Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

CONTRIBUIÇÕES DE UMA PRÁTICA PLURALISTA NA DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM FÍSICA

Ricardo Francisco Pereira, Polônial Altoé Fusinato, Dulcinéia Ester Pagani Gianotto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017

Texto completo

## CONTRIBUIÇÕES DE UMA PRÁTICA PLURALISTA NA DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM FÍSICA

## Ricardo Francisco Pereira , Polônia Altoé Fusinato e Dulcinéia Ester 1 2 Pagani Gianoto 3

- 1 Universidade Estadual de Maringá/Departamento de Física/ricardoastronomo@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Maringá /Pós-Graduação em Educação para a Ciência/ altoepoly@gmail.com

## Resumo

O objetivo do presente artigo é apresentar o resultado de uma pesquisa sobre as contribuições de algumas atividades planejadas a partir de uma proposta pluralista para a formação de professores de Física. Essas atividades foram aplicadas na disciplina Estágio Supervisionado em Física II, da Universidade Estadual de Maringá, no ano de 2012 e visaram à formação de um professor de Física com um perfil dinâmico, interativo, participativo e reflexivo. As atividades propostas neste trabalho são: Mapas Conceituais, a Física do Cotidiano, Produção de experimentos e textos de apoio, Jogos para o ensino de Física e de Astronomia e Edição e produção de Vídeos. As análises e reflexões dos resultados mostraram que os licenciandos evoluíram na direção do perfil de professor que queremos formar. Verificou-se uma evolução gradativa dos licenciandos e um amadurecimento de um futuro professor de Física ao assumirem uma postura mais participativa, reflexiva e interativa durante as atividades desenvolvidas. Tiveram contato e aprenderam a utilizar variados recursos e metodologias de ensino buscando compreender que a formação inicial não é o estágio final da formação de um professor, mas somente o início e que é necessária uma busca permanente do aperfeiçoamento profissional. As atividades propostas alcançaram resultados que mostraram uma significativa contribuição como recurso de ensino na formação de um professor reflexivo, dinâmico e interativo. Podemos então afirmar que nossa proposta é viável e que é possível promover uma formação inicial com princípios mais adequados às qualidades exigidas atualmente para os professores de Física.

Palavras-chave : Pluralismo Metodológico, Formação Inicial de professores, Estágio Supervisionado em Física, Ensino de Física.

## Introdução

Na literatura da área de ensino de Física e formação de professores, muitas pesquisas apresentam dificuldades enfrentadas por professores de Física em seu campo de trabalho, destacando a desarticulação entre as disciplinas, entre a teoria e prática, refletindo-se seriamente na construção do perfil do futuro professor.

Acreditamos que uma parte importante do problema reside tanto nas disciplinas específicas de Física, como nas de Estágio Supervisionado ou equivalentes. Essas disciplinas trabalham a caracterização do ensino de Física voltada diretamente para a sala de aula e também a caracterização do professor.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Entendemos que há uma necessidade de intervenção na formação inicial, não somente no aspecto pedagógico, mas também em relação às atitudes dos licenciandos para com a profissão. Precisamos de um novo perfil de professor que atue na sala de aula e consiga interagir e gerar interesse e participação dos alunos no conteúdo abordado. Dessa forma, utilizamos nosso cotidiano e a experiência adquirida com o objetivo de formar um professor com um perfil dinâmico e interativo. Para alcançar esse objetivo, propomos uma formação docente que incorpore uma prática pluralista na qual as atividades da disciplina de Estágio Supervisionado em Física foram planejadas buscando alcançar esse perfil de professor que desejamos. Os alunos foram estimulados a produzir e usar diversos recursos de ensino na sala de aula, sempre refletindo sobre suas atuações e os resultados de suas práticas.

Este trabalho é o resultado de uma pesquisa realizada para a obtenção do título de doutorado (Pereira, 2013), com licenciandos da disciplina Estágio Supervisionado em Física II, do curso de Licenciatura em Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM) no ano de 2012.

## Fundamentação teórica

Há várias pesquisas indicando problemas nas disciplinas pedagógicas dos cursos de Licenciatura em Física, os quais acabam por propiciar uma formação inicial pouco efetiva (Camargo e Nardi, 2006; Araújo, 2009; Barcellos e Kawamura, 2009; Leodoro e Tedeschi, 2009; Ramos e Benetti, 2009; Camargo et al., 2012). Isso é importante porque a principal consequência é a 'pequena (ou nenhuma) utilização de propostas de ensino veiculadas nesse tipo de disciplina pelos professores iniciantes, quando ingressam efetivamente em seu trabalho docente (Abib, 2002, p.189)'. Para a autora, grande parte desse problema pode ser atribuída à inadequação dos programas de formação de professores, pois nesses há um

(...) enorme distanciamento entre o que é proposto pelos 'especialistas' e o que efetivamente é viável para os professores, dadas as suas condições efetivas de conhecimentos, habilidades e aos contextos escolares nos quais atuam. Um dos aspectos desse distanciamento reside no pressuposto dos programas tradicionais de formação de professores que se voltariam para a formação mais de técnicos do que de educadores, implícita na relação subjacente à maneira usual de ensino dos futuros professores, que se caracteriza pelos que produzem os conhecimentos sobre o ensino e os que aplicam (ou poderiam aplicar) nas escolas (Abib, 2002, p.189-190).

O professor em formação precisa entender que a docência é um processo dinâmico, vivencial e muito mais complexo do que um simples treinamento para a docência. A formação inicial é o ponto de partida, mas o final do curso não é o término da formação. A maior parte da experiência adquirida pelo professor vem da vivência da atuação em sala de aula.

Complementando Abib (1996), Camargo e Nardi (2006), indicam algumas consequências para o profissional mal formado:

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

- a) reproduz a desarticulação, as práticas vivenciadas e os valores predominantes em sua formação (Cunha, 1989; Pagotto, 1989; Carvalho e Gil, 1993);
- b) apresenta uma prática em sala de aula centrada em mecanismos de transmissão/recepção/fixação de um conteúdo 'pronto' pretensamente neutro, verdadeiro e desvinculado das necessidades da formação de um cidadão crítico e participante de seu meio (Demo, 1992; Tancredi, 1995; Lima e Outros, 1995);
- c) apresenta uma postura de desesperança e resistência (Franchi, 1995);
- d) apresenta uma postura muito pouco crítica em relação às características e à importância de seu papel político (Almeida, 1986; Menezes, 1987; Fernandes, 1987);
- e) veicula um ensino caracterizado predominantemente por uma abordagem tradicional definida pela função de transmissão pelo professor de um conteúdo que se constitui o próprio fim da existência escolar (Mizukami, 1983, 1986) (Camargo e Nardi, 2006, p.5).

Essas consequências acabam marcando a vida profissional do professor e, mais ainda, refletindo-se na visão que os alunos do Ensino Médio acabam tendo sobre a Física.

Uma formação mais coerente com as necessidades atuais precisa favorecer uma atuação crítica, reflexiva e a socialização do conhecimento. Segundo os PCN,

- (...) além de uma formação inicial consistente, é preciso considerar um investimento educativo contínuo e sistemático para que o professor se desenvolva como profissional de educação. O conteúdo e a metodologia para essa formação precisam ser revistos para que haja possibilidade de melhoria do ensino. A formação não pode ser tratada como um acúmulo de cursos e técnicas, mas sim como um processo reflexivo e crítico sobre a prática educativa. Investir no desenvolvimento profissional dos professores é também intervir em suas reais condições de trabalho (BRASIL, p. 25, 1997).

Corroborando os PCNs, Libâneo (2011) também indica essa mudança no perfil dos professores ainda nas universidades:

- (...) novas exigências educacionais pedem às universidades um novo professor capaz de ajustar sua didática às novas realidades da sociedade, do conhecimento, do aluno, dos meios de comunicação. O novo professor precisaria, no mínimo, de adquirir sólida cultura geral, capacidade de aprender a aprender, competência para saber agir na sala de aula, habilidades comunicativas, domínio da linguagem informal e dos meios de informação, habilidade de articular as aulas com as mídias e as multimídias (p.29-30).
- O professor precisa conhecer e saber usar também várias metodologias e recursos de ensino (experimentos, tecnologia, vídeos, simulações, animações, jogos, textos, tirinhas, sites, fotografias etc.), diversificando suas aulas e o modo de ensinar. Com isso, ele maximiza as chances de uma aprendizagem efetiva para o

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

grande número de alunos em sala de aula. O contato com essas metodologias e com esses recursos de ensino deve acontecer ainda na formação inicial. Essa é a ideia básica da proposta do Pluralismo Metodológico, que nasce a partir da crítica ao uso de uma só metodologia em sala de aula. Essa prática 'mono-metodológica' é criticada porque dificilmente consegue alcançar todos os alunos em sala de aula. Nesse ambiente, cada um com sua experiência única de vida e também forma única de agir e pensar torna o ensino-aprendizagem extremamente complexo. O objetivo essencial da proposta

(...) não é o de substituir um conjunto de regras por outro conjunto do mesmo tipo, mas argumentar no sentido de que todos os modelos e metodologias, inclusive as mais óbvias, têm vantagens e restrições. A inspiração da abordagem pode ser atribuída diretamente às ideias do pensador Feyerabend (1989). Da mesma forma que esse autor defende uma metodologia pluralista para o desenvolvimento científico, denominada de anarquismo epistemológico, paralelamente imaginamos que, em virtude da complexidade das variáveis envolvidas numa sala de aula, o mecanismo de ensino-aprendizagem é capaz de ser convenientemente equacionado quando uma prática instrucional pluralista estiver em jogo (Laburu, Arruda e Nardi, 2003, p.251).

Essa proposta pluralista é a que melhor se enquadra no perfil de metodologia voltada especificamente para a formação pedagógica, na qual transpomos para a formação do professor de Física, que pretendemos alcançar.

A sala de aula é um ambiente dinâmico e mutável, tornando o processo de ensino-aprendizagem altamente complexo e impondo aos professores a necessidade de conhecer e saber utilizar várias metodologias e recursos de ensino que possibilitem alcançar a maior quantidade possível de alunos na sala de aula. Para os autores, '(...) quanto mais variado e rico for o meio intelectual, metodológico ou didático fornecido pelo professor, maiores condições ele terá de desenvolver uma aprendizagem significativa da maioria de seus alunos' (Laburu, Arruda e Nardi, 2003, p.258).

## Atividades propostas

A dinâmica das atividades seguiu sempre o mesmo princípio: inicialmente uma abordagem teórico-metodológica sobre o assunto, seguida de um momento para discussão inicial do tema. Na sequência, a proposta da atividade para que os licenciandos desenvolvessem suas produções e posteriormente apresentassem em sala de aula. Para finalizar, um debate sobre as apresentações, os materiais produzidos e as possíveis formas de utilizá-los em sala de aula. Sempre que uma correção no material produzido fosse necessária, um novo prazo era indicado para a entrega do material corrigido.

A seguir, detalhes de como foram desenvolvidas cada uma das atividades propostas.

Na atividade com Mapas Conceituais , abordamos a metodologia da Aprendizagem significativa e da técnica de elaboração de mapas conceituais A partir

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

disso, os licenciandos elaboraram um mapa conceitual sobre o tema Energia e posteriormente realizamos uma análise coletiva dos mapas conceituais, discutindo não só o assunto trabalhado neles, mas também o próprio recurso em si.

Em relação à atividade da Física do Cotidiano , buscou-se desenvolver a habilidade escrita, a linguagem científica e sua transposição com os alunos produzindo textos relacionando a Física com o cotidiano das pessoas. Os títulos dos textos devem ser perguntas e o texto em si é a resposta. Os textos precisam ser curtos e com linguagem leiga, mas sem perder a essência científica. Cada aluno produziu 5 textos que foram lidos e discutidos em sala de aula. Quando necessário, os textos precisaram ser corrigidos/alterados.

Na atividade de Produção de experimentos e de textos , depois de uma exposição teórica e discussão sobre produção de experimentos, os benefícios e as dificuldades de se trabalhar com experimentação nas escolas, os licenciandos foram orientados a produzirem dois experimentos cada um e, para cada experimento, escreverem um texto de orientação e de apoio, a partir de um modelo prédeterminado. Após um tempo dedicado à construção dos experimentos e à produção dos textos, cada aluno apresentou suas produções em sala de aula, sendo ambos analisados e avaliados pelo docente e também pelos colegas.

A atividade de Jogos no ensino de Física e Astronomia , iniciamos com uma abordagem da questão do lúdico, da produção e da utilização de jogos no ensino de Física e de Astronomia. Para entender a dinâmica de um jogo educativo, foram disponibilizados para os licenciandos alguns jogos de Física e de Astronomia para serem jogados. Após os jogos, discutiu-se o potencial deles como recurso de ensino. A proposta foi que os licenciandos, separados em grupos, elaborassem um jogo didático que envolvesse conteúdos de Física e/ou Astronomia. Esses jogos posteriormente foram jogados e analisados em sala de aula.

Para a atividade de Edição e produção de vídeos , iniciamos com algumas leituras e discussões de artigos e trabalhos na área de Física e/ou Astronomia que envolvem uso de materiais audiovisuais. Em seguida, foram assistidos vários vídeos e discutido o seu potencial para utilização em sala de aula.

Para ensinar os alunos a editarem e produzirem seus próprios vídeos, utilizamos o software gratuito Movie Maker (programa incluso no pacote de programas do Windows Live, que é gratuito). Um vídeo tutorial e um tutorial escrito foram elaborados para que os licenciandos aprendessem a utilizar o software. Isso facilitou o acesso aos tutoriais, que eles podem assistir e/ou ler em casa e a qualquer momento. A proposta foi a produção de um vídeo didático voltado para a Física ou Astronomia, que posteriormente foram apresentados e discutidos em sala de aula.

## Resultados e discussão

Sobre a atividade de Mapas Conceituais , apesar das desconfianças e das dificuldades iniciais relativas à elaboração do mapa conceitual, que nenhum licenciando tinha feito antes, todos gostaram da atividade. Ao terem contato com essa metodologia de ensino, eles passaram a enxergá-la como um recurso que realmente pode ser utilizado na sala de aula e de diversas formas. Foi marcante a

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

construção do mapa conceitual coletivo, não só pelo resultado final, de um mapa conceitual muito mais completo, mas pelo fato de notarem que cada pessoa pensa de forma diferente e que a vivência de cada um influencia o modo de relacionar os conceitos.

Um dos pontos positivos dessa atividade foi os licenciandos perceberem que, a partir daquele momento, precisavam começar a pensar e agir não só como graduandos, mas também como futuros professores, e isso eles fizeram por meio da reflexão.

Na atividade da Física do Cotidiano , a espectativa era que os licenciandos percebessem a deficiência que possuem com relação à escrita e a linguagem utilizada por eles e se conscientizassem a respeito da necessidade de que precisavam melhorar. Também era importante a questão da criatividade na escolha dos temas trabalhados. Dentre todas as atividades propostas por esta pesquisa, consideramos que essa atividade da Física do Cotidiano foi a que mais contribuiu com a evolução das habilidades básicas de um professor. De modo geral, todas as outras atividades remetem a metodologias ou a recursos de ensino que eles terão condições de utilizar quando estiverem atuando em sala de aula, mas as características que começaram a ser desenvolvidades a partir dessa atividade os ajudarão a desempenhar um melhor ensino em sentido geral. Foi a atividade que os licenciandos mais gostaram de realizar porque é completamente diferente de tudo o que já fizeram.

De todas as atividades propostas, a atividade da produção de experimento e textos foi a que criou um choque de realidade nos licenciandos. Experimentos de Física é o recurso de ensino mais citado, mais comentado e um dos mais utilizados por professores da área e, muitas vezes, seu potencial é supervalorizado. Eles passaram a reconhecer os benefícios e malefícios do uso da experimentação. Não basta simplesmente fazer e levar um experimento para a sala de aula, é preciso ter um planejamento do que fazer, do como fazer e com qual objetivo.

Na atividade, propusemos a produção do texto junto com o experimento exatamente para dar subsídios aos licenciandos para que pudessem compreender que, ao trabalhar com experimentos de Física, é preciso criar um ambiente em que se possa explorar ao máximo o potencial dos experimentos como recurso e também compreender e trabalhar com os riscos. Essa foi uma atividade que ofereceu aos licenciandos a oportunidade de compreenderem o potencial desse tipo de recurso. Diante disso, consideramos positivos os resultados obtidos nessa atividade e um dos pontos mais importantes que conseguimos alcançar foi o fato de os alunos perceberem a capacidade e a motivação para produzirem seus próprios recursos para serem utilizados nas aulas de Física, aumentando a inter-relação entre os pares. Isso foi benéfico para o desenvolvimento deles como professores reflexivos e interativos.

Para a atividade de Jogos para o Ensino de Física e de Astronomia , o diferencial da atividade foi a atividade depender da capacidade criativa dos licenciandos. Isso naturalmente elevou o nível de dificuldade da atividade, porque normalmente e infelizmente, a criatividade não é desenvolvida nas escolas e nas universidades. Apesar dos jogos elaborados pelos acadêmicos conterem muitos erros e problemas, eles têm potencial para serem utilizados como recurso no ensino de Física se forem aprimorados.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Os licenciandos demonstraram surpresa ao reconhecerem que é possível aprender e ensinar Física e/ou Astronomia por meio de jogos. Esse reconhecimento fez com que eles refletissem que é possível utilizar vários recursos diferentes e que podem ser adaptados ao seu estilo pessoal ou às suas necessidades. Observaram ainda que vários recursos, vários materiais e várias metodologias podem também ser utilizados para diversos fins didáticos. Diante disso, consideramos a atividade e os resultados obtidos positivos.

Na atividade de Edição e produção de vídeos , os licenciandos perceberam que a produção de vídeos oferece muitas possibilidades para a criação de material didático sobre conceito físico ou relação da Física com o cotidiano das pessoas e, que esse tipo de recurso pode facilitar a aprendizagem na sala de aula. Também compreenderam que os professores podem e devem construir, gradativamente, um grande repertório de material audiovisual.

## Conclusão

De todos os fatores possíveis de influir no processo de transformação da prática do professor, ele próprio é fator essencial nesse processo. Dar essa dimensão aos futuros professores é um dos pontos mais importantes no que consideramos uma boa formação inicial.

Este trabalho sugere que a nossa proposta pode vir a contribuir na formação dos futuros professores de Física. Percebemos que os licenciandos participantes da pesquisa concluíram a disciplina mais preparados profissionalmente para continuarem em sua formação, com um desempenho melhor que o inicialmente demonstrado ao iniciar o ano letivo de 2012 na disciplina de Estágio Supervisionado em Física I. Analisando os resultados e sob o olhar do professor/pesquisados, é possível afirmar que eles terminaram o ano letivo apresentando-se e interagindo melhor, demonstrando níveis mais profundos de reflexão sobre o que foi produzido nas atividades, demonstrando mais facilidade para participar de debates e também exibindo criatividade e entendimento sobre os conceitos físicos estudados.

- O problema da formação inicial é muito mais complexo e envolve várias outras disciplinas e variáveis que não foram analisadas por esta pesquisa, mas mostramos que é possível realizar um trabalho em que se desenvolve (ou pelo menos iniciamos o desenvolvimento) muitas características e habilidades que hoje são cobradas dos professores, mas que não são trabalhadas na maioria dos cursos de Licenciatura em Física.

Esse tipo de mudança na formação que propomos não é somente na estrutura das disciplinas nos cursos de formação inicial, também é preciso uma mudança de atitude dos docentes que as ministram, incentivando a participação, a reflexão, a postura crítica e a criatividade, na tentativa de resgatar essas qualidades e características há tempo perdidos durante a formação. Esperamos que este trabalho possa servir de inspiração para docentes e pesquisadores e que novas propostas de atividades possam ser desenvolvidas para as disciplinas de Estágio Supervisionado em Física e até mesmo para outros cursos, já que os princípios das atividades propostas podem ser utilizados em outras áreas.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Referências bibliográficas

ABIB, M. L. dos S. Em busca de uma nova formação de professores . Ciência e Educação, Bauru, v. 3, p. 6072, 1996. In: CAMARGO, S.; NARDI, R. O discurso oficial, o discurso dos formadores e a demanda de licenciandos e professores em exercício na reestruturação de um projeto político-pedagógico para formação de professores de Física. X Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2006, Londrina, Paraná, v. 1.

ABIB, M. L. dos S. A contribuição da prática de ensino na formação inicial de professores de Física . In: ROSA, D. E. G.; SOUZA, V. C. de. (orgs). Didática e práticas de ensino: interfaces com diferentes saberes e lugares formativos. Editora DP&A, Rio de Janeiro, 2002.

ARAÚJO, R. S. O conhecimento pedagógico do conteúdo na disciplina de metodologia para o ensino de Física: relato de experiência . XVIII Simpósio Nacional de ensino de Física. Vitória, Espírito Santo, 2009.

BARCELLOS, M.; KAWAMURA, M. R. D. Licenciatura em Física: As novas tendências e a pesquisa em ensino . VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Florianópolis, Santa Catarina, 2009.

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais . Brasília: Ministério da Educação, 1997.

CAMARGO, S.; et al. A reestruturação do projeto pedagógico de um curso de licenciatura em Física de uma universidade pública: contribuições de licenciandos ao processo . Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências (On-line), v. 14, p. 217-235, 2012.

CAMARGO, S.; NARDI, R. A linguagem no ensino de Física: interpretação de discurso de licenciandos num estágio supervisionado de regência . In: NARDI, R.; ALMEIDA, M. J. P. M de. Analogias, leituras e modelos no ensino da Ciência: a sala de aula em estudo. São Paulo: Escrituras Editora, 2006.

LABURÚ, C. E; ARRUDA S. de M e NARDI, R. Pluralismo Metodológico no Ensino de Ciências . Ciência & Educação, v.9, n. 2, p. 247-260, 2003.

LEODORO, M. P.; TEDESCHI, W. Rupturas na concepção tradicional sobre formação de professores: em busca de novas diretrizes . XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, Vitória, Espírito Santo, 2009.

LIBÂNEO, J. C. Adeus professor, adeus professora . 13º Edição. São Paulo: Cortez, 2011.

PEREIRA, R. F. Formação inicial de professores: o percurso de alunos de estágio supervisionado em Física da UEM, envolvendo a proposta da prática reflexiva, o Lúdico e o uso de tecnologias, 179 f. Tese (Doutorado). Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, Universidade Estadual de Maringá, 2013.

RAMOS, E. M. de F.; BENETTI, B. Estágio Supervisionado de prática de ensino - espaço pedagógico para conhecimentos tácitos e explícitos . XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, Vitória, Espírito Santo, 2009.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.