COMO O PROFESSOR DE FÍSICA ESCOLHE E UTILIZA O LIVRO DIDÁTICO?
Ivani T. Lawall, Nicole C. Bilésimo, Patrick J. De L. Barbosa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## COMO O PROFESSOR DE FÍSICA ESCOLHE E UTILIZA O LIVRO DIDÁTICO?
## Ivani T. Lawall , Nicole C. Bilésimo , Patrick Jordy de Lima Barbosa 1 2 3
1 UDESC/DFIS/ivani@joinville.udesc.br
2 UDESC/DFIS/Bolsista PROBIC/ ncbilesimo@gmail.com
3 UDESC/DFIS/Bolsista PROBIC/ com patrijordy@gmail.com
## Resumo
Este trabalho tem por objetivo identificar o perfil dos professores de Física e investigar as relações entre a escolha de livro didático e a sua forma de utilização em sala de aula. Para isso utilizou-se de um questionário com perguntas abertas e de múltiplas escolhas. Apresenta-se a análise dos questionários e por meio da análise do discurso foi possível classificar as respostas em três aspectos: i) uso de recursos didáticos em sala de aula; ii) escolha do livro didático; iii) uso do livro didático em sala de aula. Dentre os professores que responderam o questionário, o tempo de atuação em sala de aula da maioria é de 7 a 25 anos. Os professores afirmam que utilizam o livro didático em sala de aula assim como outros recursos, entre eles: vídeos, internet e visitas técnicas. O livro didático serve de material para os alunos produzirem seus próprios textos, exercícios e estudarem para as provas. Em relação ao processo de escolha do livro didático, é descrito pelos professores como um processo democrático, no qual cada professor indica uma coleção, e esta é votada pelos participantes. Há indícios de que os professores se valem do livro didático como suporte para preparar suas aulas, porém o mesmo não é utilizado como material didático pelos alunos.
Palavras-chave : Professores, Física, Livros Didáticos, Recursos Didáticos.
## Introdução e Justificativa
As atividades educacionais realizadas nas instituições escolares são, em boa medida, condicionadas pela utilização dos livros didáticos (LDs). O saber a ser ensinado passa por uma segmentação, seleção e organização em sequências progressivas e sofre um processo que Magda Soares (1996) chama de didatização ou escolarização. Os currículos, programas e materiais didáticos representariam, assim, estratégias sociais e educacionais para a concretização e operacionalização desse saber escolarizado. Os LDs são um dos instrumentos escolares utilizados para assegurar a aquisição dos saberes e competências julgadas indispensáveis à inserção das novas gerações na sociedade, ou seja, saberes que a ninguém seria permitido ignorar.
O LD tem uma presença marcante em sala de aula, muitas vezes, como substituto do professor quando deveria ser mais um dos elementos didáticos do trabalho docente. Dessa maneira, os conteúdos e métodos utilizados pelo professor em sala de aula estariam na dependência dos conteúdos e métodos propostos pelo livro didático (LD) adotado. Muitos fatores têm contribuído para que o LD tenha esse papel de protagonista na sala de aula, dentre eles a atração irresistível exercida sobre o professor por um livro que promete tudo pronto, tudo detalhado, bastando mandar o aluno abrir a página e resolver exercícios.
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23 a 27 de janeiro de 2017
Nas últimas décadas, muitos pesquisadores têm desenvolvido estudos sistemáticos sobre os mais variados aspectos relacionados ao livro didático. Lajolo (1987) mostra que os manuais escolares sempre tiveram uma história de desacertos e desencontros. Mohr (1994) e Delizoicov (1995), analisando especificamente LDs destinados ao Ensino Fundamental, apontam erros conceituais graves. Segundo os estudos desses autores, verifica-se a displicência em se veicular a informação incorreta, evidenciando a necessidade de investimentos na orientação de professores, na perspectiva de seu aperfeiçoamento, de forma a estarem preparados para realizar uma análise crítica do conteúdo presente nos instrumentos didáticos.
A partir de 1995 começou-se a 'sistematizar os indicadores qualitativos para iniciar o intenso processo de avaliação do livro didático' (NAHIBA, 2001). O governo, que atuava como comprador e distribuidor dos LDs para os níveis fundamentais, constituiu uma comissão para avaliar a qualidade dos conteúdos e dos aspectos pedagógico-metodológicos dos 10 livros mais solicitados ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) (CARVALHO, 2007). Os dados levantados pela comissão mostraram que o MEC 'vinha comprando e distribuindo para as redes públicas de ensino, LDs com erros conceituais, desatualizados em relação aos conteúdos e preconceituosos' (CARVALHO, 2007).
Com a melhoria da política pública adotada, a partir dos anos subsequentes, foi percebível a melhora da qualidade dos livros distribuídos às escolas públicas, tanto no nível fundamental quando no nível médio de ensino (NABIHA, 2001; CARVALHO 2007; BRASIL, 2014). Em 2014 foram vinte e oito milhões, novecentos e dezenove mil e cento e quarenta e três alunos beneficiados com um investimento total de um bilhão, trezentos e trinta milhões, cento e cinquenta mil, trezentos e trinta e sete reais e trinta e seis centavos para os alunos de primeira a terceira série do Ensino Médio (BRASIL, 2014).
- O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) constitui-se como uma ação política de grande relevância. Apesar da existência de outros programas para prover as escolas com recursos didáticos, os LDs são o único suporte/veículo de conteúdos e métodos de ensino que têm sua presença garantida pelo Estado em todas as escolas. Os livros guardam correspondência com essas ações, uma vez que são avaliados a partir de indicadores nacionais que incluem aspectos relativos à cidadania, aos conteúdos e aos métodos de ensino.
Os manuais escolares talvez sejam os principais veículos onde a cultura escolar se expressa e, mesmo criticados, ainda são um instrumento fundamental para o ensino escolar. Batista (1999 ) afirma:
...os livros didáticos são a principal fonte de informação impressa utilizada por parte significativa de alunos e professores brasileiros e essa utilização intensiva ocorre quanto mais as populações escolares (docentes e discentes) têm menor acesso a bens econômicos e culturais . (BATISTA, 1999, p. 87).
O LD, na visão de Morais e Albuquerque (2005), constitui-se ao longo da história como um material regulamentador da prática do professor, pois dita a sequência dos conteúdos a serem ministrados, os exercícios a serem feitos e até mesmo a forma de correção dos exercícios.
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Conforme Freitag (1984) e Faria (1989), o LD constitui-se num forte elo de interação entre o trabalho de professores e alunos em sala de aula, sendo verificado como um instrumento importante no processo de aprendizagem do aluno. A produção de LDs é voltada para crianças de forma genérica, cabendo ao professor pensar nos seus alunos no momento da análise e seleção do livro, pois são as necessidades desses alunos específicos que o livro precisará suprir (NUÑEZ, 2003).
No que diz respeito ao professor, que é uma peça fundamental quando se fala de implantar novos conteúdos e metodologias em sala de aula, torna-se importante analisar também seu desenvolvimento profissional. As questões de sala de aula, os problemas que lhes são apresentados, fazem parte do seu processo de construção pessoal.
É nesse ambiente que instrumentos teóricos capazes de auxiliar o professor a iluminar suas práticas e empreender uma análise e reflexão tornam-se relevantes. O papel do professor torna-se fundamental, pois este, a rigor, faz a Transposição Didática, trabalha nela e pode explorar as possibilidades de reorientar e/ou reorganizar a estrutura didática do saber ensinado, considerando os aspectos epistemológicos, psicológicos e pedagógicos, conforme já foi apontado por Orange (1990).
Segundo Tardif (2002) o desenvolvimento do saber profissional é associado tanto às fontes e lugares de aquisição quanto aos momentos e fases de construção a ele associados. Alguns autores (Huberman, 2000; Fuller & Bown, 1975, Kagan, 1992) dividem o desenvolvimento profissional dos professores em fases, que podem ser definidas como mudanças que ocorrem ao longo do tempo, em aspectos que determinam o comportamento, o conhecimento, as imagens, as crenças ou as percepções dos professores.
- O artigo tem por objetivo identificar o perfil dos professores da disciplina de Física e investigar as relações entre a escolha do LD e as formas de sua utilização em sala de aula.
## Metodologia
A pesquisa realizada foi de natureza qualitativa. Para isso, aplicou-se um questionário, o qual possibilita ao pesquisador recolher informações variadas e amplas, além de permitir um estudo exploratório que possibilite ao 'investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema' Triviños (1987, p.109).
Os questionários foram encaminhados a professores de Ciências do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de Física, Química, e Matemática da 23ª Gerência Regional de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina, tanto impressos como também em forma digital. Inicialmente foram encaminhados para escolas próximas da IES, no 2º semestre de 2014. Neste primeiro encaminhamento obteve-se 12 questionários respondidos por professores de física, química, matemática e biologia. No segundo encaminhamento, em 2015, foi entregue para um grupo de professores em um curso de Formação Continuada da rede municipal contando com 45 participantes. Neste curso de formação os 14 professores que responderam o questionário, ministram a disciplina de Ciências, com formação em Biologia. O terceiro encaminhamento, realizado no 2º semestre de 2015, para as escolas estaduais da região, foi direcionado a todos os professores da área de ciências e obteve-se a devolução de 11 questionários. No início de 2016 os questionários
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foram encaminhados aos professores de Física na 2ª GERED, destes obteve-se a resposta de 6 questionários. Tem-se 43 questionários respondidos até o presente momento. Neste trabalho serão apresentados os dados da análise das respostas dos professores de Física, totalizando 19 questionários.
O questionário possui perguntas abertas e fechadas, as perguntas fechadas são divididas em múltiplas escolhas e/ou com alternativas de maior índice de utilização. Tais dados foram organizados em Diagramas de Pareto (BARBETTA, 2010). Os tópicos do questionário foram os seguintes: a formação e atuação do professor; recursos didáticos utilizados em sala de aula; critérios de escolha do livro didático; utilização do livro didático em sala de aula.
Para a discussão dos resultados as respostas foram classificadas pela análise de conteúdo proposta por Bardin (2007), os mesmos são relevantes para identificar como funciona a escolha do LD e o que o profissional prioriza ao escolher este material, como ele é utilizado em sala de aula e quais são os recursos didáticos mais importantes e mais utilizados por ele. A análise dos questionários dividiu as respostas em três categorias relevantes: i) uso de recursos didáticos em sala de aula; ii) uso do livro didático (LD); iii) escolha do livro didático (LD).
## Resultados e Discussões
A partir da análise dos questionários dividiu-se a apresentação em duas partes: i) Perfil dos professores; ii) Livro Didático.
## I) Perfil dos professores
Em relação ao perfil do professor as respostas nos questionários foram analisadas e os dados obtidos serão apresentados de acordo com as fases da carreira em que se encontram os professores (HUBERMAN, 2000). Esta separação é feita para facilitar o reconhecimento de possíveis semelhanças e/ou diferenças presente nas diferentes fases.
Na análise das respostas identifica-se que 4 professores estão no início de carreira, Fase 1, entrada na carreira de 1 a 3 anos em sala de aula. É comum o professor encontrar-se entusiasmado com a profissão e com as situações que se depara em sala de aula, questionando se o seu desempenho está ou não satisfatório e se conseguirá superar os problemas com a disciplina dos alunos. Na Fase 2, de Estabilização, com o tempo de serviço entre 4 a 6 anos, tem-se 3 professores, este é o estágio no qual os professores se preocupam mais com os objetivos pedagógicos (Fuller, 1969) e pela busca de formas metodológicas diferenciadas, tendo maior interesse pela aprendizagem dos estudantes.
Encontramos a maioria dos professores, na Fase 3, chamada de Diversificação e Experimentação, com o tempo de serviço de 7 a 25 anos, sendo que 11 estão nesta fase. Este é o estágio em que muitas vezes o profissional busca diversificar seu material didático, suas metodologias de ensino e a maneira como atua em sala de aula. Na Fase 4, identificada como Serenidade e Distanciamento afetivo, entre 25 e 34 anos em sala de aula, somente 1 professor encontra-se nesta fase, caracterizada pela procura por uma situação profissional mais estável, trabalhando de forma monótona, sem grandes mudanças pedagógicas.
Acredita-se que esses diferentes fatores podem ser levados em conta ao analisar um grupo de professores que realiza a escolha do livro didático. Segundo
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Tardif (2002), o desenvolvimento do saber profissional é associado tanto às suas fontes e lugares de aquisição quanto aos seus momentos e fases de construção.
Em relação à carga horária de trabalho, 5 professores trabalham abaixo de 20 horas por semana, oito professores trabalham de 20 até 40 horas por semana e seis professores trabalham acima de 40 horas. Dentre os professores questionados, 13 atuam na região de Joinville e 6 atuam em Maravilha, cidades do Estado de Santa Catarina. Pode-se observar que o número de questionários ainda é baixo, mas a amostra é consistente para a análise.
## II) Livro Didático (LD)
Ao realizar a análise das respostas, observou-se uma proximidade em relação a temas específicos, com o auxílio da análise de conteúdo de Bardin (2007), foi possível a divisão em três categorias. São elas: uso de recursos didáticos em sala de aula; uso do livro didático e a escolha do livro didático. A seguir é apresentada cada uma dessas categorias e discutidos os resultados.
## I - USO DE RECURSOS DIDÁTICOS EM SALA DE AULA
Ao perguntar aos professores quais os recursos didáticos que utiliza durante suas aulas, observa-se na tabela 1 que além do material proposto pelo PNLD, utilizam outras estratégias didáticas.
Tabela 1 - Uso de recursos Didáticos em sala de aula.
Os professores responderam que frequentemente utilizam o LD escolhido ou outro LD indicado pelo PNLD para o Ensino Médio. Isso mostra que existe uma dificuldade na superação da prática tradicional, na qual os conceitos, leis e fórmulas são tratados de forma desarticulada em relação ao mundo vivido pelo aluno e professor. Ocorre uma automatização na resolução de exercícios e na memorização. Têm-se indícios de que os conteúdos e métodos utilizados pelo professor em sala de aula estariam na dependência dos conteúdos e métodos propostos pelo livro didático adotado. Confirmando que o LD apresenta o papel de protagonista na sala de aula, que promete tudo pronto, detalhado, indicando que o aluno abra a página e resolva os exercícios.
O laboratório é outro recurso didático citado com frequência pelos professores, quando não é utilizado justifica-se pela falta de materiais ou falta de espaço nas escolas. Nesse sentido os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) destacam que 'é preciso rediscutir qual Física ensinar para possibilitar uma melhor compreensão do mundo e uma formação para a cidadania mais adequada' (Brasil, 1999a, p.230). A indicação do uso de laboratório, vídeos, internet pode ser corroborada pelos PCNs os quais alertam que não basta rever conteúdos. É preciso
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dar uma nova dimensão ao ensino da física, buscando a contextualização e considerando o dia-a-dia do aluno como ponto de partida e de chegada. Proporcionar ao ensino de física um caráter conceitual/universal e local/aplicado , tornando a física um meio, um instrumento de compreensão do mundo.
## II - USO DO LIVRO DIDÁTICO
Dos 19 professores 18 afirmam que o LD se caracteriza como um material de apoio e não um roteiro a ser seguido, sendo indicado que este é muito utilizado para preparar as aulas, provas e elaborar o planejamento anual. Os livros são utilizados para os alunos resolverem exercícios e para leitura de textos, ou como material para estudarem para as provas e/ou realizarem outros exercícios avaliativos.
Outro item considerado é o uso do Manual para o Professor. O manual segundo o PNLD é descrito como o material ' que contribui para a compreensão da proposta didático-pedagógica da obra e auxilia o professor nas orientações didáticas aos estudantes '. Onze professores responderam que o utilizam frequentemente. A função do Manual é a de 'estimular o professor a continuar investindo em sua própria carreira', nesse aspecto metade dos professores citaram como muito utilizado para aprender novos conhecimentos, mostrando que o objetivo tem sido atingido.
Dessa forma, um dos pontos relevantes no LD é a sua qualidade, tanto gráfica quanto conceitual, pois ele não é um instrumento auxiliar como qualquer outro em sala de aula, servindo de apoio ao professor, estímulo e aprendizagem .
## III - ESCOLHA DO LIVRO DIDÁTICO
Em relação à escolha do LD, 9 professores participaram de todo o processo (discussão, análise, avaliação do Guia e indicação) e 1 só de parte do processo. O PNLD não especificou nenhum padrão para o processo de escolha. Na maioria das escolas foi democrático, sendo descrito como uma escolha em grupo, no qual cada professor sugere uma coleção didática e, por votação, a coleção é escolhida pela maioria. Dentre os motivos para a escolha do LD estão: pela avaliação do Guia do LD (4 respostas); já conhecia o LD (3 respostas); indicação de outros professores (1 resposta); propostas diferentes de exercícios (1 resposta); organização do conteúdo clara e atraente para os alunos (1 resposta).
Entre os motivos para não escolha dos LDs estão conteúdos e exercícios descontextualizados e/ou muito extensos, descontextualização histórica e por não apresentar relação entre a teoria e a prática. Dos professores que fizeram parte dos processos de escolha do LD, 8 não fizeram referências à sua qualidade. Contudo, 12 dos 19 professores descreveram que em algum momento tiveram espaço para discussão sobre a escolha do LD na escola. Existe certa discrepância entre os critérios utilizados pelos professores com os critérios empregados pelo MEC para avaliar os LDs. Os professores de Física ao indicarem os LDs, desconsideram os critérios utilizados pelo MEC para avaliá-los, utilizando critérios próprios. É necessário que o professor tenha uma visão crítica do LD.
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## Conclusão
Ao identificar o perfil dos professores da disciplina de Física e ao investigar as relações entre a escolha do LD e as formas de sua utilização em sala de aula podese verificar que a escolha da utilização do livro didático é uma questão complexa.
Pelas respostas observa-se que os professores utilizam o LD como um material de suporte, para preparar suas aulas e como fontes de novos conhecimentos. O LD não é utilizado pelos alunos como um material didático, mas sim como uma fonte de leitura e de resolução de exercícios ou para estudarem para as avaliações.
O laboratório mostra-se como um recurso utilizado, mesmo quando a escola não possui infraestrutura, neste caso o professor faz adaptações à própria sala de aula ou realizam experimentos demonstrativos. Essa busca pela utilização do laboratório, mesmo com as adversidades, e a procura por outros recursos didáticos diferenciados podem ser explicados pelas fases de atuação das maiorias dos professores, na qual buscam diversificar seu material didático.
A participação dos professores na escolha do LD tem que ser observada com mais atenção, pois eles não fazem referência à qualidade do LD escolhido. Esse fato se mostra interessante, pois o método de escolha é democrático, logo o LD indicado pode conter uma estrutura que não agrade o professor, ou mesmo erros que não foram citados.
Tendo o livro didático papel fundamental no desenvolvimento da disciplina, é necessário que o professor analise criticamente as opções de livros apresentadas pelo PNLD, escolhendo o que mais se aproxime da realidade da escola e das possibilidades de execução de atividades propostas que contribuam com o processo de aprendizagem.
É necessário que o professor tenha uma visão crítica do LD, um material influente no contexto escolar, pois, mesmo que este material passe por processos de avaliações sistemáticas para atestar sua qualidade (PNLD, 2015), a utilização correta deste material é um grande formador educacional e negligenciar essa visão pode levar a problemas de aprendizagem na formação dos estudantes.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.