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O ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA ATINGIR UM MAIOR NÚMERO DE DISCENTES

Josianne Catarina Dos Santos, Karoline Gonzaga Oliveira, Luiz Otávio Buffon, José Bohland Filho, Erick Plotegher De Novaes, Marconi Frank Barros

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA ATINGIR UM MAIOR NÚMERO DE DISCENTES

Josianne Catarina dos Santos , Karoline Gonzaga Oliveira , Erick Plotegher de 1 2 Novaes 3 , Marconi Frank Barros , Luiz Otávio Buffon , José Bohland Filho 4 5 6

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, josiannecatarina@hotmail.com

- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, goliveirakaroline@gmail.com
- 3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, erickpnovaes@gmail.com 4
- EEEFM João Crisóstomo Beleza, marconibarros05@gmail.com
- 5 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, buffon@ifes.edu.br
- 6 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, jbohlandfo@gmail.com

## Resumo

Este artigo tem o objetivo de analisar, por meio de uma pesquisa qualitativa, os resultados de um seminário realizado com alunos do terceiro ano do ensino médio, por intermédio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), e a partir esta atividade, discutir as possíveis causas da deficiência do ensino da física. O assunto escolhido foi radiação, pois é um dos temas obrigatórios no plano de ensino de física, e a partir dele, buscou-se fazer a junção deste com a ciência da astronomia, além de realçar o conteúdo para a vida cotidiana dos alunos e expor um projeto tecnológico desenvolvido no país recentemente que envolve o tema. Como meio incomum de atividade utilizamos um jogo de palavras cruzadas e como ferramenta de coleta de dados um questionário com questões abertas e fechadas e a observação não participativa. Além disso, trouxemos materiais diferenciados para a apresentação, como reportagens e vídeos. Como resultados, observamos que existe uma necessidade de estimulação e de maiores instruções aos discentes para a ciência, principalmente para a física, afinal, é cada vez mais necessário, uma educação diferenciada e um aprendizado que torne o aluno capaz de assimilar novas tecnologias, tarefas e procedimentos com autonomia e iniciativa, para que este saiba lidar com o intenso processo de transformação e de desenvolvimento tecnológico e científico presentes atualmente.

Palavras-chave : ensino de física; motivação; astronomia

## Introdução

Uma das questões do ensino da física é em como inserir e abordar conteúdos de física moderna e astronomia para os alunos do ensino médio. Esta tendência de introduzir conteúdos de Física Contemporânea, segundo Ostermann e Cavalcanti (1999, p. 267):

justifica-se, entre outras razões, pela necessidade de atrair jovens para as carreiras científicas. [...] É fundamental também despertar a curiosidade dos estudantes e ajudá-los a reconhecer a Física como um empreendimento humano e, portanto, mais próxima a eles.

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Uma das barreiras que o professor encontra, são os livros didáticos. Uma boa quantidade deles, não possui uma abordagem e linguagem apropriada para alunos de ensino médio, que possuem poucas ferramentas matemáticas, além disso, Dominguini (2012, p. 2) afirma que:

[...] enquanto os estudos referentes à física moderna são raramente abordados. Quando o são, estão presentes em capítulos específicos ou apenas citados de maneira dispersa entre os temas da física clássica.

Outra questão é sobre as dificuldades dos alunos sobre essa disciplina, que é elevada, ocorrendo com isso um alto índice de memorização e muito pouco aprendizado, tornando a física uma ciência complexa, abstrata e de difícil entendimento. Assim como diz Fiolhais e Trindade (2003, p. 259):

O elevado número de reprovações a Física, nos vários níveis de ensino e em vários países, mostra bem as dificuldades que os alunos encontram na aprendizagem dessa ciência.

Sendo assim, através de um trabalho realizado com alunos do terceiro ano do ensino médio, temos por objetivo analisar qual a quantidade de alunos afetados com uma metodologia de ensino diferenciada, havendo com isso a possibilidade do professor ter uma melhor organização para ministrar a disciplina de física e de alcançar um maior número de discentes, na tentativa de uma possível diminuição dos problemas enfrentados nessa ciência.

## Metodologia

Este trabalho foi elaborado a partir de um seminário realizado em duas aulas de 50 minutos, com quatro turmas do terceiro ano do ensino médio, na escola EEEFM João Crisóstomo Beleza, localizada na cidade de Cariacica, no bairro Porto de Santana, no estado do Espírito Santo, por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID).

Buscando verificar os conhecimentos prévios existentes dos estudantes sobre o tema radiação, durante toda a apresentação questionamos e estimulamos os alunos a fim de torná-los ativos e interativos em sala de aula, pois

A aprendizagem é muito mais significativa à medida que o novo conteúdo é incorporado às estruturas de conhecimento de um aluno e adquire significado para ele a partir da relação com seu conhecimento prévio. (PELIZZARI, 2002, p. 38).

e

[...] o educando se torna realmente educando quando e à medida que conhece, ou vai conhecendo os conteúdos, os objetos cognoscíveis, e não à medida que o educador vai depositando nele a descrição dos objetos, ou dos conteúdos (FREIRE, 2008 apud BOCK, 2008, p. 146).

Outro ponto importante foi a apresentação de dois vídeos, um referente a um noticiário a nível nacional, que falava sobre uma explosão solar que aconteceu em 2012 e outro uma animação de um famoso personagem de histórias em quadrinhos, o incrível Hulk, que fazia alusão ao conteúdo. Também foi exposta, aos discentes, uma reportagem de um jornal local que trazia a informação de um projeto de lançamento de um satélite brasileiro em 2014 e que alunos e pesquisadores já estavam analisando os primeiros sinais enviados por este nanosatélite, com o

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objetivo de estudar sobre a radiação solar, entre outros. Com isso, temos o propósito de envolver mais o aluno, principalmente por serem acontecimentos recentes, pois

[...] é necessário que os alunos tenham um papel activo no seu processo de aprendizagem e que aos mesmos lhes sejam proporcionadas experiências educativas relacionadas com a realidade que os rodeia. (GALVÃO, 2002, apud ÉVORA, 2011, p. 6).

Nosso seminário também trouxe aos discentes o início da história da radiação, com o intuito de trazer um pouco da realidade da época para a sala de aula, e de que a ciência é um processo contínuo, e não algo pronto que aparenta ser e com isso tornar a aula mais reflexiva, coerente e humanizada, permitindo o desenvolvimento do pensamento crítico e de uma assimilação e compreensão mais completa dessa ciência (QUINTAL E GUERRA, 2009).

Além disso, foi realizado com os discentes um jogo de palavras cruzadas (APÊNDICE A), com o objetivo de oferecer aos estudantes uma atividade diversificada e descontraída, mas

com grande potencial em facilitar o processo ensino-aprendizagem e principalmente em atingir os alunos mais desinteressados. (SILVA, 2012, p. 3).

Por fim foi aplicado um questionário com questões abertas e fechadas e a utilização de uma abordagem qualitativa e de uma observação não participativa.

Para a análise dos dados obtidos, realizamos uma tabulação das respostas do questionário, dividindo as questões abertas em categorias e as questões fechadas em uma escala numérica, onde 1 representa ruim até 5 que representa ótimo. Com isso foi possível verificar a distribuição dos indivíduos afetados por essa metodologia.

Tais atividades executadas obedecem à sequência didática conforme a tabela 01:

Tabela 01: Sequência didática

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## Análise e discussão da metodologia aplicada

- O questionário aplicado nas turmas foi realizado com 89 alunos do ensino médio, sendo tabulados os resultados conforme expostos e analisados a seguir.
- A primeira questão foi 'Qual a parte do seminário mais te chamou atenção?', observamos durante a aula um interesse maior quando apresentamos os vídeos e falamos sobre astronomia e uma dispersão durante a parte teórica, quando não estimulávamos uma discussão sobre o tema.
- O resultado do questionário nos comprovou que realmente temas da astronomia chamam bastante atenção dos jovens alunos, além da utilização de vídeos como forma de estímulo didático, porém é preocupante a porcentagem de alunos que não tiveram nenhuma opinião, conforme figura 01.

Figura 01: Questão 1

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Na segunda questão perguntou-se 'Qual a impressão que o jogo de palavras trouxe na dinâmica de apresentação?'. O uso de palavras cruzadas foi bem recebido pelos alunos, como pode ser visto na figura 02, e pode ser um meio de atividade de fixação do conteúdo ministrado em sala de aula, porém foi observado que não houve muita discussão entre os alunos, ao contrário, poucos se empenharam para realizar

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o exercício, pois ocorreu muita reprodução. Acreditamos que isso se deu porque o dever foi aplicado na última aula e os alunos estavam apressados para irem embora.

Figura 02: Questão 2

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Sobre a 'Avaliação da qualidade do seminário.', proposto na questão 3, houve uma maior classificação do seminário entre 3 e 5 (entre bom, muito bom e ótimo), conforme a figura 03, o que evidencia um bom aproveitamento dessa proposta de seminário, podendo ser utilizada outras vezes com abordagem de outros assuntos.

Figura 03: Questão 3

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Na quarta questão propomos que cada estudante 'Dê uma sugestão para o próximo seminário.', mais de 50% dos estudantes não responderam, o que se contrapõe ao que observamos durante o seminário, pois a turma mostrava-se com um interesse peculiar pela física, o que pode mostrar uma possível falta de informação sobre o que, das dúvidas que eles tenham, envolve a física.

As demais respostas, conforme figura 04, indicam mais uma vez que os alunos anseiam bastante por tema que envolve a astronomia, apreciam os debates ocorridos em sala de aula e os vídeos como proposta didática motivadora.

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Figura 04: Questão 4

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Sendo assim, apesar da quantidade de alunos que não responderam, podemos verificar que podemos atingir uma porcentagem de estudantes satisfatória para o início de uma metodologia diferenciada, sendo possível um melhor aproveitamento e satisfação no ensino de física tanto para os discentes quanto para os docentes.

## Considerações Finais

Existem muitas dificuldades na compreensão dos fenômenos físicos, principalmente em assuntos como radiação, onde não é possível a realização de experimentos ou atividades que sejam menos abstratas para os alunos, juntamente com isso, há uma grande frustração dessa disciplina e um material didático com pouca interação e com uma linguagem não muito apropriada para o ensino médio. Como resultado é observado um alto índice de memorização entre os discentes e pouco aprendizado, o que acarreta uma rejeição da disciplina.

Neste trabalho, percebemos que uma metodologia que envolve atividades diferenciadas, como o uso de jogos e vídeos, e maiores discussões e motivações prende mais a atenção dos alunos e foram qualificadas como uma metodologia a ser aplicada. Percebemos também que pode haver uma possível falta de informação a respeito da física, principalmente devido à porcentagem de alunos que não responderam a questão aberta sobre uma sugestão para próximos seminários, o que aponta que ainda é muito carente a divulgação da disciplina, quanto a uma ciência e a sua importância. Também foi observado que a timidez e o medo de errar estavam bem presentes nos alunos durante toda a apresentação, o que pode ter refletido no questionário.

Devido a isso, acreditamos que o professor deva trabalhar mais com os alunos a liberdade de se expressar e de questionar, sem medo disso levar ao erro ou a reprovação, principalmente porque errar faz parte da aprendizagem, além de levar para a sala de aula materiais diferenciados, havendo com isso, não só a possibilidade de um desenvolvimento na educação, mas na sociedade em geral,

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pois há grandes possibilidades de proporcionar aos alunos a capacidade de saber lidar com todos os avanços e progressos que estão acontecendo com a sociedade.

Por fim, acreditamos que é possível a inserção de física moderna e astronomia na sala de aula e alcançar um grande número de alunos com esses assuntos, além disso, como esse foi apenas o primeiro de um ciclo de seminário que apresentaremos na escola, acreditamos que podemos trabalhar com os estudantes a fim de torna-los ativos, perdendo grande parte desse medo que esteve presente nesta apresentação.

## Referências

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologia: uma introdução ao estudo de psicologia . 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

DOMINGUINI, Lucas. Física moderna no Ensino Médio: com a palavra os autores dos livros didáticos do PNLEM . In:. Revista Brasileira de Ensino de Física. v. 34, n. 2, p. 1-7. 2012.

ÉVORA, Cátia Quitério. Ensino da 'Energia' em contexto CTSA. Um estudo com alunos do 7º ano de escolaridade. 2011. Disponível em: &lt;http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/4065/1/ulfpie039494\_tm.pdf&gt; Acesso em: 20 jul. 2014.

FIOLHAIS, Carlos e TRINDADE, Jorge. Física no computador: O computador como uma ferramenta no ensino e na aprendizagem das ciências físicas. In.: Revista Brasileira de Ensino de Física. v. 25, n. 3, p. 259-272. 2003. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/rbef/v25n3/a02v25n3.pdf&gt; Acesso em: 28 jul. 2014.

OSTERMANN, Fernanda; CAVALCANTE, Cláudio J. de H. Física moderna e contemporânea no ensino médio: elaboração de material didático, em forma de pôster, sobre partículas elementares e interações fundamentais. Cad. Cat. Ens. Física, v. 6, n. 3, p. 267-286. 1999.

PELIZZARI, Adriana et. al. Teoria da aprendizagem significativa segundo Ausubel. In:. Revista PEC, Curitiba. v. 2, n. 1, p.39-42. 2002.

QUINTAL, João Ricardo. GUERRA, Andréia. A história da ciência no processo ensino-aprendizagem . 2009. Disponível em:

&lt;http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol10/Num1/a04.pdf&gt; Acesso em: 20 jul. 2014.

SILVA, Hudson de Aguiar. O uso do jogo no ensino de física com foco nas competências e habilidades exigidas pelo novo enem. 2012. Disponível em: &lt;http://www.ensinosaudeambiente.com.br/eneciencias/anaisiiieneciencias/trabalho s/T1.pdf&gt; Acesso em: 20 jul. 2014.

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## APÊNDICE A - JOGO DE PALAVRAS CRUZADAS

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.