Sistema Solar, Pink Floyd e Projeto de Divulgação Científica na escola: Discutindo uma possibilidade didática em Educação em Ciências a partir de canções
Vitor Martins Menezes, Giuliana Coutinho Vitiello, Aline Orvalho Pereira, Luís Paulo De Carvalho Piassi, Emerson Ferreira Gomes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## SISTEMA SOLAR, PINK FLOYD E PROJETO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA ESCOLA: DISCUTINDO UMA POSSIBILIDADE DIDÁTICA DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS A PARTIR DE CANÇÕES
Vitor Martins Menezes , Giuliana Coutinho Vitiello , Aline Orvalho Pereira , 1 2 3 Emerson Ferreira Gomes 4 , Luís Paulo de Carvalho Piassi 5
- 1 Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH/USP), vitor.menezes@usp.br
- 2 Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH/USP), giuliana.vitiello@usp.br
- 3 Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH/USP), aline.orvalho.pereira@usp.br
## Resumo
Nesta pesquisa apresentaremos o resultado de uma intervenção pedagógica realizada para estudantes de 6º a 9º ano a partir de uma canção, numa situação de ensino por projetos em contra turno ao horário regular. A canção utilizada foi 'Astronomy Dominé', do conjunto inglês Pink Floyd. A atividade envolveu três instâncias: Elaboração, Aplicação/Intervenção e Análise, e tinha como objetivo principal abordar o tema 'Sistema Solar'. Para a elaboração, utilizamos como referencial o pedagogo francês Georges Snyders, que defende o uso de elementos de produtos culturais que permitam uma conexão entre a cultura primeira e a cultura elaborada em processos de ensino-aprendizagem, trazendo a satisfação do educando. Para análise da canção temos utilizado de estudos da análise de discurso; empregados, também, em trabalhos anteriores. Já durante a intervenção, levamos em consideração os aspectos dialógicos e interacionais consonantes com os pressupostos da teoria de Vigotski. Todos esses pontos foram levados em consideração para análise dos resultados e ambos são apresentados no presente trabalho.
Palavras-chave Rock.
: Educação em Ciências; Canção; Ensino por projetos;
## Introdução
No Brasil, propostas de ampliação da jornada escolar, como a escola de tempo integral, têm ganhado cada vez mais espaço nas discussões pedagógicas (CASTRO; LOPES, 2011). Uma questão a cerca disso é o tipo de atividade a ser realizada com os estudantes nesse tempo adicional. Propostas do gênero de projetos como feiras de ciências, gincanas, mostras culturais, iniciações científicas, entre outras, tem ganhado cada vez mais espaço no país, apesar de ainda não serem incentivadas como deveriam.
Visando tais demandas temos realizado, numa escola de tempo integral da rede municipal de São Paulo, situada na Zona Leste, o projeto ALICE (Arte e Lúdico na Investigação das Ciências nos Espaços Educativos) , que tem uma proposta 1 interdisciplinar, centrada nas ciências naturais, mas articulando as artes e as
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humanidades, de forma lúdica e interativa. O projeto é desenvolvido por seis grupos temáticos (compostos por integrantes de nosso grupo de pesquisa): DIAN, EMMA, LYRA, LUCIA, MARIA e RITA (FIGURA 1).
Figura 1: Grupos Temáticos responsáveis por Intervenções Pedagógicas.
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Esses seis grupos temáticos realizam intervenções pedagógicas em três frentes temáticas: ESPAÇO, AMBIENTE e ROBÓTICA (FIGURA 2). Os estudantes (de 6º ao 9º ano) da escola, interessados em participar, se inscreveram em uma dessas três frentes.
Figura 2: Frentes Temáticas de intervenções pedagógicas do projeto ALICE.
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Cada grupo temático trabalha com diferentes abordagens da Ciência na cultura, usando produtos culturais (como apresentado na figura 2) para abordar a temática científica e suas relações com uma dessas frentes. O RITA é responsável por abordar a Ciência a partir de canções e videoclipes, e tem como um de seus principais objetivos abordar questões referentes à exploração espacial, tecnologia e conceitos da ciência; e suas relações com contextos históricos culturais, a partir desses produtos culturais.
Nesta pesquisa apresentaremos o resultado de uma intervenção realizada pelo grupo RITA na frente ESPAÇO; a qual foi realizada a partir de uma canção de rock, 'Astronomy Dominé', do conjunto inglês Pink Floyd. De maneira geral, essa intervenção teve como objetivo abordar o tema Sistema Solar.
## A utilização de canções na Educação e Divulgação das Ciências
A utilização de canções pode ser vista com frequência na Educação, principalmente nos cursinhos pré-vestibulares. Porém, muitas vezes, nessa situação citada, as canções são usadas como uma forma de recordação de conteúdos estudados, dando ênfase apenas a memorização (SILVEIRA & KIOURANIS, 2008); ou seja, a discussão e reflexão das Ciências não são incentivadas nesse tipo de abordagem.
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Diferentemente desse tipo de abordagem, o RITA utiliza esse produto cultural para estimular o debate e reflexões sobre a Ciência, seus conceitos e suas relações com a Sociedade.
Ao utilizar a canção na Educação também é possível exercer o que Georges Snyders (1988) nos aponta como importante para o ambiente escolar. Esse pedagogo argumenta que a 'cultura primeira' do estudante - decorrente da sua experiência de vida, senso comum, e, também, da cultura de massa, exemplo a música, 'consumida' pelo mesmo - deve ser incorporado ao processo educacional, permitindo acesso à 'cultura elaborada' - relacionada ao conhecimento formal e os conteúdos observados na educação -, de modo a trazer satisfação ao educando (SNYDERS, 1988, 2008).
Além da satisfação cultural e o alcance da cultura elaborada, a canção pode quebrar uma possível barreira de desconforto e insegurança que pode existir entre o estudante e os temas a serem abordados nas aulas de ciências; por acabar desempenhando um papel de agente tranquilizador (FRAKNOI, 2006).
Considerando tais fatores - satisfação cultural, o caminho entre a cultura primeira e a cultura elaborada através de produtos da cultura de massa (SNYDERS, 1988, 2008); e o papel de agente tranquilizador que a canção pode desempenhar (FRAKNOI, 2006) - encontramos na canção uma eficiente ferramenta para se abordar temas científicos, ou seja, assim como afirma Gomes (2012): 'um meio de intermediar a cultura enraizada na subjetividade do estudante com o conhecimento científico'.
## Análise da canção 'Astronomy Dominé' e seu contexto
Para se utilizar a canção em âmbitos educacionais (seja ele formal ou não formal) é importante que se faça uma análise prévia da mesma, pois dessa forma, além de entender em que contexto a mesma foi produzida, também será possível levar em consideração:
[...] qual o sentido, de forma positiva ou negativa, que o autor atribui aos fenômenos científicos; se a astronomia aparece de forma explícita ou implícita na canção; de que forma a melodia se relaciona com a letra da canção; qual imagem que se forma da ciência e da astronomia na canção; de que forma o processo de enunciação enquadra o enunciador e o enunciatário, de forma a convencê-lo de sua visão sobre a astronomia e o espaço (GOMES, 2016).
A canção Astronomy Dominé foi produzida no mesmo período em que estava ocorrendo à chamada Corrida Espacial, a qual foi marcada pela disputa entre Estados Unidos e União Soviética pela exploração espacial. Assim, como nos aponta Gomes (2013, 2014) e Piassi (2013), a midiatização da corrida espacial influenciou diversos produtos culturais. Nesse período houve o surgimento de diversos produtos da cultura pop como os filmes, seriados, histórias em quadrinhos, e canções - com a temática do 'espaço' e da 'exploração do espaço'. Para citar alguns exemplos, temos os filmes '2001: Uma Odisseia no Espaço' (1968) e 'Barbarella' (1968); a série 'Star Trek' (1966 - 1969); e canções como 'Space Oddity' de David Bowie, '2000 Light Years From Home' do The Rolling Stones, e a própria canção apresentada nesse trabalho: 'Astronomy Dominé'.
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Em relação às canções, essas abordagens se interligam, inclusive, com a sofisticação temática que o gênero musical Rock estava passando, cujo algum dos temas trazidos pelos artistas foi justamente a exploração espacial. Além das letras, podemos identificar que alguns conjuntos traziam em suas canções essa temática expressa na paisagem sonora, conceito do pensador Murray Schafer (2001).
A canção estudada nesse trabalho, 'Astronomy Dominé', que foi produzida pelo conjunto inglês Pink Floyd, foi lançada no álbum 'The Piper at the Gates of Dawn' em 1967. Seu enunciado se forma através de uma descrição dos astros observados pelo sujeito da canção (que está realizando uma viagem espacial), esses corpos celestes são planetas (Júpiter, Saturno e Netuno), satélites naturais (Oberon, Miranda, Titânia e Titã) e estrelas. A canção é introduzida por uma transmissão de rádio, simulando diálogos entre um astronauta e uma equipe de solo.
Devido a isso, encontramos nessa canção uma ferramenta propicia a discutir a temática espacial, com enfoque no Sistema Solar, na Educação. Já realizamos, em trabalhos passados, analises mais detalhadas sobre essa canção (GOMES, 2016) (GOMES, MENEZES, PIASSI, 2016). Gomes (2016) analisou a paisagem sonora da canção e a letra sob a perspectiva da semiótica. Enquanto que em trabalho apresentado no 'X ENPEC' (2016), recorremos especialmente à teoria de enunciação de Maingueneau (2011) para realizar tal análise.
Para Maingueneau (2011), a enunciação ocorre em três instâncias: cena englobante, relacionada à instância de produção e ao tipo de discurso; cena genérica, relacionada ao gênero de discurso e a cenografia, relacionada à caracterização da enunciação.
Vale ressaltar que o conjunto Pink Floyd apresentou em suas produções diversas referencias ao tema de exploração espacial, não se limitando apenas a canção utilizada nesse trabalho. Além de outras canções, esse tema pode ser percebido na paisagem sonora de algumas, além de aparecer em algumas capas de seus álbuns como 'The Dark Side of the Moon' (1973) e 'The Division Bell' (1994) (GOMES, 2016).
## As etapas da Intervenção Pedagógica com a canção
Como comentado anteriormente, a atividade foi desenvolvida no projeto ALICE, em horário de contra turno com estudantes do 6º ao 9º ano, e tinha como objetivo principal abordar o tema Sistema Solar a partir da canção 'Astronomy Dominé'. A atividade foi desenvolvida por estudantes de diferentes cursos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP): Licenciatura em Ciências da Natureza, Gestão Ambiental e Gestão de Políticas Públicas.
Na situação analisada, estavam presentes 13 alunos de 6º ao 9º ano. De maneira geral, a intervenção se deu em 5 etapas: (1) Apresentação da banda Pink Floyd e da canção; (2) Audição da canção; (3) Leitura-interpretativa da letra da canção; (4) Maquete do Sistema Solar em escala de tamanho; e (5) Dinâmica das posições e órbitas do Sistema Solar.
Na primeira etapa, apresentamos a canção aos alunos, dizendo o nome da mesma, quando foi produzida e brevemente algumas informações sobre o conjunto Pink Floyd; e entregamos para todos os estudantes uma folha com uma versão em inglês e uma versão traduzida da letra da canção. Logo em seguida, demos inicio a
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audição da canção. Após o término, realizamos uma breve conversa sobre a percepção dos alunos sobre a canção e sobre a paisagem sonora da mesma.
Em seguida, fomos todos para a quadra de esportes da escola, para dar prosseguimento à atividade. Chegando à mesma, solicitamos que os alunos sentassem formando um circulo no centro da quadra. Assim, iniciamos a etapa 3; durante essa etapa, a versão traduzida da letra foi lida em conjunto com os estudantes e, conforme necessário, apontávamos pontos importantes na mesma além de lançarmos questões aos alunos, indagando-os sobre os acontecimentos da canção e sobre os conceitos científicos da mesma.
Logo após lermos a letra, demos inicio a atividade com a maquete do Sistema Solar, a qual os planetas estavam em uma em escala de tamanho na qual se o Sol tivesse aproximadamente 70 cm de diâmetro (FIGURA 3-A). Nessa atividade apresentamos os planetas do Sistema Solar, com destaque a aqueles planetas citados na letra da canção. Citamos também algumas curiosidades relacionadas aos nomes desses planetas, onde foram abordadas as histórias romanas e a mitologia grega - sendo daí a origem de diversos nomes desses. E distribuímos, também, pequenas cartas com imagens de planetas e satélites naturais (inclusive os citados na canção) (FIGURA 3-B).
Figura 3: (A) À esquerda, atividade com a maquete do Sistema Solar em escala de tamanho. (B) À direita, aluna vendo a carta com imagem de um planeta.
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Para finalizar o encontro, pedimos para que os estudantes representassem o Sol e os planetas do Sistema Solar onde eles mesmos deveriam ser esses astros; se posicionando na quadra e realizando os movimentos que eles achassem corretos. Para tal, deveriam se decidir e conversar entre si quem seria cada astro, e como seriam dispostos nesse espaço.
Durante o encontro, os resultados foram registrados através de fotografias e diário de bordo. No diário de bordo foram anotados detalhes que possam detalhar o encontro, e nortear as análises da mesma.
## A análise dos resultados da intervenção pedagógica
A partir de pressupostos socioculturais de Vigotski (2001), entendemos que o processo do uso dessas canções e ensino-aprendizagem está vinculado a interação do estudante com seus pares, com o professor-aplicador (e monitores) e com a canção. Utilizaremos esse tópico para apresentar e discutir alguns dos resultados obtidos nessa intervenção.
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Durante a audição da canção pudemos notar certo estranhamento e curiosidade de alguns alunos quanto à mesma, demonstrando 'estranheza' em suas feições. Esses sentimentos podem ter trazido aspectos que contribuíram para o processo de ensino-aprendizagem, trazendo o que Piassi afirma como 'estranhamento cognitivo' (PIASSI, 2013), ao tratar da educação em ciências a partir de produtos culturais que não possuem fins didáticos. Porém, alguns alunos realizaram conversas paralelas durante essa etapa.
Logo ao término da audição, um estudante comenta que não havia dado para escutar o vocalista cantando, argumentando sobre a pouca participação da parte vocal durante a canção. Enquanto outro estudante diz 'escutei ele cantando, mas ele cantou de um jeito muito baixo' .
Em relação à percepção dos estudantes referente à paisagem sonora da canção, um dos deles fez a seguinte colocação: 'eu escutei um zumbido bem longe, como de uma nave'. Comentamos positivamente a percepção do aluno, e aproveitamos para comentar sobre a conversa de rádio que pode ser notada no inicio da canção. Logo após, enquanto iam rumo à quadra de esportes, os estudantes demonstraram interesse e alegria pela atividade externa que estava sendo proposta; talvez por esse tipo de atividade não ser tão comum em suas aulas regulares. Notamos, então, satisfação por parte dos alunos em relação a atividade proposta; algo que vai de encontro com o que Snyders (1988) nos coloca como importante.
Na leitura-interpretativa da canção, quando questionamos aos alunos se eles concordavam que ela se tratava de uma viagem espacial, todos eles responderam de forma positiva. Já quando questionados de onde poderiam ser as 'águas profundas' citadas na canção, uma aluna se manifesta dizendo que poderiam ser águas de Marte. Além de comentarmos que poderiam ser desse astro, ainda questionamos se eles conheciam algum outro astro que poderia ter água, mas nenhum outro astro foi citado.
Quando questionados sobre o que seriam Oberon, Miranda, Titânia e Titã, obtivemos três respostas: 'são meteoros' , 'são satélites' e 'são planetas' . Esclarecemos, então, do que esses nomes se tratavam: satélites naturais. Já ao falarmos dos planetas citados na letra, perguntamos se seria possível ter vida em outro planeta, e um estudante responde: 'depende de que vida você está falando, porque se for contar os vírus e os microrganismos, então com certeza tem vida fora da Terra'.
Ao dar inicio a atividade do Sistema Solar em escala de tamanho, perguntamos se os alunos sabiam a ordem, a partir do Sol, dos planetas desse sistema; os alunos souberem responder corretamente tal ordem. Os estudantes também souberam indicar quais eram os planetas citados na canção, demonstrando assim que os mesmos já possuíam um conhecimento prévio sobre o assunto.
O conhecimento prévio dos estudantes sobre o assunto foi mais uma vez demonstrado na última etapa do encontro. Quando solicitado que eles representassem o Sistema Solar, os alunos o fizeram corretamente. Antes de se posicionarem, os alunos conversaram entre si sobre qual planeta cada um seria. Alguns alunos, de imediato, disseram quais planetas gostariam de ser. O Sol foi representado no centro da quadra por quatro alunos.
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Os alunos, com ajuda do monitor, conversaram entre si e começaram a se organizar corretamente em relação à ordem dos planetas. Após se organizarem, solicitamos que os eles dessem início a um movimento em torno do Sol (FIGURA 4). Esses movimentos foram acompanhados de muitas risadas e interação entre os pares, demonstrando assim uma satisfação com a atividade.
Figura 4: Estudantes representando o Sol e os planetas do Sistema Solar.
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O monitor questiona se existe algum outro movimento que os estudantes poderiam fazer, e após responderem que não, ele indica que os planetas também giram em torno de seu próprio eixo, desafiando-os a fazerem esse movimento. Alguns alunos realizaram tal movimento, enquanto outros preferiram não fazer. Um aluno ainda argumenta 'aí você já está querendo demais' , seguido de risadas.
Após alguns instantes, a dinâmica e o encontro foram finalizados e ao serem questionados se haviam gostado das atividades, os estudantes responderam que sim.
## Considerações Finais
A partir da atividade analisada, podemos notar que a canção pode ser um meio para se mediar o processo de ensino-aprendizagem em Ciências. Além disso, por algumas vezes trazer temas científicos em suas letras e melodias, esse produto cultural pode possuir um importante papel de divulgação científica, podendo, então, ser utilizada em atividades de educação formal e não formal.
O conhecimento prévio dos estudantes sobre o tema Sistema Solar também se apresentou como sendo bom, uma vez que a grande maioria deles soube identificar os corpos celestes presentes na canção; e representou corretamente a ordem e movimento do Sol e planetas do Sistema Solar.
Notamos, também, alegria e satisfação por parte dos estudantes com as atividades a partir da canção, evidenciando assim que esse produto pode despertar o interesse dos alunos em discutir temas científicos. O projeto ALICE, por ocorrer em horário de contra turno e não ser obrigatório, também pode contribuir para evidenciar questões de satisfação do estudante em estar no espaço escolar.
## Referências
BARRET, Syd. Astronomy Dominé . In: Pink Floyd: The Piper at the Gates of Dawn. LP. London: Emi, 1967. Faixa 1.
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GOMES, Emerson Ferreira; PIASSI, Luís Paulo de Carvalho . Corrida Espacial, Mídia e Rock n' Roll: A Exploração Espacial em seu Contexto Midiático e sua Representação na Cultura Pop . XXXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - Intercom, Foz do Iguaçu, PR, 2014.
GOMES, Emerson Ferreira; PIASSI, Luís Paulo de Carvalho. No Mundo da Lua: Utilizando a Semiótica para analisar visões sobre a Astronomia e a Natureza em canções da Música Popular Brasileira e suas possibilidades didáticas . Ensino, Saúde e Ambiente, v. 5, Agosto, 2012.
MAINGUENEAU, Dominique. Análise de Textos de Comunicação . 6ª Edição. São Paulo: Cortez, 2011.
PIASSI, Luís Paulo de Carvalho. Ficção Científica: a contribuição do estranhamento cognitivo no ensino de ciências . Ciência & Educação, v. 19, p. 151-168, 2013.
PIASSI, Luís Paulo de Carvalho . Interfaces Didáticas entre Cinema e Ciência - Um Estudo a partir de 2001: Uma Odisseia no Espaço . São Paulo: Livraria da Física, 2013.
SCHAFER, Murray. A Afinação do Mundo . São Paulo: Editora UNESP, 2001.
SILVEIRA, Marcelo Pimentel da; KIOURANIS, Neide Maria Michellan. A Música e o Ensino de Química . Química Nova na Escola, n. 28, Maio, 2008.
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VIGOTSKI, Lev Semenovitch. A Construção do Pensamento e da Linguagem . São Paulo: Editora Martins Fontes, 2001.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.