ESPAÇOS NÃO FORMAIS DE APRENDIZADO E O ENSINO DE FÍSICA PARA ALUNOS COM BAIXA VISÃO OU CEGUEIRA
Isabela Franco Costa, Antonio Luiz Fernandes Marques
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ESPAÇOS NÃO FORMAIS DE APRENDIZADO E O ENSINO DE FÍSICA PARA ALUNOS COM BAIXA VISÃO OU CEGUEIRA
## NON-FORMAL LEARNING SPACES AND PHYSICS TEACHING FOR STUDENTS WITH LOW VISION OR BLINDNESS
## Isabela Franco Costa , Antonio Luiz Fernandes Marques 1 2
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Universidade Federal de Itajubá/ Licencianda em Física, cisabela18@hotmail.com Universidade Federal de Itajubá/ Instituto de Física e Química, amarques@unifei.edu.br
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## Resumo
A inclusão, além de um direito para todos os alunos, é também um dever das instituições de ensino. A educação de alunos com necessidades educacionais especiais está garantida por lei e cada vez mais alunos frequentarão as salas de aula regulares e também os espaços não formais de aprendizado. Acreditamos que os Centros de Ciências, quando acessíveis e inclusivos, servem de apoio à educação inclusiva através dos seus serviços. A proposta desse artigo tem em destaque o estudo de uma releitura inclusiva de um dos experimentos de óptica do centro de ciências da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), o Espaço InterCiências, para os visitantes com baixa visão ou cegueira. Primeiramente, foi realizada a adequação do experimento de óptica, com materiais agradáveis ao tato, de aparatos de lentes, que representam o comportamento óptico da luz. A seguinte etapa seria a análise da entrevista com uma pessoa com deficiência visual, que pudesse visitar o Espaço InterCiências e dizer se conseguiu compreender o fenômeno físico que o aparato apresenta, tendo em vista os prós e contras sobre o entendimento adquirido por um visitante com cegueira adquirida, ainda criança, com a finalidade de avaliar o experimento como inclusivo. Este trabalho de iniciação científica é a continuação de um estudo de outros aparatos do centro InterCiências, submetidos a uma reestruturação inclusiva distinta da executada com as lentes ópticas recentemente. Com isso, este trabalho propõe uma perspectiva multissensorial a ser aplicada no museu de ciências da UNIFEI, de modo a se aproximar de um espaço inclusivo.
Palavras-chave : Centro de Ciências, Deficiência visual, Inclusão.
## Introdução
Os centros de ciências podem ser utilizados como instrumentos importantes no ensino das ciências por transformarem os conteúdos lecionados pelos professores em algo visível, palpável e atrativo, além de incentivarem o interesse pela descoberta e análise do universo científico para diversas faixas etárias. Outro grande benefício é de conseguir reunir diversas áreas do conhecimento em um mesmo lugar, contribuindo para a interdisciplinaridade do ensino. No centro Espaço InterCiências, os monitores mediam a interação dos visitantes com os aparatos no intuito de aproximá-los de temas cotidianos relacionados a matemática e a física.
Para Mamede & Zimmermann (2005), uma das principais funções dos centros de divulgação científica é auxiliar a escola a cumprir o objetivo de letrar cientificamente seus estudantes e também melhorar a percepção pública da população em relação à ciência.
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A preocupação inicial deste trabalho é a dificuldade na discussão dos conteúdos, em especial de óptica, para pessoas cegas em centros de divulgação científica. As questões desse tema, de como adequar a comunicação, apresentamse nas escolas regulares, responsáveis por receber uma diversidade de alunos e possibilitar a adaptação das aulas e materiais para uma concepção clara das disciplinas. Esses ambientes de centro de ciências proporcionam instrumentos como recursos audiovisuais que estimulam o aprendizado dos estudantes (BIACONE, M.L; DIAS, M.; VIERA, V. 2005)
A presença de discentes com deficiência nas escolas regulares tem aumentado significativamente e esse crescimento tem repercutido em artigos de educação inclusiva, pois há uma preocupação quanto ao tempo entre o planejamento da lei, até a sua implementação nas escolas, e como os professores foram preparados para lecionar em uma sala que proporciona o trabalho sob a diversidade.
Dentre as dificuldades encontradas por professores e alunos está o preconceito da sociedade, como por exemplo, alguns alunos videntes considerarem que a participação de um aluno com deficiência visual nas aulas possa atrapalhar o andamento da turma. De acordo com Mansini (1993, citado por Bragagnolo et al, 2015, p.4): 'Assim, muitos dos problemas que os deficientes visuais encontram advêm de como os videntes os tratam nas situações sociais e também com relação ao ensino'.
Este trabalho de iniciação científica, desenvolvido no InterCiências, tem como objetivo facilitar o acesso de pessoas com deficiência, visitantes com baixa visão ou cegos, aos conteúdos de óptica geométrica, de modo a compreenderem o comportamento da luz ao incidir em diferentes aparatos ópticos (espelhos e lentes). A abordagem sensorial do experimento citado tem como meta que a pessoa com deficiência visual possa interpretar o fenômeno observado, além de intensificar o aprendizado para as pessoas videntes, pois segundo Camargo e Nardi (2008, p.101)
É importante destacar que as maquetes táteis-visuais exibem um grande potencial inclusivo, na medida em que atendem necessidades educacionais de todos os alunos. Para o caso dos alunos videntes, os materiais em questão apresentam duas possibilidades de interação com o registro do fenômeno, a visual e a tátil. Quanto à interação visual, entende-se que maquetes como a da dispersão da luz represente uma vantagem no aspecto tridimensional em relação aos registros bidimensionais realizados na lousa ou em livros. Em relação à representação tátil, entende-se que tais materiais dispõem aos alunos videntes a possibilidade de uma interação muito mais analítica do fenômeno da dispersão em comparação com a interação visual.
Os obstáculos constatados, como adequação de materiais didáticos e comunicação, pelos profissionais da educação, bem como, pelos próprios alunos com baixa visão ou cegueira são igualmente compartilhados pelas experiências dos monitores do Espaço InterCiências nas visitas de pessoas com a deficiência visual (CAMPOS, COSTA & MARQUES, 2015). Portanto, pretende-se discutir essas experiências e retratar a adaptação de aparatos ópticos para aproximar o ambiente do meio inclusivo.
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## Ensino de física para pessoas com deficiência visual
A matrícula, em espaços formais de ensino, de alunos com deficiência é garantida pelas Diretrizes e Bases para a Educação Especial Nacional (Brasil, 1994, 1996, 2001), entretanto não assegura a aprendizagem e, por conseguinte, um ambiente escolar inclusivo. Constata-se que há controvérsias entre a definição de inclusão defendida pela lei e a integração ofertada em algumas escolas, devido à falta de infraestrutura, a insuficiência de recursos pedagógicos inclusivos e o despreparo na formação do profissional da educação. Na integração, o aluno se adapta às condições do ambiente de ensino, enquanto deve ser priorizada a adaptação da escola ao discente (Informação verbal) . 1
Na discussão de fenômenos físicos com pessoas com deficiência visual, na sala de aula e em centros de ciências, devem ser considerados possíveis obstáculos de comunicação entre professor/aluno com deficiência (sala de aula) ou monitores/visitante com deficiência (centro de ciências) na sua realização. Para transpormos estes obstáculos devemos analisar quais funções sensoriais devem ser exploradas, por meio de experiências auditivas, táteis, sonoras e gustativas, com o intuito de facilitar a compreensão desses fenômenos.
- O processo de construção do conhecimento, pelas pessoas com deficiência visual, deve ser realizado por uma aprendizagem multissensorial, com a finalidade de que o estudante consiga compreender e memorizar o conceito apresentado. Nas discussões sobre o ensino de ciências para esses discentes, a dificuldade dos professores explicarem os fenômenos físicos decorre de uma definição do que é a ciência e como ela é estudada. Nessa definição, o primeiro processo para a formação da ciência é a observação do comportamento da natureza, logo, a primeira etapa está intrinsecamente ligada ao sentido da visão, que favorece a explicação dos conceitos somente pela utilização um dos sentidos. Deve se destacar o desenvolvimento de conteúdos dentro da física, por exemplo, sem a necessidade da visão, como a mecânica quântica e os modelos atômicos, portanto o ensino dessa ciência não pode ser transposto aos alunos, apenas, através da visão. A utilização da aprendizagem multissensorial intensifica a aprendizagem dos estudantes que não possuem nenhuma deficiência também, consequentemente, estimula o ensino inclusivo nas salas de aula.
A observação é um dos fatores fundamentais para a construção de conhecimentos científicos. Esta consideração, a partir de um referencial multissensorial, desloca o sentido do termo 'observação', de um aspecto puramente visual para algo mais amplo, relacionado às múltiplas possibilidades de percepção (auditiva, tátil, olfativa e gustativa). (CAMARGO, CARVALHO & COUTO, 2013, p.2)
Manter o diálogo com o visitante com baixa visão ou cegueira para identificar as suas limitações pode contribuir para explicar os experimentos, assim como é feita em sala de aula entre professores e alunos. A presença do diálogo auxilia o monitor a perceber quais as concepções dos visitantes sobre os temas discutidos nos museus de ciências, com o intuito de mapear as limitações e obter caminhos facilitadores para alcançar o entendimento. A apresentação dos experimentos, por
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meio da observação multissensorial, proporciona a compreensão dos fenômenos físicos pelas pessoas com deficiência visual e reforça o entendimento do aluno vidente. O desenvolvimento de um espaço inclusivo fomenta a transposição de preconceitos sociais e promove a discussão da ciência em perspectivas multissensoriais entre os alunos, de forma que ambas beneficiam a construção do conhecimento científico.
## Metodologia
Este trabalho é pautado com uma metodologia qualitativa e está em desenvolvimento desde o segundo semestre de 2014. A princípio, este estudo provém de um projeto no Espaço InterCiências da UNIFEI, que visa atribuir ao museu características inclusivas (MARQUES, KIRNER & GIACOMETTI, 2014). Neste intuito organizamos uma visita ao InterCiências dos membros do Centro de Apoio e Integração do Deficiente de Itajubá (CAIDI) e os monitores do espaço tiveram a tarefa de discutir os conceitos e realizar os experimentos de física e matemática do InterCiências e, posteriormente, relatar as dificuldades e observações feitas pelos visitantes durante o percurso realizado nos seus ambientes. (MARQUES, CUSTÓDIO & COSTA, 2014)
Nos relatos dos monitores destacou-se a dificuldade de apresentar os fenômenos ópticos, com isso, foi realizada uma pesquisa por referências em anais de congressos com o tópico 'ensino de física para pessoas com deficiência visual'. A finalidade seria investigar métodos para reelaborar um dos experimentos de óptica, no caso, aparato de espelhos e lentes, implicando numa observação, do comportamento da luz no experimento, por meio do tato. A reformulação do aparato foi feita com o uso de materiais de baixo custo como papel, barbante, isopor, E.V.A, lixas, palitos e cola colorida (Figura 1). Optamos por essa maneira, pois segundo Camargo e Nardi (2007, p.123) 'recursos instrucionais tátil visuais podem criar entre docente e aluno com deficiência visual e entre alunos com deficiência visual e videntes um mecanismo de comunicação sobre o conceito óptico estudado'.
Com isso, um integrante do CAIDI, com deficiência visual, se voluntariou para ser apresentado ao experimento óptico inclusivo, no InterCiências, e participar de uma entrevista, que ajudaria a compreender se o aparato auxiliou o visitante na observação do fenômeno óptico; como a família e a escola se comportavam diante da deficiência visual e, também, entender o modo com que o entrevistado se deparou com a física no ensino médio, em especial a óptica. Na entrevista foi usado um gravador de voz para possibilitar a transcrição para uma análise.
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Figura 1 -Aparato de Ótica (direita) e sua reformulação com materiais táteis (esquerda)
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## Dados da Entrevista
Para a entrevista um integrante do CAIDI visitou o Espaço InterCiências, onde estavam disponíveis o experimento utilizado na discussão dos diferentes comportamentos ópticos para os alunos videntes e os aparatos de lentes adequados para visitantes com deficiência visual. A princípio, o objetivo foi trabalhar com uma pessoa com cegueira congênita ou que tinha adquirido a perda da visão ainda criança, caso contrário, se o indivíduo tivesse adquirido a deficiência na idade adulta acredita-se que teria facilidade de identificar o comportamento da luz nos aparatos ópticos e de discutir o conceito de raios de luz.
Dentre as questões pertinentes para pesquisa, conhecer a infância e adolescência foi um ponto de destaque, pois facilitaria identificar o caminho escolhido pela família e escola para lidar com a deficiência visual e, com isso auxiliálo no amadurecimento da sua independência. Também, o que ele aprendeu na aula de física e como o professor, na época, lecionou o conteúdo, além de verificar a dificuldades oriundas da própria deficiência, como a abstração dos conteúdos. Esses são tópicos importantes para o progresso dessa pesquisa e do desenvolvimento do museu inclusivo já que, segundo Camargo, Nardi e Veraszto (2008, p.3412)
a 'história visual' do aluno é uma variável central para o ensino de óptica. Saber se o aluno nasceu cego, se perdeu a visão ao longo da vida, quanto tempo enxergou, se possui baixa visão, etc, é fundamental para a definição de estratégias comunicacionais, recursos instrucionais, atividades experimentais, padrões discursivos e níveis de interação pessoal no interior da sala de aula.
Em comentários anteriores mencionamos que o preconceito da sociedade é o maior obstáculo para o progresso das pessoas com deficiência, visto a atitude dos videntes de impedir a sua participação em determinadas tarefas, como por exemplo, andar sozinho na rua, interagir por meio de algumas brincadeiras quando criança e, principalmente, ser capaz de compreender conteúdos de física, matemática e química. Quando questionado o visitante de como sua deficiência foi aceita pela família e como era o convívio com as limitações foi relatado que:
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Não fizeram nada, né? [...] fiquei dentro de casa durante muitos anos, porque para entrar em uma escola era preciso que eu tivesse uma noção do braile [...] E, além disso, eu ainda tinha que ter alguém para me dar o treinamento de locomoção para que pudesse me movimentar sozinho, né?
De acordo com o voluntário, a possibilidade de entrar na escola ocorreu apenas com o auxílio do CAIDI, responsável por ensinar o braile e a maneira de se locomover na cidade. A dificuldade de conseguir se adequar a uma sala de aula com a maioria de alunos ditos 'normais' esteve presente em toda a sua formação, contudo alguns professores optaram por tentar ajudá-lo da maneira que fosse possível, apesar de suas limitações. De acordo com Rocha e Terán (2011) é preciso que os professores respeitem as diferenças da sala e utilize de outros meios pedagógicos para a aprendizagem efetiva, como museus e centros de ciência que são responsáveis pelo desenvolvimento do interesse pela ciência por meio de outros sentidos, que contribuem para a alfabetização científica dos visitantes.
No ensino médio o voluntário disse que teve as aulas de física e química normais, contudo declarou que não se recordava da matéria de óptica. Dessa forma, foram apresentados os experimentos da pesquisa ao visitante. Inicialmente, o visitante teve contato com o experimento original do InterCiências (não inclusivo). Nesta primeira exibição teve dificuldade em distinguir as lentes ópticas de acrílico e modo como a luz se comportava em cada uma delas. No trecho seguinte, destacamos na fala do visitante a dificuldade de entender de forma abstrata o que acontece no experimento.
Então, é porque para quem já enxergou tem uma noção. Você fala, assim, raio. E a pessoa que já enxergou sabe o que é raio, sabe a direção que ele tomou, até onde chegou, até onde voltou. Agora, para gente que nunca enxergou, a gente ouve falar, mas não tem como imaginar o que aconteceu ou que jeito que é o raio. Nada disso conseguimos entender, né?
Quando exposto os aparatos de lentes inclusivas, o visitante observou pelo tato a maneira como os raios de luz incidiam na lente e a maneira como saíam. Esses raios representados por barbantes possibilitaram uma exposição tátil e menos abstrata, contudo durante a entrevista se pode concluir que a definição de raio de luz não era conhecida pelo voluntário da mesma forma como era discutida com ele. O significado de raio de luz, como uma concepção alternativa do voluntário, seria o raio que tem na tempestade e faz um barulho alto. Assim, ele acreditou que estava sendo apresentado ao comportamento de um raio da natureza que chegava às lentes ópticas.
É como se fosse, para dar uma ideia do que acontece com o raio, o raio da natureza, quando cai um raio ele produz todo esse tipo de caminho? [...] É que o trovão produz uma luz muito forte, né? Quando eu consegui ver um pouquinho, ainda, lembrava disso, mas eu não conseguia ver de onde chegou e para onde voltou, né?
Ao compreender que tanto o visitante, quanto quem explicava o experimento falavam de assuntos distintos foi esclarecido ao voluntário o que seria o raio de luz. Após discutir o comportamento de cada lente o voluntário conseguiu entender que para cada tipo de lente existe um comportamento da luz diferente, contudo no final da entrevista, novamente, o preconceito da sociedade é refletida na realidade da pessoa com deficiência visual, representada em uma fala do visitante.
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Mas uma pessoa com deficiência visual que nunca teve a oportunidade de ver teria capacidade de chegar no mesmo nível de qualquer outra pessoa que não tenha deficiência?
Há meios de uma pessoa com deficiência visual compreender os fenômenos físicos, desde que seja ofertado um ensino inclusivo de qualidade, assim como é possível para as pessoas ditas 'normais' que possuem limitações também. Os museus e centros de ciências auxiliam os professores a trabalharem com as especificidades de alunos com deficiência visual de modo lúdico, sensorial e significativo. Dessa forma, se pensa que a participação de alunos com deficiência, em especial a deficiência visual, em espaços formais e não formais de ensino contribui para facilitar o entendimento de determinado conceito, visto como objetivo a discussão de um experimento por uma perspectiva multissensorial favorecendo o diálogo entre mediadores/visitantes e professor/aluno sobre fenômenos físicos.
## Considerações Finais
A presença de alunos com deficiência visual nos espaços regulares de ensino tem aumentado nos últimos anos, por isso, a preocupação em verificar as limitações desses alunos para desenvolver métodos que encaminhem para uma aprendizagem inclusiva. Os espaços de ensino formais ou não formais inclusivos devem atender as especificidades do aluno com deficiência visual e intensificar a qualidade da aprendizagem de determinado conteúdo para os discentes que não possuem deficiência. O uso da observação multissensorial para exemplificar experimentos de ciência auxilia os alunos na compreensão do conteúdo e facilitam as discussões em sala de aula e museus sobre determinado assunto.
Na entrevista ficaram evidentes as dificuldades que podem ser enfrentadas por pessoas com deficiência visual como o preconceito, que freia o avanço do processo de inclusão nas escolas e espaços não-formais de ensino, além de verificar as limitações da escola que apesar de trabalhar com a diversidade insiste em integrar os alunos em vez de incluí-los. Com isso, nos museus de ciência não deve ser diferente e, logo, realizar a releitura de experimentos não inclusivos e estudar o modo como ocorre o processo de aprendizagem dessas pessoas com baixa visão ou cegueira auxilia o mediador a dialogar com o visitante e promover a discussão de conceitos da ciência de forma que facilita a sua compreensão.
A reformulação feita a partir do aparato óptico contribuiu para uma visualização multissensorial do experimento tornando-o inclusivo e foi utilizado em outras ocasiões por outros monitores (e professores), no InterCiências, para discutir o comportamento óptico da luz para visitantes com deficiência visual. O resultado foi que o material enriqueceu a explicação do fenômeno e contribuiu na simplificação do esclarecimento do fenômeno óptico. O desenvolvimento de um experimento inclusivo é um investimento no processo de um ensino significativo para as pessoas com deficiência, de modo que os espaços de centros e museus de ciência estejam preparados para atuarem com uma maior diversidade de visitantes.
## Agradecimentos
Os autores do trabalho agradecem à FAPEMG pelo apoio financeiro, concedido na forma de auxílio à participação coletiva em evento técnico ou científico no país, processo PEC-00852-16.
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## Referências
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ROCHA, S.C.B. ; TERÁN, A.F. Contribuições dos Espaços não formais para o Ensino de Ciências, Manaus, I SECAM, 2011.
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