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PERFIL SOCIOECONÔMICO DE ALUNOS DA EJA EM UMA ESCOLA PÚBLICA MINEIRA.

Noé Comemorável De Oliveira Neto, Regina Simplício Carvalho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PERFIL SOCIOECONÔMICO DE ALUNOS DA EJA EM UMA ESCOLA PÚBLICA MINEIRA

* Noé Comemorável Oliveira Neto , 1 Regina Simplício Carvalho 2

1 UFV/Departamento de Física / noefisica@hotmail.com

² UFV/Departamento de Química / resicar@ufv.br

## Resumo

Nesse trabalho o perfil socioeconômico de alunos, regularmente matriculados em uma turma de 1 o ano do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em uma escola pública estadual da cidade de Caratinga - MG foi elaborado através de coleta de dados, utilizando um questionário como ferramenta metodológica. O mesmo teve por finalidade relacionar os fatores socioeconômicos com o abandono dos estudos e o retorno destes alunos aos estudos bem como a opção pela EJA. A maioria dos alunos pesquisados é do sexo feminino, tem rendimento em torno de 1 a 3 salários mínimos e declaram morar em zona urbana. Muitos deles abandonaram os estudos por necessidade de trabalhar, pois não haviam conseguido na época, conciliar o trabalho com os estudos no ensino regular. O abandono aconteceu em grande parte no segundo ciclo do Ensino Fundamental. A totalidade dos alunos trabalha ou já trabalhou. O aluno ingresso na EJA mostra-se um aluno dedicado e as vivências que traz consigo lhe mostra que a sua esperança de emancipação depende de uma busca por recompensar o tempo perdido, esta passa necessariamente pela escola e o trabalho. Os dados obtidos serão utilizados na elaboração de material didático apropriado para o ensino de física na EJA.

Palavras-chave : EJA, perfil socioeconômico, ensino.

## Introdução

- O Brasil, em pleno século XXI apresenta um contingente de aproximadamente 14 milhões de analfabetos com 15 anos de idade ou mais, correspondendo a uma taxa de cerca de 10%, ou seja, um em cada dez brasileiros não consegue ler ou escrever. Considerando o analfabetismo funcional (pessoas com 15 anos ou mais de idade com menos de 4 anos de escolarização) a taxa chega em torno de 20% (BRASIL, 2008, 2012). Iniciativas como Programa Brasil Alfabetizado, Programa Nacional do Livro Didático para Educação de Jovens e adultos -PNLD e a Agenda Territorial de Desenvolvimento Integrado de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos têm sido propostas e desenvolvidas no sentido de contribuir para a redução dessa taxa alarmante de analfabetismo. A despeito dessas iniciativas, a taxa de redução tem diminuído lentamente ao considerarmos que em 2008 tínhamos 14,2 milhões de analfabetos e em 2010 13,9 milhões.

Por outro lado, a globalização da economia pressiona fortemente a alteração dos padrões educacionais uma vez que exige mão de obra especializada e com níveis de educação mais elevados. O mercado de trabalho necessita, cada vez mais, de profissionais mais qualificados, onde a educação básica não é mais

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26 a 30 de janeiro de 2015

suficiente. Esse fenômeno pode ser observado pelos dados apresentados nas pesquisas divulgadas pelo IBGE (2009) onde se constata que em 2002 a escolaridade média do brasileiro residente na região sudeste era de 7,2 anos de estudo atingindo 8,1 anos em 2008. Entretanto, o grande desafio que se apresenta é o Ensino Médio. As dificuldades encontradas em relação a este nível estão principalmente no acesso, mas também na permanência, no desempenho e na conclusão do curso, atualmente considerado essencial, para quase todas as funções produtivas.

Um dos indicadores utilizados, para medir os avanços educacionais de uma população é a proporção de pessoas na faixa de 25 a 64 anos de idade com 11 anos de estudo e a proporção daqueles que frequentam a escola. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio- PNAD informa que, em 2008, apenas 23,8% deste grupo possuía 11 anos de estudo, enquanto Estados Unidos e Rússia apresentam cerca de 88,0%. E apenas, cerca de 5,9% deste grupo estavam inseridos no contexto da chamada 'educação continuada'.

Nesse contexto a Educação de Jovens e Adultos (EJA) se apresenta como alternativa imediata recebendo alunos com diferentes realidades escolares sendo, portanto um espaço de diversidade. Ratifica-se, dessa forma como uma modalidade de educação com aspecto inclusivo, em sua gênese, e deve receber atenção especial, com condições apropriadas, visando possibilitar a todos os alunos a integralização da educação básica, sanando a dívida social para com esse publico que precisou abandonar o estudo no ensino regular.

## Descrição do trabalho

Visto que um dos maiores desafios da EJA é a diminuição da taxa de evasão, torna-se premente que novas metodologias e novos materiais adequados ao público alvo sejam elaborados para o aumento da motivação e consequentemente a permanência dos alunos na escola. Um dos motivos da evasão são os freqüentes insucessos obtidos pelos alunos em avaliações de matemática e nas ciências, especialmente na física, tida como difícil pela maioria deles. Além disso, os critérios e modos de seleção e organização curricular existentes não procuram dialogar com os saberes e expectativas desses alunos, desistimulando-os (OLIVEIRA, 2007).

Partindo-se do pressuposto que para iniciar e desenvolver estratégias de ensino é preciso primeiramente conhecer o público alvo (FREIRE, 2013), foi feita a opção metodológica de se utilizar questionário socioeconômico como instrumento de coleta de dados (LUCKE & ANDRE, 1986).

- O questionário foi elaborado com 02 questões abertas e 18 objetivas, em linguagem clara e acessível de modo que as respostas permitissem traçar o perfil dos educandos. Este foi aplicado em uma turma do primeiro ano do Ensino Médio da EJA, do turno noturno, em uma escola pública estadual localizada na cidade de Caratinga- MG. A turma é constituída por 35 alunos regularmente matriculados, e todos os 23 alunos presentes no dia da aplicação do questionário o responderam. Foram utilizados dois tempos de aulas e a única dificuldade verbalizada pelos alunos foi sobre o resgate na memória das datas de abandono da escola.

## Resultados obtidos

Avaliou-se, por meio de questionários e de dados fornecidos pela escola, o perfil socioeconômico dos alunos regularmente matriculados em uma turma de 1º

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ano do Ensino Médio da EJA, em uma escola pública estadual da cidade de Caratinga - MG, com a finalidade de relacionar esse fator com o retorno dos alunos aos estudos e a opção pela EJA, bem como o tempo disponível pelos discentes para dedicação aos estudos visando uma etapa futura de elaboração de material didático para o ensino de física adequado ao perfil desses alunos.

Na turma avaliada 80% dos alunos são do sexo feminino (Gráfico 1) e a faixa etária da turma vai dos 19 aos 57 anos de idade. O fato da maioria dos estudantes da EJA serem do sexo feminino reflete a maior presença das mulheres no mercado de trabalho e o maior número de mulheres chefes de família. Segundo o IBGE (2010), esse número dobrou no período de 2000 a 2010, fazendo com que um número maior de mulheres buscasse retomar os estudos na expectativa de melhorar as condições sociais.

Gráfico 1 : Sexo dos alunos da EJA na turma investigada.

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Dos 23 respondentes, 22 afirmaram trabalhar atualmente e um se encontra desempregado no momento. O que comprova que o público da EJA é um público com pouco tempo para dedicar-se aos estudos. Este dado é reforçado na questão que se refere à jornada de trabalho, onde 9 relataram trabalhar de 31 a 40 horas semanais, 7 disseram que trabalham mais de 40 horas, 5 afirmam que sua jornada de trabalho é entre 11 e 30 horas e apenas 2 afirmaram não ter jornada fixa de trabalho, uma dona de casa e o desempregado.

Apesar do pouco tempo para se dedicar aos estudos ser um fator, que provavelmente, causa desmotivação nos discentes, segundo Arroyo (2006) o aluno ingresso na EJA mostra-se um aluno dedicado, pois traz consigo vivências que lhe mostraram que a sua esperança de emancipação ou busca por recompensar o tempo perdido passa pela escola e o trabalho.

Quanto a renda pessoal, a maioria, 52% afirmam ter renda de até 1 salário mínimo, seguidos de 35% com renda entre 1 e 3 salários, e três sem renda fixa. Acredita-se que a baixa renda aqui apresentada também serve de motivação para a continuidade dos estudos, em busca de uma melhoria de emprego ou até mesmo favorecendo a obtenção de um. Dado que coincide com os publicados pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2010) que revelou ser a renda per capita do município de R$593,88.

No que se refere à renda familiar a maior parte dos respondentes 52%, relataram ter renda familiar entre 1 e 3 salários mínimos, 22% renda de 1 salário

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mínimo, mesmo número que respondeu que os rendimentos da família está entre 3 e 6 salários mínimos. Apenas um respondeu possuir renda superior a 6 salários mínimos (Gráfico 2).

Gráfico 2 : Renda Familiar Média dos alunos da EJA.

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Apesar da renda declarada pelos respondentes ser relativamente baixa, 57% afirmaram ter moradia própria, 39% alugada e 4% declararam morar em residência emprestada. Os mesmos 57% responderam que em sua casa residem de 4 a 7 pessoas, 26% de 1 a 3 pessoas e 17% afirmaram morar sozinhos. Aqui se percebe outro dado interessante que é o da redução das famílias brasileiras. O censo do IBGE (2010) aponta a taxa de fecundidade da mulher brasileira entre 15 e 49 anos de idade como sendo de 1,9 filhos, número muito pequeno quando comparado com a média de 6 filhos que segundo o mesmo instituto era a taxa que ocorria em 1960.

Ainda relacionado à questão da moradia, entre os respondentes 21 afirmaram morar na área urbana e apenas 2 na zona rural. Notou-se aqui, por meio do aplicador, certo receio dos alunos em declararem morar na zona rural, uma vez que é de conhecimento dos docentes que o número de alunos provenientes da área rural é superior ao respondido. Porém, como a economia rural do município é sazonal, principalmente devido à colheita do café, a renda familiar de quem reside na área rural fica comprometida nos meses que não correspondem a colheita. Segundo o IBGE o valor do rendimento médio mensal dos domicílios rurais na cidade é de R$1.085,09 enquanto que na área urbana esse valor passa para R$2.119,78, assim muitos moram na área rural e trabalham na área urbana o que se entende ser o motivo dos alunos terem respondido morar na área urbana.

O vínculo empregatício dos alunos que responderam ao questionário mostrou a heterogeneidade do público da EJA. Esta resposta também reforçou a conclusão retirada do dado apresentado anteriormente, pois nenhum estudante afirmou trabalhar no campo. Na questão proposta o aluno respondeu em que setor trabalha atualmente. A maioria citou ser autônomo, mas foram registrados casos de alunos que trabalham na construção civil, funcionários públicos, comerciários, trabalhadores domésticos, serviços gerais em escolas privadas, no lar sem remuneração e desempregado.

Ainda sobre o emprego, os estudantes responderam qual a importância principal de trabalhar. Doze disseram que trabalham principalmente para ajudar nas despesas da casa, 1 aluno respondeu que trabalha para sustentar a família, 1 para custear os estudos e 9 afirmaram que trabalham para ser independente. Aqui se

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desponta outra questão, a prioridade do trabalho sobre o estudo. O trabalho sobrepõe ao estudo no sentido que, na maioria dos casos, é uma necessidade não individual, mas sim do grupo familiar.

Para se conhecer o histórico estudantil da turma e as possíveis causas do abandono do ensino regular, os alunos foram perguntados: 'Com que idade você começou a trabalhar?'. Dos 23 discentes que responderam ao questionário 9 relataram ter começado a trabalhar antes dos 14 anos de idade, 11 alunos entraram para o mercado de trabalho entre 14 e 16 anos, 2 em idade entre 17 e 18 anos e apenas 1 estudante relatou ter começado a trabalhar após os 18 anos de idade. Os dados estão apresentados no gráfico 3 a seguir:

Gráfico 3 : Idade em que o aluno EJA começou a trabalhar.

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Aponta-se a prioridade pelo trabalho como provável causa do abandono da escola regular, visto que para a maioria dos estudantes da EJA conciliar o ensino regular e o trabalho seria improvável e sendo as questões financeiras em curto prazo prioridade os alunos optam pelo trabalho até terem oportunidade de regressar à escola na EJA. Apesar desta visão, 10 dos respondentes afirmaram que o trabalho não atrapalha os estudos.

Ainda sobre o perfil do estudante da EJA, a média de idade da turma analisada é de 31 anos, um pouco maior que a média nacional registrada pelo censo escolar do INEP (2012), que é de 28 anos para o Ensino Médio e 38 anos para os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Um questionamento frequente a respeito dos alunos matriculados no Ensino Médio da EJA é que sendo a grade curricular da EJA muito menor que a do ensino regular, os alunos repetentes do ensino regular poderiam estar migrando para a EJA com o simples objetivo de ter os estudos promovidos e assim poderiam descaracterizar o público alvo desse segmento.

A resposta para esta questão, na turma investigada é negativa, isso não acontece, pois quando perguntados a respeito da repetência de série no ensino regular, a maioria dos alunos, 13, afirmaram nunca ter repetido e dos 10 que repetiram, 7 foram reprovados apenas uma vez. Somente 3 estudantes repetiram de série mais de uma vez no ensino regular. Este dado revela, que os alunos que estão cursando a EJA, não podem ser caracterizados como alunos com alto índice de repetência que buscam um caminho alternativo e mais rápido para concluir o Ensino Médio, mas sim como aqueles que em algum momento abandonaram os estudos

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para priorizar outras situações de vida e agora sentiram a necessidade de retornar a escola para concluir o Ensino Médio.

Todos os alunos afirmaram que em algum momento abdicaram dos estudos e quando foram perguntados: 'Em que série você deixou de estudar?' 16 alunos responderam entre o 6° e o 9° ano do Ensino Fundamental, 4 durante o Ensino Médio e 3 entre o 1° e o 5° ano. Estes dados em percentual são apresentados no gráfico 4 abaixo.

Gráfico 4 : Ciclo do ensino em que os alunos abandonaram os estudos.

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A maioria dos estudantes, 21 dos 23 respondentes, afirmaram ter entre 10 e 18 anos quando abandonaram a escola. Apenas 1 aluno disse ter abandonado com menos de 10 anos de idade e 1 aluno entre 18 e 24 anos de idade. Observando a idade em que ingressou no mercado de trabalho e o momento em que abandonou a escola, percebe-se que os dados coincidem, reforçando a relação que se faz do abandono dos estudos em função do trabalho.

Em relação à EJA apenas 3 dos respondentes já haviam cursado anteriormente e abandonado, destes 2 disseram que por motivo de mudança (país/estado/cidade) e 1 relatou que deixou por motivos pessoais.

Os motivos que levaram o aluno a retornar à escola também foram descritos por eles. Dos respondentes 10 alunos afirmaram ter retornado com o objetivo principal de adquirir mais conhecimento, 5 disseram que voltaram a estudar para conseguir um emprego e outros 5 para trocar o emprego atual por um melhor, 2 estudantes possuem como objetivo principal progredir no emprego atual e 1 relatou ter retornado para atender a vontade da família.

Quando inquiridos sobre qual o principal fator que os levou a optar pela EJA, 10 discentes disseram ser este segmento a melhor maneira de conciliar os estudos com o trabalho, uma vez que o ensino regular exige um desprendimento de tempo maior, pois segue um calendário de 200 dias letivos ao ano com 5 hora/aula diárias, no caso do curso noturno, enquanto que na EJA são 100 dias letivos no semestre, com 4 hora/aula por dia, exigindo, portanto menos tempo. Ainda sobre a mesma questão, 4 estudantes afirmaram que a escolha pela EJA visa a obtenção da conclusão do Ensino Médio, 3 responderam ser uma opção para progredir no emprego atual e 6 mostraram que é pelo desejo de fazer outro curso e se preparar melhor para o mercado de trabalho. Um dado relevante que aparece nestas duas

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questões anteriores é que a maioria dos estudantes da EJA não se mostra estimulado a continuar os estudos após a conclusão do Ensino Médio.

O levantamento destes dados deve incentivar docentes que atuam na EJA a repensarem a prática e redefinirem quais conteúdos devem ser priorizados neste segmento de ensino, uma vez que o tempo em classe e extraclasse é muito menor. Trabalhar assuntos que realmente sejam relevantes para o aproveitamento cotidiano de cada um, valer-se da vivência dos alunos e explorar os conhecimentos que eles trazem, pode tornar os estudos mais atraentes a esses alunos, evitando que eles abandonem o curso sem concluir. Formar um diálogo entre conhecimentos escolares e sociais não é apenas uma questão de relacionamento é uma questão desafiadora e essencial para melhorar a qualidade da relação ensino aprendizagem e a relação entre professores e alunos jovens e adultos (SILVA e MOUNFORD, 2010).

## Conclusão

A EJA deve ser vista numa perspectiva mais abrangente, não apenas como uma tentativa de modificar dados estatísticos, aumentando o número de alunos alfabetizados ou mesmo o número de alunos com o ensino básico completo. Uma EJA de qualidade significa tentar amenizar os danos causados em uma parcela da população que em algum momento foi privada de seu direito à educação. Políticas educacionais sérias precisam atuar sobre esse segmento da educação na busca de melhorar sua qualidade, reduzindo assim a exclusão social para o público que dela usufrui.

Análises socioeconômicas como esta desenvolvida neste levantamento aqui apresentado, mostram o perfil de um público que carece e quer ter educação de qualidade, mas que muitas vezes precisa abrir mão desse direito por uma questão de sobrevivência sua e de seu grupo familiar. Conhecer o perfil do público da EJA é relevante para se planejar outras formas de ensinar como, por exemplo, a pedagogia por projetos, conforme defendido por Espindola e Moreira ( 2006).

Na EJA, os limites da educação possuem sentido muito mais amplo, ultrapassam as paredes da sala de aula destacando o vasto conhecimento que os alunos trazem de suas vivências. Metodologias diferenciadas devem privilegiar a participação ativa e dinâmica do aluno e principalmente considerar a experiência de vida que estes alunos trazem que servem como base para a construção de novos conhecimentos (ESPINDOLA, MOREIRA, 2006).

Com a expectativa de melhorar esse segmento do ensino, sugere-se que as atividades aplicadas à EJA sejam elaboradas refletindo uma relação com o cotidiano dos alunos, de forma que a nova informação possa se relacionar com os conceitos preexistentes nas estruturas cognitiva destes. A inserção de aulas práticas que utilizem materiais comuns ao dia a dia é uma boa prática. Considerando que essa turma, em específico, possui 80% de mulheres, ao trazer para as aulas de física, situações e exemplos relacionados com o universo feminino, espera-se que estes contribuam para facilitar a aprendizagem dos conceitos científicos.

Talvez, o maior desafio da EJA, seja o de encontrar um caminho que conecte a ciência e a tecnologia ao 'mundo' desse público com características tão peculiares. Para isso é necessário desenvolver uma linguagem que propicie uma comunicação efetiva e assim, não permitir que a escola venha excluir novamente

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esse aluno, retirando dele um direito básico que é a educação, ao qual ele já abdicou no passado por algum motivo e pelo qual ele resolveu buscar novamente.

## Referências

ARROYO, M. G. Formar educadores de jovens e adultos. In: SOARES, L. (org.). Formação de educadores de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

BRASIL, Ministério da Educação - MEC; Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade - SECAD; Diretoria de Políticas Públicas de EJA - Agenda Territorial de Desenvolvimento Integrado de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos, 2008.

BRASIL, Ministério da Educação, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Conselho Deliberativo, Resolução nº 44 de 05 de setembro de 2012.

BRASIL, Ministério da saúde - DATASUS; Renda domiciliar de municípios. Disponível em https://www.deepask.com/goes?page=caratinga/MG-Rendadomiciliar:-Veja-a-renda-media-familiar-per-capita-no-seu-municipio . Acesso em 10/06/2014.

ESPÍNDOLA, Karen. A estratégia dos projetos didáticos no ensino de física na educação de jovens e adultos (EJA) / Karen Espíndola, Marco Antonio Moreira. Porto Alegre : UFRGS, Instituto de Física, Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, 2006.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia : saberes necessários à prática educativa. 45 ed - Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013. a

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE), Série Estudos e Pesquisas. ISBN 978-85-240-4089-4 (meio impresso), 2009.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_; Minas Gerais - Caratinga - Dados gerais do município.

Disponível em http://www.cidades.ibge.gov.br/painel/painel.php?codmun=311340&amp;search=minasgerais%7Ccaratinga%7Cinfograficos:-dados-gerais-do-municipio&amp;lang=. Acesso em 10/06/2014.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP), ; Resumo técnico do censo da educação básica 2012, 2013.

LUDKE, M. e ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas . São Paulo: EPU, 1986.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de. Educar UFPR

, Curitiba, n.29, p. 83-100, 2007. Editora

SILVA, Ana Paula Souto; MOUNFORD, Danusa. Situações argumentativas no ensino de Ciências da Natureza : um estudo de práticas de um professor em formação inicial em uma sala de aula de Educação de Jovens e Adultos. Belo Horizonte: UFMG, 2010.

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