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UM LEVANTAMENTO SOBRE TEMAS DE ASTRONOMIA PRESENTES EM TIRAS EM QUADRINHOS

Leonardo Martins Pandori, Maria Cândida Varone De Morais Capecchi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Linguagem E Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UM LEVANTAMENTO SOBRE TEMAS DE ASTRONOMIA PRESENTES EM TIRAS EM QUADRINHOS

## Leonardo Martins Pandori , Maria Cândida Varone de Morais Capecchi 1 2

## Resumo

Diante da diversidade de materiais disponíveis e a possibilidade de usá-los como recurso didático no processo de ensino-aprendizagem, o presente artigo propõe uma discussão sobre a utilização de um material não escolar e de circulação social: as tiras em quadrinhos. A escolha por se trabalhar com esse gênero textual parte do pressuposto de o material ser uma leitura corriqueira entre crianças e jovens em idade escolar, desta forma, é a oportunidade de se utilizar um elemento de natureza lúdica em sala de aula. Esse artigo é o produto de uma pesquisa de mestrado, ainda em sua fase inicial, onde o objetivo é uma análise sobre as representações de ciência presentes em algumas tiras em quadrinhos. Foi realizado um levantamento de diversas tiras publicadas em coletâneas e uma seleção das que apresentam conteúdos de astronomia, elas foram organizadas em temas como a forma e movimentos da Terra, estrelas, Lua e gravidade. Ao final apresentamos algumas tiras com um potencial gerador de discussões e reflexões.

Palavras-chave : Ensino de Física, materiais alternativos, tiras em quadrinhos.

Introdução

O ensino de astronomia é indicado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais como parte dos conteúdos de ciências naturais no Ensino Fundamental (BRASIL, 1998a) e como parte dos conteúdos de Física no Ensino Médio (BRASIL, 2006a). Diante disso, em seu artigo, Langhi e Nardi (2009) trazem um panorama geral do ensino da astronomia no Brasil. Com relação às pesquisas na área, o estudo mostra que há um crescimento na produção acadêmica em ensino de astronomia, porém, diante do volume de publicações na área de educação e/ou ensino de ciências em geral, a educação em astronomia ainda revela-se um cenário produtivo para o desenvolvimento de novas pesquisas.

De tal modo, o presente artigo é o produto de uma pesquisa de mestrado, ainda em sua fase inicial, onde o objetivo é discutir as representações de ciência presentes em algumas tiras em quadrinhos já pré-selecionadas, bem como analisar as percepções que alunos do ensino médio demonstram a partir da leitura deste material, essas análises visam a inferir quais as possibilidades do uso deste gênero textual como recurso didático.

No que diz respeito à multiplicidade de mídias e linguagens disponíveis, o gênero História em Quadrinhos (HQ) caracteriza-se como um meio de comunicação 1 em massa que atrai leitores em todo o mundo. Nesse sentido, várias publicações brasileiras têm um forte apelo junto ao público infanto-juvenil. Além de ser

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26 a 30 de janeiro de 2015

recomendado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (BRASIL, 1998b) e pelas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006b), esse tipo de material vem se tornando um atrativo objeto de estudos em relação às suas potencialidades como ferramenta pedagógica.

Deste modo podemos citar alguns pesquisadores, como Pizarro (2011) que propõe atividades em sala de aula com o uso de HQs publicadas comercialmente, disponíveis em bancas de jornal e revistas, e Silva (2011) que aproveita publicações digitais em blogs e sites da internet. Outra opção é o trabalho autoral, como proposto por Testoni (2013) onde o professor/pesquisador cria uma HQ para abordar os conteúdos, e Albrecht (2009) que propõe a criação das histórias, não pelo professor, mas pelo aluno. Outra perspectiva é a pesquisa como a realizada por Nascimento Júnior (2011) onde são discutidas as possibilidades do uso das HQs em sala de aula a partir da análise de seus conteúdos, levando em conta a forma como conceitos científicos são apresentados através da imagem e linguagem.

Todos esses trabalhos citados destacam a conveniência do uso deste gênero textual por suas características, como a narrativa e seus elementos gráficos. De modo que, o uso das HQs na sala de aula já é uma realidade.

## As tiras em quadrinhos e o ensino de física

É comum encontrarmos tiras em quadrinhos em livros didáticos. Quanto a isso, Kamel (2006) analisou o uso de tiras e histórias em quadrinhos em 3 coleções de livros didáticos de Ciências Naturais e Língua Portuguesa para o ensino fundamental, e em suas avaliações, no que diz respeito a contextualização e a relação deste gênero textual com os conteúdos, concluiu que as tiras são mais bem empregadas nas coleções didáticas de Língua Portuguesa. Seguindo esta linha, Caldas (2013) identificou HQs presentes em 10 coleções de livros didáticos de Física, suas conclusões indicam que os autores das coleções não consolidam discussões relativas às interpretações das HQs e os conteúdos propostos. Estas análises reforçam o propósito de investigação quanto à viabilidade das HQs como recurso no ensino de ciências naturais.

As chamadas tiras em quadrinhos apresentam uma narrativa curta, frequentemente possuem de três a cinco quadros e são publicadas na mídia impressa como revistas e jornais. Geralmente, mas não necessariamente, têm um caráter cômico e trazem em seus enredos os mais variados temas que vão desde contextos infantis a assuntos políticos e sociais.

Dessa forma, devido ao grande volume de tiras que são publicadas diariamente e sua abrangência temática, é natural esperar que eventualmente alguma referência a um tema científico surja nessas publicações, originando assim uma possibilidade para seu uso no ensino de Física.

Podemos considerar, também, o trabalho autoral, como o desenvolvido por Caruso (2009), onde em uma atividade inserida no projeto EDUHQ , um aluno do 2 Ensino Médio demonstra um tema específico de Física Moderna, previamente trabalhada, em formato de tirinhas em quadrinhos. Sobre as tiras, o autor da pesquisa apresenta a seguinte consideração:

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Elas têm a vantagem de permitir que qualquer assunto de Física ou de Ciências possa ser abordado sem recorrer, num primeiro momento, à matematização do fenômeno. Levando-se em conta que muitas vezes é a deficiência em Matemática que desestimula o jovem a estudar ciências, recorrer aos quadrinhos pode ser uma decisão efetiva no sentido de motivar o estudante. (CARUSO, 2009, p. 364).

Nesse sentido a escolha por se trabalhar com quadrinhos em sala de aula, além de ser uma leitura corriqueira entre crianças e jovens em idade escolar é a oportunidade de se utilizar um elemento de natureza lúdica. Para Vergueiro (2006) esse grupo de leitores já está familiarizado com as HQs, assim:

[...] a inclusão das histórias em quadrinhos na sala de aula não é objeto de qualquer tipo de rejeição por parte dos estudantes, que, em geral, as recebem de forma entusiasmada, sentindo-se, com sua utilização, propensos a uma participação mais ativa nas atividades de aula. (VERGUEIRO, 2006, p. 21).

Além disso, as HQs podem oferecer um mecanismo onde, ao ser apresentado determinado conteúdo de forma lúdica é possível fazer uma sondagem sobre as concepções alternativas que os alunos apresentam sobre o tema. Sobre isso Villatorre (2009) aponta:

Tanto na troca quanto na captura conceitual, inicialmente é necessário trazer à tona ou tornar explícitos os conhecimentos que o estudante já possui dos fenômenos ou dos conteúdos que se quer estudar em sala de aula. (VILLATORRE, 2009, p.41).

Porém, para trazer à tona essas concepções alternativas dos estudantes, é necessário antes uma analise do material, para perceber como a ciência está sendo apresentada nesta linguagem e confrontá-la com a percepção dos alunos. Como já mencionado, é neste aspecto que estão fundamentados os objetivos do trabalho de pesquisa que se relaciona com o presente artigo.

## A seleção das tiras

A escolha das tiras é uma tarefa nada trivial, dado que existe um enorme acervo de personagens publicados em jornais, revistas e internet. Assim, para limitar essa escolha, optamos pela possibilidade de acesso a um grande número de tiras reunidas em um ou mais volumes, de tal modo que, encontramos disponíveis em bancas e lojas especializadas em quadrinhos coletâneas de quatro personagens: Garfield, Mafalda, Snoopy e Hagar, quais sejam:

SCHULZ, C. M., Snoopy, 1: e sua turma. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 2: feliz dia dos namorados. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 3: assim é a vida, Charlie Brown!. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 4: é Natal!. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 5: posso fazer uma pergunta, professora?. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 6: como você é azarado, Charlie Brown!. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 7: doces ou travessuras. Porto Alegre, RS: L&PM,

2011.

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SCHULZ, C. M., Snoopy, 8: no mundo da lua!. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 9:pausa para a soneca. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.

SCHULZ, C. M., Snoopy, 10:sempre alerta!. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.

BROWNE, D., O melhor de Hagar, o Horrível - v.1. Porto Alegre, RS: L&PM,

2009.

BROWNE, D., O melhor de Hagar, o Horrível - v.2. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

BROWNE, D., O melhor de Hagar, o Horrível - v.3. Porto Alegre, RS: L&PM,

2009.

BROWNE, D., O melhor de Hagar, o Horrível - v.4. Porto Alegre, RS: L&PM,

2009.

BROWNE, D. e BROWNE, C., O melhor de Hagar, o Horrível - v.5. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.

BROWNE, D. e BROWNE, C., O melhor de Hagar, o Horrível - v.6. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.

DAVIS, J., Garfield / Jim Davis. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010.

QUINO. Toda a Mafalda / Quino, 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

O conjunto destas coletâneas possibilitou uma leitura inicial em um universo de 7682 tiras, onde foram selecionadas todas que continham temas de astronomia, resultando em 21 tiras. A tabela a seguir classifica essa consulta inicial:

Tabela 01: Tiras consultadas e selecionadas

As tiras selecionadas revelam um potencial material de apoio para abordar determinado conteúdo. A partir de suas narrativas podemos separá-las por temas como a forma e movimentos da Terra, estrelas, Lua e gravidade.

Como exemplos, abaixo estão algumas tiras, com adequáveis possibilidades para suscitar discussões e reflexões acerca dos temas citados acima:

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Figura 01: Estrelas. Fonte: SCHULZ, C. M. Snoopy - Como você é azarado, Charlie Brown! 6 / Charlez M. Schulz. Porto Alegre, RS: L&amp;PM, p. 75, 2012.

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Figura 02: A Lua. Fonte: BROWNE, D. O melhor de Hagar, o Horrível - v.2 / Dik Browne. Porto Alegre, RS: L&amp;PM, p. 135 - 136, 2009.

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Figura 03: Gravidade. Fonte: DAVIS, J. Garfield / Jim Davis. Porto Alegre, RS: L&amp;PM, p. 127, 2010.

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Figura 04: A forma da Terra. Fonte: BROWNE, D. O melhor de Hagar, o Horrível - v.2 / Dik Browne. Porto Alegre, RS: L&amp;PM, p. 79, 2009.

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Figura 05: Movimentos da Terra. Fonte: QUINO. Toda Mafalda / Quino, 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, p. 184, 2010.

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## Considerações finais

Eventualmente alguns materiais alternativos aos comuns em sala de aula são utilizados para aproximar-se de determinado conteúdo e fomentar reflexões a seu respeito, no entanto para a escolha deste material é indispensável uma avaliação sobre suas possibilidades para esta finalidade. Em se tratando de tiras em quadrinhos, uma seleção inicial, em coletâneas, se mostrou bastante trabalhosa, pois é preciso uma considerável quantidade de tiras para a escolha de algumas que ofereçam o tema que se quer abordar. Seria exaustivo, portanto, uma seleção em sua principal forma de publicação que são os jornais diários.

Esse tipo de publicação é produzido para o entretenimento, não tendo como característica predominante o comprometimento com a educação ou a divulgação cientifica, necessitando de uma análise mais aprofundada em seus conteúdos.

## Referências

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BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica . Orientações curriculares para o ensino médio; volume 2: ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC, 2006a.

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PIZARRO, M. V., IACHEL, G. e SANCHES, I. A. Discussões sobre a seleção de lixo reciclável nos anos iniciais: uma proposta em alfabetização científica a partir do trabalho com histórias em quadrinhos no 2º ano do ensino fundamental. In: Atas do VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, Campinas. 2011.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.