DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA COM TEMAS DE ETNOASTRONOMIA, COSMOLOGIA E ASTROBIOLOGIA
Rafael Brock Domingos, João Pereira Neto, André Luiz Oliveira Dos Santos Júnior, Dérick Alves De Jesus, Ricardo Roberto Plaza Teixeira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA COM TEMAS DE ETNOASTRONOMIA, COSMOLOGIA E ASTROBIOLOGIA
Rafael Brock Domingos 1 , João Pereira Neto , André Luiz Oliveira dos Santos 2 Júnior , Dérick Alves de Jesus , Ricardo Roberto Plaza Teixeira 3 4 5
1 IFSP- Caraguatatuba /Discente em Licenciatura em matemática/rafaelbrock1@gmail.com 2 IFSP-Caraguatatuba/Discente em Licenciatura em matemática/jp.neto@live.com 3 IFSP-Caraguatatuba/Discente em Licenciatura em matemática/alodsjr@gmail.com 4 IFSP-Caraguatatuba/Discente em Licenciatura em matemática/derickalvel06@hotmail.com 5 IFSP-Caraguatatuba/Docente/rrpteixeira@bol.com.br
## Resumo
O presente trabalho tem como finalidade discutir e analisar a importância da divulgação cientifica no processo de ensino-aprendizagem para diferentes públicos do litoral norte de São Paulo, mais especificamente na divulgação de conteúdos relacionados à Etnoastronomia, Cosmologia e Astrobiologia. Para tanto foram utilizados como principais ferramentas de ensino, softwares de modelagem do céu noturno e palestras audiovisuais com trechos de filmes de ficção científica, vídeos disponíveis na internet e documentários científicos. Durante esta investigação foi utilizada uma metodologia de características qualitativas, embasadas, sobretudo em dados obtidos por observações participantes realizadas pelos próprios palestrantes. As atividades mencionadas neste trabalho iniciaramse em 2014 e ganharam fôlego com os dois minicursos livres de astronomia realizados no auditório do câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em abril de 2015 e em abril de 2016. As palestras e demais atividades elaboradas nas três vertentes descritas nesta pesquisa foram realizadas por bolsistas de projetos de iniciação científica e de projetos de extensão.
Palavras-chave : divulgação cientifica, ensino-aprendizagem, astronomia.
## Introdução
A astronomia é uma das ciências mais antigas já criadas pelo homem. Os primeiros indícios de produção de algum tipo de conhecimento referente à astronomia surgiram no período pré-histórico, ou seja, anterior à primeira forma de escrita. Esta ciência cresceu de importância ao longo dos séculos e encontra-se presente até os dias de hoje, quando já está estreitamente associada à era digital. Isto revela que, ao longo da evolução humana, o homem sempre teve um grande fascínio em olhar para o céu noturno, em busca de respostas que o ajudasse a explicar melhor o mundo a sua volta e a imensidão do universo. Durante muito tempo a astronomia esteve ligada a questões de sobrevivências dos povos que dependiam de conhecimentos astronômicos para realizar suas atividades agrícolas e para se adaptarem às estações do ano que são fundamentais para quem cultiva alimentos. Ela está fortemente relacionada ao desenvolvimento humano e a questões culturais, sociais, econômicas e tecnológicas de cada sociedade, mudando e transformando a maneira de se pensar de cada civilização em diferentes épocas.
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Assim, com o passar do tempo, a astronomia vem ganhando novas abordagens que vão muito além dos métodos observacionais utilizados por nossos antepassados, possuindo fortes ligações com outros campos de conhecimento, tais como matemática, física, química, biologia, computação e outras ciências estudadas pelo homem.
Ainda que a astronomia tenha proporcionado grandes avanços paras antigas civilizações e para o mundo no qual estamos inseridos, nos dias de hoje, crescentemente, ela vem sendo esquecida e abandonada pelas pessoas, que no mundo cada vez mais urbano e tecnológico em que vivemos, acabam por se esquecer de observar o céu noturno e de refletir sobre ele.
A aprendizagem de astronomia não ocorre somente no ambiente escolar, mas também em ambientes diversos de educação informal e não formal, bem como nas denominadas atividades de popularização da ciência (LANGHI; NARDI, 2009). O ensino de astronomia trabalha com muitos conceitos que são retirados da Física havendo uma proximidade muito grande entre estas duas ciências.
## Atividades de divulgação científica
No âmbito do câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), desde 2014 tem se configurado um grupo de estudantes do curso de Licenciatura em Matemática envolvidos na construção de estratégias pedagógicas e didáticas para a inclusão de temas de astronomia em palestras de divulgação científica. Já no ano de 2014, um dos autores deste artigo (J.P.N.) elaborou uma palestra de cunho audiovisual denominada 'O cosmos e a gravidade'.
Um momento crucial para a configuração do grupo de pesquisa, constituído pelos autores deste trabalho, ocorreu no ano de 2015, quando no mês de abril foi oferecido pelo IFSP-Caraguatatuba o primeiro minicurso de astronomia livre que teve carga horária total de 6 horas distribuídas equitativamente durante três tardes seguidas (nos dias 27, 28 e 29 de abril). Este minicurso ocorreu no auditório da instituição e foi aberto para todos os interessados das comunidades interna e externa ao IFSP, independentemente de sua escolaridade. As palestras desse minicurso foram ministradas pelos próprios estudantes do IFSP-Caraguatatuba que eram bolsistas de iniciação científica ou de extensão. Ele contou com o apoio de docentes do IFSP-Caraguatatuba e também da Escola Técnica Estadual (ETEC) de Caraguatatuba. Como ocorreram mais de 170 inscrições para o minicurso e no auditório só cabiam 100 pessoas sentadas, a equipe que estruturou o minicurso decidiu abrir uma segunda turma com aulas entre as 14:00 e as 16:00, já que as aulas da primeira turma já estavam marcadas para ocorrer entre as 16:00 e as 18:00.
A partir deste minicurso, um outro autor deste trabalho (R.B.D.) estruturou uma palestra de cunho audiovisual denominada sobre Etnoastronomia e o uso de softwares para a modelagem do céu noturno. Por sua vez, um terceiro autor deste presente trabalho (D.A.J.) estruturou uma palestra audiovisual intitulada 'A vida no universo'. Finalmente, a partir de 2016, um quarto autor deste trabalho (A.L.O.S.J.) que em 2015 assistiu o minicurso como aluno de ensino médio e no ano de 2016 iniciou o curso de Licenciatura em Matemática, continuou na mesma linha da última palestra, trabalhando com o tema da Astrobiologia em uma palestra audiovisual também voltada para a divulgação científica. Todas estas vertentes de pesquisa se
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somaram no segundo minicurso de astronomia do IFSP-Caraguatatuba ocorrido nos dias 25, 26 e 27 de abril de 2016.
## Etnoastronomia
A Etnoastronomia - também conhecida como Arqueoastronomia - está relacionada a forma como diferentes civilizações e etnias encaravam e estudavam os astros, se ocupando das relações existentes entre o céu e as diferentes culturas humanas (CARDOSO, 2015). Por meio da Etnoastronomia se pode compreender as sociedades numa perspectiva mais ampla, levando em consideração a pluralidade cultural envolvida na construção social da realidade e a consequente necessidade de respeitar as diferenças que daí emergem. As constelações elaboradas pelas diferentes culturas, por exemplo, evidenciam a subjetividade do olhar que é influenciado pelo contexto cultural. A sistematização das diversas formas de conhecimentos é orientada também pela vida dos sujeitos sociais de cada sociedade. As pessoas, ao olharem para o céu, criam símbolos relacionados a seus problemas cotidianos: existe aqui uma exteriorização do universo cultural de cada sociedade. As constelações, para os povos que as criaram, eram não somente um agrupamento de estrelas, mas uma representação simbólica de valores, crenças, hábitos e costumes de cada sociedade (FARES; MARTINS; ARAUJO; SAUMA FILHO, 2004).
Poder projetar os astros do céu noturno em tempo real em uma tela (usando um software adequado para tal objetivo) torna-se uma ferramenta poderosa para o estudo da astronomia, em diversas situações de ensino: aulas realizadas durante o dia, aulas em noites com o céu nublado ou em ambientes com muita claridade, aulas noturnas sobre partes do céu que não estão visíveis naquele momento, etc.
A pesquisa analisada neste trabalho envolveu a elaboração de uma palestra audiovisual para o ensino de tópicos de astronomia, de história da astronomia e de etnoastronomia por meio de softwares educacionais, palestra esta que já foi apresentada, desde 2015, em cerca de 15 diferentes ambientes escolares. Foram utilizados a este respeito dois programas: o ' Stellarium ' e o 'Carta Celeste' que se revelaram excelentes ferramentas auxiliares no ensino de conteúdos de astronomia. O ' Stellarium ' simula o nosso céu em tempo real e com ele é possível observar estrelas, constelações, planetas, nebulosas, etc. Todo o processo ocorre na tela do computador e pode ser projetado em uma tela branca utilizando para isto um projetor ('datashow'). Ele permite fazer uma simulação do céu como se você estivesse no chão, ao ar livre, em qualquer ponto do planeta, inclusive com a possibilidade de avançar ou retroceder no tempo. O Stellarium é rico em informações e permite enxergar as constelações da maneira como elas eram vistas por diferentes culturas do passado, incluindo seus respectivos nomes. Este programa se encontra disponível no site a seguir e pode ser baixado gratuitamente para computadores: www.stellarium.org/pt/. O outro programa utilizado na palestra é o software 'Carta Celeste' também conhecido, em inglês, pela denominação 'Star Chart'. A sua versão para celular é gratuita e mais simples e de fácil manejo: basta acionar o GPS e a internet e apontar para uma região qualquer do céu para saber qual é o corpo celeste que se esta observando.
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Com a utilização destes softwares foi possível se aprofundar nos conteúdos de astronomia trabalhados na palestra. Foi possível atrair substancialmente a atenção do público presente para os temas de astronomia abordados, pelo grande diferencial de fluxo de informações que possibilitaram uma real construção de conhecimento por parte dos alunos: não se tratava mais só de textos e explicações teóricas que os alunos recebem de modo passivo. O uso dos softwares propiciou uma melhor clareza na exibição dos conteúdos, permitiu também incentivar ainda mais os alunos presentes na busca pelo saber científico, já que estes programas são de fácil acesso e permitem uma participação mais ativa dos alunos durante a apresentação. A palestra assim se estruturou como uma sucessão de tentativas de abordagens diferentes, usando as ferramentas disponíveis nos softwares . Um momento possível para maior interação com os alunos ocorria nas palestras quando se perguntava se eles conseguiam identificar uma determinada constelação que estava sendo projetada pelo software Stellarium no meio da miríade de estrelas que eram apresentadas na tela referentes a uma certa região do espaço no céu noturno; se os alunos afirmassem que sim, era solicitado que eles viessem até a frente da sala e fizessem as 'ligações' abstratas entre os pontos das estrelas projetadas na tela (com os dedos) até completar o formato da constelação que estava sendo mostrada! Um bom exemplo para esta atividade é com o trabalho das estrelas que formam a constelação de 'Escorpião' (sobretudo com as estrelas que formam o 'rabo do escorpião'). Com essa abordagem foi possível mudar completamente a forma de como trabalhar com este tipo de conhecimento em astronomia. Os alunos presentes nas palestras, em certo sentido, se divertiam enquanto aprendiam por meio de softwares que permitiam navegar livremente pelo céu noturno, inclusive com uso de ferramentas que permitiam aproximar-se ou afastar-se de qualquer planeta de nosso sistema solar, conhecendo deste modo algumas de suas características e peculiaridades: tamanho, atmosfera, relevo, luas, etc. O software Stellarium nos oferece ainda uma visão dos corpos celestes em todas as direções possíveis e assim é possível girar a tela e ver os planetas e estrelas que estão abaixo do horizonte.
Com a utilização desses programas computacionais foi possível perceber que o público se sentiu bem mais interessado pelos tópicos abordados, porque não se tratava mais de uma palestra tradicional, em que o público só ouve o que o palestrante está dizendo, mas de uma palestra interativa e dinâmica em que o público pode interferir solicitando que o palestrante se aprofunde em temas pelos quais tenha maior curiosidade.
## Cosmologia
O ensino de astronomia se caracteriza pela sua interface com outras áreas das ciências; assim sendo, ele pode ser trabalhado de modo tanto disciplinar quanto interdisciplinar. Disciplinar no sentido que como essa ciência se constituiu, com seus métodos e procedimentos próprios: isso pode ser apresentado a um estudante de forma a situá-lo no contexto histórico e metodológico em que a astronomia se desenvolveu ao longo dos milhares de anos de pesquisa e observações contínuas do céu. Não é objetivo deste artigo se aprofundar na questão da astronomia como disciplina de um determinado curso ou estrutura curricular. Tanto a astronomia quanto a cosmologia são áreas que possuem, se bem trabalhadas, fortes características interdisciplinares, tendo em perspectiva que elas se relacionam com
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diversos outros campos do saber, como matemática, filosofia, sociologia, história, geografia, química e biologia (STANNARD, 2011).
No século XX a astronomia se apartou da cosmologia (PANNEK, 2014). Além disso, esta última, neste momento, deixou o campo filosófico para se tornar uma disciplina científica e com base empírica, estabelecendo características muito próprias para colher evidências para as teorias formuladas em seu campo de investigação.
Os telescópios e antenas (radiotelescópios) se dedicam a desvendar a 'luz', de astros no céu, em diferentes frequências: alguns se aplicam em mapear cada objeto celeste em todas as direções possíveis, outros investigam apenas certos quadrantes específicos do céu. A luz que chega até nós é a única janela que os cientistas se valem para investigar as particularidades do Universo; essa forma é a única que permite ir além da vizinhança próxima, ou seja, para fora do sistema solar. A radiação eletromagnética em todo o espectro que vai das ondas de rádio até os raios gama, traz informações sobre toda a matéria que de alguma forma 'brilha' no universo. É importante ressaltar que não se precisa de um aparato tecnológico amplo e desenvolvido para que se possa investigar os astros do céu com certa qualidade; mesmo astrônomos tidos como 'amadores' conseguem realizar formidáveis trabalhos na área acadêmica, utilizando-se de razoáveis equipamentos observacionais. Um equipamento de observação bastante desenvolvido tecnologicamente é o telescópio Hubble, que funciona em um satélite há mais de 20 anos e ainda faz imagens de alta resolução dos mais remotos recantos do universo, sendo que estas imagens estão disponíveis a todos os interessados.
Até a metade do século XX a história da cosmologia estava ligada umbilicalmente com a da astronomia. Por isso é importante destacar o marco histórico da ciência, que foi a experiência em uma das unidades dos laboratórios Bell, em 1964, dirigida por Arno Penzias e Robert Wilson e que culminou na descoberta da radiação cósmica de fundo. Esta é uma espécie de ruído primordial do Big Bang , uma radiação de corpo negro, composta principalmente por microondas, com a temperatura aproximada de 2,7 K (cerca de - 270ºC), que não depende da direção em que se é apontado o radiotelescópio. O estudo científico das origens do universo tem nesta descoberta um de seus alicerces fundamentais.
A palestra de divulgação científica sobre cosmologia elaborada em 2014 - e aperfeiçoada ao longo do tempo - já foi apresentada em cerca de 30 diferentes ambientes escolares do litoral norte paulista desde então. Um dos seus objetivos foi indicar possíveis caminhos de pesquisas sobre estratégias de inserção dos temas de diferentes campos da astronomia (como é o caso da cosmologia e da astrofísica), nos diversos níveis de ensino.
Os assuntos relacionados à cosmologia, como radiação cósmica de fundo, matéria escura, energia escura, partículas elementares produzidas por astros do universo, Big Bang e buracos negros são verdadeiramente fascinantes e muito motivadores para os jovens (ANTUNES, 2007). Por outro lado, muito dos conteúdos que são ensinados nas escolas, geralmente são considerados desinteressantes pelos alunos, até mesmo pelo fato de que no processo - da forma como se ensina os estudantes são tratados apenas como depositários do saber. Novas maneiras de ensinar são necessárias para que os alunos possam conscientemente questionar afirmações de senso comum baseadas em pseudociências e/ou concepções espontâneas (CHASSOT, 2004; ARAGÃO, 2006).
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As palestras sobre cosmologia que são foco desse artigo foram promovidas com o objetivo de levar ao público leigo (principalmente alunos da educação básica), tópicos de fronteira da ciência, mais especificamente, das áreas de cosmologia e astrofísica. A palestra (com várias versões) sobre cosmologia intitulada 'O Cosmos e a Gravidade' foi formulada no âmbito de iniciações científicas realizadas no período que vai de 2014 até 2016. Foram usados diferentes recursos audiovisuais, sobretudo cenas recordadas de filmes de ficção científica e de documentários científicos, bem como vídeos curtos relacionados aos temas abordados e disponíveis na internet .
As palestras aconteceram em escolas da educação básica (ensino fundamental e ensino médio), tanto na modalidade de ensino regular, quanto na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O caráter audiovisual da palestra sobre cosmologia estabeleceu com o público uma fácil empatia com os temas expostos. Isto facilitou a compreensão dos conteúdos e definições apresentados, o que foi importante pois era necessário que os alunos presentes tivessem dispostos a um considerável grau de abstração. Para aprofundar-se e problematizar definições sobre diversos assuntos relacionados à área da cosmologia é útil apresentar diferentes pontos de vistas, mesmo que contraditórios entre si de alguma forma, pois é da contraposição entre diferentes hipóteses que se pode chegar a conclusões mais sólidas sobre o Universo e sua história. Neste momento é que são apresentados modelos matemáticos que procuram explicar a física envolvida, inclusive por meio de concepções artísticas sobre os complexos conceitos estudados.
## Astrobiologia
Um campo importante de pesquisa que vem crescendo nos últimos anos é a Astrobiologia - também conhecida como Exobiologia - que se estrutura na interface de áreas científicas mais consolidadas e antigas como é o caso da biologia e da astronomia. Basicamente, a Astrobiologia procura estudar as possibilidades de existência de vida em outros corpos celestes (planetas, luas, asteroides, etc), usando para isso do método científico e de analogias com a vida existente na Terra, o único tipo de vida que conhecemos até os dias de hoje. A Astrobiologia pela sua própria definição é um campo de natureza intrinsicamente interdisciplinar.
No âmbito do nosso sistema solar, os exemplos mais conhecidos de astros com maior potencial para abrigar vida pelo menos em nível microscópico são o planeta Marte e as luas Europa e Titã, respectivamente dos planetas Júpiter e Saturno. O rápido crescimento do conhecimento humano sobre o sistema solar e sobre sistemas estelares situados nas proximidades do Sol no âmbito da nossa galáxia, tem aberto novas possibilidades de pesquisa científica sobre a existência de vida fora da Terra: 'Pela primeira vez na história da humanidade é possível aplicar o método científico para investigar a existência de vida em outros lugares do universo, o que está diretamente ligado à questão da origem da vida na Terra, bem como ao futuro da humanidade e possível colonização do espaço' (PAULINO-LIMA; LAGE, 2010). Como ponto de partida a respeito deste assunto é importante lembrar que não temos até os dias de hoje conhecimento de nenhuma demonstração ou evidência experimental crível acerca da existência de vida em outros astros, nem no sistema solar, nem fora dele (QUILLFELDT, 2010). Esse ponto é a primeira coisa que devemos levar em conta quando discutimos cientificamente sobre a existência
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ou não da vida fora da Terra. Assim sendo há ainda muito trabalho a frente que poderá ser executado por jovens pesquisadores dispostos a enfrentar os obstáculos existentes para a consolidação plena deste campo de investigação científica que tem grandes perspectivas para o futuro. É importante por um lado trabalhar sobre aquilo que é bem conhecido para a existência da vida aqui na Terra, para buscar evidências de vida fora dela: por exemplo, para a existência de vida na terra é importante pensar na tríade 'carbono + água líquida + atmosfera'. Entretanto, assim como ocorreu em outros campos de conhecimento que na sua gênese estiveram relacionados a revoluções científicas, para a Astrobiologia se consolidar também é fundamental procurar alternativas diferentes daquelas condições existentes na Terra para produzir a vida. Por exemplo, a possibilidade de existência de vida em ambientes formados por metano líquido (em lugar da água) é algo que tem que ser levado em consideração pelo menos como hipótese.
Finalmente, para compreender a existência de toda a diversidade de formas de vida na Terra é fundamental entender os mecanismos explicativos propostos pela teoria da evolução de Charles Darwin. A vida fora da Terra seja ela de que tipo for também estará sujeita aos mesmos mecanismos de seleção natural.
Todos estes temas foram levados em consideração na estruturação de uma palestra sobre a vida no universo e a área da astrobiologia que foi elaborada inicialmente no primeiro semestre de 2016 e que vem sendo aperfeiçoada a cada apresentação. Somente no ano de 2016, até o presente momento (mês de agosto) esta apresentação audiovisual - com o auxílio de questionamentos, slides e vídeos - já foi realizada para públicos de oito instituições diferentes.
De modo geral, o estudo da possibilidade de vida fora da Terra é um tema que atrai muito a atenção do público, em geral, e dos alunos da educação básica, em particular. Muitos perdem a empolgação inicial ao perceberem que não se trata de estudar alienígenas, óvnis ou abduções que realmente não é o foco da Astrobiologia. Entretanto, muitos dos presentes perceberam que a seriedade no tratamento de dados e o método científico não tiram o verdadeiro fascínio acerca do tema. No caso de alunos da educação básica, o caráter interdisciplinar da Astrobiologia pode ser trabalhado pelas diferentes disciplinas existentes na grade curricular de modo a despertar a curiosidade dos alunos e a vontade em se aprofundar em seus estudos visando uma formação científica mais sólida.
## Considerações finais
De modo geral, os autores deste trabalho perceberam que há um grande interesse do público por temas de várias áreas da astronomia, em particular pela etnoastronomia, pela cosmologia e pela astrobiologia. Este interesse se configura como uma grande oportunidade para que leis e conceitos científicos sejam apresentados e trabalhados com os alunos, de modo a aumentar os níveis de educação científica, que no nosso país ainda deixam a desejar.
Os tempos atuais são auspiciosos para estudar e aprender tudo que há de novo sobre o cosmos (TYSON, 2015), sobretudo pelo crescimento exponencial do conhecimento nas diversas áreas da astronomia. Os educadores em áreas científicas deveriam procurar aproveitar este momento da melhor forma possível.
A astronomia - tal como todas as ciências, em geral - é uma forma de cultura e todos os cidadãos têm o direito a ter acesso ao conhecimento
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sistematizado pela civilização a respeito dos astros: a alfabetização científica também abrange o conhecimento a respeito de nossa posição no universo. O estudo da astronomia afinal de contas pode também se tornar uma lição de humildade, nas palavras do físico e divulgador da ciência, Sagan (1996).
## Referências
ANTUNES, C. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender . Porto Alegre: Artimed, 2007.
ARAGÃO, M. J. História da Física . Rio de Janeiro: Interciência, 2006.
CARDOSO, W. T. Astronomia Cultural: como povos diferentes olham o céu . Palestra ministrada na UFRGS (Porto Alegre). 2015. Disponível em: <http://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/40753388/ASTRONOMIA\_NA S\_CULTURAS\_-\_PALESTRA\_UNB-TEXTO\_INTEGRAL-FIM.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAJ56TQJRTWSMTNPEA&Expires=1471908585&Sig nature=7%2BXZG1qFGjlCVwtvY7OFVXk3G3s%3D&response-contentdisposition=inline%3B%20filename%3DAstronomia\_Cultural\_como\_povos\_diferent.p df>. Acesso em 22 ago. 2016.
CHASSOT, A. A ciência através dos tempos . São Paulo: Moderna, 2004.
PANEK, R. De que é feito o universo? Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
PAULINO-LIMA, I. G.; LAGE, C. de A. S. Astrobiologia: definição, aplicações, perspectivas e panorama brasileiro. Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), 29, n.1, p. 14-2, 2010. Disponível em:
QUILLFELDT, J. A. A astrobiologia: água e vida no sistema solar e além. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 27, n. especial: p. 685-697, dez. 2010. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/21757941.2010v27nespp685/17202>. Acesso em 20 ago. 2016.
FARES, E. A.; MARTINS, K. P.; ARAUJO, L. M.; SAUMA FILHO, M. O universo das sociedades numa perspectiva relativa: exercícios de etnoastronomia. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA , n. 1, p. 77-85, 2004.
SAGAN, C. Pálido ponto azul . São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
STANNARD, R. Relatividade. Apresentando a Relatividade de forma acessível mantendo o rigor científico . Porto Alegre, RS: LP & M, 2011.
TYSON, N. de G. Origens : Catorze bilhões de anos de evolução cósmica. São Paulo: Planeta do Brasil, 2015.
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