DIÁLOGO NA CONSTRUÇÃO DO NOVO CURRÍCULO DE LICENCIATURA EM FÍSICA
Gloria Regina Pessoa Campello Queiroz, Juliana Ignacio
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## DIÁLOGO NA CONSTRUÇÃO DO NOVO CURRÍCULO DE LICENCIATURA EM FÍSICA
## Glória Regina Pessôa Campello Queiroz , Juliana Ignacio 1 2
1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/CEFET- PPCTE - gloriapcq@gmail.com 2 CEFET- PPPRO - julianacsilvaignacio@gmail.com
## Resumo
Diante das novas diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores, instituídas pela Resolução CNE 02/2015 (BRASIL, 2015), tornou-se urgente a tomada de decisões sobre a forma como o curso de licenciatura em Física de nossa universidade deve atender às exigências legais requeridas oficialmente, atentando para o fato de que segundo elas o curso será avaliado pelo MEC. Como iniciar a reforma exigida? Esse trabalho analisa qualitativamente dados de uma pesquisa iniciada junto a docentes, alunos e ex-alunos da licenciatura em Física, oriundos de um questionário e de relatos resumindo pontos levantados em discussão grupal sobre as novas diretrizes. Temas como Horário do curso, articulação com o bacharelado, inserção dos alunos na escola pública, parceria universidade-escola, contextualização dos conteúdos, estágios e extensão estiveram entre os discutidos durante o encontro durante o qual os dados foram colhidos. Conclui-se que a dinâmica implementada para o I Encontro sobre a Reforma na Licenciatura em Física da universidade foi frutífera no levantamento de questões que devem ser levadas em conta durante o trabalho da coordenação junto ao colegiado a ser instalado nos próximos dias. A análise preliminar apresentada reforça a importância do diálogo entre as instâncias formativas do curso, esperando contribuir para um projeto de curso com identidade própria que atenda às expectativas docente e discentes, ao mesmo tempo que cumpra as exigências da nova legislação. A colaboração como cultura passa a ser a maior meta do desenvolvimento institucional nesse momento, exigindo especialmente a criação de uma comissão de estágio supervisionado para compatibilizar critérios da orientação dada aos alunos para atuarem junto ao ensino médio por professores dos diferentes departamentos responsáveis, o Instituto de Física e o Instituto de Aplicação. Novas estratégias de coordenação que se oponham à cultura do individualismo podem colaborar para que as demandas venham a ser atendidas.
Palavras-chave : Reforma das licenciaturas; Diálogo na Formação
## Introdução
Diante das novas diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores, instituídas pela Resolução CNE 02/2015 (BRASIL, 2015), tornou-se urgente a tomada de decisões sobre a forma como o curso de licenciatura em Física de nossa universidade deve atender às exigências legais requeridas oficialmente, atentando para o fato de que segundo elas o curso será avaliado pelo MEC.
A universidade em questão instalou um Fórum de Licenciaturas, reunindo coordenadores de todas as áreas disciplinares e do curso de Pedagogia, passando a atualizar em reuniões sucessivas os coordenadores dos diferentes cursos em relação aos princípios básicos da resolução. Entre eles está a separação desde a
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23 a 27 de janeiro de 2017
entrada na universidade de alunos destinados ao bacharelado dos de licenciatura. Chamou-se atenção nas reuniões para aspectos pedagógicos já presentes nas diretrizes anteriores - CNE/CP 01/2002- (BRASIL, 2002), principalmente visando à não fragmentação dos conteúdos e à consideração de que a formação docente não se esgota no período de formação inicial, devendo-se evitar um currículo com ementas conteudistas e enciclopédicas.
No fórum também foi enfatizada a necessária incorporação ao longo de todo o curso de práticas pedagógicas voltadas para a escola básica, aliando conteúdo e pedagogia, fato que levou inquietação a coordenadores dos cursos nos quais a pesquisa em ensino não se faz presente. Nesses casos o perfil do profissional do corpo docente formador, de forma integral, é o de bacharel, com pós-graduação. Esses cursos, mesmo atendendo a bacharelandos e licenciandos, não contam com especialistas em ensino. Mesmo no caso dos cursos nos quais a área de pesquisa em ensino se faz presente, foi declarado por alguns coordenadores haver necessidade de diálogo entre os colegas que ministram as disciplinas específicas de conteúdo disciplinar com aqueles que, tanto nas faculdades de educação quanto nos próprios institutos específicos, atuam nas disciplinas pedagógicas ou nas integradoras de conteúdos e pedagogia, como por exemplo as Instrumentações para o Ensino e os Estágios curriculares supervisionados. Uma aproximação poderia possibilitar transposições didáticas a serem feitas ainda na formação inicial para o nível médio ou fundamental. Naturalmente tal opção exigiria uma seleção de conteúdos mais relevantes.
Entre as indicações da pesquisa em ensino nas áreas de Ciência da Natureza, já consolidados na pesquisa, encontra-se a incorporação interdisciplinar da História da Ciência aos conteúdos disciplinares, com atenção especial a questões acerca da Natureza da Ciência. Enfatiza-se também que se evitem os algoritmos descontextualizados, buscando-se sempre a construção conceitual e a incorporação de temáticas com relevância cotidiana, cultural e epistemológica. A Resolução claramente aponta para caminhos interdisciplinares, como já o faziam as diretrizes de 2002, indicando sugestões motivadoras nesse sentido para a formação de professores.
No cotidiano da escola básica, a interdisciplinaridade é vista por muitos docentes como saída para aprendizagens que passam a fazer sentido para seus alunos ao constatarem que o que se aprende na escola está presente na vida de forma interconectada. Para Pombo (2004), a cautela corporativa com que a interdisciplinaridade é tratada pelos especialistas de cada área de conhecimento, na escola e nos diferentes campos de produção de conhecimento científico, faz com que o estudo dos seus fundamentos esteja sendo sempre adiado. No entanto, na prática, sua existência emerge em novas disciplinas ou em projetos pedagógicos.
Aspectos voltados para a realidade a ser enfrentada pelos futuros docentes estão também presentes na nova Resolução, nos fazendo lembrar do conceito de conhecimento-emancipador para a cidadania, de Boaventura de Souza Santos (2013), possibilitando uma formação inicial permeada por práticas educativas que contribuam no enfrentamento da crise da modernidade - social, econômica, ambiental e política - em que estamos mergulhados e que urge se colocar em prática uma ecologia dos saberes. Essa está entre as muitas mudanças requeridas (CORTELA; NARDI, 2015) ao corpo docente formador no sentido de uma maior aproximação entre especialistas em conteúdos disciplinares e conteúdos
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pedagógicos, artísticos e filosóficos, sendo necessário ampliar os diálogos na formação docente para a escola básica.
## Justificativa
Como iniciar a reforma exigida? Demos início a uma pesquisa convidando docentes, alunos e ex-alunos da licenciatura em Física de nossa universidade para uma reunião que teve início solicitando-se aos presentes que respondessem individualmente a um questionário baseado nas novas diretrizes. Em seguida foram organizados três grupos que mesclavam licenciandos e egressos, além de docentes de dois segmentos da universidade que oferecem disciplinas aos licenciandos: o Instituto de Física e o Colégio de Aplicação. Esse trabalho apresenta tanto os resultados do questionário quanto dos relatos dos grupos.
## Metodologia e Resultados
Durante o primeiro encontro para ouvir os envolvidos e interessados a coordenadora do curso, uma das autoras desse trabalho, apresentou de início as etapas para elaboração do novo currículo. Nesse encontro, um questionário norteador para a discussão grupal posterior, fundamentado nos pontos do §6º -e incisos- do artigo 3º da Resolução (BRASIL, 2015), foi entregue aos 30 presentes. Nele estavam contidos na íntegra, para leitura prévia, alguns incisos destacados do texto da reforma e uma ficha solicitando o posicionamento acerca inicialmente do horário e em seguida de outros pontos considerados importantes.
No Questionário proposto aos presentes à primeira reunião, perguntava-se o que há de positivo no atual curso de licenciatura, o que deve ser mudado e solicitavam-se sugestões de mudança sobre os temas: 1) Horário do curso; 2) Articulação com o bacharelado; 3) Sólida formação teórica e interdisciplinar dos profissionais; 4) Inserção dos estudantes de licenciatura nas instituições de educação básica da rede pública de ensino, espaço privilegiado da práxis docente; 5) Envolvimento no contexto educacional da região onde será desenvolvido; 6) Atividades de socialização e a avaliação de seus impactos nesses contextos; 7) Questões socioambientais, éticas, estéticas e relativas à diversidade étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, de faixa geracional e sociocultural como princípios de equidade. Nos temas a partir do item 3 foram utilizados termos presentes na própria resolução.
As respostas dos 15 entre dos 30 presentes foram submetidas a uma análise qualitativa de conteúdo como indicada por MORAES (2004). Tal análise avança em relação a uma análise de conteúdo tradicional por levar em consideração aquele que fala e de onde fala, uma vez que estiveram presentes ao encontro professores de diferentes níveis de ensino da universidade, incluindo-se o Instituto de aplicação. Dos questionários entregues, oito foram identificados quanto ao perfil e nome; 4 não tiveram identificação; 2 tiveram identificação de perfil professor e 1 identificação de aluno. Analisaremos nesse trabalho as repostas dadas a 7 dos 9 temas do questionário:
## TEMA 1- Horário do Curso
Categoria 1: Inadequado, demandando mudanças. Nesta categoria as respostas analisadas identificaram cenário problemático relacionado ao horário do curso, considerado inadequado pela maioria, havendo reivindicação de flexibilidade
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na oferta de disciplinas obrigatórias. No atual curso não são oferecidas todas as disciplinas em todos os semestres e os horários são fixos na maioria. Alguns consideram negativa a existência de tempos vagos entre as aulas. Exemplo: '(...) alunos que repetem em alguma disciplina acabam ficando com 'buracos' imensos em seus horários' (Prof) . A inadequação é reforçada quando se trata do horário de estágios em geral e especialmente os do Colégio de Aplicação (Cap). Majoritariamente o corpo discente reforça que o horário é 'inviável ao perfil trabalhador' do licenciando. Exemplos: ' Curso tarde/noite seja exclusivo a noite, pois muitos alunos são trabalhadores ' (Aluno); 'Mais turmas noturnas' (Aluno); 'Estágios noturnos', 'maior flexibilidade nos horários de matérias obrigatórias. Principalmente estágios no Cap' (Aluno).
Categoria 2: Horário adequado. Encontramos entre aqueles que consideraram o horário adequado alguns, em minoria, que assim o consideram por ele ser 'abrangente', 'amplo' e 'satisfatório', uma vez que o curso contempla todos os turnos: manhã, tarde e noite, ainda que não ofereça todas as disciplinas nos três turnos, uma vez que o curso é oferecido nas opções Manhã-Tarde ou Tarde-Noite. Exemplo: 'Acho que é abrangente como é possível ser', 'bom por ter dois turnos', 'flexível, satisfatório' (Professores).
Com apenas uma resposta em branco, podemos ver um posicionamento dos alunos demandando pelo curso noturno, não atendido apesar de haver a modalidade Tarde-Noite, principalmente pela dificuldade com o cumprimento dos estágios e de algumas disciplinas que nunca são oferecidas a noite.
## TEMA 2- Articulação com o bacharelado
Categoria I: Adequada. Nesta categoria, onde se encontram 8 das 15 respostas analisadas (sendo 4 alunos e 4 professores), a dupla formação oferecida pelo Instituto de Física - Licenciatura e Bacharelado em Física é considerada adequada. Exemplo: ' Não há uma 'redução' da formação como físico ' (Aluno). Tal ponto positivo é destacado pelo fato de terem 'matérias comuns na maior parte do curso' (Aluno).
Categoria 2: Mudanças necessárias. Nesta categoria, mesmo considerando adequada a possibilidade de terem a formação dupla (licenciatura e bacharelado em Física), estudantes denotaram alguns problemas: ' apesar da formação dual, o currículo duplo é denso '. Também indicam a necessidade de ' incentivar a licenciatura desde o começo '. Solicitam assim um 'm aior número de disciplinas voltadas à formação de professores '. Um respondente trouxe também a exigência de ' melhores estratégicas didáticas ... para licenciandos e bacharelandos '.
Vemos, nas respostas, apreço pela dupla formação, o que exigirá estruturação de mecanismos de conclusão dos dois cursos sem deixar de atender à reforma, com a qual se harmonizam os respondentes da categoria 2. Interessante notar a indicação para mudanças pedagógicas também para o curso de bacharelado que, ao serem atendidas, poderão contribuir para que os futuros professores universitários das disciplinas de conteúdo físico tenham uma formação voltada para os processos de ensino aprendizagem pelos quais são responsáveis.
TEMA 3- Sólida formação teórica e interdisciplinar
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Categoria 1: Insatisfatória. Majoritariamente as críticas são dos discentes e referem-se à atualização do curso e das ementas: ' Mais contextualização '; ' Um curso que contemple a física do século XXI '. Também há questões sobre a necessidade de ' didática ' no curso.
Apesar de aqueles que consideraram a formação teórica boa tenha sido majoritária, alguns fizeram apontamentos sobre a necessidade de formação continuada do corpo docente e discente, salientada por um professor: '... seria interessante realizar seminários semanais sobre temas relevantes na área de ensino com professores convidados .'
Categoria 2: Satisfatória. Que a formação teórica é satisfatória foi a resposta de 3 dos 15 respondentes: as respostas docentes limitam-se a descrever a formação como ' ótima ' e ' atende '.
Nota-se pouco foco nas respostas sobre a questão da interdisciplinaridade, a menos da sugestão por maior contextualização dos conteúdos teóricos, o que lucraria com a abordagem de temas interdisciplinares.
TEMA 4- Inserção dos estudantes de licenciatura na rede pública
Categoria 1: Insatisfatório. Estudantes reconhecem a adequação da existência de uma escola de aplicação na universidade em questão, mas apontam para outras instituições: 'O Cap (Instituto de Aplica ção ) é um centro de excelência na formação profissional dos futuros docentes ': ' Foco nas escolas estaduais e não apenas no Cap '.
Na inserção na escola básica reclamam sobre o engessamento do currículo e das práticas pedagógicas que exteriorizam-se nas respostas: ' falta de liberdade de criação ' e ' licenciandos poderiam ter mais liberdade em montar seu planejamento '. E que a inserção dos estudantes de licenciatura na rede pública é de ' práticas mal aproveitadas. '
Categoria 2: Satisfatória. A facilidade da universidade ter um Instituto de Aplicação é considerada positiva por alguns professores: ' como professor acompanho de perto este processo... Quando fiz licenciatura ...tínhamos que buscar estágios com nossos próprios meios '.
Percebe-se nas respostas a necessidade sentida por mais diálogo entre a universidade, o Instituto de Aplicação e as demais escolas públicas.
TEMA 5- Envolvimento do curso no Contexto educacional local
Categoria 1: Insatisfatório. A maioria dos respondentes avalia como incipiente o envolvimento do curso quando reforçam que 'só em algumas disciplinas isto existe', que há coisas positivas, sendo no entanto necessário ' construir projetos que valorizem o contexto educacional', como ressalta um professor.
Categoria 2: Satisfatória. As poucas respostas que consideram o envolvimento no contexto se limitam a fazer referências ao colégio de aplicação: 'estágios no Cap' como positivo (Aluno) e um professor, por haver ' uma boa conexão entre linhas de pesquisas '.
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Nesse tema encontram-se 7 respostas em branco, denotando pouca reflexão desse grupo pela interação entre a formação inicial e o contexto educacional local.
## TEMA 6- Atividades de socialização e seus impactos
Categoria 1: Insatisfatórias. As fichas analisadas reforçam que apenas a extensão cumpre este papel na ' captação de alunos ' (Prof.), porém as atividades poderiam ser ' ampliadas ' (Prof.) e reforçam que algumas disciplinas atraem poucos alunos e que deveriam ter caráter obrigatório: ' Física na Música, semana da Física, Física dos esportes, Astronomia e Masterclass. Todas elas precisam ser 'obrigatórias'. Ainda atingem poucos alunos '.
Categoria 2: Satisfatórias. Apenas um estudante considera que a ' formação no Instituto é sólida e capacita um professor que busca a interdisciplinariedade '.
- O estudante indica aqui uma relação entre a interdisciplinaridade e a socialização da formação docente. Com 11 respostas deixadas em branco, percebese a distância ainda existente entre a licenciatura em questão e atividades que poderiam colaborar para a socialização dos conhecimentos dos futuros professores.
TEMA 7Questões socioambientais éticas, estéticas e relativas à diversidade
Categoria 1: Insatisfatório. As respostas dos alunos reforçaram a necessidade de relações mais respeitosas no Instituto de Física: ' aceitação das diversidades '; ' cabe ao curso estar contra seus próprios preconceitos ' (Aluno), sendo ratificadas por um professor: ' São questões fundamentais e precisam de um espaço privilegiado para serem discutidas entre alunos, professores e convidados '.
Uma das respostas aponta que tais questões normalmente ficam restritas às ' atividades do grupo de pesquisa em ensino. Essas atividades precisam ser feitas ao longo de todo o curso... precisam ser inseridas no curriculum, seja como disciplina ou como seminários e/ou colóquios '.
Categoria 2: Reconhecimento de iniciativas. Nessa categoria agrupam-se respostas que reconhecem que tais questões são trabalhadas em algumas disciplinas, como ' Sociologia da Educação ', da faculdade de educação (EDU) e que são bem abordadas também na 'EDP (Disciplina Estudo e Desenvolvimento de Projetos, do Instituto de Física) , na Didática e nas eletivas da EDU (Educação) . '
## Resumos dos Relatos da Discussão Grupal:
Grupo 1: - Mudança do horário do curso para manhã e noite; Ensino de física e inclusão social que não apenas contemplaria a Libras; Atividades no IF que contem como AACC (atividades acadêmico-científico-culturais); Articulação com o bacharelado; Língua portuguesa instrumental como disciplina obrigatória tendo em vista a necessidade da mesma por conta dos relatórios; Resolver conflitos no estágio no CAP; monitoria como estágio; temas integradores em física; necessidade de uma disciplina sobre ética
Grupo 2: Condensação do ciclo básico em Física; Mais disciplinas de Física moderna para licenciatura; Priorizar a interdisciplinaridade no curso; Necessidade de
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Língua Portuguesa Instrumental e o domínio das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs); Currículo que crie mecanismos de mobilidade nos cursos de bacharelado e licenciatura; Seminários ou atividades frequentes de temas atuais e divulgação das atividades de pesquisa em Física na Universidade aos licenciandos (disciplina de Seminário) ; Revisão do regime de estágios (não há uma unificação entre a formação docente no CAP e nos demais estágios supervisionados: Instituto de Física e Faculdade de Educação); Integração dos grupos de pesquisa de ensino em Física e dos docentes do CAP.
Grupo 3: Criação de um curso noturno (tendo em vista que o perfil do licenciando já é de um trabalhador); Disciplinas mais 'humanizadas' (contextualização); Disciplinas novas como Física ambiental e médica pois profissionais já atuam no mercado com uma destas formações; Criação de uma coordenação de estágio entre as unidades: articulação entre a Faculdade de Educação, CAP e a Licenciatura em Física; Extensão como estágio; Pensar essa parceria universidade-escola; CAP como agente de formação (com ensino diferenciado na rede pública estadual) ofertaria o primeiro estágio obrigatório em articulação com a Licenciatura em Física; Língua portuguesa instrumental obrigatória e uma eletiva de língua estrangeira; Reformulação do site do IF e atualização.
Os relatos dos três grupos se constituem em um registro escrito dos pontos ressaltados durante a parte final da discussão grupal realizada. Conclui-se daí que a dinâmica implementada para o I Encontro sobre a Reforma na Licenciatura em Física da universidade foi frutífera no levantamento de questões que devem ser levadas em conta durante o trabalho da coordenação junto ao colegiado a ser instalado nos próximos dias.
Percebe-se a necessidade de socialização entre os envolvidos na reforma curricular em curso dos intuitos da referida resolução, no sentido da formação de professores inserir os licenciandos em práticas pedagógicas que, tais como afirmados na Resolução de 2015, considerem a futura docência como um processo intencional e metódico, envolvendo conhecimentos específicos, interdisciplinares e pedagógicos, conceitos, princípios e objetivos da formação que se desenvolvem entre conhecimentos científicos e culturais, nos valores éticos, políticos e estéticos inerentes ao ensinar e aprender, na socialização e construção de conhecimentos e no diálogo constante entre diferentes visões de mundo. O exercício da docência requer o domínio e manejo de conteúdos e metodologias, diversas linguagens, tecnologias e inovações, fazendo da formação inicial um espaço no qual se vá muito além do domínio dos conteúdos de disciplinas fragmentadas e voltadas apenas para o ensino de terceiro grau.
## Considerações finais
Como desdobramento do encontro sobre reformulação curricular, a coordenadora do Curso de Licenciatura em Física reuniu-se com a coordenadora das Licenciaturas do Instituto de Aplicação (Cap) e com o seu coordenador de Física. Entre os muitos assuntos tratados, destacamos aqui a apresentação de uma nova equipe pedagógica do Instituto que compartilha a formação inicial de professores com o Instituto de Física, reforçando-se a necessidade trazida pelo Cap de diálogo com cursos de licenciaturas considerados 'distantes', como a Física, dispondo-se os participantes do encontro, que contou ainda com a diretora do
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Instituto de Física, a estabelecer um diálogo permanente sobre as questões pedagógicas.
A análise preliminar apresentada espera contribuir para um projeto de curso com identidade própria que atenda às expectativas docentes e discentes, ao mesmo tempo que cumpra as exigências da nova legislação.
A colaboração como cultura (ZABALZA, 2004) passa a ser a maior meta do desenvolvimento institucional nesse momento, exigindo especialmente a criação de uma comissão de estágio supervisionado para compatibilizar critérios da orientação dada aos alunos para atuarem junto ao ensino médio por professores dos diferentes departamentos responsáveis, o Instituto de Física e o Instituto de Aplicação. Novas estratégias de coordenação que se oponham à cultura do individualismo podem colaborar para que as demandas venham a ser atendidas.
## Referências
BRASIL, Resolução CNE/CES 09/2002, de 11 de março de 2002. Estabelece as diretrizes curriculares para os cursos de Bacharelado e Licenciatura em Física. Diário Oficial da União, Brasília, 26 mar. 2002.
BRASIL, Resolução CNE 02/2015 , de 01 de julho de 2015.Estabelece as diretrizes curriculares nacionais para formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para formação continuada . Diário Oficial da União, Brasília, 2 jul. 2015
CORTELA, B. S. C.; NARDI, B. Expectativas de docentes formadores frente a um processo de reestruturação curricular num curso de licenciatura em Física. In: NARDI, R.; CORTELA, B. S. C. (orgs.) Formação inicial de Professores de Física em universidades públicas: estudos realizados a partir de recentes reestruturações curriculares. São Paulo: Livraria da Física . 1 ed. 2015. v.1. p.p 47-73.
MORAES, Roque. Análise de conteúdo. Revista Educação , Porto Alegre, v. 22, n. 37, p. 7-32, 1999. Disponível em <cliente.argo.com.br/~mgos/analise\_de\_conteudo\_moraes.html>
SANTOS, Boaventura de Sousa; CHAUÍ, Marilena. Direitos humanos, democracia e desenvolvimento. São Paulo: Cortez Editora, 2013. 133p.
ZABALA, M.A. O ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas. Porto Alegre: Artmed, 2004.239 p.
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