TENDÊNCIAS DAS PESQUISAS SOBRE ENSINO DE ASTRONOMIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM PERIÓDICOS DA ÁREA DE ENSINO DE CIÊNCIAS
Marcelo De Sousa Coêlho, Wellington Pereira De Queirós
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 29/01/2015
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## TENDÊNCIAS DAS PESQUISAS SOBRE ENSINO DE ASTRONOMIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM PERIÓDICOS DA ÁREA DE ENSINO DE CIÊNCIAS
Marcelo de Sousa Coêlho 1 ; Wellington Pereira de Queirós . 2
## Resumo
O artigo apresenta o levantamento de trabalhos relacionados à temática Ensino de Astronomia na Formação de Professores publicados nas últimas edições (período entre 2009 e 2013) nas revistas Ciência & Educação (C&E), Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF), Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências (EPEC), Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF), Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (RBPEC), Investigação em Ensino e Ciência (IENCI) e Revista Latino Americana de Ensino de Astronomia (RLAEA). O objetivo é identificar, na área de Ensino de Ciências a atenção dos pesquisadores em disseminar pesquisas relacionadas ao Ensino de Astronomia no processo formativo de professores de Ciências e de Física. Neste levantamento utilizamos procedimentos metodológicos de natureza quantitativa e qualitativa, como o 'estado da arte' e análise de conteúdo, dando ênfase à forma como os trabalhos apresentam e abordam os temas sobre o Ensino de Astronomia na Formação de Professores. Encontramos um total de 14 trabalhos relacionados a temática dos quais categorizamos e constamos que a temática 'Estratégias de Ensino de Astronomia nos cursos de Formação de Professores' esteve presente em quase 86% dos artigos, o que configura a relevância ao foco do tema e a preocupação dos autores com relação ao Ensino de Astronomia na Formação de Professores.
Palavras-chave : Estado da Arte, Ensino de Astronomia, Formação de Professores.
## 1) Introdução
A Astronomia é considerada a mais antiga das ciências. Seu estudo pode levar a compreensão do Universo e proporciona a população participar nos destinos do planeta, ampliando a dimensão apenas acadêmica do ensino e levando os estudantes à cidadania (LANGHI, 2004).
A ciência da Astronomia ramifica-se por diversas áreas de interesses da Física, da Matemática e da Biologia. E por que não dizer também nas áreas da humanidades como a História, a Filosofia e a Sociologia, todas com contribuições relevantes para a formação do cidadão. Ela envolve várias observações a procura de respostas aos fenômenos físicos que ocorrem dentro e fora da Terra e estuda as origens, evolução e propriedades físicas e químicas de todos os objetos que podem ser observados no céu, bem como todos os processos que os envolvem (OLIVEIRA, 1997). Neste sentido o ensino de Astronomia na educação básica, na divulgação científica e na formação de professores torna-se imprescindível, pois tal
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conhecimento permite o homem a conhecer o seu lugar no Universo, a natureza da formação da terrra, bem como as suas interações com os outros corpos que compõe o Universo.
Com o intuito de entender o estado da arte das pesquisas sobre o Ensino de Astronomia, Iachel, Scalvi e Nardi 2009, apresentaram no VII Enpec - Encontro Nacional de Educação em Ciências em Florianópolis, um estudo exploratório sobre o ensino de astronomia na formação continuada de professores. Neste estudo, levantam algumas questões norteadoras relacionados ao ensino de Astronomia. Os questionamentos refletem a preocupação dos pesquisadores acerca do tema proposto, o qual constataram uma grande necessidade de cursos de Astronomia destinados a formação continuada de professores .
No que se refere à 'Tendências da área de Ensino de Astronomia' realizado por Bretones e Megid Neto (2003), os dados revelam uma maior preocupação com o Ensino de Astronomia nos níveis iniciais de escolaridade, em detrimento de níveis mais avançados. Provavelmente causado pela inclusão de temas relativos à Astronomia em muitas propostas curriculares de estados e municípios brasileiros desde os anos 80, inclusive mais recentemente nos citados Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) . Verificou-se também que o foco temático da pesquisa atingiu 56,3% para conteúdos e métodos enquanto que na formação de professores alcançou 25%, o que reforça a suspeita de carência de pesquisas que envolvam o ensino de astronomia na formação de professores.
Nesta mesma linha, com o intuito de colaborar com os estudos na área de Educação em Astronomia, Iachel e Nardi (2010) realizaram investigações sobre as tendências da pesquisa nesta área. Com a tabulação dos dados obtidos, eles puderam observar um crescimento no número de publicações relacionadas à Astronomia entre o período de 1990 e 2008. A consolidação desse crescimento não foi verificada para as pesquisas relacionadas ao ensino de astronomia na formação de professores no período analisado.
No presente trabalho é feito um levantamento de artigos relacionados à temática 'Ensino de Astronomia na Formação de Professores' publicados no período entre 2009 e 2013 nas revistas: Ciência & Educação (C&E); Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF); Ensaio: Pesquisa em Educação e Ciência (EPEC); Revista Brasileiro de Ensino de Física (RBEF); Revista Brasileira de Pesquisa em Educação e Ciência (RBPEC); Investigação em Ensino e Ciência (IENCI) e Revista Latino Americana em Ensino de Astronomia (RLAEA).
## 2) Metodologia
Intensiona-se, a partir das análises dos artigos contidos nas revistas, evidenciar a relação entre o saber oriundo da pesquisa, sua veiculação e o saber docente inserido na formação continuada dos professores. Para tanto, utilizamos uma metodologia qualiquantitativa.
- O instrumento qualitativo utilizado como ferramenta na investigação foi as técnicas de Análise de Conteúdo que Laurence Bardin (1994). E, para melhor compreensão didática, foi dividida em três momentos: 1) uma pré-análise , que consiste na fase de separação e organização do material; 2) a exploração do material , processo de codificação dos dados brutos de acordo com seus elementos comuns; 3) o tratamento dos resultados , que corresponde à inferência e à interpretação, por meio de diagramas, tabelas, e gráficos.
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No primeiro momento realizou-se a leitura flutuante no resumo dos artigos e nas palavras chaves com o foco em palavras ou construções textuais convergentes à temática Ensino de Astronomia na Formação de Professores nas revistas escolhidas, onde verificou-se a presença do termo em 14 trabalhos, os quais compõem o objeto em estudo.
Depois, a análise desses artigos, a partir de uma leitura mais atenta, estabeleceu- se o processo de categorização da pesquisa. Assim, cinco categorias foram elencadas como principais: 1) Concepções alternativas ; 2) Estratégias de 1 Ensino; 3) Ensino de Ciências/Física; 4) Interdisciplinaridade e, 5) Popularização da Astronomia. A Tabela 2 apresenta, quantitativamente, o registro das ocorrências evidenciadas nos textos após a categorização.
## 3)Resultados e Discussão
A tabela 1 demonstra a quantidade de artigos encontrados nos periódicos mencionados para o levantamento bibliográfico, num total de 14 artigos.
Tabela 1: periódicos analisados
A observação dos dados da Tabela 1 permite inferir que a quantidade de publicações referente à temática analisada, ano a ano, é pequena. Essa primeira constatação causa preocupações, pois verifica-se poucas pesquisas com o intuito promover discussões na área estão sendo realizadas.
Tabela 2: Categorias de análise sobre Ensino de Astronomia na Formação de Professores
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## Popularização da Astronomia
1
7,1
A categoria 'Estratégias de Ensino' é caracterizada por discussões e implementações didáticas de temas tais como: recursos audiovisuais; experimentos e demonstrações; visita a espaços não formais e atividades lúdicas estão presente em quase 86% dos artigos pesquisados. Essa análise evidência a relevância do tema e a preocupação dos autores com relação ao Ensino de Astronomia na Formação de Professores a qual apresenta diversas fragilidades conceituais em relação a conteúdos de Ciências, em especial a Física, trazendo graves consequências para o ensino. No entanto, a discussão sobre o 'Ensino de Ciências/Físicas' substanciais e essenciais à formação do professor, fica relegada a uma ocorrência de pouco mais de 21% nos artigos analisados. Acredita-se que o ensino dessa disciplina na educação básica deve ter como foco a conexão entre os conceitos da disciplina e as questões relacionadas à vida cotidiana dos estudantes. De modo particular, uma abordagem mais conceitual oferece um suporte maior ao professor em formação na elaboração de suas aulas, bem como na sua futura prática docente.
Outro quesito preocupante da análise dos dados refere-se à categoria sobre as 'Concepções Alternativas' com 7,1% das ocorrências. Pesquisas realizadas neste campo, de acordo com Langhi (2004), comuns entre alunos e professores, que precisam receber um tratamento adequado são: noções sobre o campo gravitacional, forma da Terra, ciclos dia/noite e estações do ano, fases da Lua, e eclipses. Por ser relevante na formação continuada de professores deveria ser encontrada em vários dos artigos. Entretanto, na presente pesquisa certificou-se que os autores analisaram outras concepções alternativas tais como: formação e evolução estelar; origem do universo e as galáxias.
A interdisciplinaridade também é outro quesito preocupante. Langhi (2009, p.19) nos informa que o alto grau de interdisciplinaridade da astronomia é uma qualidade singular que 'poderia ser aproveitada beneficamente em sala de aula como um instrumento de conexão entre as diferentes ciências que nela confluem' (TIGNANELLI, 1998). A física, no momento de um eclipse lunar, poderia ser melhor explorada com temas sobre: conceito de sombra, penumbra e o princípio da propagação retilínea da luz. Na geografia, a abordagem seria a localização do indivíduo no globo Terrestre que levantaria a discussão se o eclipse poderia ser total, parcial ou não acontecer; a coloração da lua devido a concentração de partículas de poluição suspensa na atmosfera seria outra abordagem a ser trabalhada na interdisciplinaridade. As pesquisas analisadas no presente levantamento apenas 7,1% dos artigos faz referência a interdisciplinaridade, o que é pouco em se tratando de um quesito amplamente discutido nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Encontramos um exemplo no trabalho de Langhi e Nardi (2010, p.221), que faz referência ao projeto de Extensão Universitária, coordenado pela Profª. Drª. Rosa Maria Fernandes Scalvi, que realiza, desde 2003, a construção artesanal de telescópios com ações de popularização e ensino e sua interdisciplinaridade com o curso de Licenciatura em Física. Outro exemplo está contemplado em Langhi (2009) que menciona a interdisciplinaridade durante um eclipse lunar total.
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Com relação a popularização da Astronomia no processo formativo de professores constatamos uma ocorrência em torno de 7%, com o uso de espaços não formais como: planetários e observatórios; visitas a museus de ciências, são altamente recomendados, visto que são estratégias metodológicas extremamente positivas no ensino e aprendizagem. Assim como os trabalhos com astrônomos amadores e os colaboradores.
Com o foco em quem está publicando e onde estão esses autores, fizemos outra analise nos artigos. Os dados levantados na pesquisa aumentam a nossa preocupação com relação ao ensino de astronomia na formação de professores. A Tabela 3 mostra o número de artigos publicados nessa temática por autor e a qual Instituição pertence. Verifica-se que 65% das publicações originam-se das Instituições públicas enquanto 10% são contribuições de universidade estrangeira. Mais de 71% dessas publicações concentra em apenas três pesquisadores, são eles: Bretones, Compiani e Langhi, enquanto que cerca de 29% está diluída entre os outros dezessetes autores pesquisados.
Tabela 3 : Relação entre artigos publicados, autores e instituição
## Considerações Finais
A pesquisa tinha, inicialmente, a intenção de identificar, após a análise dos artigos, a atenção dos pesquisadores em disseminar temas relacionados ao ensino da astronomia com a finalidade de obter uma visão panorâmica da formação inicial e continuada de professores de Ciências e de Física.
Verificou-se, porém que pouco material nesse perfil, foi encontrado nas revistas pesquisadas. As categorias elencadas na Tabela 2 são recorrentes nas pesquisadas analisadas no presente trabalho no que diz respeito ao Ensino de Astronomia na Formação de professores, indicando uma direção para as discussões relacionadas à formação inicial e continuada dessa classe de profissionais. As concepções alternativas, discutidas anteriormente, representam um entrave considerável para o ensino e o aprendizado da astronomia e necessitam de mais pesquisas. A popularização dessa ciência pode contribuir no sentido de auxiliar na
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mudança das concepções alternativas, dessa forma os espaços formais e não formais, destacados anteriormente, deveriam ser melhor aproveitados.
A interdisciplinaridade, pouco explorada nos artigos, pode ser almejada utilizando-se tanto desses espaços, como também em atividades que envolvam outras disciplinas, tais como: a Geografia, a História, a Matemática, a Física, etc. O confronto entre as diversas áreas do conhecimento pode sobreviver numa relação amistosa entre os saberes, proporcionando aos seus espectadores, enriquecimento cultural e aprendizado significativo.
Numa análise geral sobre o material analisado, percebe-se que os problemas de pesquisa da área estão, ligeiramente, voltados a uma tentativa de popularização do ensino da astronomia e a preocupação com a formação continuada de professores. Fazendo com que os temas se tornem acessíveis aos professores, inclusive com a perspectiva de fazer uma formação para possibilitar uma maior abordagem da Astronomia na Educação Básica, uma vez que existe uma já comprovada deficiência na formação astronômica da maioria desses professores.
Levando-se em conta que os conteúdos de astronomia fazem parte do ensino de ciências nos anos iniciais do Ensino Fundamental e Médio (BRASIL, 2001), a formação inicial e continuada de professores necessita fornecer condições para que o futuro professor se sinta capacitado para ensiná-la, o que pode ser garantido em parte pela inclusão dos fundamentos teóricos e práticos sobre o tema, seja na formação inicial ou continuada do professor. Resumidamente: para se ensinar, é necessário conhecer bem esses conteúdos e suas estratégias de ensino (LANGHI, 2004).
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