A PROGRAMABILIDADE DA FÍSICA DE PARTÍCULAS ELEMENTARES EM COLEÇÕES DIDÁTICAS
Rafael Gombrade, Leandro Londero
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A PROGRAMABILIDADE DA FÍSICA DE PARTÍCULAS ELEMENTARES EM COLEÇÕES DIDÁTICAS
## THE PROGRAMMABILITY OF PARTICLE PHYSICS IN ELEMENTARY COLLECTIONS TEACHING
Rafael Gombrade 1 , Leandro Londero 1
1 UNESP/IBILCE/Departamento de Educação, rafaelgombrade@gmail.com; llondero@ibilce.unesp.br
## Resumo
Analisamos como a Física de Partículas Elementares é apresentada em Coleções Didáticas de Física destinadas ao Ensino Médio pertencentes ao Programa Nacional do Livro Didático do governo federal brasileiro. Procuramos resposta para o seguinte problema: Quais os vestígios do processo de programabilidade relacionado à Física de Partículas Elementares? Entre as questões que balizaram o nosso trabalho estão: Quais os 'conteúdos'/'assuntos' pertencentes ao tópico de partículas elementares aparecem nas coleções analisadas? Que fragmentações/reorganizações ocorrem no saber científico? Quais as estratégias os autores lançam mão para tornar o conteúdo didatizado? Nosso estudo justifica-se uma vez que autores de obras didáticas destinados ao ensino de física, para escola média, passaram a inserir o tópico de Física de Partículas em suas produções. A análise das coleções permite inferir que, de modo geral, elas ignoram a origem e a história do saber sábio, uma vez que não são discutidas as contribuições de diversos cientistas. Concluímos que isso pode gerar uma desvalorização da figura do cientista e uma concepção errônea sobre o funcionamento da ciência. As coleções não apresentam, entre si, uma regularidade de conteúdos. Na maioria delas há um reducionismo dos conteúdos que afastam o saber sábio do saber a ser ensinado. Para tornar o saber sábio em saber a ensinar, os autores lançam mão de diferentes estratégias como, por exemplo, charges, poemas, reportagem jornalística e imagens. Argumentamos a favor de uma vigilância epistemológica para pontuarmos e inibirmos possíveis deformações geradas pela transposição didática, com o objetivo de assegurarmos um ensino de física com qualidade.
Palavras-chave : Partículas Elementares, coleções didáticas, Transposição Didática
## Abstract
We analyzed as elementary particle physics is presented in Teaching Collections of Physics intended for high school belonging to the National Textbook Program of the Brazilian federal government. We seek to answer the following question: What remains of programmability process related to elementary particle physics? Among the questions that guided our work are: What are the "content" / "issues" pertaining to the topic of elementary particles appear in the analyzed collections? What fragmentations / reorganizations occur in scientific knowledge? What strategies the authors throw hand to make didatizado content? Our study is justified as authors of textbooks for the teaching of physics to middle school, they began to enter the topic of particle physics in their productions. An analysis of the collections can be inferred that the analysis of the collections can be inferred that, in general, they ignore the origin and history of
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23 a 27 de janeiro de 2017
knowledge wise, since they are not discussed the contributions of many scientists. We conclude that this can lead to a devaluation of the scientist figure and a misconception on the functioning of science. The collections do not have, between them, a content regularly. In most of them there is a reductionism of content that drive the wise know the knowledge to be taught. To make the wise know to learn to teach, the authors lay hold of different strategies such as, cartoons, poems, news report and images. We argue in favor of an epistemological surveillance to score and inhibit possible deformations generated by the didactic transposition, in order to insure a physics teaching quality.
Keywords : Elementary Particles, teaching collections, Didactic Transposition
## Introdução
A natureza microscópica da matéria sempre foi alvo de pesquisas da física quântica, sendo os átomos tidos como partículas elementares até o ano de 1897, quando o mesmo foi 'quebrado' pelo físico inglês Joseph John Thomson e a primeira partícula elementar foi descoberta: o elétron. Posteriormente, descobriu-se que os átomos eram constituídos de elétrons e núcleos constituídos de prótons e nêutrons. Dessa forma, com o avanço das pesquisas na área da física quântica, o número de partículas conhecidas foi crescente e, atualmente temos o modelo padrão das partículas elementares que constituem a matéria.
Nos meios de difusão de informação, como televisão, jornais e revistas, é comum nos depararmos com notícias a respeito dos aceleradores de partículas, principalmente o LHC ( Large Hadron Collider ), que é o maior dos aceleradores, devido à sua alta energia. Além disso, recentemente, houve a descoberta do bóson de Higgs, partícula alvo de diversas pesquisas, capaz de permitir a explicação de como se confere massa a toda a matéria.
Devido às notícias veiculadas pela mídia sobre a física de partículas, mais especificamente aos aceleradores de partículas e ao bóson de Higgs, grande parte da população adquire uma concepção errônea a respeito deste conceito, uma vez que não possuem os conhecimentos necessários para o entendimento dos assuntos tratados. Como exemplo podemos citar o 'medo' dos aceleradores provocarem o fim do mundo. O medo era que a energia gerada nas colisões entre as partículas poderia até provocar um buraco negro e destruir o planeta.
## Uma breve explanação sobre a Transposição Didática
O termo transposição didática foi tratado pela primeira vez pelo sociólogo francês Michel Verret. Posteriormente, o termo foi rediscutido pelo matemático francês Yves Chevallard em 1985 em seu livro La Transposition Didactique , onde Chevallard mostra as transposições que um saber sofre quando passa do campo acadêmico para a sala de aula. Chevallard ( Apud Teixeira, 2011, p.2) reformula as estruturas propostas por Michel Verret e as adapta a outro contexto, defendendo a ideia de que é preciso haver certa distância entre os saberes científicos e os saberes escolares.
Para Chevallard, a transposição didática atua como um dispositivo eficiente para analisar o processo por meio do qual o saber produzido pelos cientistas, o 'Saber Sábio', aquele que aparece em revistas especializadas, congressos ou periódicos científicos, se transforma naquele que está contido nos livros didáticos. A partir daqui, transforma-se no 'Saber a Ensinar', que é o saber que deve estar munido de uma forma didática visando sua apresentação aos alunos, e, por último,
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no 'Saber Ensinado', aquele que realmente aparece nas salas de aula e torna-se conhecimento adquirido pelo aluno. Chevallard define alguns elementos norteadores dos processos da transposição didática, como a descontextualização, a dessincretização, a despersonalização e a programabilidade. Chevallard (1991, p.73), define a programabilidade da seguinte maneira:
'... um texto tem um princípio e um fim (provisório) e opera por encadeamento de razões. Se se concebe a aprendizagem como equivalente ao progresso que manifesta a estrutura própria do texto, este permite medir aquele e faz possível uma didática essencialmente isomorfa cuja duração demarca sua diacronia e esta didática se legitima, então, pela ficção de uma concepção de aprendizagem isomorfa a respeito do processo de ensino cujo modelo ordenador é o texto do saber em sua dinâmica temporal (1991,p.73).
Dessa forma, a programabilidade da aquisição das aprendizagens refere-se, à 'preparação didática' ou textualização do saber, à normatividade da progressão no conhecimento e, por conseguinte, na aprendizagem, ou seja, o encadeamento didático em que se aprende ao mesmo tempo em que o conhecimento didatizado é operacionalizado em sua progressão, sequenciação.
Em nosso estudo enfatizaremos a programabilidade, ou seja, as fragmentações sofridas pelo saber sábio, o qual é cortado e reorganizado em outros saberes.
## Objetivo, Problema, questões de estudo e justificativas
Objetivamos analisar como a Física de Partículas Elementares é apresentada em Coleções Didáticas de Física destinadas ao Ensino Médio pertencentes ao Programa Nacional do Livro Didático do governo federal. Procuramos resposta para o seguinte problema: Quais os vestígios do processo de programabilidade relacionado à Física de Partículas Elementares? Entre as questões que balizaram o nosso trabalho estão: Quais os 'conteúdos'/'assuntos' pertencentes ao tópico que de partículas elementares aparecem nas coleções analisadas? Que fragmentações/reorganizações ocorrem no saber sábio? De quais as estratégias os autores lançam mão para tornar o conteúdo didatizado?
Nosso estudo justifica-se uma vez que autores de obras didáticas destinados ao ensino de física, para escola média, passaram a inserir o tópico de Física de Partículas em suas produções. Analisar criticamente as explicações textuais deste tópico torna-se importante tema de investigação, ou seja, o estudo justifica-se pela necessidade de um melhor esclarecimento sobre a maneira pela qual os autores abordam o ensino da Física de Partículas Elementares.
## A realização do estudo
Para responder o problema deste trabalho, optamos por analisar as 14 coleções didáticas de física pertencentes ao Programa Nacional do Livro Didático do governo federal, do triênio 2014-2016 estabelecido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), aqui codificadas por: CD 01 - Gaspar (2013); CD 02 - Sant'Anna et al. (2013); CD 03 - Máximo e Alvarenga (2013); CD 04 - Torres et al. (2013); CD - 05 Biscuola et al. (2013); CD 06 - Silva e Barreto (2013); CD 07 - Gonçalves Filho e Toscano (2013); CD 08 - Oliveira et al. (2013); CD 09 - Fuke e Yamamoto (2013); CD 10 - Kantor et al. (2013); CD 11 - Artuso e Wrublewski (2013); CD 12 - Piqueira et al. (2013); CD 13 Bonjorno et al. (2013); CD 14 - Stefanovits (2013).
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Assim, primeiramente, identificamos o tópico de partículas elementares nas coleções selecionadas, realizando a fotocópia e registro das páginas localizadas, em cada um dos volumes que compõem cada coleção. A identificação foi realizada mediante a leitura integral dos textos que compõem os volumes. Na sequência, analisamos a apresentação e a maneira pela qual os autores abordam e inserem a discussão da física de partículas elementares, destacando os recursos linguísticos utilizados para a explicação do conteúdo. Em seguida, analisamos a transposição didática ocorrida por meio do referencial teórico utilizado, destacando a descontextualização, despersonalização, recontextualização, programabilidade, publicidade e o controle social das aprendizagens ocorrida nos livros didáticos.
No decorrer das análises, procuramos observar se os autores apresentavam discussões referentes: a) à teoria de Paul Dirac, a qual prevê a existência de antipartículas; b) à descrição das antipartículas; c) aos seis tipos de quarks ( up, down, top, strange, charme, bottom ); d) ao Modelo Padrão; e) aos aceleradores de partículas e; f) à contribuição brasileira à física de partículas, em especial no que se refere aos contributos de César Lattes e a descoberta do méson π . Ao final, analisamos se as coleções apresentam entre si uma regularidade na sequência apresentada.
Finalizamos o estudo com a redação final do trabalho, sistematizamos as respostas encontradas e apontamos as implicações para o ensino da física de partículas. Vale a pena destacar que neste trabalho daremos ênfase na descrição dos resultados obtidos da análise da programabilidade.
## Resultados
Apresentamos os resultados da análise por coleção didática, exibindo, quando necessário, exemplos que consideramos mais significativos de serem expostos ao leitor. Um aspecto interessante desse trabalho é que foram analisados apenas o volume três de cada coleção, visto que a Física de Partículas Elementares está inserida dentro do tópico Física Moderna e Contemporânea, a qual é contemplada apenas nesse volume. Cabe ainda ressaltar que as coleções CD 03 Máximo e Alvarenga (2013) e CD 08 - Oliveira et al. (2013) não foram analisadas uma vez que não contemplam o tópico de partículas elementares.
## CD 01 - Gaspar (2013)
A abordagem inicial do autor da CD 01 parte da teoria de Paul Dirac, a qual '... sugeria a existência de mais uma estranha característica da natureza - a antimatéria'. Em seguida, o autor cita Carl David Anderson e a sua detecção do rastro de um pósitron dentro de uma câmara de nuvens. Por conseguinte, o autor insere um quadro informativo sobre o trabalho de César Lattes e a descoberta do méson π , prevista teoricamente por Hideri Yukawa. Na sequência, ele disserta acerca dos seis tipos de quarks, além de mencionar a característica de carga de cor e explica a constituição do núcleo atômico por meio dos quarks up e down . O autor ainda disserta de maneira bem elaborada a constituição do Modelo Padrão e finaliza apresentando um quadro informativo acerca dos aceleradores de partículas, por meio do qual cita o LHC. Na CD 01, a transposição ocorrida não ignora a origem e a história do saber sábio, uma vez que são discutidas as contribuições de James Chadwick, Murray Gell-Mann, George Zweig, Wolfgang Pauli, Paul Dirac, Carl David Anderson, Hideki Yukawa e Peter Higgs. No que diz respeito à programabilidade, os conteúdos escolhidos parecem compor uma sequência lógica, além de fazer uso de ferramentas como imagens, gráficos, tabelas e quadros que auxiliam na tarefa de expor o conteúdo de partículas.
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## CD 02 - Sant'Anna et al. (2013)
Esta coleção apresenta inicialmente a discussão sobre os quarks e explica a constituição do nêutron e do próton por meio dos quarks up e down. Em seguida discorrem sobre a teoria de Paul Dirac e a existência de antipartículas, já que sua teoria '... previu a existência de uma partícula idêntica ao elétron, mas com uma diferença: sua carga elétrica seria positiva. A essa partícula foi dado o nome de antielétron, ou pósitron ' detectado por meio da experiência de Carl David Anderson que identificou pela primeira vez uma antipartícula (o pósitron). Ao final, os autores apresentam uma breve discussão sobre o bóson de Higgs e finalizam o tópico com funcionamento dos aceleradores, contextualizando com o Fermilab, SLAC, LHC e o primeiro acelerador de partículas (cíclotron), desenvolvido por Ernest O. Lawrence, em 1929, os quais são apresentados por meio de texto e imagens. Na CD 02, a transposição ocorrida parece também não ignorar a origem e a história do saber sábio, uma vez que são discutidas as contribuições de James Chadwick, Murray Gell-Mann, George Zweig, Wolfgang Pauli, Paul Dirac, Carl David Anderson, Hideki Yukawa e Peter Higgs. No que diz respeito a programabilidade, os conteúdos escolhidos parecem compor uma sequência didática, que supostamente propicia o ensino-aprendizagem da física de partículas.
## CD 04 - Torres et al. (2013)
Nesta coleção, os autores partem da teoria de Paul Dirac que '... previa a existência de partículas idênticas aos elétrons, exceto pela carga positiva '. Logo em seguida as antipartículas são mencionadas. De acordo com o texto ' As antipartículas teriam a mesma massa e o mesmo spin das partículas [...], porém com cargas de sinais opostos '. A seguir, os autores dissertam acerca dos seis tipos de quarks e explicam a constituição do nêutron e do próton, por meio dos quarks up e down . Nesta coleção percebemos que no processo de transposição ocorreu uma redução do saber sábio, na medida em que os autores não tecem comentários acerca do Bóson de Higgs e sobre o funcionamento dos aceleradores. Talvez para eles, os conteúdos abordados sejam suficientes para o ensino da física de partículas.
## CD 05 - Biscuola et al. (2013)
Para tornar o saber sábio em objeto de ensino 'ensinável', o autor recorre a uma reportagem jornalística por meio da qual são citados os aceleradores de partícula síclotron, localizado no Brasil, o Fermilab que encontra-se nos Estados Unidos e o LHC, montado entre a França e a Suíça. A coleção faz uma breve citação ao Modelo Padrão apresentando o bóson de Higgs e a sua detecção. A análise da obra parece indicar que, para manter o saber objeto de ensino suficientemente próximo do saber sábio, os autores fazem uso da apresentação dos aceleradores, uma vez que esses aparecem, em algumas ocasiões, na mídia impressa e televisiva como é, por exemplo, o caso do LHC.
## CD 06 - Silva e Barreto (2013)
A abordagem inicial realizada pelos autores é sobre o quark definido como '... p artículas elementares que formam os prótons e os nêutrons, unidos '. Posteriormente, os autores ponderam sobre o Modelo Padrão, o qual '... descreve os fenômenos que ocorrem nos núcleos atômicos, existem seis tipos de quarks na natureza, sendo os dois mais comuns o quark u (up) e o quark d (down) '. Nessa obra ocorre um reducionismo que acaba por afastar o saber sábio do saber a ser
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ensinado, ou seja, os autores primam por uma visão reducionista da física de partículas. Na CD 06 não há uma sequência progressiva dos conteúdos.
## CD 07 - Gonçalves Filho e Toscano (2013)
Os autores abordaram inicialmente o trabalho de César Lattes e a descoberta do méson π , prevista teoricamente por Hideri Yukawa. Por conseguinte, os autores mencionam que '[...] algumas (partículas) bastante curiosas, foram modeladas com o desenvolvimento da mecânica quântica relativística: as antipartículas'. Na sequência, eles dissertam acerca dos seis tipos de quarks e explicam a constituição do nêutron e do próton por meio dos quarks up e down . Os autores apresentam os aceleradores Bevatron, Fermilab e o LHC. Ao final, tecem comentários sobre o bóson de Higgs e finalizam com o Modelo Padrão. Na CD 07, evidenciamos uma sequência progressiva que parte da contribuição de César Lattes, passando pela discussão dos tipos de quarks e finalizando com comentários sobre o bóson de Higgs e sobre o Modelo Padrão. A programabilidade é evidenciada pela distribuição organizada dos conteúdos em uma ordenação própria, a qual inicia-se pela contribuição do cientista brasileiro César Lattes.
## CD 09 - Fuke e Yamamoto (2013)
Nesta obra, os autores iniciaram a discussão de partículas elementares por meio da experiência de Carl David Anderson que detectou pela primeira vez uma antipartícula (o pósitron) prevista teoricamente por Paul Dirac. Em seguida, eles inserem um quadro informativo sobre o trabalho de César Lattes e a descoberta do méson π , prevista teoricamente por Hideri Yukawa. Na sequência, abordam o Modelo Padrão, definido como 'uma teoria que visa explicar a natureza da matéria e de suas interações'. Por conseguinte, é feita uma menção ao quark e ao antiquark . Finalmente, tem-se uma imagem do acelerador LHC com informações de localização, profundidade e tamanho. Tal como na CD 06, na CD 09 também ocorre um reducionismo que acaba por afastar o saber sábio do saber a ser ensinado, ou seja, os autores primam por uma visão reducionista da física de partículas. No entanto, os autores não ignoram a origem e a história do saber sábio, uma vez que são feitas menções referentes as contribuições de Wolfgang Pauli, James Chadwick, Carl David Anderson e Paul Dirac. Além disso, os autores fazem referencia ao físico brasileiro César Lattes e sua contribuição à física de partículas.
## CD 10 - Kantor et al. (2013)
Nesta coleção, os autores partem da teoria de Paul Dirac que '... previu a existência de antipartículas, tal como o pósitron que é um antielétron com carga positiva'. A seguir, os autores dissertam acerca das antipartículas e sobre a aniquilação ao se encontrarem com sua partícula correspondente. Na sequência, eles dissertam acerca dos seis tipos de quarks e explicam a sua organização em três gerações. A seguir os autores abordam o Modelo Padrão, por meio da inserção de quadros informativos além de mencionarem o trabalho do físico brasileiro César Lattes na descoberta do méson π . Ao final, os autores apresentam uma breve discussão sobre o bóson de Higgs e finalizam o tópico com a apresentação de textos e imagens do acelerador LHC. Na CD 10, evidenciamos a utilização de charges pelos autores, com o intuito de auxiliar no ensino-aprendizagem da física de partículas. Também constatamos que os autores ignoram a origem e a história do saber sábio, uma vez que são feitas raras menções as contribuições dos cientistas. A programabilidade é evidenciada pela distribuição organizada dos conteúdos em uma ordenação progressiva, a qual inicia-se pela contribuição de Paul Dirac e termina com a discussão sobre o bóson de Higgs.
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## CD 11 - Artuso e Wrublewski (2013)
Nesta coleção, os autores iniciaram a discussão de partículas elementares por intermédio de dois poemas, os quais discorrem sobre a composição da matéria. Em seguida, os autores iniciam uma abordagem sobre antipartículas (o pósitron) que de acordo com o texto é uma '[...] partícula com as mesmas características dos elétrons, mas com carga elétrica positiva [...]'. Por conseguinte o autor cita a previsão teórica de Paul Dirac sobre a existência do pósitron. Em seguida, os autores inserem um quadro informativo sobre o trabalho de César Lattes e a descoberta do méson π . Tem-se na sequência uma imagem do acelerador LHC com informações como a localização, valor do projeto e tamanho. Posteriormente, os autores definem os quarks como '[...] partículas elementares, indivisíveis, tomadas como tendo raio nulo, ou seja, são pontos geométricos perfeitos' e finalizam com uma representação esquemática do Modelo Padrão. A transposição didática é evidenciada pela utilização de poemas, pelos quais se inicia a discussão dos elementos constituintes da matéria (ar, terra, fogo e água) e das partículas elementares. Neste sentido, a transposição ocorrida permitiu relacionar o conhecimento de partículas com outras áreas do saber. Ainda, os autores fazem uso de diferentes imagens, seja de experimentos, vista aérea da localização de aceleradores, mapas conceituais, infográficos e representação esquemática do Modelo Padrão. Nesta obra, não verificamos uma redução significativa dos conteúdos em comparação com as demais coleções. A transposição ocorrida não ignorou a origem e a história do saber sábio.
## CD 12 - Piqueira et al. (2013)
Na CD 12, a transposição didática ocorreu quando os autores distribuíram os conteúdos no tempo e organizaram uma sequência, uma ordem, uma série linear de conteúdos e relações, partindo da apresentação dos aceleradores, passando pela definição de quark e finalizando com o Modelo Padrão. Nesta coleção, os aceleradores LHC e SLAC (acelerador linear) são apresentados por meio de textos e imagens. Em seguida, os autores inferem sobre o quark, mostrando que durante muito tempo acreditava-se que prótons nêutrons e elétrons fossem as partículas elementares constituintes da matéria e explica a constituição do nêutron e do próton por meio dos quarks up e down . Na sequência, os autores trazem a contribuição de Paul Dirac, o qual '[...] previu que toda partícula elementar teria a sua antipartícula, com a mesma massa, mas carga oposta, o que foi constatado inicialmente coma descoberta do pósitron, a antipartícula do elétron'. Por fim, os autores abordam o Modelo-Padrão, definido como 'a teoria moderna que descreve com grande sucesso as interações eletromagnéticas, a nuclear forte e a nuclear fraca'.
## CD 13 - Bonjorno et al. (2013)
Nesta coleção, os autores apresentam os aceleradores LHC, localizado na Suíça e Tevatron, localizado nos Estados Unidos. Os aceleradores foram inseridos dentro do tópico 'Força Magnética', com o objetivo de explicar o comportamento de uma carga em um campo magnético. Dentro do tópico de física moderna os autores discorrem sobre as antipartículas, definindo-as como '[...] uma espécie de 'espelho' com massa igual e carga elétrica oposta à da correspondente partícula'. Em seguida os autores ponderam acerca dos quarks, os quais segundo eles são '[...] consideradas as (partículas) mais elementares do universo.' Uma imagem explica a constituição do nêutron e do próton por meio dos quarks up e down .
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Podemos inferir que nesta coleção, a transposição ocorreu quando os autores determinaram uma forma de organização e apresentação dos conteúdos, bem como por meio do uso de uma imagem.
## CD 14 - Stefanovits (2013).
Nesta coleção a discussão sobre partículas elementares foi iniciada a partir do trabalho de César Lattes e a descoberta do méson π . Na sequência os autores dissertam sobre o Modelo Padrão, os quarks e finalizam com uma citação sobre as antipartículas. Na CD 14, a transposição fica evidenciada pela redução dos conteúdos que acaba por afastar o saber sábio do saber a ser ensinado, ou seja, os autores primam por uma visão reducionista da física de partículas.
## Considerações Finais
A análise das coleções permite inferir que, de modo geral, elas ignoram a origem e a história do saber sábio, uma vez que não são discutidas as contribuições de diversos cientistas. Concluímos que isso pode gerar uma desvalorização da figura do cientista e uma concepção errônea sobre o funcionamento da ciência.
No que diz respeito à programabilidade, as coleções não apresentam, entre si, uma regularidade de conteúdos. Na maioria das coleções há um reducionismo dos conteúdos que afastam o saber sábio do saber a ser ensinado. Para tornar o saber sábio em saber a ensinar, os autores lançam mão de diferentes estratégias como, por exemplo, charges, poemas, reportagem jornalística e imagens.
Argumentamos a favor de uma vigilância epistemológica para pontuarmos e inibirmos possíveis deformações geradas pela transposição didática, com o objetivo de assegurarmos um ensino de física com qualidade.
## Referências
ARTUSO, A, R; WRUBLEWSKI, M. Física . Curitiba: Editora Positivo. v.3. 2013. BISCOULA, G. J. et al. Física . São Paulo: Saraiva. v. 3. 2014. BONJORNO, J, R. et al. Física. São Paulo: FTD. v. 3. 2013. CHEVALLARD, Y. La Transposition Didactique: Du Savoir Savant au Savoir Ensigné . Grenoble, La pensée Sauvage, 1991. FUKE, L. F.; YAMAMOTO, K. Física para o ensino médio . São Paulo: Saraiva. v. 3. 2014. GASPAR, A. Compreendendo a física . São Paulo: Ática. v. 3. 2014. GONÇALVES FILHO, A.; TOSCANO, C. Física e realidade . São Paulo: Scipione. v. 3. 2014. KANTOR, C. A. et al. Quanta física . São Paulo: Editora PD. v. 3. 2014. MÁXIMO, A.; ALVARENGA, B. Curso de física . São Paulo: Scipione. v. 3. 2014. OLIVEIRA, M. P. P. et al. Física em contextos . São Paulo: FTD. v. 3. 2014. PIQUEIRA, R, C. et al. Física . São Paulo: Ática. v. 3. 2013. SANT'ANNA, B. et al.. Conexões com a física . São Paulo: Moderna. v. 3., 2014. SILVA, C. X.; BARRETO, F. B. Física aula por aula . São Paulo: FTD. v. 3. 2014. STEFANOVITS, A. Física. São Paulo: Coleção Ser Protagonista. v. 3. 2013. TORRES, C. M. A. et al. Física ciência e tecnologia . São Paulo: Editora Moderna. v. 3. 2014.
TEIXEIRA, A. L. S. A transposição didática e os processos de edição de Livro Didático de Língua Portuguesa: um estudo de caso . In: VI Simpósio Internacional de Estudos dos Gêneros Textuais:Natal, 2011.
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