Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

MEDIADORES E MEDIAÇÃO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS MUSEUS E CENTROS DE CIÊNCIA DA REGIÃO SUDESTE

Jhonathan Junior Da Silva, Isabel Cristina De Castro Monteiro

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017

Texto completo

## MEDIADORES E MEDIAÇÃO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS MUSEUS E CENTROS DE CIÊNCIA DA REGIÃO SUDESTE

## Jhonathan Junior da Silva , Isabel Cristina de Castro Monteiro 1 2

- 1 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', campus Bauru/Faculdade de Ciências, jhonny\_jsilva@hotmail.com

## Resumo

Este trabalho é um recorte de uma dissertação de mestrado que será apresentada junto ao Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência da Unesp/Bauru. Neste artigo serão apresentados os dados obtidos referentes à aplicação de um questionário aos Museus e Centros de Ciências da região sudeste cujo objetivo foi analisar como estas instituições se organizavam com relação as atividades oferecidas, articulações com espaços de educação formal e processos de formação de mediadores. Em um segundo momento, duas instituições foram selecionadas para a realização de entrevistas semiestruturadas com dois mediadores e um representante da coordenação da instituição. Para este trabalho, os dados referentes as questões tanto do questionário quanto das entrevistas que versavam sobre os mediadores e a mediação serão apresentados e comparados com um trabalho realizado com mediadores de museus e centros de ciência da Europa. Os resultados nos mostram uma aproximação dos museus da região sudeste com os do contexto europeu.

Palavras-chave : Museus e Centros de Ciência, Mediadores, Mediação

## A Mediação em Museus e Centros de Ciências (MCCs)

Tendo em vista que os avanços da Ciência e Tecnologia tem acontecido rapidamente e diante da necessidade de socialização desses saberes para um público amplo, pode-se destacar a importância dos Museus e Centros de Ciências como instituições que também vem contribuindo para a alfabetização científica (GASPAR, 1993). Estes espaços podem oferecer formas diferentes na qual os conteúdos científicos são apresentados mediante situações de interação com objetos, mediadores e até mesmo entre os pares que ali estão. Nestas instituições, diversos conceitos científicos e tecnológicos são abordados por intermédio de exposições itinerantes ou por artefatos que operam de forma lúdica na tentativa de chamar a atenção dos visitantes.

Embora os MCCs possuam algumas semelhanças com os espaços de educação formal, mais especificamente a escola, em termos de processos educativos, ambos operam, geralmente, sob aspectos particulares distintos e independentes (MARANDINO, 2008). Os MCCs são espaços em que os conceitos científicos podem potencialmente se beneficiar dos conceitos espontâneos trazidos por seus visitantes, naturalmente explorados nestes ambientes. Gaspar (1993) indica algumas das vantagens que os museus e centros de ciência possuem sobre a escola, como a variedade de objetos educativos e a forma relevante de despertar a curiosidade dos visitantes principalmente por meio da ludicidade e das formas de interação encontradas nesse ambiente.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

23 a 27 de janeiro de 2017

Na busca por reflexões acerca dos processos de interação nos MCCs, Gaspar (1993) ao utilizar a teoria de Vigotski como fundamentação apropriada para analisar o desenvolvimento dos processos interativos e, consequentemente, do processo de ensino e aprendizagem que ocorre dentro dos MCCs, caracteriza o potencial de alfabetização científica dessas instituições ao vincular a importância do diálogo sobre a cultura científica associada à apresentação das exposições e do ambiente lúdico.

Outros autores, como por exemplo, Hirzy (2002) corroboram as ideias apresentadas por Gaspar (opus cit), ao afirmar 'O museu se torna um centro onde pessoas se reúnem para conversar, um lugar que celebra a riqueza das experiências individuais e coletivas, e um participante da solução de problemas de forma colaborativa' (HIRZY, 2002, p. 10).

Os processos de interação em MCCs se dão de várias formas, tais como pelo observar, ligar, tocar, ver, comparar e registrar, todas essas formas criam condições para o diálogo. Essa oportunidade de diálogo pode ser desencadeada por um mediador que na definição de Rodari e Merzagora (2007) é todo o pessoal provedor de conteúdo que trabalha em contato direto com visitantes em museus de ciência e sendo os únicos que, de fato, podem dialogar com os visitantes.

Vigotski (2001) destaca a importância do parceiro mais capaz, aquele que detém o conhecimento e possa ser ou fazer-se imitado, para o desenvolvimento de processos interativos capazes de promover a aprendizagem. Em relação ao Centro de Ciências, esse parceiro mais capaz é, algumas vezes, reconhecido no papel do monitor, um dos mediadores que pode oferecer subsídios importantes para que o diálogo da cultura científica possa ocorrer (MONTEIRO, et al , 2014).

Diante dessas diversidades de saberes necessários para a prática da mediação, o mediador é o responsável por encontrar uma maneira de colocar em prática essas perspectivas em suas ações pedagógicas. O mediador, ao buscar subsídios para o diálogo da cultura científica, deve procurar caminhos nos quais o visitante seja desafiado e que suas concepções possam ser colocadas em debate para que elas sejam reconstruídas ou organizadas de modo a buscarem uma melhor compreensão dos conceitos científicos. Além disso, o mediador deve construir discursos fundamentados em conceitos científicos que busquem promover situações em que a interação com o objeto ou o fenômeno em si possa ajudar o visitante a socializar suas percepções sobre o conceito com os demais colegas, afim de que todos possam participar do processo de construção. O mediador deve constantemente promover o conflito cognitivo nos visitantes, instigando-os a experimentar e auxiliando-os a construir novas estruturas cognitivas (MORAES, 2007).

Tais interações não se restringem unicamente em expor um determinado conteúdo científico presente em um experimento, ou seja, uma atuação na qual o mediador acaba por depositar e transferir conhecimentos ao visitante, numa perspectiva bancária de educação (FREIRE, 1987). O papel mais amplo de mediação é citado por Matssura (2007) que descreve:

- (...) o mediador deve conhecer não só os conteúdos científicos, mas também os aspectos humanos e sociais da Ciência e os reflexos da Ciência e tecnologia no cotidiano. Deve ainda ter a capacidade de se expressar com correção, clareza, concisão e elegância, ter o dom de intuir ou inferir os conhecimentos prévios do público, saber dosar os conteúdos, ser capaz de

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

estimular a curiosidade e de conduzir um diálogo reflexivo, ter carisma, senso de humor e espírito lúdico. (MATSUURA, 2007, p. 78)

Segundo Rodari e Merzagora (2007), uma das habilidades fundamentais que um mediador deve ter é a capacidade de ouvir seus visitantes. A possibilidade de ouvir seus visitantes pode ainda oferecer indicadores que irão auxiliar o monitor no desenvolvimento do processo interativo ao longo de uma visita. Como o público que frequenta um museu de ciência pode ser muito diversificado, criar situações para que eles possam externalizar suas concepções prévias acerca de um determinado conceito científico, pode orientar o monitor a partir daquilo que o visitante já sabe.

Como o papel do mediador é importante para fomentar as interações dentro de museus e centros de ciências, faz-se necessário observar como, e se, a instituição compreende e atua estimulando esses processos na sua relação com a sociedade e como esses mediadores tem sido formados para atuarem em um ambiente tão diversificado quanto os museus e centros de ciência.

## Contextualizando a Investigação

Este trabalho é um recorte de uma dissertação de mestrado a ser defendida no programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Unesp/Bauru. A investigação teve como objetivo geral investigar o perfil dos MCCs da região sudeste, a relação com a formação dos seus monitores e com a percepção dos coordenadores e monitores dos MCCs sobre a possibilidade de articulação entre os espaços formal e não formal. Foram Utilizados dois diferentes tipos de instrumentos de coleta de dados em uma primeira etapa: (1.i) pesquisa documental, a partir da análise do 'Guia Centros e Museus de Ciência do Brasil 2015 ', buscando identificar aquelas que se definiam como MCCs; (1.ii) questionário encaminhado eletronicamente para todas as instituições selecionadas, após um primeiro levantamento no Guia dos Museus 2015.

Na segunda parte das atividades, após selecionarmos um conjunto de quatro instituições, buscamos investigar desses Centros de Ciências escolhidos, a formação dos seus monitores e verificar relações entre a percepção dos coordenadores e monitores dos MCCs sobre a possibilidade de articulação entre os espaços formal e não formal. Com esses objetivos em foco, utilizamos os seguintes instrumentos de coleta: (2.i) entrevistas semiestruturadas, entrevistando algum representante da coordenação do Centro de Ciências e dois mediadores indicados pela instituição.

Para este trabalho, iremos apresentar apenas os dados e reflexões acerca dos mediadores e dos processos de formação recebidos por estes nas instituições investigadas.

## Resultados

O levantamento feito junto ao Guia dos Museus 2015, foram selecionadas 7 instituições, das quais 71 delas tiveram seus endereços eletrônicos validados durante o ato de envio. Dessas 71 instituições para as quais o questionário eletrônico foi encaminhado, 26 delas contribuíram com a investigação, respondendo as questões.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Questionário

Buscando caracterizar como as atividades dentro das instituições são conduzidas, uma questão acerca dessa temática foi encaminhada. A Figura 01 mostra as devolutivas das instituições.

Figura 01: Gráfico de como são conduzidas as atividades nos MCCs.

<!-- image -->

Podemos observar que 88% das atividades realizadas pelas instituições tem monitores responsáveis por conduzirem-nas. É possível ainda verificar que 65% das instituições tem todas as suas atividades realizadas por mediadores. Ainda que autores como Pinto e Gouvea (2014) destaquem a importância de outras formas de mediação nos MCCs, eles não discordam que a mediação humana presencial ainda é frequentemente utilizada nesse meio. Outros autores defendem enfaticamente que é necessário o uso da mediação humana, como destacado por Rodari e Merzagora (2007, pag. 10) ao dizer que o mediador é o 'o único 'artifício museológico' realmente bidirecional e interativo. [...] nenhuma exposição interativa ou ferramenta multimídia pode realmente ouvir os visitantes e responder às suas reações' .

- O perfil desses mediadores foi investigado no questionário enviado aos MCCs e na Figura 02 é apresentado como são os sujeitos que são os responsáveis por conduzirem as atividades nas instituições.

Figura 02: Gráfico do perfil dos sujeitos que conduzem as atividades nos MCCs.

<!-- image -->

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Podemos observar que a grande maioria das instituições (73%) tem alunos da graduação conduzindo as atividades. Muitos MCCs estão vinculados a instituições de ensino superior e acabam sendo uma ótima oportunidade para alunos de graduação poderem participar de atividades de extensão.

No trabalho de Rodari e Merzagora (2007) é apresentado um panorama dos principais resultados do projeto DOTIK que foi financiado pela Comissão Europeia entre os anos de 2004 e 2007. Neste projeto, o objetivo era de avaliar o papel exercido por mediadores de MCCs da Europa no diálogo da ciência coma sociedade e buscar oferecer um curso de formação bem estruturado que fornecesse elementos sobre a mediação. Neste trabalho, é apresentado ainda alguns aspectos que fornecem um panorama sobre alguns elementos referentes à mediação na localidade. Uma das informações trazidas se refere ao perfil dos mediadores dos MCCs europeus e a Figura 03 nos mostra um pouco desse panorama.

Figura 03: Gráfico de quem são os mediadores nos MCCs europeus (RODARI e MERZAGORA, 2007).

<!-- image -->

Podemos verificar que a grande maioria dos sujeitos que conduzem as atividades dos MCCs europeus é composta por estudantes (43%) e mediadores profissionais (33%). Segundo Rodari e Merzagora (2007), esses estudantes são em sua maioria de disciplina científicas que trabalham como mediadores durante seus estudos. Esses resultados dialogam com os encontrados nos MCCs da região sudeste, em que 73% das instituições possuem estudantes em seu quadro de mediadores.

No questionário, buscamos investigar também como se estruturavam os processos de formação desses mediadores em termos de carga horária. Na Figura 04, são apresentados os dados levando em consideração as instituições que possuem processos de formação continuada e as que possuem outros tipos e formação.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Figura 04: Gráfico sobre os processos de formação dos mediadores.

<!-- image -->

Das instituições que responderam ao questionário, 45% delas disseram proporcionar aos mediadores que atuam na instituição, cursos de formação continuada. Ainda com relação ao projeto DOTIK, os pesquisadores buscaram identificar como estavam configurados os cursos de formação no início das atividades de mediação destinado a mediadores no contexto europeu.

Figura 05: Como os mediadores são capacitados quando iniciam o trabalho (Fonte: RODARI e MERZAGORA,2007).

<!-- image -->

Podemos observar que a no início as atividades de mediação, a principal forma pela qual os mediadores se capacitam é por meio da experiência com os mediadores mais antigos. A organização de cursos específicos para mediadores é apontada pelos autores como algo ainda a ser trabalhado e mais explorado no contexto europeu.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Entrevistas

Para a sequência da investigação, foram selecionadas duas instituições na qual fora realizada uma entrevista semiestruturada com dois mediadores de cada uma delas. Usaremos a notação M1A, M2A para mediador 1 e mediador 2 da instituição A. Para a instituição B, segue-se a mesma lógica. Uma das questões feitas durante a entrevista aos mediadores versava sobre como qual forma eles consideravam mais significativa a aquisição de conhecimentos para a atuação nos MCCs, se pelos cursos de formação, pelas experiências próprias ou pelo convívio com mediadores mais experientes. M1A e M2A responderam respectivamente

M1A 'Mas o principal aprendizado mesmo é com o pessoal mais velho, por exemplo, o M2A chegou depois de mim, então ele aprendeu comigo e com mais alguém que estava aqui antes, eu aprendi com as pessoas que estavam antes de mim'.

M2A 'E também é um processo contínuo, no dia a dia a gente vai conversando com os monitores mais velhos e com os monitores mais novos. Geralmente como o monitor mais velho está a mais tempo na instituição ele acaba pegando mais a cultura da instituição né'.

Fica claro que os mediadores da instituição A reconhecem como sua principal fonte de conhecimento para a atuação nos MCCs o convívio com mediadores mais experientes. Isso vai e encontro com o que é encontrado nos MCCs no contexto europeu. Na instituição B, os mediadores de dividiram e responderam da seguinte forma

M1B '(...) é a prática e a vivência da mediação'.

M2B '(...) eu acho que mais com eles porque eles já sabem que tipo de perguntas os visitantes costumam fazer entendeu, qual é a melhor maneira de repente de lidar com aquela oficina, a abordagem, enfim eu acredito que mais com eles mesmo'.

Novamente, na instituição B, um dos mediadores destaca o papel importante do convívio com os mediadores mais experientes para sua formação. O M1B ainda relata que as práticas e o ato de mediar são fundamentais para sua formação enquanto responsável pelos processos de interação nos MCCs.

## Considerações Finais

Os dados referentes ao questionário, puderam nos dar um panorama de como os MCCs da região sudeste tem se articulado com relação à mediação. A mediação humana ainda representa uma grande parcela da condução das atividades dessas instituições. Grande parte das instituições tem como principal perfil desses mediadores, alunos de graduação que encontram na oportunidade de atuar nesses ambientes de educação não formal uma forma de ampliar seus conhecimentos e também de cumprirem as exigências necessárias para a conclusão da graduação. Este cenário não é diferente do que é encontrado no perfil de mediadores nos MCCs europeus, em que a parcela de graduandos também é alto.

Com relação à formação desses mediadores, observou-se que existe uma preocupação grande por parte das instituições investigadas em oferecer cursos de formação continuada a esses mediadores. No entanto, muitas instituições oferecem

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

apenas cursos de curta duração. O ato de mediar requer constante reflexão sobre a prática e as vivências adquiridas ao longo da experiência são importantes e com cursos de formação continuada, novos elementos podem ser introduzidos e discutidas nas práticas de mediação.

Já as entrevistas, puderam apontar o quão significativo é o convívio com mediadores mais experientes para aqueles que iniciam as atividades de mediação. Os mediadores apontarem em alguns momentos que essa prática, por vezes é mais significativa do que até mesmo os cursos de formação. Isso é também algo que está muito presente no contexto de MCCs europeus. Vigotski (2001) destaca a importância do parceiro mais capaz, aquele que detém o conhecimento e possa ser ou fazer-se imitado, ou seja, nas atividades de mediação, os mediadores mais experientes são os parceiros mais capazes e que permitem o compartilhamento de experiências e conhecimento. É evidente que por meio dessa constatação, não se pode priorizar somente atividades em que a reprodução das ações dos mais experientes seja única e exclusiva forma de formação para a mediação, mas esta atividade articulada com cursos de formação certamente pode oferecer muitos subsídios para a produção de conhecimento sobre o ato de mediar.

## Referências

FREIRE, P . Pedagogia do oprimido . Rio de Janeiro: Paz e terra, v. 1, 1987.

GASPAR, A.Museus e Centros de Ciências - Conceituação e Proposta de um Referencial Teórico , São Paulo, tese de doutorado, FEUSP, 1993.

HIRZY, E. Mastering Civic Engagement: A Report from the American Association of Museums , In: Mastering Civic Engagement: A Challenge to Museums, Washington, D.C., American Association of Museums. 2002.

MARANDINO, M. Educação em museus: a mediação em foco . GEENF/FEUSP/Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, 2008.

MATSUURA, O. T. Teatro cósmico: mediação em planetários. In: MASSARANI, L. (Org). Diálogos &amp; Ciência: mediação em museus e centros de Ciência. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2007. p. 76-80.

MONTEIRO, M. A. et al. Avaliação de monitorias realizadas em um centro de ciências. Ciência e Natura , Santa Maria, v. 36, n. 3, set-dez. 2014, p. 337-348.

MORAES, R. et al. Mediação em museus e centros de Ciências: o caso do Museu de Ciências e Tecnologia da PUC-RS. In: MASSARANI, L. (Org). Diálogos &amp; Ciência: mediação em museus e centros de Ciência. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2007. p. 56-67.

PINTO, S.; GOUVEA, G. MEDIAÇÃO: SIGNIFICAÇÕES, USOS E CONTEXTOS. Ens. Pesqui. Educ. Ciênc . (Belo Horizonte), Belo Horizonte, v. 16, n. 2, p. 53-70, Aug. 2014.

RODARI, P.; MERZAGORA, M. Mediadores em museus e centros de Ciências: status, papéis e capacitação. Uma visão europeia. In: MASSARANI, L. (Org). Diálogos &amp; Ciência: mediação em museus e centros de Ciência. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2007. p. 8-21.

VIGOTSKI, L. S. A construção do pensamento e da linguagem . São Paulo. Editora Martins Fontes, 2001.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.