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ENSINO DE FÍSICA CONTEXTUALIZADO HISTORICAMENTE PARA O PROEJA

Munich Ribeiro De Oliveira Lopes, Marília Paixão Linhares, Gerson Tavares Do Carmo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ENSINO DE FÍSICA CONTEXTUALIZADO HISTORICAMENTE PARA O PROEJA

## Munich Ribeiro de Oliveira Lopes , Marília Paixão Linhares , Gerson Tavares 1 2 do Carmo 3

1 Instituto Federal Fluminense/ moliveira@iff.edu.br

## Resumo

O PROEJA se estabelece como política que concebe a educação como um processo contínuo por toda vida. Neste sentido, segundo o Documento Base do PROEJA, torna-se necessário considerar o mundo do trabalho, os diferentes saberes extra-escolares, a histórias de vidas, a diversidade de sujeitos da Educação de Jovens e Adultos e sua relação com a sociedade, de maneira a proporcionar a formação integral do educando. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) que orientam a elaboração dos currículos escolares brasileiros, o ensino de física deve proporcionar aos estudantes - mesmo àqueles que não venham a ter nenhum outro contato com a física escolar após a conclusão do Ensino Médio - a formação necessária para entender e intervir no mundo em que vivem. Este trabalho relata uma pesquisa desenvolvida com uma turma do curso PROEJA, na qual a história da ciência foi utilizada no estudo da termometria, de modo a proporcionar aos estudantes uma visão mais realista a respeito da ciência.

Palavras-chave : Ensino de física, PROEJA, história da ciência

## Introdução

- O Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade Educação de Jovens e Adultos (PROEJA) foi instituído em 2005, a partir do Decreto 5478, inicialmente apenas no âmbito dos antigos CEFET's e Escolas Técnicas Federais, com objetivo de integrar a educação básica na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) à educação profissional, buscando a formação plena do educando. Atualmente, a maior parte das vagas para o PROEJA são ofertadas pelos IFs (Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia), abrangendo os cursos de formação inicial e continuada (FIC) e de educação profissional técnica de nível médio. A proposta do PROEJA de integrar a educação profissional à educação básica na modalidade EJA, surge na tentativa de superar a dualidade entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, objetivando a formação de um trabalhador intelectualmente ativo, autônomo, criativo e produtivo.
- O documento base do PROEJA define as concepções e objetivos da educação destinada a esse público, apontando a necessidade de um currículo de ciências contextualizado e do uso de estratégias de ensino adequadas, e sugerindo alterações na maneira de se pensar e fazer educação para jovens adultos. O

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26 a 30 de janeiro de 2015

currículo da EJA, estabelecido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) se divide na base nacional comum e na parte diversificada, na tentativa de garantir integração e contextualização. Em relação ao currículo de ciências, as DCN orientam que devem ser incluídos temas que produzam nexo e sentido e que possibilitem aos alunos compreender o contexto em que vivem. Esta concepção está de acordo com o documento base do PROEJA (BRASIL, 2007) que estabelece o objetivo da educação para adultos integrada à formação profissional:

o que se realmente pretende é a formação humana, no seu sentido lato, com acesso ao universo de saberes e conhecimentos científicos e tecnológicos produzidos historicamente pela humanidade, integrada a uma formação profissional que permita compreender o mundo e compreenderse no mundo. (BRASIL, 2007, p. 13)

A inclusão da história da ciência no ensino de física permite que seja apresentada ao estudante uma ciência dinâmica, aberta, sujeita à mudanças e reformulações, influenciada por fatores políticos e sociais. Permite também ao educando uma leitura crítica da realidade, como orienta o método de educação proposto em Paulo Freire (1979), ao questionar por exemplo, a neutralidade da ciência, ou a ética que rege o desenvolvimento científico. Em relação ao ensino de ciências para jovens e adultos, Vilanova e Martins destacam que:

Com a democratização do ensino, os objetivos do ensino de Ciências passam a enfatizar a formação de uma postura crítica em relação à ciência pelos estudantes. Entretanto, a implementação de currículos que promovam a alfabetização científica dos estudantes dependem de profundas mudanças no paradigma educacional em nosso país. (VILANOVA e MARTINS, 2008, p. 342)

Percebe-se nos documentos que estabelecem as bases legais da educação de jovens e adultos em nosso país a indicação de que o ensino de ciências deve tornar possível a alfabetização científica, a fim de permitir ao indivíduo desenvolver habilidades que o possibilite utilizar conceitos científicos para tomar decisões responsáveis sobre sua própria vida. Nossa opção pela inclusão da história da ciência no ensino de termometria para jovens e adultos está baseada nestas indicações legais e teve como objetivo proporcionar ao aluno uma visão sobre a ciência mais próxima da epistemologia contemporânea.

## Metodologia

A história da ciência foi incluída no conteúdo de termometria em uma turma de segunda série do curso técnico em Meio Ambiente, modalidade PROEJA, do Instituto Federal Fluminense, Campus Guarus. Utilizou-se o texto 'A evolução dos termômetros' - adaptado dos textos ' Termômetros: sua evolução através dos tempos ' (CARVALHO, 1999) e ' Entendendo o Calor ' (QUADROS, 1996) - que aborda o desenvolvimento da técnica fundamental para o avanço dos estudos sobre temperatura e calor. Aborda também os personagens que contribuíram nesse

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processo, além da construção de escalas termométricas e a relação entre as escalas atualmente usuais. As estratégias de utilização do texto foram baseadas em Carvalho (1999 e 2004). As atividades didáticas envolvendo o tema duraram seis aulas de cinquenta minutos durante três semanas, e todo o conteúdo de termometria foi trabalhado com os alunos. Além do texto histórico, também foram utilizados como estratégias de ensino:

- a) Demonstrações investigativas: realizadas pela professora e podendo contar ainda com a ajuda de um aluno, com objetivo de nortear as discussões sobre os conceitos científicos, partir dos conhecimentos dos alunos. A sequência didática incluiu duas demonstrações investigativas: Experiência do tato e Conhecendo um termoscópio.
- b) Questões abertas: questões abertas à turma, para problematizar as demonstrações investigativas e tornar a aula mais dialógica. As questões foram baseadas em Carvalho (1999).
- c) Experimento realizado pelos alunos: foi realizado o experimento Utilizando o termômetro , cujos objetivos eram permitir que os alunos aprendessem a usar corretamente o termômetro, e verificar que embora eles tivessem percepções de esfriamento diferentes ao tocar um pedaço de madeira e o piso da sala, ambos estavam à mesma temperatura.

A análise do material produzido pelos alunos durante toda a sequencia didática validaram a abordagem histórica da termometria. No entanto, na próxima seção deste trabalho, apresentaremos parte dos resultados obtidos, com base na análise das respostas dadas pelos alunos à atividade sobre a compreensão do texto histórico.

## Resultados Parciais

Após a leitura do texto Evolução dos termômetros , os alunos foram divididos em grupos para discutir o texto e responder a algumas questões para avaliar a compreensão do mesmo. Os quadros 1, 2 e 3 mostram as questões dessa atividade e as respostas dadas pelos grupos:

Quadro 1: Respostas dos alunos à primeira questão da atividade.

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em forma de escala , pelo médico Santório , passou a se chamar termômetro e com o tempo foi sendo aperfeiçoado por médicos e cientistas como o médico Jean Rey e Ferdinando II, até chegar ao termômetro de hoje. (GRUPO 4)

## Quadro 2: Respostas dos alunos à segunda questão da atividade.

Questão: Entre outras contribuições para a técnica de construção de termômetros encontramos:

*Ferdinando II fechando a extremidade do tubo do termômetro sugerido por Jean Rey;

- *Fahrenheit propondo a substituição do bulbo esférico pelo bulbo cilíndrico.
- a)Explique porque podemos dizer que ambas contribuições foram melhorias.

b)Porque Ferdinando II e Santório interessaram-se pela construção dos termômetros?

## Resposta de cada grupo

- a- Porque conseguiram uma melhor precisão das Temperaturas
- b- Santorio: Para medir a temperatura de seus pacientes. Ferdinando: Manter a temperatura dos ovos durante a incubação em chocadeiras artificiais. (GRUPO 1)
- a) Porque cada vez mais se alcançou a aferição com mais precisão. b) Ferdinando para manter a temperatura dos ovos durante o choco. Santório: para medir a temperatura de seus pacientes. (GRUPO 2)
- a) Porque nos ajudaram a ter uma melhor precisão da temperatura, depois dessas melhorias foi possível obter temperaturas de referência ( quente e fria ), fixas, e uma graduação conveniente no intervalo entre elas.
- b) O Santório se interessou pelo instrumento, porque ele era médico e utilizava o aparelho para medir a temperatura de seus pacientes. E o Ferdinando II tinha a finalidade de manter constante a temperatura dos ovos durante a incubação nas chocadeiras artificiais, pois ele era criador de galinhas. (GRUPO 3)
- a) Porque com o aperfeiçoamento , pôde-se obter mais precisão no aferimento da temperatura.
- b)Porque o termômetro tornaria mais fácil e prático o trabalho de cada um deles. O médico Santório utilizava o aparelho para aferir a temperatura de seus pacientes e o Duque de Toscana Ferdinando II utilizava para manter constante a temperatura de suas chocadeiras artificiais. (GRUPO 4)

Quadro3: Respostas dos alunos à terceira questão da atividade.

Questão: Você considera a criação do termômetro como desenvolvimento da ciência? Porquê?

## Resposta de cada grupo

Sim! Porque seria muito difícil a qualidade de vida, desenvolvimento do todo seguimento global tais como: Previsão do tempo, qualidade dos alimentos, saúde, temperatura da água do mar para trabalhos off shore e etc. (GRUPO 1)

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Sim. Porque é um instrumento importante para o método científico. (GRUPO 2)

Sim, porque naquela época não existia nenhum aparelho desse tipo, que pudesse medir a temperatura. Foi uma invenção, uma descoberta extraordinária e com a evolução desse instrumento, hoje em dia ele é usado para diversas finalidades. (GRUPO 3)

Sim. Pois a partir da criação deste aparelho e suas constantes modificações até chegar ao termômetro atual , pode-se identificar cada vez com mais precisão a temperatura exata do que se propõe a ser aferido , tornando o trabalho de profissionais de diversas áreas muito mais ágil e prático. (GRUPO 4)

A partir das respostas dadas, é possível notar que a atividade baseada no texto histórico contribuiu para que os alunos pudessem perceber a construção do termômetro como um trabalho coletivo, para o qual vários pesquisadores colaboraram, ao longo de dois séculos, e assim, compreender que o conhecimento científico é resultado de esforço e pesquisa de diversas pessoas ao longo do tempo. Este resultado é positivo pois contraria a concepção errônea de que um único cientista, dotado de grande inteligência, é capaz de sozinho elaborar leis e desenvolver conhecimentos científicos. Através da atividade realizada, os alunos puderam ainda, reconhecer o cientista como sujeito humano, suas opções arbitrárias ou aleatórias, a influência da criatividade e da imaginação do cientista na construção da ciência, a relação que existe entre o cientista e o desenvolvimento da ciência, bem como as relações do desenvolvimento científico com os contextos sociais.

A inclusão da história da ciência no ensino de termometria permitiu aos alunos do PROEJA uma reflexão sobre aspectos importantes da produção e do desenvolvimento do conhecimento científico. Algumas habilidades cognitivas foram estimuladas a partir das atividades didáticas subsidiadas pelo texto histórico, entre as quais podemos citar: leitura, compreensão de textos, comunicação de conhecimento e criticidade. As discussões acerca dos textos motivaram os alunos e tornaram a aula mais dialógica.

## Considerações finais

Embora as características da ciência não tenham sido debatidas explicitamente durante as aulas, o uso do texto apresentando a história do desenvolvimento dos termômetros contribuiu para melhora na compreensão das características do desenvolvimento pelos alunos. A inclusão da História da Ciência nas aulas de termometria para o PROEJA possibilitou discussões contextualizadas sócioculturalmente e permitiu que os estudantes adquirissem uma visão mais realista a respeito da natureza da ciência. A História da Ciência foi capaz ainda de aumentar o interesse dos alunos pelo conteúdo de física tradicionalmente ensinado, tendo se revelado uma ferramenta importante no entendimento dos conceitos e fenômenos físicos.

## Referências

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BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CEB nº 11/2001 e Resolução CNE/CBE nº 1/2000. Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e Adultos. Brasília: MEC, maio 2000.

\_\_\_\_\_\_\_\_. Congresso Nacional. Decreto 5.478. Instituição do PROEJA. 24 de junho 2005.

\_\_\_\_\_\_\_. Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos: Documento Base. Brasília: MEC, agosto 2007.

CARVALHO, Anna M. Pessoa de (coor.). Termodinâmica: um ensino por investigação. São Paulo: FEUSP, 1999.

CARVALHO, Anna M. Pessoa de (org.). Ensino de Ciências: Unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. São Paulo: Paz e Terra, 1979.

QUADROS, Sérgio. A termodinâmica e a invenção das máquinas térmicas. São Paulo: Scipione, 1996.

VILANOVA, Rita; MARTINS, Isabel. Educação em ciências e educação de jovens e adultos: pela necessidade do diálogo entre campos e práticas. Ciência e Educação, v. 14, n. 2, p. 331-346, 2008.

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