JUSTIFICATIVAS PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: A OPINIÃO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA
José Isnaldo De Lima Barbosa, Marcos Rincon Voelzke
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## JUSTIFICATIVAS PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: A OPINIÃO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA
José Isnaldo de Lima Barbosa 1,2 , Marcos Rincon Voelzke 2
1
IFAL/Instituto Federal de Alagoas, joséisnaldo@gmail.com
2 UNICSUL/Universidade Cruzeiro do Sul, mrvoelzke@hotmail.com
## Resumo
Várias pesquisas Brasil afora, apresentam diversificadas justificativas para que o ensino de Astronomia seja desenvolvido na Educação Básica, no entanto, tais alegações não derivam de investigações sobre o tema, mas sim, da própria experiência do pesquisador, seja, como professor, ou como divulgador de Astronomia. Neste sentido este trabalho tem o objetivo de ampliar essa discussão apresentando os resultados obtidos com um questionamento feito a licenciandos em Física das modalidades presencial e a distância da Universidade Federal de Alagoas - UFAL, ou seja, foi perguntado: Que justificativa você aponta para a importância de se ensinar temas de Astronomia na Educação Básica? O método utilizado foi o de levantamento, e obteve-se um total de 77 respostas para a pergunta, sendo 44 de estudantes da modalidade EAD e 33 da presencial. O conjunto de respostas foi transformado em um corpus no qual foi realizada uma análise textual através do software IRAMUTEC, análise textual esta denominada de Classificação Hierárquica Descendente (CHD). Tal procedimento consiste em organizar as respostas em classes, as quais apresentam vocabulário semelhante entre si, e vocabulário diferente das respostas de outras classes, e assim, busca-se para cada classe identificar categorias temáticas, as quais podem ser possíveis justificativas apresentadas pelos licenciandos. Das 77 respostas apresentadas 65 foram analisadas, e os resultados apontam que uma das categorias identificadas fornece argumentos coerentes e diretamente relacionados com uma daquelas categorias apresentadas nas pesquisas referenciadas, ou seja, a Astronomia desperta sentimentos e inquietações além de ser um elemento motivador no processo ensinoaprendizagem das ciências.
Palavras-chave : Educação Básica, Ensino de Astronomia, Análise Textual.
## Introdução
São amplas as discussões com relação às justificativas para se ensinar Astronomia na Educação Básica no Brasil, este debate principia com a dimensão axiológica que o ser humano atribui aos fenômenos astronômicos desde tempos remotos, ou seja, geralmente 'somos levados por prazeres, curiosidades e necessidades de sondar o desconhecido' (GAMA; HENRIQUE, 2010, p. 9). Neste sentido esta ciência é pródiga em despertar nas pessoas um interesse inato que advém da particular busca do ser humano para entender a sua própria existência.
Assim, partindo desse princípio é factível esperar que o ensino de Astronomia na Educação Básica, possa de alguma forma contribuir com a tentativa das pessoas de obterem respostas, além do senso comum, sobre os fenômenos astronômicos, e até sobre sua própria existência.
Nesse sentido, várias pesquisas Brasil afora, apresentam diversificadas justificativas para que o ensino dessa ciência na Educação Básica seja assegurado,
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23 a 27 de janeiro de 2017
uma vez que, 'a astronomia é especialmente apropriada para motivar os alunos e aprofundar conhecimentos em diversas áreas, pois, o ensino da astronomia é altamente interdisciplinar' (LANGHI; NARDI, 2013, p. 108).
Em uma pesquisa realizada por Soler e Leite (2012), a qual tinha como objetivo, 'identificar como as pesquisas em Ensino de Astronomia tratam da importância e das justificativas que elas próprias fornecem para esse tema na sala de aula', foram analisados 29 trabalhos, os quais apresentavam 'qualquer menção sobre importância e justificativas que poderiam ser atribuídas ao Ensino de Astronomia' (SOLER; LEITE, 2012, p. 372).
Dessa forma, os autores reuniram todos os fundamentos inseridos nos 29 artigos, levantados 'dos principais periódicos da área de Ensino de Ciências, de Física e de Astronomia no país' entre 2000 e 2011, e que apresentavam a importância ou alguma justificativa para o ensino de Astronomia. Logo, 'os principais argumentos apresentados pelos pesquisadores para se promover o ensino de Astronomia' foram organizados em quatro grandes categorias, quais sejam: (1) Despertar de sentimentos e inquietações; (2) Relevância sócio-histórico-cultural; (3) Ampliação de visão de mundo e conscientização; (4) Interdisciplinaridade.
Por outro lado, Soler e Leite (2012), argumentam também que as justificativas apresentadas pelos pesquisadores (nos 29 artigos) para se ensinar Astronomia na Educação Básica, não derivam de investigações sobre o tema, mas sim, da própria experiência do pesquisador, seja, como professor, ou como divulgador de Astronomia.
Outra pesquisa envolvendo este tema foi divulgada por Langhi e Nardi (2014), a qual teve o objetivo de fazer 'uma análise qualitativa de uma amostra de artigos publicados em revistas científicas brasileiras da área de Ensino', com o intuito de examinar os 'discursos dos pesquisadores em relação à Educação em Astronomia', e, por conseguinte, identificar o que estes pesquisadores afirmam como justificativas para o ensino dessa ciência.
Dessa forma, estes autores apresentam sete categorias com as possíveis justificativas para o ensino de Astronomia na Educação Básica, quais sejam: (1) A Educação em Astronomia contribui para HFC (História e Filosofia da Ciência) e CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) no ensino; (2) A Educação em Astronomia favorece a elaboração de atividades experimentais e a prática observacional do céu; (3) Astronomia é um elemento motivador; (4) A Astronomia é altamente interdisciplinar; (5) Presença de erros conceituais e falhas em livros didáticos, concepções alternativas em alunos e professores e baixa popularização em Astronomia; (6) O ensino da Astronomia é promovido pelos PCN, emergindo a necessidade de reverter o atual quadro formativo deficiente de professores; (7) Há o potencial da interação com a comunidade profissional de astrônomos e espaços não formais de ensino.
Naturalmente as discussões apresentadas em torno da importância e das justificativas de se ensinar Astronomia na Educação Básica são provenientes da visão que pesquisadores têm com relação a esta ciência, ou seja, de uma experiência pessoal adquirida ao longo de suas atividades profissionais, no entanto, qual seria o ponto de vista de licenciandos em Física das modalidades EAD e presencial, ou seja, de futuros professores a esse respeito? Afinal, estes profissionais são aqueles que trabalharão com esta ciência no Ensino Médio. Neste sentido este trabalho tem o objetivo de ampliar essa discussão apresentando os
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resultados obtidos com o questionamento dos sujeitos mencionados, sobre tais justificativas.
## Materiais e Métodos
- O questionário proposto foi aplicado para licenciandos em Física das modalidades EAD e presencial da Universidade Federal de Alagoas - UFAL, a participação foi voluntária e estes responderam a seguinte questão: Que justificativa você aponta para a importância de se ensinar temas de Astronomia na Educação Básica? Assim, participaram da pesquisa 77 respondentes, sendo 44 da modalidade EAD e 33 da presencial, os quais apresentaram 77 respostas válidas.
Neste trabalho, no lugar de se realizar a análise de conteúdo clássica, optouse por desenvolver uma análise textual com o objetivo de identificar a diversidade temática presente nas explicações dos estudantes. Para tanto, o conjunto de respostas foi transformado em um corpus para análise através do software IRAMUTEQ, ou seja, uma análise textual ou lexical. De acordo com Camargo e Justo (2015), este programa examina dados textuais provenientes de exposições escritas ou transcritas, como é o caso das soluções apresentadas pelos pesquisados para a questão aberta aqui considerada. Tais respostas são classificadas pelo software como segmentos de texto - ST.
Um dos tipos de análise textual realizada pelo IRAMUTEQ é a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), a qual será utilizada nesta pesquisa, 'esta análise visa obter classes de ST que, ao mesmo tempo, apresentam vocabulário semelhante entre si, e vocabulário diferente dos segmentos das outras classes'. Dessa forma, 'a partir dessas análises o software organiza a análise dos dados em um dendograma que ilustra as relações entre as classes' (CAMARGO; JUSTO, 2015, p. 10).
Por conseguinte, o dendograma fornece os resultados 'que nos permite a descrição de cada uma das classes, principalmente, pelo seu vocabulário característico (léxico) e pelas suas palavras com asterisco (variáveis)'. Além disso, 'com base nas classes escolhidas, o software calcula e fornece os ST mais característicos de cada classe permitindo a contextualização do vocabulário típico de cada classe' (CAMARGO; JUSTO, 2015, p. 10-11). Ou seja, cada uma das classes será constituída por um agrupamento de vocábulos, os quais pertencem a segmentos de texto (ou respostas) que têm um vocabulário homogêneo, assim como, representam proporções diversas do discurso apresentado pelos respondentes para a questão proposta.
Nesse sentido, 'o que a análise léxica se propõe a fazer é justamente fornecer dados estatísticos a respeito dos atos de linguagem pelos quais os sujeitos se manifestam e interagem com o mundo' (AQUINO, 2015, p. 31). Assim, a partir desses parâmetros as classes reveladas foram interpretadas considerando-se seus significados, resultando deste processo categorias temáticas referentes a cada classe.
Dessa forma, essa investigação foi conduzida no sentido de analisar cada classe gerada pelo software IRAMUTEQ, procurando dessa maneira explanar seu significado na forma de uma categoria temática, e com o propósito de identificar através destas as possíveis justificativas que os pesquisados apresentam para o ensino de Astronomia na Educação Básica, assim como, se estas exequíveis
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justificativas (ou categorias) apontadas pelos licenciandos estão em consonância com aquelas expostas pelos pesquisadores.
## Resultados e Discussões
No decorrer do processamento do corpus para este grupo de respondentes, o software IRAMUTEQ reconheceu as 77 respostas atribuídas à questão, como sendo os textos a serem investigados, e assim, por conta da configuração prévia, estes foram divididos em 77 segmentos de texto (ST), dentre os quais foram encontradas 483 formas (palavras) diferentes de um total de 1525 ocorrências.
Após os processos de lematização (alteração da forma como o software utilizará o dicionário) e parametragem (limpeza do texto, eliminando palavras instrumentos) do total de 77 ST, o programa classificou 65 destes, o que corresponde a 84,42 % dos segmentos de texto iniciais, na sequência estes foram desmembrados em sete classes diferentes em conformidade com a Classificação Hierárquica Descendente (CHD) executada, e apresentada através de um dendograma (figura 1).
O dendograma é um diagrama na forma de árvore que organiza determinadas variáveis, no caso, as classes surgidas da análise textual, sua leitura deve ser realizada de baixo para cima (figura 1), assim, num primeiro momento (1ª partição), o corpus , foi dividido em dois subcorpus primários, o primeiro deles é constituído por quatro classes e o segundo por três classes. Num segundo momento (2ª partição) o primeiro subcorpus foi dividido, originando dois subcorpus secundários (terceiro e quarto) cada um com duas classes, já o segundo subcorpus primário deu origem ao quinto subcorpos secundário e a classe um. Por fim tem-se o terceiro momento (3ª partição), neste caso o terceiro subcorpus secundário deu origem às classes sete e seis, e o quarto subcorpus apresenta as classes três e dois, já o quinto subcorpos secundário é constituído pelas classes cinco e quatro.
Figura 01: Dendograma da CHD
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Para a análise descritiva do vocabulário de cada classe, é necessário calcular a frequência média do conjunto de palavras da totalidade do corpus , assim como, considerar aquelas palavras com o X (chi2) de associação à classe maior ou 2 igual a 3,84, ou seja: X 2 ≥ 3,84, pois neste caso tem-se, p < 0,05.
A frequência média foi obtida dividindo-se o número total de ocorrências pela quantidade de palavras diferentes, neste caso, tem-se: 1525 dividido por 483, cujo resultado é aproximadamente igual a 3,15, a frequência de cada palavra é
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apresentada pelo software IRAMUTEQ, e está reproduzida na terceira coluna do quadro 1, abaixo.
Vale destacar também que, como aponta Gambôa (2014, p. 103), X (chi2 quadrado - chi2) representa 'o grau de ligação de uma palavra com a classe à qual pertence', assim, este parâmetro pode ser 'utilizado como critério de valoração da associação existente'. Dessa forma através dessa técnica, pode-se mensurar que 'quanto maior o X², mais significativa à relação entre a palavra e a classe, quer dizer, é mais comum encontrá-la na classe considerada e mais improvável a sua presença nas outras classes da partição'. Além disso, a grandeza p identifica o nível de significância da associação da palavra com a classe, isto é, quanto menor o valor de p , maior essa combinação.
Dessa forma, em consonância com os critérios apontados, as classes são representadas a seguir no quadro 1. Neste caso, na 1ª coluna estão às sete classes distribuídas conforme o dendograma, na 2ª coluna estão inseridas as palavras classificas para cada classe, estes vocábulos que são oriundos das respostas dos estudantes estão organizados de acordo com sua frequência de evocação e o Chi2, relacionados nas 3ª e 4ª colunas respectivamente, na 5ª coluna aparece os valores do nível de significância, e por fim, na 6ª coluna são inseridas algumas características referentes aos ST constituintes de cada classe, assim como, as possíveis categorias temáticas, elaboradas a partir da análise dos ST correspondentes.
Quadro 1 : As sete classes da CHD
Fonte: Software IRAMUTEC
Dessa forma, a Classe um é composta por 13,85 % dos ST, e a partir da análise desse conjunto de respostas surge uma possível categoria temática, a qual
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destaca a importância de conhecer o Sol e o planeta em que vivemos, assim, de acordo com os segmentos de texto relacionados, esta seria uma das justificativas para o ensino de Astronomia na Educação Básica apontado pelos respondentes. Tal justificativa pode ser verificada nas seguintes falas: (1) 'Para que os alunos conheçam a importância do Sol e principalmente para a vida na Terra' (*ind\_58); (2) 'É importante, pois se vivemos é porque o nosso planeta recebe luz do Sol' (*ind\_06).
As classes quatro e cinco (29,23 % dos ST) se complementam e de forma geral vão na mesma linha da classe um, ou seja, os segmentos de texto apresentados estão relacionados ao estudo dos conteúdos de Astronomia, assim nessas duas classes a importância da Astronomia é destacada pelo fato de que através desta pode-se entender e aprender mais sobre o planeta Terra e os vários fenômenos que a cerca, assim como, a relação da Terra com outros astros. Tais evidências podem ser observadas nas seguintes respostas: (1) 'A relação que os astros planetas e estrelas têm com alguns fenômenos que acontecem no planeta Terra tais como estações do ano e eclipses solar e lunar' (*ind\_40); (2) 'Com o conhecimento da astronomia o aluno terá a capacidade de entender fenômenos como estações do ano o movimento dos astros e planetas assim como esses movimentos influenciam nas marcações do tempo' (*ind\_46).
Assim, considerando as três classes anteriores referentes ao segundo subcorpus primário, onde os respondentes atribuem como justificativas para o ensino dessa ciência na Educação Básica um sentido mais pragmático, qual seja, a busca pelo conhecimento dos fenômenos que envolvem os astros mais próximos da Terra, logo, nesta perspectiva pode-se admitir que exista uma relação indireta com a categoria (3) apresentada por Soler e Leite (2012), no sentido de que tais conhecimentos podem ampliar a visão de mundo, e também com a categoria (2) destacada por Langhi e Nardi (2014), sob o ângulo de que a busca para entender tais fenômenos pode 'favorece a elaboração de atividades experimentais e a prática observacional do céu'.
As classes dois e três também se complementam e representam 27,70 % dos segmentos de texto, neste caso, surgem da análise dos ST categorias temáticas onde os licenciandos destacam que o ensino de Astronomia é importante, pois pode ser utilizado na busca pelo conhecimento dos fenômenos que regem o espaço, ou o mundo, e também aborda os temas referentes à origem do Universo, reforçando a relação indireta proposta no parágrafo anterior. Isso pode ser verificado nas seguintes respostas: (1) A astronomia aumenta a compreensão do mundo em que vivemos e engrandece o conhecimento dos alunos (*ind\_13); (2) Estudar temas de astronomia é importante para que tomemos conhecimento de como funciona o espaço (*ind\_36).
O conjunto de respostas apresentadas na classe seis (15,38 % dos ST), foi sintetizado em uma categoria onde os licenciandos destacam como justificativa o fato de que os temas de Astronomia estão bastante ligados aos conceitos estudados pela Física, assim tal justificativa contempla em parte aquela apresentada pelos autores citados anteriormente, a qual destaca que a Astronomia é altamente interdisciplinar. Tais informações podem ser esclarecidas nas seguintes respostas: (1) 'Aborda temas que vão ajudar aos alunos em assuntos futuros da física' (*ind\_20); (2) 'Instiga a curiosidade dos discentes fortalecendo seus conhecimentos em relação a fenômenos dos astros e físicos' (*ind\_52).
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Por fim, a classe sete, é composta por dez segmentos de texto, ou seja, dez respostas, o que corresponde a 15,38 % do total de segmentos analisados. Nesta classe a categoria subjacente destaca que os licenciandos apontam como justificativa para se ensinar Astronomia na Educação Básica o fato de que esta ciência pode despertar a curiosidade científica dos estudantes. Justificativa esta que está em consonância com a primeira categoria apresentada por Soler e Leite (2012), e a terceira categoria destacada por Langhi e Nardi (2014), além disso, Caniato (1974, p. 40) destaca que 'o estudo do céu sempre se tem mostrado de grande efeito motivador, como também dá ao educando a ocasião de sentir um grande prazer estético ligado à ciência: o prazer de entender um pouco do Universo onde vivemos'. Neste sentido, as evidências apresentadas pelos licenciandos podem ser notadas nas seguintes respostas: (1) 'Para despertar a curiosidade no aluno e fazer com ele busque o conhecimento de que se necessita e claro o conhecimento básico em astronomia pode o incentivar a atuar na área' (*ind\_41); (2) 'Desperta desde cedo nos alunos o desejo pela ciência' (*ind\_05).
## Considerações Finais
Este trabalho mostra que a maior parte das possíveis categorias elaboradas a partir das respostas dos estudantes, e delineadas através da análise textual, apresenta relações de semelhança com algumas das categorias de justificativas apresentadas pelos pesquisadores, no entanto, isto ocorre de forma indireta. Ou seja, os licenciandos em sua maioria se limitam a justificar a importância do ensino de Astronomia na Educação Básica, destacando que esta ciência é importante para que os estudantes possam conhecer o Sol e o planeta em que vivemos, entender e aprender sobre os fenômenos que envolvem a Terra, e sua relação com outros astros. E de forma mais ampla destacam que é importante para conhecer o mundo ou o cosmo, assim como, abordam os temas relacionados a origem do Universo. Ou seja, os respondentes apresentam uma visão pragmática sobre as justificativas para o ensino dessa ciência.
No entanto, é possível também destacar uma categoria na qual os licenciandos ressaltam a importância do ensino de Astronomia devido a sua relação com a Física, o que em parte esta em consonância com uma das categorias apresentadas pelos pesquisadores nos trabalhos acima mencionados, a qual destaca o caráter interdisciplinar dessa ciência. Por fim, das sete possíveis categorias de justificativas obtidas com as respostas dos licenciandos em Física, uma delas apresenta argumentos coerentes e diretamente relacionados com uma daquelas categorias apresentadas nas pesquisas referenciadas, ou seja, a Astronomia desperta sentimentos e inquietações além de ser um elemento motivador no processo ensino-aprendizagem das ciências.
Neste sentido, os dados demostram que no processo de formação destes profissionais, além do acesso aos conteúdos específicos de Astronomia é necessário também que sejam promovidas discussões no sentido de conscientizarem os futuros professores de Física sobre a importância dessa ciência no desenvolvimento cognitivo e social dos estudantes da Educação Básica.
## Referências
AQUINO, J. S. As representações sociais acerca do ensino superior a distância da UFES: A percepção de egressos dos cursos de Administração e Física. 2015. 97 f.
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Dissertação (Mestrado em Gestão Pública, na área de concentração de Gestão de Operações no Setor Público) Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade Federal do Espírito Santo. 2015.
CAMARGO, B. V.; JUSTO, A. M. Tutorial para uso do software iramutec. Laccos, Universidade Federal de Santa Catarina. 2015. Disponível em: http://migre.me/tq8G7. Acesso em: 03/04/2016.
CANIATO, R. Um projeto brasileiro para o ensino de Física. 1974. v, 4 586f. Tese (Doutorado em Física), UNESP, Rio Claro, 1974.
GAMA, L. D.; HENRIQUE, A. B. Astronomia em sala de aula: Por que? Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA, n.9, p. 7-15, 2010.
GAMBÔA, J. A. J. Sentidos de corpo para maiores de 60 anos: um estudo de representações sociais com praticantes de atividade física. 2014. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) -- Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.
LANGHI, R.; NARDI, R. Justificativas para o ensino de Astronomia: o que dizem os pesquisadores brasileiros? Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências Vol. 14, No 3, 2014.
LANGHI, R.; NARDI, R. Educação em Astronomia: Repensando a formação de professores. Escrituras, São Paulo, 2013.
SOLER, D. R.; LEITE, C. Importância e justificativas para o ensino de Astronomia: Um olhar para as pesquisas da área. II Simpósio Nacional de Educação em Astronomia - II SNEA 2012 - São Paulo, SP.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.