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OS EXPERIMENTOS DOS LIVROS DE FÍSICA DO PNLD 2012 E 2015: UM ESTUDO COMPARATIVO FUNDAMENTADO NOS PARÂMETROS CURRICULARES

Wendel Fajardo Dos Reis, Maria Inês Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## OS EXPERIMENTOS DOS LIVROS DE FÍSICA DO PNLD 2012 E 2015: UM ESTUDO COMPARATIVO FUNDAMENTADO NOS PARÂMETROS CURRICULARES

## Wendel Fajardo dos Reis 1 , Maria Inês Martins 2

1 IFNMG-Campus Teófilo Otoni / Prof.º de Física / wendel.reis@ifnmg.edu.br 2 PUC-Minas / Prof.ª Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática / ines@pucnimas.br

## Resumo

O Ensino Médio pressupõe uma aprendizagem abrangente e contextualizada dos conteúdos, em que o professor deve valer-se de recursos didáticos disponíveis e adequados à sua prática. Nessa perspectiva, a atividade experimental torna-se um importante instrumento de ensino a ser explorado no estudo da Física, que também pode ser vivenciado pelos alunos por meio do livro didático (LD). Nesta pesquisa, realiza-se uma análise comparativa das atividades experimentais nas coleções de Física coincidentes nas edições de 2012 e 2015 do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Para isso, aplicase a classificação proposta por Barros (2009), fundamentada em competências e habilidades dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) (BRASIL, 1999) e nos temas estruturadores de suas orientações educacionais complementares (PCN+) (BRASIL, 2002). Os resultados mostram uma distribuição não uniforme dos experimentos nos temas da Física, em que ainda prevalecem os arranjos relacionados aos movimentos dos corpos. Para as categorias e dimensões de análise, verifica-se que os autores procuram evidenciar as competências e habilidades do PCNEM, entretanto os aspectos históricos sociais continuam pouco contemplados nas duas edições do Programa. Por fim, espera-se que as informações apresentadas nesse trabalho possam contribuir para a prática docente, com foco nas atividades experimentais dos livros didáticos de Física.

Palavras-chave : ensino. física. experimentos. livro didático. parâmetros curriculares.

## Introdução

As atividades experimentais apresentam-se como um importante recurso didático para o ensino da Física, pois favorecem a participação dos alunos na compreensão dos conteúdos da Física, uma ciência experimental. A inclusão discente no planejamento das práticas estimula a busca por soluções em situaçõesproblema, mostrando o conhecimento prévio dos estudantes no desenvolvimento dessas atividades. Assim, pressupõe-se que a relação teoria e prática contribui para o aprendizado da Física, sobretudo no Ensino Médio.

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) (BRASIL, 1999) e nas suas orientações educacionais complementares, PCN+ (BRASIL, 2002), discute-se um ensino que ofereça aos alunos competências e habilidades para a investigação e compreensão dos conceitos da Física. Para tanto, entende-se que a aprendizagem discente deva contemplar os aspectos social, histórico e contemporâneo, valendo-se de diferentes formas de linguagem.

Os PCN+ (BRASIL, 2002) sugerem uma aprendizagem em que o professor relacione o conteúdo ao cotidiano do aluno, permitindo a percepção da Física como algo presente no seu dia a dia. Ampliar o espaço para a descoberta e o

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comprometimento do aluno, implica abandonar o formalismo mecânico e automatizado, incorporando novos desafios na forma de ensinar nas escolas brasileiras.

Com a implantação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 1998, ratificado em seu novo formato, a partir de 2009, o Ministério da Educação (MEC) propõe um sistema de avaliação nacional consubstanciado em competências e habilidades a serem adquiridas pelo aluno ao longo da educação básica, para o exercício pleno da cidadania, para o mundo do trabalho e para a continuidade de sua vida acadêmica.

Tais mudanças, preconizadas pela Legislação Educacional, a partir da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei 9394/1996 (BRASIL, 1996) e firmadas nas duas edições das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) (BRASIL, 1998; 2012) e nos documentos orientadores PCNEM e PCN+, defendem o protagonismo docente com forte referência no LD.

Nesse contexto, ao avaliar os recursos didáticos disponíveis e apropriados para auxiliar a prática docente nessa missão desafiadora, destaca-se o livro didático (LD), considerado o mais importante e acessível instrumento didático-pedagógico por professores e alunos no âmbito educacional das escolas públicas, sobretudo a partir do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), criado em 1985, com inclusão regular do Ensino Médio, a partir de 2012.

Nos LD de Física encontram-se alternativas auxiliares ao ensino das disciplinas como elementos que subsidiam o docente no processo de ensino aprendizagem, dentre os quais: conteúdos organizados e estruturados; textos que contextualizam as teorias físicas; exercícios resolvidos e propostos; sugestões de pesquisas em livros ou internet; atividades experimentais.

Compreendendo, portanto, a experimentação como componente importante entre as atividades sugeridas nos livros didáticos de Física, focaliza-se nesse trabalho a análise comparativa das atividades experimentais nos livros de Física coincidentes nas edições 2012 e 2015 do PNLD que focalizam o Ensino Médio.

## Referencial Teórico

A partir das LDBEN, Lei nº 9394/1996 (BRASIL, 1996), o Ensino Médio é considerado como a etapa final da Educação Básica, organizada em áreas do conhecimento e orientada na promoção de valores para o exercício da cidadania. Os objetivos educacionais têm maior ambição formativa, possibilitando compreender a natureza das informações transmitidas, os procedimentos e atitudes envolvidos, as competências desenvolvidas e os valores construídos para viver em sociedade.

Nessa perspectiva, os PCNEM (BRASIL, 1999), pautados nas DCNEM vigentes à época (BRASIL, 1998), organizam o conteúdo do Ensino Médio por áreas de conhecimento, assim definidas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Esta forma de agrupar os conteúdos contribui para a interdisciplinaridade e estabelece o aprendizado nas escolas do Ensino Médio em termos de conjuntos de competências, como: Representação e Comunicação; Investigação e Compreensão; e, por último, Contextualização Sociocultural.

Os PCN+ (BRASIL, 2002) auxiliam a atividade docente quanto à escolha e ao preparo dos assuntos a serem trabalhados e apresentam formas de organização das teorias distribuídas em seis Temas Estruturadores. Esses temas definem as

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abordagens e os contextos a serem trabalhados na promoção das competências da disciplina, sendo eles: Movimentos: variações e conservações; Calor, ambiente e usos de energia; Som, imagem e informação; Equipamentos elétricos e telecomunicações; Matéria e radiação; Universo, Terra e vida.

Os experimentos como instrumento de aprendizagem devem estar presentes, segundo os PCN+ (BRASIL, 2002), ao longo de todo o processo de desenvolvimento das competências e dos temas relacionados ao ensino de Física. Oportunamente, o aluno poderá participar e construir o seu próprio conhecimento, desenvolvendo sua capacidade crítica e científica.

Gomes (1997) associa a falta de experimentação no aprendizado das Ciências em grande parte das escolas aos seguintes fatores: falta de instalações adequadas, à maneira de trabalhar do professor, ao alto custo de certos equipamentos, à fragilidade e à difícil manipulação dos materiais, ou ainda à metodologia utilizada com os experimentos.

Borges (2002) aborda a importância do uso didático do experimento, ao considerá-lo um instrumento de aprendizagem que permita a mobilização do aprendiz, no lugar da passividade. Acredita o autor que a riqueza das atividades experimentais consiste em proporcionar aos estudantes o manuseio de coisas e objetos num exercício de simbolização ou representação, para o alcance da conexão dos símbolos.

Para Barros (2009), os arranjos experimentais podem ser desenvolvidos por professores e alunos a partir de materiais simples e comuns ao cotidiano das pessoas, de fácil manipulação sem exigir um espaço específico adequado para essas atividades. Ressalta ainda que são essas as práticas mais comuns encontradas nos livros didáticos de Física para o Ensino Médio.

Considerado como o recurso mais acessível nos meios escolares, o LD também pode promover a vivência dos alunos com as atividades experimentais propostas em seu conteúdo. O LD também pode contribuir para a aprendizagem pautada na experimentação e, portanto, a compreensão dessa função torna-se necessária no processo de ensino da Física.

Frison et al. (2009), em sua pesquisa sobre o livro didático como suporte na construção de propostas para o ensino de Ciências, mostram nos depoimentos de professores que os livros apresentaram uma melhoria na sua estruturação, qualidade de material, concepções veiculadas, linguagem, ilustrações consistentes e atividades. Porém, o professor precisa desenvolver saberes e ter competências para complementar os conteúdos propostos nos livros recomendados pelo MEC.

Em acordo com os autores, Barros (2009) afirma que o livro texto constituise em importante material no contexto educacional, que não deve ser exclusivo, mas sim alternativo ao processo ensino.

Reitera-se a importância dos livros didáticos no processo de ensino aprendizagem e, entre as políticas públicas destinadas à Educação, destaca-se o PNLD, que incorpora o ensino médio trienalmente, a partir da edição de 2012, sendo as obras de Física coincidentes das edições PNLD 2012 e PNLD 2015, objeto da presente análise. O Guia de Livros Didáticos, publicado a cada edição do Programa, contém informações gerais auxiliares na escolha pelo professor da coleção que melhor atenda aos objetivos educacionais de sua escola.

Compreende-se que a presente pesquisa, ao focalizar as atividades experimentais, possa contribuir no processo de escolha docente do livro didático de Física, aprimorando o ensino aprendizagem da disciplina.

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## Procedimentos Metodológicos

Inicialmente, identifica-se as coleções coincidentes nas edições de 2012 e 2015 do PNLD, conforme o Quadro 1.

Quadro 1: Coleções coincidentes recomendadas pelo PNLD 2012 e 2015

Fonte: Elaborado pelos autores

A seguir, tem-se a distribuição experimental das teorias físicas nos temas estruturadores propostos nos PCN+ (Brasil, 2002). Para isso, é estabelecida uma relação entre a organização clássica dos temas físicos com a proposta dos temas estruturadores, segundo Quadro 2.

Quadro 2: Relação entre os Temas estruturadores e a Organização clássica

Fonte: elaborado pelos autores

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A classificação dos experimentos nos temas estruturadores ocorre a partir de seus enquadramentos nos temas tradicionais da Física. Essa estratégia permite observar quais conteúdos físicos estão sendo mais ou menos privilegiados com a experimentação nas coleções coincidentes dos Programas de 2012 e 2015.

Para investigar a evolução e a natureza da proposta experimental das coleções coincidentes das duas edições do PNLD, utilizam-se as dimensões de análise representadas por suas categorias e definidas por Barros (2009), que se fundamentam nas competências e habilidades dos PCNEM (BRASIL, 1999).

No quadro a seguir, apresenta-se a estruturação entre as dimensões e suas respectivas categorias de análises, organizada por Barros (2009) por ocasião de sua análise das atividades experimentais das coleções do PNLEM 2007 e utilizada por Reis & Martins (2015) na edição do PNLD 2012.

Quadro 3 - Organograma de categorias e subcategorias de análiseFonte: elaborado pelos autores

A estratégia utilizada permite analisar e confrontar as propostas experimentais das edições 2012 e 2015 do Programa, focalizando as coleções coincidentes. Ressalta-se que essa análise comparativa evidencia os aspectos que convergem ou divergem quanto ao comportamento das distribuições experimentais nos temas estruturadores e nas competências e habilidades propostas nas legislações educacionais adotadas nessa pesquisa.

## Resultados

Inicialmente, para os temas estruturadores, verifica-se no gráfico a seguir que a distribuição dos experimentos persiste em se apresentar de forma não uniforme, em que as ordens de prioridades dos temas mantem-se com o mesmo panorama para as duas edições do programa do livro didático de Física.

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Gráfico 1 - Percentual comparativo dos experimentos por temasFonte: Dados da Pesquisa

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Na sequência, apresentam-se o gráfico que considera a investigação dos experimentos nas categorias de análise. Verifica-se que praticamente não há alterações no comportamento da disposição dos experimentos nas duas edições, ressaltando somente uma inversão percentual da categoria que articula símbolos e códigos (ASC) sobre a elaboração de comunicação (EC). Os aspectos históricos sócio culturais continuam sendo pouco abordados pelos autores com a experimentação.

Gráfico 2 - Percentual comparativo dos experimentos nas categoriasFonte: Dados da Pesquisa

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Os resultados dos experimentos nas categorias refletem-se nas dimensões de análise, que contribuem para a permanência da ordem de prioridades dadas pelos autores em relação às competências e habilidades propostas pelos PCNEM.

Gráfico 3 - Percentual comparativo dos experimentos nas dimensõesFonte: Dados da Pesquisa

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## Considerações Finais

Em geral, as coleções do PNLD 2012 e 2015 apresentam propostas experimentais que contemplam, em maior ou menor grau, os temas estruturadores da Física, as categorias e as dimensões de análise. Portanto, considera-se que os livros didáticos se aprimoram, ao enfocar a parte experimental em seu conteúdo, sobretudo ao utilizar uma linguagem simples e com equipamentos acessíveis. A disseminação da experimentação no ensino também é feita no manual docente que compõe a coleção didática, em que se apresentam as orientações para a realização das atividades experimentais.

Ressalta-se que os aspectos históricos, tecnológicos e culturais foram pouco contemplados pelas coleções, o que prejudica o caráter contextual e significativo dos experimentos. Ao considerar tal lacuna nos LD, o professor, em seu planejamento, pode propor estratégias complementares que tornem essas práticas expressivas e contextualizadas.

Por fim, entende-se que compete aos professores da área complementar os possíveis espaços encontrados nos livros didáticos, mesmo que para isso procurem em outros recursos didáticos que atendam ao ensino desses temas menos favorecidos pela experimentação.

## Referências Bibliográficas

BARROS, P. R. P. Atividades experimentais dos livros didáticos de física: um olhar através dos Parâmetros Curriculares Nacionais. 2009. 128 f. Dissertação

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(Mestrado em Ensino) - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, PUC Minas, Belo Horizonte.

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