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PROCESSOS IDENTITÁRIOS: REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO DOCENTE EM FÍSICA

Bruno Da Silva Piva Picon, Fernanda Fonseca, Luciana De Moraes Jardim, Sérgio Camargo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PROCESSOS IDENTITÁRIOS: REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO DOCENTE EM FÍSICA

## Bruno da Silva Piva Picon , Fernanda Fonseca , Luciana de Moraes Jardim , 1 2 3 Sérgio Camargo 4

- 4 Universidade Federal do Paraná (UFPR)/Departamento de Teoria e Prática de Ensino/Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e em Matemática (PPGECM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR)/Grupo de Pesquisa em Ensino e Aprendizagem de Ciências e Matemática,

s.camargo@ufpr.br

## Resumo

As considerações apresentadas nesse trabalho surgiram como prolongamentos de uma pesquisa de mestrado, no qual procuramos compreender quais contribuições dos elementos identitários (história de vida, formação e prática - pedagógica) podem ser apontados na constituição da identidade docente. Concebemos o 'ser' professor como uma construção histórica dialética, constituída além do biológico, o que torna essa construção de identidade profissional um processo de formação complexa, que ultrapassa a mera aquisição de conhecimentos específicos, e que reduz a distância entre teoria e prática. Esse processo se reflete no árduo trabalho e luta para reestruturação curricular dos cursos de Licenciatura em Física, que requer um profundo engajamento para propor novos caminhos para a formação inicial docente: uma formação viva, distinta em seus próprios movimentos, e que contribui para essa composição identitária ao permitir que os licenciandos atuem como um dos autores de sua própria formação, que proporciona uma prática do magistério mais complexa e original. Portanto, propormos alternativas para a formação inicial docente nos cursos de Licenciatura em Física que buscam carear novas reflexões sobre um educador que, compreende as relações humanas envolvidas no desenvolvimento profissional docente e sobre a preservação da autonomia e incentivo ao protagonismo dos licenciandos no desenvolvimento da própria formação.

Palavras-chave : Identidade Docente, Formação Inicial de Professores, Protagonismo, Licenciatura em Física.

## Introdução

As considerações apresentadas nesse trabalho surgiram como prolongamento de uma pesquisa de mestrado, no qual, procuramos compreender quais contribuições dos elementos identitários (história de vida, formação e prática pedagógica) podem ser apontados na constituição de identidades docentes na formação Inicial de professores nos cursos de Licenciatura.

A escolha da pesquisa bibliográfica como meio de organização do estudo foi realizado segundo Severino (2007), utilizamos dados ou categorias teóricas

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trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente registrados, ou seja, os textos lidos tornaram-se fontes, que estimulou novas compreensões e reflexões dos temas a serem pesquisados, portanto trabalhamos a partir das contribuições dos estudos analíticos constantes nos textos dos autores que referenciamos.

Diante disso, visamos colaborar com alternativas de soluções para as relações conflitantes da área de formação docente nos cursos de licenciaturas em Física, ao colocarmos o foco no vinculo entre teoria, prática e conteúdos científicos, que se apresentam de natureza complexa e fundamental para a formação destes professores. A primeira se insere numa perspectiva desumanizada e a-histórica, que não permite ao licenciando no processo de sua formação inicial desenvolver práticas, que quebram com a visão predominantemente positivista, dogmática e linearizada com que as Ciências são apresentadas, envolvendo a incompatibilidade entre as formações na modalidade de bacharéis e licenciados. O segundo abrange o amplo campo de pesquisa, que versa sobre a prática pedagógica como componente curricular no contexto das licenciaturas, por proporcionar aos acadêmicos, condições para o exercício do cotidiano escolar, ao apontar mudanças significativas na formação dos futuros professores.

Em vista disso, buscamos nesse trabalho carear novas reflexões sobre a formação de um educador que, compreende as relações humanas envolvidas no desenvolvimento do conhecimento científico e as implicações desse mesmo conhecimento na sociedade. Reflexões que vem como uma provocação ao afirmar que o trabalho docente exige muito mais que o domínio de técnicas e de conhecimento disciplinares, revelando-se fundamental a reflexão crítica sobre os processos que envolvem partilha de experiências de vida, e de saberes culturais; Esses processos são indissociáveis na formação inicial docente e, consequentemente não podem ser pensados isoladamente, sob pena de torna-los menos significativos.

## Contextualização da Licenciatura em Física

Na intenção de propormos alternativas singulares no que refere à formação inicial docente nos cursos de Licenciatura em Física, nos deparamos com um conjunto significativo de trabalhos que têm apontado dificuldades decorrentes do modelo de formação convencional desses professores, relacionado às formas como o currículo separa o preparo específico da formação pedagógica e, à organização disciplinar 'da licenciatura' que não contribuem para aproximar os alunos da realidade escolar (ANDRÉ 2013; GATTI, 2013; MINDAL E GUÉRIOS, 2013).

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior dos cursos de graduação de licenciatura plena (Parecer CNE/CP nº 9, de 08/05/2001), destaca o preparo inadequado dos professores cuja formação de modo geral, mantém predominantemente um formato convencional disciplinar, que pouco ou superficialmente incorporam elementos a respeito do papel dos professores no processo educativo, entre esses elementos, 'fomentar e fortalecer processos de mudança no interior das instituições formadoras; dar relevo à docência como base da formação, relacionando teoria e prática; fortalecer os vínculos entre as instituições formadoras e o sistema educacional, suas escolas e seus professores' (BRASIL, 2001, p. 4 e 5). Como afirma Anastasiou (2002):

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nosso compromisso como professores atuando na instituição universitária vai além da simples reprodução das informações existentes, por mais atuais e técnicas que sejam... tem a ver com o fazer aprender, o deixar aprender, o garantir o processo de pensamento crítico, criativo, construtor de novas soluções para os novos problemas de sua realidade ou de uma nem sequer imaginada (p. 179).

Entretanto, a formação do professor de Física por meio desse viés da racionalidade técnica apresenta-se desconexo das relações humanas intrínsecas ao processo de desenvolvimento do conhecimento científico, que muitas vezes apresentam os produtos das Ciências, como um conhecimento já finalizado; assim como o papel do professor transmissor de conhecimento, função desempenhada até quase os dias de hoje, está superado pela própria tecnologia existente, ao levar em consideração o distanciamento entre o que os licenciandos aprendem como conhecimento específico nos Cursos de Licenciatura para assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos; desenvolver práticas investigativas; desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe.

Os desafios do mundo contemporâneo, particularmente os relativos às transformações pelas quais a educação escolar necessita passar, incidem diretamente sobre os cursos de formação inicial e continuada de professores, cujos saberes e práticas tradicionalmente estabelecidos e disseminados dão sinais inequívocos de esgotamento. (DELIZOICOV, ANGOTTI E PERNAMBUCO, 2002, p. 31).

Desse modo compreendemos o árduo trabalho de luta que o processo de reestruturação curricular dos cursos de Licenciatura em Física demanda daqueles que estão engajados em propor novos caminhos para a formação inicial docente. Observamos relatos focados em ultrapassar os modelos da racionalidade técnica, em que a formação do professor consiste em treinamento, 'a desenvolver técnicas específicas, segundo modelo acadêmico que reconhece o conhecimento disciplinar como suficiente' (GUIMARÃES, 2014, p. 51), ao apresentarem reestruturações curriculares com base em outros dois modelos:

a racionalidade prática que estabelece uma relação dialética entre teoria e prática ao enfatizar a reflexão da prática e a racionalidade crítica, que interpreta o professor como transformador da realidade e a ação docente enquanto prática social. (GUIMARÃES, 2014, p. 51).

À vista disso, os cursos de licenciatura continuam apresentados de forma disciplinar ou em departamentos, portanto não contemplam muitas características consideradas, na atualidade, como inerentes à atividade docente (ANDRÉ 2013; GATTI, 2013; MINDAL E GUÉRIOS, 2013), e pouco leva-se em consideração as recentes pesquisas na área de educação em Física.

Compreendemos a profissão docente ser composta por uma complexa formação, para além de conhecimentos específicos, o professor deve lutar por seu reconhecimento deixando de privilegiar a formação do especialista (bacharelado) e assim ampliar discussões durante o processo formativo, sobre tópicos que diminuam as lacunas entre o que os alunos aprendem como conhecimento específico nos cursos de Licenciatura e o que eles vão ensinar como professores, logo, uma formação mais 'abrangente, abraçando diferentes abordagens, de modo a oferecer aos futuros docentes um leque de possibilidades com as quais interagir para construir o seu modelo pedagógico' (CASTRO, BARBOSA LIMA E QUEIROZ, 2003, p. 1758).

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Percebemos uma excelente oportunidade para inovar a metodologia na formação do professor de Física de uma prática do magistério mais complexa e original além de outros fatores que são determinantes na construção da identidade dos professores de Física. A possibilidade de pensarmos a formação de professores de Física para além de uma visão simplista da técnica e de modos, defronta uma estruturação cada vez menos asséptica, priorizando um preparo mais político, social e humana do docente, que vá além de conceitos interdisciplinares e/ou transdisciplinares. Desta forma, propomos a reflexão a respeito da formação de professores de Física, para que não só discutam conteúdos científicos, mas também procurem estimular o interesse particular de cada sujeito, e despertar a constituição da identidade de professor em cada um dos estudantes.

## Processos Identitários do Docente

Ao tratarmos de identidade docente, compreendemos não haver um consenso sobre um conceito, ou uma definição única, entre diversos autores; portanto nos aproximamos das perspectivas de uma identidade que não se estruture fixa e imutável, mas flexível para entender as contribuições que promovem fortalecer os laços formativos em direção a corroborar com a docência mais humana bem longe de se fixar em uma produção técnica formativa, acreditamos ser este um dos grandes desafios da busca em efetivar a formação docente na modernidade.

Ao considerarmos a ideia de identidade docente percebe-se que a história de vida (eu, para si, pessoal, subjetivo), e a formação e prática docente (social, para o outro, diferenças) são apresentados 'como elementos constituintes do processo identitário profissional do professor' (FARIAS et al . 2011, p. 56); um processo que se constrói em sua individualidade como ser único (opiniões próprias), mas que também envolve o sujeito enquanto ser social (PIMENTA & ANASTASIOU, 2002).

Como afirma Marcelo (2009, p. 109) 'a identidade profissional docente se constitui como uma interação entre a pessoa e suas experiências individuais e profissionais', apresenta o 'ser' professor como construção histórica dialética, que se constitui para além do biológico, o que torna ser fundamental na construção de sua identidade docente, a valorização da reflexão crítica que ultrapasse os obstáculos existentes entre teoria e prática, ou seja, a identidade docente se constitui na reflexão contínua da atuação deste sujeito.

A forma como cada um de nós constrói a identidade profissional define modos distintos de ser professor, marcados pela definição de ideais educativos próprios, pela adoção de métodos e práticas que colam melhor com a nossa maneira de ser, pela escolha de estilos pessoais de reflexão sobre a ação. É por isso que, em vez de identidade, prefiro falar de processo identitário, um processo único e complexo graças ao qual cada um de nós se apropria do sentido da sua história pessoal e profissional (NÓVOA, 2002, p. 28).

Assim, a cada experiência de magistério, vivida desde o início do curso, o licenciando irá construindo sua práxis - teoria e ação unidas, num processo dialético e dialógico de interação com as práticas educacionais, o que afirma a necessidade de repensar o preparo do educador de modo que exista um distanciamento das ações predominantemente técnicas e disciplinares, ao envolver elementos pessoais da história de vida na formação inicial docente.

Do ponto de vista sociológico, a identidade pressupõe construção pelo sujeito permeando suas relações e sua visão de mundo, fornecida pelo contexto

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social e histórico. Percebemos que a identidade docente não é algo que se possua, mas sim algo que se desenvolve durante a vida profissional, que levam em conta os elementos constitutivos da identidade docente no processo inicial de formação do professor, como modos de ser e estar na profissão, ligadas ao íntimo do sujeito em formação, para além de uma profissionalização.

Permanece a indagação a respeito do quanto à carreira docente em ensino de Física, é capaz de contemplar as condições de 'si mesmo', da afetividade, do trabalho, da sociabilidade, do mistério, da angustia e da inquietude na reestruturação de um projeto de formação docente para além de aspectos científicos, profissionais ao envolver a vida na formação inicial docente.

Segundo MOREIRA (2002), é importante situar os professores em formação num contexto multicultural, em que os profissionais da educação precisam ser capazes de perceber que atuam em contextos sociais múltiplos, e precisam atuar como intelectuais questionadores, preocupados em pesquisar e aprimorar suas práticas. Potencializar a formação inicial docente ao oferecer uma visão da tarefa educativa mais ampla, no qual a humanização das relações escolares e o gosto pelo conhecimento passam a ser as tarefas mais urgentes na docência, dessa forma, a ideia é permitir ao licenciando ser também um dos autores de sua própria formação.

## Protagonismo acadêmico

Um dos grandes desafios daqueles que pensam e atuam na área de ensino de Física no Brasil, nos dias de hoje, é a busca por superar as contradições inerentes de um processo histórico educacional que sempre fora norteado pelas competências relacionadas ao conteúdo científico físico, deixando em segundo plano as estratégias, metodologias e didáticas específicas. O que precisamos mesmo é de uma formação do licenciado em Física que tanto dê conta da melhoria na aquisição de conhecimento científico, como também ajude a adquirir uma visão crítica da natureza da Ciência e de suas relações com a sociedade.

Precisamos de ações que permitam entender essa contradição, e assim, contemplar a formação inicial, o que sugere ser necessária a construção de propostas diferenciadas, ousadas, e que busquem de fato dar conta de contribuir para que os professores de Física possuam suas competências específicas, mas que complementam sua formação além da tensão entre o desejável e o possível.

Mantém-se o desafio de incorporar à pratica docente e aos programas de ensino os conhecimentos de ciência e tecnologia relevantes para a formação cultural dos alunos, sejam os mais tradicionais, sejam os mais recentes e desequilibrantes (DELIZOICOV, ANGOTTI E PERNAMBUCO, 2002-p. 31).

Deste modo, é possível compreender que falar de processos identitários na formação inicial docente está intimamente relacionado ao assunto formação profissional do professor de física. De modo a analisar o protagonismo docente no processo pedagógico que propicie ao futuro docente a oportunidade de exercer a docência, ao mesmo tempo em que reflete sobre ela. É na prática que o docente articula os elementos pessoais e profissionais de sua identificação profissional, e assim, também dar significado às suas múltiplas identidades;

enquanto ator e autor, confere à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores, de seu modo de situar-se no mundo, de sua história de vida, de suas representações, de seus saberes, de suas angústias e

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anseios, do sentido que tem em sua vida o ser professor. Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores, nas escolas, nos sindicatos e em outros agrupamentos. (PIMENTA, 2007 p. 19).

Ao tratarmos de curso de licenciatura, a docência aparece como algo menor, o que gera uma problemática referente à identidade profissional do professor, até porque o educador não se faz unicamente dentro do campo educacional, desta forma, mesclar ambos os campos de saberes (científico e pedagógico), afinal 'o professor não é um robô que se programa ou se adestra de acordo com as necessidades do momento' (GATTI, 1996, p.89); deste modo, a ideia é permitir ao licenciando ser também um dos autores de sua própria formação.

Portanto, considerarmos os saberes pedagógicos, didáticos e da experiência do professor de forma que possamos (re)direcionar, ampliar, transformar e ressignificar a ação de ensinar, buscando refletir sobre questões pertinentes e necessárias para tornar o professor crítico, reflexivo, consciente de seus limites e possibilidades e inquiridor de sua prática social. Por isso a devida importância na formação inicial de professores de Física no que diz respeito sobre a constituição da identidade docente através da compreensão, cuja prática seja entendida além de um lócus da aplicação de um conhecimento científico e pedagógico, mas como espaço de criação e reflexão, em que novos conhecimentos são, constantemente, construídos e modificados diariamente.

Por tais motivos propomos novas reflexões a respeito da formação inicial de professores licenciados em Física, ao compreender a importância do sujeito em formação, futuro docente, atuar como protagonista. Ponderamos na questão do licenciando se empoderar (sujeito ativo no processo) sobre as questões que envolvem a própria formação docente, relacionado às mudanças e ações que a levam a evoluir e a se fortalecer, problematizando e (re)criando a própria formação.

## Considerações

Desse modo acreditamos num esforço por parte daqueles que militam na área de Ensino de Física, no sentido de propostas diferenciadas, que dão condições ao futuro professor, para as competências docentes necessárias, e assim conduzir sua prática para pesquisas e ações que buscam contribuições efetivas para a sala de aula de Física, e a realidade em que se insere. Mediado por um panorama de tarefa educativa mais ampla, no qual a humanização das relações escolares e o gosto pelo conhecimento passam a ser as tarefas mais urgentes na docência ( ANDRÉ 2013 GATTI, 2013 MINDAL E GUÉRIOS, 2013). ; ;

As discussões a respeito da identidade docente em torno dos cursos de licenciatura orbitam na necessidade de se firmar a docência, uma vez que outros atributos são mais conceituados no mundo acadêmico. Não é afirmar que os conhecimentos pedagógicos sobressaem em relação aos saberes específicos, mas ponderar que ambos sejam trabalhados de forma articulada as contribuições e reflexões na relação mútua, da mesma forma como os saberes teóricos podem colaborar com a prática.

Os elementos constituintes do processo identitário de acordo com Marcelo (2009) se constitui das relações complexas entre os processos dinâmicos que levam a construção de si mesmo no âmbito pessoal e social, que prospera ao longo da carreira docente, ao envolver contextos políticos, e também por parte das influências de experiências passadas. Infere-se a inclusão do compromisso pessoal e social da

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profissão docente neste processo identitário, ou seja, a disposição para aprender e ensinar em comunhão, assim como a vulnerabilidade profissional.

Portanto, o sujeito que escolher a docência em Física como parte de sua vida, o profissional deve saber que lidará com questões da curiosidade humana, outras de natureza ontológica, com o aspecto lúdico do ser humano, com as transformações sociais decorrentes ou causadoras dos conhecimentos científicos, dentre outros aspectos. Acreditamos ser possível sugerir diferentes possibilidades, articulações e movimentos nos processos formativos para além daquelas presentes nas unidades propostas na formação inicial. Assegurando um cuidado na preservação da autonomia e incentivo ao protagonismo dos licenciandos no desenvolvimento da própria formação docente desde o início do curso. Constata-se uma formação viva, distinta em seus próprios movimentos na formação inicial, cujo desenho identitário, assim como sua contribuição no desenvolvimento profissional dos licenciados, proporciona a reflexão sobre as mudanças que ocorrem no cenário da formação docente.

## Referências

ANASTASIOU, L. G. C. Construindo a docência no ensino superior. In: Rosa, D. E. e Souza, V. C. (Org.). Didática e práticas de ensino: interfaces com diferentes saberes e lugares formativos . 1ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, v. 1, p. 173-184, 2002.

ANDRÉ, M. Políticas de apoio aos docentes em estados e municípios brasileiros: dilemas na formação de professores. Educar em Revista , n. 50, p. 35-49, 2013.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Parecer CNE/CP nº 9, de 8 de maio de 2001. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/009.pdf>. Acesso em: 5 agosto 2015.

CASTRO, G. F.; BARBOSA LIMA, M.C.A. e QUEIROZ, G.R.P.C. Uma visão da formação inicial de professores de Física na última virada do século no Brasil. In Garcia, N.M.D. Atas do XV Simpósio Nacional de Ensino de Física . Curitiba, CEFET-PR, 2003.

DELIZOICOV, D., ANGOTTI, A. A., PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos, Coleção Docência em Formação. São Paulo, Editora Cortez, 2002, 1ª edição.

FARIAS, I. M. S., et. al. Didática e docência : aprendendo a profissão. 3.ed. Brasília: Liber Livro, 2011. - (Coleção Formar)

GATTI, B. A. Os professores e suas identidades: o desvelamento da heterogeneidade. Cadernos de pesquisa , n. 98, p. 85-90, 1996.

MARCELO, C. A identidade docente: constantes e desafios. Revista Formação Docente , Belo Horizonte, v. 01, n.01, p.109-131, ago./dez. 2009.

MINDAL, C. B; GUÉRIOS, E. C. Formação de professores em instituições públicas de ensino superior no Brasil: diversidade de problemas, impasses, dilemas e pontos de tensão. Educar em Revista , n. 50, p. 21-33, 2013.

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MOREIRA, A. F. B.; MACEDO, E. Currículo, identidade e diferença. In: MOREIRA, A. F. B., MACEDO, E. (orgs.). Currículo, práticas pedagógicas e identidades . Porto, Portugal: Porto 2002.

NASCIMENTO, I. P. Projeto de vida de adolescentes do ensino médio: um estudo psicossocial sobre suas representações . Imaginário , Jun 2006, vol.12, no.12, p.5580.

NÓVOA, A. Formação de professores e trabalho pedagógico . Lisboa: Educa, 2002.

PIMENTA, S. G. Saberes pedagógicos e atividade docente. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2007.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico . 23. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.

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