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MEDINDO A DISTÂNCIA DA TERRA À LUA: UMA PROPOSTA FACTÍVEL PARA O ENSINO MÉDIO

João Teles De Carvalho Neto, Douglas Garrido, Gustavo Eiji Ityanagui, Matheus Navi, Adenilson Francisco Tetzener Júnior, Cristiano Rocha, Guilherme De Oliveira Silvério, Paulo Cézar De Faria

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## MEDINDO A DISTÂNCIA DA TERRA À LUA: UMA PROPOSTA FACTÍVEL PARA O ENSINO MÉDIO

João Teles de Carvalho Neto , Douglas Garrido , Gustavo Eiji Ityanagui , 1 1 1 Matheus Navi 1 , Adenilson Francisco Tetzener Júnior 1,2 , Cristiano Rocha 1,2 , Guilherme de Oliveira Silvério 1,2 , Paulo Cézar de Faria 1

1 Universidade Federal de São Carlos/Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação, jteles@cca.ufscar.br

2 Universidade de Aveiro, Portugal

## Resumo

Propomos um método para a medição da distância da Terra à Lua em unidade de raios terrestres utilizando apenas medidas locais com instrumentos simples e sem a necessidade do uso de valores tabelados. Esta é uma proposta de experimento colaborativo a ser realizado entre grupos de estudantes situados em diferentes localidades geográficas. O princípio físico utilizado é o da paralaxe apresentada pela Lua em relação ao fundo de estrelas quando observada, simultaneamente, de diferentes localidades na Terra. Conceitos de geometria, trigonometria, ótica geométrica e astronomia são explorados. Para auxiliar o estudo dos conteúdos de astronomia será utilizado o software Stellarium, sendo que o processamento dos dados será feito com o software SciLab. A medida da distância da Terra à Lua vem sendo determinada desde a antiguidade por astrônomos e matemáticos como Aristarco de Samos, Hiparco e Ptolomeu, e, por isso, possui também uma contextualização histórica. Nossas estimativas mostram que, dentro da nossa proposta, a referida distância pode ser aferida com erro inferior a 25%.

Palavras-chave : ensino de astronomia, paralaxe, experimento colaborativo, distância Terra-Lua

## Introdução

As distâncias entre objetos astronômicos vêm sendo medidas desde a Grécia antiga (ÁVILA, 2010; FARIA, 1987; HEATH, 1921). A história da matemática e da astronomia se confundem visto que os grandes astrônomos da antiguidade foram os primeiros a fazer extenso uso da matemática para descrever os fenômenos naturais relacionados aos movimentos e posições dos corpos celestes. Distâncias relativas e raios da Terra, Lua e Sol foram inferidas usando os mais belos raciocínios desenvolvidos por pensadores como Aristarco de Samos, Hiparco de Niceia, Cláudio Ptolomeu, entre outros expoentes. Dessa forma, a astronomia também oferece uma ótima oportunidade de aplicações dos conteúdos de matemática - principalmente geometria - que podem ser exploradas no contexto do ensino (ÁVILA, 2010; NOGUEIRA e CANALLE, 2010).

Dentre os métodos mais antigos para medição da distância Terra-Lua, encontramos o proposto por Aristarco de Samos (séc. III a.C.) que astutamente percebeu que o vértice formado pela direção Lua-Sol e Lua-Terra na posição de

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26 a 30 de janeiro de 2015

quarto crescente e quarto minguante faz um ângulo reto (ÁVILA, 2010; FARIA, 1987). Combinando medidas nessas condições com a medida do tempo em que a Lua leva para percorrer a sombra da Terra durante um eclipse lunar, Aristarco estimou a distância Terra-Lua em torno de 20 raios terrestres (20 R ): um valor bastante inferior ao que conhecemos na atualidade (60 R em média) (NASA, 2014); entretanto, o método é matematicamente consistente.

Hiparco de Niceia (séc. II a.C.) parece ter sido o primeiro a estimar a distância Terra-Lua utilizando o efeito de paralaxe (TOOMER, 1974). Para isso, teria comparado a parcela do disco solar encoberto pela Lua durante um eclipse solar visto, simultaneamente, por dois observadores: um situado na região de Niceia (atualmente na Turquia) e outro em Alexandria (Egito). Como o Sol está a uma distância da Terra muito maior do que a Lua, o seu centro pôde ser considerado como estando na mesma direção para os dois observadores. No momento em que o Sol estava totalmente encoberto pela Lua em Niceia, encontrava-se parcialmente encoberto em Alexandria, ou seja, a posição da Lua apresentava um desvio angular em relação a uma direção fixa - efeito de paralaxe -, permitindo a Hiparco estimar a distância Terra-Lua entre 71 e 83 raios terrestres: valor bem mais próximo do atual. Posteriormente, Cláudio Ptolomeu (séc. II d.C.) também obteve medidas da paralaxe lunar. Em 1751, os astrônomos Lacaille e Lalande obtiveram as primeiras medidas precisas da distância lunar usando paralaxe e, a partir de 1838, a paralaxe trigonométrica foi utilizada para medir distâncias a estrelas próximas (FARIA, 1987). Atualmente, o método mais preciso de medida da distância lunar é através do tempo de eco de luz laser refletida por espelhos especiais colocados em solo lunar pelas missões Apolo (FARIA, 1987; SHELUS, 2001).

Inspirados pelo método de Hiparco, pensamos em um experimento colaborativo entre estudantes de diferentes localidades para a medição da distância Terra-Lua. Experimentos colaborativos possuem a característica de necessitar de medidas e avaliações de diferentes grupos de pessoas com o intuito de se chegar a um objetivo comum; estratégia comumente utilizada em pesquisas na área de Astronomia (HOLLOW, 2103). No caso do ensino de astronomia e matemática, podemos citar como uma experiência colaborativa bem sucedida a determinação do raio da Terra usando o método de Eratóstenes (SANTOS et al., 2012). Nesse caso, os diferentes observadores medem o tamanho da sombra produzida pelo Sol em uma espécie de gnômon em suas respectivas localidades, inferindo o ângulo do Sol com o zênite local. Dessas observações, e conhecendo-se a distância entre as localidades, é possível determinar o raio da Terra usando conceitos da geometria.

O experimento colaborativo usando paralaxe que propomos baseia-se na medida da posição da Lua em relação às estrelas ou planetas visíveis realizada em diferentes localidades simultaneamente. Como os planetas, e principalmente as estrelas, encontram-se a distâncias muito superiores ao raio terrestre, podemos considerá-las, em um mesmo instante, como apontando na mesma direção do espaço em qualquer lugar da Terra. A Lua, por estar bem mais próxima, deve apresentar diferenças perceptíveis em sua direção, as quais são tão grandes quanto maior a distância entre as localidades. A medida das distâncias angulares da Lua em relação a algumas estrelas de referência permite, através do uso de conceitos da geometria, mensurar a distância Terra-Lua em termos de R .

Um dos maiores desafios práticos para que essa proposta seja aplicada no ensino médio é estabelecer um método de medida angular minimamente preciso

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que seja de fácil acesso aos estudantes e que seja prático em seu uso. Para isso, propomos neste trabalho a construção de um tipo de sextante usando monóculo de fotografia que permite medidas de intervalos angulares de até 32° em quaisquer direções com precisão de 0,4°. Outros métodos, como a tomada de fotografias que englobem a região da Lua e das estrelas de referência, também serão considerados. Pretendemos aplicar esta atividade durante o 2° semestre de 2014 e 1° semestre de 2015 entre estudantes do ensino médio da cidade de Araras-SP-Brasil e AveiroPortugal sob coordenação de estudantes bolsistas do campus Araras da UFSCar e participantes do Programa Licenciaturas Internacionais (PLI) em Aveiro.

Por fim, muitos conceitos adjacentes poderão ser explorados, como o efeito de paralaxe e seu uso em medidas astronômicas, definição da unidade de distância parsec , visão estereoscópica, aplicações de lentes convergentes (lupa contida no monóculo de fotografia), e, principalmente, o uso de conhecimentos de geometria e trigonometria. Para auxiliar todo esse processo, pretendemos fazer extenso uso do software livre Stellarium (GATES, 2014), um simulador do céu, que permitirá encontrar os melhores dias e horários para realização das medidas e ajudará a simular os efeitos observados. Pretendemos também usar o software de código aberto SciLab (GOMEZ, 2013), que permitirá realizar os cálculos numéricos com os dados medidos. Devido ao seu aspecto relativamente mais avançado, o uso do SciLab será restrito aos coordenadores da atividade, sendo que com os estudantes do ensino médio serão explorados, preferencialmente, os conceitos físicos e matemáticos e as medidas experimentais.

## Metodologia

Descrevemos a seguir o desenvolvimento matemático que será utilizado para se determinar a distância Terra-Lua medindo-se a paralaxe lunar em relação a algumas estrelas de referência. A figura 1 contém os vetores das distâncias e ângulos utilizados no problema.

Figura 1: Vetores e ângulos utilizados na determinação da distância Terra-Lua

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RA e RB são os vetores que conectam o centro da Terra C aos pontos de observação A e B sobre a superfície. LA e LB são os vetores que conectam as localidade A e B ao centro da Lua D . O vetor unitário u aponta na direção de uma estrela de referência - nota-se que, diferentemente da Lua, a mesma estrela possui

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a mesma direção u para as duas localidades. L é o vetor do centro da Terra ao centro da Lua. Pela figura, podemos observar que:

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Fazendo o produto escalar dos vetores da equação (1) com o versor u e dividindo-os pelo raio terrestre R , encontramos:

<!-- formula-not-decoded -->

em que os ângulos entre a estrela e a Lua e a estrela e o zênite (topo do céu) correspondem, respectivamente, a a L e a R na localidade A e a b L e b R na localidade B . Definimos também as distâncias A = | l LA |/ R e l B = | LB |/ R como sendo a distância Terra-Lua em cada localidade em unidades do raio R . Na obtenção da equação (2) assumimos que a Terra é perfeitamente esférica.

Medindo-se os ângulos da estrela em relação à Lua e em relação ao zênite resulta em duas incógnitas a serem determinadas: l A e l B. Portanto, precisamos de pelo menos mais uma equação linearmente independente em A e B para resolver o l l problema. Isso pode ser feito medindo-se os referidos ângulos para outras estrelas de referência. Na verdade, tantas estrelas quanto possível podem ser medidas e o sistema linear, dessa forma, sobredeterminado, pode ser resolvido pelo método dos mínimos quadrados, por exemplo. Assim, uma quantidade maior de estrelas contribui para diminuir o erro na determinação das distâncias à Lua.

Vale salientar que esse procedimento não requer nenhum alinhamento ou condição especial, diferentemente dos métodos de Aristarco e Hiparco, bastando que a Lua e as estrelas de referência estejam visíveis em ambas as localidades simultaneamente. Por exemplo: os vértices A , B , C e D na figura 1 não precisam estar contidos no mesmo plano; nenhum subconjunto de vetores precisa ser coplanar; e o vetor L não precisa estar na bissetriz do ângulo com vértice em C .

## Instrumentos de medida angular

É necessária a utilização de instrumentos de medição angular adequados para que a metodologia proposta funcione. Instrumentos clássicos como o astrolábio, sextante ou quadrante podem ser utilizados para essa função. Existem propostas de confecção de astrolábios de baixo custo usando transferidor escolar, prumo e tubo de caneta (MARQUES et al., 2013). Quando bem confeccionados e operados de maneira adequada podem ser usados para medir o ângulo dos astros em relação ao horizonte (altura) com erro em torno de 1°, que é a menor divisão do transferidor. Podemos, portanto, utilizá-los na determinação do ângulo da estrela de referência em relação ao zênite: a R e b R.

Para a medida do ângulo da estrela em relação à Lua, a L e b L, o astrolábio com transferidor não é conveniente, pois dificilmente esses dois astros estão na mesma vertical. Para isso, pode ser usado o sextante. Não encontramos na

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literatura nenhuma proposta simples para a sua confecção, sendo essa uma das contribuições deste trabalho. O sextante aqui proposto baseia-se em dois princípios: a visão estereoscópica e a formação de imagens em uma lupa. O dispositivo que os implementará será um monóculo de fotografia. A figura 2 ilustra os princípios envolvidos.

O monóculo é constituído por uma lente convergente (lupa) por onde o observador vê a imagem de uma fotografia colocada no foco da lente. No nosso sextante, a fotografia é substituída pelo desenho de um reticulado, cuja menor divisão é de 0,5 mm. O observador deve olhar com um olho através da lente do monóculo, apontando-o na direção do par de astros entre os quais deseja medir a distância angular. O outro olho, desobstruído, é mantido aberto na direção dos mesmos astros e, portanto, com foco no infinito. Uma vez que o reticulado encontrase no plano focal da lente, a imagem para o primeiro olho também é formada no infinito. Essa condição faz com que os dois olhos mantenham-se paralelos entre si e com a mesma condição focal, produzindo no cérebro uma sobreposição nítida das duas imagens: essa é a base da visão estereoscópica tão explorada ultimamente nos cinemas 3D. Centralizando a origem do reticulado entre os dois astros e contando-se o número n de retículos da origem a cada um dos astros é possível calcular a distância angular s pela relação da tangente:

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em que é a distância focal da lente e f x é a separação entre as linhas do reticulado.

Figura 2: Princípio de funcionamento do sextante feito com monóculo de fotografia

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Uma outra vantagem em se utilizar uma lente para focalizar o reticulado é que o ângulo formado pelos retículos é pouco dependente da distância do olho à lente, uma vez que os raios que emergem dela são paralelos. Isso diminui os erros na medida angular, pois diferentes observadores podem posicionar seus olhos a diferentes distâncias da lente, a exemplo dos usuários de óculos.

Um instrumento antigo e menos conhecido, mas que possui a mesma finalidade que o nosso sextante é a Balestilha (FERNANDES et al., 2011). Nele, uma haste de madeira desliza perpendicularmente por uma outra haste guia, de tal forma que o comprimento da primeira preencha exatamente o intervalo angular

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compreendido pelo par de estrelas a ser medido. Usando-se uma relação similar à equação (3) é possível calcular esse intervalo. Esse é um instrumento que também poderemos explorar, embora seja mais trabalhoso de ser construído, principalmente se formos distribuí-lo entre um grande número de estudantes.

## Experimental

O monóculo de fotografia que temos à disposição possui distância focal de 40 mm, sendo a área para a fotografia formada por um retângulo de 23 mm x 17 mm. Isso corresponde a uma abertura angular de 32° no lado maior. Sendo esse ângulo aproximadamente 1/12 do círculo, poderíamos nomear nosso instrumento de dodecante . Por meio da experimentação percebemos que a menor distância para a separação das linhas do retículo que ainda permite uma fácil contagem e identificação foi de x = 0,5 mm. Considerando que o erro avaliado é aproximadamente a metade da menor divisão da escala, calculamos que a precisão angular é de 0,4°. O reticulado foi desenhado em um software gráfico e impresso em papel sulfite branco por uma impressora Laser.

Como um teste preliminar, medimos a distância angular entre dois pares de astros: (i) as estrelas alfa e beta do Centauro e (ii) o planeta Saturno e a estrela delta do Escorpião. As medidas foram feitas em 23/07/2014 e comparadas com os valores fornecidos pelo software Stellarium , sendo que no primeiro caso o erro foi de 0,2° e, no segundo, de menos de 0,1°, ou seja, inferiores à precisão avaliada para o instrumento.

Como este é um trabalho recente, ainda não tivemos a oportunidade de fazer testes experimentais da medida da distância Terra-Lua. Entretanto, fizemos simulações numéricas com o software Scilab . Para isso, medimos as diferenças angulares entre a Lua e três astros em duas ocasiões diferentes usando o software Stellarium . As cidades escolhidas foram Araras-SP-Brasil e Aveiro-Portugal. Com três astros temos um sistema de três equações lineares, dadas pela equação (2), o qual foi resolvido pelo método dos mínimos quadrados via o software SciLab . Para cada um dos ângulos, foi somado um desvio gerado aleatoriamente através de uma distribuição uniforme entre -0,4° e +0,4° para a diferença angular do astro à Lua e entre -1° e +1° para a altura do astro em relação ao horizonte. Esse cálculo foi repetido dez mil vezes (valor de convergência), fornecendo um valor médio e um desvio padrão para as distâncias A e B. A tabela 1 contém esses resultados. l l

Tabela 1: Resultados das simulações das medidas que poderão ser feitas em Araras e Aveiro para determinar a distância Terra-Lua (em termos do raio da Terra, R )

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Vemos que a simulação da medida do conjunto de épsilon Sagitário apresentou um erro relativo de 9%, o qual é significativamente menor que o erro do conjunto alfa Libra (25%). Essa é uma consequência da disposição dos astros em relação à direção que une Araras e Aveiro (aprox. NE-SO): quanto mais próximos os astros, incluindo a Lua, estiverem dessa direção, maior a diferença entre os ângulos a L e b L e, consequentemente, menor o erro relativo na determinação de A e B. l l

Devido, principalmente, à excentricidade da órbita lunar, a sua distância à Terra está longe de ser uma constante, estando, aproximadamente, a 57 R no perigeu e 64 R no apogeu (NASA, 2014). Portanto, é natural encontrarmos variações dessa ordem ao longo de um mês, que é, aproximadamente, a duração do período orbital lunar.

Por fim, vale comentar uma outra fonte de erro nas medidas angulares causada pelo efeito de refração da atmosfera que desvia de maneira desigual a direção dos raios de luz advindos dos astros: quanto menor a altura em relação ao horizonte, maior o desvio. Entretanto, para uma altura de 5°, o desvio é da ordem de 0,2°, que é menor que a precisão do nosso dodecante . Como é muito difícil, na prática, observar astros a alturas menores do que essas, não precisaremos nos preocupar com esse erro.

## Forma de aplicação

Pretendemos desenvolver essa atividade com alunos do ensino médio nas cidades de Araras e Aveiro. A atividade pressupõe o estudo e a discussão dos conteúdos e métodos relacionados ao fenômeno observado, bem como à confecção dos instrumentos. Vários grupos de estudantes deverão ser formados nas duas cidades. Alguns desses grupos podem ficar responsáveis por medir a altura dos astros escolhidos com o astrolábio, enquanto outros medirão as distâncias angulares com o dodecante . Quanto maior o número de participantes, maior será o número de medidas e, consequentemente, maior será a confiabilidade nos resultados, a exemplo das repetições feitas na simulação numérica, e incorporando um dos principais apelos dos experimentos colaborativos. As seções de observação serão pré-agendas para garantir que as medidas sejam as mais simultâneas possíveis. Pretendemos também tirar fotos do céu na região da Lua e dos astros escolhidos utilizando duas câmeras digitais de alta-resolução para poder mostrar aos estudantes, explicitamente, a paralaxe lunar nas medidas realizadas por eles.

## Referências

ÁVILA, Geraldo Severo de Souza. As várias faces da matemática . 2. ed. São Paulo: Edgar Blucher, 2010. 204p.

FARIA, Romildo Póvoa (Org.). Fundamentos de Astronomia . 6. ed. Campinas: Papirus Editora, 1987. 208p.

FERNANDES, T. C. D.; LONGHINI, M. D.; MARQUES, D. M. A construção de um antigo instrumento para navegação marítima e seu emprego em aulas de Astronomia e Matemática. História da Ciência e Ensino, v. 4, p. 62-79, 2011.

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GATES, Matthew. Stellarium User Guide . Versão 0.12.3, 2014. 128p. Disponível em: &lt;http://barry.sarcasmogerdes.com/stellarium/stellarium\_user\_guide-new.pdf&gt;. Acesso em: 01 ago. 2014.

GOMEZ, Christine. Scilab for very beginners . Versailles: Scilab Enterprises S.A.S, 2013. 33p. Disponível em:

&lt;http://www.scilab.org/content/download/849/7901/file/Scilab\_beginners.pdf&gt;.

Acesso em: 01 ago. 2014.

HEATH, Thomas. A history of Greek mathematics , v. II. Londres: Oxford, 1921. 584p.

HOLLOW, R. P. The Student as Scientist: Secondary Student Research Projects in Astronomy. Publications of the Astronomical Society of Australia, v. 17, p. 162-167, 2000.

MARQUES, E. N. M.; GARCIA, N. C.; KLÜBER, T. E. Uma experiência de ensino de trigonometria com base na teoria da dialética ferramenta-objeto. In: XI Encontro Nacional de Educação Matemática. Anais... Curitiba: PUCPR, 2013.

NASA. Solar System Exploration. Disponível em: &lt;http://solarsystem.nasa.gov/planets/profile.cfm?Display=Facts&amp;Object=Moon&gt;. Acesso em: 01 ago. 2014.

NOGUEIRA, Salvador; CANALLE, João Batista Garcia. Astronomia: ensino fundamental e médio . Brasília: MEC, SEB; MCT; AEB, 2009. 232 p.: il. - (Coleção Explorando o ensino; v. 11).

SANTOS, A. J. J.; VOELZKE, M. R.; ARAÚJO, M. S. T. O projeto Eratóstenes: a reprodução de um experimento histórico como recurso para a inserção de conceitos da astronomia no ensino médio. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 29, n. 3: p. 1137-1174, 2012.

SHELUS, Peter J. Lunar laser ranging: glorious past and a bright future. Surveys in Geophysics, v. 22: p. 517-535, 2001.

TOOMER, Gerald James. Hipparchus on the distances of the sun and moon. Archive for History of Exact Sciences, v. 14, n. 2: p. 126-142, 1974.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.