ENSINO DE ÓTICA ATRAVÉS DO CALEIDOSCÓPIO ''SEM ESPELHOS"
Pablo Diego Barbosa Da Silva, José Antônio Duarte Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 29/01/2015
- Linha de pesquisa
- Linguagem E Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ENSINO DE ÓTICA ATRAVÉS DO CALEIDOSCÓPIO 'SEM ESPELHOS'
Pablo Diego Barbosa da Silva , José Antônio Duarte Santos 1 2.
- 1 Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - Câmpus Salinas, pdbsilva@yahoo.com.br
- 2 Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - Câmpus Salinas, jose.santos@ifnmg.edu.br
## Resumo
A utilização de oficinas pedagógicas pode ser considerada uma configuração que visa aproximar conteúdos abstratos com a realidade do estudante, por unir a teoria com o cotidiano e o envolvimento destes estudantes na construção de ferramentas, que os ajude na compreensão desses conteúdos. Diante disto, propõe-se a utilização de uma oficina pedagógica com o objetivo proporcionar aos estudantes da segunda série do Ensino Médio de uma escola da rede estadual no município de Salinas-MG, um aprendizado em ótica, de maneira teórica e prática, tendo como instrumento de ensino a construção de um caleidoscópio sem espelhos (CSE), através desta oficina, os estudantes aprenderam a confecciona o mesmo. Foi feito uma introdução histórica sobre o caleidoscópio e sobre o seu funcionamento. Com apoio do Pibid (Programa Institucional de Bolsa Iniciação à Docência), foi possível disponibilizar o material para a construção de um caleidoscópio por estudante. Após a oficina notou-se um grande interesse pelo conteúdo por parte dos estudantes envolvidos, e foi possível comprovar que ao utilizar outros recursos além do 'quadro e giz', a motivação desses estudantes pelo assunto aumenta. Os estudantes puderam vivenciar a física de maneira prática, simples e divertida, evidenciando que a física é mais que um monte de fórmulas e operações matemáticas.
Palavras-chave : Ótica, ensino de física, Pibid; estudantes;; oficina pedagógica.
## 1. Introdução
Física é considerada uma disciplina complicada por grande parte dos estudantes do ensino médio, muitos deles não gostam dessa matéria, por ela tratar de assuntos abstratos, de difícil assimilação. Para Hülsendeger (2007): 'Negar a complexidade dos conceitos físicos e a dificuldade da maioria dos alunos em compreender esses conceitos seria desconhecer a realidade atual do ensino da Física'. Muitas vezes não se faz um comparativo com o cotidiano, causando desinteresse por parte destes estudantes. De acordo com Vilaça (2012), 'O que é ensinado nas escolas muitas vezes foge do cotidiano dos alunos, as relações entre o cotidiano e a disciplina de Física não são abordadas nas salas de aula e com isso, os alunos não veem interesse pela Física'.
Os PCN (1998) também fazem menção à falta de nexo com o cotidiano do estudante:
O ensino de Física tem-se realizado frequentemente mediante a apresentação de conceitos, leis e fórmulas, de forma desarticulada, distanciados do mundo vivido pelos alunos e professores e não só, mas também por isso, vazios de significado. Privilegia a teoria e a abstração desde o primeiro momento, em detrimento de um desenvolvimento gradual da abstração que, pelo menos, parta da prática e de exemplos concretos. Enfatiza a utilização de fórmulas,
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26 a 30 de janeiro de 2015
em situações artificiais, desvinculando a linguagem matemática que essas fórmulas representam de seu significado físico efetivo.
A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, 1996) propõe 'a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina'.
Nesse ponto de vista, o ensino de cada conteúdo deve estar ligado ao mundo dos estudantes, ao seu cotidiano fazendo uso do aprendizado adquirido no ambiente escolar, até mesmo no que se faz referência à aprendizagem dos conhecimentos; que nessa oficina foram os da física. De acordo com Paviani e Fontana (2009)
A oficina pedagógica constitui-se numa oportunidade de vivenciar situações concretas e significativas, baseada no tripé 'sentir-pensaragir', sendo considerada como excelente meio de construção de conhecimentos a partir da ação, sem perder de vista, porém, a base teórica.
O uso de oficinas pedagógicas como ferramentas de apoio ao ensino pode ser considerado um meio que tende a aproximação de conteúdos abstratos com o cotidiano do estudante, o envolvimento deles na construção de instrumentos que os ajude na compreensão desses conteúdos pode auxiliar no processo de aprendizagem. Mendeiros et al (2010) diz que:
Nas oficinas de aprendizagem a construção do conhecimento em Física estabelece uma relação de reciprocidade entre o aluno e o objeto de estudo expresso em situações-problema. Estas, por sua vez, mobilizam o levantamento de hipóteses decorrentes de observações e constatações do próprio conhecimento empírico do aluno. Depois de postuladas as hipóteses, analisam-se os possíveis resultados para se chegar a uma conclusão referente ao problema proposto. Esta metodologia é utilizada também nos laboratórios didáticos, no qual o ambiente é apropriado para a realização de experiências e execução de projetos didáticos.
## 2. Objetivos
O objetivo do trabalho foi proporcionar aos estudantes um aprendizado em Ótica de maneira teórica e prática através da oficina pedagógica, tendo como instrumento de ensino a construção de um caleidoscópio sem espelhos (CSE). Mostrar também uma física que vai além das fórmulas e dos cálculos.
## 3. O caleidoscópio
- O caleidoscópio é um instrumento ótico, que por um arranjo de espelhos, colocados em certa posição, produz combinações simétricas de imagens, notáveis pelas belas e infinitas variações possíveis. Silva (2001), p.37, mostra:
Em 1817, um físico escocês Sir David Brewster patenteou um 'brinquedo' chamado caleidoscópio, cujo nome é derivado do grego, kalos (belo), eidos (aspecto) e skopien (ver). Este instrumento ótico que Brewster criou para exibição de belas formas é resultado de seus estudos sobre a polarização dos raios de luz por múltiplas reflexões.
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Como o caleidoscópio é uma articulação formada por espelhos, a proposta dessa oficina, é a substituição dos mesmos por réguas escolares. Um espelho é uma superfície com alto poder reflexão da luz, ao serem colocadas as réguas no lugar dos mesmos e cobri-las com o papel camurça, por exemplo, conseguimos esse poder de reflexão tornando a construção do caleidoscópio mais barata e acessível para o estudante, sem perder a qualidade das imagens formadas por ele.
## 4. Metodologia
Para fugir um pouco da rotina da sala de aula faremos uso de uma oficina pedagógica a fim de introduzir o tema Ótica e paralelo a isso construímos um CSE.
A oficina foi dividida em duas etapas: a primeira serviu para fazer uma breve introdução histórica sobre o caleidoscópio; a segunda eles aprenderiam a confeccioná-lo.
Depois de feita a introdução histórica, com o apoio do Pibid, cada estudante obteve os materiais para confeccionar seu próprio CSE. E foi realizada uma entrevista informal (bate papo) com alguns dos estudantes, para investigar o que eles acharam de participar desse tipo de projeto.
## Os materiais utilizados para a construção são:
- · Três réguas escolares de 30 cm de comprimento cada (figura 1).
Figura 1 : Foto de arquivo dos autores
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- · Uma folha de papel camurça (20x30) cm (figura 2). 2
Figura 2 : Foto de arquivo dos autores
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- · Fita adesiva transp. polip Durex 12x50 (figura 3)
Figura 3 : Foto de arquivo dos autores
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- · Papel colorido, revistas, livros e etc (figura 4).
Figura 4 : Foto de arquivo dos autores
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Posteriormente à distribuição dos materiais, houve um momento para ensinar os estudantes a confeccionar o CSE. Abaixo os procedimentos para confecção:
Foram colocadas as réguas de maneira que elas formem uma pirâmide com ângulo de 60°(poderiam ser de outros ângulos que o efeito seria semelhante) entre elas, em seguida foram presas com a fita adesiva (figura 5).
Figura 5 : Foto de arquivo dos autores
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Depois se enrola a mesma com o papel camurça cobrindo-a por inteiro evitando os excessos fora da pirâmide (figura 6).
Figura 6: Foto de arquivo dos autores
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Logo após de feito isto, o caleidoscópio sem espelhos está pronto para o uso, onde quem o utiliza pode ver e admirar as mais diversas formas (figura 7).
Figura 7 : Foto de arquivo dos autores
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## 5. Resultados e Discussão
Os estudantes se envolveram bastante com o projeto e se empenharam em fazer como foi ensinado. De acordo com relatos dos mesmos, significou muito pra eles participarem da oficina, pois puderam ver na prática, o que aprenderam na teoria, mas não só isso, eles tiveram a oportunidade de construir o que foi lhes ensinado, ainda disseram que entenderam melhor o conteúdo depois de por em prática.
A Lei de Diretrizes e Bases (LEI Nº9394/96) diz que:
As finalidades básicas da educação são a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos para que os estudos possam prosseguir; a preparação para o trabalho e cidadania; a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos e a relação teoria-prática, no ensino de cada disciplina Diante disto as oficinas . pedagógicas podem ser grandes facilitadores dessa consolidação, uma vez que elas unem a teoria e prática.
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Notou-se também por parte dos estudantes um grande entusiasmo em relação à possibilidade de trabalhar com a física sem ser tão direcionada ao cálculo e a resolução de problemas. Moraes (2009) fala que:
Alunos tem uma aula de física focada na parte matemática onde o professor enfatize muito a resolução de problemas, que muitas vezes estão fora do contexto de vida desses alunos, estes, sentirão uma antipatia pela disciplina de física, podem acabar por perder o interesse pela matéria, e isso certamente contribuirá de forma negativa em seu desempenho escolar.
Através de conversa com alguns estudantes após o término da oficina, pudemos constatar que eles gostaram bastante e que terem na prática o que aprendem na teoria é uma forma de fixar o conteúdo.
- O estudante 1 disse : ' foi muito bom ver esse lado da física ', já o estudante 2 afirmou que: ' É muito bom saber que tem física além das contas que vemos ', o estudante 3 falou: ' Achei super massa, deveria ter mais disso nas aulas '. Então podemos dizer que esse tipo de metodologia auxilia os estudantes na compreensão da disciplina e que pode e deve ser mais utilizada nas aulas, visto que os estudantes se interessaram mais pelo conteúdo.
## 6. Conclusão
As oficinas pedagógicas possibilitam uma forma de ensinar, produzindo um ambiente propício à aprendizagem da física de maneira completa e que o estudante atua e age em prol da sua aprendizagem juntamente com seus colegas e seu professor. O estudante pode vivenciar a física de maneira prática, simples e divertida, e o resultado esperado foi alcançado uma vez que a proposta do projeto foi cumprida. Pode-se ainda concluir que o uso de oficinas é bastante proveitoso ao unir a teoria e a prática, além de mostrar características lúdicas.
Ressalta-se com as oficinas o valor da interação dos envolvidos, com o material e suas possibilidades de transformação, ou seja, não se deseja que o estudante meramente construa uma reprodução leal do modelo ou metodologia oferecido pelo professor.
Entende-se com este trabalho que a construção de um caleidoscópio 'sem espelhos', em uma interação didática como a proposta com a oficina, é muito interessante para que os estudantes tenham contato com o conhecimento dos fenômenos de uma maneira agradável e descontraída.
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## 7. Referências
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 . Brasília: Editora do Brasil S/A, 1996.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Dispõe sobre normas para a educação nacional. A nova lei da educação: trajetória, limites e perspectivas ,
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BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Ciências Naturais / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília.
Campinas, p.163-164, 2003. GRUPO DE FÍSICA UERJ disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=VLe24Y1CKDc Acesso em 20 de jun de 2014
HÜLSENDEGER, Margarete Jesusa Varela Centeno. A história da ciência no ensino da termodinâmica: um outro olhar sobre o ensino da física . Ensaio. Pesquisa em Educação em Ciências Belo Horizonte, MG,v. 9, p. 2, dez/2007.
MEC/SEF, 1998.
MENDEIROS, A. A.; ESTEVAM, M.; SILVA, D. M. A Construção de autolocomotores para o Ensino de Física em uma oficina de aprendizagem no Colégio SESI de Londrina/PR. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia, n.58, outubro de 2010.
MORAES, U. M. A visão dos alunos sobre o ensino de física: um estudo de caso. Scientia Plena , v. 5, n. 11, p.1-7, 2009.
PAVIANI, N. B. S.; FONTANA, N. M. Oficinas pedagógicas: relato de uma experiência. Conjectura , v. 14, n. 2, maio/ago, p. 77-88, 2009.
SILVA, A. A. RESSALVA p. 37 (2001). Disponível em: http://base.repositorio.unesp.br/bitstream/handle/unesp/91157/batistela\_rf\_me\_rcla.p df?sequence=1&isAllowed=y Acesso em: 21 de jul de 2014
VILAÇA, Frederico Nogueira. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: A Experimentação no Ensino de Física, São João Del Rei/MG, UFSJ, 2012, Universidade Federal de São João Del Rey, São João Del Rey, 28 de fevereiro de 2012.
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