A PERCEPÇÃO DOS INGRESSANTES SOBRE O CURSO DE FÍSICA
Letícia Francisca De Almeida Nestali, Samara Neris Machado Marcelo, Ana Rita Pereira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A PERCEPÇÃO DOS INGRESSANTES SOBRE O CURSO DE FÍSICA
## Letícia Francisca de Almeida Nestali , Samara Neris Machado Marcelo , 1 2 Ana Rita Pereira 3
1 Departamento de Física - Regional Catalão - Universidade Federal de Goiás,
leticia\_leisy@hotmail.com
2 Departamento de Física - Regional Catalão - Universidade Federal de Goiás,
samara.n\_machado@hotmail.com
3 Departamento de Física - Regional Catalão - Universidade Federal de Goiás, anaritapr@gmail.com
## Resumo
Atualmente uma das maiores preocupação das instituições de ensino superior é o alto índice de evasão. Embora o número de vagas e de cursos de graduação tenha expandido bastante nos últimos anos, o número de abandono ou trancamento de matriculas no Ensino Superior também aumentou. É fato que o descaso com a Educação no Brasil, contribui para que os alunos cheguem a universidade cada vez mais despreparados, e isso certamente influencia o desenvolvimento pleno de sua carreira acadêmica. Essa é a realidade dos cursos de Licenciatura em Física, que em geral, além de ter baixa procura pelo curso, apresentam um alto índice de alunos que abandonam o curso ou são excluídos devido ao fracasso observado em disciplinas básicas, como Física I e Calculo I. Especificamente no caso da Física, onde já existe no Brasil um grande déficit de professores, a baixa procura pelo curso e alto índice de evasão, agrava ainda mais a falta de professores com formação adequada, o que compromete bastante a qualidade do ensino de Física nas escolas de Educação Básica. Este trabalho apresenta uma análise qualitativa dos motivos que podem estar afetando esse quadro, em especial fazendo uma análise do perfil dos ingressantes num curso de licenciatura no interior do Brasil. Alguns dados foram obtidos junto a coordenação do curso e outros foram obtidos através de questionamentos feitos aos alunos, em particular sobre a percepção e motivação destes alunos ao ingressarem num curso de Licenciatura em Física na região do sudeste Goiano. Os resultados mostram que nossos alunos são basicamente jovens oriundos da camadas menos privilegiadas e que sempre estudaram em escola pública.
Palavras-chave : Evasão, Motivação, ensino de Física.
## Introdução
Atualmente as dificuldades são menores para o ingresso no Ensino Superior. Isto se deve a expansão do número de vagas nas instituições de Ensino Superior, que aliado à adoção da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), como processo de seleção para o Ensino Superior, tornou mais acessível o ingresso nos cursos de graduação no Brasil. A nota do ENEM é utilizada para o ingresso tanto pelo Sistema de Seleção Unificado (SISU) na maioria das Instituições públicas quanto pelo PROUNI nas instituições privadas.
Por outro lado não houve grandes alterações na problemática da evasão nas universidades brasileiras (MORAES, 1986; CUNHA, TUNES e SILVA, 2001). E o resultado é que os cursos de licenciatura ainda apresentam um elevado número de vagas ociosas e alta taxa de evasão (GOBARA E GARCIA, 2007). O que contribui para a falta de professores na rede pública de ensino não se altere, em particular nas disciplinas da área de Exatas: Física, Química e Matemática, ou seja, a quantidade de professores formados pelos cursos de licenciatura não é suficiente
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23 a 27 de janeiro de 2017
pra suprir a demanda existente. De modo que a falta de professores demanda a necessidade de formar mais profissionais nessas áreas. Mas o que se observa é um impasse: houve um aumento expressivo de vagas nas licenciaturas, facilitando o acesso a esses cursos, mas isso não tem reflexo nem no número de formandos nos cursos de licenciaturas nem no de profissionais qualificados nas escolas, cujos números ainda são baixos.
Particularmente no caso da Física, na visão de muitos é normal o baixo número de alunos que se graduam, pois consideram que a Física é de difícil aprendizagem e pouco atrativa profissionalmente. E a realidade das instituições brasileiras é que somente uma porcentagem pequena de alunos consegue concluir o curso no tempo regular (BARROSO e FALCÃO, 2004; GOBARA e GARCIA, 2007; RODRIGUES e TEIXEIRA, 2009). Mas o que antes até podia ser considerado normal, vem se tornando anormal e tomando um rumo mais grave, pois este número que já era baixo vem se tornando menor ainda.
Quando observamos o curso de Licenciatura em Física da Regional Catalão da Universidade Federal de Goiás (RC-UFG), vemos a repetição desse quadro, no qual nem todas as vagas do curso são preenchidas e onde também existe um elevado número de alunos que abandonam ou transferem de curso dentro da própria universidade. Outro aspecto relevante é que a maioria dos estudantes não consegue concluir o curso dentro do período previsto de quatro anos, colecionando ao longo do percurso acadêmico várias reprovações.
A partir dessas observações resolveu-se realizar um estudo mais aprofundado a respeito do porque dessa situação, em especial analisar os fatores que resulta no fracasso dos estudantes ao não concluir a graduação no tempo regular, e o que provoca o alto índice de evasão e abandono do curso. Os dados aqui analisados foram obtidos observando a evolução dos alunos em relação à matriz curricular, e em entrevistas e questionários realizados com alunos ao longo da sua evolução no curso de Física.
## Metodologia
A identidade profissional do docente é construída ao longo da sua formação e no decorrer da sua carreira. E a razão da escolha de um jovem pela licenciatura e as características de sua prática construídas ao longo do curso, contribuirá para formar essa identidade, dando significado às escolhas e a opção pela carreira docente, além de contribuir para a conclusão ou não do curso (SOUZA E KAWAMURA, 2010). Neste trabalho discutimos a situação dos ingressantes num curso de Física no interior de Goiás.
Parte da pesquisa é uma análise quantitativa sobre o desenvolvimento dos alunos no curso, sendo analisados os dados referentes ao número de alunos ingressantes, alunos regulares, alunos com matrículas trancadas e de alunos formandos. Com estes dados, que foram obtidos junto à coordenação do curso, podemos fazer uma breve análise da evasão no curso.
E a outra parte da pesquisa analisa, de forma qualitativa, dados obtidos em entrevistas e questionários realizados com alunos, o perfil socioeconômico e as perspectivas desses jovens ao ingressarem no curso. Foram avaliados a renda familiar, o tipo de estudo no ensino médio, a formação dos pais, a motivação destes para ingressar no curso e as expectativas sobre o curso e sobre a carreira de Físico. Ao todo 130 alunos participaram dessa pesquisa.
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## O curso de licenciatura em física da RC/UFG
O curso de Licenciatura em Física da RC/UFG começou em agosto de 2006, dentro do programa de expansão do Governo Federal, e a escolha pela Física se deu tanto para ser núcleo servidor dos cursos de Engenharia quanto pela falta de professores de Física na região.
São ofertadas anualmente 50 vagas para ingresso no curso de licenciatura, no período noturno, com entrada apenas no início de cada ano letivo. Mas somente no ano de 2006, no início do curso, quando o ingresso ocorreu num vestibular fora de época, é que todas as vagas foram preenchidas. Desde então sempre sobram vagas ociosas, sendo que este número já chegou a 64% das vagas ofertadas em 2010 e 2011. Mas nos últimos anos esse número diminuiu, e desde 2014, quando a UFG passou a adotar o SISU/ENEM como forma de ingresso nos seus cursos, houve um aumento considerável dos ingressantes no curso (figura 1), e o número de vagas ociosas caiu para 18% em 2016. Esse número reflete a realidade observada nos cursos de licenciatura da UFG, que tem uma média de 20% das vagas ociosas.
Figura 1 - Gráfico mostrando o número de ingressantes no curso de física da Regional Catalão da UFG de 2006 a 2015.
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A matriz curricular do curso foi elaborada para que o aluno a conclua num período de oito semestres letivos, passando por disciplinas básicas, comuns aos cursos de bacharelado e aquelas que são específicas da licenciatura. Mas somente cerca de 10 % dos alunos conseguiram concluir o curso nesse período de oito semestres, sendo que já teve turmas onde nenhum aluno conseguiu se formar em quatro anos, o que tem sido normal nos cursos de Física no Brasil (BARROSO e FALCÃO, 2004; GOBARA e GARCIA, 2007; RODRIGUES e TEIXEIRA, 2009). Em geral os alunos terminam o curso entre 10 a 12 semestres e até o momento 31 alunos concluíram o curso, sendo que vários destes foram para o mestrado e quatro ex-alunos já estão cursando o doutorado.
Em conversas com alunos, que já passaram pelo curso ou que ainda continuam nele, percebemos que o curso não é exatamente o que eles esperavam,
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já que o esperado são conteúdos similares aos do ensino médio e com um grau de dificuldade bem menor. Os alunos afirmam que não esperavam terem tantas dificuldades e reclamam da pouca base adquirida durante o ensino médio. Cerca de 80 % dos ingressantes no curso vieram do ensino público regular e vários relatam que sofreram com a falta de professores de física durante o ensino médio, e vários relatam que raramente estudaram todo o conteúdo previsto de física. E que as aulas de Física sempre foram pautadas pela memorização de uma coleção de expressões matemáticas, que não apresentam conexão com suas atividades cotidianas e com toda a tecnologia moderna, ou seja, pouco se aprende tudo se decora.
De acordo com alguns alunos, ao começarem as aulas na universidade eles têm a sensação de terem 'pego um filme pela metade', adquirindo a consciência de que a formação básica necessária para o sucesso no curso é bastante precária. Esse despreparo os leva a enfrentarem dificuldades ao longo da evolução no curso, principalmente com muitas reprovações nas disciplinas iniciais do curso. Entre 2006 e 2010, 30% dos alunos foram excluídos por reprovações consecutivas (três vezes) nas disciplinas de Calculo I e Física I, e 15% desistiram do curso, ainda nos primeiros meses, por não estarem conseguindo acompanhar esses conteúdos, ou seja, cerca de metade dos alunos não conseguiram avançar além do primeiro semestre do curso. Isso motivou mudanças na matriz curricular, mas ainda se observa um alto índice de reprovação (mais de 50 %) nas disciplinas do primeiro semestre: introdução a física e geometria analítica. Isso leva a um quadro de fracasso devido às sucessivas reprovações, o que prejudica a evolução dos alunos dentro da matriz curricular do curso de Física, e essas dificuldades se torna um dos motivos para o abandono do curso.
Outro fator que acaba desmotivando os alunos, e se tornando motivo de evasão na Regional Catalão, é o fato de muitos alunos residem em cidades próximas, o que torna cansativa a ida diária para a universidade no período noturno. Além de que muitos alunos trabalham e não tem tempo para se dedicar aos estudos. E sendo as exigências do curso muito altas, se torna necessária uma maior dedicação e tempo para obter sucesso no desenvolvimento das disciplinas, e no caso dos alunos, que trabalham o dia todo, já chegam cansados e não conseguem obter sucesso nas disciplinas, o que os leva a procurar outras opções de formação que eles acham menos exigentes.
## A percepção dos alunos sobre a física no inicio do curso
Para conhecer os motivos que levaram a escolha do curso de física aplicamos um questionário aos alunos e ex-alunos do curso, onde além do perfil socioeconômico, perguntamos o que os levaram a estudar física e como souberam do curso. As respostas são analisadas abaixo.
Os ingressantes no curso de Física são jovens, na faixa etária de 16 a 20 anos de idade, ainda com predominância masculina, apesar do número de mulheres estar aumentando (25 % dos ingressantes em 2016) e estudaram na escola pública (80%). Esses jovens são oriundos de extratos sociais menos privilegiados em termos educacionais e culturais, sendo que a maioria dos alunos situa-se na faixa de renda familiar de até quatro salários mínimos. E o fato de ingressarem na universidade indica que os mesmos superaram seus pais quanto a escolaridade, pois cerca de 45 % dos pais destes alunos só cursaram o ensino fundamental e 43 % concluíram o ensino médio. De forma geral, seguem o perfil descrito por Gobara e Garcia
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'São estudantes que têm uma base muito precária dos conhecimentos gerais e da língua portuguesa e a maioria abandona no primeiro e/ou segundo ano do curso porque não conseguem acompanhá-lo e também porque precisa trabalhar (GOBARA e GARCIA, 2007).'
Cerca de 50 % entraram no curso dizendo querer ser professor, mas veem a desvalorização da carreira docente como uma barreira pra isso. É interessante observar que para metade dos alunos a decisão de ingressar em um curso de licenciatura não significa interesse em seguir a carreira docente. O que pode indicar que os mesmos veem a carreira docente de forma bastante negativa.
Ao questionar os alunos ingressantes, sobre o motivo que os levaram a escolher o curso de física, dividimos as respostas quanto a motivação em quatro categorias: o grupo dos que optaram pelo curso devido a grande facilidade em Física durante o ensino médio, ou por gostarem de cálculos; o grupo dos que acham a Física interessante, que está relacionada a tudo que acontece no nosso cotidiano e querem aprofundar o conhecimento sobre a mesma; o grupo dos que pensam no mercado de trabalho, devido à escassez de professores de Física e tem o grupo dos que veem o curso de Física como forma de acesso à universidade. Essas quatro categorias são representadas no quadro a seguir.
Quadro 1 - Respostas dos alunos à pergunta 'Por que estudar Física?'
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engenharia de controle e automação'
Um detalhe relevante observado é que, desde que a UFG passou a adotar o SISU/ENEM como forma de ingresso, é crescente o número de alunos que optam pelo curso de Física com objetivo de ingressar na universidade, e depois tentar uma transferência interna para um curso de engenharia. Isso ocorre devido ao fato da concorrência no curso ser baixa, o que exige uma menor nota no ENEM. Assim ao verificar que sua nota não é suficiente para ingressar numa engenharia, o estudante tenta outro caminho, ou seja, garantir sua vaga na universidade e depois buscar uma mudança, e assim tem sido observado o crescimento do número de alunos que mudaram de curso, sendo que 12% dos alunos de Física conseguiram transferir de curso em 2015.
Mas de forma geral o que se observa é que os alunos chegam à universidade despreparados para a sua realidade, tendo ainda uma visão bastante 'romantizada' da Física e do cientista, ou seja, sabem muito pouco sobre o que de fato é aprender física e as exigências para obter sucesso em sua aprendizagem.
Outra questão analisada é sobre como souberam e optaram pelo curso de Física, sendo algumas respostas listadas no quadro a seguir.
Quadro 2 - Respostas dos alunos à pergunta: 'Como souberam do curso?'
Sobre como ficaram sabendo do curso, observa-se que o professor do ensino médio ainda é uma grande referência para as escolhas dos jovens, muitos alunos vieram seguindo a orientação dos mesmos. Outros alunos ficam sabendo do curso pela internet e tem aqueles que tiveram a 'sorte' de ter a visita de um professor de física da universidade em sua escola, ou que foram motivados a ingressarem no curso após participarem de projetos realizados nas escolas por professores do curso de Física. Mas vários alunos se interessaram pelo curso durante as visitas à UFG, principalmente participando do Espaço das Profissões que, desde 2008, acontece todos os anos na Regional Catalão. Neste evento o espaço da física é um dos chamativos, com experimentos e atividades bastante atrativas, que desperta a curiosidade e o interesse dos alunos pela Física.
Conclui-se então que a presença de professores qualificados de Física nas escolas é fundamental para despertar o interesse pela área, mas observa-se também a importância da interação universidade-escola, em especial através da divulgação e difusão da Física nas escolas, despertando a curiosidade e o interesse
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pelo curso. Isso vai de encontro ao que propõe Gobara e Garcia sobre a necessidade de ações que estimule a formação de professores no Brasil
'principalmente para as áreas de física e química que precisariam de uma política específica destinada a ampliar o número de vagas nas instituições de nível superior e assegurar a permanência dos concluintes à atividade docente (GOBARA e GARCIA, 2007).'
## Considerações finais
A partir da analise dos dados oficiais do curso e dos questionários respondidos pelos alunos, verifica-se que os principais motivos da desistência no curso são as dificuldades que eles encontram na evolução do curso, com inúmeras reprovações nas disciplinas, e isso ocorre porque esses alunos trazem uma bagagem de deficiências desde a sua formação básica. Cerca de 30% dos alunos são excluídos do curso devido às reprovações sucessivas, e somente 10% conseguem concluir o curso nos oito semestres letivos regulares.
É necessário melhorar a qualidade do ensino de Física oferecido na rede pública de educação básica, visto que cerca de 80% dos nossos alunos são egressos de escolas públicas. Temos que aproximar mais a universidade das escolas, buscar propiciar aos alunos no ensino médio uma educação de melhor qualidade, para que eles não se deparem com tantas dificuldades ao chegarem à graduação. Além disso uma maior interação universidade-escola poderá aumentar o interesse pelo curso de Física, pois observou-se que muitos procuram o curso após participarem de projetos de extensão desenvolvidos nas escolas de ensino médio.
A formação precária recebida pelos estudantes durante o ensino fundamental e médio, não os deixa acompanhar de forma satisfatória os conteúdos das disciplinas básicas na universidade, ocasionando sucessivas reprovações e, muitas vezes, provocando o abandono do curso. Então é necessário que sejam tomadas providências para minimizar esses fatores. Principalmente motivando os ingressantes no curso, envolvendo-os em projetos que os ajude a superar suas deficiências e os incentivem a seguir a carreira docente. E isso vai de encontro a Gobara e Garcia que afirmam:
'E necessário criar equipes de professores educadores com condições materiais e tempo para que possam se dedicar aos cursos de Licenciaturas a fim de recuperar a maioria dos estudantes que abandona o curso por falta de conhecimentos mínimos para permanecer e superar os dois primeiros anos dos cursos de Licenciatura em Física (GOBARA E GARCIA, 2007).'
Quanto à motivação, observa-se que muitos alunos optaram pelo curso porque durante o ensino médio gostavam e tiravam boas notas nas disciplinas de física e matemática, o que os levou a pensar que o mesmo ocorreria na universidade, e quando isso não ocorre leva a um quadro de desânimo perante a continuidade do curso.
Metade dos alunos entram na universidade querendo ser professor, mas a desvalorização da profissão docente, com baixos salários e péssimas condições de trabalho, os leva a questionar se vale a pena enfrentar as grandes dificuldades encontradas durante a sua formação, para depois receber um baixo salário e ainda enfrentar o descaso do poder público e da sociedade em relação à Educação.
Outro fato que fez aumentar o índice de abandono no curso foi a adoção do SISU/MEC, onde os alunos ao verificar que sua nota do ENEM não é suficiente para ingressar no curso desejado, procuram alternativas de acesso ao ensino superior e optam pelo curso de Física visando a uma futura transferência. Em 2016 cerca de 30
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% dos ingressantes no curso disseram ser esse o seu objetivo futuro. Ou seja, o curso de física, devido à baixa concorrência, se torna um meio de acesso á universidade e aos cursos de engenharia que tem concorrência maior.
Os resultados indicam que metade dos ingressantes num curso de licenciatura não pretendem seguir a carreira docente, isso indica que a escolha do curso está desvinculada da perspectiva de seguir a carreira docente. Mesmo entre os que querem ser professores existe uma imagem muito negativa da carreira. Isto implica na necessidade de realizar um processo contínuo de discussão e construção da identidade profissional do professor.
Considerando que de um lado temos poucos professores se formando, do outro lado falta professores na Educação Básica, o resultado final observado é que poucas escolas oferece um ensino de qualidade com professores bem qualificados e valorizados. Isso implica que medidas urgentes devem ser tomadas para mudar esse quadro se quisermos o sucesso do Brasil, pois o desenvolvimento econômico e social de uma Nação depende essencialmente da qualidade de sua Educação.
## Referências
BARROSO, M. F., FALCÃO, E. B. M., Evasão universitária: o caso do instituto de física da UFRJ, In: Anais do IX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Jaboticatubas, MG, 2004.
CUNHA, A. M.; TUNES, E., SILVA, R. R., Evasão do curso de química da Universidade de Brasília: a interpretação do aluno evadido , Química Nova, Vol. 24 (1), p. 262-280, 2001.
GOBARA, S. T., GARCIA, J. R. B., As licenciaturas em física das universidades brasileiras: um diagnóstico da formação inicial de professores de física , Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 29 (4), p. 519-525, 2007.
MORAES, N. I., Perfil da universidade . São Paulo: Pioneira/Universidade de São Paulo, 1986.
RODRIGUES, M. A., TEIXEIRA, F. M., Reflexões sobre a baixa procura pelo curso de física nas universidades federais de Pernambuco, In: Anais do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, Florianópolis, SC, 2009.
SOUZA, C. A., KAWAMURA, M. R. D., Licenciandos em física: caracterizando o perfil dos ingressantes , In: Anais do XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Águas de Lindóia, SP, MG, 2010.
## Agradecimentos
Ao Programa de Bolsas de Iniciação Científica da Universidade Federal de Goiás: PIBIC-UFG-CNPQ.
Ao CNPQ/Instituto TIM, a CAPES e a FAPEG pelo apoio financeiro.
A Coordenação do Curso de Licenciatura em Física da Regional Catalão - UFG pelos dados disponibilizados.
Aos alunos do Curso de Física que prontamente responderam aos questionamentos.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.