O ENSINO DE ASTRONOMIA NO CONTEXTO DA DEFICIÊNCIA VISUAL: UM PANORAMA SOBRE PESQUISAS E PROPOSTAS DESENVOLVIDAS PARA A PRÁTICA INCLUSIVA
Fábio Matos Rodrigues, Rodolfo Langhi, Éder Pires De Camargo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O ENSINO DE ASTRONOMIA NO CONTEXTO DA DEFICIÊNCIA VISUAL: UM PANORAMA SOBRE PESQUISAS E PROPOSTAS DESENVOLVIDAS PARA A PRÁTICA INCLUSIVA
## Fábio Matos Rodrigues 1 , Rodolfo Langhi , Éder Pires de Camargo³ 2
- ¹ Universidade Estadual Paulista 'Júlio Mesquita Filho' - UNESP - campus: Bauru, Programa de Pósgraduação em Educação para as Ciências, e-mail: rodriguesfm.unesp@gmail.com
- 2 Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Departamento de Física, UNESP, campus Bauru, e-mail: rlanghi@fc.unesp.br
- 3 Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Departamento de Física, UNESP, campus Ilha Solteira, e-mail: camargoep@dfq.feis.unesp.br
## Resumo
O presente trabalho tem por objetivo apresentar de forma panorâmica de como o ensino de Astronomia, para alunos com deficiências visuais tem sido socializado. Para tanto, buscouse, por meio de um levantamento bibliográfico em eventos da área de Astronomia e periódicos específicos classificadas pela plataforma sucupira - CAPES com qualis A1, A2, B1, B2 e B3, verificar quais são as principais perspectivas acerca das abordagens e de como as mesmas tem sido apresentadas. Com esse intuito, realizamos esse levantamento não descartando a realidade de que o ensino de Astronomia, por vezes tem se apresentado de forma precária, devido a fatores de formação, entre outros. Contudo, optamos por destacar neste artigo apenas as pesquisas desenvolvidas em eventos e periódicos brasileiros, para que por meio destas possamos traçar um perfil acerca das publicações da área. Espera-se que por meio desse trabalho possamos estimular professores a desenvolverem em suas práticas colaborações significativas para os alunos com deficiência visual, levando-os a adotarem a Astronomia como parte integrante das aulas de Ciências. Tais apontamentos aqui realizados sugerem que essa área há indiscutivelmente uma carência e com isso, sinaliza uma necessidade atual de trabalhos que possam subsidiar a temática em investigações com fins didáticos.
Palavras-chave : Levantamento bibliográfico. Deficiência visual. Ensino de Astronomia. Abordagens metodológicas.
## O Ensino de Astronomia e a Deficiência Visual: um problema significativo no Cenário Educacional
A Educação Inclusiva de alunos com deficiência visual no cenário educacional se configura como um quadro atual e preocupante em muitas escolas brasileiras. Nesse cenário, os discursos promovidos por docentes e outros colaboradores baseiam-se em reflexões acerca de como realizar um trabalho significativo para esse público de maneira que não se sintam excluídos. Nesse sentido, o que se entende atualmente por educação inclusiva no âmbito educacional, especificando a prática pedagógica constitui-se ainda num verdadeiro desafio.
Considerando as aulas de ciências e, especificamente ao abordar temas de Astronomia, os professores tendem a não trabalhar tais temas visto que, em sua maioria, compreendem tal temática sob uma perspectiva propriamente visual e por vezes justificam a escolha, principalmente quando há deficientes visuais em suas
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salas de aula. No entanto, percebemos que em algumas iniciativas locais professores e pesquisadores tem conseguido superar tal desafio, tentando incorporar em sua prática pedagógica uma característica inclusiva . 1
Nesse ínterim, apresentamos nesse artigo algumas reflexões acerca de um levantamento bibliográfico previsto como parte constituinte do referencial teórico de uma tese de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação para as Ciências, da Universidade Estadual Paulista (UNESP/Bauru), o qual tem por um dos objetivos específicos: compreender o contexto da educação inclusiva no Brasil, em específico como tem sido apresentada a temática astronomia para alunos com deficiência visual. Investigamos, portanto, como os professores e pesquisadores da área de Ciências tem articulado com suas práticas pedagógicas, as características proeminentes de uma educação inclusiva referente a essa temática.
## Princípios Norteadores da Prática Inclusiva no Cenário Educacional
A educação na perspectiva inclusiva, no que se refere ao conceito e, paralelamente como proposta institucional, teve nos últimos anos avanços significativos, dos quais destacamos como marcos históricos e normativos dois movimentos importantes na década de 90, a saber: a Conferência Mundial de Educação para Todos , realizada em Jomtiem, na Tailândia, e a Conferência Mundial de Educação Especial , em Salamanca, na Espanha. Esta última deu origem ao documento conhecido como a 'Declaração de Salamanca'.
Nesse documento, chama-nos à atenção um trecho que salienta um alicerce básico para promover uma educação inclusiva onde destaca que a preparação adequada de todo pessoal da educação constitui um fator-chave na promoção do progresso em direção às escolas inclusivas (UNESCO, 1994). Esse argumento traz como pré-requisito a interlocução entre educadores e profissionais da área com o intuito de lidar com possíveis impasses das quais a prática educativa sob essa perspectiva apresenta.
Trilhando por vias de pensamentos similares, Kupfer (2001) destaca que dentro dessa perspectiva o professor deve apoiar-se numa equipe de profissionais, para produzir um amadurecimento à sua prática pedagógica. Nesse contexto, inclusão é compreendida de forma mais ampla, como salienta Sassaki (1997, p. 41) como:
Um processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir em seus sistemas sociais gerais pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. (...) Incluir é trocar, entender, respeitar, valorizar, lutar contra exclusão, transpor barreiras que a sociedade criou para as pessoas. É oferecer o desenvolvimento da autonomia, por meio da colaboração de pensamentos e formulação de juízo de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.
Nesse sentido, a educação inclusiva é compreendida como um processo contínuo e dinâmico a ser desenvolvido no cenário educacional, onde a interação e a socialização são pré-requisitos para a própria construção do conhecimento, e
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portanto, para a autonomia. O educador é o agente responsável pela mediação do conhecimento, interação e socialização do aluno que apresente ou não tal deficiência, partindo-se do pressuposto que por direito, a educação é para todos.
Entretanto, como atender a esse público de forma significativa nas aulas de Ciências? E quando os temas apresentam características de Astronomia? Considerado como um apoio pedagógico, os Parâmetros Curriculares Nacionais PCN foram elaborados com base no reconhecimento da diversidade existente na população escolar e na necessidade de respeitar e atender a essa diversidade. Esses documentos vêm sofrendo mudanças de forma a orientar os professores a desenvolverem ações diferenciadas para atenderem a diversidade no âmbito da sala de aula.
## Os PCN, o Ensino de Astronomia e as adaptações curriculares, afinal o que mudou?
Os PCN do Ensino Fundamental apresentam algumas características importantes que norteiam aspectos práticos acerca do ensino de Astronomia. De um modo geral, os primeiros contatos com temas de Astronomia ocorrem no Ensino Fundamental II, ou seja no terceiro ciclo. De acordo com Langhi (2012), este ciclo é balizado por temas, tais como: sistema Sol-Terra-Lua , onde geralmente se aborda replicações do Sistema Solar em modelos tridimensionais; dia e noite ; estações do ano fases da Lua; movimento das marés e eclipses ; , sendo aprofundados nos demais ciclos.
Nesse sentido, representações em maquetes, são trabalhos comuns voltados para a inclusão. Como exemplo o trabalho de Dominici et al (2008), utilizando objetos táteis, apresenta nessa pesquisa possíveis soluções por meio do desenvolvimento de materiais didáticos em relevo. Em contrapartida, Jerusalinsky e Páez (2001, p.35) salientam que: 'são poucas as experiências onde se desenvolvem os recursos docentes e técnicos e o apoio específico necessário para adequar as instituições escolares e os procedimentos pedagógico-didáticos às novas condições de inclusão'. Tais recursos ganham conotações paradidáticas, visto que os PCN sugerem incluir no planejamento do professor, variedades de conteúdos teóricos contidos nas disciplinas científicas, das quais a Astronomia faz parte.
Entretanto, ao considerar deficientes visuais em sala de aula, os documentos não apresentam sugestões para se ensinar temas da Astronomia, pelo contrário como orientação, apresentam:
A observação direta, contudo, deve continuar balizando os temas de trabalho, sendo desejável que, além da orientação espacial e temporal pelos corpos celestes durante o dia e à noite, os estudantes localizem diferentes constelações ao longo do ano, bem como planetas visíveis a olho nu. Saber apenas os nomes das constelações não é importante, mas é muito interessante observar algumas delas a cada hora, por três ou quatro horas durante a noite, e verificar que o movimento das estrelas em relação ao horizonte ocorre em um padrão fixo, isto é, todas permanecem nas mesmas posições, enquanto o conjunto cruza o céu. Para essas observações, a referência principal continua sendo o Cruzeiro do Sul, visível durante todo o ano no hemisfério Sul (Brasil, 1998, p. 91).
Nesse sentido, percebemos de forma direta que as orientações curriculares não possuem características inclusivas para alunos com deficiência visual, o que justifica as incongruências nos discursos, onde a inclusão tem caráter emergencial, pois os alunos assim considerados já se encontram presentes em sala de aula e,
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portanto fazem parte da cultura dos videntes participando de atividades, e construindo de forma conjunta uma percepção científica, cultural e social dos horizontes que as cercam.
Tais aspectos, portanto, sinalizam a necessidade de se conhecer sobre o que está sendo produzido sobre o ensino de Astronomia para deficientes visuais, bem como pontos relevantes, dos quais destacamos: como e quais aspectos são abordados nas aulas de Ciências quando são apresentado temas relacionados à Astronomia?
## Percurso Metodológico da Pesquisa
Essa investigação se baseia num levantamento bibliográfico que embora haja uma breve descrição quantitativa, essa pesquisa foi balizada pelos parâmetros circunscritos de uma abordagem qualitativa dos trabalhos encontrados, sobre os quais aplicamos técnicas de análise de conteúdo (BARDIN, 2004), com o intuito de descrever e interpretar, relações textuais que uma leitura comum, não poderia subsidiar. Para tanto, o corpus , 'conjunto de documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos (BARDIN, 2004, p.90)', em parte foi constituído por todos os artigos que foram publicados nas atas dos eventos da área de Astronomia, dos quais destacamos: os Encontros Brasileiros de Ensino de Astronomia - EBEAS e os Simpósios Nacionais de Educação em Astronomia SNEAS.
Nesse sentido, investigamos os artigos que trouxessem características do ensino de Astronomia tendo como público alvo alunos com deficiência visual. Para isso, consideramos como averiguação inicial dos mesmos: leitura dos títulos, conteúdos descritos nos resumos e palavras-chave que trouxessem evidências de possíveis indícios do texto de como abordar a temática, conforme as sugestões propostas pela análise do conteúdo (BARDIN, 2004).
Paralelamente, como segunda parte integrante do corpus de análise foram consideradas revistas sobre Educação Inclusiva e Educação ou Ensino de Astronomia que foram qualificadas nas categorias da área de ensino: A1, A2, B1, B2 e B3, oriundos da plataforma sucupira da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Para uma melhor orientação, adotamos três critérios para a seleção das revistas, que foram: Nacionalidade : as revistas deveriam ser nacionais; Palavras-chave: as revistas deveriam apresentar em seu título como: necessidades especiais, inclusão, Astronomia entre outras que descrevessem características conotativas das palavras mencionadas e Singularidade: as revistas que apresentavam duas versões: impressas e on-line, foram contadas como uma única.
A organização dos dados se deu em forma de planilhas, das quais apresentavam características separadas em células em duas formas. Ao considerarmos os eventos, organizamos os dados da seguinte maneira: Nome do Evento, Período das publicações, Número de Edições, Número de Artigos e Abordagem para deficientes visuais. Sendo assim, foram analisados 89 artigos dos Encontros Brasileiros de Ensino de Astronomia (EBEAS), 426 artigos dos Simpósios Nacionais de Educação em Astronomia (SNEAS), somando 515 artigos desses dois eventos. Cabe salientar que não tivemos acesso aos artigos dos dois primeiros anos dos EBEAS (1996-1997), pois não estão disponíveis.
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Considerando os periódicos que atendiam a qualificação adotada encontramos 433, onde, 217 eram internacionais e 216 nacionais. Destes nacionais, apenas 4 periódicos atenderam aos critérios supramencionados, foram eles: Revista Brasileira de Educação Especial (2005 -2016), Revista Educação Especial (UFSM) (2000-2016), Revista Educação, Artes e Inclusão (2008-2016) e Revista Latino Americana de Educação em Astronomia - RELEA (2004 - 2015).
Ao todo foram encontrados um total de 1.614 (um mil seiscentos e quatorze) artigos. Estes foram direcionados à parte final desta análise textual que consistiu em categorizá-los. É importante destacar que nas revistas, textos como: apresentações editoriais, resumos de livros, e outros não artigos , foram desconsiderados.
A organização dos dados para essa parte do corpus em planilhas foi da seguinte maneira: Título, Qualificação, Número de Edições, Número total de Artigos, abordagem para Deficientes Visuais e Abordagem de Astronomia para deficientes visuais. Consideramos essa etapa, realizada nas duas partes que compõem o corpus, como muito importante no processo, pois por meio dela é possível averiguar o cerne da mensagem socializada nos artigos, destacando seu o valor informacional, que apresentaremos na próxima seção.
## Resultados e Discussão
Para melhor apresentarmos os dados obtidos, optamos inicialmente por separar em tabelas os eventos e os periódicos de modo a proporcionar, uma visão mais apurada do levantamento realizado. Desse modo, considerando a área de ensino e, especificando a temática Astronomia os eventos apresentaram as seguintes características disponíveis na Tabela 01.
Tabela 01: Eventos específicos de Astronomia a Nível Nacional.
Embora esperado, este resultado configura um quadro ainda mais alarmante para a temática Astronomia quando se considera deficiente visuais, enfatizando que o desenvolvimento de recursos e consequentemente metodologias para deficientes visuais, ainda são poucos (JERUSALINSKY; PÁEZ, 2001). De forma a organizarmos esse levantamento realizado separamos e classificamos as pesquisas em dois enfoques: prático-aplicável 2 e investigativo-teórico 3 . A utilização desses termos teve
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por objetivo facilitar a classificação, que são enfoques que surgiram com o decorrer das análises textuais a medida que foram sendo realizadas.
Nesse sentido, as pesquisas que definimos como prático-aplicável foram: construção de materiais (STEFFANI; ZANATTA, 2011), que abordando o tema fases da lua, replicou as características da superfície lunar por meio de objetos em cerâmica e para facilitar a percepção tátil utilizou tinta texturizada sobre a Lua em cerâmica e (GOMES; MIYAHARA, 2014), que abordou tema mais específico, as Supernovas e seus tipos, elaborando e adaptando materiais em 3D em texturas diferentes e estratégias não formais para o ensino (SILVA; FARIA; DINIZ, 2011), que ainda utilizando objetos táteis em um museu de Astronomia: planetas em tamanho para toque, sistema solar estações do ano, constelações, com materiais texturizados.
No que se refere as pesquisas definidas como investigativo-teórico destacamos: os levantamentos bibliográficos (SIQUEIRA; LANGHI, 2011), que realizaram um levantamento bibliográfico acerca de como tem sido desenvolvida a temática de Astronomia voltado para deficientes visuais verificando num recorte de 7 anos quais tem sido o panorama geral da pesquisa brasileira sobre a Educação em Astronomia para deficientes visuais. Os autores encontraram 3 pesquisas e traçaram paralelamente as contribuições de Vygotsky, como perspectiva de socialização mais embasada da temática. Aliado a esse enfoque encontramos, o levantamento bibliográfico, sobre modelos didáticos (BECKERS; TROGELLO; PEREIRA, 2014) que verificou até o ano de 2012 na plataforma da Scielo artigos disponíveis online das áreas de Educação e Ensino (A1, A2, B1 e B2) e verificou que dos 83 trabalhos publicados apenas três abordavam a temática fazendo uso de materiais didáticos com alunos deficientes visuais.
Esses dois trabalhos foram considerados embasamentos norteadores para essa pesquisa ao qual pudemos verificar que, mesmo considerando outros eventos da área não há muitos avanços em pesquisas sobre a temática, quando comparados em eventos específicos. Nesse sentido, como podemos verificar, de acordo como o período das publicações que não houve uma constante produção, mas sim um decréscimo que considerando a temática vinculada ao desenvolvimento de estudos para deficientes visuais, esse resultado passa a ser significativo.
Ao considerarmos os eventos específicos da área a situação pode ser compreendida em caráter emergencial, como podemos verificar na Tabela 02:
Tabela 02: Publicações das revistas específicas da área de educação inclusiva e áreas de Astronomia seguindo a qualificação proposta no percurso metodológico.
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Percebe-se que em periódicos específicos, frente a uma comparação com os números totais de publicações, a temática não se expressa. O único trabalho encontrado, tem enfoque prático-aplicável, onde os autores Gonçalves e BarbosaLima (2013), por meio de uma escala do sistema solar de 1: 30.000.000.000, utilizaram as distâncias entre os postes que traziam informações a respeito dos planetas, além do uso de objetos táteis de representação.
Dessa forma, verificamos que o ensino de Astronomia com foco em deficientes visuais trata-se de uma questão ainda em aberto, porém esse levantamento sinaliza à área de ensino a necessidade de se desenvolver pesquisas que possam contribuir, por verificar como tem sido a produção acadêmica em relação à temática Astronomia para deficientes visuais em outros eventos, atendendo a um período maior de publicações. Como exemplo, sugerimos considerar os periódicos estrangeiros vinculados ao sistema Qualis, além de teses e dissertações de modo a tecer algumas comparações anuais, não considerados nessa investigação.
## Considerações finais
A educação inclusiva avançou historicamente como pudemos verificar, no presente estudo, a importância da Declaração de Salamanca e a LDB que abriram portas para as acesso educacional a todos os indivíduos com NEE, tendo em vista uma sociedade igualitária e justa. Nesse sentido, a perspectiva inclusiva no cenário educacional ainda é um processo em pleno desenvolvimento, principalmente quando abordamos tal perspectiva nas aulas de Ciências onde a Astronomia está inserida.
Portanto, é tácito inferir que muitas lacunas existem, pois verifica-se que o número de artigos que encontramos, onde a temática Astronomia é abordada foi extremamente baixo, quando comparado ao número total de artigos por evento e por periódico, o que acaba, empobrecendo a ação docente que busca, em eventos como em periódicos, novos procedimentos bem como respostas para diversas situações da prática pedagógica. Nesse sentido, o estudo apresenta uma carência considerável de investigações para adequar a realidade educativa desses sujeitos que encontram-se presentes na cultura dos videntes.
Contudo, consideramos que futuras pesquisas poderão, além de nortear e diferenciar tais trabalhos com enfoques aqui apresentados, verificar outras questões, tais como: investigar a presença de características tradicionais ou construtivistas. Cabe salientar que estes e outros procedimentos metodológicos estão sendo implementados como um estudo mais aprofundado, que está sendo desenvolvido em forma de tese de Doutorado do primeiro autor deste estudo.
## Referências
BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Lisboa: Edições 70, 2004.
BECKERS, I., E.; TROGELLO, A. G., PEREIRA, J., L. C., A Produção Bibliográfica sobre uso de Modelos Didáticos para o ensino de astronomia com deficientes visuais. 3º Simpósio Nacional de Educação em Astronomia, Curitiba, 2014.
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CAMARGO, E.P. de . Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Física . São Paulo: Ed. Unesp, 2012.
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GOMES A; R. Y. MIYAHARA, Elaboração de material para ensino de Astronomia para deficientes visuais: o caso das Supernovas 3º Simpósio Nacional de Educação em Astronomia, Curitiba, 2014.
JERUSALlSKY, A. & CANIZA DE PÁEZ, S.M. Carta aberta aos pais acerca da escolarização das crianças com problemas de desenvolvimento . ln: Escritos da criança. n. 06, Porto Alegre: centro Lydia Coriat, 2001.
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SIQUEIRA, K. D.; LANGHI, R. Contribuições de Vygotsky no ensino de Astronomia para deficientes visuais. 1º Simpósio Nacional de Educação em Astronomia, Rio de Janeiro, 2011.
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