O ÁLBUM DE FIGURINHAS COMO FERRAMENTA DE SISTEMATIZAÇÃO/AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA
Letícia Dos Santos Fonsêca, Luciane Soares Almeida, Bruna Aquino De Morais, Celita Josefina De Oliveira, Gabriel Da Silva Melo Júnior, Joedla Monique Lopes Pereira, Rayane Medeiros De Oliveira, Rhodriggo Mendes Virgínio, Ricardo Rodrigues Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O ÁLBUM DE FIGURINHAS COMO FERRAMENTA DE SISTEMATIZAÇÃO/AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA
Letícia dos Santos Fonsêca , Luciane Soares Almeida , Bruna Aquino de 1 2 Morais 3 , Celita Josefina de Oliveira , Gabriel da Silva Melo Júnior , Joedla 4 5 Monique Lopes Pereira 6 , Rayane Medeiros de Oliveira , Rhodriggo Mendes 7 Virgínio , Ricardo Rodrigues da Silva 8 9
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, 1 fonseca\_le\_ticia@hotmail.com; luciane.almeida@ifrn.edu.br; brunaaquino1@hotmail.com; 2 3 4 celitajo2010@bol.com.br; fred\_gabriel@hotmail.com; joedla10@hotmail.com; 5 6 7 rayane.medeiros.oliveira@gmail.com; rhodriggo.virginio@ifrn.edu.br; ricardo.rodrigues@ifrn.edu.br 8 9
## Resumo
- O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma ferramenta de sistematização e avaliação, utilizada na oficina A Física nas Olimpíadas, do PIBID Subprojeto de Física do IFRN-Campus Caicó. Trata-se de um álbum de figurinhas, uma mescla de portfólio e diário de pesquisa. Baseamo-nos na proposta das Sequências de Ensino Investigativas (SEI), conforme Carvalho (2013; 2014). Encontramos no álbum de figurinhas uma forma mais lúdica de os alunos escreverem (sistematizarem) seus pareceres sobre as aulas de forma coletiva-discursiva e reflexiva. Apresentamos também uma análise da intervenção A Física nos calçados esportivos, e relatamos como ocorreram a aplicação da ferramenta, destacando os avanços e dificuldades no desenvolvimento dos conceitos pelos alunos. Verificamos que a utilização do álbum de figurinhas como ferramenta de sistematização e avaliação, mediado por uma sequência investigativa, no estudo da Física nos esportes, auxilia no levantamento das concepções dos alunos, na contextualização, na compreensão e na motivação no estudo de conteúdos físicos.
Palavras-chave : PIBID, Física nas Olimpíadas, Sequência de Ensino Investigativa, Álbum de figurinhas, Ferramenta de sistematização.
## Introdução
- O presente trabalho tem por objetivo apresentar um álbum de figurinhas como uma ferramenta de sistematização e avaliação. Baseamo-nos na proposta das Sequências de Ensino Investigativas (SEI), em particular, na etapa de sistematização, a qual, conforme Carvalho (2013, p. 12-13), consiste na 'passagem da ação manipulativa à ação intelectual', em que os alunos vão explicitando o que foi realizado durante a atividade experimental, levando 'ao início do desenvolvimento de atitudes científicas'.
- A Sequência de Ensino Investigativa, de acordo com Carvalho (2013), é iniciada por um problema, experimental ou teórico, contextualizado, introduzindo os alunos na temática e oferecendo condições para pensarem e trabalharem com as variáveis importantes. A autora destaca que para uma atividade ser chamada de investigativa é preciso 'estar acompanhada de situações problematizadoras, questionadoras e de diálogo, envolvendo a resolução de problemas e levando à introdução de conceitos' (CARVALHO, 2014, p. 47).
Qualquer que seja o tipo de problema, deve-se assegurar uma sequência de etapas que possibilite aos alunos levantar e testar suas hipóteses, passando da ação manipulativa para a intelectual. Não pode ser uma questão qualquer, devendo
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ser bem planejada para estar condizente com as características apontadas pelos referenciais teóricos e estar inserida na cultura social dos alunos, provocando interesse para que se envolvam na procura de uma solução, permitindo que os alunos exponham os conhecimentos antes adquiridos (CARVALHO, 2013).
Carvalho (2013), propõe quatro etapas no desenvolvimento das SEI, a saber: distribuição dos materiais e proposição do problema; resolução do problema pelos alunos; sistematização do conhecimento elaborado durante a investigação e sistematização individual (escrever e desenhar).
Isto posto, apresentamos neste trabalho uma sequência de ensino organizada em formato de oficina, intitulada A Física nas Olimpíadas, planejada com base na proposta das SEI, desenvolvida no âmbito do PIBID/Subprojeto de Física do IFRN-Campus Caicó, na Escola Estadual Profª. Calpúrnia Caldas de Amorim (ECCAM), na qual utilizamos a Física nos esportes como contextualização, e o álbum de figurinhas como ferramenta didática de sistematização e avaliação das intervenções, apontado avanços e dificuldades no desenvolvimento dos conceitos pelos alunos.
## O álbum de figurinhas
A ideia de se trabalhar com um álbum de figurinhas partiu da própria temática da oficina, A Física nas Olimpíadas, que nos fez lembrar, quando crianças, o quanto nos sentíamos motivados, ao chegar à época da copa do mundo, para preenchermos nossos álbuns com as figuras dos jogadores, estádios, bandeiras etc. Então, se o álbum era algo que nos causava tanto divertimento/motivação, por que não utilizá-lo/adaptá-lo para o Ensino de Física? Com isto, apresentamos uma nova interpretação para esse instrumento, trazendo-o como uma mescla de portfólio e diário de pesquisa, mas prezando pela ludicidade e motivação que o álbum de figurinhas pode proporcionar.
Durante nossas intervenções, o álbum foi utilizado como ferramenta de sistematização das atividades, isto é, na etapa apontada por Carvalho (2014), como a de escrever e desenhar (sistematização individual). Após o desenvolvimento das discussões e investigações, os alunos utilizaram o álbum para registrar o que foi trabalhado durante toda a intervenção.
Embora na proposta de Carvalho (2013), essa etapa das SEI seja realizada de forma individual, optamos pela divisão do álbum em seções e sua construção coletiva. No entanto, isto não impede a utilização do álbum de forma individual, em outras atividades.
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Figura 1: Algumas seções do álbum de figurinhas
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Conforme esclarece Vannucchi (1996 apud CARVALHO, 2014, p. 23), 'quando aumentam as oportunidades de discussão e argumentação, também se incrementa a habilidade dos alunos compreenderem os temas submetidos à investigação e os processos de raciocínio envolvidos'. Desse modo, identificamos no uso do álbum de figurinhas uma forma ainda mais lúdica de os alunos escreverem (sistematizarem) seus pareceres sobre as aulas de forma coletivadiscursiva e reflexiva.
## A oficina A Física nas Olimpíadas
A ideia de elaborarmos uma oficina que trabalhasse a Física nas olimpíadas, partiu de dois motivos: 1) a própria motivação dos bolsistas com a realização das Olimpíadas no Brasil e; 2) A importância de uma apresentação (educativa) das olimpíadas, dando margem ao estudo e aplicação de diversas áreas do conhecimento, dentre outras, Física, Biologia, Química, História.
Planejamos, então, uma oficina que buscava trabalhar a aplicação dos estudos físicos nos esportes, mas que ressaltasse também aspectos de técnicas esportivas, históricos e culturais, para que não utilizássemos o esporte, técnica ou equipamento como mero pretexto ao estudo da Física, apresentando algo presente em um contexto mais amplo e interdisciplinar. Concordamos com Santiago e Martins (2009, p. 21) quando apontam que um dos benefícios de trabalhar a física unida aos esportes é 'trazer para sala de aula situações reais do cotidiano dos alunos', além de possibilitar o desenvolvimento de projetos interdisciplinares.
No desdobramento da oficina foram realizadas três intervenções, quais sejam:
- a) A Física no gol olímpico : tinha por objetivo que os alunos conhecessem a história do gol olímpico (Quem fez? Onde? Quando? Por que foi chamado assim?), identificassem e associassem as técnicas esportivas, de chute de escanteio, a fenômenos físicos, como o efeito Magnus. A metodologia utilizada foi a exposição dialogada, inspirando-se no formato de comentários esportivos, iniciando com a discussão sobre futebol, técnicas e habilidades de alguns jogadores;
- b) A Física nos calçados esportivos: propunha-se a trabalhar com uma proposta de ensino investigativa, conforme os referenciais já apontados. Os alunos,
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divididos em grupos e orientados a escolherem um representante para calçar um dos sapatos e testá-lo numa superfície (sorteada pelo professor), para que identificassem quais as dificuldades e/ou facilidades ao utilizar o calçado em determinado solo, avaliando as características e os aspectos físicos relacionados à natureza da modalidade esportiva, como o atrito com a superfície, pressão etc. Os calçados utilizados foram basqueteira, chuteira, sapatilha e um tênis de maratona;
- c) A Física nos uniformes esportivos : também se propunha a trabalhar com uma proposta de ensino investigativa. Os alunos, divididos em grupos, foram orientados a escolherem um representante para vestir um dos uniformes e testar como seu corpo responde a mudança de ambiente (do frio para o quente), avaliando as características de cada um dos uniformes e como isso auxilia na modalidade para qual é destinado, identificando os aspectos físicos relacionados à natureza da modalidade esportiva, como a condução térmica, pressão etc. Os uniformes utilizados foram de basquete, futebol e um quimono.
Nas três intervenções utilizamos o álbum de figurinhas como ferramenta de sistematização do conteúdo abordado. Apresentaremos como exemplo a intervenção A Física nos calçados esportivos, por ser a primeira que trabalhamos, propriamente com uma sequência investigativa.
## A utilização do álbum de figurinhas como ferramenta de sistematização na intervenção A Física nos calçados esportivos
- A intervenção A Física nos calçados esportivos foi iniciada no pátio da escola, com a apresentação da temática e uma breve discussão sobre a diversidade de calçados esportivos, apresentando os que havíamos levado: chuteira, sapatilha, basqueteira e tênis de maratona.
Como participaram da intervenção apenas sete alunos, realizamos a divisão em dois grupos, com três e quatro alunos respectivamente, dando-lhes os encaminhamentos à atividade, isto é, investigar qual suas percepções (dificuldades e/ou facilidades) de mobilização quando utilizavam os calçados em determinadas superfícies.
Realizamos um sorteio dos calçados e das superfícies (Areia, Grama, Cimento rugoso e Cimento liso e/ou cerâmica) a serem testadas, obtendo: a) Basqueteira Æ Grama; b) Chuteira Æ Areia; c) Sapatilha Æ Cimento liso e/ou cerâmica; d) Tênis de maratona Æ Cimento rugoso.
Como forma de 'orientar' a prática dos alunos, entregamos-lhes um roteiro com os seguintes questionamentos:
- 1. Quando utilizaram este calçado, \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_, na superfície descrita, \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_, o que perceberam? Auxiliou ou dificultou a movimentação? É apropriado praticar o esporte deste calçado nesta superfície? Por quê?
- 2. Como pudemos perceber, os calçados são planejados para cada modalidade esportiva, variando de acordo com suas especificidades. Isto posto, descreva características do calçado que auxiliam na prática do esporte o qual está direcionado. Por exemplo: Sapatilhas de atletismo, contém pregos na parte frontal que ajudam na aderência ao solo.
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Após o teste e coleta de dados tivemos um momento de socialização em grupo, no qual alertamos aos alunos que prestassem atenção na fala dos colegas por que seria útil posteriormente. No meio da discussão apareceram, na fala dos alunos, aspectos físicos como pressão, atrito, impulso, que utilizávamos na inserção dos conteúdos físicos na intervenção.
Tabela 1: Análise realizada pelos alunos utilizando o roteiro investigativo
Encerrada esta etapa, convidamos os alunos à montagem do álbum de figurinhas, no entanto, modificamos a ordem estabelecida no início da intervenção, cada grupo preencheria as partes da investigação realizada pelo outro grupo, relembrando e discutindo os dados e análises apontadas pelos colegas e ministrantes.
Tabela 2: Análises realizadas no álbum de figurinhas
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## Análise preliminar dos resultados
Verificamos que na maioria das situações os alunos conseguiram 'aplicar' o conhecimento físico, discutido na socialização, de forma adequada. No caso da sapatilha de ginástica, por exemplo, o conceito de atrito foi elaborado de forma satisfatória, pois consideraram tanto a rugosidade do calçado, quanto da superfície como responsáveis pela facilidade do movimento do atleta . 2
Da mesma forma ocorreu com o grupo responsável pelo tênis de maratona. Os alunos destacaram que o solado do tênis aumentava o atrito com o solo, o que dialoga com a investigação realizada pelo outro grupo (Tabela 1), que destacaram que o solado do tênis de maratona é bem maior do que o tênis normal.
No caso dos alunos que escreveram sobre a basqueteira, ainda evidenciaram uma ideia confusa sobre o conceito de força de atrito, destacando o tipo de material como determinante para a disposição da superfície, 'horizontal', e não para o aumento ou diminuição da resistência.
Outro caso interessante é o da chuteira de futebol: Embora não possamos, apenas com essa pesquisa, afirmar que os alunos aprenderam os conceitos na sua forma mais profunda (KRAPAS-TEIXEIRA e PACCA, 1994), os alunos apresentaram, para este caso, de forma adequada o termo força peso , diferente das
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concepções encontradas, entre peso e massa e, o conceito de pressão ainda está 3 sendo construído pelos alunos, pois apresentaram de forma invertida a situação e a consequência do fenômeno, afirmando que uma maior fixação causa uma menor pressão, e não o inverso uma menor pressão (entre solo e sapato) causa uma maior facilidade de movimentação.
## Considerações finais
Verificamos, por meio da análise das respostas dos alunos, que a utilização do álbum de figurinhas como ferramenta de sistematização e avaliação, mediado por uma sequência investigativa, no estudo da Física nos esportes, auxilia a:
- i. Evidenciar as concepções que os alunos possuem e como estão construindo os conceitos físicos;
- ii. Contextualizar o conhecimento científico, vislumbrando a Física presente em situações do cotidiano e como seu conhecimento pode auxiliar no dia a dia (na comprar de um calçado adequado, por exemplo);
- iii. Compreender os conceitos físicos, como pudemos perceber na diferença no escrito pelos alunos antes e depois da discussão/socialização dos dados, em que passaram da exposição de dados, para apresentação de conceitos;
- iv. Motivar os alunos a estudar física, pois além de muitos deles já praticarem esportes (judô, vôlei e futebol e/ou gostavam de acompanhar aos jogos), no preenchimento do álbum de figurinhas, notamos uma interação bem maior entre eles, discutindo e tentando relembrar o que foi debatido para repassarem ao álbum. Como também zelavam por uma escrita adequada (com concordância e coerência textual), caligrafia, tendo cuidado até mesmo na hora de colar as figurinhas.
Isto posto, constatamos que a utilização do álbum de figurinhas como ferramenta de sistematização propicia um importante momento de ensino, aprendizagem e avaliação, sendo uma ótima ferramenta se utilizada no Ensino de Física, nos diversos conteúdos além dos esportivos.
## Referências
CARVALHO, A. M. P. O ensino de Ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas. In: CARVALHO, A. M. P. Ensino de Ciências por investigação: condições para implementação em sala de aula. São Paulo: Cengage Learning, 2013. p. 1-20.
CARVALHO, A. M. P. Calor e Temperatura: um ensino por investigação. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2014.
KRAPAS-TEIXEIRA, S.; PACCA, J. L. A. O peso medido pela balança: ruptura e continuidade na construção do conceito. Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, v. 11, n. 3, p. 154-171, 1994.
SANTIAGO, R. B.; MARTINS, J. C. A interpretação física de um golpe do karatê: o Gyaku-zuki. Física na Escola , v. 10, n. 2, p. 19-21, 2009.
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YOUNG, H. D.; FREEDMAN, R. A. Física I: Sears e Zemansky: Mecânica. 12ª. ed. São Paulo: Addison Wesley (PEARSON), v. I, 2008.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.