. As entrevistas com os coordenadores foram essenciais para melhor entender os resultados obtidos, representando uma contribuição para a reflexão sobre temática no momento de formação inicial. A base de dados obtida nessa pesquisa possibilitará ainda inúmeros apontamentos, uma vez que a limitada extensão do presente trabalho não permite uma apresentação integral dos resultados. Cabe destacar que esta pesquisa também se estendeu a outros cursos de licenciatura da UFTM (Matemática, Química, História, Geografia, Letras, Educação do Campo), estando os dados em processo de análise. A partir das ações realizadas, esperamos ter contribuído para a reflexão sobre a temática por alunos e coordenadores, fornecendo subsídios para que eles possam debater esse assunto de maneira neutra e reflexiva na Educação Básica, quando formados e na Universidade, enquanto formadores-docentes, respectivamente. A presente pesquisa encontra-se registrada no Comitê de Ética em Pesquisa - UFTM sob o nº. CAAE: 51407315.6.0000.5154, aprovação nº. 1.439.558.
## Referências
DORVILLÉ, L. F. M. Religião, escola e ciência: conflitos e tensões nas visões de mundo de alunos de uma licenciatura em ciências biológicas . Tese Doutorado, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2010.
HENRIQUE, A. B. Discutindo a natureza da ciência a partir de episódios da história da cosmologia . Dissertação Mestrado, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.
HENRIQUE, A. B. e SILVA, C. C. Comparando os objetivos e métodos da ciência e religião na formação de professores. In: VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências , 2011.
LIMA, A. P. e MENIN, M. S. de S. O Papel dos Valores Religiosos em Escolas Públicas do Interior Paulista . Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v.1, n.2, 2006.
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas . São Paulo: EPU, 1986.
PIERUCCI, A. F. Secularização em Max Weber: Da contemporânea serventia de voltarmos a acessar aquele velho sentido. Revista Brasileira de Ciências Sociais , vol. 13, 1998.
SOUZA, R. F. de et. al. Evolucionismo versus Criacionismo: aceitação e rejeição no século 21. Ciência Hoje , v. 43, p. 36-41, 2009.
WOOLNOUGH, B. 1996. On the fruitful compatibility of religious education and science. Science & Education , vol. 5, n. 2, pp. 175-183.
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