HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS E CULTURA DE C&T: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO
Alex Vieira Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Ensino E Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS E CULTURA DE C&T: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO
## Alex Vieira dos Santos 1
1 SEC-Bahia/SUPROF- UFBA/IF - UNIFACS/EAETI, alexvieiradossantos@uol.com.br
## Resumo
O presente trabalho relata a experiência de ensino no estudo da Física a partir da leitura de um texto base de História das Ciências em uma turma da educação profissional integrada ao ensino médio no curso técnico de Logística do CEEPLT Luiz Pinto de Carvalho em Salvador, Bahia. A experiência, dentre outros objetivos, buscou fomentar junto aos educandos a familiarização com as ciências e, nesse contexto, com a Física e a cultura de C&T. De outro modo, a experiência buscou ainda reforçar a leitura no contexto da sala de aula e, no quesito aprendizagem, se utilizou da construção de Mapas Conceituais a fim de possibilitar que os educandos estabelecessem relações entre os conhecimentos da Física e da História das ciências como uma construção social não linear. Ao final os mapas conceituais construídos pelos alunos foram o produto material no contexto de instauração de uma cultura de C&T e na possibilidade futura de uma avaliação teórica da atividade.
Palavras-chave : História das Ciências, Cultura de C&T, Ensino de Ciências e Mapas Conceituais.
## 1. O contexto do ensino e da cultura de C&T na escola.
No contexto do ensino das ciências, aqui em específico no ensino da Física, muito já foi discutido sobre o que se pode tomar como importante nos objetivos desse ensino no campo na educação formal. Desde projetos e pesquisas que focaram no que deveria ser ensinado, perpassando para as questões do que deveria ser aprendido, a escola e os professores ainda se deparam com as diversas realidades que reforçam a necessidade de uma constante busca por novos caminhos que, ao menos, consigam aproximar os educandos do entendimento do que sejam as ciências e, por consequência, uma aproximação com a cultura de C&T que seja e esteja presente em seu contexto social e profissional (SANTOS e BAIARDI, 2007).
Assim, a educação cientifica assume um papel singular no momento em que possibilita aos educandos uma discussão sobre as ciências, as tecnologias e suas relações com a sociedade. Malgrado os indicadores nacionais e internacionais de desempenho escolar, a viabilidade de mudanças no ensino de ciências, representa a possibilidade de ressignificação desse ensino, potencializando no educando a curiosidade sobre ciências, o que proporciona a identificação das realidades vividas, bem como as relações entre C&T e sua futura posição como profissional (FERNANDES, 2007; MCKINSEY & COMPANY, 2011, dentre outros).
No contexto da cultura de C&T que se enseja disseminar na escola, o par ciência e tecnologia, além de ser elemento da cultura de uma sociedade, também pode ser considerado como um elemento delimitador:
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...de um perfil moderno de qualquer Estado nação. Sem uma ciência e uma tecnologia nacionais não se consegue promover o desenvolvimento econômico, valorizar devidamente os produtos de exportação e também não se tem sucesso em educar, nutrir e tornar saudáveis os cidadãos de um país. (BAIARDI, 2002)
Desse modo, é importante proporcionar aos educandos um entendimento dos caminhos traçados pelo conhecimento cientifico e que a rota da ciência para a tecnologia, não foi uma reta sem impedimentos, mas sim um caminho espiralado e cheio de interferências e controvérsias. Para esses estudantes, é de fundamental importância o entendimento que nesse caminho, o progresso científico habilita tecnologias que, ao seu turno, permitem galgar um patamar mais elevado da ciência, que, por sua vez, cria novas tecnologias e assim por diante. (SANTOS, BAIARDI e BAIARDI, 2016)
## 2. O livro utilizado e a perspectiva esperada no contexto da escola.
Foi através da leitura que se buscou uma possibilidade de estabelecer o vínculo entre o que seria ensinado na disciplina Física e essa Cultura de C&T que está sendo ensejada na escola. O texto utilizado foi um livro sobre História das Ciências, de minha autoria, que foi fruto de um edital de Popularização das Ciências pela FAPESB em 2008, que resultou em uma outra obra, publicada pela Assembleia Legislativa da Bahia e pela Academia de Ciências da Bahia em 2016.
- O livro estudado com os educandos, a saber, Uma Breve História da Ciência: A Aventura do Conhecimento Científico ao Longo dos Séculos, foi proposto com o objetivo de relatar, de forma simplificada e acessível, como se deu o surgimento e a evolução da atividade científica, desde que a mesma existe como uma manifestação de vontade individual ou coletiva, tendo como recorte temporal o período que percorre a Antiguidade Clássica até os dias de hoje. O texto foi estruturado em quatro partes tendo ao final de cada capítulo uma atividade de pesquisa relacionada a potencialização dos tópicos lidos e a reflexão do conhecimento cientifico como uma construção social.
Figura 01: Capa do livro. Texto utilizado na atividade.
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A possibilidade de viabilizar que os educandos vejam a ciência como uma construção social, reforça as bases para o caminho e estabelecimento de uma cultura de C&T, tarefa que não é simples, pois exige uma ação coordenada do Estado e da sociedade civil e uma infinidade de ações que passam pelo ensino básico, ensino superior, difusão, museus, oficinas, parques de ciências, publicações, divulgações em multimídia, premiações etc.
## 3. Os mapas conceituais como forma de representação do que será discutido
Um dos aspectos a serem observados por professores que queiram replicar essa experiência é que a priori, não foi tomado como foco do presente artigo, uma análise do que foi aprendido pelos educandos, suas visões e possíveis deformações do conhecimento cientifico. Tais análises devem ser processadas a posteriori em uma pesquisa que se adeque à linha de abordagem epistemológica que o professor adota em sua práxis pedagógica. Abordar uma ou outra perspectiva de análise não é, a priori, tarefa do presente trabalho, mas é de fundamental importância que ocorra aposteriori uma criteriosa análise dos ganhos advindos da metodologia aplicada.
Desse modo, a maneira pensada para que os alunos pudessem expressar o que foi discutido em sala, foi a construção de mapas conceituais dos capítulos do livro para que fossem abordados os aspectos que confluíram e conflitaram entre as interpretações dos capítulos pelas equipes em sala de aula. Por outro lado, não era possível iniciar a atividade sem partir de algum pressuposto de aprendizagem, desse modo, optou-se pela utilização dos mapas conceituais que se apresentavam como uma ferramenta facilitadora no contexto de uma aprendizagem significativa.
Os mapas conceituais, em seu entendimento mais simples, podem ser apresentados como mapas de conceitos, ou melhor, diagramas que apresentam relações entre conceitos estudados em atividades propostas. Importante ressaltar que não se deve, de forma simplista, confundir um mapa conceitual com organogramas ou diagramas de fluxo, mesmo tenho a hierarquização como ponto em comum. No contexto da sala de aula, os mapas conceituais têm seus ganhos relativos quando utilizados com os educandos, pois:
Na medida em que os alunos utilizarem mapas conceituais para integrar, reconciliar e diferenciar conceitos, na medida em que usarem essa técnica para analisar artigos, textos capítulos de livros, romances, experimentos de laboratório, e outros materiais educativos do currículo, eles estarão usando o mapeamento conceitual como um recurso de aprendizagem. (MOREIRA, 1998, pag. 147)
Os mapas desenvolvidos a partir da leitura dos capítulos do livro, foram construídos pelas equipes de alunos parte em sala de aula, parte como atividade extraclasse. Em sala de aula foram discutidos alguns aspectos relativos aos principais tópicos levantados pelos educandos sobre questões que eram trazidas no inicio da aula, sendo estas fruto das leituras e da resolução dos exercícios propostos no livro. A principal abordagem de contextualização em sala era discutir como se processavam algumas observações trazidas pelos educandos e se elas carregavam em seu cerne possíveis visões empírico-indutivistas das ciências que reforçavam modelos já não aceitos nas modernas interpretações sobre ciências (CLEMINSON,
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1990; MATTHEWS, 1991; STINNER, 1992; HODSON, 1993 e POMEROY, 1993). Tais visões poderiam cristalizar desde o papel dos chamados ícones nas ciências, como seres diferenciados e desencarnados na História, bem como o pale da Físca na sociedade em que fazem parte. Ainda nessa linha, era possível uma atenção a questões como a não representatividade das mulheres, negros e índios nas ciências, ou mesmo o papel das ciências em regiões consideradas às margens da Mainstream Science (ciência na periferia). (SANTOS, 2008)
Ao final da leitura dos capítulos, cada equipe havia construído um mapa conceitual sobre o tema abordado no texto. Cada equipe tinha o período de duas semanas para ler um capítulo do livro e logo após entregavam um resumo com os principais pontos observados. O resumo era levado para a sala de aula, manuscrito, e após leitura e revisão em conjunto com a equipe, o professor liberava para que o texto do resumo servisse de base para a construção do mapa conceitual que era inicialmente esboçado em sala de aula e entregue na aula subsequente em versão eletrônica via e-mail no formato .doc e .pdf. Na figura abaixo temos o exemplo de um mapa do capítulo II, realizado por uma equipe após a revisão do resumo.
Figura 02: Mapa Conceitual construído por uma equipe de educandos.
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É notável no mapa conceitual da figura 02 que os educandos adotaram um modelo baseado na hierarquização dos conceitos. È importante ressaltar, que na semana de preparação da atividade, foram apresentados alguns modelos de mapas conceituais e também construído, em sala de aula, um mapa conceitual de um filme a escolha dos alunos. A escolha do educando pelo modelo de mapa representado
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também pode ser explorada nas discussões em sala de aula, já que a hierarquia adotada perpassa uma conceituação do mais geral para o mais específico e uma visão do conhecimento cientifico que deve ser contextualizada em etapas futuras do trabalho.
No segundo exemplo, figura 03, está representado um mapa do capítulo IV, que trata sobre as ciências da modernidade ao século XX. Nesse mapa conceitual os educandos optaram por um layout não hierarquizado, centralizando o tema norteador e relacionando aquilo que para eles seriam de maior impacto e relevância nas ciências no período.
Figura 03: Mapa construído por uma equipe de educandos.
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Independente do modelo de mapa conceitual adotado pelas equipes dos educandos, a finalidade da construção dos mapas foi mantida no contexto da aprendizagem, a saber, enfatizar os significados dos conceitos-chave e de suas inter-relações (MARKHAM; MINTZES e JONES, 1994). A tipologia do mapa e sua respectiva abordagem de conceitos por parte dos educandos, caracteriza, no contexto da educação, indicadores de visões de mundo e como o conhecimento está
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sendo estruturado na construção do conhecimento dos educandos (BARENHOLTZ, H., TAMIR, P, 1992).
Por outro lado, o uso dos mapas conceituais proporciona uma análise em relação a evolução no entendimento dos conceitos, o que pode ser processado não como uma substituição das concepções prévias do aprendiz por ideias científicas, mas como uma possibilidade de se trabalhar com os educandos como um conjunto de problemas que podem ser resolvidos sob a ótica das ciências.
Abaixo é mostrado um cronograma das atividades que sugere a disponibilidade de 2 meses para o desenvolvimento pleno da atividade, desde o primeiro contato do educando com o conceito de mapa conceitual, até a entrega definitiva dos 4 mapas que representam o conjunto do texto do livro.
Quadro 01: Cronograma de atividades
## 4. Considerações finais sobre a atividade desenvolvida
A disciplina Física, no contexto da formação técnica integrada ao ensino médio, no CEEPLTLPC-BA, deve ter todo seu currículo abordado no período de um ano letivo. Para esses educandos, o primeiro e último contato formal com a disciplina ocorre então nesse momento, no terceiro ano de sua formação técnica. A necessidade de correlacionar a disciplina a sua formação técnica (dar significado) e discutir o empreendimento social ciências como parte da cultura, levou a proposta da atividade relatada no presente artigo.
Desse modo, foi tomado como base de análise um livro de História das Ciência e a posteriori uma etapa de construção de mapas conceituais por parte dos educandos, com vistas a estruturar as relações identificadas durante a leitura dos capítulos do livro. As atividades foram desenvolvidas em sala e extraclasse por equipes que eram avaliadas a cada fim de capítulo e, desse modo, tanto a leitura quanto a construção dos mapas se deu de modo gradual dentro das atividades curriculares no contexto da disciplina.
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No contexto da atividade, não centramos a avaliação dos mapas conceituais com um rigor mais técnico e isso pôde ser notado em alguns trabalhos a ausência de alguns conectivos que representassem relações entre conceitos e, em outros casos, a ausência de alguns conceitos chaves para o entendimento dos capítulos abordados. Tais fatos não invalidam os ganhos advindos da construção dos mapas no contexto das discussões sobre a cultura de C&T, sobre a Física e sobre as relações das ciências com a sociedade em que os educandos estão inseridos.
Ao fim da atividade, a construção dos mapas se demostrou um processo válido no principal objetivo, a saber, o despertar da curiosidade sobre as ciências, sobre a Física no contexto da educação profissional e sobre suas relações com a cultura de C&T que é ensejada na escola. A História das Ciências e os estudos correlatos sobre a inserção desses tópicos no ensino das ciências se apresentam como um campo fértil para a disseminação de uma cultura de C&T. Espera-se para o futuro um aprimoramento metodológico, tanto no que tange ajustes em relação a construção conceitual dos mapas, as características que cercam os conceitos sobre ciências trazidos da leitura do livro, bem como a futura utilização de software específico para a construção desses mapas conceituais.
## Referencias
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