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A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA NO CEAD-UFPI: o professor-tutor e sua prática docente.

Lucianno Cabral Rios, Fabio Soares Da Paz

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA NO CEAD-UFPI: O PROFESSOR-TUTOR E SUA PRÁTICA DOCENTE

## Lucianno Cabral Rios , Fabio Soares da Paz 1 2

1 Campanha Nacional de Escolas na Comunidade - CNEC, camugereh@hotmail.com 2 Universidade Federal do Piauí - UFPI, paz-fabio@hotmail.com

## Resumo

O ensino através da Educação a Distância-EaD, presente há mais de um século no Brasil, faz parte da realidade daqueles que buscam qualificação profissional, tornando-se poderoso mecanismo para o desenvolvimento educacional do país. Este trabalho tem como objetivo analisar a prática docente do professor-tutor do Curso de Física-EaD da Universidade Federal do Piauí. A pesquisa foi realizada na Universidade Federal do Piauí, no Centro de Educação Aberta e a Distância-CEAD. Os sujeitos pesquisados foram os tutores do CEAD/UFPI com tempo de atuação mínima em dois módulos no período de 2010 a 2015. Para alcançar o objetivo, realizou-se uma pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, que permitiu descrever a complexidade do problema, através de questionário com perguntas abertas e fechadas, descrevendo as características dos professores-tutores. Dos 18 profissionais que se encaixavam no perfil, 15 se disponibilizaram a participar da pesquisa. Ao final, constatou-se que o curso possui um corpo docente qualificado e disposto a formar professores críticos e reflexivos, mesmo sem possuir uma formação adequada e direcionada à modalidade EaD.

Palavras-Chaves: Prática docente; Professor-formador; Física; EaD.

## 1. Introdução

A modalidade de Educação a Distância - EaD, tem uma longa história de experimentações, sucessos e fracassos (NUNES, 1994). Começou no século XV, quando Johannes Guttenberg, em Mogúncia, Alemanha, inventou a imprensa através da composição de palavras com caracteres móveis. Antes, os livros copiados manualmente eram caríssimos e, portanto, de difícil acesso às camadas mais pobres, razão pela qual os mestres eram tratados como integrantes da corte (ALVES, 2010). Após esse período, há uma expansão da modalidade por outros países da Europa.

Alves (2010), relata que não há registros precisos sobre a criação da EaD no Brasil, sendo a data mais provável no ano de 1904. Apesar de haver anúncios de cursos profissionalizantes por correspondência em jornais do país na última década do século XIX, momento no qual a modalidade teve largo desenvolvimento, manteve-se continua até os dias atuais com a inserção de novos recursos síncronos e assíncronos.

Ao analisar a EaD no âmbito estadual, observa-se a escassez de informações sobre a sua história em solo piauiense. De acordo com Oliveira (2011 p.81),

Verificamos que o Piauí veio a introduzir-se na modalidade de Educação a Distância, de forma plena, através do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB). No entanto, anterior ao Programa ocorreram outras práticas isoladas, com destaque para o Projeto Minerva e o Movimento de Educação de Base (MEB) [...]. (OLIVEIRA, 2011 p.81).

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23 a 27 de janeiro de 2017

Para a consolidação dos programas e projetos, assim como outras atividades educacionais ligadas ou não a EaD, há a necessidade do profissional que é a ponte entre o estudante e o conhecimento, o professor-tutor. Conforme Azevedo e Sathler (2008, p. 12),

O profissional que exerce a tutoria, assim como o restante da equipe docente, tem que estar disposto a ser um eterno aprendiz e pesquisador. As estratégias de ensino envolvem garimpar informações de uma variedade de fontes para cultivar um ambiente rico, coerente e compreensível para a construção do conhecimento. A aparente frieza das próteses tecnológicas deve dar lugar à criatividade para permitir novas possibilidades de abordar e apresentar os conteúdos. (AZEVEDO; SATHLER, 2008, p. 12)

O Centro de Educação Aberta e a Distância-CEAD é a unidade da UFPI responsável pela oferta e coordenação de todos os cursos e programas vinculados à modalidade EaD da instituição. O CEAD foi criado através de chamada pública para a consecução do Projeto Universidade Aberta do Brasil-UAB. O Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação a Distância-SEED, realizou a seleção de polos municipais de apoio presencial e de cursos superiores de Instituições Federais de Educação Superior na Modalidade de Educação a Distância para a UAB, conforme apresentado por Oliveira (2011).

Nossas inquietações sobre a prática docente na modalidade EaD emergiram a partir da atuação por dois anos como apoio logístico da Coordenação do Curso de Física-EaD, função que assessorava professores/coordenadores, professorestutores, coordenadores de polo e estudantes, atuando como ponte de acesso a informações, além de participar das reuniões com os colaboradores, o que proporcionou uma visão externa daquele momento de expansão da oferta do ensino de Física pelo interior do Estado do Piauí.

Verificando assim a necessidade de uma análise e reflexão sobre a prática docente realizada por meio da EaD, a escolha dessa temática se fundamenta na importância da conscientização da significância do docente que atua através de ambientes virtuais, sendo agente do processo de ensino e aprendizagem e, assim como no presencial, pode levar à frustração com a disciplina lecionada, bem como com a modalidade de ensino (OLIVEIRA, 2011).

Outro aspecto considerado para a realização do estudo é a escassez de pesquisas sobre o desenvolvimento da EaD no Estado do Piauí, mesmo com a modalidade em plena expansão. Existem poucos dados sobre os professorestutores do Curso de Física-EaD, mais especificamente sobre os mecanismos de sua atuação profissional e como realizam a sua prática docente no curso de Física.

## 2. Descrição do trabalho desenvolvido

Segundo Diehl (2004), a pesquisa qualitativa, descreve a complexidade de determinado problema, sendo necessário compreender e classificar os processos dinâmicos vividos nos grupos, contribuir no processo de mudança, possibilitando o entendimento das mais variadas particularidades dos indivíduos.

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A pesquisa é exploratória e, como tal, visa descrever características de determinada população. Para agregar informação ao estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica que conforme Gil (2008) tem como principal vantagem o fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.

Utilizou-se um questionário como mecanismo para obtenção de dados, este foi aplicado aos professores-tutores que se adequaram ao perfil estabelecido, contendo 20 questões; sendo três abertas e 17 fechadas. Com o questionário, obtiveram-se informações sobre a formação e a prática docente dos pesquisados. Para a organização dos dados produzidos e a consequente análise, diante do corpus definido, empregou-se o método de análise de conteúdo.

Os dados foram colhidos com profissionais que atuaram como professorestutores durante os anos de 2010 e 2015 no Curso de Licenciatura em Física-EaDCEAD/UFPI, por pelo menos dois módulos, em diversos Polos de Apoio Presencial onde o curso é ofertado. Outro pré-requisito estabelecido foi que esses professorestutores tivessem atuado em disciplinas do módulo básico do curso ligadas à Física, como disciplinas de Introdução à Física, Física I etc. Foram elencados 18 profissionais, os quais 16 destes continuam atuando junto com a coordenação do curso na mesma função ou como coordenador de disciplina.

## 3. Resultados obtidos

Dos 18 questionários enviados, 83,3% foram respondidos, percentual referente a 15 questionários, um valor considerável e que permite obter uma análise relevante sobre os profissionais que atuam na formação de professores de Física através da modalidade EaD no Estado do Piauí. É possível observar inicialmente, através do Quadro 01, que a maioria dos professores-tutores que respondeu ao questionário, 10 (66,7 %) são licenciados em Física, sendo que 04 (26,7%) são bacharéis, e 01 (6,7%) dos profissionais tem a formação que abrange tanto a licenciatura como o bacharelado.

Quadro 01 : Formação dos professores-tutores

Fonte: Dados da pesquisa.

A maioria destes profissionais possui alguma experiência com a Educação Básica, tendo dois anos ou mais de atuação, portanto conhecem bem a área na qual seus alunos irão atuar. Somente um professor-tutor não atuou nesse nível de ensino. Quando questionados sobre sua formação ao iniciarem as atividades como professores-tutores no curso em questão, 07 (46,7%) responderam ter apenas a graduação; contudo, houve procura por qualificação e o número de mestres e doutores aumentou, permanecendo apenas o mesmo número de especialistas. Veja Quadro 02

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Quadro 02: Formação dos professores-tutores ao iniciar como tutor e atualmente.

Fonte: Dados da pesquisa.

Os dados do Quadro 02 permitem visualizar que os profissionais procuraram mecanismos para sua qualificação profissional, vale aqui ressaltar que quatro dos pesquisados responderam que sua qualificação atual estaria como 'outros' e ao analisar os questionários enviados verifica-se que estes estão realizando algum curso pós-graduação no momento, como o mestrado.

Quanto à área de pós-graduação, observou-se que 06 (42,9%) tutores buscaram realizar cursos voltados ao Ensino de Física, seguidos por 05 (35,7%) que realizaram os estudos em Física Teórica, 02 (13,3%) em Física Experimental e apenas um possui a pós-graduação na área de Desenvolvimento e Meio Ambiente. Ao serem questionados sobre o trabalho na formação de professores, 10 (66,7%) afirmaram que foi através do Curso de Física-EaD que tiveram o seu primeiro contato com esse tipo de atuação, e 05 (33,3%) já tinham experiência na área.

Com respeito à realização de capacitações sobre a modalidade EaD, 05 (33,3%) professores-tutores afirmaram nunca ter recebido qualquer tipo de capacitação, sendo que 04 (26,7%) realizaram alguma capacitação durante o processo de atuação na modalidade e, o restante, 06 (40%) já tinham algum tipo de capacitação na área. Os professores que possuíam a capacitação foram questionados se ela foi ofertada pelo CEAD/UFPI. Oito responderam que sim, enquanto os outros dois realizaram-na por outra instituição. Para Medeiros e Cabral (2006, p. 06), a formação continuada é fundamental para desenvolver competências, habilidades e saberes adquiridos na formação inicial.

Quanto ao número de capacitações, algo que deve ser realizada regulamente, como lembram Medeiros e Cabral (2006), 04 participaram apenas de uma capacitação; 02, de duas e outros dois realizaram três ou mais capacitações promovidas pelo CEAD/UFPI. Uma característica comum aos entrevistados é que todas as capacitações envolviam a utilização de ferramentas da Plataforma Moodle , Ambiente Virtual de Aprendizagem-AVA utilizado pelos cursos EaD da UFPI. Observa-se, assim, que não houve capacitação voltada para a prática docente do professor da modalidade EaD que, como já foi abordado anteriormente, possui características distintas daquela utilizada no ensino presencial.

As autoras Medeiros e Cabral (2006) complementam afirmando que a formação continuada representa uma forma de construir e reconstruir novos conhecimentos e práticas que resultam em transformações que refletem positivamente nas práticas pedagógicas.

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Quando questionados sobre o domínio das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação - NTIC's, 07 (50%) afirmaram ter um bom domínio e 08 (57,1%) que são utilizadas constantemente em suas aulas, apenas 01 (7,1%) professor-tutor indicou ter pouco conhecimento sobre as NTIC's e que elas sempre foram insignificantes durante as aulas que ministrou, o que indica a utilização de uma prática docente tradicional por parte do professor-tutor.

Cursos à distância devem utilizar as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação, e necessitam de professores que possam manejar os recursos tecnológicos e orientar consistentemente com a visão de ensino-aprendizagem (GUBERT; MACHADO, 2009, p. 4).

O Gráfico 01 apresenta os resultados da questão, que solicita uma auto avaliação por parte do professor-tutor, na qual este professor deveria selecionar aquele(s) perfil(is) que mais se assemelha ao profissional da educação. Essa questão permitia que o professor-tutor marcasse mais de uma alternativa, pois, conforme a situação, o docente pode atuar de maneira distinta. Observou-se que a maioria se considera um professor reflexivo perante seus estudantes, conforme apresenta o professor-tutor PT07 em sua fala: ' Tento transformar minha aula em uma aula discursiva reflexiva, onde o aluno é estimulado a indagar os conceitos físicos que são vistos em sala de aula com o que ele vê e presencia em seu cotidiano, dando um sentido ao estudo da Física'.

Gráfico 01: O perfil dos professores-tutores do Curso de FísicaEaD/CEAD/UFPI.

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Fonte: Dados da pesquisa.

O professor-tutor PT07 também se considera um professor crítico e teve a resposta mais condizente dentre os perfis de um profissional com postura crítica. Ao refletir criticamente, os educadores passam a ser entendidos e entenderem-se como intelectuais transformadores, responsáveis por formar cidadãos ativos e críticos dentro de uma comunidade (LIBERALI, 2010, p. 32).

O professor-tutor PT05, que se considera um professor crítico, apresenta em sua fala algo que é relevante para a análise da prática pedagógica dos docentes da modalidade EaD do CEAD/UFPI. As aulas são planejadas pelos coordenadores da

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disciplina, que enviam um roteiro pré-definido e que pode tolher o professor em sua prática docente: ' Quando somos direcionados aos polos presenciais já levamos o material da aula já pronto'. Situação que não o impede de proporcionar um melhor aprendizado aos estudantes, incrementando as aulas com recursos que fazem parte de sua prática, como afirma em seguida: 'No meu caso, se couber, sempre levo algo a mais, como vídeos, experimentos, simulações e animações no intuito de enriquecer a aula'.

- Ao contrário do que teoricamente poderia se imaginar, o número de professores que consideram possuir uma prática pedagógica tradicional é maior do que aqueles que seriam profissionais críticos. Essa atuação tradicional é bem perceptível ao analisar a fala do professor-tutor PT11 sobre como é sua prática docente: ' De uma forma muito simples e objetiva: ensinando os conteúdos de cada curso, ou seja, minha técnica pedagógica é aprender e depois ensinar o que eu aprendi. Acredito que não se ensina o que não sabe'.
- O docente PT04, não se enquadrou em nenhuma das três características apresentadas, marcando a opção Outros e se autodenominando-se um professor 'antenado' já que ' fazia com auxílio da tecnologia' o desenvolvimento de sua prática pedagógica.
- O professor-tutor PT09 apresenta um belo exemplo de como a tecnologia pode ser utilizada em favor de sua prática docente: ' Através da variação das práticas e métodos didáticos durante os encontros pedagógicos, englobando as mais variadas NTIC's que se encontram disponíveis. Na tentativa de aprimoramento da aprendizagem, ao desenvolver os encontros em conformidade com os objetivos anteriormente listados pelo(a) professor(a) da disciplina. Além da adequação da explanação dos conteúdos associados com exemplos práticos do cotidiano dos estudantes.'
- O professor-tutor mencionado acima, apresenta em suas palavras o que se espera de um professor que atua na modalidade EaD, tem-se a perspectiva de que seja um profissional que domine as NTIC's, que esteja preparado para assumir uma nova postura profissional e que possa ser um motivador da aprendizagem de seus alunos através de sua prática pedagógica. Para LIBERALI (2010, p. 35) é necessário haver [...] um entrelaçamento entre prática e teoria, confrontação com a realidade e ' valores éticos para a possibilidade de uma emancipação pela chance de transformação informada da ação'.

## 4. Considerações

Com os dados coletados através do questionário e resultados obtidos após sua análise, é possível observar que o Curso de Física-EaD possui um corpo docente capacitado no que se refere a cursos de pós-graduação. Apesar de haver professores-tutores com a formação inicial em Bacharelado, 14 (93,3%) afirmam ter atuado na Educação Básica, isso demonstra que os mesmos conhecem o campo de trabalho no qual os estudantes egressos irão atuar.

Quanto ao entendimento sobre EaD, verifica-se que os professores-tutores não possuem o conhecimento ideal para uma melhor atuação com a modalidade, visto que 05 (33,3%) destes nunca haviam realizado qualquer tipo de capacitação ligada a modalidade e os demais professores-tutores teriam apenas aprendido a utilizar as ferramentas do AVA, com as capacitações do CEAD/UFPI.

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Não se deve reproduzir na educação a distância a educação presencial. O docente que atua através da EaD é um profissional que deve possuir capacidades mais abrangentes do que aquele que atua no ensino presencial, devendo ficar sempre atualizado sobre o que está em desenvolvimento.

Essa informação se torna mais agravante quando é verificado que 78,6% desses tutores estão atuando há mais de cinco anos no curso, sem uma capacitação adequada para modalidade, evidenciando uma necessidade de uma formação continuada direcionada à EaD, ela se renova com uma velocidade bem maior do que o ensino presencial, por acompanhar o desenvolvimento das Tecnologias de Informação.

Nota-se que o CEAD/UFPI pecou em não oferecer aos seus colaboradores, capacitações voltadas à prática docente na modalidade EaD. A formação do professor é o ponto crucial para a modernização do ensino. (GUBERT; MACHADO, 2009, p. 4).

Essa limitação pode prejudicar o desenvolvimento das atuações dos profissionais e consequentemente na aprendizagem dos discentes, pois, quando o docente acaba por trazer a sua atuação do ensino presencial por completo para a EaD, por não visualizar que o estudante dessa modalidade tem características bem distintas daquele que ele está acostumado a trabalhar em cursos presenciais, o estudante da EaD não adquire o conhecimento como deveria.

Isso é evidenciado quando é analisada a fala do professor-tutor que diz que '[...] não se ensina o que não se sabe' , ele não está errado em sua colocação, mas evidencia a atuação com uma prática pedagógica tradicional e que está voltada apenas à transmissão do conteúdo.

A universidade deve contribuir, para além da formação acadêmica, com a construção de uma sociedade com padrões sociais mais justos (AZEVEDO, 2012). Mill (2015, p. 49) complementa que o professor-tutor deve, '[...] participar do processo de ensino-aprendizagem como um mediador e um motivador na relação do aluno com os conteúdos e os materiais didáticos, na busca pelo conhecimento'.

Sem uma prática pedagógica correta, aliada às metodologias adequadas, o estudante, seja do ensino presencial ou a distância, não irá absorver o que o professor diz ensinar. Felizmente, conforme os relatos dos docentes, apenas uma minoria dos professores-tutores atuam dessa maneira.

Conforme Gubert; Machado (2009, p. 9), relata,

A ação da tutoria online é fundamental em qualquer programa em EAD, pois ela faz a mediação entre todos os participantes do processo e propicia a comunicação no momento em que acompanha, além de acolher, acompanhar, avaliar, orientar, motivar, mediar e facilitar o processo de ensino/aprendizagem de seus alunos. ( GUBERT; MACHADO, 2009, p. 9).

Apesar das problemáticas na formação do corpo docente, pode-se afirmar que o curso é composto por bons profissionais, que buscam proporcionar a melhor formação aos estudantes através de suas práticas docentes, apenas não possuem o perfil ideal que a modalidade necessita, podendo ser corrigido através de capacitações regulares e direcionadas à modalidade EaD. Assim, deve-se exigir um

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repensar sobre as práticas pedagógicas utilizadas pelos professores do curso discutido.

## 5. Referências

ALVES, João Roberto Moreira. Educação a distância e as novas tecnologias de informação e aprendizagem . Paraná, 2010. Disponível em: &lt; http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos\_teses/EAD/INFO RMACAO.PDF &gt;. Acesso em: 10 set. 2016.

AZEVEDO, Adriana Barroso de. Educação à distância: Desafios e contribuições para docentes e discentes. International Studies on Law and Education. São Paulo, n. 11, p. 55-60, mai. 2012. Disponível em: &lt; http://www.hottopos.com/isle11/5560Adriana.pdf &gt;. Acessado em: 25 set. 2016.

AZEVEDO, Adriana Barroso de.; SATHLER , Luciano. Orientação DidáticoPedagógica em cursos à distância. São Bernardo do Campo: Ed. Metodista, 2008. 60 p. Disponível em: &lt;

http://www.fe.unb.br/catedraunescoead/areas/menu/publicacoes/livros-de-interessena-area-de-tics-na-educacao/orientacao-didatico-pedagogica-para-ead &gt; Acesso em: 20 set. 2016.

DIEHL, Astor Antonio. Pesquisa em ciências sociais aplicadas : métodos e técnicas. São Paulo: Prentice Hall, 2004.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa . 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GUBERT, Raphaela Lupion; MACHADO, Mércia Freire Rocha Cordeiro. A prática docente e o novo paradigma educacional virtual. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 9., 2009, Curitiba. Anais eletrônicos ... Curitiba: PUCPR, 2009. Disponível em: &lt;

http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/3418\_1822.pdf &gt;. Acesso em: 15 set. 2016.

LIBERALI, Fernanda Coelho. Formação crítica de educadores: questões fundamentais. Campinas, SP: Pontes, 2010.

MEDEIROS, Marinalva Veras; CABRAL, Carmem Lúcia de Oliveira. Formação docente: da teoria à prática, em uma abordagem sócio-histórica. Revista ECurriculum . São Paulo. n. 2, 2006. Disponível em

&lt;http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum/article/viewFile/3122/2060&gt;. Acesso em: 01 out. 2016.

MILL, Daniel. Docência virtual: uma visão crítica. São Paulo: Papirus, 2015.

NUNES, Ivônio Barros. Noções de Educação a Distância. Revista Educação a Distância. Brasília, DF n. 4/5, p. 7-25, Abr. 1994 . Disponível em: &lt; http://www.feg.unesp.br/~saad/zip/OqueeEducacaoaDistancia\_Ivonio.htm &gt;. Acesso em: 11 jun. 2016.

OLIVEIRA, Cleidinalva Maria Barbosa. A Mobilização dos saberes docentes no contexto da prática pedagógica do professor na modalidade de Educação a Distância. 2011. 211 f. Dissertação (Mestrado em Educação)-Universidade Federal do Piauí, Piauí.

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