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A INSERÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA NOS ANOS INICIAIS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO CLUBE DE CIÊNCIAS DA UFPA.

Janes Kened Rodrigues Dos Santos, Dayanne Dailla Da Silva Cajueiro, Viviane Barbosa Dos Santos, João Amaro Ferreira Neto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## TITULO

## A INSERÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA NOS ANOS INICIAIS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO CLUBE DE CIÊNCIAS DA UFPA.

Janes Santos 1 , Dayanne Cajueiro , Viviane Santos , João Ferreira Neto 2 3 4

- 1 Universidade Federal do Pará/Campus Universitário de Altamira/Faculdade de Ciências Biológicas, kened@ufpa.br

- 3 Universidade Federal do Pará/Instituto de Educação Matemática e Científica/Faculdade de Educação Matemática e Científica, viviane.santos77@hotmail.com

## Resumo

Este trabalho constitui-se em um relato de experiência ocorrido no percurso do estágio desenvolvido em um espaço não-formal de ensino. Verificou-se como determinadas experiências, vivenciadas por licenciandos em um projeto de iniciação à docência, contribuíram para o desenvolvimento de habilidades e atitudes relacionadas à profissão docente. Observou-se como os graduandos enfrentaram, lidaram e significaram o Ensino de Ciências ao elaborarem atividades de Física para crianças do ensino fundamental. Para o levantamento de informações, utilizaram-se técnicas qualitativas de coleta e análise de dados para avaliar como se deu a evolução de algumas ideias dos sujeitos no percurso de suas práticas de ensino. Foi observado que eles demonstraram esforço para estudar e realizar atividades de Física, reconheceram o apoio do grupo, da orientadora e a motivação das crianças como fatores propulsores para o enfrentamento de suas dificuldades. Consideramos que eles tiveram a oportunidade de ampliar suas concepções e reconhecer a possibilidade de ensinar Física desde o início da Educação Básica.

Palavras-chave : Formação de professores, Ensino de Ciências, Estágio.

## Introdução

- O Acreditando na capacidade de aprender conceitos considerados complexos ainda nos anos iniciais, Carvalho et al ., (1998) organizou atividades voltadas a estudantes desta faixa de ensino no intuito de estimular o desenvolvimento do conhecimento físico, assim como o desenvolvimento de habilidades relacionadas a procedimentos científicos, colocando-os no nível de compreensão das crianças. Além de partilhar da viabilidade desta proposta para os alunos, defendemos que trabalhar com essas situações desafiadoras pode enriquecer a formação inicial dos professores ao terem que elaborar e avaliar planejamentos, corroborando para a ampliação de suas concepções sobre a Ciência e o ensino de Ciências.

Ostermann (1999) afirma que o ensino de disciplinas científicas é deficiente nos cursos de formação de professores para os anos iniciais. Isto pode representar um fator que justifique a ausência do ensino de conceitos físicos nesta faixa etária. Essa resistência para elaborar e desenvolver planejamentos que envolvem o conhecimento físico se configura pelo fato dos profissionais não terem domínio dos

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26 a 30 de janeiro de 2015

mesmos, havendo necessidade de uma melhor formação docente e criação de espaços em que se possa vivenciar experiências de prática pedagógica inovadoras e dinâmicas que contemplem essa área de conhecimento.

Nesse sentido, compartilhamos as ideias de Freire (1996); Gonçalves (2000); Perrenoud (2002); Souza, (2006) sobre a importância de uma formação inicial de professores de forma reflexiva e promotora de situações profissionais desafiadoras. Essas contribuições corroboram para a continuidade de ações nesta perspectiva e potencializam a realização de pesquisas que visem identificar como esses professores dão sentido as experiências vivenciadas no processo de formação inicial.

## Descrição procedimental do trabalho desenvolvido

A coleta de informações deste artigo está pautada em entrevistas sobre o trabalho desenvolvido e na produção escrita, nos diários de cada professor estagiário e nos planos de aula. Configurando essa pesquisa, segundo CHIZZOTTI (2003) como qualitativa.

A experiência apresentada neste artigo foi desenvolvida com uma turma de estudantes do Projeto Clube de Ciências da Universidade Federal do Pará. O clube é um espaço não formal de formação docente que funciona como laboratório pedagógico. Nele grupos de professores estagiários (alunos de licenciatura), utilizando uma perspectiva de ensino com pesquisa, desenvolvem ações pedagógicas com estudantes da educação básica.

Os sujeitos desta pesquisa fazem parte de um dos grupos de estagiários do Projeto. Estes eram responsáveis por uma turma de estudantes do 4º e 5º ano do ensino fundamental, composta por 25 alunos. A equipe responsável pelas atividades com as crianças atuava, em conjunto e concomitantemente, no planejamento e realização das aulas. Era formada por alunas do curso de Licenciatura Integrada em Educação em Ciências, Matemática e Linguagens, chamadas aqui de Vani, Rita, Dani, Poli. O grupo recebeu acompanhamento e orientação de uma professora supervisora de estágio da UFPA, designada aqui de Jade.

- As estagiárias eram orientadas para escreverem nos diários suas impressões sobre as aplicações dos planos de aula que, posteriormente, eram analisadas e discutidas com a professora supervisora durante dois encontros semanais. Essas reflexões subsidiavam o encaminhamento do planejamento da próxima atividade que ocorria na manhã de sábado.
- O relato em questão corresponde aos trabalhos desenvolvidos, pelo quarteto supracitado no ano de 2012, totalizando 18 dias letivos. A temática das aulas foi relacionada ao inseto Gafanhoto, escolhida em função da curiosidade dos alunos sobre a quantidade dos insetos no jardim da UFPA. A dificuldade de identificá-los também foi um fator que fez as professoras estagiárias abordarem o assunto, pois a grande maioria dos alunos confundia o gafanhoto com o grilo.

## Resultados e Discussão

Por se tratar de estágio, o procedimento de análise foi direcionado, exclusivamente, para a prática docente tendo como base para as categorias de análise os relatos de dificuldade, superação e as situações que evidenciaram uma

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atitude reflexiva sobre si mesmo, por exemplo, durante as reuniões de orientação com a professora supervisora, nos escritos do diário e, também, durante o desenvolvimento das ações em sala de aula. Os trechos analisados foram inerentes à prática de ensino realizada por estagiários com os estudantes do ensino fundamental menor, relacionado ao conhecimento físico.

## O conhecimento Físico como abordagem temática possível no planejamento de ensino nos anos iniciais

Os planejamentos e estudos com as crianças se desenvolveram sobre a estrutura anatômica, os hábitos alimentares e o habitat do gafanhoto. Com base nas perguntas e curiosidades apresentadas pelos estudantes para nortear a uma pequena investigação científica que desenvolveriam sobre a temática, uma questão feita pelas crianças, provocou interesse e norteou a pesquisa que seria desenvolvida futuramente por elas, sob orientação das quatro professoras: Por que quando os gafanhotos estão em perigo, eles pulam ao invés de voar ?

Inicialmente, os assuntos das aulas estavam relacionados diretamente ao conhecimento biológico: habitat, relações ecológicas, anatomia, classificação científica do inseto, entre outros. Durante as reuniões de planejamento das aulas, percebeu-se que seria necessário inserir o aspecto da biomecânica do salto do inseto. Sendo preciso redirecionar o olhar dado à situação-problema, que era apenas o biológico, inserindo a abordagem da Física.

Neste momento, a aceitação da condução do trabalho, não foi bem recebida pelo grupo. O relato feito por Vani em seu diário ajuda a descrever como a mudança (Biologia para Física) foi encarada por ela, representando também a sensação das demais integrantes do grupo:

No momento em que estávamos reunidas com a Jade nos orientando com a parte relacionada à física não surgiu tantas dúvidas, mas quando cheguei em casa me deu um desespero tão grande por causa da virada do projeto: de sair do ramo da biologia que possui temas que eu particularmente adoro e ir pro ramo da física que possui temas que são muito complicados [...] Eu me senti mesmo perdida, nesse momento então tentei relaxar e trocar algumas ideias com a Dani, foi quem me ajudou a enxergar que são essas pequenas dificuldades que nos fazem amadurecer, pois nem sempre durante a nossa docência vamos lidar somente com temas que temos afinidades, mas também com os que não temos tantas afinidades assim.

O grupo até percebia que havia relação sobre o estudo da Física no projeto que estava desenvolvendo. No entanto, o comportamento apresentado pelas professoras, após a mudança de área do projeto, além da complexidade pontuada como um fator que dificultaria o trabalho com as crianças, trouxe à tona a insegurança em lidar com os assuntos que as estagiárias não dominavam.

Carvalho e Grigoli (2006) afirma que, geralmente, os professores iniciantes encontram grandes dificuldades com relação aos saberes disciplinares e sua adequação para o domínio dos saberes curriculares. Na medida em que vão adquirindo maior experiência, passam a ter maior segurança para preparar suas aulas, equacionando os conteúdos a serem trabalhados em conformidade com as reais necessidades e possibilidades dos seus alunos.

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Carvalho e Gil-Perez (2011) também acreditam que os saberes profissionais dos professores não se consolidam necessariamente no seu período de formação inicial, mas durante e, principalmente, no exercício da docência.

Relacionando as ideias de Carvalho e Grigoli (2006), Carvalho e Gil-Perez (2011) com o fato descrito acima por Vani, isso nos faz refletir sobre como vivenciar situações desafiadoras, desconhecidas e de certa forma inéditas, podem promover possibilidades enriquecedoras na formação inicial de professores. Acreditamos que as experiências desafiadoras possibilitam ao profissional em formação inicial adquirir autoconfiança, superação, maior domínio e, consequentemente, maior segurança em relação aos saberes das disciplinas.

Por mais que passar por momentos de dificuldades (como no caso da mudança da biologia para física) não seja definitivo para formar ou condicionar posturas afirmativas e de rápida decisão ou aceitação dos professores iniciantes, mas pode ser formativo. Acreditamos na riqueza e potencialidade formativa que é colocar o graduando em situação real de sua vida profissional em que terá conteúdos a lecionar e opções metodológicas para assumir. Situações como essa, sob assistência e orientação de um profissional mais experiente na área, podem ajudar o grupo a refletir e conduzir o trabalho de modo mais direcionado e 'seguro' diante da nova perspectiva e enfrentamento e superação da resistência.

## Oportunidades de aprendizagem no estágio: autorreflexão e afirmação da escolha profissional.

- O estágio é um elemento do currículo pedagógico que traz desafios, mas, também grandes benefícios para a formação docente trazendo a possibilidade da aplicação de teoria e prática, o que permite que o professor torne sua prática reflexiva. Sobre isso Dani diz:

No decorrer do processo, aprendi a ser um sujeito reflexivo e crítico em tudo que faço (a partir das experiências, da importância de se pensar e se fazer perguntas de atos e planejamentos), de querer entender o aluno, suas práticas, falas, interesses. Que é importante fazer e se fazer perguntas.

Nesse sentido, Gonçalves (2000, p.104) afirma: 'quando os professores vivenciam situações profissionais desafiadoras elas se tornam formativas contribuindo para o desenvolvimento diferencial do sujeito como processo reflexivo, singular e autônomo'. No relato de Dani, fica explícito a importância do questionamento para a autorreflexão sobre as escolhas feitas, ações realizadas e metodologias adotadas, promovendo consequentemente a formação do sujeito reflexivo. Direciona a atividade consciente do sujeito ao ponderar sobre a ação realizada. Como assinala Schon (1983, p.26), consiste em pensar "sobre o que se está fazendo, enquanto se está fazendo." Consoante a esta linha de pensamento Gómez (1995, p.29) afirma:

A capacidade de voltar sobre si mesmo (...) supõe a possibilidade, ou melhor, a inevitabilidade de utilizar o conhecimento à medida que vai sendo produzido, para enriquecer e modificar não somente a realidade e suas representações, mas também a próprias intenções e o próprio processo de conhecer.'

As ideias defendidas por Gómez, aparecem no relato feito por Dani em seu diário ao utilizar a análise de sua prática para superar as dificuldades e aprimorar seu fazer docente:

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Vale ressaltar que foram graças a todas as atividades, superações, desenvolvimentos, orientações, experiências vividas, que tive certeza que querer ser docente, a superar minhas decepções antes vividas (vivenciar professores desmotivados, prejudicando os alunos, por falta de estrutura e apoio), e que fazer o diferencial dentro da sala de aula depende de cada um.

Demonstrando assim quanto o estágio lhe proporcionou aprendizagem fazendo com que compreendesse a relação professor e aluno como um processo de trocas mútuas. Como Freire (1970, p.68) diz 'ninguém educa ninguém, os homens aprendem comunitariamente', ou seja, conforme os saberes são trocados vai se construindo um novo conhecimento.

Na entrevista feita para conhecer a experiência constituída no estágio realizado, a resposta de Rita expressa os elementos que contribuíram para a superação das dificuldades enfrentadas pelas estagiárias:

- O desejo dos nossos alunos em querer aprender, em sempre querer participar das atividades que propomos, sempre estarem motivados por seus pais ou familiares. Era o que nos fazia querer cada vez mais estudar e pesquisar coisas interessantes não só para nossos alunos como para nos mesmas, que apesar das dificuldades em conhecer os assuntos que envolviam física, como a força, o impulso, força elástica e etc. Através disso nós tivemos força de vontade e apoio para que continuássemos os estudos e que desse tudo certo.

Na entrevista final, Dani relata sobre sua experiência constituída no estágio:

Neste ano amadureci minhas ideias com relação à docência, pois nos momentos de tensão percebi que devemos ter responsabilidades para que os alunos não se desestimulem e percam o foco, vi isto no momento em que me deparei com alunos com dificuldades de compreenderem alguns conceitos físicos, como impulso e força (...). Durante este ano me deparei com situações onde percebi que nada é impossível de aprender (o ensino de física foi um exemplo), que a inovação é preciso para que haja um incentivo, e que o querer o novo faz parte do cotidiano dos alunos. Todas as experiências vividas ajudaram no meu amadurecimento profissional, assim como o reconhecimento do querer docente.

Desde as primeiras atividades, as estagiárias sondaram os estudantes para que estes pudessem construir questionamentos em função do que pretendiam conhecer e criar, assim como sobre as formas de argumentar e organizar suas ideias. Observou-se que os questionamentos e confrontações realizadas pela equipe de professoras foram aspectos indispensáveis para motivar os alunos a engajaremse nos processos de produção de novos conhecimentos.

Os sujeitos desta pesquisa relataram as dificuldades em aceitar, trabalhar e inserir o ensino de Física na estruturação do planejamento de suas aulas. Notou-se que ainda é muito marcante a associação da disciplina de Ciências atreladas exclusivamente à Biologia. Tanto que houve a resistência para inserir os conceitos físicos (força, energia, impulso) para estudar o salto do inseto, antes percebido apenas como movimento dos músculos (aspecto biológico de sua estrutura).

- O questionamento inicial feito pelo aluno: Por que quando os gafanhotos estão em perigo, eles pulam ao invés de voar? Poderia ser abordado por vários aspectos, não exclusivamente através do estudo da biomecânica do salto, como ocorreu. Entretanto, o direcionamento docente e o enfrentamento dos graduandos para desenvolver esta linha de trabalho possibilitou a riqueza desta experiência formativa.

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Deste modo, conclui-se que a prática educativa se concretiza através das interações e para tal o diálogo se constitui em elemento essencial para o levantamento de questões-problema que se caracterizam por indagações feitas pelos sócios mirins acerca de curiosidades que são consequências de sua vivência cotidiana.

## Algumas considerações

A fragilidade, a carência de discussões e poucas vivências relacionadas às disciplinas científicas, na formação de professores de Ciências para os anos iniciais, é um forte obstáculo para a realização de atividades nesta perspectiva. E sendo assim, é necessário que o licenciando vivencie e experimente situações semelhantes com as quais terá que realizar em sala de aula, pois, muitos problemas só farão sentido quando ele se deparar, na prática, com essas situações (CARVALHO e GIL-PEREZ, 2011).

No percurso de sua formação inicial é o momento que esses sujeitos têm para 'ensaiar' posturas, discutir formas de lidar com a situação, configurando seu próprio fazer docente em um ambiente 'protegido'. O estágio constitui esse campo de atuação, pois o estagiário está lidando com situações teóricas e/ou práticas orientadas pelo professor, que os acompanha nessas vivências e que pode auxiliar a 'enxergar', pensar, refletir, e superar certas dificuldades neste processo.

Neste contexto, o estágio docente possibilita o desenvolvimento profissional, sendo um campo fértil para o exercício autônomo da criatividade como norteadora dos planejamentos, tendendo para uma formação permanente dado seu grau de complexidade (CARVALHO e GIL-PEREZ, 2011). Independente da área de conhecimento que será abordado como o exemplo à cima citado.

## Referências

CARVALHO, Anna Maria Pessoa; GIL-PEREZ, Daniel. Formação de professores de Ciências: tendências e inovações. 10 ed. São Paulo: Cortez, 2011 (Questões da nossa época; v. 28). ISBN: 8524905167.

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