A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE DE LICENCIANDOS AO LONGO DA FORMAÇÃO INICIAL
Lorena Cristina Romero Palma, Beatriz Salemme Corrêa Cortela
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE DE LICENCIANDOS AO LONGO DA FORMAÇÃO INICIAL
## Lorena C. R. Palma , Beatriz S. C. Cortela 1 2
1 Mestranda em Educação para a Ciência, UNESP/Bauru, Faculdade de Ciências, lorenacrpalma@gmail.com, bolsista Capes
## Resumo
Este trabalho apresenta resultados de um levantamento realizado visando aprofundar estudos sobre a docência universitária em cursos de licenciatura. Pesquisas indicam que muitos dos docentes que atuam como formadores em cursos de licenciatura não possuem uma formação que permita o contato com alguns desses saberes, o que pode influenciar a construção da identidade docente dos licenciados. Visando conhecer se ocorrem mudanças nas concepções de licenciandos ao longo de seu processo formativo acerca da construção da identidade docente, foi realizado um levantamento partir de um questionário semiestruturado, aplicado a duas turmas de alunos de um curso de licenciatura em Física, em 2015. Os resultados aqui apresentados mostram que, apesar dos licenciandos no início da graduação demonstrarem maiores pretensões em lecionar do que aqueles no penúltimo ano do curso em questão, as disciplinas integradoras estão propiciando a mobilização dos saberes docentes e colaborando pela escolha da carreira docente. Apesar de estudos apontarem que diversos fatores, tais como desvalorização profissional, baixos salários e violência escolar, influenciam as escolhas profissionais dos licenciandos em não atuar na educação básica, os dados apontam que a opção pela docência no ensino superior ainda se mantêm. Estas análises fundamentam a justificativa de uma pesquisa, em andamento, que investiga os impactos da atuação do docente formador na construção da identidade profissional docente de licenciandos.
Palavras-chave : Saberes docentes. Identidade docente. Formação de professores de Física.
## Introdução
Pesquisas anteriores (CORTELA, 2011, CORTELA; NARDI, 2013), que tiveram como foco principal um curso de licenciatura de uma universidade pública, apontam que o perfil profissional do docente formador; a organização e a composição da estrutura curricular; e a forma como os docentes ministram suas aulas, entre outros fatores, influenciam o perfil do licenciando, apesar de não ser determinante.
Desde 2006 adotou-se para este curso analisado uma estrutura curricular que rompeu com os modelos formativos conhecidos por '3+1' ou '2+2', hegemônicos na área por muito tempo, mas que estão em processo de extinção, não somente em decorrência das legislações (BRASIL, 2002; 2015), como também de resultados de pesquisas na área de formação de professores, que indicam uma mudança de paradigma formativo antes baseado na racionalidade técnica, passando pela prática com vistas à racionalidade crítica (NARDI; CORTELA, 2015).
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23 a 27 de janeiro de 2017
Essa questão se torna importante uma vez que a maioria dos docentes que atuam em cursos de licenciatura na área de Ciências da Natureza e Matemática, não possuem formação pedagógica, seja em sua formação inicial ou continuada. Em relação a este curso específico, tais docentes lecionam tanto no curso de Licenciatura em Física quanto no curso de Bacharelado em Física dos Materiais, oferecidos pela mesma instituição e que, apesar de terem estruturas curriculares diferentes, oferecem disciplinas que são cursadas em comum.
A necessidade que se apresenta agora é a de investigar se estão ocorrendo mudanças no processo de construção da identidade docente em alunos de graduação, a partir do trabalho de planejamento coletivo de disciplinas que compõem o eixo integrador do currículo, Metodologias e Práticas do Ensino de Física (I a V). Em caso afirmativo, quais seriam elas e do que , provavelmente, seriam decorrentes.
As disciplinas em questão fazem parte do eixo integrador do curso que, de acordo com o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), abrange as disciplinas que dizem respeito aos conhecimentos didático-pedagógicos. Além das cinco disciplinas de Metodologia e Prática do Ensino de Física (I a V), o eixo é composto por mais duas, Didática das Ciências e Instrumentação para o Ensino de Física (I e II). As disciplinas onde ocorreram a coleta de dados para essa pesquisa são ofertadas semestralmente, a partir do primeiro semestre da graduação. Com exceção de Instrumentação para o Ensino de Física I e II, todas as outras disciplinas que compõem o eixo integrador são ministradas por docentes graduados em Física e com doutorado em Educação, locados no departamento de Educação.
## Os saberes e a construção da identidade docente
## Entende-se por identidade docente
- [...] uma realidade que evolui e se desenvolve, tanto pessoal como coletivamente. A identidade não é algo que se possua, mas sim algo que se desenvolve durante a vida. A identidade não é um atributo fixo para uma pessoa, e sim um fenômeno relacional. O desenvolvimento da identidade acontece no terreno do intersubjetivo e se caracteriza como um processo evolutivo, um processo de interpretação de si mesmo como pessoa dentro de um determinado contexto. (MARCELO, 2009, p. 112)
A construção dessa identidade é primordial para a prática docente e, sendo então essa identidade docente algo que se constrói e se desenvolve também ao longo da formação inicial do futuro professor, os saberes mobilizados durante essa fase influenciarão na construção da mesma e, consequentemente, na atuação docente.
Gauthier et al. (1998) apresentam um conjunto de saberes específicos da prática docente que funcionam como um reservatório '[...] no qual o professor se abastece para responder a exigências específicas de sua situação concreta de ensino [...].' (GAUTHIER et al., 1998, p. 28)
Os saberes docentes na perspectiva de Gauthier são apresentados na figura 1:
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FIGURA 1: Categorias de saberes docentes, na perspectiva de Gauthier et al. (1998, p.29)
- O saber disciplinar é aquele específico de cada área do conhecimento, ou seja, a Física, a Química, a Biologia, da Educação, entre outras. Tal saber é produzido por pesquisadores e cientistas, nos seus respectivos campos de conhecimento. No ambiente universitário, esse saber está presente nas disciplinas específicas de cada área. 'O professor não produz o saber disciplinar, mas, para ensinar, extrai o saber produzido por esses pesquisadores.' (GAUTHIER et al., 1998, p. 29).
- O saber curricular diz respeito ao programa, à organização curricular do curso que o professor leciona. Da mesma maneira que o saber anterior, este também não é produzido por ele, e sim por algo externo a ele (um grupo, instituição, entre outros).
- O saber das ciências da educação diz respeito a conhecimentos que o professor adquire ao longo da sua formação ou em seu trabalho. Mesmo não auxiliando no ensino, ele ajuda a nortear sua prática. São conhecimentos acerca da organização escolar, da carga horária, entre outros aspectos presentes no ambiente escolar.
- O saber da tradição pedagógica está relacionado ao momento em que o professor deixou de lecionar para apenas um aluno por vez e passou a lecionar para uma turma inteira. É um saber também anterior à sua formação acadêmica e que rege o modo que futuro professor entende a docência.
- O saber experiencial é construído a partir da prática. É um saber individual, que se torna um referencial para o professor, quando o mesmo passa por situações parecidas repetidas vezes. Por ser algo intrínseco ao professor, o mesmo não pode ser verificado através de métodos científicos, da forma como se apresenta.
- O saber da ação pedagógica '[...] é o saber experiencial dos professores a partir do momento em que se torna público e que é testado através das pesquisas em sala de aula.' (GAUTHIER et al., 1998, p. 33). Para o autor, é o saber mais necessário à profissionalização do ensino, por ser aquele que legitima uma identidade profissional docente. Porém, é o menos desenvolvido no reservatório de saberes da docência. Isso se dá pois este está relacionado tanto com a prática docente quanto com questões políticas e sociais que permitem caracterização da identidade docente do professor. Além disso, para que ocorra tal legitimação, é necessário que a academia tenha conhecimento do saber experiencial . Dessa maneira, a partir de pesquisas e aceitação da mesma, o saber passa a ser da ação pedagógica .
Com exceção desse último, que está relacionado com questões exteriores ao meio universitário, todos os outros saberes elencados por Gauthier et al. (1998) estão presentes na formação inicial dos professores. A mobilização de cada um
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deles acontece em diferentes momentos do curso de licenciatura. O saber disciplinar por exemplo, está presente nas disciplinas de conteúdo específicos da Física, Psicologia da Educação, entre outros. Já o saber curricular está presente na disciplina de Metodologia e Prática do Ensino de Física II, que tem como um dos conteúdos o Ensino de Física para o Ensino Médio, que engloba tópicos como as orientações curriculares do estado de São Paulo e as diretrizes curriculares nacionais para o ensino médio.
## Metodologia da pesquisa
A fim de investigar se ocorrem mudanças nas concepções dos licenciandos acerca da construção de sua identidade docente, foi solicitado que alunos respondessem a um questionário semiestruturado, composto por 10 questões, abarcando perguntas abertas referentes aos fatores que influenciaram a escolha do curso; aqueles que influenciam as escolhas após a conclusão do curso; sobre suas maiores dificuldades acadêmicas; sobre características dos bons professores e sobre os saberes que estes devem dominar; e sobre sua satisfação com o curso.
Responderam ao questionário dois grupos de alunos, que em 2015 estavam em estágios diferentes de suas graduações: 39 estavam cursando a disciplina Metodologia e Prática do Ensino de Física II (MPEF-II), ofertada no 2º semestre, portanto alunos iniciantes; 20 estavam cursando Metodologia e Prática de Ensino de Física V (MPEF-V), ofertada no 5º semestre, alunos considerados veteranos. Ambas as disciplinas foram ministradas pela mesma docente.
Este trabalho apresenta os resultados de duas das questões direcionadas aos licenciandos: os fatores que os influenciaram a escolher o curso de licenciatura em Física e suas pretensões futuras dos mesmos. Essas questões permitem analisar as respostas dos discentes tanto em relação a entrada ao curso quanto a questões posteriores a formação acadêmica em diferentes momentos da graduação. Dessa maneira é possível obter dados acerca da mobilização dos saberes docentes pelos licenciandos em momentos diferentes da graduação e, consequentemente, analisar as mudanças no processo de construção da identidade docente dos mesmos.
## Resultados e discussões
As figuras 2 e 3 apresentam as respostas dos licenciandos iniciantes e as figuras 4 e 5 apresentam as respostas dos licenciandos veteranos quando questionados acerca dos fatores que os influenciaram a escolher o curso de licenciatura em Física e suas pretensões profissionais quando terminarem o curso, respectivamente.
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FIGURA 2: Fatores que influenciaram na escolha do curso dos licenciandos iniciantes
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FIGURA 5: Pretensões profissionais após o curso dos licenciandos veteranos
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FIGURA 4 : Fatores que influenciaram na escolha do curso dos licenciandos veteranos
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Ao comparar as figuras 2 e 4, ou seja, os fatores que influenciaram a escolha pelo curso em questão de ambos os grupos de licenciandos, nota-se que as expectativas de cada grupo acerca da profissão são distintas. Isso fica claro, por exemplo, quando os iniciantes respondem questões econômicas como fator influenciador e os veteranos não. Isso mostra que os diferentes grupos apresentavam expectativas diferentes acerca da profissão docente.
Ainda sobre as figuras 2 e 4, percebe-se que os licenciandos iniciantes não distinguem o interesse pela área de ensino e pela área da Física, diferente dos veteranos, que apresentam um maior interesse pela Física (37%) do que pela área de ensino (31%). Essa diferença entre distinguir ou não tais interesses pode estar relacionado ao fato dos licenciandos iniciantes ainda não terem uma concepção mais ampla das diferentes áreas, enquanto os veteranos já terem adquirido saberes que lhes permitem entender a área de ensino de Física como uma área diferente da Física em si.
No que diz respeito aos saberes docentes mobilizados nas diferentes etapas da formação dos licenciandos, os iniciantes estão tendo um primeiro contato apenas com os saberes disciplinares da Física, da Matemática, entre outros, pois elas estão presentes nas disciplinas cursadas logo no início da graduação. Já os licenciandos veteranos tiveram contato com o reservatório de saberes presentes na formação inicial de professores.
Ao comparar as figuras 3 e 5, ou seja, as pretensões profissionais de ambos os grupos de licenciandos, pode-se afirmar inicialmente que os iniciantes possuem
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FIGURA 3: Pretensões profissionais após o curso dos licenciandos iniciantes
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maior pretensão de seguir a carreira docente - seja na educação básica, técnica ou superior - do que os veteranos.
Este desinteresse pela atuação na educação básica, pelos veteranos, pode ser relacionado com o fato de que é nessa etapa da graduação que começam os estágios supervisionados, momento em que ocorre um choque com a realidade, antes conhecida enquanto alunos (KUSSUDA; NARDI, 2015). Ou seja, os licenciandos veteranos já possuem uma noção acerca da realidade da educação brasileira, e que causa uma insatisfação nos mesmos.
O baixo salário dos professores, a violência escolar, a desvalorização profissional, acabam por influenciar as escolhas profissionais dos licenciandos em atuar na educação básica, e favorecem a opção pela docência no ensino superior. (KUSSUDA; NARDI, 2015). Esse fato pode ser mostrado percebido analisando ainda as figuras 3 e 5. Nota-se um aumento no interesse em se fazer pós-graduação nas respostas dos licenciandos veteranos em relação às respostas dos iniciantes. Isso ocorre porque muitos dos licenciandos veteranos (em torno de 60%) são alunos bolsistas, tanto de iniciação científica, quanto de docência ou de extensão. Isso faz com que os mesmos busquem a continuidade dos estudos com vistas à docência no ensino superior, seja almejando a prática docente em si ou a pesquisa, que não foi explicitado nas respostas dos licenciandos iniciantes.
Outro fator que influencia a escolha dos licenciandos em fazer um curso de pós-graduação pode ser o perfil do docente formador uma vez que, como apontado por Cortela (2011), o corpo docente desse curso de licenciatura em Física possui um perfil formador mais compatível ao bacharelado do que à licenciatura, dessa maneira, há mais disponibilidades de bolsas voltadas para a pesquisa em Física, o que incentiva o licenciando a se interessar por essa área e, consequentemente, a almejar a carreira de pesquisador e por isso fazer uma pós-graduação nesta área.
Analisando apenas os licenciandos iniciantes, ou seja, as figuras 2 e 3, notase que é muito variado as respostas no que diz respeito às influências que os levaram a ingressar no curso em questão e que alguns desses fatores nada se relacionam com o interesse na carreira docente, como a facilidade em ingressar no curso.
Muitos alunos decidem entrar no curso de licenciatura em Física, mas na verdade querem cursar engenharia ou outro curso cuja concorrência no vestibular é muito maior. Assim, o vestibulando presta a licenciatura em Física almejando cursar algumas disciplinas e posteriormente transferir a matrícula para o curso almejado. Ou até mesmo, o licenciando ingressa no curso em questão para obter maior conhecimento da Física e poder prestar outro vestibular do curso que deseja. Mazzetto e Carneiro (2002) argumentam que essa é uma realidade que está presente nos cursos de licenciatura em geral.
Além disso, nota-se uma incerteza acerca das pretensões futuras dos licenciandos, que está relacionado ao fato dos mesmos ainda estarem no início da construção de suas identidades profissionais. Dessa maneira, além de fatores externos ao meio universitário, a formação inicial do licenciando irá permitir uma melhor definição acerca de suas pretensões futuras.
Apesar de tantos fatores na sociedade indicarem a carreira docente como uma escolha ruim, que não permite a valorização do profissional e não dá condições
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para o exercício da mesma (KUSSUDA, 2012), a maioria dos licenciandos (54%) nessa etapa da formação inicial pretendem atuar como professor.
Sobre as respostas dos licenciandos veteranos (figuras 4 e 5), percebe-se uma distinção acerca dos interesses dos mesmos. Além disso, os licenciandos apresentam a abrangência de área de trabalho como fator influenciador. Esse dado pode significar que o licenciando está ciente da carência de professores de Física no ensino básico (BRASIL, 2007; GATTI, BARRETO, 2009) e, consequentemente, maior possibilidade de emprego.
Ao cruzar esses dados com as pretensões profissionais do mesmo grupo, percebe-se que a docência no ensino básico não faz parte das pretensões dos licenciandos e sim a docência no ensino superior. Um dos fatores que corrobora com essa afirmação é a grande porcentagem nas pretensões em fazer uma pósgraduação, que é requisito necessário para a atuação docente em universidades.
- O motivo da elevada pretensão pela atuação no ensino superior pode ser tanto pelo interesse da docência quanto da pesquisa, como já mencionado. Além disso, o ingresso numa pós-graduação permite ao licenciando a possibilidade de ser contemplado com bolsas de estudo, que eles já têm conhecimento sobre, uma vez que a maioria já é bolsista, como mencionado anteriormente e também pelo fato das bolsas de pós-graduação serem maiores que o salário de um professor da educação básica.
## Considerações finais
Pesquisas anteriores (KUSSUDA, 2012, CORTELA; NARDI, 2013) apontam que o perfil do docente formador influencia as pretensões futuras dos licenciandos. Como apontado por Cortela e Nardi (2013), a maioria dos docentes formadores do curso em questão são pesquisadores de áreas específicas, o que leva os licenciandos a terem mais possibilidades de participarem de projetos de iniciação científicas voltadas à essas áreas do que ao ensino de Física.
Não se pode deixar de considerar que fatores externos à universidade causam o desinteresse pela carreira docente ne educação básica, como a baixa remuneração, péssimas condições de trabalho, violência nas escolas, entre outros. Mesmo assim, os dados apontam para um considerável interesse dos licenciandos em seguirem a carreira docente, o que permite o entendimento que o curso de licenciatura em questão, especificamente as disciplinas de Metodologia e Prática de Ensino de Física, propiciam aos licenciandos o contato com o reservatório de saberes docentes e que tal contato tem influenciado positivamente as escolhas dos licenciandos em seguir a carreira docente.
Os resultados obtidos com esse levantamento permitiram às autoras nortearem uma pesquisa em andamento acerca da construção da identidade docente dos licenciandos no decorrer de sua formação acadêmica. As autoras acreditam que dessa maneira, irão contribuir para a qualidade da formação inicial de professores da todos os níveis da educação.
## Referências
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Escassez de professores no Ensino Médio: Propostas estruturais e emergenciais. Relatório produzido pela Comissão
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Especial instituída para estudar medidas que visem a superar o déficit docente no Ensino Médio (CNE/CEB), Brasília, 2007.
\_\_\_\_\_\_. Resolução CNE/CP 01/2002, de 18 de fevereiro de 2002. Institui diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da educação básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Diário Oficial da União, Brasília, 09 abr. 2002. Seção 1, p. 8.
\_\_\_\_\_\_. Resolução CNE 02/2015, de 01 de julho de 2015. Estabelece as diretrizes curriculares nacionais para formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Diário Oficial da União. Brasília. 02/07/2015. Sessão 1, p. 8-12.
CORTELA, B. S. C. Formação inicial de professores de Física : fatores limitantes e possibilidades de avanços. 289f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência). Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2011.
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GATTI, B. A.; BARRETO, E. S. S. Professores do Brasil: impasses e desafios. Brasília: UNESCO, p. 239-248, 2009.
GAUTHIER, C. et al. Por uma teoria da pedagogia : pesquisas contemporâneas sobre o saber docente. Ijuí: UNIJUÍ, 1998. 480 p.
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