Melhoria na percepção teórico-experimental de visitantes do museu professor Mário Tolentino.
Maria Clara Tessaroli Borges, Yvonne Primeirano Mascarenhas, Akina Karen Yoshioka
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## MELHORIA NA PERCEPÇÃO TEÓRICO-EXPERIMENTAL DE VISITANTES DO MUSEU PROFESSOR MÁRIO TOLENTINO
## Akina Karen Yoshioka 1 , Maria Clara Tessaroli Borges , Yvonne Primerano 2 Mascarenhas 3
- 1
- Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, akina.yoshioka@usp.br 2 Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo, clara.tb@hotmail.com 3 Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo, yvonne@ifsc.usp.br
## Resumo
Este trabalho consistiu em produzir placas explicativas para os experimentos de física expostos no Museu Professor Mário Tolentino, localizado na cidade de São Carlos, com o objetivo de auxiliar os monitores que nem sempre são da área de Física, e também melhorar a experiência dos visitantes do museu, que assim podem saber como o experimento funciona, qual o conceito teórico envolvido e o que é necessário fazer para observá-lo mesmo sem a presença de um monitor no momento. As placas foram impressas e serão expostas ao lado do experimento, junto com uma versão em inglês. Para a produção das placas foram feitas pesquisas relacionadas ao funcionamento dos experimentos e do conceito teórico envolvido. O espaço das placas é dividido da seguinte maneira: na parte de cima, nome e foto do experimento e área da física a que ele se refere. Em seguida explica-se o que deve ser feito pelo visitante para que o experimento funcione, e depois é apresentado o que deve ser observado. Logo abaixo, um quadro explica o conceito físico envolvido e porque aquele fenômeno acontece. Finaliza-se com um texto sobre uma aplicação daquele conceito no dia a dia das pessoas. Procuramos fazer as placas de forma bem clara e com imagens para que se tornassem interessantes e de simples entendimento mesmo para aqueles visitantes que não são da área de Física.
Palavras-chave : Percepção no museu, fundamentos teóricos, experimentos, educação não formal, física no cotidiano.
## Introdução
O Museu da Ciência de São Carlos Prof. Mario Tolentino foi inaugurado em 2012 tendo sido concebido para ser um espaço de educação e de convivência com temas de ciências, tecnologia e arte. Um espaço interativo, que tem o objetivo de desmistificar e tornar agradável a aprendizagem e o ensino de Ciências, um espaço criado para a cidade de São Carlos, para seus moradores e visitantes. Maiores informações podem ser encontradas em http://www.saocarlos.sp.gov.br/index.php/utilidade-publica/museu-da-ciencia-profmario-tolentino.html. Está situado na Praça Cel. Sales, no centro de São Carlos, sendo assim de fácil acesso para estudantes, professores e o público em geral. Foi montado pela Prefeitura de São Carlos, com recursos federais e municipais. O Museu conta com um Comitê Gestor, formado por representantes das universidades, de institutos de pesquisa, do poder público e de pesquisadores da cidade. O Comitê Gestor é o responsável por direcionar as atividades do Museu, orientar a expansão de seu acervo e buscar novas parcerias.
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As atividades principais são constituídas por visitas espontâneas do público geral e visitas agendadas para escolas públicas e privadas de São Carlos e Região. Os participantes das visitas agendadas são recepcionados por monitores que os conduzem para um auditório existente no Museu onde é feita uma pequena introdução e exibido um vídeo institucional para orientação da visita. Os quadros 01 e 02 mostram a distribuição etária e a escolaridade dos visitantes desde a fundação do Museu até a data atual (agosto 2016).
Quadro 01: Distribuição etária dos visitantes do MuseuQuadro 02: Distribuição quanto à escolaridade dos visitantes do Museu
Durante várias visitas ao Museu realizadas por uma das autoras do presente trabalho (Yvonne) verificou que as estagiárias do Museu, que tem a função de monitorar as visitas, não tinham formação específica em física. Visando ao bom aproveitamento do conteúdo cultural e educacional dos objetos expostos no museu, iniciamos então uma nova atividade voltada, tanto a tornar o aproveitamento didático dos visitantes, e em especial dos estudantes de curso básico (fundamental e segundo grau) quanto à melhoria da formação dos monitores, o que atende as necessidades tanto da escolaridade como das faixas etárias predominantes dos visitantes reveladas nas tabelas acima fornecidas pelo Museu. Para tanto foi feita uma lista de todos os experimentos relacionados à física existentes no Museu e um pequeno informe ilustrativo relativo ao experimento a ser observado foi produzido. Este informe, sob a forma de uma plaquinha, deverá ser fixado próximo ao objeto explicando o que o visitante deve observar e qual o fundamento científico do mesmo.
Convém ainda lembrar que o Museu foi nomeado em homenagem ao Prof. Mário Tolentino (1915-2004), um reconhecimento ao professor, pesquisador e historiador e um dos maiores educadores de São Carlos. Autodidata e intelectual dinâmico, Tolentino destacou-se como educador, pesquisador e político. Por seu trabalho e contribuição à produção do conhecimento, Tolentino foi agraciado com o
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título de Doutor 'Honoris Causa' pela UFSCar, em 1991. Docente reconhecido lecionou química em diversas instituições, como a Escola Normal de São Carlos (Instituto de Educação Dr. Álvaro Guião), Colégio Diocesano La Salle, Escola Profissional Agrícola e Industrial de Espírito Santo do Pinhal e Colégio Anglo de São Carlos. Também atuou como professor universitário na Escola de Engenharia de São Carlos (USP) e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde também exerceu cargos administrativos e de chefia.
Outro aspecto, a nosso ver muito importante na estrutura, missão e desempenho dos Museus, é o da formação de uma população capaz de entender o valor da ciência e da tecnologia e suas aplicações. Assim o Museu realiza também uma função de difusor de ciência frente à sociedade que deverá desse modo ter um papel consciente e atuante na avaliação dos riscos e benefícios oriundos das aplicações tecnológicas do conhecimento científico. Reconhecendo desde muito cedo a magnitude desse problema Einstein afirmou:
'A comunidade dos pesquisadores é uma espécie de órgão do corpo da Humanidade. Esse órgão produz uma substancia essencial à vida, que deve ser fornecida a todas as partes do corpo, na falta da qual ele perecerá. Isso não quer dizer que cada ser humano deva ser atulhado de saberes eruditos e detalhados, como ocorre frequentemente em nossas escolas, nas quais [o ensino de ciências] vai até o desgosto. Não se trata também de o grande público decidir sobre questões estritamente científicas. Mas é necessário que cada ser humano que pensa tenha a possibilidade de participar com toda lucidez dos grandes problemas científicos de sua época, mesmo se sua posição social não lhe permite consagrar uma parte importante de seu tempo e de sua energia à reflexão científica. É somente quando cumpre essa importante missão que a ciência adquire do ponto de vista social, o direito de existir.' [1]
## Descrição da atividade desenvolvida
Inicialmente fizemos uma visita ao museu Professor Mário Tolentino para conhecer os experimentos e ver cuidadosamente como cada um deles funcionava para que pudéssemos elaborar a placas da maneira mais clara possível. Em seguida, a equipe do museu nos enviou, por email, o nome e uma foto de cada um dos experimentos.
Precisávamos então definir a "cara" que as plaquinhas teriam, seguindo mais ou menos o padrão sugerido pela equipe do museu. Logo em cima colocamos o nome do experimento e no canto superior esquerdo uma foto dele. Abaixo do nome, colocamos a área da Física a que ele estava relacionado e ao lado informamos se o experimento se encontrava ativo ou em manutenção. Embaixo fica o quadro "O que fazer?", explicando o que o visitante deve fazer para que o experimento funcione, e em seguida o quadro "O que deve acontecer?" diz aos visitantes onde eles devem prestar atenção para ver o funcionamento do experimento. Abaixo colocamos a seção "Por que isso acontece?" onde podíamos explicar os fenômenos e os conceitos físicos envolvidos naquele experimento. E o último quadro "Qual a utilidade?" mostra aplicações daquele conceito físico no dia a dia das pessoas, para que elas percebam que a Física está sempre presente em suas vidas, mesmo sem terem consciência.
Definidas como seriam as placas e quais experimentos seriam trabalhados, pudemos dar início ao trabalho propriamente dito. Como já tínhamos visto os experimentos em funcionamento, já tínhamos uma ideia de quais conceitos físicos estariam envolvidos em cada um deles. No entanto, precisávamos entender bem
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cada um dos assuntos para conseguir explicar todos eles da maneira mais clara possível. Para isso, pesquisamos muito, em livros [2] [3] [4] e na internet, a teoria por trás de cada experimento. Em seguida, discutíamos entre nós qual seria a forma mais didática de apresentar aqueles conceitos para o público em geral, quais imagens seriam mais adequadas e mais simples de serem entendidas. Depois disso já tínhamos uma ideia mais clara do que era necessário escrever e qual era a melhor maneira, e então elaborávamos de fato as placas.
Em seguida era necessário revisar cada uma das placas em busca de possíveis erros gramaticais, erros de digitação ou qualquer outro tipo de erro que pudesse ter passado despercebido em um primeiro momento.
Feito isso, mandávamos as plaquinhas de volta para a equipe do museu e fazíamos uma reunião diretamente com eles para discutir ainda mais sobre os resultados das placas e o que ainda podia ser melhorado.
## As plaquinhas
Foram feitas, ao todo, placas para 70 experimentos do museu. Os experimentos foram divididos de acordo com a área da Física a que mais estavam relacionados e fizemos uma lista com todos eles, seguidos de alguns exemplos de placas.
## Mecânica
- 1- Cadeira de pregos;
- 2- Elevador;
- 3- Casa maluca - cadeira;
- 4- Casa maluca - calha;
- 5- Casa maluca - mesa;
- 6- Casa maluca - cano de água;
- 7- Casa maluca - grade cinza;
- 8- Vasos comunicantes;
- 9- Alavanca;
- 10- Engrenagens grandes;
- 11- Roldanas;
- 12- Loopings (pista 1);
- 13- Loopings (pista curva);
- 14- Duplo cone;
- 15- Força centrífuga - globo;
- 16- Força centrífuga - líquido;
- 17- Torre de pisa;
- 18- Sistemas giratório;
- 19- Esferas de Newton;
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- 20- Mesa de engrenagens;
- 21- Roldanas;
- 22- Queda livre;
- 23- Pêndulo de Airy-Blackburn;
- 24- Giroscópio de bancada;
- 25- Gyrotec;
- 26- Plataforma;
- 27- Rosa pendurada;
- 28- Rampa de discos;
- 29- Rampas diferentes;
- 30- 2 pêndulos com diferente comprimento dos fios e massa;
- 31- Bloqueio do fio do pêndulo;
- 32- Pêndulo com sistema de variação do comprimento pela haste;
- 33- 2 pêndulos com mesma massa e comprimento dos fios diferente;
- 34- Caixa quebra cabeça de madeira.
Figura 01: Exemplo de placa de um experimento de Mecânica.
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## Óptica
- 1- Periscópio grande;
- 2- Periscópio horizontal ;
- 3- Túnel de espelhos;
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- 4- Poço cilíndrico de bloco;
- 5- Caleidoscópio gigante;
- 6- Caleidoscópio - 1;
- 7- Espelho levitação;
- 8- Poço infinito - tambor;
- 9- Bancada com 3 espelhos - plano, côncavo e convexo;
- 10- Bancada de espelhos verticais móveis;
- 11- Espelho inversor;
- 12- Cofre mágico;
- 13- Desenhar com a ajuda de um espelho;
- 14- Espelho ou janela;
- 15- Luneta polarizadora de luz;
- 16- Disco de Newton;
- 17- Refração do feixe de luz;
- 18- Câmara escura;
- 19- Cinema grande;
- 20- Caleidoscópio - 2;
- 21- Túnel terremoto.
Figura 02: Exemplo de placa de um experimento de Óptica.
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## Eletromagnetismo
- 1- Gerador de Van der Graaf;
- 2- Lâmpada mágica;
- 3- Pilha humana;
- 4- Bancada com ímãs;
- 5- Gerador manual aberto;
- 6- Teste de nervos;
- 7- Painel solar;
- 8- Pêndulo tambor;
- 9- Pêndulo caótico magnético.
Figura 03: Exemplo de placa de um experimento de Eletromagnetismo.
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## Acústica
- 1- Tubos sonoros ouvir;
- 2- Propagação do som;
- 3- Tubo sonoro de bater;
- 4- Gravador
- 5- Ver o som;
- 6- Tubo de eco.
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## Planos futuros
Finalizadas as placas, esperamos que elas sejam em breve fixadas nos experimentos para que o público possa ter experiências ainda mais proveitosas durante suas visitas ao Museu Professor Mário Tolentino. Assim que as placas estiverem fixadas nos experimentos, pretendemos aplicar um questionário específico para os professores e outro para os alunos que visitarem o museu, para termos um retorno sobre o aproveitamento promovido por essas plaquinhas aos futuros visitantes. Com isso, pretendemos investigar se alcançamos nossos objetivos de fazer plaquinhas claras e didáticas e também verificar quais os pontos que ainda precisam ser melhorados.
Ainda mais para o futuro, o museu tem planos de instalar QR Codes em cada um dos experimentos para que os visitantes possam ter acesso a um conteúdo mais aprofundado sobre cada um dos temas abordados, o que não era possível fazermos nas plaquinhas, já que o espaço disponível era bem reduzido. Logo, os planos futuros incluem a produção de todo esse material mais aprofundado para cada um dos experimentos.
## Considerações finais
Inicialmente não imaginávamos que seria tão difícil explicar os experimentos expostos no museu. No entanto, quando nos vimos tentando explicar algo que para nós, da área de exatas, é natural, para que qualquer pessoa pudesse entender o experimento, percebemos que isso não seria tão fácil. Era necessário um conhecimento muito profundo do tema para conseguir torná-lo simples e explicá-lo da forma didática como pretendíamos.
Esperamos que as nossas plaquinhas possam ser efetivas no museu, visto que elas podem ser autoexplicativas dos experimentos, não exigindo a participação de uma terceira pessoa para que os visitantes entendam o experimento e consigam realizá-lo. Temos a expectativa de uma boa aceitação das placas pelo público que diariamente visita o museu Professor Mário Tolentino
## Referências
[1] MOREIRA, Ildeu de Castro. Educação científica e a popularização da ciência e tecnologia no Brasil . Disponível em <http://www.inmetro.gov.br/painelsetorial/palestras/IldeuMoreira.pdf> Acesso em: 22 ago.2016
[2] NUSSENZVEIG, H. Moysés. Curso de Física Básica . São Paulo: Blucher, 2002.
[3] HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física . Rio de Janeiro: LTC, 2008.
[4] TIPLER, Paul A.; MOSCA, Gene. Física para cientistas e engenheiros . Rio de Janeiro: LTC, 2009.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.