CONTRIBUIÇÕES NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE FÍSICA PARA O ENSINO INCLUSIVO: UMA ANÁLISE DOS TRABALHOS DO SNEF
Nathan Moreira Ulloffo, Willdson Robson Silva Do Nascimento
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CONTRIBUIÇÕES NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE FÍSICA PARA O ENSINO INCLUSIVO: UMA ANÁLISE DOS TRABALHOS DO SNEF
¹Nathan Moreira Ulloffo; ²Willdson Robson Silva do Nascimento
Mestrando em Educação para a Ciência; Mestrando em Educação para a Ciência.
¹Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' FC/UNESP, nathan\_moreira@hotmail.com.br
²Universidade Federal do Maranhão, willdsonrobson@hotmail.com
## Resumo
O presente artigo apresenta uma pesquisa a respeito do Ensino de Física para pessoas com deficiência visual, sublinhado orientações de estudos na área voltada para a Formação Inicial de Professores, na qual foi realizado um levantamento e análise, seguindo a metodologia da Análise de Conteúdo, de trabalhos publicados nas atas dos encontros de pesquisa em ensino (SNEF, EPEF e ENPEC) em edições realizadas entre os anos de 2011 a 2015. Por se tratar de um trabalho que busca analisar a formação de professores nesta perspectiva, optou-se por escolher um evento que apresentasse uma maior quantidade de trabalhos com a temática para análise. Deste modo, o SNEF (Simpósio Nacional de Ensino de Física) de 2011, 2013 e 2015 apresentou um número de trabalhos significativos para a pesquisa, tornando-se o evento escolhido. Para esse levantamento, num primeiro momento, buscou-se trabalhos que se referem à Educação Especial, os quais foram classificados de acordo com a diferentes áreas que contemplam a Formação Docente. Num segundo momento foi realizada uma investigação mais aprofundada destes trabalhos, atentando-se para o ensino inclusivo de Física para alunos com deficiência visual, cujo objetivo foi investigar suas principais abordagens, motivações, resultados e contribuições para a Formação de Professores, a partir disto, foi possível identificar alguns aspectos relevantes e lacunas destes trabalhos. De forma geral, os resultados apontam para uma escassez de trabalhos relacionados à temática, especialmente no que tange a questão curricular.
Palavras-chave : Formação inicial. Ensino de Física Inclusivo. Deficiência visual.
## 1. Introdução
A legislação brasileira vem avançando desde a Constituição 1988, na perspectiva de assegurar a todos a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. De acordo com Sassaki (1999), a inclusão educacional é um processo por meio do qual as instituições de ensino se adequam para poderem
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23 a 27 de janeiro de 2017
incluir, em seus espaços, pessoas com deficiências e, paralelo a isto, estas se preparam para reconhecer seus direitos e deveres nestes ambientes. Em outras palavras, uma inclusão escolar responsável e preocupada com os estudantes, implica na aceitação de todos os alunos, independentemente de condições sensoriais, cognitivas, físicas, e requer principalmente sistemas educacionais organizados que ofereçam respostas adequadas às diversas características e necessidades (CARVALHO, 1994).
Para entendermos a atual situação dos professores do ensino secundarista frente à educação especial, precisa-se olhar para a nascente da formação dos educadores. Sobre essa formação Mantoan (1997) destaca que todo plano de formação de professores deveria torná-los aptos ao ensino de toda demanda escolar. Sendo assim, ensinar, na perspectiva inclusiva, significa recriar o papel de todos os indivíduos envolvidos na educação escolar, bem como de práticas pedagógicas que são usuais no contexto excludente, em todos os seus níveis de escolarização.
Ao lado do estudo sobre a formação do professor, muito se tem discutido sobre seus reais conhecimentos sobre como lidar com a inclusão em sala de aula. O momento do ingresso no ensino superior deve ser encarado apenas como o ponto de partida para a busca de um desenvolvimento profissional. Nessa fase inicial, são construídos conhecimentos de uma dada área específica, teorias pedagógicas e elementos práticos oriundos da atividade docente. Alguns autores referem-se a estes elementos da ação docente como 'saberes docentes' ou 'saberes da profissão docente' (TARDIF; LESSARD; LAHAUE, 1991).
Dentro dessa perspectiva, é preciso integrar nos saberes disciplinares e da formação profissional, que são construídos no decorrer da formação inicial e continuada, reflexões que fomentem sobre práticas educativas inclusivas, uma vez que é durante a formação, que os professores se apropriam de saberes das ciências e da educação produzidos por teóricos e pesquisadores e desenvolvem saberes pedagógicos, que são provenientes de reflexões sobre a prática educativa (TARDIF, 2011; PIMENTA, 2009).
A questão exposta revela a necessidade de uma discussão indispensável acerca da formação do professor de física, que não discute, ou discute superficialmente nos cursos de licenciatura, situações ligadas à relação entre educação e perspectivas inclusivas em sala de aula. Tal questionamento ganha significativa importância no Brasil, visto que, a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, prioriza as matrículas de alunos com deficiências na rede pública regular de ensino, o que tem gerado um aumento significativo nas matrículas nos últimos anos (CAMARGO, 2007).
Diante dessa realidade, a formação fragmentada do profissional de educação tem como consequência agravante, o despreparo do professor que, de certo modo, dificulta o preparo de um discurso sobre a inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais em todos os níveis de ensino (CHAHINI, 2006).
Com essa investigação pretende-se construir um panorama geral sobre as preocupações, natureza e resultados das pesquisas sobre Ensino de Física para alunos com deficiência visual apresentados nos trabalhos analisados. Entende-se que sistematizações dessa natureza são importantes, por um lado, para orientar práticas escolares e, por outro, para orientar investigações futuras.
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## 2. Metodologia
Esta pesquisa tem caráter qualitativo, onde utilizamos da Análise de Conteúdo como forma de avaliação dos trabalhos encontrados.
Ao longo deste projeto, objetivou-se analisar trabalhos acadêmicos de eventos ou de periódicos voltados para a Formação Docente que abordem a Educação Inclusiva, neste sentido consideramos quatro grandes áreas, que compõem esta temática, como: Formação Inicial, Formação Continuada, Saberes Docente e Desenvolvimento Profissional Docente.
Durante a realização da pesquisa, inicialmente, foram identificados alguns grandes eventos da área de ensino, dentre eles, foram pré-selecionados: Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e o Encontro Nacional de Pesquisas em Educação e Ciências (ENPEC). Dentre estes três eventos, escolheu-se um para uma análise mais aprofundada. Deste modo, devido a uma maior incidência de trabalhos para análise, optou-se pela escolha do SNEF. Devido ao número de artigos encontrados, optamos por trabalhar somente com os que abordam a Formação Inicial como tema. Foram encontrados dez trabalhos ao longo das edições do evento. Os trabalhos são pertencentes aos anos de 2011, 2013 e 2015. Assim, com a seleção dos artigos que serão analisados, determinamos nosso corpus deste trabalho.
## 3. Resultados e discussões
Por considerarmos a pesquisa sobre Formação Docente representada em quatro grandes áreas, apresentamos conforme a Tabela 1, uma divisão de acordo com o teor dos conteúdos abordado pelos trabalhos encontrados das edições do evento.
TABELA 1: Relação dos trabalhos do SNEF.
Quanto aos trabalhos encontrados, podemos observar uma diferença de quantidade comparando o total de trabalhos apresentados e o número de artigos voltados para a formação inicial de professores para o ensino inclusivo. Notando que
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ainda existe um número muito pequeno de trabalhos voltados para esta área em comparação com outras, observa-se que ao longo dos anos as pesquisas neste campo têm aumentado, mesmo aos poucos. Também pode-se perceber uma maior concentração de trabalhos voltados para a Formação Inicial, em comparação com as outras áreas analisadas, o que pode interpretamos como um reconhecimento da importância do papel das universidades no processo de Educação Inclusiva, mostrando que mesmo com as cobranças apontadas por muitos autores, a respeito da falta de preparo para se trabalhar com a inclusão, ainda sim, existe uma tendência de trabalhos voltados para esta área. Acredita-se, dessa forma, que o futuro professor deva se permitir, dentro do espaço acadêmico, passar por situações nas quais assuma a posição de aprendiz, experimentando as angústias do não saber, do desconhecer, até chegar à percepção da necessidade de aprendizado constante.
Como apresentado anteriormente, num segundo momento foi realizada uma investigação mais aprofundada dos trabalhos referentes a Formação Inicial do docente, neste caso, consideramos esta formação voltada para o ensino de Física para alunos com deficiência visual. Para não haver exaustivas citações dos trabalhos, optamos por organiza-los numericamente em uma tabela, assim como, apresentar um pequeno resumo dos conteúdos presentes nos mesmos. Assim, destacamos conforme a Tabela 2:
TABELA 2: Trabalhos selecionados do SNEF
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## 9 XXI SNEF- 2015. ENSINO DE FÍSICA E DEFICIÊNCIA VISUAL: O QUE PENSAM OS LICENCIANDOS EM FÍSICA EM FASE DE CONCLUSÃO DE CURSO
Autores: Marcela R. Silva1, Alice H. C. Pierson, Ana Carolina C. Pietscher, Danielle R.Santos, Diego S. Bragagnolo, Elvis M. Inácio, Victor T. Sanches, Elias J. P.Biral
Apresentam uma proposta como alerta e denúncia, no que diz respeito à preparação e discussões relacionadas a temática do ensino de alunos com deficiência visual. Onde, os entrevistados relataram que não tiveram nenhum tipo de discussão relacionada a tal temática nas disciplinas cursadas, bem como em atividades de extensão;
## 10 XXI SNEF -2015. INCLUSÃO E O ENSINO DE FÍSICA EM UM ESPAÇO NÃO FORMAL DE APRENDIZAGEM
Autores: Fernando Custódio Cerqueira Campos, Isabela Franco Costa, Antonio Luiz Fernandes Marques
O artigo analisa a postura dos bolsistas do PET/Conexão de Saberes, como monitores de uma visita feita por alunos com deficiência visual ao Centro de Divulgação Científica (Espaço InterCiências), pois o projeto tem o objetivo de aprofundar o processo de integração dos cursos de formação de professores da UNIFEI e, sobretudo, envolver os alunos dos cursos de Física e Licenciatura em Matemática nos processos de ensino, pesquisa e extensão.
Mesmo observando que na Tabela 1 a concentração de trabalhos é voltada para a Formação Inicial, podemos observar na Tabela 2 que esse foco não possui uma grande variedade de temas. Isso pode ser observado quando a maioria dos artigos (trabalhos 2, 3, 4, 5 e 6) trazem em sua proposta, uma prática de ensino como foco para contemplar mudanças atitudinais, não trazendo muitas alternativas para uma melhora na construção de um currículo, por exemplo, que proporcione alguma mudança na postura do aluno durante sua graduação.
Por outro lado, quando trazem a denúncia da falta de uma organização curricular (trabalhos 1, 7, 8 e 10) que contemple a educação inclusiva, não apontam possíveis melhoras como contribuição na formação do graduando. Trazendo apenas as opiniões dos futuros professores quanto ao tema estudado. Contrário a isso, o trabalho 9 esboça apontamentos para que as universidades possam formar professores que tenham uma capacitação e um melhor conhecimento para trabalhar com os alunos com deficiência visual.
Seguindo a análise, alguns trabalhos apontam para as dificuldades encontradas por professores quando trabalham a inclusão em sala. No trabalho 2, por exemplo, os autores trazem a dificuldade em trabalhar com um tema especifico, que necessita de um conhecimento prévio. Enquanto que o artigo 4, traz a dificuldade no uso do Braille e Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS).
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## 4. Considerações finais
Observou-se com esta pesquisa que diante da demanda educacional atual, causada pela presença cada vez maior de alunos que necessitam de uma educação inclusiva, em turmas regulares de ensino, a quantidade de trabalhos com esta temática em relação à quantidade total de trabalhos apresentados nos eventos pesquisados é muito tímida, o que configura certo desleixo com a diversidade presente atualmente no contexto escolar, sendo de extrema importância o aumento de produção destas pesquisas
É importante destacar que ao longo da história educacional a importância do papel do professor no processo de ensino tem oscilando. No entanto, hoje, ao que tudo indica essa importância tem atingindo novamente o pico mais alto. Pode-se observar tal fenômeno quando analisamos trabalhos atuais que referenciam pesquisadores que se tornaram clássicos, por introduzirem a formação de professores no cenário mundial, fomentando desta forma, debates constantes como as obras de Schön (1990) e Stenhouse (1975). Devido a esse processo de investigação iniciado, no final do século XX, os pensamentos destes educadores foram trazidos à tona e realimentados por educadores de todo o mundo, destacando-se, dentre outros, Nóvoa (1992) e Tardif (2002).
A partir dos resultados e análises apresentadas por estes autores pode-se afirmar que o processo de formação de um professor que permita a aquisição, a construção dos saberes e posturas necessárias à sua prática profissional é complexa e marcada por diferentes períodos, diferentes vivências e experiências.
Nessa perspectiva, é importante que os artigos voltados para a formação inicial de professores de Física também estejam em sintonia com as discussões atuais a respeito do profissional que as Universidades querem formar. Nesse sentido, as pesquisas precisam caminhar e criar espaços com o objetivo de estudar e discutir a natureza de conceitos como de um Professor Pesquisador (STENHOUSE, 1975), Professor Critico Reflexivo (FREIRE, 2001), Pedagogia Histórico-Crítica (SAVIANI; DUARTE, 2012), entre outros.
Contemplando os objetivos da pesquisa, constatou-se que os aspectos impulsionadores mais frequentes dos trabalhos dizem respeito a um aumento significativo destes alunos em turmas regulares de ensino, a importância da formação de professores e a falta de pesquisas na área.
É primordial destacar também, a relação dos trabalhos com a formação do professor. Nesse sentido, consideramos importante o incentivo a discussão sobre educação inclusiva dentro das Universidades, embora a maioria dos artigos não tragam em seus resultados propostas incisivas e claras para um processo de mudança nos espaços acadêmicos.
Como perspectiva de trabalhos futuros, após o estudo feito, podemos sugerir investigações que apontem para a inclusão de disciplinas que permitam aos licenciados o contato com os atuais temas pertinentes ao ensino inclusivo. Também sugerimos a investigação quanto ao professor formador desses graduandos, que em muitos casos, também não possui uma formação para o ensino inclusivo.
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## 5. Referências
CHAHINI, Thelma Helena Costa. Os desafios do acesso e da permanência de pessoas com necessidades educacionais especiais nas Instituições de Ensino Superior de São Luís - MA . 2006. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2006.
CARVALHO, E. N. S. Escola integradora: uma alternativa para a integração escolar do aluno portador de necessidades educativas especiais. In: SORIANO, E. M. L. A. Tendências e desafios da educação especial . Brasília: MEC, 1994.
CAMARGO, Eder Pires de; NARDI, Roberto. Dificuldades e alternativas encontradas por licenciandos para o planejamento de atividades de ensino de óptica para alunos com deficiência visual. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 29, n. 1, p. 115-126, 2007. Disponível em: m<http://hdl.handle.net/11449/70086>. Acesso em: 22 de jun. 2016.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa . São Paulo: Paz e Terra, 2001.
MANTOAN, Maria Tereza Egler. (Org.). A integração de pessoas com deficiência . São Paulo: Memnon. SENAC, 1997.
PIMENTA, S.G. (2009). Formação de professores: identidade e saberes da docência . Em: S.G.Pimenta (Org.), Saberes pedagógicos e atividade docente (pp. 15-34). São Paulo: Cortez.
STENHOUSE, L. An introduction to curriculum research and development . Londres: Heinemann, 1975.
SAVIANI, Dermeval; DUARTE, Newton. A Formação Humana na Perspectiva HistóricoOntológica. IN: SAVIANI, Dermeval; DUARTE, Newton. Pedagogia Histórico-Crítica e Luta de Classes na Educação Escolar . Campinas, S.P: Autores Associados, 2012.
SCHÖN, D. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem . Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
TARDIF, M., LESSARD, C. e LEHAYE, L. (1991). Os professores face ao saber -Esboço de uma problemática do saber docente. Teoria e Educação, nº 4 p. 215-234.
SCHON, Donald. Educating the reflective practitioner . San Francisco: Jossey-Bass, 1990
SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos . 3ª ed. Rio de Janeiro: WVA,1999.
TARDIF, Maurice. LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas . 6ª Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2011.
NÓVOA, António. Formação de professores e profissão docente in NÓVOA, António. Os Professores e a sua formação . Lisboa: Instituto de Inovação Educacional, 1992.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional . 4ª Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.
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