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REFERÊNCIAS UTILIZADAS POR LICENCIANDOS EM FÍSICA NO PLANEJAMENTO DE AULAS DE ESTÁGIO: FOCO EM MECÂNICA

Andréa Cristina Souza De Jesus, Roberto Nardi, Maria José P. M. De Almeida

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## REFERÊNCIAS UTILIZADAS POR LICENCIANDOS EM FÍSICA NO PLANEJAMENTO DE AULAS DE ESTÁGIO: FOCO EM MECÂNICA

Andréa Cristina Souza de Jesus , Maria José P. M. de Almeida , Roberto Nardi 1 2 3

1 Unesp, Faculdade de Ciências, campus de Bauru / Pós-Graduação em Educação Para a Ciência / andreacsj@fc.unesp.br Apoio: CAPES e CNPq

2 Unicamp / Faculdade de Educação / Departamento de Ensino e Práticas Culturais/ mjpma@unicamp.br

3 UNESP, Faculdade de Ciências, campus de Bauru, Departamento de Educação, nardi@fc.unesp.br

## Resumo

Tendo em vista a importância de discutir, na formação inicial, a elaboração de planos de ensino e a escolha de referências que lhes dê respaldo, o objetivo deste trabalho é analisar como licenciandos em física trabalharam com referências propostas no planejamento de uma aula de estágio. Para isso, focamos no caso de um plano de ensino que aborda tópicos de mecânica. O referencial teórico-metodológico é a Análise de Discurso, na vertente francesa iniciada por Michel Pêcheux; para a análise, utilizamos principalmente a noção de repetição. Os resultados apontam que o licenciando que elaborou o plano de ensino de mecânica intercalou momentos de descrição dos conteúdos das referências escolhidas e de como abordá-las em sala de aula, imprimindo sua interpretação sobre as referências escolhidas. Também cabe destacar a escolha de referências com discursos variados selecionados no plano de curso do estágio e a interferência dos saberes construídos na formação inicial nessa escolha.

Palavras-chave : referências, planejamento, ensino de física, estágio, análise de discurso.

## Introdução

Saber planejar atividades de ensino é uma necessidade formativa básica dos professores, para a qual não deve haver esquemas rígidos a serem seguidos; todavia, é necessário que haja um fio condutor que possa guiar essa prática (CARVALHO; GIL-PÉREZ, 1998). Ustra e Hernandes (2010) e Silva e Amaral (2013) relatam dificuldades enfrentadas por licenciandos de física e química, respectivamente, ao planejarem atividades didáticas. Os autores identificaram que os problemas enfrentados pelos futuros professores estão relacionados à articulação de conteúdos e estratégias didáticas na elaboração dos planejamentos, mas não fazem menção à relação entre as referências escolhidas pelos licenciandos e suas propostas.

- O plano de ensino é um instrumento que auxilia o processo de planejamento; trata-se de um roteiro organizado das unidades didáticas a serem desenvolvidas em determinado período letivo; seus componentes elementares são: justificativa, objetivos, conteúdos, desenvolvimento e referências (LIBÂNEO, 2013). No item referências são listadas, de forma padronizada, as fontes consultadas pelos docentes para o preparo de suas aulas e também aquelas que serão disponibilizadas e trabalhadas com os alunos. Consideramos importante saber quais referências são selecionadas por licenciandos ao planejarem unidades de ensino e

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23 a 27 de janeiro de 2017

as contribuições destas para a elaboração dos planos. Elas podem se constituir em indícios do que os licenciandos internalizaram ao longo da Licenciatura.

Nesse sentido, a questão que orienta esse estudo é: como licenciandos em física trabalham com referências propostas no planejamento de uma aula de estágio?

## Apoio Teórico-Metodológico

Utilizamos como apoio teórico-metodológico a Análise de Discurso (AD), fundamentada especialmente nos trabalhos de Eni Orlandi, ou seja, a AD iniciada na França por Michel Pêcheux. Em Orlandi (1999) o discurso é definido como efeito de sentidos entre locutores, tendo em vista que a ocorrência de um discurso não se trata apenas da transmissão linear de uma informação. Os sentidos possíveis estão vinculados às condições de produção do discurso na sociedade, pois, na perspectiva da AD, a linguagem é constituída através de processos sócio-históricos atravessados por conflitos e confrontos ideológicos.

As condições de produção do discurso compreendem o sujeito e a situação; esta pode ser considerada em um sentido estrito, ou seja, as circunstâncias da enunciação, e no sentido amplo, que inclui o contexto sócio-histórico, ideológico (ORLANDI, 1999).

Ao produzir um discurso, o sujeito se inscreve nele e essa inscrição pode ocorrer através da noção de repetição, que apresenta três modos distintos. De acordo com Orlandi (1996, p. 70), esses três modos seriam:

a) repetição empírica: exercício mnemônico que não historiciza - o sujeito repete o mesmo. b) repetição formal: técnica de produzir frases, exercício gramatical que também não historiciza - o sujeito repete com outras palavras. c) repetição histórica: a que inscreve o dizer no repetível enquanto memória constitutiva, saber discursivo, em uma palavra: interdiscurso o sujeito inscreve o dizer em seu saber discursivo, permitindo-lhe mais que repetir, mas ao fazê-lo, produzir deslizamentos, possibilidades de outros dizeres.

Para a autora, é possível transitar entre esses três modos de repetição; e, a seu ver, é nesse movimento que se constitui a aprendizagem. No caso deste trabalho, utilizamos a noção de repetição e do movimento entre os seus modos para interpretar os sentidos que os licenciandos em física atribuem às referências selecionadas para o planejamento de aulas no contexto do estágio supervisionado.

## Condições de Produção

Os dados apresentados neste trabalho foram constituídos no contexto de uma disciplina de estágio supervisionado, oferecida em um curso de Licenciatura em Física de uma universidade pública, no interior do Estado de São Paulo. A primeira autora deste trabalho acompanhou o andamento da disciplina, ao longo do semestre letivo, de maneira distanciada, ou seja, evitando interferir na dinâmica das atividades desenvolvidas pelo professor formador (doravante PF) junto aos 11 licenciandos matriculados na disciplina.

- A disciplina denominada 'Estágio Supervisionado III: projetos interdisciplinares de ensino de ciências e física' é oferecida no primeiro semestre do último ano de licenciatura. Sua ementa previa tanto a ida dos graduandos às escolas

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de educação básica, para realizarem as devidas observações e análises, quanto a elaboração de planos de ensino que pudessem ser desenvolvidos no estágio de regência, que seria realizado no semestre seguinte.

Para a elaboração dos planos, PF entregou um modelo composto das seguintes seções: identificação, introdução ou justificativa, objetivos, conteúdo programático, metodologia e recursos de ensino, desenvolvimento, cronograma, critérios de avaliação e referências. Na aula marcada para a entrega dos planos, PF sugeriu a seguinte atividade para os licenciandos: que eles explicitassem como tomaram conhecimento das referências citadas nos planos e de que forma eles entendiam que elas contribuíram para o desenvolvimento destes. Nas aulas seguintes, os sujeitos apresentaram, para os colegas e ao PF, os planos elaborados ao longo do semestre. Com o consentimento dos licenciandos, as apresentações foram gravadas em áudio.

Assim, as informações analisadas neste trabalho são os planos de ensino que foram entregues por escrito e as transcrições obtidas através das apresentações desses planos, especificamente os momentos em que os licenciandos mencionam as referências utilizadas. Nesta comunicação, será analisado somente um caso, o plano de ensino de tópicos de mecânica.

## Análise do Plano de Mecânica

- O plano de ensino de mecânica, elaborado por Lázaro , possuía sete 1 páginas e seguiu o modelo proposto por PF. Foram citadas oito referências com diferentes tipos de discurso, a disposição delas na lista de referências não seguiu ordem alfabética ou de disposição no texto, mas é possível notar uma tentativa de escreve-las conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a elaboração de referências. Nesse sentido, cabe observar que, naquele mesmo semestre letivo, esses mesmos licenciandos estavam cursando a disciplina denominada 'Introdução à Pesquisa em Ensino de Ciências' e que eles participaram de uma oficina sobre as normas ABNT de notação de citações e referências.

Segue a descrição e a análise da cada uma delas. Contudo, aquelas que faziam parte de uma mesma fonte foram agrupadas no mesmo item.

## Referência 1

Um texto elaborado na própria universidade, intitulado 'A História e a Filosofia da ciência subsidiando a construção de atividades para o ensino de física em nível médio'.

Trata-se de um material que reúne produções dos participantes de um projeto de pesquisa. Cada módulo é composto por síntese de pesquisas sobre concepções alternativas e mudança conceitual, uma síntese histórica e um conjunto de atividades a serem realizadas em sala de aula.

Lázaro afirmou que tomou conhecimento dessa referência no próprio âmbito da disciplina de Estágio III, através de sugestão dada pelo PF para o desenvolvimento de uma determinada atividade da disciplina. Essa atividade referia-

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se ao preparo de um questionário para o levantamento de concepções alternativas, que deveria ser elaborado pelos licenciandos e aplicado nas classes que eles estavam acompanhando em Estágio III. Os resultados desses questionários poderiam contribuir para a elaboração do plano de ensino do estágio de regência, que seria desenvolvido no semestre seguinte. De qualquer forma, tanto a utilização dessa referência quanto o uso dos resultados do levantamento de concepções alternativas foram uma 'sugestão' dada por PF em determinado momento do curso e que não foi retomada posteriormente, ou seja, não havia a obrigatoriedade de considerá-la. Mesmo assim, a orientação dada por PF revelou-se presente na memória discursiva de Lázaro, que inscreveu um discurso já-dito em seu próprio dizer.

- [...] aquele encadernado que o professor passou pra gente sobre concepções espontâneas, foi o que eu usei pra pegar lá nos alunos, as concepções espontâneas de Estágio III. São poucas, mas acho que dá pra ter uma ideia de algumas coisas que podem surgir, então pretendo ali dar uma estudada nelas e ver se... se alguma coisa que surgiu ali naquela escola que eu fiz, pode vir a surgir de novo, então estar preparado pra isso.

Quanto ao tipo de discurso dessa referência: por ser uma produção feita por professores da educação básica junto a docentes do ensino superior e pesquisadores da área de ensino, o texto apresenta um equilíbrio entre o discurso de pesquisas de ensino de física, constando referências e citações da área, e um discurso característico dos manuais didáticos voltados para professores, com direcionamento das atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula.

## Referência 2

Um site elaborado na própria universidade envolvendo experimentos de física para o ensino médio e fundamental com materiais do dia a dia.

Nesse item, podem ser incluídas três referências citadas por Lázaro, pois são dois roteiros de experimentos retirados da mesma fonte e o link da página inicial do site.

O site apresenta uma lista de experimentos de física que podem ser construídos com materiais do dia a dia, limita-se a explicar quais os conceitos de física que estão envolvidos em cada experimento, como montá-los e quais os materiais a serem utilizados; não há propostas ou análises de como esse material pode ser abordado em sala de aula. Nesse sentido, o tipo de discurso assemelha-se a roteiros típicos de laboratórios didáticos tradicionais, de caráter estruturado, com uso de manuais/roteiros que encaminham os alunos ao objetivo desejado (ANDRADE, 2010). O site foi elaborado em 1997 e parece que não vem sendo atualizado nos últimos anos. Em sua elaboração, houve a participação de professores do ensino médio, licenciandos em física e docentes do ensino superior, que também são pesquisadores na área da Física, sendo que um deles foi o responsável por coordenar esse grupo de trabalho e é o atual responsável pelo endereço eletrônico. Não há referências a produções em ensino de física ou de qualquer outra espécie, de acordo com o site, alguns experimentos foram criados pela própria equipe e outros podem ser considerados como sendo de domínio público.

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Lázaro tomou conhecimento dessa referência devido ao fato dele constar no próprio site da faculdade que aloca o curso de licenciatura em física. Os experimentos que ele selecionou foram os chamados 'Disco Flutuante', que versa sobre a influência do atrito no movimento, e a 'Lixa', que visa demonstrar a influência do tipo de superfície no atrito. Com o roteiro do experimento exposto no projetor, Lázaro vai, em um primeiro momento, descrevendo o experimento com suas palavras, de modo que podemos afirmar que houve repetição formal.

Nesse a gente tem uma superfície... acho que a primeira superfície é só papel e a gente monta um mecanismo ali que a gente tem um apagador, um elástico, ele tá preso numa... numa tarraxa, alguma coisa, e você puxa e distende esse elástico, e depois você faz o mesmo procedimento com uma superfície com lixa .

Todavia, em um segundo momento, ele inscreve o texto do site em suas condições de produção, interpretando a forma como aqueles experimentos podem ser trabalhados em sala de aula, produzindo aí a repetição histórica.

[...] realizar um experimento ali com eles, medir uma grandeza ou duas ali tal e chegar em alguma coisa a partir do experimento que a gente fez ali juntos, deduzir alguma coisa a partir daquele experimento, pra que eles realmente participem desse processo.

A preocupação em realizar esses experimentos com eles , juntos , de forma que os estudantes participem do processo ; já fornece indícios da interpretação que Lázaro deu ao ler o roteiro desses experimentos e de sua concepção de ensino.

## Referência 3

KILLNER, G. I. Física nas pistas de Fórmula 1 . Disponível em: http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/fisica-nas-pistas-de-formula-1 Acesso em ago. 2016.

Neste site, são disponibilizados roteiros de aulas de disciplinas escolares para diferentes níveis de ensino. O link selecionado por Lázaro, encontrado através de sites de busca, versa sobre a análise do deslocamento vetorial de um piloto em uma pista de Fórmula 1, abordando conteúdos como movimento, deslocamento vetorial, aceleração, desaceleração e atrito. O discurso desse material se assemelha bastante com a referência anterior, típico de manuais produzidos sob uma perspectiva da racionalidade técnica, em que a função do professor é aplicar e transmitir, com eficiência, os saberes elaborados por outros grupos (CONTRERAS, 2002). É possível observar a constância do modo verbal imperativo: ' Inicie a aula perguntando...'; ' Divida os alunos em grupos...'; ' Aguarde os grupos terminarem e confira os resultados'. O texto faz referência somente a uma reportagem da revista Veja, como um material a ser lido pelos alunos.

Lázaro não faz menção a essa referência na apresentação oral de seu plano. Na versão escrita do plano, contudo, apareceu o seguinte trecho na seção 'Conteúdo Programático': 2) Relações CTSA: Física nos esportes: Futebol e fórmula 1 . Esse pequeno tópico revela algumas evidências. A primeira delas é que Lázaro tem interesse em aproximar os conceitos de física de situações presentes no cotidiano dos alunos como é o caso dos esportes, tomando como exemplos o futebol e a fórmula 1; e para o caso deste último é que seria considerada a referência em questão. A segunda evidência é a relação que Lázaro estabelece entre a física do

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cotidiano e as relações CTSA; para Kato e Kawasaki (2011) o trabalho com as relações CTS e com o cotidiano dos alunos são formas diferentes, mas não contraditórias, de promover a contextualização do ensino. Lembrando que a Referência 3 não fez nenhuma menção às relações CTS, trata-se de uma interpretação dada pelo licenciando, por isso a entendemos como repetição histórica.

## Referência 4

SILVEIRA, F. L. Um interessante e educativo problema de cinemática elementar aplicada ao trânsito de veículos automotores - a diferença entre 60 km/h e 65 km/h. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v.28, n.2: p. 468-475, 2011.

Trata-se de um artigo acadêmico, publicado em um periódico de Ensino de Física, cujo autor é pesquisador na área, que relata uma proposta didática em torno de um problema de cinemática, mas não traz nenhuma referência de pesquisas em ensino.

- O licenciando afirmou que conheceu este artigo através de um catálogo oferecido para consulta, na disciplina de 'Introdução à Pesquisa em Ensino de Ciências'. Ao mencionar a referência em sua apresentação, Lázaro descreve o artigo e, em relação à sua utilização em sala de aula, afirma que 'é uma situação diferente é um problema rico que você não fica só naqueles probleminhas de sempre', que entendemos ser uma repetição formal já que na referência em questão é dito que o problema proposto se mostra 'conceitualmente rico, evitando os problemas maçantes e de mera aplicação de fórmulas'.

## Referência 5

Oliveira, A. Imponderável futebol clube. Revista Ciência Hoje. 2014. Disponível em http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/2738/n/imponderavel\_futebol\_clube Acesso em ago. 2016.

\_\_\_\_\_\_. A ciência pode explicar até o futebol? Revista Ciência Hoje. 2006. Disponível em: http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/2834/n/a\_ciencia\_pode\_explicar\_ate\_o\_f utebol Acesso em ago. 2016.

As referências acima configuram-se em textos de divulgação científica, publicadas na Revista Ciência Hoje. De acordo com o site, o autor dos textos é físico e professor de uma universidade pública, e assina a coluna 'Física sem mistério', desde 2006, apresentando temas ligados à física e astronomia 'de forma descomplicada'. Os textos selecionados por Lázaro, encontrados através de sites de busca, visam estabelecer algumas relações entre conteúdos de ciências/física e o futebol, revelando mais uma vez o interesse do licenciando em evidenciar conceitos de física presentes no dia a dia, especialmente para a situação escolhida por ele que é o futebol. Também cabe lembrar que os textos não trazem citações de outras fontes.

Lázaro inicia descrevendo o primeiro texto, 'Imponderável futebol clube'; nesse momento, não há deslocamento de sentido e entendemos que houve repetição formal. No entanto, ao pensar sobre o funcionamento desse texto em sala de aula, há indícios de novas interpretações. Por exemplo, segundo o licenciando, após a leitura do texto pelos alunos, ele 'explicaria... tentaria falar o porquê que eles

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trabalham com situações abstraídas e idealizadas'. A referência em questão apesar de mencionar a complexidade dos problemas físicos e a necessidade de efetuar aproximações e simplificações, não explica o porquê de isso ocorrer; contudo Lázaro levantou essa preocupação logo após o relato do texto, por isso entendemos que, para este caso, houve repetição histórica e a produção de novo sentido.

Quanto à leitura do segundo texto, 'A ciência pode explicar até o futebol?', Lázaro se propõe, basicamente, a descrever seu conteúdo:

Ele fala que, muitas vezes, em um jogo de futebol você está com uma série de variáveis complexas ali, que você pode desde fazer um modelo que te explica a trajetória da bola ou você pode fazer uma coisa mais determinística mesmo, que você leva em consideração a pressão do local, que você leva em consideração o campo, a rotação da bola.

Esse texto traz mais elementos das ciências/física que o primeiro, que é mais contextual; fator que pode ter contribuído para que o licenciando tenha ficado mais atento em narrar seu conteúdo, procedendo assim a repetição formal.

## Algumas Considerações

A análise dos dados nos permite afirmar que, no caso do plano de mecânica, elaborado por Lázaro, não houve repetição empírica; prevalecendo as repetições formais e históricas. As repetições formais ocorreram nos casos em que o licenciando descreveu as referências que foram utilizadas; já a repetição histórica ficou evidente nos momentos em que Lázaro refletiu em torno do funcionamento desses textos na sala de aula. Mesmo para o caso dos textos que apresentaram discursos autoritários, como os roteiros dos experimentos e da aula de fórmula 1, o licenciando conseguiu produzir novos sentidos.

São muitas as possibilidades do que teria levado o estudante a ler e apresentar as referências que selecionou e a produzir repetições históricas, tais como: o que em seu imaginário seria aquilo que se esperava dele na disciplina; o imaginar-se posteriormente como professor; já ter tido anteriormente acesso a um plano semelhante; entre muitas outras possibilidades. Entretanto, consideramos relevante que ele tenha conseguido realizar o percurso apresentado.

Cabe também destacar a diversidade de discursos selecionados no plano de curso do estágio: material elaborado por professores e pesquisadores de ensino de física, roteiros de experimentos, roteiro de aula, uma proposta didática e textos de divulgação científica.

- O material de história e filosofia da ciência e a proposta didática, foram obtidas diretamente nas disciplinas cursadas por Lázaro; o contexto dessas disciplinas faz parte de condições imediatas do discurso, já que elas ocorreram no mesmo semestre de elaboração do plano de ensino. Contudo, é possível afirmar que as escolhas das outras referências (roteiros de experimentação, roteiro de uma aula envolvendo física do cotidiano, textos de divulgação científica) também são frutos dos saberes construídos na formação inicial: a inserção de atividades experimentais em sala de aula, a busca de relações entre os conteúdos e o dia a dia dos alunos e o trabalho com leitura de textos de divulgação científica.

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## Referências

ANDRADE, J. A. N. Contribuições formativas do laboratório didático de Física sob o enfoque das racionalidades . 2010. 146 f. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência) Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2010.

CARVALHO, A. M. P.; GIL-PÉREZ, D.; Formação de Professores de Ciências : tendências e inovações. 3 ed. São Paulo: Cortez, 1998.

CONTRERAS, J. A autonomia de professores. São Paulo: Cortez, 2002.

KATO, D. S.; KAWASAKI, C. S. As concepções de contextualização do ensino em documentos curriculares oficiais e de professores de ciências. Ciência & Educação , v.17, n.1, p. 35-50, 2011.

LIBÂNEO, J. C. Didática. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2013.

ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 4. ed., Campinas: Pontes Editores, 1999.

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Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 2 ed. Petrópolis:

Vozes, 1996

SILVA, B.H.; AMARAL, E. M. R. Perspectiva CTS na Formação Inicial de Professores de Química: uma análise do planejamento para a ação docente. In: IX Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, ENPEC, 2013, Atas... Águas de Lindóia, 2013.

USTRA, S. R. V.; HERNANDES, C. L. Enfrentamento de problemas conceituais e de planejamento ao final da formação inicial. Ciência & Educação , v.16, n.3, p. 723-733, 2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.