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UMA PROPOSTA DE ATIVIDADE PARA CONSTRUÇÃO DE UMA ROSA DOS VENTOS COM ALUNOS DO PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL A PARTIR DE UM GNÔMON

Aline Agnelo Jango, Rodolfo Langhi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UMA PROPOSTA DE ATIVIDADE PARA CONSTRUÇÃO DE UMA ROSA DOS VENTOS COM ALUNOS DO PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL A PARTIR DE UM GNÔMON

## Aline Agnelo Jango 1 , Rodolfo Langhi 2

- 1 UNESP/Faculdade de Ciências- Bauru, alinejhango@hotmail.com
- 2 UNESP /Faculdade de Ciências- Bauru, prof.langhi@gmail.com

## Resumo

Os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) são divididos em quatro blocos temáticos: Ambiente, Ser Humano e Saúde, Recursos tecnológico e Terra e Universo, sendo este último trabalhado apenas no terceiro ciclo, ou seja, a partir do sexto ano.No entanto notamos (nós professores) o quanto este tema provoca fascínio e curiosidade nas crianças, contudo questionamos o por que de não trabalhar tal tema no primeiro ciclo do ensino fundamental. Sendo assim, este trabalho visa apresentar uma proposta de aplicação de um material didático experimental no ensino de Astronomia para a Aprendizagem Significativa sobre os pontos cardeais a serem trabalhados com alunos do primeiro ciclo do ensino fundamente, objetivando investigar as concepções dos alunos acerca do tema pontos cardeais; explicar o que são os pontos cardeais, suas utilidades, construir uma rosa dos ventos no pátio da escola a partir de um gnômon e investigar indícios de uma aprendizagem significativa dos alunos em suas escritas. Buscamos contribuir com aprendizagem significativa em ensino de astronomia, por meio de atividades didáticas diferenciadas do ensino 'tradicional' (giz-lousa, e reprodução mecânica), sempre com a preocupação de compreender o meio em que o aluno está inserido, incentivar a curiosidade, criatividade e pensamento crítico para formação de um indivíduo que tenha posicionamento enquanto cidadão.

Palavras-chave : Ensino fundamental, ensino de astronomia, Gnômon, rosa dos ventos, material didático experimental.

## 1. Introdução

Os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) são divididos em quatro blocos temáticos: Ambiente, Ser Humano e Saúde, Recursos tecnológico e Terra e Universo, sendo este último trabalhado apenas no terceiro ciclo, ou seja, a

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partir do sexto ano.No entanto notamos (nós professores) o quanto este tema provoca fascínio e curiosidade nas crianças, contudo questionamos o por que de não trabalhar tal tema no primeiro ciclo .

Como afirma Langhi (2009) por si mesma à astronomia é apaixonante e instiga nossa curiosidade, que pertence muitas vezes mais às crianças do que aos adultos. Por isso defendemos que o ensino de astronomia possibilita que as crianças alimentem cada vez mais a curiosidade e pensamento critico, em relação ao universo em que vivem, tornando-se mais ativas em seus processos de aprendizagens e, consequentemente, adultos mais ativos, mais curiosos e mais criativos.

Concordo com Langhi, Apud Tignanelli (1998) '[...] a Astronomia é um motor poderoso o suficiente para permitir ao docente [...] aproveitar a sua curiosidade por essa ciência para não somente desenvolver conceitos básicos, mas favorecer o desenvolvimento de outros pertencentes a diferentes disciplinas'. (2004. p.87). Devemos apoiar-se na curiosidade das crianças para desenvolvermos uma aprendizagem que desperte o interesse nos mesmos, iniciando com sua concepções prévias sobre o assunto.

Conforme os PCN (BRASIL, 1997), os estudantes possuem um repertório de representações, conhecimentos intuitivos, adquiridos pela vivência, pela cultura e senso comum, acerca dos conceitos que serão ensinados na escola. Muitas vezes, as concepções trazidas para a sala de aulas pelos alunos podem diferir tanto das ideias a serem ensinadas que chegam a influírem no processo de sua aprendizagem, ou oferecerem resistência a mudanças (DRIVER, 1989).

## 2. Referencial teórico

O conceito central que entremeia a teoria Ausubel é o de aprendizagem significativa. Diz-se que houve aprendizagem significativa de algum conceito quando este se relaciona de maneira substantiva e não arbitrária com outros conceitos preexistentes na estrutura cognitiva do indivíduo, que Ausubel chama subsunçores. (AUSUBEL, 2003)

Por subsunçores, Ausubel entende um ou mais conceitos, já existentes na estrutura cognitiva aos quais os novos conceitos vão ligar-se em um primeiro momento antes de serem incorporados à estrutura cognitiva de forma mais

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completa, ou seja, o conceito possui ligações de caráter psicológico e epistemológico com algum(s) conceito(s) da estrutura cognitiva, partilhando com o conceito já presente algum significado comum, ligando-se à estrutura cognitiva através da associação (no sentido de formar agrupamentos) a estes conceitos. Cada aprendiz faz uma filtragem dos conteúdos que têm significado ou não para si próprio.

Se eu tivesse que reduzir toda psicologia educacional a um único princípio, diria isto: O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece. Descubra o que ele sabe e baseie nisso os seus ensinamentos. (AUSUBEL, NOVAK & HANESIAN, 1980, p. 137).

O levantamento das concepções iniciais dos alunos sobre o tema a ser abordado é essencial para a aplicação de uma estratégia de ensino ou para a elaboração de um material didático, a fim de que o professor tente superar as concepções alternativas que os alunos possam apresentar. Por fim, deve-se efetuar a verificação posterior desta superação a fim de se constatar se as concepções iniciais dos alunos foram superadas devido à estratégia abordada, ou seja, verificar se a estratégia aplicada atuou como uma 'ancora' para a sua estrutura cognitiva.

Para que ocorra a aprendizagem significativa são necessárias duas condições, segundo Pelizzari et al. (2002): a) o aluno precisa estar disposto a aprender: pois se apenas memorizar o conteúdo de maneira literal e arbitrária, a aprendizagem será mecânica; b) o conteúdo deve ser lógico e psicologicamente significativo: o significado lógico depende somente da natureza do conteúdo, e o significado psicológico é uma experiência que cada indivíduo tem.

Partindo destes princípios teóricos fundamentadores, uma atividade experimental atuaria como esta 'ponte' para a estrutura cognitiva do aluno, desde que adequadamente trabalhados seus subsunçores sobre o tema a ser desenvolvido em sala de aula, portanto, sob o referencial adotado, este trabalho visa apresentar uma proposta de aplicação de um material didático experimental no ensino de Astronomia para a Aprendizagem Significativa sobre os pontos cardeais. Como objetivos desta proposta, temos: investigar as concepções dos alunos acerca do tema pontos cardeais; explicar o que são os pontos cardeais, suas utilidades, construir uma rosa dos ventos no pátio da escola e investigar indícios de uma aprendizagem significativa dos alunos em suas escritas.

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## 3. A proposta

Cronograma do desenvolvimento das atividades

1 momento ° : antes de iniciarmos o diálogo com os alunos aplicaremos um pré- teste, com o objetivo de conhecer as concepções espontâneas (uma ideia sobre determinado fenômeno natural previamente concebida por alunos e/ou professores) sobre o assunto, posteriormente começaremos um diálogo sobre os pontos cardeais, de modo que os alunos compartilhem seus conhecimentos prévios e exponham suas ideias.

## Perguntas do Pré Teste: Astronomia - pontos cardeais

- 1) O que são pontos cardeais?
- 2) Quais são os nomes dos pontos cardeais que você conhece? Ilustre

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- 3) Faça uma flecha indicando onde está o norte para você (a folha terá um croqui da sala, para que não tenha problemas para verificação das resposta quando estiver em outros lugares).
- 4) Qual a importância dos pontos cardeais?
- 5) Em qual ponto cardeal o sol nasce e se põem? É sempre no mesmo ponto?Por que?

2 momento ° : faremos uma apresentação no PowerPoint, mostrando a importância dos pontos cardeais, em que momento utilizamos o mesmo em nossas vidas, a sua importância na época das grandes navegações; posteriormente falaremos sobre o Sol e sua adoração pelo povo da antiguidade. Explicaremos que o Sol nasce exatamente no ponto cardeal leste e se põe no oeste apenas duas vezes ao ano, nos equinócios, enquanto que nos outros dias ele nasce e se põe em diferentes pontos. (Utilizaremos o programa Stelarium para verificação da mudança do local onde o sol nasce e se põe).

3 momento ° : explicaremos como uma rosa dos ventos pode ser construída a partir da sombra do sol projetada em um gnômon. Iniciaremos com a explicação sobre o que é o gnômon, relatando que este deve ter sido o mais antigo instrumento astronômico construído pelo homem, e que em sua forma mais simples, consistia apenas de uma vara fincada, geralmente na vertical, no chão. A observação da sombra dessa vara, provocada pelos raios solares, permitia materializar a posição do Sol no céu ao longo do tempo.

Observando a sombra da gnômon ao longo de um dia, os antigos astrônomos puderam perceber que ela era muito longa ao amanhecer e que ia mudando tanto de direção como de comprimento ao longo do dia. Verificaram que o instante em que a sombra era a mais curta do dia, correspondia ao instante que dividia a parte clara do dia em duas metades.

## Utilizando o gnômon para construir a rosa dos ventos:

Quando o Sol surge no horizonte à sombra projetada pelo gnômon é máxima. À medida que o Sol vai subindo, em relação à linha do horizonte, a sombra vai diminuindo até atingir um comprimento mínimo, quando o Sol atinge sua altura máxima. Depois, à medida que o Sol vai descendo, a sombra do gnômon muda de

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direção e aumenta, cada vez mais, até o pôr do Sol. Quando a sombra do gnômon, projetada pelo Sol, é mínima temos o meio-dia solar (meio dia verdadeiro). Nesse instante, temos também a linha meridiana local (linha norte-sul) Ao meio-dia solar, em qualquer dia do ano, o Sol se localiza exatamente ao Norte ou ao Sul do observador e a sombra do gnômon ao Sul ou ao Norte (ver figura 01). Com o gnômon no centro, ao meio-dia solar, traçamos uma reta paralela à direção ao Solsombra (linha norte-sul) e uma reta perpendicular a ela. No lado em que o Sol nasce teremos o Leste e no lado em que ele se põe teremos o Oeste.

Nosso gnômon será feito com dois esquadros e um lápis como mostra a figura 02, a medição da sombra será feita a cada cinco minutos das 11.30h até 12.30h (caso seja horário de verão o horário deve ser acrescido uma hora).

Depois de realizada as marcações, coloca-se a régua em cima da menor distancia da sombra marcada, e prolongue a mesma, pois como já vimos, este será nossa linha norte-sul. Com a ajuda de um transferidor encontra-se o ângulo de 90° e traça-se outra reta, perpendicular obtendo assim o Leste - Oeste como mostrado na figura 01.

Depois basta aumentar a escala de acordo com o desejado e utilizar a criatividade para pintar sua rosa dos ventos. Deixamos aqui uma sugestão de fazer uma rosa dos ventos de 150 cm, utilizar tinta látex (opte por cores que destaquem) se o chão for ladrilhado, ressaltamos que é apenas uma sugestão, a criatividade faz parte do processo de construção da mesma.

Figura 01- Variação da sombra do Gnômon

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## SOMBRA DO GNÔMON:

1,2 e 3: pela manhã

4: meio-dia SOLAR

5,6 e 7

: após meio- dia Solar

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Figura 01- Variação da sombra do gnômon(G) e os pontos cardeais (vista de cima). Fonte: próprio autor

Figura 02- Gnômon

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Figura 02-Gnômon feito de lápis e esquadros. Fonte: próprio autor

4 momento ° : Realizaremos o pós-teste, que conterá as mesmas questões do pré-teste, com o objetivo de analisar estatisticamente os pontos positivos e negativos da atividade de maneira geral, ressaltamos aqui que a aprendizagem não é 'medida' com o pós-teste, uma vez que a mesma faz parte de todo o processo da atividade. Após a realização do mesmo, dialogaremos com os alunos de maneira a compreender o que a atividade representou e contribuiu para eles, esperamos aqui diferentes importâncias e contribuições, visto que são indivíduos díspares.

As 'aprendizagens significativas' se estabelecem considerando que cada aluno tem um potencial de aprendizagem e o que os diferenciam é o percurso desta. Para que a aprendizagem se torne mais consistente é necessário que o aluno adquira uma clareza, no sentido de ampliar o entendimento levando o mesmo a reconhecer-se dentro e fora do ambiente escolar.

Para haver aprendizagem significativa segundo a teoria de Ausubel, como já visto anteriormente, existem duas condições, a primeira diz que é necessária uma disposição de aprender por parte do aluno, pois se há apenas o interesse de memorização, esta será mecânica. Na segunda condição de existência, o conteúdo a ser aprendido deve ser lógico e significativo no aspecto psicológico, o primeiro dependerá somente da natureza do conteúdo, já o segundo traz a experiência que cada indivíduo possui.

Acreditamos que nossa proposta vai de encontro com a teoria da aprendizagem significativa, e proporcionará aos alunos uma maneira agradável,criativa e motivadora de compreender o tema aqui apresentado.

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## 4. Considerações Finais

Este trabalho busca contribuir com aprendizagem significativa em ensino de astronomia, por meio de atividades didáticas diferenciadas do ensino 'tradicional' (giz-lousa, e reprodução mecânica), sempre com a preocupação de compreender o meio em que o aluno está inserido, incentivar a curiosidade, criatividade e pensamento crítico para formação de um indivíduo que tenha posicionamento enquanto cidadão.

## Referências

AUSUBEL, David. Aquisição e retenção de conhecimentos: Uma perspectiva cognitiva. Editora Plátano, 2003.

AUSUBEL, David, NOVAK, Joseph, HANESIAN, Helen. Psicologia Educacional. Editora Interamericana, 1980.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias . Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnologia, 2002.

Ciências para professores do ensino fundamental, Astronomia parte 1: orientação e observação. Disponível em &lt; http://www.cdcc.usp.br/cda/ensinofundamental-astronomia/parte1a.html &gt;.Acessado em: 10 out 2013.

DRIVER, R. Students' conceptions and the learning of science . International Journal of Science Education, v.11, special issue, p.481-490, 1989.

LANGHI, Rodolfo. Astronomia nos anos iniciais do ensino fundamental: repensando a formação de professores . Tese (Doutorado em Educação para a Ciência) - UNESP, Bauru, 2009.

LANGHI, Rodolfo; NARDI, Roberto. Dificuldades dos Professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental em relação ao Ensino de Astronomia . Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia- RELEA, n.2, p 75-92,2005.

LONGHINI, Marcos; SILVESTRE, Roberto; VIEIRA, Flávio. Uma estratégia para construção de reosa dos ventos envolvendo geometria,arte, astronomia e tecnologia. Revista Física na Escola, n.1, Vol 11,2006.

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PELIZZARI, A. et al. Teoria da aprendizagem significativa segundo Ausubel . Revista PEC, 2(1), 37-42, 2002.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.