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O uso de minipeças teatrais no ensino de física

Deyvid Eugênio, Lílian Mara, Rany Alves, Samuel Goetz, Eliane Gualberto, Gilberto Lage, Antônio Dos Anjos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ENSINO DE FÍSICA ATRAVÉS DO TEATRO CIENTÍFICO

Deyvid Eugênio 1 , Lilian Mara , Rany Alves , Samuel Goetz , Eliane Gualberto , 1 1 1 1 Gilbert Lage , Antonio dos Anjos 2 2

- 1 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas, deyvid.ae@gmail.com
- 1 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas, maralilian@ymail.com

## Resumo

No presente trabalho é feito uma narrativa da experiência adquirida pelo grupo do PIBID-Física/UFLA que tem utilizado em suas ações a metodologia do teatro científico. Este relato corresponde às atividades desenvolvidas pelo grupo no período de 2014 no âmbito da Escola Estadual Dr. João Batista Hermeto, no município de Lavras MG. O trabalho foi realizado durante dois semestres, no período matutino, durante o turno escolar nas turmas do primeiro ano, sob a regência de uma das professoras supervisoras do projeto. Durante o período o grupo selecionou conteúdos, redigiu textos, planejou roteiros e desenvolveu as minipeças de curta duração, que foram concebidas para que pudessem ser encenadas dentro da sala de aula servindo como gatilho motivador para inserção de novos conteúdos. Durante o uso das minipeças em sala de aula contamos com a participação dos alunos, ora como atores ora como plateia e os resultados dessa aplicação estão descritos no corpo desse trabalho. Acreditamos que o material produzido seja potencialmente significativo e que o professor possa usar essa metodologia para inserir novos conceitos ao longo de seu planejamento. Com isso o educador pode lançar mão de mais uma ferramenta para facilitar o seu árduo trabalho de ensinar, principalmente quando a disciplina lecionada é na área de ciências exatas.

Palavras-chave : Minipeças, Ensino de Física, Teatro Científico.

## Introdução

- O teatro quando aplicado à educação exerce o papel no sentido de mobilizar todas as capacidades criadoras e aprimorar a relação vital do indivíduo com o mundo contingente; as atividades dramáticas liberam a criatividade e humanizam o indivíduo. Através desta arte o aluno é capaz de aplicar e integrar o conhecimento adquirido nas demais disciplinas da escola e, principalmente, na vida. Isso significa o desenvolvimento gradativo na área cognitiva e também afetiva do ser, conforme autor da Ref.[1].

Neste trabalho apresentamos uma narrativa do grupo do PIBID-Física/UFLA relacionado às atividades desenvolvidas durante o ano de 2014 na Escola Estadual Dr. João Batista Hermeto, no município de Lavras MG. Nesta ação o grupo fez uso da metodologia do teatro científico desenvolvendo um conjunto de minipeças de curta duração, concebidas para que pudessem ser encenadas no âmbito da sala de aula. Numa primeira aplicação das minipeças contamos com a participação dos alunos da primeira série do ensino médio, ora desempenhando o papel de atores

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nas minipeças ora representando a própria plateia. Acreditamos que o material produzido seja potencialmente significativo e que o professor possa usar essa metodologia para inserir novos conceitos ao longo de seu planejamento.

## Objetivo

Desenvolvimento de uma metodologia de apoio às aulas de Física do ensino médio através do uso do teatro científico, com a criação de roteiros teatrais capazes de serem encenados em diferentes escolas da rede pública de Lavras.

## A Origem do Teatro

O teatro hoje é uma arte muito rica e com muitas facetas; existe a ópera, o teatro de bonecos, os musicais, o teatro feito em espaços alternativos, entre outros. Quando o cinema despontou, há mais de cem anos, muita gente preconizou o fim do teatro. Falavam que o cinema iria substituí-lo, uma vez que podia criar histórias com muito mais semelhança com a realidade, entretanto tal profecia não foi concretizada e o teatro segue forte com uma legião cada vez maior de seguidores.

O teatro sempre esteve relacionado à história da humanidade e, através dele, o homem expressou seus sentimentos, narrou suas histórias e glorificou seus deuses. Não se tem conhecimento de sua origem precisa provavelmente, sua gênese tenha vindo da curiosidade do homem das cavernas que, de tanto observar os animais, conseguiu imitá-los facilitando assim suas caçadas. Na Grécia, a origem do teatro advém das cerimônias e rituais como aquelas celebrações de caráter religioso ao deus Dionísio, conhecido como deus do vinho, do entusiasmo, da fertilidade e do teatro. Os deuses gregos eram semelhantes aos homens, uma vez que eram dotados de vontades e humores. Na Grécia também surgiu a dramaturgia com Téspis representando pela primeira vez o deus Dionísio e criando assim o ofício de ator. Surgiram também os gêneros da Tragédia e da Comédia. Nas tragédias os temas estavam relacionados às leis, à justiça e ao destino. Nesse gênero eram contadas histórias que invariavelmente terminavam com a morte do herói. Os autores famosos da tragédia grega foram Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. No caso das comédias, as histórias eram pautadas ao riso do espectador, versavam sobre formas engraçadas de perceber a vida, chamadas sátiras. Aristófanes foi um grande autor de comédia grega. Todos esses autores influenciaram muito o teatro e suas peças são encenadas até hoje. As peças gregas passaram a ser representadas em espaços especiais, parecidos com os teatros atuais. Eram construções em forma de meia-lua, cavadas no chão, com bancos parecidos com arquibancadas, chamados

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de teatros de arena. Na Roma antiga o teatro toma novo rumo, ele perde o caráter de sagrado e mira para a diversão e prazer, a comédia toma o lugar da tragédia. Os espetáculos de circo romanos tornam-se violentos, baseados em competições entre os romanos e cristãos, que muitas vezes eram sacrificados publicamente no final do espetáculo. Na idade média, caracterizada pela intensa atividade católica, as peças foram para as praças públicas surgiram comédias bufas envolvendo temas políticos e sociais e os Saltimbancos, companhias de teatro que viajavam de cidade em cidade apresentando seus espetáculos. Entre o final da Idade Média e início do Renascimento, surge na Itália a Commedia Dell'Arte, baseada em espetáculos teatrais populares, encenado nas ruas, a base de textos improvisados e personagens de destaques como Arlequim, Pierrot, Colombina, Polichinelo, Pantaleão, Briguela. Na Ingleterra, a rainha Elizabeth I deu proteção ao teatro da época, pois apreciava muito os espetáculos populares. Havia ainda a ajuda de alguns dramaturgos ingleses para contar a história de seus heróis reforçando o sentimento de nacionalismo, entre eles William Sheakespeare. Vale também destacar o francês Moliére, patrono dos atores franceses. Moliére foi um comediógrafo, ou seja, se dedicou a escrever comédias e, em suas histórias, retratava as fraquezas e ridículos do ser humano. Nos séculos XVIII e XIX a Europa foi marcada pelas revoluções. Nesse período, a burguesia teve sua ascensão e o teatro carregou essa influência, o drama substitui a tragédia e a comédia se desenvolve, o foco do teatro se torna muito mais individual e não é mais social. O teatro volta-se para o ser humano, as peças falam sobre emoção, e surge o melodrama. Liberdade, fraternidade e igualdade são os lemas desse período. O teatro nessa época trabalha questões políticas e questões que refletem criticamente aspectos da sociedade vigente. No Brasil o teatro como ferramenta de ensino teve sua origem na própria história do Teatro Infantil com o Padre Anchieta e o Padre Manoel da Nóbrega, que o utilizavam como forma auxiliar, didática e pedagógica, de catequese.

Em anos recentes podemos destacar o trabalho de Braga e Medina (2010) em que descrevem uma experiência do uso do teatro na educação científica. Neste trabalho os autores narram o trabalho desenvolvido na encenação da peça 'a vida de Galileu' de Bertolt Brecht cujo enredo retrata a luta contra o dogmatismo. O tema foi escolhido partindo do princípio de que a liberdade de pensamento é fundamental

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para o desenvolvimento da ciência. Esse trabalho envolveu inicialmente alunos de um colégio da rede particular da cidade do Rio de janeiro. Posteriormente foi repetido com alunos de um colégio público federal de Niterói.

## Metodologia

Convencidos da potencialidade do teatro científico dentro de sala de aula o grupo adotou a estratégia de encenar roteiros de minipeças. O enredo das minipeças, produzidas pelo grupo, envolviam personagens (alunos da classe) com diálogos objetivos, de fácil compreensão e curta extensão relacionados à conceitos físicos contemplados no planejamento do professor. O objetivo principal da escolha dessa metodologia foi colocar o aluno como protagonista no processo de aprendizagem. O trabalho se desenvolveu em etapas, conforme abaixo discriminado:

- 1- Realização de pesquisa na literatura [3 - 14] sobre a utilização do teatro dentro da sala de aula. Nesta etapa todos bolsistas fizeram leitura e discussão do livro da Ref. [15].
- 2- Criação de roteiros, designados de minipeças, com o tema central envolvendo o conceito de Referencial e Leis de Newton do movimento. Nesta etapa, cada componente do grupo ficou encarregado de redigir uma peça teatral sobre o determinado tema. Escolheu-se, para realizar o primeiro teste, o conceito de referencial, no qual foram criadas seis minipeças abordando este tema e outras seis referentes às leis de Newton.
- 3- Apresentação no grupo de bolsistas das minipeças elaboradas, tendo como objetivo receber as críticas, sugestões e correções conceituais, ortográficas e gramaticais.
- 4- Planejamento e criação da estrutura de aplicação das atividades. Nesta etapa o grupo preocupou-se em estruturar como seria o desenvolvimento da atividade dentro da sala de aula. Decidiu-se que a aplicação ocorreria em quatro encontros. A primeira consistia na apresentação do tema, divisão dos grupos e leitura dos roteiros. A segunda etapa compreendia leitura e estudo das minipeças, ocasião em que os estudantes poderiam sanar suas duvidas e realizar os primeiros ensaios utilizando o roteiro. A terceira etapa envolvia a realização dos últimos ensaios, correções e discussões conceituais. A Finalização do trabalho seria na quarta etapa com a encenação das minipeças com posterior discussão e avaliação dos conceitos abordados. A coleta de dados ocorreria através de relatos feitos pelos bolsistas a cada encontro realizado em sala de aula.
- 5- Análise e discussões das atividades realizadas pelo grupo de pesquisa. Neste momento o grupo faria a análise e avaliação da metodologia abordada na atividade, apontando dificuldades e facilidades, encontradas no decorrer do trabalho e socializando as experiências de cada bolsista em seu respectivo grupo.
- 6- Reaplicação da atividade seguindo as etapas 4, 5 e 6.

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## Discussão de resultados no ano 2014 - Atividade realizada no 1º D

Em 22 de setembro/2014 foi realizada a aplicação da atividade de Ensino de Física através do Teatro. Como material de apoio utilizou-se os textos (minipeças) envolvendo temas da Dinâmica, com ênfase nas Leis de Newton. A escolha da turma foi proposital baseada nos relatos da professora supervisora: tratava-se de uma turma desmotivada e desinteressada. Nesta perspectiva o grupo de pesquisa de Ensino de Física através do Teatro tomou como desafio a escolha desta turma para aplicação de sua metodologia. Seria uma excelente oportunidade de testar o método desenvolvido pelo grupo, a fim de verificar se o trabalho com teatro poderia influenciar nas atitudes e no comportamento dos estudantes em sala de aula, no desenvolvimento de atividades em grupo e na aprendizagem de conceitos físicos.

No primeiro encontro poucos alunos estavam presentes sendo considerados pela professora os mais interessados. Uma breve apresentação dos bolsistas, orientadores e da proposta de trabalho foi realizada. A recepção da turma foi calorosa, alguns alunos demonstraram interesse em realizar as atividades e outros indagavam se haveriam avaliações (provas) sobre o assunto. A professora explicou a turma que essa atividade seria avaliada como a nota mensal. A turma foi dividida em três grupos (A, B e C) onde cada grupo ficou sob a coordenação de dois bolsistas.

Iniciada as atividades nos grupos os roteiros foram distribuídos e uma breve leitura do texto foi realizada. Nela procurou-se observar o ponto onde cada estudante apresentava dificuldades, se o conteúdo do roteiro era do conhecimento deles e se a linguagem era de fácil compreensão. As duvidas e os conceitos não conhecidos eram sanados pela intervenção dos bolsistas e, logo em seguida, iniciaram-se os primeiros ensaios das peças.

No segundo encontro um questionário foi aplicado aos grupos com o intuito de avaliar as concepções que os estudantes tinham sobre os conceitos listados no primeiro encontro. Após responderem as questões uma leitura cuidadosa dos roteiros foi realizada em cada grupo possibilitando o inicio de um debate acerca de dúvidas conceituais.

No terceiro encontro as atividades iniciaram com uma breve leitura do roteiro ressaltando como seria feita a encenação dos diálogos da peça, nesta etapa observou-se uma grande animação da parte dos estudantes na realização dos estudos e discussões acerca do tema e muita expectativa com respeito às apresentações das minipeças. Algumas mudanças na composição dos grupos foram realizadas em função da frequência de alguns alunos.

- O Grupo com orientação da bolsista B1 iniciou o ensaio com algumas alterações nas falas dos personagens sugeridas pelos alunos. Para melhor comodidade o grupo dirigiu-se para o pátio da escola onde ensaiou diversas vezes as falas, usando os bancos da escola como cenário para a situação retratada na minipeça. A cada encenação a bolsista interferia corrigindo os diálogos e sugerindo novas posturas para cada personagem.

No grupo coordenado pelos bolsistas B2 e B3 alternaram-se entre discussões e releitura das falas. Uma breve encenação também foi realizada utilizando os roteiros para consulta das falas dos personagens. Observaram-se também neste grupo uma substancial melhora e desembaraço na apresentação da minipeça. Os estudantes demonstraram curiosidade nas discussões e muitas indagações foram

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feitas a cerca dos conceitos discutidos. Um dos estudantes participantes da minipeça O Globo da Morte, após a explicação e demonstração da velocidade mínima para o motociclista fazer o movimento completo perguntou se qualquer pessoa conseguiria correr em uma velocidade mínima necessária para fazer o movimento completo. Com o objetivo de responder a questão foi mostrado um o vídeo onde um homem conseguia correr e fazer o movimento completo em um globo da morte. Assim foi explicado aos estudantes que conhecendo o raio do globo é possível calcular a velocidade mínima necessária que um indivíduo precisa ter para execução do movimento completo. Foi esclarecido aos estudantes que se tratava de uma situação delicada sendo necessários experiência e equipamentos específicos de segurança. No quarto encontro novamente os bolsistas reuniram-se com seus respectivos grupos e os ensaios prosseguiram. O grupo coordenado pela bolsista B1 fez uso do espaço externo à sala de aula enquanto os demais permaneceram nela. No final daquele encontro os grupos retornaram a sala de aula onde fizeram as apresentações para os demais colegas. O resultado foi bem avaliado pelos bolsistas, professora supervisora, orientador e alunos da plateia. Alguns ajustes ainda eram necessários como, por exemplo, domínio completo das falas, entonação apropriada da voz e postura frente à plateia. Vale ressaltar que ainda não era a apresentação oficial dos grupos que, conforme combinado, seria realizada na semana seguinte.

Ainda no quarto encontro o grupo responsável pela minipeça O Globo da Morte desenvolveu algumas discussões físicas interessantes. A minipeça tratava de o movimento circular e narrava a história de um professor que leva seus alunos a um circo para assistir uma apresentação do famoso número o globo da morte. Aproveitando o espetáculo o professor fez algumas discussões acerca de conceitos físicos fundamentais como, por exemplo, sobre forças (normal, peso e atrito) e suas características. Conceitos relativos ao movimento linear e circular foram abordados como, por exemplo, o de aceleração centrípeta e força centrípeta. Os estudantes acompanharam a construção do diagrama de Forças de um corpo submetido ao movimento característico no globo da morte. A velocidade mínima que o motociclista deveria ter para executar o movimento completo foi obtida a partir da segunda lei de Newton e as duvidas pertinentes a esta demonstração foram esclarecidas.

No quinto encontro realizado em 27 de outubro de 2014 estavam planejadas as apresentações finais dos grupos. Para os devidos registros e posterior análise da atividade decidiu-se pela filmagem das apresentações. Como instrumento de avaliação a professora definiu que seria a participação dos estudantes e a produção de um relatório sobre as peças. Foi solicitado aos estudantes que se organizassem em seus respectivos grupos para os preparativos finais. O grupo responsável pela peça a Lei da Inércia inesperadamente, manifestou-se de forma negativa a realização da atividade alegando que já haviam realizado a apresentação na semana anterior e que julgava já ter feito a tarefa. Houve também manifestações do grupo responsável pela peça As Leis de Newton argumentando que a apresentação não seria possível em razão da ausência de alguns integrantes. No grupo correspondente a peça O globo da Morte também havia baixas, mas se recompôs pela inserção de um novo membro e rearranjo das falas.

Com intervenções dos bolsistas, supervisora e orientadores os grupos voltaram atrás de sua decisão e as minipeças foram apresentadas. As apresentações tiveram seu início com a peça O globo da Morte. A peça teve seu início com os personagens fora da sala de aula. Em seguida entrava o narrador contextualizando a situação que seria retratada na peça. Durante a narração os

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personagens representando os estudantes de uma típica sala de aula entravam em cena acomodando-se em suas carteiras. Logo em seguida entrava o personagem principal representado pela figura do professor. No desenrolar do enredo da peça o estudante que interpretava o professor apresentou algumas dificuldades em sua fala, em uma delas, ele foi socorrido pelo próprio grupo evidenciando a cumplicidade criada entre os integrantes daquele grupo. Em relação ao conteúdo físico envolvido na peça foi possível observar que o estudante que representava o professor se apropriou dos conceitos físicos envolvidos na situação. Ele transmitiu de forma simples e objetiva os conceitos de movimento circular, força centrípeta e foi capaz de representar todas as forças envolvidas no problema descrito. O professor fez a discussão das forças agindo no motoqueiro e para exemplificar ele mencionou as forças que atuavam em um corpo sobre a mesa identificando a força normal de contato e a força peso.

Durante a peça o professor fez a análise do movimento do motoqueiro e discutiu com os estudantes qual seria a velocidade mínima para a moto executar o movimento circular completo no globo da morte. Ele mencionou aos alunos que com base nas leis de Newton devia-se considerar que no ponto mais alto da trajetória não haveria contato entre a motocicleta e o globo sendo assim, a força normal anula-se naquele ponto e velocidade mínima poderia ser determinada.

Assim o personagem finaliza dizendo que a velocidade mínima para conseguir fazer o movimento completo não depende da massa, depende somente da gravidade e do raio do globo.

Observando a apresentação foi possível verificar que o estudante que interpretava o professor realmente compreendia o conteúdo que foi abordado tendo conseguido representar de forma espontânea as falas e até alterando algumas, conforme sua conveniência. Este personagem demonstrou uma grande apropriação do conteúdo e sem ajuda do roteiro desenvolveu e explicou as expressões e conceitos físicos abordados. Os demais personagens no papel de alunos expunham suas dúvidas e solicitavam esclarecimentos nas explicações dadas pelo professor. Também foi verificado durante as atividades anteriores de estudos e ensaios que o grupo como um todo dominava o conteúdo. Tal constatação origina-se do fato de que em todos os encontros foram realizadas muitas discussões conceituais em torno do conteúdo e do roteiro. A plateia composta pelos demais alunos, bolsistas, supervisora e orientadores mostrou-se receptiva a apresentação do grupo e em alguns momentos houve interações, através de risos e comentários em relação ao desempenho dos atores. Os estudantes atores, ansiosos e inseguros antes da apresentação, manifestaram seu contentamento pela aprendizagem do conteúdo e também pelo respeito e receptividade da plateia.

Na sequência das apresentações era a vez do grupo responsável pela peça As Leis de Newton que tratava de um diálogo entre pai e filho onde o pai é um grande admirador da obra do cientista Isaac Newton. A minipeça faz uma abordagem das três leis de Newton a partir de uma brincadeira envolvendo uma bola e os personagens pai e filho. A cada situação na brincadeira a cena ficava congelada e um estudante do grupo poderia usar a cena para invocar a lei de Newton correspondente.

Na prática este grupo teve dificuldades, pois apenas um estudante realizou as atividades da maneira proposto, mostrando-se sempre muito preocupado com a participação dos demais colegas na peça. Por sua iniciativa no dia da apresentação rapidamente tratou de convencer e organizar os colegas que estavam presentes e dispostos a fazer a encenação. Como dominava todas as falas do roteiro escolheu

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para si o diálogo mais denso da peça e delegou os demais para os outros colegas. Durante a encenação ele auxiliou os alunos na leitura das falas e, principalmente, orientou a dinâmica da apresentação, mostrando-se muito confiante e com pleno domínio do conteúdo. O enredo desta minipeça era importante já que abordava em um único roteiro as três Leis de Newton.

Na minipeça a lei da Inercia o enredo da peça era simples com falas extremamente curtas e de fácil memorização. O roteiro abordava a situação de um estudante que se recusa sair de sua cama para ir à escola. A mãe do estudante menciona que o filho precisa levantar, sair do seu estado de inércia e este é o gatilho para a discussão e formulação da primeira lei de Newton. A peça envolvia quatro personagens. Dois membros do grupo usaram o roteiro como apoio para os diálogos e os outros dois já dominavam as falas. O cenário foi armado e a apresentação aconteceu de uma forma aquém das expectativas, pois em encontros anteriores já havia sido representada de forma muito mais robusta.

## Conclusão

- O trabalho desenvolvido no ano de 2014 foi proposto admitindo uma metodologia de fácil e rápida aplicação dentro da sala de aula. Verificou-se que o material desenvolvido tem grande potencial e viabilidade para o uso em aula como ferramenta de apoio ao professor na discussão e construção do conhecimento. Por outro lado, a estrutura de aplicação precisa ser repensada e algumas modificações devem ser incorporadas para que se obtenham melhores resultados. Este diagnóstico decorre do fato verificado pelo grupo que pode ser traduzido no bom envolvimento dos estudantes no decorrer das atividades e decaimento posterior na finalização do trabalho.

Uma avaliação do impacto desta metodologia na aprendizagem é ainda insipiente, basicamente ela foi avaliada a partir dos relatos de alguns alunos e da professora supervisora que acompanha os alunos no seu dia a dia, apontando o crescimento de cada um deles após a participação nas atividades. De um modo geral os integrantes da equipe (bolsistas, supervisora e orientadores) avaliam a proposta de forma positiva, e julgam que a busca por melhores respostas pode ocorrer no âmbito de outras turmas e outras escolas.

## Referências

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