Primeiros passos da Iniciação à Docência em Física na Universidade Federal de Santa Catarina
Tatiana Da Silva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XII
- Ano
- 2010
- Data
- 25/10/2010
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Primeiros passos da Iniciação à Docência em Física na Universidade Federal de Santa Catarina
## First steps of initiation in teaching physics at the Federal University of Santa Catarina
## Tatiana da Silva 1
1 UFSC/Departamento de Física , Coordenadora do PIBID da Física, silvatat@gmail.com
## Resumo
Esse trabalho se insere dentro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) na área de Física na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O programa busca tentar, através de um "estágio" formar professores melhores num cenário nacional em que há falta de docentes com formação específica na educação básica, há evasão dos poucos professores licenciados com essa formação, formação deficiente realizada pelas instituições de ensino superior, fraco desempenho dos estudantes em exames que avaliam a qualidade do ensino dentre outros. A intenção desse trabalho é apresentar um panorama de propostas, de problematizações voltadas para a formação de professores na qual se entende a escola como um espaço de formação do futuro professor e que é imprescindível a parceria de forma articulada e harmônica com a universidade , responsável por essa formação. A pergunta que se quer responder é: Como estabelecer uma formação docente para uma educação básica com qualidade? A resposta a essa pergunta não virá da noite para o dia. Mas, aceitamos o desafio que está em atuar de maneira a propiciar uma formação docente ampla e efetiva que reúna teoria e prática desde os primeiros anos do curso de Licenciatura em Física. A docência é entendida como um trabalho complexo, mas que é construída a partir do domínio de conteúdos, de procedimentos didáticometodológicos passíveis de uma aproximação interdisciplinar, do contexto social e econômico em que o profissional está inserido . A partir dos relatos dos estudantes de licenciatura e dos supervisores pode-se dizer que a iniciativa tem chance de alcançar melhorias na qualidade do ensino e da aprendizagem. Mas é importantíssimo que essa iniciativa, esse investimento seja acompanhado da valorização do profissional, com melhores salários, carga horária compatível com a disponibilidade desse profissional para preparar suas aulas, para estudar e se aperfeiçoar.
Palavras -chave: iniciação à docência, ensino de física, formação de professores, licenciatura em física.
## Abstract
This work fits within the Institutional Program of Grants for Introduction to Teaching (PIBID) in physics at the Federal University of f Santa Catarina (UFSC). The program seeks to try, through a "stage" to train teachers better in a national setting where there are shortages of teachers with specific training in basic education, there is avoidance of the few licensed teachers with such training, poor training conducted by institutions of higher education, weak student performance on tests that assess
the quality of teaching amongst others. The intent of this paper is to present an overview of proposals of approach aimed at training teachers in the school which is understood as a space for educating future teachers and that the partnership is essential in coordination and harmony with the university that is responsible for such training. The question to be answered is: How to establish a teacher training for basic education with quality? The answer to that question will not happen overnight. But we accept the challenge that lies in acting so as to provide a broad and effective teacher training to bring together theory and practice since the early years of the Degree in Physics. Teaching is understood as a complex work, but that is constructed from the domain of content, teaching and methodological procedures subject to an interdisciplinary approach, the social and economic context in which the professional is inserted. From the reports of undergraduate students and supervisors we can say that the initiative has a chance of achieving improvements in the quality of teaching and learning. But it very important that this initiative, this investment is accompanied by the enhancement of professional, with better wages, working hours compatible with the availability of this professional to prepare their classes, to study and improve. Keywords: initiation to teaching, physics education, teacher training, degree in physics.
## Introdução
- O governo federal por meio do Ministério da Educação (MEC) vem realizando uma série de ações para contornar os sérios problemas existentes na educação básica no Brasil. Os investimentos feitos envolvem programas dentro do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) que articulados visam solucionar o problema da carência de professores da educação básica bem como a melhoria da qualidade dessa educação, do sucesso e da permanência do aluno na escola. É nesse contexto que se insere o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID).
- O PIBID tem várias propostas (BRASIL, 2010) com a finalidade de incentivar a carreira do magistério da educação básica por meio de apoio à iniciação à docência de estudantes de licenciatura plena. Inicialmente, ofereceram-se bolsas e verbas de custeio às licenciaturas das universidades federais nas áreas de educação básica com maior carência de professores com formação específica: física, química, biologia e matemática para o ensino médio bem como ciência e matemática de quinta a oitava séries do ensino fundamental e pedagogia. Atualmente, os financiamentos foram ampliados para outras áreas (por exemplo: sociologia, filosofia, letras-português, letras-língua estrangeira, educação artística e musical) e para instituições de ensino superior estaduais, municipais e comunitárias sem fins lucrativos.
Os financiamentos aos primeiros projetos contemplados tiveram início no segundo semestre de 2008 e, em 2010, acontece a terceira edição do programa. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi contemplada na primeira edição , em Dezembro de 2008 e suas atividades foram iniciadas em Abril de 2009. Foram concedidas 53 bolsas de iniciação à docência nas áreas prioritárias, distribuídas internamente da seguinte forma: 12 para a Física, 12 para a Matemática, 15 para a Química, 9 para a Biologia e 5 para a Pedagogia.
A seguir, apresenta-se a estrutura do programa e a equipe do subprojeto da Física, em seguida , a fundamentação do projeto; o que se pretende com ele; o relato
da experiência nesse um ano de atividade e, finalmente, os sucessos, as dificuldades e perspectivas. Por último, as considerações finais.
## Estrutura do PIBID e a equipe da Física na UFSC
O PIBID é um projeto institucional. Cada instituição possui um professor coordenador (coordenador institucional) que é a pessoa responsável pela coordenação e execução do projeto institucional no âmbito da universidade. Cada área de conhecimento por sua vez tem um professor coordenador (coordenador de subárea ou de subprojeto) responsável pela execução do projeto da sua área. Na UFSC, ele escolhe as escolas, os professores supervisores da sua área e os bolsistas. E para cada escola da rede pública conveniada, há um professor supervisor por área de conhecimento que é o responsável pela execução do projeto em sua escola. Os professores coordenadores de subárea juntamente com os professores supervisores são responsáveis por todas as atividades a serem desenvolvidas pelos bolsistas. Um organograma é apresentado na F. O programa então financia para cada instituição as bolsas dos coordenadores institucional e de subárea, dos professores supervisores e dos estudantes de licenciatura além de uma verba de R$ 15 000,00 por ano por licenciatura. A duração prevista foi de dois anos e recebemos essa verba para os dois anos.
Figura 1: Organograma interinstitucional do PIBIDFonte: O que é o PIBID? http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid/d/PIBID-final.pps
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O subprojeto da Física foi contemplado com 12 bolsas para os estudantes e iniciou suas atividades em Abril de 2009. Os alunos foram divididos em grupos e cada grupo desempenha suas atividades em uma das três escolas escolhidas da
rede pública de Florianópolis. Logo, a equipe da física é composta por dezesseis pessoas: três professores supervisores, doze estudantes e a coordenadora.
A escolha das escolas obedeceu inicialmente a uma distribuição que levava em consideração a manifestação de interesse em receber os bolsistas, numa consulta prévia feita pela Pró-Reitoria de Graduação (PREG) da UFSC, e pelas necessidades destacadas por elas. Entretanto, no momento de implementação do programa foram necessários alguns ajustes e adequações. Na prática, a escolha das escolas acabou sendo uma opção do coordenador de cada área e essa foi ditada, pelos critérios estabelecidos pela CAPES e também pelas necessidades e/ou trabalhos já desenvolvidos por eles antes da existência do PIBID. No caso da física, como estou começando minha carreira na universidade e na cidade de Florianópolis, a decisão foi tomada levando -se os critérios exigidos como o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a experiência da escola em receber estudantes da universidade (estágio docência, por exemplo), a proximidade da universidade (o primeiro pagamento das bolsas aconteceu dois meses após o início do projeto, a verba de custeio chegou em Setembro de 2009 e, além disso, o tempo de deslocamento dos estudantes poderia ser um complicador num programa ainda em definição) e a existência de outros subprojetos do PIBID. Esse último critério se justifica uma vez que se vislumbra o desenvolvimento de atividades interdisciplinares e também porque se acredita que uma ação conjunta possa ser mais eficiente na melhoria do desempenho dos estudantes da rede pública de ensino. Das três escolas nas quais iniciamos o programa, no ano de 2009, uma precisou ser substituída. As que começaram em 2009 e permanecem em 2010 são a EEB Getúlio Vargas e a EEB Padre Anchieta. No início de 2010, os alunos que atuavam na EEB Celso Ramos foram para a EEB Simão Hess. As escolas, o respectivo Ideb, o número de estudantes de licenciatura do PIBID e a superposição atual com os demais subprojetos da UFSC são apresentados na
Tabela 1:Tabela 1 - - Escolas da rede pública de Florianópolis parceiras no PIBID de Física .
## Um pouco de reflexão para fundamentação do projeto
O ponto de partida desse trabalho está na compreensão dos aspectos constitutivos da docência na tentativa de estabelecer uma metodologia de trabalho - quais as estratégias e atividades a serem desenvolvidas para que haja uma
iniciação à docência? Entende-se que a atividade docente envolve múltiplas relações estabelecidas por um leque de fatores interdependentes (SANT'ANA, 2009). As perguntas que surgem involuntariamente e valem para qualquer nível de ensino são: O que é um professor bem sucedido? Quais as qualidades que ele tem? Como ele trabalha com seus alunos? Como ele se compromete com seu trabalho? Podemos imediatamente enumerar um conjunto de habilidades e competências necessárias a um excelente professor tais como: domínio do conteúdo que ensina; domínio da comunicação oral e escrita bem como habilidades de análise, de síntese, de interpretação; capacidade de contextualizar o conhecimento e os conteúdos ensinados; interesse pelas questões sócio-econômicas do mundo em que vivemos; organização e planejamento; ser dedicado aos estudantes e à sua atividade profissional, enfim, a lista é longa (RISTOFF, 2009). E mais, no atual estágio de desenvolvimento científico e tecnológico, na expansão alcançada pela educação a distância, nas mudanças que se refletem na cultura e nos hábitos de nossa sociedade, nos perguntamos novamente: qual é o papel do professor nesse cenário? Muitos até pensam que tudo isso parece prescindir da interferência humana no processo educativo. A resposta dada por todos aqueles que vivenciam a educação na atualidade (KENSKI, 2001) é que sem dúvida é um profissional necessário. Ele se torna o ponto de referência para orientar seus alunos no processo individualizado de aquisição de conhecimentos ao mesmo tempo em que cria espaços para o desenvolvimento de processos de construção coletiva através de uma aprendizagem cooperativa. O que também não parece ser novo. Entretanto, ele precisa ter familiaridade com a tecnologia em uso para que possa estimular seus alunos a inovar, a gerar informações novas e identificar quais as melhores maneiras de uso das "novas tecnologias" para poder alcançar o objetivo de maior qualidade de ensino que se pretende ter com essas ferramentas. Na verdade, seu papel se amplia. Ele é incansável pesquisador, um profissional que aceita os desafios e a imprevisibilidade inerente à nossa época, que produz novos conhecimentos o que exige uma aprendizagem contínua e uma conscientização de que é um eterno aprendiz (MOURA, 2001). O professor ciente de seu inacabamento (até mesmo porque é preciso saber que o conhecimento também não está acabado, pronto) deve constantemente pensar sua prática, deve sempre procurar novos conhecimentos e soluções para suas dúvidas e problemas. Isso sinaliza para a importância no cenário acadêmico da pesquisa na formação inicial e continuada de professores bem como o envolvimento dos professores da educação básica na pesquisa em ensino. Permitindo assim também uma oportunidade para superação da dicotomia ensino e pesquisa e mais entre ensino de física e física .
As pesquisas relacionadas à formação inicial e continuada de professores apontam que a principal dificuldade que eles tem mostrado para se envolverem em atividades inovadoras é a falta de domínio de questões fundamentais do conhecimento (CARVALHO, 2001, pg 110). Outra dificuldade são suas ideias sobre ensino e aprendizagem, ou seja, as ideias do senso comum (CARVALHO, 2001, pg 111). Além disso, toda vez que se pensa em inovações, regras são estabelecidas quase que involuntariamente porque elas trazem segurança, mas nos mantém na posição de repetidores, de transmissores mecânicos de conteúdos.
Entende -se que a prática docente é algo complexo, uma sucessão particular de construção de conhecimentos associados à experiência e ao percurso pessoal do professor. Envolve vários saberes disciplinares, curriculares, científicos, históricos, sociais, pedagógicos. Assim, a educação como iniciação envolve mais do que
familiarizar -se com o conhecimento, envolve aprender os modos de construção desses conhecimentos e suas relações com o contexto onde vive.
## O que se pretende?
A ideia é criar condições que favoreçam a formação de um profissional consciente, que busque continuamente o saber, sua formação continuada, que seja independente, crítico, ético, aberto ao novo, aos riscos que se corre ao se experimentar, inovar, que tenha bom senso, que rejeite toda e qualquer forma de discriminação, que atenda na medida do possível a tudo o que foi apresentado e discutido na seção anterior.
A pesquisa educacional construtivista já produziu evidências a respeito das competências citadas na seção anterior (CARVALHO, 2001). Então, as atividades propostas nesse programa que estão sendo desenvolvidas e as que serão se enquadram numa proposta de iniciação à docência construtivista. O que está em sintonia também com o que as pesquisas sobre a formação de professores destacam sobre quais ações e comportamentos dos professores poderão favorecer um melhor ensino. Não obstante, a transmissão do conhecimento implica numa visão de mundo do professor, cujos referenciais definirão a escolha do que e como será ensinado.
Dentro da proposta do PIBID o futuro professor precisa construir o "saber fazer" e o "como fazer". O lugar propício é a escola, onde ele conseguirá vivenciar e colocar em prática o que ele aprende na teoria dentro da universidade. Por isso, a escola é tão importante como um espaço formador. A formação inicial atual não consegue propiciar aos estudantes de licenciatura a variedade e a complexidade de situações que ele vivenciará quando entrar em serviço. A experiência desde cedo em sala de aula permite a exposição aos desafios e às questões para as quais ele pode aprender a criar alternativas adequadas. Tudo isso não se esgota nas questões didáticas, disciplinares e metodológicas, mas se amplia também para as questões institucionais do trabalho, da profissão, da gestão escolar, das relações políticas e sociais bem como as relações de poder.
A parceria entre os professores formadores da universidade e das escolas visa permitir a construção de relações com quem faz acontecer a educação básica. Pretende aproximar esses dois universos, pois os que formam estão distantes dos que exercem. A prática vivida pelos professores em serviço é um importante referencial tanto para quem atuará na educação básica quanto para os responsáveis por sua formação.
Nesse sentido, é que estamos desenvolvendo uma série de ações articuladas. Os bolsistas tem atividades que são executadas tanto nas escolas quanto na universidade e que pretendem fornecer uma gama de experiências, conteúdos, discussões, reflexões que são importantes para a sua formação. Elas são apresentadas na seção a seguir.
## A experiência propriamente dita
Nosso trabalho vem sendo realizado desde o início com a conjugação de atividades na universidade e nas escolas parceiras. Inicialmente, nas escolas, eles começaram conhecendo o espaço escolar e fizeram um levantamento da
infraestrutura de cada uma, do número de alunos por turma e dos conteúdos previstos para cada ano do ensino médio. Desse levantamento, constatou-se que apesar da falta , muitas vezes , de organização ou de conservação e limpeza, em todas há um laboratório de ciências, uma sala de informática com computadores em número adequado ao de alunos, há também datashow, televisão e vídeo-cassete. Após um período de observação que durou de um a três meses passaram a:
- · Acompanhar o professor supervisor em suas aulas. Nesse acompanhamento fazem demonstração de experimentos, aulas no laboratório de ciências e no de informática e auxílio aos estudantes durante a aula. Eventualmente, fazem a exposição de um conteúdo, geralmente, complementar. A ideia é que tenham o compromisso de apresentar pelo menos uma atividade experimental ou atividade virtual para cada conteúdo apresentado pelo professor;
- · Ofertar monitoria e reforço no contra turno. Ou seja, aqueles que acompanham as turmas pela manhã, oferecem monitoria à tarde e vice-versa;
- · Organizar os laboratórios: em todas as escolas os laboratórios não estavam sendo utilizados e havia um laboratório móvel multidisciplinar ("carrinho"), comprado pela secretaria de educação, fechado. Sendo assim, começaram aprendendo a utilizar os kits s do carrinho e a utilizá-los nas aulas;
- · Participar das reuniões de planejamento e/ou de conselhos de classe;
- · Elaborar e corrigir r listas de exercícios bem como provas juntamente com a professora supervisora (em uma das escolas). Ela monta/discute os critérios de correção, comentam os erros cometidos e a subjetividade que pode existir na atribuição da nota do aluno. Todos trabalham conjuntamente e ela depois revê o que eles fizeram;
- · Participar r em Feira de Ciências ou Cultural e na SEPEX (Semana de Pesquisa e Extensão da UFSC). Ministrar r palestras de orientação para o vestibular em parceria com os estudantes dos PIBID da Biologia e da Química;
- Na UFSC, estamos trabalhando da seguinte forma:
- · Primeiro eles conheceram os laboratórios de extensão de física da universidade que são três: Labidex, Baú de Ciências e Parque Viva Ciência. A idéia inicial foi que eles conhecessem os experimentos, a proposta didática e metodológica e a forma de atuação de cada um para que pudessem planejar atividades que utilizem os materiais existentes e também para que possam organizar visitas das escolas ou de grupos de estudantes integradas aos conteúdos discutidos em sala de aula. Atualmente, estamos avançando iniciando uma colaboração com dois outros professores do Departamento de Física responsáveis pelo Baú de Ciências e pelo Parque Viva Ciência. Nessa colaboração, os bolsistas tem pelo menos um período de sua carga horária "trabalhando" num dos dois. No Baú eles tem a chance de desenvolver materiais didáticos de baixo custo para demonstração em escolas além das que fazem parte do projeto. No parque, há vários "brinquedos" e um planetário. As "brincadeiras" são guiadas por estudantes para que se aprenda se divertindo. As visitas são diárias e feitas por um público bastante eclético. Aprendem assim, a estimular a curiosidade e a explicar a física dos
brinquedos para diferentes pessoas da comunidade tendo que aproximar a ciência da população sem o rigor da linguagem científica. Essa integração começou no final de Abril de 2010;
- · Elaboração de roteiros didáticos, de exercícios contextualizadores (exercícios funcionais) e montagem de experimentos sejam de baixo custo , sejam mais sofisticados na forma de pequenos projetos. A ideia é aproximá-los também do uso de softwares s para laboratórios virtuais, a integração de mídias no procedimento de medidas de grandezas experimentais e interação com conceitos que às vezes não se ensina no ensino médio, mas que podem compor atividades para os estudantes da escola pública que tem demonstrado interesse e vontade em se envolver em atividades extraclasse, para apresentação em feiras de ciências e que contribuam também para sua própria formação. Essas atividades buscam também estimular a colaboração entre os estudantes do projeto e o uso de um espaço comum cedido para eles dentro do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM/UFSC);
- · Discussão sobre a semana na escola em reuniões semanais que propiciam um momento de troca de experiências entre os bolsistas de diferentes escolas; discussão sobre avaliações nacionais e internacionais do ensino médio; discussão de matérias que saem na mídia sobre questões que envolvem a melhoria na educação, no salário e na condição de trabalho dos professores; sobre a proposta lançada pelo governo a respeito do Ensino Médio Inovador (BRASIL, 2009) e tentativa de acompanhamento do desenvolvimento desse projeto no estado de Santa Catarina;
- · Construção de atividades que promovam a interdisciplinaridade. Essa atividade ainda está em um estágio embrionário;
- · Estímulo à leitura e à redação. A primeira tem sido feita de diversas formas incluindo livros de divulgação científica e a segunda na elaboração de roteiros didáticos e relatórios. Além disso, apesar de não se poderem comprar livros, é possível a assinatura de revistas, o que sendo solicitado;
Em outras cidades/instituições:
- · Conforme citado na seção anterior, a vivência, o conhecimento além dos apresentados no curso, são fundamentais para a formação do profissional. Sendo assim, é de suma importância o envolvimento desses estudantes em eventos que promovam a divulgação científica, a discussão de atividades do cotidiano a serem usadas em sala de aula e a interação com estudantes de várias regiões do Brasil. Por isso, uma dupla já participou do curso de extensão da USP intitulado "Física Interessante: fenômenos que a Física ajuda você a entender e explicar" realizado de 26 a 29 de Janeiro de 2010. Na volta, apresentaram para os colegas todas as atividades desenvolvidas no curso. E há dois outros estudantes inscritos na XV Escola do CBPF a ser realizada no Rio de Janeiro de 26 a 30 de Julho.
## A experiência propriamente dita
Nesse um ano de atividade considero que ainda é cedo para apresentar resultados sejam quantitativos , sejam qualitativos. O que posso relatar é o que os estudantes e professores supervisores pensam do PIBID, as atividades bem
sucedidas, algumas dificuldades enfrentadas, desafios e perspectivas. Nesse sentido:
## Sucessos
O reforço que foi intermitente em 2009 está regular nesse ano em duas das três escolas. Apesar de se ter um número pequeno de alunos participando já mostra que tem sido útil não só para a melhoria das notas, mas para o envolvimento dos alunos que procuram esse apoio em outras atividades. Estudam-se atividades direcionadas, mais elaboradas para esses estudantes que através da participação na monitoria estão demonstrando interesse na física. Os alunos que fizeram uso regular na monitoria e/ou reforço tiveram êxito nas avaliações realizadas.
Para os supervisores, toda ajuda/incentivo que possa ser dado para melhorar as atividades de sala de aula é bem -vinda bem como aquelas que permitem que se repense sua prática. Todas estão contentes com a diversificação de suas aulas.
Do ponto de vista dos estudantes os depoimentos feitos são comoventes. Em síntese, percebem a importância de poderem entrar na sala de aula desde cedo e entrar em contato com problemas e questões que só surgiriam quando entrassem em serviço; a possibilidade de ver concomitantemente a teoria em disciplinas como Didática Geral, Psicologia Educacional, Metodologia para o Ensino de Física e Instrumentação para o Ensino de Física e a prática em sala de aula; há também o confronto entre o modelo idealizado que se tem do que é ser um excelente professor e os comportamentos e vícios que observam no exercício diário da profissão . Destacam também a escolha do professor supervisor que tem um papel central na orientação/condução das atividades desenvolvidas por eles nas escolas. Destaco três citações feitas pelos bolsistas identificados por A, B e C (para garantir o anonimato) a fim de demonstrar o que eles pensam do programa:
" Um programa voltado para a iniciação à docência foi uma iniciativa fantástica, que eu tive a sorte de poder participar durante a minha graduação . (.. . ) Hoje, já me sinto mais confiante para falar e interagir com grupos de alunos, e já tenho uma boa noção do que é a rotina de uma escola . Do meu ponto de vista, não existe hoje, uma bolsa de graduação na UFSC para licenciatura mais ideal do que esta. A área de licenciatura é uma profissão que enfrenta muitos preconceitos, e o próprio estudante da graduação em licenciatura precisa destruir uma visão preconceituosa que ele mesmo tem. Por isso, mesmo eu, apesar de ter tido sempre consciência de que estou em um programa que me proporciona uma oportunidade ímpar, tive, e às vezes tenho, meus momentos de descrédito e desânimo em relação à escolha que fiz, mas são sentimentos que eu, sem a experiência que estou tendo hoje, só conheceria quando já estivesse com o diploma na mão, enfrentando uma rotina de 40 horas em uma escola pública, ensinando talvez mais de 100 alunos. Às vezes, o próprio professor supervisor, já em estado avançado de cansaço com sua profifissão, com seus problemas pessoais e financeiros, nos transmite esse desânimo. Por isso, uma boa seleção do supervisor da escola é imprescindível, se pretendemos cumpririr o mínimo do requisito do programa da Capes, de pelo menos, "apoiar os estudantes de licenciatura plena". A professora supervisora que tivemos a sorte de conhecer este ano é com certeza um modelo. Ela nos escuta , nos avalia, nos dá espaço, discute idéias, pratica as idéias, e pratica o próprio discurso que tanto escutamos na universidade, o que é um caso isolado dentro dos que já tive oportunidade de conhecer. Porque sabemos que praticar todo aquele discurso didático que nos ensinam na universidade é um grande desafio, muito difícil e que precisa de muita ininteligência para praticar. " Bolsista PIBID A
"E "Essa aproximação com a docência é favorável para estudantes de licenciatura, pois podemos aplicar um pouco daquilo que aprendemos em disciplinas da graduação como Metodologia para o Ensino de Física e Instrumentação para o ensino de Física. Com isisso vamos nos familiarizando mais cedo com a sala de aula, e também podemos utilizar metodologias de ensino diferenciadas, aprimorando um pouco nossa prática docente. Além de colocar o professor do colégio em contato com essas novas metodologias. " Bolsista PIBID B
"E "Esse começo foi sofrido devido à falta de recursos e local para trabalho, não tínhamos dinheiro para comprar material para levar e fazer experimentos e nem local para montar antecipadamente e guardar. r. Então, também optamos por explorar o currículo do ensino médio e desenvolver aulas e atividades sobre os conteúdos ministrados. Com o tempo os primeiros trabalhos foram aparecendo e começamos de fato a contribuir significativamente nas escolas, conseguindo nosso espaço dentro da própria escola. Além disso , os recursos que faltavam começavam a aparecer, como o dinheiro para compra de materiais e uma sala para o programa. " Bolsista PIBID C
## Dificuldades e Desafios
O início foi extremamente conturbado tanto na seleção dos bolsistas quanto na aproximação com as escolas . Na verdade esse primeiro ano foi de construção e de adequação. Houve atraso de dois meses na implementação de todas as bolsas e a verba de custeio do projeto veio seis meses depois. Os nossos estudantes já estão vivenciando cotidianamente o cenário da educação básica pública brasileira: alunos apáticos, desinteressados, o fracasso escolar, a falta de organização das escolas (não todas), a falta de planejamento das aulas impossibilitado até mesmo pelas constantes mudanças nos horários, pela retirada dos professores de sala de aula por parte da secretaria de educação para que façam cursos de formação e assim as aulas são suspensas. Na opinião dos bolsistas um diferencial na atitudes dos alunos da rede pública é a falta da presença da família. Eles entendem que a ausência de referência para esses alunos é determinante nas suas atitudes e para a desvalorização da educação . A escola muitas vezes é vista apenas como um espaço de socialização e "passatempo".
Pretendíamos ter uma ação bem direcionada/estruturada de acompanhamento de pelo menos de uma mesma turma de cada ano do ensino médio. Até mesmo para poder inferir sobre resultados no rendimento dos alunos. Entretanto, numa das escolas onde há mais de uma turma, tornou-se inviável. Os horários mudam constantemente, faltam professores e os que estão na escola precisam cobrir os horários que ficam vagos. Então, trabalhamos com a turma que está tendo aula no horário dos bolsistas na escola .
- O número de alunos por supervisor tem sido considerado alto. Alguns estão com dificuldades de trabalhar com mais de um por vez. Entretanto, aumentar o número de escolas torna -se complicado para um único coordenador de área. A exemplo do PIBID da Química da UFSC, mais dois professores assumiram a orientação dos bolsistas e das respectivas escolas dessa área, quando percebeu-se a quase inviabilidade de uma única pessoa orientar os quinze bolsistas e mais os cinco supervisores .
## Perspectivas
É preciso investir agora também nos professores supervisores, criar espaço para sua formação continuada. Além disso, há os que já tem vocação para trabalhar com os estudantes de licenciatura, principalmente com aqueles que ainda estão nos anos iniciais do curso e que ainda não tem tanto a " oferecer " . Pois , percebe-se que houve essa expectativa inicial. Não temos como selecionar somente estudantes prontos que já quase não solicitam e que não precisam de orientação e de acompanhamento no desenvolvimento das atividades na escola. Mas vale destacar que esses estudantes são os que estão valorizando esse programa e realizando mais do que se propõe .
Pretendemos também avançar bastante na discussão de artigos de pesquisa a respeito das dificuldades de aprendizagem, da prática em sala de aula, da avaliação, com base nos resultados existentes nas diversas linhas: didática, sala de aula, formação de professores e etc. Bem como na discussão de conceitos em física, de propostas didáticas fundamentadas pela aproximação com a pesquisa visando inclusive estimulá -los a ingressarem numa pós-graduação.
Além disso, precisamos avançar na aproximação da universidade com a escola. Para isso, estamos abrindo espaço para que os professores do Departamento de Física possam ministrar seminários nas escolas. Assim, abre-se espaço para a divulgação científica e para o esclarecimento do trabalho desenvolvido por profissionais que optam pela carreira em Física. Percebe-se o total desconhecimento a respeito do que pode ser feito ao se optar por essa carreira seja na área de ensino , seja na área de física básica ou aplicada.
A interdisciplinaridade é outro ponto. É interessante , pois os próprios estudantes de licenciatura duvidam da possibilidade de se desenvolver atividades que contemplem a interface com outras áreas de conhecimento. Então, esse é um investimento que está sendo feito com a criação de pequenos projetos cujos temas eles mesmos propõem. Nesse sentido, poderemos também nos aproximar mais da iniciação à docência nas outras subáreas, já que ainda se percebe um grande afastamento no desempenho conjunto de atividades embora a aproximação entre os coordenadores das subáreas é bastante satisfatória .
## Considerações Finais
A oportunidade de participar desse programa tem sido ímpar. Trata-se de um programa que realmente veio para proporcionar uma formação mais sólida de professores, com possibilidades reais de melhorias na educação básica. Possibilita a parceria entre profissionais de diferentes segmentos da formação do futuro educador o que pode trazer e já está trazendo benefícios para a prática de todos. Aos estudantes, a chance de viver a rotina da profissão que escolheu e pensar em como exercê -la com mais qualidade. É claro que se outros investimentos não forem feitos, o programa se perderá. É preciso melhorar as condições de trabalho, a valorização do profissional com um salário digno, com uma carga horária que lhe permita estudar, se aperfeiçoar, planejar, preparar suas aulas. Há também um território fértil para a articulação com a pesquisa. A superação das dificuldades e dos obstáculos iniciais começa a abrir espaço para o desenvolvimento de várias atividades que conjuntamente produzirão resultados concretos na formação dos professores, na melhoria da qualidade de ensino.
## Agradecimentos
A todos os bolsistas e professores supervisores da física, ao Prof. Carlos José de Carvalho Pinto, coordenador institucional do PIBID, aos colegas coordenadores das demais áreas de conhecimento pelas discussões constantes, principalmente, à Prof. Jucirema Quinteiro e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo financiamento desse projeto .
## Referências
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