ATIVIDADES INVESTIGATIVAS NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES: ALGUNS APONTAMENTOS
Franciele Franco Dias, Sandra Hunsche
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ATIVIDADES INVESTIGATIVAS NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES: ALGUNS APONTAMENTOS
## Franciele Franco Dias , Sandra Hunsche² 1
## Resumo
O presente trabalho teve como objetivo investigar em que âmbitos os licenciandos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas - Ênfase em Física da Universidade Federal do Pampa discutem e/ou vivenciam propostas de Atividades Investigativas. A pesquisa foi de cunho qualitativo e, a produção de dados foi por meio de entrevistas semiestruturadas com quatro licenciandos do Curso de Licenciatura em Ciências Exatas, os quais optaram pela formação com ênfase em Física. A análise dos dados foi orientada pela Análise Textual Discursiva, a partir de três categorias emergentes: (i) Papel das Componentes Curriculares; (ii) Papel do PIBID; e (iii) Papel da escola. Sinaliza-se a importância das Atividades Investigativas para o Ensino de Física uma vez que podem contribuir não somente com a aprendizagem de conceitos e procedimentos, como também com a compreensão acerca da natureza do conhecimento científico. Evidencia-se a potencialidade de Atividades Investigativas serem trabalhadas tanto nas Componentes Curriculares como no âmbito do PIBID, de forma a contribuir com a formação dos futuros professores de Física.
Palavras-chave : Atividades Investigativas; Licenciatura em Ciências Exatas; Formação Inicial.
## Introdução
As Orientações Complementares aos Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio (PCN +) (BRASIL, 2002, p. 59) sinalizam para que a Física no Ensino Médio possibilite 'a formação de um cidadão contemporâneo, atuante e solidário, com instrumentos para compreender, intervir e participar na realidade', enfatizando a importância do ensino da Física fornecer subsídios necessários para a compreensão, por parte dos estudantes, de seus contextos vivenciais, superando a visão propedêutica do conhecimento abordado nas escolas.
Nesse sentido, para que a formação sinalizada nos PCN+ seja efetivamente alcançada, entende-se que seja relevante que os professores de Física conheçam e utilizem diferentes estratégias de ensino em suas aulas. Uma destas estratégias, que de acordo com Borges (2002) tem sido bastante explorada no Ensino de Física é o uso de Atividades Experimentais. Já Chaves (2014), com base em revisão bibliográfica tendo como foco as atividades experimentais no ensino de física, salienta que são apontadas na literatura diversas formas diferentes para o desenvolvimento de Atividades Experimentais na Educação Básica, sendo uma dessas as Atividades Investigativas.
Conforme Sá et al. (2007, p. 2) 'o ensino por investigação é uma abordagem que está no centro das discussões do ensino de ciências nas últimas décadas',
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ainda que no Brasil não se tenha um grande número de trabalhos publicados sobre essa temática. No entanto, diversos autores, a exemplo de Zômpero e Laburú (2011), enfatizam a possibilidade do desenvolvimento de habilidades cognitivas, aprendizagem de conceitos e procedimentos, bem como a compreensão da natureza da ciência, a partir da utilização de Atividades Investigativas.
Nesse sentido, pretende-se nesse trabalho investigar em que âmbitos os licenciandos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas - Ênfase em Física da Universidade Federal do Pampa, campus Caçapava do Sul/RS discutem e/ou vivenciam propostas balizadas por Atividades Investigativas.
## Referencial Teórico
O curso de Licenciatura em Ciências Exatas da Universidade Federal do Pampa, campus Caçapava do Sul/RS, destaca-se por sua proposta inovadora, uma vez que apresenta um formato de curso interdisciplinar e a possibilidade de titulação em quatro ênfases diferentes a partir de percursos acadêmicos flexíveis (UNIPAMPA, 2013).
As possibilidades de titulação do curso são com ênfase em Física Licenciatura, Química - Licenciatura, Matemática - Licenciatura e Ciências Naturais Licenciatura. Cada uma das opções de titulação é formada por Componentes Curriculares obrigatórios comuns, Componentes Curriculares obrigatórios para cada ênfase e Componentes Curriculares complementares de graduação (UNIPAMPA, 2013).
Um dos diferenciais do curso é a integração das Componentes Curriculares técnico-científicas com as de natureza pedagógica a qual ocorre, de acordo com o Projeto Pedagógico do Curso (UNIPAMPA, 2013, p. 33), 'através da carga horária de prática pedagógica indissociada da carga horária teórico/prática específica do componente curricular e através dos 07 (sete) seminários integradores'.
Essa perspectiva contribui para a articulação entre a prática e os conteúdos acadêmicos, bem como entre as disciplinas específicas e as pedagógicas e, conforme Diniz-Pereira (2011, p. 204), do 'envolvimento com a realidade prática se originam problemas e questões que devem ser levados para a discussão nas disciplinas teóricas'. O autor salienta que para a formação de um professor não basta somente o domínio de conteúdos específicos e/ou pedagógicos e nem apenas o contato com a prática, mas a articulação entre esses eixos.
Visando promover esta articulação, o curso de Licenciatura em Ciências Exatas, propõe Componentes Curriculares denominados 'Integração das Ciências', voltados à promoção da vivência dos alunos com vários eixos temáticos, temas transversais, estudo das inter-relações entre Ciência-Tecnologia-Sociedade, Etnociências e Educação Inclusiva, além de constituir-se como um espaço de relação entre as Componentes Curriculares específicas de cada ênfase e as diversas metodologias e estratégias de ensino estudadas (UNIPAMPA, 2013).
No que tange o ensino de Física nos documentos oficias, as Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (OCNEM) (BRASIL, 2006) sinalizam que um dos aspectos que merecem especial atenção dos professores é a dimensão investigativa, evidenciando que o ensino de Física deve dar condições tanto para o aluno responder perguntas como o capacitar a procurar informações e ter condições
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de transpor para o seu cotidiano. Porém, conforme as OCNEM (BRASIL, 2006, p. 45), 'muito frequentemente ensinam-se as respostas sem formular as perguntas!', uma vez que a Física, comumente, é ensinada desvinculada à dimensão investigativa.
Os PCN+ enfatizam a necessidade de o professor repensar a utilização de atividades experimentais de modo que essas atividades adquiram um caráter mais investigativo:
É dessa forma que se pode garantir a construção do conhecimento pelo próprio aluno, desenvolvendo sua curiosidade e o hábito de sempre indagar, evitando a aquisição do conhecimento científico como uma verdade estabelecida e inquestionável. Isso inclui retomar o papel da experimentação, atribuindo-lhe uma maior abrangência para além das situações convencionais de experimentação em laboratório. (BRASIL, 2002, p. 84).
Nesse sentido, Chaves (2014) defende que as atividades experimentais podem ser potenciais no sentido de contribuir para que os estudantes possam construir o conhecimento científico através de seus conhecimentos prévios, destacando a possibilidade dessas atividades serem utilizadas tanto para explicar conteúdos como para problematizar.
Conforme Zômpero e Laburú (2011), o ensino por investigação baliza-se na teoria de Dewey e Schwabe e caracteriza-se pelo fato das atividades de ensino partirem de um problema. No entanto, Sá et al. (2007) destacam, a partir de revisão bibliográfica, que o termo 'ensino por investigação' não têm uma definição clara nem mesmo nos Estados Unidos onde esta é uma proposta de ensino bem consolidada.
Sá et al. (2007, p. 3) diferenciam as atividades práticas tradicionais das atividades práticas com caráter investigativo:
Numa atividade prática tradicional, o problema, o objetivo e o procedimento são dados pelo professor, cabendo ao aluno colher os dados e, com o auxílio do professor, tirar as conclusões da atividade. Por outro lado, nas atividades práticas voltadas para investigação, a identificação de problemas, a formulação de hipóteses, a escolha dos procedimentos, a coleta de dados e a obtenção de conclusões, são tarefas dos alunos.
Assim, concorda-se com Sá et al. (2007, p. 3), quando mencionam que 'a aprendizagem dos estudantes é mais efetiva quando eles são convidados a trazer sua experiência pessoal para o contexto escolar e quando eles têm oportunidades de realizar investigações'.
## Metodologia e Contexto da Pesquisa
Para a realização da pesquisa, de natureza qualitativa (LÜDKE; ANDRÉ, 1987), foram entrevistados quatro discentes do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, os quais optaram pela Ênfase em Física. As entrevistas foram semiestruturadas e buscaram perceber o entendimento dos licenciandos sobre as Atividades Investigativas, se essas foram trabalhadas em algum momento da Formação Inicial, se o discente aplicou na Educação Básica e como ocorreu essa aplicação e, quais as potencialidades e dificuldades que observa para a aplicação dessas atividades na Educação Básica.
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As entrevistas foram gravadas e transcritas e a análise dos dados obtidos foi realizada a partir da Análise Textual Discursiva (MORAES; GALIAZZI, 2006), processo de análise que é realizado a partir de três etapas: a unitarização, a categorização e a comunicação.
A unitarização foi a etapa em que ocorreu o processo de desconstrução dos textos, separando-os em unidades de significado. Após, na categorização foi realizado o estabelecimento de relações entre os elementos, efetuando-se a articulação de significados semelhantes, surgindo a denominação das categorias de análise. E, por último, na comunicação, ocorreu a explicação e a estruturação das compreensões atingidas nas etapas anteriores, dando origem a meta-textos que compõem os textos interpretativos (MORAES; GALIAZZI, 2006).
Assim, obteve-se categorias emergentes, as quais serão apresentadas e discutidas a seguir. As falas foram identificadas como L1, L2, L3 e L4 de forma a preservar o sigilo dos licenciandos.
## Análise e Resultados Obtidos
## (i) Papel das Componentes Curriculares
Três dos quatro entrevistados mencionaram ter abordado Atividades Investigativas em Componentes Curriculares. L3, que não mencionou a presença de discussões em torno desta estratégia nas Componentes Curriculares, está ainda nos semestres iniciais do curso, quando comparado com os demais licenciandos entrevistados. Nas falas que seguem, é possível perceber que está abordagem foi feita em diferentes Componentes Curriculares. L1 e L4 mencionam as Componentes de Integração das Ciências: '[...] em uma disciplina no segundo semestre do ano passado, Integração das Ciências IV' (L1); '[...] foi trabalhada em todas as integrações, de certa forma, mas só em uma delas culminou um trabalho mais específico' (L4). Já L2 mencionou outras Componentes: '[...] foi trabalhado desde o primeiro ano que ingressei na universidade em duas disciplinas, a de Circuitos [...] e a de Fundamentos para o Ensino de Física I.' (L2).
As Componentes Curriculares de Integração das Ciências (I, II, III, IV, V, VI e VII) são um dos elementos integradores presentes no curso, tendo como intuito problematizar e orientar a perspectiva interdisciplinar e, como objetivo:
Promover, a partir de eixos temáticos pertinentes às Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, situações significativas de experiência docente, que exercitem a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade através de metodologias integradoras. (UNIPAMPA, 2013, p. 110).
A componente curricular de Fundamentos para o Ensino de Física I que também foi citada, tem como objetivo 'discutir o processo de ensino aprendizagem de Física em uma perspectiva de prática pedagógica integrada, visando a alfabetização científica e tecnológica' (UNIPAMPA, 2013, p. 99) e na sua ementa aponta para a presença do estudo acerca da função e o papel das atividades experimentais no Ensino de Física.
L2 menciona a forma como foram trabalhadas as Atividades Investigativas na componente curricular Fundamentos para o Ensino de Física I:
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Teve a disciplina de Fundamentos para o Ensino de Física I que a gente trabalhou basicamente com experimentação, vários tipos de experimentação, vários tipos de metodologia no Ensino de Física e uma delas era Atividades Investigativas. (L2).
Nas Componentes Curriculares citadas, a abordagem acerca das Atividades Investigativas restringiu-se a estudo de referencial teórico e desenvolvimento de propostas que não chegaram a ser aplicadas com alunos da Educação Básica:
Nela [na componente curricular Integração das Ciências IV] nosso objetivo era adaptar atividades experimentais, procurar algo novo e apresentar para a turma. Não foi implementado com alunos do Ensino Médio, mas caso fosse a ideia seria propor que eles também buscassem por coisas novas. (L1).
Teve a disciplina de Fundamentos de para o Ensino de Física I que a gente trabalhou basicamente com experimentação, vários tipos de experimentação [...] a gente trabalhou mais com a teoria, não fez aplicação. (L2).
Não foi aplicado nada em escola, só ocorreu o desenvolvimento da proposta e a apresentação para os colegas da disciplina. (L4).
No entanto, na componente curricular de Circuitos Elétricos, cujo objetivo é 'oferecer condições para que o aluno desenvolva a compreensão dos conceitos de eletrodinâmica, bem como a habilidade de propor e resolver problemas da área' (UNIPAMPA, 2013, p. 121), embora a ementa não mencione Atividades Investigativas, o licenciando L2 diz que 'na [componente curricular] de Circuitos [...] a gente fez atividades desse tipo' . Assim, percebe-se que embora nessa componente não seja discutido o referencial teórico sobre Atividades Investigativas, por já ter tido contato com o referencial em outras oportunidades, o licenciando percebeu que o tipo de atividade desenvolvida na Componente, era Investigativo.
Concorda-se com Zômpero e Laburú (2011, p. 78), ao mencionarem que as 'atividades de investigação permitem promover a aprendizagem dos conteúdos conceituais, e também dos conteúdos procedimentais que envolvem a construção do conhecimento científico'. Nesse sentido evidencia-se a importância de que Atividades Investigativas sejam trabalhadas na Formação Inicial de licenciandos, tanto em nível de estudo de referencial como de recurso metodológico.
## (ii) Papel do PIBID
Dos quatro entrevistados, três (L1, L2 e L3) são bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) - Subprojeto Física. O PIBID é uma iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), constituindo-se como uma proposta de incentivo e valorização das licenciaturas, permitindo aos licenciandos o contato com a realidade escolar desde os primeiros semestres da graduação (OLIVEIRA, 2014).
Este programa tem se constituído como espaço para o desenvolvimento de Atividades Investigativas, particularmente no âmbito do referido subprojeto. Isto foi constatado a partir da fala de três licenciandos:
[...] neste ano no PIBID, no primeiro semestre, o objetivo era propor aos alunos atividades nesta linha de pensamento [investigativas]. (L1).
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Um dos objetivos no PIBID, nesse semestre, foi trabalhar com as Atividades Investigativas [...],a gente trabalhou com experimentos investigativos. (L2).
[...] por meio do PIBID, juntamente com duas colegas, elaboramos e implementamos uma Proposta de Atividades Investigativas sobre Óptica, no mês de maio de 2016. (L3).
A partir do que foi mencionado pelos licenciandos, a exemplo de L3, ficou claro que o desenvolvimento de propostas com a utilização de Atividades Investigativas no âmbito do PIBID envolveu o estudo de referencias, o desenvolvimento e a implementação de propostas com alunos da Educação Básica:
Por meio de leituras de trabalhos publicados nas atas dos Simpósios Nacionais de Ensino de Física durante os meses de janeiro e fevereiro, e posterior discussão destes trabalhos no grupo do PIBID, decidiu-se no grupo trabalhar com atividades investigativas. Os bolsistas trabalharam em trios, para a elaboração e desenvolvimento de suas propostas. Quanto ao tema cada grupo escolheu com o que queria trabalhar. (L3).
Além disso, parece que o PIBID teve um papel importante no que concerne ao entendimento teórico das Atividades Investigativas. Ou seja, os três que são bolsistas do PIBID apresentam visões mais lapidadas sobre as Atividades Investigativas em comparação com o licenciando L4 que somente teve contato com essas atividades em uma componente curricular do curso, o que pode ser notado ao se comparar os trechos das falas dos quatro entrevistados:
- É toda atividade que tem como objetivo buscar uma resposta para um determinado assunto. (L4).
São atividades em que o aluno não é apenas espectador, ele é sujeito ativo e participativo. Atividades nas quais os alunos buscam, investigam, não procuram comprovar algo por meio de dados prontos. (L1).
- [...] são atividades que promovem a maior participação do aluno e, também com essa maior participação, promove a autonomia desse aluno, porque geralmente essas atividades, a linha delas, é que possibilite os alunos a agir, não chegando às coisas prontas pra eles, eles vão encontrando investigando algo à medida que vai passando o tempo, que as aulas vão acontecendo. (L2).
As atividades investigativas constituem um importante recurso pedagógico que o professor pode utilizar para diversificar a sua prática docente [...], há uma participação ativa dos alunos no processo de aprendizagem, que se manifesta quando se busca discutir, refletir e explicar o que lhe foi proposto. (L3).
Tal fato parece sinalizar que somente o estudo de referencial teórico pode não garantir o total entendimento e a futura execução de atividades com caráter investigativo. Em outras palavras, os licenciandos que desenvolveram as Atividades Investigativas na escola acabaram se deparando com a necessidade de aportes teóricos para sustentar a prática de sala de aula. Em contrapartida, entende-se que a prática de qualquer estratégia de ensino não é possível sem a discussão dos referenciais teóricos ligados a ela, além da necessidade de domínio conceitual da área de atuação, como destaca L3 em sua fala, ao se referir às maiores dificuldades enfrentadas ao trabalhar com este tipo de atividade: 'O domínio conceitual necessário para contemplar uma atividade de caráter investigativo.' (L3).
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## (iii) Papel da escola
Parece que a escola, espaço em que as Atividades Investigativas elaboradas na universidade são implementadas, também tem influências na formação do futuro professor.
L4 relata resistência da própria escola frente a implementação de tais atividades: '[...] além da barreira de às vezes a instituição ser contra, tem que enfrentar barreira dentro da sala de aula.' (L4). Esta barreira pode ter relação com o fato dos alunos estarem adaptados a aulas em que não possuem espaço para participar, em que assumem papel passivo ao receberem as informações do professor. Este aspecto é destacado por L2: 'A dificuldade é encontrar uma estratégia que motive os alunos a fazerem, saírem dessas aulas comuns.' (L2).
A resistência por parte dos alunos é mencionada também por L1, que relata também outras dificuldades que enfrentou no desenvolvimento de Atividades Investigativas:
Falta de tempo para um bom planejamento destas atividades, a nossa insegurança ainda enquanto professores em formação inicial e também um pouco de resistência por parte dos alunos, talvez por eles não terem muito contato com estas atividades. (L1).
Nesse sentido, Zômpero e Laburú (2012), sinalizam a partir de pesquisa, que a implementação de novas metodologias pode configurar-se como dificuldades para os alunos, causando uma certa resistência destes quando lhe são dadas situações que demandem pensar sobre um determinado problema.
## Considerações Finais
A partir da pesquisa pode-se constatar que o estudo de referencial teórico sobre Atividades Investigativas, bem como a construção de propostas visando a implementação na Educação Básica tem ocorrido em Componentes Curriculares do curso de Licenciatura em Ciências Exatas - Ênfase em Física. Porém, parece que somente esse estudo desvinculado da prática não é o suficiente para garantir o entendimento e a futura execução de atividades desse tipo pelos licenciandos.
Ressalta-se que os licenciandos mostraram-se perceptivos à utilização da metodologia em Componentes Curriculares que não tem como foco o estudo de referenciais teóricos, evidenciando que a metodologia tem balizado atividades propostas e que o estudo do referencial teórico tem contribuído para os licenciandos, uma vez que eles demonstraram a capacidade de reconhecer essas atividades.
Evidencia-se a contribuição do PIBID na Formação Inicial de professores, uma vez que os licenciandos que são bolsistas do programa demonstraram terem estudado o referencial teórico, ter construído propostas e implementado as mesmas com alunos da Educação Básica. Portanto o PIBID contribui não somente com a formação dos futuros professores de Física, como com a construção do conhecimento e autonomia dos alunos da Educação Básica.
Finalizando, destaca-se a potencialidade da utilização de Atividades Investigativas no Ensino de Física, tanto na Educação Básica como na Formação Inicial, uma vez que contribui para que o aluno não somente entenda o conceito, mas compreenda a natureza do conhecimento científico.
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## Referências
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CHAVES, J. M. F. Atividades Experimentais Demonstrativas no Ensino de Física : Panorama a partir de Eventos da Área. 17 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Licenciatura em Ciências Exatas) - Universidade Federal do Pampa, Caçapava do Sul, 2014.
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OLIVEIRA, T. C. Contribuições do PIBID na formação docente de acadêmicos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas - Habilitação Química . 16 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Licenciatura em Ciências Exatas) - Universidade Federal do Pampa, Caçapava do Sul, 2014.
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ZÔMPERO, A. F.; LABURÚ, C. E. Atividades investigativas no ensino de ciências: aspectos históricos e diferentes abordagens. In: Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências . v. 13, n. 3, p. 67, 2011.
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