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UMA BUSCA DE RESSIGNIFICAÇÃO PARA AS PESQUISAS ESCOLARES EM CIÊNCIAS A PARTIR DA APROXIMAÇÃO ENTRE AS CIÊNCIAS HUMANAS E DA NATUREZA

Kelly Cristina Baruti, Mauro Sérgio Teixeira De Araújo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Linguagem E Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UMA BUSCA DE RESSIGNIFICAÇÃO PARA AS PESQUISAS ESCOLARES EM CIÊNCIAS A PARTIR DA APROXIMAÇÃO ENTRE AS CIÊNCIAS HUMANAS E DA NATUREZA

Kelly Cristina Baruti , Mauro Sérgio Teixeira de Araújo 1 2

- 1 Universidade Cruzeiro do Sul/ Pós-graduação Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática/ Escola Estadual Rodrigues Alves, kellycb21@gmail.com

## Resumo

Este trabalho apresenta os resultados de uma investigação que objetivou gerar reflexões sobre os métodos de pesquisa utilizados pelos alunos para a elaboração dos trabalhos escolares entre alunos do 3º ano do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual Rodrigues Alves situada em São Paulo - SP. A pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa-ação de abordagem qualitativa e se justifica na medida em que se constata que os trabalhos produzidos pelos alunos resultam, em sua grande maioria, na simples reprodução de informações retiradas da internet. O trabalho iniciou-se com a etapa de sensibilização do problema percebido pelos professores junto aos alunos e as intervenções foram divididas em três etapas distintas. A saber: organização do trabalho, coleta de dados e produção dos trabalhos de pesquisa. O desenvolvimento da pesquisa contou com a parceria entre professores das disciplinas de física e língua portuguesa e teve como foco biografias de cientistas brasileiros contemporâneos com vistas ao ensino de física. Os resultados obtidos evidenciam que a discussão em sala de aula sobre o tema possibilitou a alunos e professores uma reflexão importante a respeito do papel da pesquisa na escola, possibilitando a todos ressignificar seu processo de construção e seus produtos.

Palavras-chave : Trabalhos escolares; internet; biografias; ensino de física.

## Introdução

No cotidiano escolar a presença de pesquisas ou trabalhos é algo latente na maioria das disciplinas da Educação Básica. Por vezes é possível identificar a existência de um trabalho em andamento devido à movimentação dos alunos em sala, onde fazem os últimos ajustes colando ilustrações e/ou finalizando as capas dos mesmos, a fim de que sejam entregues ao professor que o solicitou. A relevância da aproximação entre pesquisa e ensino é destacada por Freire (2001, p. 2) ao afirmar que 'Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses quefazeres se encontram um corpo no outro'. Mas afinal, qual o significado da palavra pesquisa? De acordo com Bagno (2012, p. 17):

Pesquisa é uma palavra que nos veio do espanhol. Este por sua vez herdou-a do latim. Havia em latim o verbo perquiro , que significava procurar, buscar com cuidado; procurar por toda parte; informar-se; inquerir; perguntar; indagar bem, aprofundar a busca. O particípio passado desse verbo latino era perquisitum . Por alguma lei da fonética histórica, o primeiro r se transformou em s na passagem do latim para o espanhol, dando o verbo pesquisar que conhecemos hoje.

Na visão deste autor, a pesquisa é uma atividade que faz parte do cotidiano das pessoas desde ações simples como a comparação de preços ou marcas em

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26 a 30 de janeiro de 2015

supermercado até o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia, estando relacionada ao progresso intelectual do indivíduo. Já para Rocha (1996, p. 5) 'A pesquisa escolar é uma maneira inteligente de estudar e aprender. Não é, simplesmente, um trabalho que você faz para entregar ao professor. [...] A pesquisa é como um jogo no qual formulamos perguntas e nós mesmos temos que dar as respostas'. Em uma perspectiva científica, Lakatos e Marconi (2003, p. 155), dizem que:

A pesquisa é um "procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento". A pesquisa, portanto, é um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais.

A pesquisa pressupõe uma procura, uma busca cuidadosa, um processo de investigação por uma novidade que se procura anunciar, embora isto normalmente se distancie bastante dos trabalhos de pesquisa observados em sala de aula. A percepção dos professores é a de que os trabalhos produzidos pelos alunos são feitos, em sua grande maioria, só para 'tirar nota', apresentam-se como cópia de conteúdos extraídos da internet sem que isso promova nos alunos a aquisição de novos conhecimentos e nem os modifique após a realização da pesquisa.

Esta constatação aponta para a necessidade de se investigar as concepções dos alunos sobre o tema, por se acreditar que os alunos da EJA apresentam alto grau de interesse e comprometimento com seus estudos, mas que não são compatíveis com a qualidade dos trabalhos produzidos. Na concepção de Freire (1996), a superação da curiosidade ingênua que caracteriza o senso comum implica o compromisso do educador em despertar a consciência crítica do educando.

As pesquisas estão inseridas no cotidiano das pessoas, ainda que estas não as percebam nitidamente em suas vidas. Já no cotidiano escolar a pesquisa se apresenta como outra maneira de conhecer, onde os professores auxiliam seus alunos a realizarem pesquisas orientadas acerca das temáticas de interesse. Severino e Severino (2012, p. 15) assim justifica sua presença no Ensino Médio:

[...] a elaboração dos trabalhos [...] é também uma forma fundamental de capacitação para o desenvolvimento intelectual, completando adequadamente o ciclo do processo da aprendizagem, ao expressar a reelaboração pessoal das ideias e conhecimentos apreendidos a partir do acervo cultural a que tivemos acesso pelo estudo.

No caso específico deste trabalho, busca-se identificar as concepções dos alunos sobre suas pesquisas. Para nos aproximarmos destas concepções planejamos e desenvolvemos algumas atividades que preveem a realização de estudos capazes de proporcionar aquisição de conhecimentos físicos por meio das pesquisas biográficas de cientistas brasileiros contemporâneos importantes para o panorama da ciência nacional.

Para tanto, formulamos a pergunta de investigação: Quais procedimentos são utilizados pelos alunos na realização de pesquisas no contexto escolar?

Tendo esta pergunta como norteadora da investigação e a referência dos trabalhos entregues pelos alunos iniciou-se o trabalho entre professores de Física e Língua Portuguesa, com o objetivo de compreender de que maneira os alunos desenvolvem suas pesquisas e proporcionar reflexões sobre seus processos de elaboração tendo por base o uso de biográficas de cientistas brasileiros.

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## Metodologia da Pesquisa

A pesquisa, de abordagem qualitativa, apoiada por um questionário constituído de 6 perguntas fechadas e 1 aberta, obteve 23 contribuições e realizouse na Escola Estadual Rodrigues Alves, na cidade de São Paulo - SP, em uma turma de 3º ano da EJA. A sala contava com 36 alunos regularmente matriculados, situados na faixa etária entre 19 e 54 anos. As atividades iniciaram-se a partir das discussões estabelecidas nas aulas de trabalho pedagógico coletivo - ATPCs.

O método de pesquisa utilizado para a realização deste trabalho consiste na pesquisa ação (THIOLLENT, 2008), caracterizada pela participação ativa na pesquisa, uma vez que reconhecendo o problema coletivo identificado nos trabalhos escolares os envolvidos assumiram-se como pesquisadores nas ações propostas em busca da compreensão do problema levantado e de uma ressignificação para os trabalhos escolares. Assim, a partir do convite feito aos alunos para participar deste trabalho - não se desejava qualquer vinculação ao conceito de 'trabalhos para nota' daí a importância da participação voluntária -compartilhou-se com eles a investigação que se desejava realizar partindo da pesquisa de mapeamento prévio dos alunos que fora seguida de atividades elaboradas pelos professores. Cabe ressaltar que a quantidade de alunos participantes, embora menor que o total, teve adesão de 100% dos alunos presentes à aula que iniciou a atividade.

## Etapas de desenvolvimento do trabalho

O trabalho divide-se em três etapas distintas descritas a seguir:

## Primeira etapa - Sensibilização e convite .

Nesta primeira etapa compartilhou-se com os alunos o problema a ser investigado e deu-se, a partir daí, o convite à participação na pesquisa, de maneira que todos os 23 alunos participantes o fizeram de forma voluntária. Uma vez aceito o convite para participação na pesquisa fez-se a aplicação do questionário elaborado para este fim, contendo 6 questões fechadas e 1 aberta. Assim, a análise aqui apresentada diz respeito ao questionário aplicado nesta etapa do trabalho denominada 'sensibilização e convite'.

## Segunda etapa - Orientação para o trabalho de pesquisa.

O professor-pesquisador solicitou aos alunos que se dividissem em três grandes grupos e sugeriu o nome de três cientistas brasileiros: Marcelo Gleiser, Mário Schenberg e Miguel Nicolelis. O processo de divisão dos grupos e escolha do biografado deu-se de forma tranquila e democrática. Uma vez estabelecidos os grupos, após a aula inicial, na qual a professora de Língua Portuguesa já havia feito algumas intervenções apontando a importância das biografias e as possíveis fontes de pesquisa, deu-se início aos trabalhos de pesquisa propriamente ditos.

Os alunos puderam dispor de livros, revistas e artigos pesquisados na internet utilizando neste caso algumas palavras chaves em seus procedimentos de busca. O objetivo era subsidiar os alunos com informações para que pudessem discernir material útil e não útil ao tipo de pesquisa que fora solicitado. Tal simulação deu-se a partir de relatos feitos pelos próprios alunos na aula inicial sobre seus métodos de pesquisa, o que nos permitiu simular uma situação parecida em relação

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à obtenção dos materiais uma vez que não dispúnhamos no momento da pesquisa em sala de recursos computacionais.

Divididos em grupos, cientes do trabalho e de posse dos materiais foram desenvolvidas as seguintes etapas da sequência didática (SD) descritas abaixo:

## 1ª Etapa da SD - A organização do trabalho

Entender o que está sendo pedido e pelo quê procurar entendermos ser essencial para um bom início do trabalho. Aqui a palavra chave é 'alinhamento', assim, uma vez estabelecido e comunicado o trabalho a ser feito caberá aos alunos checar o entendimento do trabalho proposto e ao professor checar se o entendimento dos alunos confere com o que foi solicitado/proposto.

No caso de uma pesquisa biográfica espera-se descobrir, por exemplo, quem é o biografado, esperando-se que o pesquisador busque informações como: Onde nasceu o cientista biografado? Quando? O nome de seus pais? Onde se graduou? Que curso fez? Quando? Exerce a profissão? Quando iniciou suas atividades científicas? Quais suas obras mais importantes? Local onde vive?

Esta etapa que parece tão simples poderá gerar muitos equívocos, mas se bem conduzida pode proporcionar economia de tempo.

## 2ª Etapa da SD - Coleta de dados

Esta etapa é o momento em que o aluno-pesquisador se põe em busca das informações que lhe ajudarão no processo de elaboração do trabalho e para isto fazse necessário localizar fontes confiáveis, a partir de indicações feitas pelo próprio professor ou por troca de sugestões entre os alunos. Sugere-se ao aluno que vá além do que está pronto, buscar algo novo, trazer curiosidades que sejam relevantes sobre a vida do biografado. Adicionalmente é importante ter em mente a perspectiva da produção de dados, caso o tema permita, o aluno poderá produzir seus próprios dados, por meio da realização de entrevistas realizadas, inserindo fotos, etc.

## 3ª Etapa da SD - Produção do trabalho baseado na pesquisa

Após a seleção das informações, o aluno deveria redigir o trabalho, entendendo-se que neste momento o aluno já teria contato suficiente para apresentá-lo em uma sequência lógica. Para isso o aluno deverá: 1) Estruturar o trabalho; 2) Preservar a autoria; 3) Fazer citações; 4) Redigir a conclusão; 5) Incluir as referências; 6) Fazer o sumário; e 7) Preparar a capa.

## Terceira etapa - Convite à Reflexão e Socialização

Esta etapa do trabalho é o momento em que os alunos compartilharam suas experiências e o material que conseguiram produzir até aquele momento.

Dado o curto período de tempo disponível para a realização das atividades, 2 aulas de Língua Portuguesa e 2 de Física, cada uma com 45 minutos de duração, os aspectos estéticos e a extensão dos trabalhos foram relevados, enfatizando-se os conhecimentos construídos na pesquisa feita, as dificuldades encontradas e a diferença entre os métodos empregados. Estes aspectos e outras considerações

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que os alunos julgassem pertinentes foram compartilhados em uma mesa redonda. Abaixo o cronograma de desenvolvimento das atividades propostas para o projeto.

Quadro 01: Cronograma das atividades

## Apresentação e Análise dos Resultados

Os dados iniciais da pesquisa, obtidos a partir do questionário respondido pelos 23 alunos participantes, não contou com identificação nominal, pois o objetivo era dar liberdade aos alunos para que expressassem realmente suas concepções e práticas sem se sentirem cerceados. Assim, os estudantes indicaram sexo e idade, tendo esse grupo de 3º ano do ensino médio faixa etária entre 19 e 54 anos, com média de idade de 34 anos, sendo composto por 16 mulheres e 7 homens. As respostas obtidas são apresentadas a seguir:

Quadro 2: Questão 1 - Podendo optar/negociar junto ao professor o instrumento de avaliação a ser utilizado no curso, qual a sua escolha?

Uma parcela considerável dos estudantes optou pelos trabalhos como instrumento de avaliação, o que vai ao encontro das observações feitas pelos professores em sala, onde os alunos expressam suas queixas quanto à realização das pesquisas escolares somente quando estas se apresentam em grande quantidade ou centradas num mesmo período do ano, por exemplo.

Quadro 3: Questão 2 - Qual sua motivação para escolher o instrumento de avaliação indicado?

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Como apontado na questão anterior, 61% dos alunos optou pelos trabalhos como instrumento de avaliação, e quando questionados sobre esta escolha dois aspectos mostram-se significativos: a maior aquisição de conhecimentos e profundidade no tema estudado e a falta de tempo, o que corresponde a 75% das respostas apresentadas.

Quadro 4: Questão 3 - Qual sua principal fonte de consulta na realização dos trabalhos escolares?

Observa-se que a internet é a principal fonte de pesquisa utilizada pelos alunos. Certamente o computador representa uma poderosa ferramenta inserida no contexto escolar, o que se justifica pelo poder de aglomerar qualquer tipo de informação e pela agilidade no compartilhamento destas informações por meio de imagens, vídeos, textos etc. Cabe, no entanto, ressaltar que o uso desta ferramenta exige cautela e senso crítico na utilização dos dados disponibilizados.

Quadro 5: Questão 4 - Você consulta outras fontes além da indicada na questão anterior?

Apesar de os percentuais estarem bem próximos, mais da metade dos alunos não utiliza outras fontes que não a internet. Embora valiosa fonte de pesquisa, a internet certamente não é a única. Dependendo da pesquisa faz-se necessário utilizar outros meios como livros de referência, banco de dados de jornais e revistas, por exemplo. Contudo, a consulta a tais fontes necessita ser incentiva, a fim de que passem a integrar a rotina das pesquisas feitas pelos alunos.

Quadro 6: Questão 5 - Caso tenha respondido sim à questão anterior, informe quais as outras fontes utilizadas por você na realização dos trabalhos escolares?

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As respostas dos alunos reforçam a importância da internet nas pesquisas escolares e apontam os livros como uma fonte alternativa às pesquisas realizadas. Este resultado reforça a facilidade de acesso a essas fontes, uma vez que a internet encontra-se disponível em um toque ao celular e os livros estão presentes e são acessíveis em boa parte das bibliotecas escolares.

Quadro 7: Questão 6 - Quantas fontes de consulta você costuma utilizar, em geral, para a realização dos trabalhos escolares?

Entende-se que o aluno ao utilizar uma única fonte de pesquisa aumenta a chance de que o trabalho retrate um recorte parcial das informações encontradas ou ainda a cópia literal dos textos observados, distanciando-se assim do aprendizado esperado com a realização da pesquisa. Contudo, quando consultados quanto à quantidade de fontes utilizadas, 82% dos alunos assinalaram utilizar duas ou mais fontes de consulta na realização de seus trabalhos. Este fato mostra-se positivo no sentido de que será possível ao aluno observar diferentes pontos de vista sobre o assunto pesquisado e espera-se que o mesmo possa fazer uso de seu senso crítico na análise das informações encontradas.

Quadro 8: Questão 7 - Ao utilizar frases literais ou trechos de livros em seus trabalhos, você tem por hábito fazer a citação dos autores?

Pelos dados obtidos 61% dos alunos afirmam ter o hábito de fazer as citações necessárias quando se utilizam de trechos de textos e/ou frases dos autores consultados. Embora acreditem fazer as citações corretamente, poucos realmente as fazem, e isto pode ser constado nos trabalhos entregues.

## Conclusões

A etapa inicial que compreende a sensibilização e convite feito aos alunos para participação demanda ampliação para que se possa contar com um número maior de estudantes e obter maior confiabilidade nos dados sobre as concepções e práticas na realização das pesquisas e trabalhos escolares. Os alunos em sua grande maioria acreditam que suas pesquisas permitem a aquisição de novos conhecimentos em um maior grau de profundidade sobre o tema pesquisado, o que infelizmente não se concretiza na prática. Os trabalhos entregues pelos alunos no decorrer do ano letivo e que serviram de base para as reflexões desta investigação não apresentavam mais do que cópia de trechos de livros e de textos extraídos da internet. Poucos apresentavam conclusões e/ou continham discussões a respeito das opiniões formadas pelos alunos.

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Este problema aponta uma clara divergência entre os produtos elaborados e entregues pelos alunos como resultado de suas pesquisas e as motivações que os fazem preferirem este tipo de instrumento de avaliação no contexto escolar. É, portanto, necessária uma reflexão sobre o que se espera atingir com um trabalho de pesquisa e o que efetivamente se atinge tanto do ponto de vista do professor que propõe uma atividade desta aos alunos, quanto dos alunos ao se proporem a realizar estas pesquisas.

Outro aspecto importante observado é a falta de tempo disponível para os estudos como um dos motivos para a escolha da realização dos trabalhos de pesquisa que se traduzem em um ato de 'copiar e colar' mecanicamente, tornando o trabalho ilegítimo do ponto de vista ético.

- A pesquisa aponta ainda que a internet é a maior fonte de pesquisa dos alunos, dada sua capacidade de aglutinar informações e rapidez no compartilhamento das mesmas. Contudo, apesar da inegável importância da internet , falta aos alunos o uso do senso crítico na utilização das informações disponibilizadas por este meio, não só pelo fato de que copiá-las sem citar a fonte é cometer plágio, mas também pela necessária verificação de sua veracidade.
- O trabalho realizado a partir das pesquisas biográficas apontou que outras fontes, além da internet , podem e devem ser consultadas pelos alunos, enriquecendo assim os trabalhos produzidos. Os relatos apresentados na etapa de socialização indicam que o tema de pesquisa quando contextualizado torna-se mais interessante e atraente. O acompanhamento do professor no desenvolvimento das pesquisas e uma apresentação oral também potencializam o envolvimento do aluno.

Em linhas gerais, constatou-se que a atividade proposta promoveu uma reflexão a respeito da elaboração dos trabalhos de pesquisas. Portanto, espera-se que a elaboração dos trabalhos escolares passe a ser mediada pela curiosidade em conhecer, se utilizem do senso crítico quanto à utilização das informações encontradas, procurem construir e agregar ao trabalho aspectos autorais, citando devidamente as fontes consultadas, além de se distanciar do mecanicismo de 'copiar e colar' informações diversas, promovendo-se, assim, o conhecimento das ciências por meio daqueles que a fazem avançar em nosso tempo.

## Referências

BAGNO, M. Pesquisa na escola: o que é e como se faz. São Paulo: Loyola, 1998.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 18. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E.M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

ROCHA, R. Pesquisar e Aprender. São Paulo: Scipione, 1996.

SEVERINO, E. S.; SEVERINO, A. J. Ensinar e Aprender com Pesquisa no Ensino Médio . São Paulo: Cortez, 2012.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa - ação . São Paulo: Cortez, 2008.

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