DOMINÓ TERMOMÉTRICO COMO RECURSO DIDÁTICO DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM FÍSICA
Wilians Roberto Gonçalves, Kamila Paula Santos Zuri, Fernando Atividade Ferreira Da Silva, Renata Silva De Oliveira, Fernanda Cátia Bozelli, Maria Rita De Castro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 29/01/2015
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DOMINÓ TERMOMÉTRICO COMO RECURSO DIDÁTICO DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM FÍSICA
Wilians Roberto Gonçalves¹, Kamila Paula Santos Zuri², Fernando Atividade Ferreira da Silva³, Renata Silva de Oliveira , Fernanda Cátia Bozelli , Maria Rita 4 5 de Castro 6
1, 2, 3, 4
Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', Faculdade de Engenharia, Departamento Apoio: CAPES; UNESP/FEIS
Licenciatura em Física, Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', Câmpus de Ilha Solteira. wiliansrg@yahoo.com.br; mila\_zuri@hotmail.com; fer-jiujitsu@hotmail.com; renata.silvaoliveira.14@hotmail.com 5 Escola Estadual de Urubupungá. Ilha Solteira/SP. mariaritacastro@ig.com 6 de Física e Química, Ilha Solteira. ferboz@dfq.feis.unesp.br
## Resumo
O trabalho aqui descrito faz parte de um projeto mais amplo que busca analisar o processo de elaboração e utilização de jogos didáticos como recursos didáticos de ensino e de aprendizado de conteúdos de Física, por futuros professores de Física. Não são poucas as propostas educacionais inovadoras em ensino de Ciências, basta verificar os trabalhos apresentados, ultimamente, nos principais encontros científicos tanto nacionais quanto internacionais, voltados para o Ensino de Física e a Educação em Ciências, de forma geral, para se constatar que ensinar Física hoje não pode mais se limitar a um fornecimento de informações. A necessidade de se repensar o processo de ensino e aprendizado de Física vem sendo muito discutida. O uso de recursos didáticos de ensino e de aprendizagem vem ganhando espaço nos últimos anos, entre elas o uso de jogos didáticos. O fato de utilizar o jogo didático reflete a preocupação dos professores não somente com a motivação dos alunos, mas com a pluralidade metodológica possível e passível de uso para se ensinar e aprender Física. O jogo didático, objeto de análise neste trabalho, foi intitulado de 'Dominó Termométrico'. O jogo foi elaborado partindo da dificuldade e da falta de motivação dos alunos em trabalhar com o conteúdo de escalas termométricas. Sua aplicação ocorreu em uma turma de 23 alunos do segundo ano do Ensino Médio, durante as aulas de Física. Foi possível verificar que o jogo é um recurso muito interessante que o professor pode fazer uso, pois ao mesmo tempo em que proporciona uma aula divertida e proveitosa, tem um grande potencial em promover a socialização e a construção do conhecimento pelos alunos.
Palavras-chave: Ensino de Física; Recursos didáticos; Jogos didáticos; Escalas termométricas.
## Introdução
Com relação à metodologia utilizada em sala de aula pelos professores, pode-se dizer que pouco ou nada mudou. O processo de ensino e aprendizagem tem-se resumido na 'velha e tradicional' relação giz e lousa. Mas como ressaltam alguns pesquisadores (CARVALHO e GIL-PÉREZ, 1995; ASSIS e TEIXEIRA, 2003) o professor precisa 'romper' com visões simplistas sobre o Ensino de Ciências, conhecer a matéria a ser ensinada, questionar o senso comum sobre o ensino e a aprendizagem de Ciências, preparar atividades possíveis de gerar aprendizagem. No caso, específico do ensino de Física, essa relação está entre conteúdo e resolução de exercícios, de modo que o aspecto qualitativo acaba sendo relegado a um segundo plano, quando não, totalmente esquecido (ASSIS e TEIXEIRA, 2003). Um dos recursos didáticos que vem sendo estudado e que pode contribuir para a
motivação do ensino é a aplicação de jogos que estimulem o aluno a se interessar pelo conteúdo trabalhado. Esses, no entanto, não são aplicados com o objetivo de salvar a aula como se apenas a sua aplicação fosse solucionar as dificuldades dos alunos. É preciso que o uso desse recurso seja acompanhado de uma teoria e que todos os conceitos inseridos no jogo tenham sido previamente trabalhados com os alunos (OTERO, 1996; COSTA FILHO, SANTOS, 2010). De acordo com Costa Filho, Santos, (2010, p. 18):
Os jogos educativos, são bons auxiliares no processo de ensinoaprendizagem, se for trabalhado de forma correta e objetiva, e não apenas para diversão. Os professores devem tentar substituir a rigidez da metodologia utilizada hoje, pelo entusiasmo em aprender, e reconstruir o conhecimento.
Diante da utilização de diferentes recursos didáticos, e sabendo que esses ainda são pouco articulados no cotidiano da sala de aula, é que esse trabalho vem sendo desenvolvido. O trabalho aqui descrito faz parte de um projeto mais amplo que busca analisar o processo de elaboração e utilização de jogos didáticos, como recurso didático para o ensino e aprendizado de conteúdos de Física, por futuros professores de Física. O fato de utilizar o jogo didático como recurso didático reflete a preocupação dos professores não somente com a motivação dos alunos, mas com a pluralidade metodológica possível e passível de uso para se ensinar e aprender Física.
## Jogos didáticos e o ensino de Física
Quando criança ou na fase adulta, todos já tiveram contato, ou ainda tem, com brincadeiras e jogos. Dessa forma, a infância é vista como uma fase maravilhosa, visto que é um universo de fantasias, além de ser um período especial na evolução do ser humano, segundo Kishimoto (1990). Nesse caso, por que na caminhada para a adolescência ou no decorrer da vida acadêmica tudo isso é deixado de lado? Kishimoto (1990) destaca que isso pode estar relacionado ao conservadorismo e pode ser fruto do início do Cristianismo, em que é imposta uma educação disciplinadora, em que a relação que se estabelece entre professor e aluno é de transmissão e recepção. Contudo, ao considerar a escola como um lugar de disciplina, ordem e seriedade (LOPES e VIANNA, 2003) é possível também idealizá-la como espaço de aprendizagem via jogos didáticos? Para responder esta questão, trabalhos já foram desenvolvidos contendo soluções com comprovada eficácia, tais como, Pereira, Fusinato e Neves (2009) e Lopes e Viana (2003). Esses autores defendem a introdução de estratégias de ensino de caráter lúdico como os jogos didáticos 1 por considerarem os mesmos instrumentos pedagógicos facilitadores no processo de ensino e aprendizagem. Considerando que, ao se balizar as representações que se tem das aulas de Física, em virtude da abordagem dos professores é possível concordar com Berg et al. (2013, p. 02) quando destacam que 'a física era comumente confundida como um instrumento matemático' indicando um possível desinteresse dos alunos, em querer aprendê-la.
Em meio a esse cenário e tomando como referência os estudos de Zuanon, Diniz e Nascimento (2010) é possível afirmar que, a diversificação metodológica por meio de recursos didáticos é fundamental para propiciar maior participação dos alunos no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Ramos (1990) a abordagem dinâmica que o jogo faz sobre o conteúdo, favorece, tanto o professor como o aluno, no âmbito da aprendizagem. Para Fialho (2008), o jogo vem a ser uma ferramenta de reforço de conteúdo já visto. Além disso, Otero (1996) aponta que há professores que utilizam jogos educativos como descanso pedagógico e não vêem potencial nesse recurso. Já para Passerino (1998 apud MORATORI, 2003) o jogo tem como objetivos: envolver emocionalmente e desenvolver a criatividade e a espontaneidade do jogador, além de proporcionar o raciocínio lógico-matemático, planejamento, organização, memorização, etc. Com isso, a aplicação de jogos está ligada ao fato de querer proporcionar ao aluno uma aula mais divertida e proveitosa, sem afastar-se do cumprimento dos conteúdos planejados para a série, como destaca Fialho (2008). Ou seja, procuramos encontrar nos jogos didáticos tanto vantagens quanto desvantagens. Contudo, os benefícios desse recurso no processo de ensino e aprendizagem são válidos e merecem ser potencializados, visto que há décadas nota-se o sucesso de jogos e brinquedos no desenvolvimento do ser humano (VYGOTSKY, 2003).
## Metodologia de constituição de dados
A pesquisa, de natureza qualitativa, consistiu em acompanhar e avaliar o processo de elaboração e utilização de jogos didáticos por futuros professores de Física, os quais são bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID. O projeto PIBID, do qual participam como bolsistas, desenvolve suas ações/atividades em uma escola estadual pública de Ensino Médio. O desenvolvimento do projeto na escola ocorreu em duas turmas de primeiro ano e duas turmas de segundo ano do Ensino Médio. O PIBID contou com a participação de seis bolsistas, os quais são alunos de um Curso de Licenciatura em Física, de uma Universidade Pública situada na referida cidade, um professor supervisor da escola parceira e um professor coordenador de área do referido curso. A participação dos bolsistas ocorreu no projeto em diferentes ações: acompanhamento em sala de aula do professor supervisor junto às aulas de Física; reuniões de planejamento anual; reuniões de pais, de escola e de classe; oficinas temáticas; construção de materiais experimentais, elaboração de jogos didáticos, seminários, mostra de filmes, oficinas para o Enem, aulas experimentais, mostras de Ciências, etc. Mas como se chegou às ações desenvolvidas no âmbito do projeto? As ações que ocorreram na escola foram inicialmente discutidas em reuniões realizadas quinzenalmente com a coordenadora de área do projeto e professora supervisora. Nessas reuniões, as ações pensadas levou em consideração os alunos, o professor, o conteúdo de Física que estava sendo ou seria trabalhado, mas também, de forma específica, as áreas de interesse dos bolsistas quanto a como os conteúdos poderiam ser abordados metodologicamente nas ações. Nesse ponto surgiu a abordagem dos conteúdos por meio do uso da História da Ciência, de recursos áudios-visuais, de jogos didáticos, de experimentos, etc. Após, de forma a possibilitar aos bolsistas uma visão mais ampla das áreas de interesse apontadas por cada um, foram propostas leituras de trabalhos acadêmicos que auxiliassem os mesmos nas discussões, resultados e/ou orientações sobre as áreas de interesse. Em seguida, os bolsistas partiram para o planejamento das ações. As reuniões dos
bolsistas com o professor supervisor da escola ocorreram semanalmente, intercaladas as do professor coordenador. Dessa forma, todas as ações ocorridas em sala de aula foram resultados de reflexões compartilhadas por todos os membros do projeto. Para cada ação proposta foi elaborado um cronograma de aplicação considerando-se os conteúdos a serem trabalhados. Quando da aplicação em sala de aula, os bolsistas, juntamente com o professor supervisor, ajudava a desenvolvê-las. Isso possibilitou tanto ao professor quanto aos bolsistas, o compartilhamento de experiências sobre a atividade a ser desenvolvida, ou seja, articulação entre formação inicial e continuada. Além disso, foi solicitado aos bolsistas, por meio do uso de um caderno, que redigissem narrativas sobre a participação nas ações na escola, suas reflexões, memórias, sentimentos (NACARATO, 2008). Diante da quantidade de dados passíveis de serem discutidos no âmbito do projeto, é trazido para a discussão nesse trabalho a pesquisa que está sendo gerada em uma das frentes do projeto, a qual está relacionada ao uso de jogos didáticos como recurso didático de ensino e aprendizagem em Física.
Ao acompanhar as aulas de Física de uma das turmas do segundo ano do Ensino Médio, foi verificado pelos bolsistas que os alunos tinham dificuldades no conteúdo de Física que envolvia a conversão de escalas termométricas. Considerando as leituras efetuadas pelos bolsistas a respeito de trabalhos acadêmicos que tratavam do conteúdo, bem como levando em consideração que uma das áreas de interesse de um dos bolsistas era os jogos didáticos, estes decidiram então elaborar, a partir do jogo de Dominó comum, um 'Dominó Termométrico'.
Na ótica de alguns professores de Física, quando este busca algo novo para enriquecer suas aulas, recorre geralmente aos experimentos, mas estes nem sempre resolvem o problema de participação dos alunos. Como também, em relação à questão lúdica, se o professor procurar algum jogo que envolva a Física, pouco encontrará. Uma solução para este problema é a elaboração do jogo pelo próprio professor. (VICTOR, STRIEDER, 2012, p. 06)
Inicialmente os bolsistas transformaram todas as peças do Dominó comum de forma que as mesmas contivessem valores correspondentes aos das escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin. Isto é, se a peça dobrada (carretão), que está na mesa for a correspondente a temperatura de 100ºC, a peça a ser colocada pelo aluno deveria ser de 212ºF ou 373K.
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Figura 01: Manual do jogo 'Dominó Termométrico'.
Ainda, por se tratar da primeira experiência dos bolsistas com relação ao uso de jogos didáticos, decidiram aplicar um instrumento de avaliação acerca da avaliação dos alunos quanto à sua aplicação. Assim foi elaborado um questionário para que os alunos respondessem após a aplicação do jogo, em que expusesse de forma qualitativa a experiência vivenciada. Essa avaliação foi pensada para que em futuras atividades dessa mesma natureza, o jogo pudesse ser aprimorado ou reestruturado para esse mesmo conteúdo ou outros. O jogo 'Dominó Termométrico' foi jogado por 23 alunos do segundo ano do Ensino Médio durante duas horas-aulas de Física.
A atividade foi realizada em uma das turmas do segundo ano do Ensino Médio, foi solicitado, pelo professor, que os alunos se agrupassem em três grupos, sendo dois bolsistas responsáveis pelas instruções para cada um destes. Distribuído o jogo juntamente com o manual de instruções para cada grupo, os bolsistas explicaram aos grupos como era o jogo e sua finalidade, ou seja, que seguia as regras de um dominó comum com a exceção de que agora para encontrar as peças correspondentes eles teriam que conhecer um pouco mais de Matemática e de Física, para matematizar os resultados das peças de suas mãos com as peças da mesa, para então poder jogar.
O real papel dos bolsistas na sala de aula foi o de auxiliar os alunos durante o jogo, pois eles encontraram algumas dificuldades que foram sendo solucionados ao decorrer das rodadas, e coube ao professor supervisor coordenar os bolsistas auxiliando no decorrer da atividade. Cabe destacar, que o professor da referida turma já havia ensinado o conteúdo nas aulas anteriores. A seguir são discutidos os resultados dessa atividade. As peças do Dominó Termométrico foram impressas em folha de sulfite A4, cada peça foi recortada e colada em EVA, e para que durante o jogo as peças não sejam danificadas, foi utilizado o papel auto adesivo.
## Resultados e Discussão
Com o intuito de investigar como o jogo foi avaliado pelos alunos, a primeira pergunta do questionário foi: O que você achou de aprender conteúdos de Física jogando? Comente sua resposta . De forma geral, os 23 alunos comentaram ter gostado de aprender o conteúdo de forma lúdica.
'Legal, me estimulou bastante' (Aluno 04); 'Muito bom, aprendi bastante' (Aluno 05); 'Achei legal' (Aluno 19); 'Achei ótimo' (Aluno 16); 'Até melhor, consegui aprender com mais facilidade' (Aluno 07); 'Achei que foi diferente' (Aluno 12); 'Achei muito bom porque é um jeito mais fácil de se aprender e é um jeito que todos participam' (Aluno 01); 'Jogando o conteúdo fica mais dinâmico e mais divertido' .
Alguns, ainda, ressaltaram a importância da dinâmica que o jogo criou não tornando o aprendizado uma atividade monótona, nem com a participação de uma parcela dos alunos, mas de todos ao mesmo tempo. Três (03) dos 23 alunos disseram que a atividade foi, relativamente, difícil por não conseguirem realizar as operações matemáticas envolvidas: ' Difícil, mas é legal ' (Aluno 06); ' Complicado, pelo fato de fazer contas ' (Aluno 10); ' Interessante e divertido apesar de eu não conseguir fazer as contas ' (Aluno 20). Outros, no entanto, destacaram justamente o contrário, o fato de o jogo ter possibilitado o aprendizado dos cálculos matemáticos e do conteúdo, envolvendo o raciocínio lógico, mesmo que ainda não conseguissem distinguir a Matemática da Física. Passerino (1998 apud MORATORI, 2003) aponta
esse resultado como um dos objetivos para o uso de jogos, o de proporcionar o raciocínio lógico-matemático.
'Muito bom, o que não aprendi durante 1 mês eu aprendi em 1 aula' (Aluno 22); 'Muito interessante, porque aprendi como fazer contas que eu nunca tinha feito' (Aluno 21);
- O aluno 13 enfatiza com mais ressalva o caráter lúdico do jogo ao dizer que aprendeu, mas que ' para se ganhar é preciso ter sorte, não estratégia '. A utilização do jogo tem como um dos objetivos a acomodação do aprendizado do conteúdo já estudado anteriormente pelos alunos ou até mesmo o aprendizado que não ocorreu na aula 'tradicional', com giz, lousa e exercícios. Por esse motivo, fora perguntado a eles o que aprenderam jogando que não aprenderam nas aulas anteriores.
'Pratiquei mais e consigo me lembrar melhor do conteúdo' (Aluno 02); 'Fazer as contas de um modo mais fácil' (Aluno 07); 'Basicamente e o que fizemos no jogo já tínhamos conhecimento' (Aluno 08); 'Aprendi a raciocinar mais rápido' (Aluno 09); 'Eu aprendi a fazer contas e a ter mais estratégias no jogo. Eu não aprendi a fazer contas de cabeça. Tudo perfeito' (Aluno 11); 'As contas e os meios de resolver' (Aluno 05); 'A realizar as contas com mais rapidez' (Aluno 14); 'A fazer contas de uma forma divertida, assim aprendendo mais' (Aluno 15); 'Novas fórmulas e meios de fazer contas' (Aluno 16); 'Quase tudo, por que no jogo tem mais tempo de pensar com os colegas' (Aluno 17); 'Aprendi que você aprende melhor jogando do que prestando atenção no professor' (Aluno 19).
Fora perguntado aos alunos também se outros professores já utilizaram jogos em sala de aula, em qual disciplina e o jogo utilizado. Dos 23 alunos, 14 deles responderam apenas ' Não '. Quatro disseram que ' Não ', justificando da seguinte forma: ' Não, ela não ensina bem, quero outro professor ' (Aluno 04); ' Não, só sabe passar matéria ' (Aluno 05); ' Não, esta aula foi a primeira a utilizar jogo didático ' (Aluno 14).
'Sim, o mesmo jogo, em aula de matemática ano passado' (Aluno 06); 'Sim, foi o mesmo, mas com outras contas' (Aluno 07); 'Sim, em matemática' (Aluno 09); 'Poucos professores usam esse tipo de atividade' (Aluno 10);
A quarta questão solicitou dos alunos que comentassem sobre o tipo de aula que mais tem com os professores e se eles utilizam algum recurso didático. A maioria dos alunos respondeu utilizando termos, tais como: ' normal, lousa, apostila e teórica '. Todas as respostas contendo esses termos convergem para o mesmo significado, que fornece a informação de que as aulas são ministradas na lousa e de forma expositiva seguindo o material enviado as escolas pela Secretaria Estadual de Educação.
'Aula teórica, é uma aula enjoativa, mas da pra aprender bastante, sim, livro' (Aluno 09); 'Às vezes, mas não são atividade e conteúdos dos livros didáticos' (Aluno 07); 'Aulas normais. Pois é textos de leituras, apresentação e etc' (Aluno 11); 'Aulas normais, textos, leitura e questões' (Aluno 12); 'Geralmente são aulas normais, a aula é legal, porem um pouco cansativo, no entanto, utilizar recurso didático (jogo) nas aulas foi uma boa ideia' (Aluno 14);F
A questão de número cinco versava levantar a possível explicação dos alunos quanto ao fato dos professores não utilizarem recursos didáticos como jogos, multimídia, vídeos em aulas, dentre outros. Cerca de um terço dos alunos (07) responderam que os professores não utilizavam devido ao mau comportamento de alguns alunos, o que resultaria em uma atividade infrutífera.
'Porque não confiam nos alunos e não fazem esse tipo de atividade' (Aluno 03); 'Às Vezes (talvez) pelo comportamento dos alunos' (Aluno 07); 'Pois sempre (tem) certa euforia por parte dos alunos e acaba em desordem' (Aluno 08); 'Porque fazem uma preparação de aula, mas alguns alunos não colaboram. Eu sei como funciona o dia-a-dia dos professores' (Aluno 11); 'Devido ao comportamento de certos alunos' (Aluno 14); 'Por causa de alguns alunos que não respeitam' (Aluno 17); 'Por causa de bagunça de alguns alunos, e o modo de explicar' (Aluno 20).
Outra parte dos alunos estava dividida entre respostas como a ' falta de atualização dos professores em conhecer novas práticas de ensino ' e o ' não acreditarem no funcionamento da mesma '.
'Porque os professores acham que isso não faz os alunos aprender a matéria que eles querem que você aprenda' (Aluno 01); 'Porque preferem usar métodos antigos' (Aluno 02); 'Porque são de um tempo muito antigo e não tiveram acesso a esses recursos' (Aluno 04); 'Pois muitos professores foram educados com conceitos diferentes e tradicionais' (Aluno 15); 'Porque são antigos [...] não gostam desse tipo de conteúdo' (Aluno 19);
A última pergunta tinha o interesse de investigar quais os jogos de preferência dos alunos para futuras elaborações, utilizações e análises. O mais popular entre os jogos foi o baralho, com 12 respostas, seguido por palavras cruzadas com 11, tabuleiro e dominó, ambas com nove e jogo da memória com oito.
'Truco!' (Aluno 01); 'Basquete, truco e uno' (Aluno 03) 'Baralho e tabuleiro' (Aluno 05); 'Palavrascruzadas, dominó, uno, jogo da memória' (Aluno 07); 'Baralho e tabuleiro' (Aluno 09); 'Baralho' (Aluno 10); 'Baralho, tabuleiro, palavras cruzadas' (Aluno 13); 'Memória, palavras-cruzadas e baralho' (Aluno 17); 'Baralho, dominó, palavras-cruzadas e todos os outros' (Aluno 21).
Por meio destas repostas é possível verificar como a aula foi aproveitada pelos alunos, tanto no âmbito do lúdico quanto no âmbito do conhecimento. Isso permite criar a perspectiva de querer continuar investigando essa temática com novos jogos didáticos e avaliando suas potencialidades e especificidades quanto ao uso.
## Considerações Finais
A experiência de elaboração do jogo pelos bolsistas foi muito rica quanto à formação proporcionada, uma vez que eles tiveram que pensar em recursos didáticos para trabalhar o conteúdo de Física. A fala dos alunos não deixa dúvida de que o jogo atingiu seu objetivo enquanto recurso não só de ensino, mas de aprendizagem também. Fialho (2008) ressalta esse caráter do jogo didático, ou seja, como uma 'ferramenta de reforço do conteúdo'. Neste caso, não só reforçou o conteúdo, mas também possibilitou sua aprendizagem para os que ainda não tinham atingido esse resultado em aulas anteriores. Fialho (2008), mostra também que tem um grande potencial em promover a socialização e a construção do conhecimento entre os alunos, dentre outras vantagens. Portanto, essa é uma síntese de alguns entre tantos benefícios que o emprego do jogo didático, em sala de aula, pode oferecer. Cabe ressaltar que, o fato de trabalhar com recursos dessa natureza exige muito mais do professor em sala de aula em termos de disponibilidade de acompanhamento, pois durante o jogo surgem várias dúvidas por parte dos alunos, seja referente ao conteúdo, como em relação ao próprio jogo. Em suma, avalia-se a utilização como sendo positiva tanto no que tange ao ensino quanto na aprendizagem de conteúdos de Física.
## Referências
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